15 de junho de 2007

INTERVIEW - SUNSETH MIDNIGHT



VOCALISTA JAIR SAEZ AO VIVO


É CHOVER NO MOLHADO DIZER QUE A CENA ROCK/METAL NACIONAL VEM CRESCENDO MUITO E COMO CONSEQÜÊNCIA TEMOS GRANDES BANDAS SURGINDO COMO O SUNSETH MIDNIGHT, QUE SEM EXAGERO NENHUM, PODEMOS DIZER QUE É UMA BANDA PRONTA PARA ESTOURAR LOGO NO SEU PRIMEIRO TRABALHO SUN SETH, QUE TRAZ UM GOTHIC METAL REPLETO DE INFLUÊNCIAS DE HARD/ROCK/SYNTHPOP/INDUSTRIAL QUE VEM OBTENDO MUITAS RESENHAS POSITIVIAS EM REVISTAS E ZINES.
CONFIRA ENTREVISTA FEITA COM O GUITARRISTA/VOCALISTA RICARDO CAMPOS:

NEW HORIZONS ZINE: O álbum SUN SETH vem obtendo uma grande repercussão pouco tempo após seu lançamento, vocês esperavam rapidamente tanto reconhecimento?
Ricardo Campos:
Não. Fizemos as músicas com o coração e tivemos uma grande preocupação com a finalização do álbum, tanto musical quanto visualmente, mas não imaginávamos que ganhássemos rápido reconhecimento. Ainda mais porque a cena Gothic ainda não é tão forte no Brasil e não são tantas as bandas daqui que se aventuram por esses lados com músicas próprias. Estamos muito felizes com o resultado do álbum e é uma grande satisfação saber que as pessoas estão gostando dele.
NHZ: Falando do álbum ele abrange todas as vertentes do estilo, desde o GOTHIC tradicional (SISTERS OF MERCY, BAUHAUS, DEPECHE MODE), até as mais pesadas (PARADISE LOST, TYPE O NEGATIVE), além de outras vertentes como o SYNTHPOP e o HARD ROCK resultando num álbum variado e agradável, como foi chegar nesse resultado tão diversificado?
Campos:
A regra no Sunseth Midnight é não ter limite dentro da sonoridade Gótica e ainda nos damos total liberdade para trazermos influências de outros estilos. A banda é composta por músicos com gostos bem variados e foi bem natural o surgimento dessa sonoridade diversificada. Fazer esse tipo de coisa é arriscado, pois você pode acabar não agradando, mas para a nossa felicidade as pessoas estão gostando. Foi algo feito com o coração e não para abranger maior público ou tornar as coisas mais "acessíveis"... Enquanto compúnhamos, e posteriormente nos arranjos, dávamos para as músicas o que elas "pediam".
NHZ: As vocalizações são outro destaque, onde mesclam vozes graves, melódicas e guturais, como é o processo de composição para os vocais?
Campos:
Da mesma forma que as músicas, com o coração. Mas no caso das vocalizações ainda podemos perceber que tipo de sentimento a parte instrumental demanda, e seguimos com a adição das linhas. Temos a felicidade de todos os músicos no Sunseth Midnight cantarem bem, então podemos explorar algo bem amplo neste lado. Creio que no próximo álbum a diversidade será ainda maior no quesito, mas sempre mantendo a voz grave como chave, pois ela é uma das grandes identidades do estilo Gótico.
NHZ: A bela capa foi feita por Alessandro Bavari, que possui em seu currículo artistas como Eros Ramazotti, como vocês chegaram até ele?
Campos
: Pela Internet. Conferimos o trabalho dele e percebemos que o estilo artístico de Bavari tinha muito a ver com o nosso som, letras e atmosfera geral. Depois do primeiro contato passei para ele as idéias que tinha acerca do título "Sun Seth", mostrei todas as músicas e dei liberdade total para que ele trabalhasse em cima de uma arte que fosse voltada para a faixa-título do álbum, mas que também refletisse o contexto sonoro geral da banda. Ficamos maravilhados com o trabalho dele, assim como o que foi feito pelo Rodrigo Cruz no encarte e capa da versão digipack. As idéias do Sunseth Midnight e do Cruz bateram de tamanha forma que certamente o procuraremos para os futuros álbuns.
NHZ: O disco saiu pela HELLION RECORDS, o que estão achando do trabalho dela até o momento?
Campos:
A Hellion faz um bom trabalho. O nosso álbum está nas lojas e quem o confere encontra um padrão internacional, tanto sonoro quanto visual. Isso é fundamental para a "concorrência" com bandas de fora. O pessoal não tem muito dinheiro hoje em dia, então um artista que não prime pela qualidade de ponta corre o risco de sempre perder numa situação de "escolha" durante uma compra. Desde o começo a nossa parceria com a Hellion tem sido muito saudável e cremos na manutenção deste trabalho conjunto. O importante para uma banda que assina com uma gravadora é ter claro na mente que trabalhará muito, ainda mais do que trabalhou para conseguir aquele contrato. Não adianta mais ficar sentado sem fazer nada e reclamar que a gravadora não obtém os resultados esperados... Esse é o tipo de coisa que não funciona nos dias de hoje, pois o mercado é outro, o perfil dos fãs é diferente e ainda tem a Internet, que é uma faca de dois gumes.
NHZ: Recentemente a banda passou por mudanças de formação, queria que falassem dos novos membros e o que trouxeram para a banda?
Campos
: Sim, tivemos a entrada do vocalista Jair Saez e do baterista Lou Melt. O Lou já era antigo conhecido, pois toca no Hard Rocket, outra banda do nosso guitarrista/vocalista Theo Vieira. A entrada dele deu-se naturalmente, pois já vinha fazendo alguns shows com o Sunseth Midnight substituindo Luis Bueno, que atravessava algumas complicações pessoais. O Luis, por sua vez, era substituto do Ricardo Batalha, que gravou o álbum, mas infelizmente não pôde continuar a tocar bateria conosco por motivos de saúde. Também já conhecíamos o Jair, que há tempos curtia o som da banda. Ele se prontificou para fazer um teste logo que ficou sabendo que o Roger saiu e a identificação foi praticamente instantânea. Percebemos que ele supriria muito bem as vozes graves e nos daria um alcance ainda maior em outros tons. Além disso, com o desenvolver dos ensaios e já nos primeiros shows que fizemos juntos, o Jair mostrou-se um excelente frontman, com uma bela desenvoltura no palco. Quem quiser conferir vídeos ao vivo já com a nova formação, basta acessar o site do YouTube e digitar "Sunseth Midnight" no "search".
NHZ: Ricardo, você também é redator da revista ROADIE CREW, como é conciliar a atividade de revista com a banda?
Campos
: No dia-a-dia é trabalhoso, mas normalmente dedico todo o "horário comercial" dos dias de semana para a revista, enquanto as noites ficam voltadas para o Sunseth Midnight, tanto para composição quanto para "business" ou shows. Já os finais de semana trabalho pesadíssimo na banda, com gravações, ensaios, shows e outras atividades. Entretanto a vida de jornalista é sempre recheada de imprevistos, mas nada que atrapalhe uma carreira paralela na música. No lado profissional como redator da Roadie Crew, trato o Sunseth Midnight como qualquer outra banda nacional, sem utilizar o meu cargo para obter uma maior notoriedade. O público é inteligente e percebe quando uma banda precisa forçar a barra para aparecer, seja utilizando-se de bons contatos ou altos investimentos. Se a música não é boa nada disso é válido e algumas vezes algo bom ainda acaba perdendo-se no excesso. Quero que o Sunseth Midnight cresça pelos próprios méritos musicais e por tocar o coração das pessoas com o som que executa. Nada mais que isso.
NHZ: Apesar do pouco tempo de lançamento do debut, vocês possuem planos para um novo trabalho, devido à excelente repercussão de SUN SETH?
Campos:
Com certeza. Estamos compondo o novo álbum e muitas músicas já estão prontas. Entre o final deste ano e o início do outro já entraremos em estúdio para a gravação do segundo trabalho. Mas o leitor deve ficar atento, pois muito em breve soltaremos gratuitamente uma faixa nova como prévia do novo trabalho. Ela foi gravada recentemente no Carbonos Studio ao lado do produtor Beto Carezzato e com uma estrutura ainda superior à do "Sun Seth". Logo colocaremos informações a este respeito no site
www.sunsethmindight.com
NHZ: Essa parte da entrevista funciona da seguinte maneira: coloco alguns tópicos e queria seu comentário sobre cada um deles: PIRATARIA, PÚBLICO EM SHOWS DE METAL NACIONAL e a IMPORTÂNCIA DOS ZINES NO PASSADO E PRESENTE.
Campos: PIRATARIA
- Horrível. A maior inimiga da arte - no meu caso a música - na atualidade. Mas não dá para tapar o sol com a peneira e ficar sentado reclamando. As bandas devem se mexer, ter idéias novas e sempre tentar oferecer um produto cada vez mais completo ao seu público, conciliando altos padrões sonoros e visuais, assim como uma postura profissional. A pirataria está aí e é muito grande no nosso país, mas ainda acredito que as pessoas valorizem o produto físico e original se motivadas a isso.
PÚBLICO EM SHOWS DE METAL NACIONAL - Há poucos anos os shows da maioria das bandas nacionais de som próprio estavam em baixa, mas felizmente isso está mudando. As pessoas estão começando a valorizar as bandas ainda não consagradas daqui, que por sua vez estão oferecendo produtos cada vez mais profissionais e sabendo trabalhar melhor o contato com os seus fãs. Além disso, estão aparecendo mais casas de shows com estrutura digna do ingresso pago e o interesse dos proprietários em colocar bandas de som próprio tocando é crescente. Tudo que eu disse está interligado e é necessário que exista um funcionamento em conjunto. Assim, a tendência é que a coisa melhore ainda mais nos próximos anos.
IMPORTÂNCIA DOS ZINES NO PASSADO E PRESENTE - Imensa, tanto agora quanto no passado. A revista onde trabalho começou como um zine e recentemente comemoramos a nossa edição nº100, o que nos deixou muito orgulhosos. O zine faz parte da cultura do Rock e nunca deixará de existir. Está se adaptando com o advento da Internet, mas sempre terá o seu papel fundamental na veiculação de bandas novas e na informação dos fãs da boa música.
NHZ: Muito obrigado pela entrevista, um abraço á todos e deixe um recado para os leitores do zine.
Campos:
Agradeço esta oportunidade em nome de todo o Sunseth Midnight. Nos sentimos honrados em poder participar dos primeiros passos do zine NEW HORIZONS. Parabéns pelo ótimo trabalho e lhe desejo muita sorte nesta nova empreitada. Eu também gostaria de agradecer ao leitor pela atenção. Acesse o nosso site (
www.sunsethmidnight.com), ouça o material sonoro lá disponível e procure pelo nosso álbum nas lojas. Fazemos música para tocar o seu coração e esperamos poder encontrá-lo em nossos shows. IN GOTH WE TRUST!


ESQUERDA PARA DIREITA: RICARDO CAMPOS, JAIR SAEZ E THEO VIEIRA






SUNSETH MIDNIGHT – SUN SETH

HELLION - NAC



Finalmente uma banda para elevar o gótico nacional a um novo patamar, e não pensem que estou sendo injusto, pois o álbum é uma mescla perfeita da nova e velha escola do estilo.
Acompanhado de uma produção caprichadíssima, embalagem em digipack, e músicas de primeira como as sorumbáticas The Bath, Nosferatu, A Good Carrousel, modernas como Bleed Me (os teclados lembram HARD TIMES do SLAUGHTER), e Loneliness (a melhor do álbum), a POP Dancin’ with the Fire, e as mescladas She’s not innocent (puro THE CULT) e Stop Haunting Me, isso sem falar do show dos vocalistas Roger Lombardi e Theo Vieira (este a lá Joe Eliott – DEF LEPPARD).
Se houver um pouco de justiça, o SS00 se tornará um dos grandes nomes do gothic nacional muito em breve!


ENTREVISTA E RESENHA: JOÃO MESSIAS


FOTOS: VENOM

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