5 de julho de 2013

PANZER FEST: PARA ENTRAR NA HISTÓRIA DA MÚSICA NACIONAL


"Primeira edição do evento contou com ótimo público e apresentações intensas"

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Pri Secco

É fato que de uns anos para cá os ditos “headbangers” adoram bater no peito e que valorizam a cena de seu próprio país, com declarações que soam como letras do Manowar por meio das redes sociais, mas que chega na hora H, não vão comparecem aos shows, baixam os álbuns da internet (ou copiam de quem comprou), entre outras pérolas. Aí fica a questão: O que fazer?

Uma das alternativas é juntar bandas que nutrem dos mesmos objetivos e montar festivais. Dentre os que seguem este padrão temos o Live Metal Fest, Executer Fest e o Panzer Fest, realizado no dia 15 de junho (sábado). Este último que encabeça a nossa matéria de hoje!

Samuel Dias (Forka)
Foto: Pri Secco
Como o próprio nome diz, o fest é uma iniciativa da banda Panzer, veterano grupo thrash que fez muito barulho nos anos 90 com os álbuns Inside e The Strongest e que após um tempo e outros projetos, retomaram as atividades. Dessa volta, já conceberam um single (Rising) e um EP (Brazilian Threat). Para fazer parte da festa os caras chamaram quatro bandas de destaque na cena: Forka, Nervochaos, Woslom e Command6.

Decisão acertada

A casa escolhida para esta celebração foi o Cine Jóia, na Liberdade, local que já recebeu atrações nacionais e internacionais de peso como Cavalera Conspiracy e Morbid Angel. O que poderia ser ousadia por se tratar de uma casa maior do que  redutos do metal como Blackmore e Manifesto.

Esta decisão arrojada se mostrou certeira, o que pode ser vista logo na entrada da casa, com vários “camisas pretas” a porta da casa, expectativas que foram confirmadas logo na primeira apresentação.

O início do massacre

Ás 20h30 a primeira banda a entrar no palco foi o Forka. Do ABC paulista, o
quinteto formado por Ronaldo S. Coelho (voz). Alan Moura e Samuel Dias (guitarra), Ricardo Dickoff (baixo) e Caio Imperato (bateria) vive seu melhor momento da carreira com seu terceiro álbum, Black Ocean, que aposta numa linha mais direta (death/thrash) sem perder o groove. Outro fator que ajudou a elevar o nível da banda são suas apresentações, que se caracterizam pela agressividade, intensidade e descontração.


Guiller (Nervochaos)
Foto: Pri Secco
O show teve os ingredientes citados acima, mas chamou a atenção por algumas particularidades. A primeira estava na formação, que não contou com o baixista Ricardo, que sofreu um acidente e a banda optou por tocarem como quarteto sem ninguém segurando as quatro cordas.

Com um som cristalino, a banda impressionou pela fúria e com a coesão destiladas em canções como Black Ocean, Last Confrontation e The Human Race is Dead. Mas isso foi só o começo. Com uma resposta mais que positiva de quem estava na pista, os caras mandaram Feel Your Suicide, som que dá o título do primeiro CD dos caras e Knowing Your Suffering, que se destacou pelo groove frenético.

Após ajustes no som, a banda tocou mais uma do Black Ocean, Last Breath e depois de uma pequena pausa foi à hora de dois dos melhores sons da banda: Forgiveness Denied e Empire Surrender, que além da brutalidade, mostraram que os trechos em português casaram bem com a nova fase.

O show se encerrou com uma versão para Angel of Death (Slayer) com um jeitão Forka.

Acerto de contas

As apresentações das bandas seguintes, Panzer e Nervochaos foram uma espécie de acerto de contas. Sim, pois apesar da qualidade de ambas e de oportunidades de assisti-las por diversas vezes, já fazia mais de dez anos que não as via num palco. Sim, mas felizmente o festival me livrou dessa vergonha.

Rafinha Moreira (Panzer)
Foto: Pri Secco
O Nervochaos, atualmente formado por Guiller (voz/guitarra), Quinho (guitarra), Felipe (baixo) e Edu Lane (bateria) mostrou que está no melhor momento da carreira e que as apresentações pelo país e exterior deixaram a banda mais forte e coesa. Com um entrosamento de fazer inveja e uma ótima postura de palco, mandou aos presentes o melhor do death metal. Mesclando sons de toda sua carreira, a banda fez a alegria dos presentes com destaque para Total Satan, Might Justice,  Mark of the Beast, All-Out War. Outro fator digno de elogios são o entrosamento nos backing vocals feitos pela “linha de frente”, que tornaram as canções ainda mais maléficas e perfeitas.

Sob a frase “Deus não está aqui hoje” foi anunciada Pazuzu is Here, que foi respondida a plenos pulmões. Infelizmente Pure Hemp deu números finais ao show do quarteto, que mostrou que não deve em nada aos grandes nomes do estilo do exterior.

Já se passavam das 22 horas quando os thrashers do Panzer iniciaram seu show. Com toda a justiça aos seus trabalhos lançados nos anos 90, a banda, que hoje conta com Rafinha Moreira (voz), André Pars (guitarra), Rafael DM (baixo) e Edson Graseffi (bateria) vive seu melhor momento. Essa fase de glória pode ser vista e ouvida em Red Days, My Night, N.S.A e Burden of Proof. Antes de voltar a falar do “todo”, merecem ser citados os “Rafaeis”. Tanto o vocal como o homem das quatro cordas possuem uma postura insandecida, que contagia toda e qualquer alma. Essa energia ganhou o público que foi brindado com mais sons como Fake Game of Heroes e a nova The Last Man On Earth.

O show contou com as participações especiais de antigos integrantes como  Denis Grunheidt (Ancesttral) e Maurício “Cliff” (Sakrah), ou seja, estava tudo “em casa”. Torço para que logo soltem um novo álbum e que voltem ao lugar de onde não deveriam ter saído: o topo!

Após essas apresentações, me perguntei: Como fiquei mais de uma década sem assisti-las?

Evolução Monstruosa

Silvano Aguilera e Rafael Iak (Woslom)
Foto: Pri Secco
O Woslom era uma das bandas mais aguardadas da noite. Tal fato era constatado pela boa quantidade de bangers que estavam com a camiseta do quarteto. 

E essa ansiedade possui alguns motivos, como a performance insana do grupo em suas apresentações. Só que a principal causa é por causa de seu novo trabalho, Evolustruction, onde apesar de permanecerem no thrash, saíram da zona de conforto e apostaram em passagens mais trabalhadas com muita melodia e influências do heavy tradicional e do hard rock, o que resultou num dos discos mais aclamados deste ano.

Tá bom, vocês querem saber do show né? Os caras entraram mostrando o que o público queria ver: thrash. Purgatory, do Evolustruction abriu a apresentação impressionando pelo entrosamento do quarteto, principalmente os guitarristas Silvano Aguilera (também vocalista) e Rafael Iak, este último, inspiradíssimo, com uma performance digna dos mestres do estilo (alguém disse Alex Skolnick, do Testament), mostrando solos e riffs pavorosos como os de No Last Chance. Mas a cozinha formada por Francisco Stanich (baixo) e Fernando Oster mostrou a evolução de toda a banda, o que deu um sentido de unidade ao show, principalmente por tocarem com muito gosto e tesão.

Haunted by the Past, cujos backings poderiam tranquilamente figurar em qualquer protesto  e Evolustruction foram os pontos altos da apresentação, que se encerrou de forma sublime com Time to Rise, faixa título de seu primeiro álbum.

Creio que com mais shows, a performance do quarteto ficará ainda mais intensa e aí o planeta ficará pequeno para o Woslom.

Encerramento

Command6
Foto: Pri Secco
(Infelizmente) Com a casa mais vazia, coube ao Command6 fazer o encerramento do Panzer Fest. O quarteto formado por Wash (voz), Bruno F.Luiz (guitarra), Johnny Haas (baixo) ,Bugas (bateria) e que atualmente contam com Alex Gizzi (Trayce) de forma temporária mostraram que são um nome para ser ouvido com mais atenção.

Unindo diversas escolas do rock/metal e um vocal com a saudável influência de John Bush (ex-Anthrax) os caras entraram mandando bronca com sons de seu segundo álbum, Black Flag, lançado no ano passado. As músicas Crush the World, Lies So Pure, So Cold e Dawn of a Man mostraram muita dinâmica e entrosamento, cujos destaques são a coesão e os vocais de Wash, que considero um dos melhores da atualidade. Depois da boa impressão das primeiras faixas, os caras mandaram a faixa título do segundo álbum, Black Flag, que mistura as escolas dos anos 80 e 90 e You Want it You Got It, dona de uma levada empolgante.

A apresentação teve a impressão de ter passado rapidamente quando a banda anunciou o último som, Jesus Cry, do primeiro álbum “Evolution”, dona de um ritmo alto astral, graças a energia dos riffs.

Saldo Final

Uma noite que perfeita, que deixou todos os presentes satisfeitos e que não deve em nada aos grandes shows do estilo. Vamos ficar no aguardo da segunda edição, prometida para o final do ano!

Agora senhores headbangers, não há desculpa para não comparecerem nos shows!

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