4 de dezembro de 2019

HISTÓRIAS QUE SE CRUZAM


Apresentação de banda polonesa no ABC marcou meu retorno a cena 

Por João Messias Jr.

Falar do Besatt é traçar a minha volta na cobertura de shows underground. Embora estivesse em eventos e resenhando discos, o ciclo ainda não estava completo.

Em 2010, um amigo da universidade me informou do evento e lá fomos, um rolê que contou com os poloneses e bandas daqui da região. Embora não manjasse nada de ninguém que se apesentou naquela noite, foi o suficiente para reacender aquele antigo sentimento de viver intensamente esse tal de rock and roll, o que permanece até hoje.

Passados nove anos desde aquele evento, assisti a banda mais algumas vezes e num meet and greet realizado no ABC, tive a felicidade de rever os caras e adquirir o mais recente trabalho dos caras, Anticross, de 2017.

Musicalmente, a banda soa muito diferente daquela época. Beldaroh (vocal/baixo), Colossus (guitarra), Astaroth (guitarra) e Exernus (bateria) soam mais variados e coesos, sem perder a aura maléfica do estilo.

Engraved Face é um dos exemplos. Dona de clima climáticos e coros gregorianos, é já entrega o que ouviremos pela frente. Battle, como o nome sugere, possui uma levada marcial e climas/narrações assustadoras, enquanto o caos predomina em My Sacrum e Brings the Light. Outros destaques ficam para a trampadíssima In my Veins, In my Heart e a épica Regnum Satanas, que coroa este excelente trabalho, muito bem produzido e chama a atenção pela capa, feita por Marcelo Vasco (Slayer).

O sentimento é de felicidade dobrada, por estar na ativa firme e forte e ver os poloneses em mais uma tour pelo pais. Além do agradecimento ao Besatt, Necromesis, Chaoslace, Mortal Hate , Sakramento e Processo do Ódio, bandas presentes naquele rolê.

12 de novembro de 2019

O ROCK É IMORTAL E ATEMPORAL




Festa de lançamento do novo album da Armored Dawn é mais uma evidência do bom momento vivido pelo metal nacional

Por João Messias Jr.

Muito se fala e comenta do fato de muitos dos nossos heróis do rock já terem partido para outro plano ou anunciando a aposentadoria, como fez recentemente Peter Frampton. Mas a questão é: devemos nos conformar e ficar em casa ouvindo nossos velhos discos e buscando coisas no youtube?

A resposta é não, pois com as facilidades tecnológicas, bandas conseguem lançar trabalhos de qualidade e alcançar mais pessoas com facilidade.

E dentre essa lista bem generosa, temos a Armored Dawn. Na estrada há algum tempo e fazendo um trabalho intenso da propagação de sua música, Eduardo Parras (vocal), Tiago de Moura (guitarra), Timo Kaarkoski (guitarra), Heros Trench (baixo), Rodrigo Oliveira (bateria) e Rafael Agostino (teclado) chegaram ao auge da carreira com o novo album, Viking Zombie.

Trabalho que foi apresentado para imprensa e convidados no dia 17 de outubro no Via Matarazzo (SP), na região da Barra Funda.

Cheguei por volta das 20h15 e havia muita gente no espaço, que teve como "esquenta" clássicos do rock/metal, como Bark at the Moon (Ozzy Osbourne), Midnight Mover (Accept) e I Wanna Be Somebody (WASP). Sons que rolaram até às 20h50, quando Thiago Bianchi deu as boas vindas aos presentes e falou das novidades da sua banda, o Noturnall.

Feito isso, passou o microfone para Rodrigo Branco (Kiss FM), que passou alguns detalhes da festa e chamou os membros do grupo um a um para a coletiva de imprensa e audição de Viking Zombie.

Durante a coletiva, foi interessante ver e ouvir em especial Eduardo Parras e Rodrigo Oliveira falarem do processo do álbum, que diferente de Barbarians in Black, foi feito no Brasil e a primeira tour européia que serão headliners.

Outra coisa que chamou a atenção foi a visão de marketing e planejamento que mostrou como um trabalho, que teve muito investimento (financeiro e estratégia), começa a colher seus frutos.

Interessante citar que não havia apenas a mídia do metal, havia muitos veículos não segmentados, que mostra a preocupação com o todo e não apenas em ser grande no seu próprio meio.

Afinal, ter uma banda que em um relativo tempo de existência, realizou centenas de shows, turnês e possuir dois fãs clubes, não é para qualquer um.

Como havia muita gente, houve alguns momentos que se foi necessário pedir para alguns presentes abaixarem o volume, mais de uma vez, mas nada que ofuscasse o brilho do evento.

O Álbum

Sabiamente, o Armored Dawn entendeu o caminho de fazer uma música atualizada sem abrir mão de seu estilo. Para esse terceiro disco, o sexteto deu uma enxugada nas canções, caprichou no peso e refrão, o que resultou num álbum gostoso e fácil de ouvir.

O disco abre com as certeiras Ragnarok e Animal Uncaged, conhecidas pelos seus videoclipes, que mostra que os meninos não estão pra brincadeira.

Algumas pontuações merecem serem ditas. Eduardo está explorando mais possibilidades com a voz, o que caiu como uma luva e os teclados possuem um toque escandinavo que fez o casamento perfeito no disco.

Outros destaques ficam  por conta da radiofônica Viking Zombie, Drowning (que lembra Return to Serenity - Testament), a poderosa Heads are Rolling e a climática Rain of Fire.

O projeto gráfico feito por João Duarte é fabuloso, que agradará a todos que queiram ter o material físico, cuja versão recebida é dupla e conta com o trabalho anterior, Barbarians in Black, com bônus acústicos.

A produção, feita por Rodrigo e Heros possui um tom mais orgânico, que casou com a sonoridade do disco.

Evidências que apontam que o rock viverá por muitos anos. Só basta que muitos deixem o saudosismo de lado e acompanhem o presente e o futuro do estilo.

14 de outubro de 2019

ALÉM DO QUE OS OLHOS PODEM VER



Psicodelia com toques alternativos é a receita do quarteto em recente trabalho

Por João Messias Jr.

A referência do álbum da banda gospel Oficina G3 vai muito além de um título bonitinho para essa resenha.

O título do referido trabalho descreve a sensação que temos a ouvir o álbum do quarteto Giant Jellifish. Olhando a capa, que mescla o óbvio e o abstrato, sugere uma banda psicodélica. 

Embora seja a base do disco, Teka Almeida (vocal/teclado), Rafa Almeida (guitarra), Thiago Tiba (baixo) e Leandro de Villa (bateria) não ficam somente na vibe de 1960/70, tendo como complemento um molho do rock alternativo noventista (alguém pensou Sonic Youth?).

Essa mistura é bem evidenciada em Dusting Dreams e Last Golden Age Syndrome. Em especial pelos climas e distorções de guitarra.

This Landscape of Steel se destaca pelo peso, enquanto Smokey Mary  se mostra a melhor do disquinho.

Guitarras elaboradas que se fundem a vozes  que vão da doçura ao discurso, que mostram um caminho que a banda deveria investir no futuro.

A produção, feita no Acústica Estúdios (Woslom/Arthanus) é muito boa, o que possibilita ao ouvinte captar com clareza o som dos caras.

Se for sua praia, embarque na nave. Do contrário, ouça antes de tirar suas conclusões.

10 de outubro de 2019

AULA DE MÚSICA BEM FEITA



Com referências no thrash/stoner, quarteto mostra um bom trabalho de guitarras e sons contagiantes

Por João Messias Jr.

O material de divulgação do álbum The Monster You Created (2018), sugere uma banda com referências de Pantera, Sepultura e Slayer. Óbviamente que essas influências são encontradas em muitos momentos do disco. Só que, para a nossa surpresa, temos muito mais que isso (felizmente).

O quarteto formado hoje por Flavio Giraldelli (vocal), Augusto Cardozo (guitarra), Gilmar Roberto (baixo) e Raphael Miotto (bateria) vai além, temperando o som com toques de Black Sabbath e Black Label Society, o que garante qualidade, peso e músicas muito boas.

As referências citadas no fim deste parágrafo aparecem de peito aberto na ótima Hanged Man's Ballad. Lenta e pesadona, apresenta ritmos quebrados e partes bem sacadas, além de uma letra de conscientização sobre o suicídio.

Bad Trip é outro momento interessante, por alternar momentos cadenciados e outros que flertam com o hardcore. Já Just in Case of Loss Read It possui um quê de Sacred Reich, enquanto Chaospiracy se destaca pelo ritmo arrasa quarteirão e o jogo de vozes.

A Lesson of Hate é um rockão da porra e o lado mais visceral aparece em God Bless Our Hate e Blinders.

A arte feita por Caio Bakargy lembra muito alguns desenhos dos anos 80 e casou com o conteúdo sonoro. Produzido pela própria banda e materizado por Brendan Duffrey (Hatematter, Furia Inc., Voodoopriest), apresenta um som uniforme e bem equilibrado.

Os caras fizeram a parte deles, agora cabe ao público conhecer, pois vale a pena.

30 de setembro de 2019

VERDADEIROS



Um verdadeiro tributo aos fãs de metal tradicional é a receita vencedora do Hellish War

Por João Messias Jr.

Numa cena que é rodeada por bandas de mentira, audiência (likes) falsa e intolerância com o próximo é de aplaudir bandas que mandam um foda-se para essas tendências e mantém o foco na música.

Só por esse motivo, Wine of Gods novo disco de estúdio do Hellish War, merece ser ouvido. Seis anos após o excelente Keep it Hellish, Bil Martins (vocal), Vulcano (guitarra), Daniel Job (guitarra), JR (baixo) e Daniel Person (batera), soltam um novo trabalho que mantém o alto nível musical.

Logo nos primeiros segundos da faixa título, sacamos o que virá pela frente, metal tradicional raiz, recheado de um ótimo trampo de guitarras (talvez o melhor da banda), cozinha consistente e um vocal que conduz com maestria o clima do disco.

Wine of Gods já possui alguns clássicos como Falcon, dona de uma linha pra lá de empolgante e a variada Devin.

Outros exemplos ficam por conta das excelentes Dawn of the Brave e House in the Hill, que evidenciam que Bil está mais do que entrosado com o grupo.

A épica/melódica Paradox Empire
a poderosa Warbringer, que conta com a participação de Chris Boltendahl (Grave Digger) são outros pontos altos do disquinho.

Que possui outros atrativos, como a bela qualidade sonora, cuja mixagem/masterização ficaram por conta de Ricardo Piccoli, além da capa feita por Eduardo Burato, que é fiel ao som do grupo.

Tudo embalado num belo digipack que recebeu um projeto gráfico feito por Juh Leidl (Freesome) e que cairá nas graças dos apreciadores do produto físico.

Wine of Gods é daqueles disquinhos que merecem aquele ritual dos saudosistas/fiéis: comprar o produto físico, tirar o CD e botar pra rolar.

27 de setembro de 2019

FÚNEBRE



Duo sergipano resgata o início do doom metal em EP

Por João Messias Jr.

Binho Carvalho (vocal/guitarra) e Arysson Lima (baixo/bateria) já merecem crédito pela iniciativa de terem criado o Mass of Souls. Pois o duo apresenta uma proposta musical um pouco esquecida, mas repleta de fãs fiéis: o resgate do doom metal.

Vale dizer que o doom que falamos nada tem a ver com o clima lisérgico e psicodélico de bandas como Saint Vitus e Trouble. 

Mas aquele de clima moribundo, fúnebre e arrastado, dos primeiros dias do Anathema, Katatonia e Paradise Lost, cujo resultado está no primeiro EP do duo.

As características do estilo dão as cartas logo de cara em Dark River of Lost Souls, com destaque para os guturais, vindos das profundezas.

Limbo é bem arrastada, enquanto Rebel Path of Conscience e One Soul Refuse são os destaques, por apresentarem mais variação, melodias trabalhadas, flertes com o black metal.

Vamos ficar de olho nos próximos trabalhos dos caras, que podem fazer algo mais ousado e fora da casinha. Além de uma capa melhor é claro

23 de setembro de 2019

A VERDADEIRA ESSÊNCIA DO METAL



Novo trabalho dos paulistas aposta em riffs bem construídos e canções para bater cabeça

Por João Messias Jr.

O metal hoje ficou algo tão cheio de regras, cartilhas e formadores de opinião, que a grande maioria dos fãs do estilo se esqueceu do principal elemento que nos faz tão devotos: os riffs.

Feitos para bater cabeça, esse "artifício" consagrou muita gente como Malcolm Young (AC/DC), Scott Ian (Anthrax) e o pai de todos, Tony Iommy (Black Sabbath) e aqui no Brasil temos um grupo que é fiel dessa escola: o Distort, que acaba de soltar um novo trabalho.

Batizado de New Terror Against Greed, o disquinho é uma reedição  do disco de estreia (Terror Against Greed), que conta com a regravação de vozes e cordas, além de um novo trampo gráfico.

Para aqueles que não sabem, o Distort conta com Cristiano Fusco, guitarrista que gravou os primeiros álbuns do Torture Squad. 

Agora acompanhado de Heverton (vocal, Imperium Infernale), Caio (baixo) e Thiago (bateria),  o quarteto investe no thrash metal, cheio de riffs fodásticos, daqueles feitos para bangear, como Mad as a Hatter e Covering a Face. Porém, esses são apenas dois exemplos, pois o disco todo apresenta excelentes riffs.

Outro destaque são para os vocais de Heverton, que casou bem com o instrumental, assim gerando sons interessantes como Hidden Thoughts, Blowing Up, essa com direito a um "Uh" (os fortes sacarão) e Thrashed Life, essa bem Kreator.

Um disco indicado não apenas aos thrashers, mas em especial para aqueles que apreciam música orgânica, feita com paixão.