19 de janeiro de 2016

A COMBINAÇÃO DE TODOS OS ELEMENTOS

Músicos veteranos fizeram um belo trabalho em seu disco de estreia

Por João Messias Jr.

Heaviest
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Embora já tenha feito um início dessa forma, falar desse grupo requer uma reutilização dessa fórmula. Faceless, Ready Mades e Acid Storm. Bandas que cada uma a sua época brilharam, mas que por aqueles famosos percalços do destino não atingiram o sucesso que mereciam. Assim como naqueles filmes épicos, onde guerreiros de diferentes tribos se unem para combater algum tipo de mal, músicos juntam forças e criam um novo grupo. Porém com uma proposta um pouco distante de suas raízes. Dessa fusão nasceu a Heaviest, que lançou recentemente seu primeiro álbum.

Chamado Nowhere, o trabalho chama a atenção pela sonoridade, que embora mantenha o peso e a estrutura do heavy metal, tem os pés na modernidade. com referências a grupos como Stone Sour, Adrenaline Mob, Korn, Pantera e Metallica. Mas isso não foi problema para  Mario Pastore (voz), Guto Mantesso (guitarra), Marcio Eidt (guitarra), Renato Dias (baixo) e Vito Montanaro (bateria), que usaram a experiência ao seu favor e fizeram um disco empolgante (e pesado do início ao fim).

Sem egos e mimices, o talento dos envolvidos salta aos olhos a cada canção executada. Alguns exemplos ficam por conta da faixa que nomeia o disco e Decisions, que chamam a atenção de primeira pelas excelentes tramas criadas pelas guitarras, o baixo marcado, bateria com timbres bem definidos e uma linha vocal agressiva, na medida certa, sem exageros.

Outros pontos altos ficam por conta do refrão grudento de Ressurrection, da agressiva Buried Alive e da balada Finding a Way, cujas linhas de voz emocionam, mostrando que a sensibilidade existe mesmo em uma interpretação de um tema pesado.

Embalado por uma bela capa e uma produção esperada, nos resta apenas dizer que  Nowhere tem tudo, mas tudo mesmo para apagar os percalços que esses músicos encontraram no início de carreira. Pois o talento dos caras foi usado por um único objetivo...fazer música de qualidade.

11 de janeiro de 2016

MARENNA: "A IDEIA ERA APENAS LANÇAR AS MÚSICAS E VER O QUE ACONTECIA"

Não é novidade pra ninguém que o hard/AOR está retomando o seu espaço aqui no Brasil. E o mais importante disso tudo é que não é apenas por lançamentos de grupos do exterior, mas sim com grupos nacionais apostando no estilo. A lista é grande, pois temos nomes como Crossrock, Pop Javali, Dirty Glory, entre muitos outros arrebatando fãs aqui e lá fora com uma música competente e acabamento gráfico/sonoro que não deve nada as bandas americanas e europeias.

Um exemplo é a nossa entrevistada de hoje, o Marenna. Liderada pelo vocalista Rodrigo Marenna, graças a ótima repercussão do EP My Unconditional Faith, chamou a atenção do selo dinamarquês Lions Pride Music, que lançou o trabalho pela Europa e Japão.

Nessa entrevista, Rodrigo nos conta da aceitação do trabalho, planos futuros e das letras do grupo, que exaltam positividade sem cair na religião.

Por João Messias Jr.

My Unconditional Faith
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NEW HORIZONS ZINE: Vamos iniciar essa entrevista de uma forma diferente, começando do hoje, pois algo muito bacana aconteceu em sua carreira, que foi o lançamento do EP My Unconditional Faith na Europa e Japão pela Lions Pride Music. Como se deu esse acordo e a repercussão do trabalho mundo afora?
Rodrigo Marenna: Bom, primeiramente, obrigado pelo espaço e a todos que estão apoiando o nosso trabalho, bem como, aos que estão separando um minuto do seu dia para dar atenção a esta entrevista. Para mim ainda é tudo muito novo, pois esse projeto começou a ser mentalizado há cerca de três anos atrás, certamente os meus quase 25 anos de experiência me fizeram chegar a cada linha do que foi feito neste EP, mas realmente, lançar um CD em outros países veio de “bônus” no contexto, pois a ideia era apenas lançar as músicas e ver o que acontecia, e de repente, a gravadora descobriu nosso trabalho e resolveu apostar, diariamente temos muita gente de outros lugares entrando em contato, resenhas em veículos especializados sendo publicadas e em sua maioria, todas com conceito muito positivo, então acredito estarmos ainda colhendo os frutos dos últimos 12 meses de trabalho, mas simultaneamente, plantando coisas novas, a tendência é o projeto se estabilizar daqui um tempo e conquistar sua base de fãs, crescendo gradativamente com consistência e credibilidade, é o que esperamos.

NHZ: Para esse lançamento, você incluiu a música Life Goes On, que em relação as outras faixas, apesar de manter o pique hard/AOR, tem uma pegada mais europeia.  Essa faixa foi feita exclusivamente para o lançamento?
Rodrigo: Essa faixa na verdade ficou pronta posteriormente ao lançamento do CD aqui no Brasil em abril deste ano, quando veio o contrato da gravadora, acabamos decidindo por incluí-la ao lançamento europeu, o que acabou agregando um valor maior ao EP europeu.

NHZ: O que podemos esperar mais para a frente com esse acordo? O lançamento de um álbum e até uma tour pela Europa/Japão?
Rodrigo: Ainda é cedo para dizer qualquer coisa sobre isso, porém as portas estão abertas, nosso relacionamento com a gravadora é muito transparente e muito direto, mas acredito que o passo tem que ser dado de ambos os lados, então vamos aguardar o desfecho do EP, reavaliar e estudar todas as possibilidades.

Rodrigo Marenna
Foto: Gustavo Vera
NHZ: Você é do Rio Grande do Sul, da região Sul do País, que possui uma cena totalmente independente do resto do país. Como compara a cena musical do seu estado em relação a capitais como São Paulo e Rio de Janeiro?
Rodrigo: Olha, eu acho que a cena anda igual para todos os cantos do país, na realidade não devemos nos apoiar nela, ou ficar esperando que as pessoas descubram o nosso som, ou algum tipo de subsídio, está difícil para qualquer lado manter a cena autoral, o que as bandas têm que ter em mente é o seu objetivo, conhecer seu público e saber como chegar nele. O último passo, apostar, criar oportunidades e se jogar.

NHZ: Agora falando um pouco mais do EP em si. O trabalho possui características marcantes como as melodias e vocais bem encaixados e as letras, que sugerem alto astral, positividade e motivação para seguir adiante, sem levantar a bandeira de nenhuma religião.

Rodrigo: Com referência ao estilo de cantar, posso dizer que está diretamente ligado ao tempo que estudo, já tem mais de 20 anos, mesclando influencias e gosto pessoal, acabei por desenvolver meu estilo de compor e cantar, não há uma regra, eu deixo a música fluir. Com referência a mensagem do CD, é exatamente esse o contexto, porém, algumas pessoas ainda o confundem, por ter a palavra “Faith”, acham que o material é cristão ou algo do tipo, esclarecendo.... NÃO tem nada relacionado com religião alguma, apenas fala da fé de um homem em sua música e nas coisas em que ele acredita, a estrada representa todo o caminho que foi percorrido, as rachaduras são todos os momentos difíceis que esse cara passou para chegar até aqui. E prega o fato de que só você pode mudar o seu destino é isso....

NHZ: Ainda falando sobre as letras. Tudo bem que vivemos num país livre e que cada um escreve/prega o que quiser, mas achei bacana o tipo de temática adotada no trabalho, pois hoje a vulgaridade e o negativismo fazem parte do contexto de vida da população.
Rodrigo: Exato, vai ter público sempre para qualquer tipo de material, eu apenas escrevo o que eu conheço e acredito, tento passar a minha mensagem da forma mais clara possível ao meu público e me jogo nas minhas músicas sem esperar nada em troca.

Rodrigo Marenna
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NHZ: Aqui no Brasil temos um crescimento significativo de bandas de hard/AOR. Bandas como Crossrock e Pop Javali se destacando pelo país e no exterior. Além dessas, há alguma banda que destaca?
Rodrigo: Sim, nos últimos 12 meses após o lançamento do meu primeiro single, comecei  a perceber um crescimento das bandas deste segmento no mercado, hoje me orgulho de termos um time bem forte de várias bandas com material diferenciado no Brasil, sem ser injusto, acho que seria injusto levantar alguns nomes e esquecer de outros, mas basta o pessoal que realmente consome este tipo de música ficar ligado nos grupos de Facebook, revistas e sites especializados, youtube e outras mídias sociais do momento, hoje em dia, a globalização permite essa troca de informação com muita agilidade e de forma extremamente acessível.

NHZ: Linhas acima falamos sobre o lançamento de um álbum full. Quais os planos em relação a esse projeto?
Rodrigo: Estou em fase de testes de novos elementos, vendo o que funciona e o que não funciona, porém existe sim um desejo de um full, por hora, ainda vamos trabalhar um tempo na divulgação do EP, e lançar um single novo em alguns dias, este que foi produzido pelos irmãos Busic, e cada vez mais nos aproximarmos dos nossos amigos e fãs e quando for a hora, com certeza, haverá mais material novo.

NHZ: Obrigado pela entrevista. O espaço é seu!
Rodrigo: Imagina, eu que agradeço o espaço, e deixo aqui a mensagem de agradecimento a todo mundo que está defendendo a nossa bandeira, seja compartilhando, ou comprando nossos materiais, às bandas parceiras, minha assessoria de imprensa, familiares, amigos, enfim, que venha 2016 cheio de sonhos, desafios e muita coisa boa para todos!!!

8 de janeiro de 2016

RYGEL: "EM IMMINENT, O RYGEL JÁ QUERIA ALGO MAIS PESADO"

    Quem teve a oportunidade de acompanhar os shows de promoção de Imminent, segundo álbum do Rygel, percebeu que a banda rumava para caminhos mais pesados. Com a saída do vocalista Daniel Felipe (Lothlöryen), foi natural a banda seguir os instintos e fazer um trabalho mais visceral. Com o guitarrista Wanderson Barreto assumindo os vocais, a banda lançou Revolution, que confirma essa tendência sem romper os laços com o passado.

Em entrevista com o próprio Wanderson, o músico nos conta dos preparativos para assumir essa nova função, shows, a receptividade do novo trabalho e muito mais!

Por João Messias Jr.


Imminent
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NEW HORIZONS ZINE: Imminent, segundo álbum do grupo já apontava caminhos mais pesados. Caminho que ficou aberto com a saída do vocalista Daniel Felipe. Em seu lugar, o guitarrista Wanderson Barreto ficou com o posto. Como foi essa transição?
Wanderson Barreto: Com relação ao som, já nas composições do Imminent, o Rygel já queria algo mais pesado, mas acabamos indo devagar devido a formação que estava na época. Porem em  Revolution, aconteceu com extrema naturalidade.
Com relação à saída do Daniel, o Rygel chegou a fazer teste com alguns vocalistas, mas tanto a banda quanto amigos e assessoria de imprensa achavam que eu tinha que assumir os vocais. Fiquei assustado com a idéia mas topei fazer o teste e acabou rolando. Logo depois de assumir os vocais, fui procurar ajuda profissional para me auxiliar nessa transição e acabei indo parar nas mãos do meu amigo Nando Fernandes que dispensa apresentações. Hoje eu estou muito feliz pela força que meus companheiros de banda deram nessa transição e bastante feliz com o resultado.

NHZ: Ainda falando nos vocais, como foi sua preparação para encarar essa nova função no grupo?
Wanderson Barreto: Para substituir um grande vocalista que é o Daniel Felipe (atual Lothlöryen), eu tinha que me preparar bem para tal tarefa e perguntando para as pessoas do meio quem era a melhor pessoa para me preparar para essa função, a resposta foi uma só: Nando Fernandes. Ele foi maravilhoso! Ajudou-me demais em tudo e até hoje é meu professor de canto e um grande amigo. 

Rygel
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NHZ: Revolution apresenta uma banda mais pesada, porém sem abrir mão da pegada do grupo e essa mistura gera canções fortes como Save Me e The Story Begins. Queria que comentassem sobre a criação dessas músicas e se ficaram satisfeitos com o resultado.
Wanderson Barreto: Essas duas músicas são literalmente o retrato do Rygel hoje. Adoramos essas músicas, sempre tocamos ao vivo pois elas passam a energia e a mensagem que a banda quer passar, fora os refrões grudentos que gostamos muito. Essas duas músicas vieram de experiências da minha vida. A The Story Begins foi a primeira música composta do disco, enquanto Save Me foi a penúltima (aos 40 minutos do segundo tempo). Quando estávamos terminando o disco foi natural a escolha da Story para single e lyric vídeo. Estamos muito felizes com o resultado do disco e a receptividade do publico nos shows.

NHZ: Outra música que gostaria que comentassem é Damage Done, que apresenta uma bela interpretação vocal.
Wanderson Barreto: Essa música foi uma das mais difíceis de gravar os vocais justamente por isso. Se perceber, ela tem várias dinâmicas de vozes diferentes e foi um mega desafio acertar tudo. Ela foi tão complicada que eu gravei num dia, fui pra casa ouvir, fiquei puto com o resultado, chamei o Nando pra me ajudar e ele me passou exercícios específicos para cantar daquele jeito que eu não estava acostumado. Somente uma semana depois de praticar tudo foi que rolou bem a gravação!! Fiquei muito feliz em descobrir que conseguia fazer aquilo (risos).

Rygel
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NHZ: O álbum também marca a estreia em estúdio do guitarrista Vinnie Savastanno e do baterista Pedro Colangelo. Qual a contribuição dos músicos para Revolution?
Wanderson Barreto: O Vinnie é um excelente compositor e me ajudou demais nas composições. Quase metade do disco tem composições dele e o Pedro, por ser um batera de progressivo e Hard Rock mas que queria vir para o metal, entrou com o bom gosto e criatividade na batera. Se prestar atenção nas levadas de batera o disco está cheio de levadas que não são muito usuais em Metal mas que são fruto da mistura de ideias da banda e pessoal do Pedro.

NHZ: Vocês foram na contramão de bandas do estilo no quesito produção. Para isso contaram com Tiago Hóspede (Worst, ex-Dead Fish). Por que escolheram esse profissional?
Wanderson Barreto: Quando estávamos terminando as composições do disco, ainda não tínhamos escolhido quem iria produzir junto comigo mas na minha cabeça eu queria algo mais moderno e mais “americanizado” para o som e o hardcore de hoje em dia tem essa pegada moderna no quesito áudio. Encontramos o Fernando Schaefer na Expomusic e ele me apresentou o Tiago. Foi simpatia e sinergia de idéias logo de cara. Fui ao estúdio dele na semana seguinte e ele topou o desafio. Temos gostos muito parecidos e ele entendeu exatamente o que eu queria para o disco. Foi maravilhoso todo o processo de gravação sendo um baita aprendizado pra nós e pra ele também.

NHZ: Outro diferencial ficou por conta do trabalho gráfico, que tem um aspecto diferente, fugindo da pegada mais certinha e redonda dos trampos atuais. Quem veio com essa ideia para o lay out do CD?
Wanderson Barreto: A arte do disco é mérito total do Vinnie Savastanno, que teve o conceito baseado no que a banda queria mas foi ele quem desenvolveu tudo e a banda só foi aprovando. Ele, além de um excelente músico, é um designer extremamente competente e de bom gosto. O mérito dessa arte maravilhosa é total dele.

NHZ: Com tantas novidades, como está a repercussão do “novo Rygel” em relação a público e imprensa?
Wanderson Barreto: A melhor possível! Para ser honesto, até superou nossas expectativas porque toda mudança de integrantes, principalmente vocalista, vem sempre acompanhado de críticas mais pesadas e comparações, mas isso acabou não acontecendo. Temos ainda um plano em andamento e para 2016 teremos muitas novidades. O primeiro clipe sairá no inicio de 2016 e alguns meses depois sairá mais um. Estamos recebendo muitas entrevistas, muitos pedidos de merchandising e estamos muito felizes com o resultado.

Rygel
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NHZ: Agora vamos falar um pouco sobre shows. Vi que se apresentaram com o Cavalera Conspiracy em Santos. O que acharam do evento e o que o mesmo agregou ao grupo?
Wanderson Barreto: Foi a nossa pré-estreia do disco! Tocar com o Max foi demais! Coração batendo muito forte, pois ele foi um dos caras que inspirou uma geração inteira de Headbangers e nos incluímos nela. Foi uma experiência fantástica que nos fez começar com o pé direito o retorno do novo Rygel.

NHZ: Há planos para outras apresentações ou mesmo uma turnê?
Wanderson Barreto: Estamos fechando vários shows pelo interior de São Paulo e capital para 2016. Temos alguns fechados e estamos vendo as possibilidades de fazer alguns shows no Nordeste e Europa.

NHZ: Depois de tantos anos de ralação, batalhas, mudanças de formação, qual a motivação de continuarem na estrada produzindo músicas e lançando discos?
Wanderson Barreto: A motivação é simples: Amor e Força! Eu seria um ser humano menos feliz sem banda e o Rygel é como se fosse uma família pra mim. Não me vejo fora da ativa, e cada vez mais eu me coloco uma meta, buscando sempre supera-la! Os integrantes do Rygel tem o mesmo sentimento sobre isso, tanto é verdade que já está certo de nós no final do ano de 2016 entrarmos em estúdio para gravar o novo disco, que  já começamos a compor. Estamos trabalhando muito felizes com a banda e assim o resultado vem naturalmente.

NHZ: Obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês.
Wanderson Barreto: Gostaria de agradecer a oportunidade da entrevista, agradecer as pessoas que nos apoiam e quem apoia a cena metal brasileira, agradecer quem me apoiou quando o Rygel passou por momentos difíceis e hoje estamos aqui... de pé mais firme do que nunca.
Pra quem quiser saber mais sobre a gente, acesse nosso site!
Aguardem mais novidades para 2016! Valeu!

6 de janeiro de 2016

O PONTO ALTO DA CARREIRA

Locked Forever, novo trabalho de estúdio dos gaúchos aposta em músicas agressivas, cadenciadas e conteúdo denso e polêmico

Por João Messias Jr.

Locked Forever
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Já são vinte e cinco anos de estrada, vários álbuns lançados e uma infinidade de apresentações pelo país e a cada trabalho, os gaúchos do Distraught vem fazendo que sua música se torne cada vez mais especial.

Em seu novo trampo de estúdio, Locked Forever, a preocupação com esse aspecto não foi diferente. Porém, o que André Meyer (voz), Ricardo Silveira (guitarra), Everton Acosta (guitarra), Nelson Casagrande (baixo) e Maurício Weimar (bateria, ex The Ordher, Nephast) fizeram aquele algo a mais que fará com que o trabalho tenha tudo para sobreviver no teste do tempo.

Agregando elemento que vão desde o prog, metal tradicional e até do death metal melódico, Locked Forever começa bem com Between the Walls of Colonia, que é densa e em seu decorrer ganha passagens mais intensas e solos virtuosos. A rifferama se faz presente em Lost e Shortcut to Escape. 

Já a faixa título tem um jeitão de hit. Com riffs convidativos, uma linha vocal insana, passagens bem trabalhadas (principalmente a da bateria) onde tudo se funde e gera uma canção apoteótica. Daquelas para ser bradada nas apresentações. Essa característica também se faz presente em Brazilian Holocaust e Blacktrade.

Só que ainda temos mais surpresas. Os dedilhados iniciais de Dehumanized sugere uma baladinha thrash, mas os minutos passam e ela torna-se um arrasa quarteirão. The Last Trip, que encerra o álbum começa de forma inusitada e graças ao instrumental encorpado e uma linha mais cadenciada tem tudo para agradar fãs de um prog mais visceral até bandas como In Flames e Soilwork.

Lembra do que eu disse do algo mais? Ele não ficou restrito nas ótimas canções. Ao começar da capa, feita por Marcelo Vasco (Slayer, Machine Head) é maravilhosa, por estampar muitas informações com coerência num pequeno espaço, além de ser uma das obras mais inspiradas do artista.

O "recheio" também é digno de nota alta. O conteúdo lírico é inspirado no livro Holocausto Brasileiro, da premiada jornalista Daniela Arbex, cujo tema é a barbárie ocorrida no hospital psiquiátrica Colônia, em Minas Gerais.

A produção é cuidadosa, moderna, "cheia e grande", a cargo de Renato Osório (Hibria) e o trabalho gráfico é muito bonito, em digipack, com todas as informações necessárias presentes.

Aspectos que fazem de Locked Forever o melhor momento do quinteto. Além de ter potencial para passar no teste do tempo, uma referência de como fazer música pesada, inteligente e emocional.

5 de janeiro de 2016

CARTOON: "TRABALHAR COM A EMOÇÃO SEMPRE FOI NOSSO OBJETIVO PRINCIPAL"

A técnica é importante na música, mas ela não é tudo. De que adianta notas complicadas e inusitadas se elas não comovem o ouvinte? Esse é o ponto de partida para falar dos mineiros do Cartoon. Contando hoje com  Khadhu Campanema (baixo e voz), Khykho Garcia (guitarra), Bhydhu Campanema (bateria) e Raphael Rocha (teclados), exímios músicos, que preferem deixar o virtuosismo de lado e explorar a emoção das canções, algo evidenciado em todos os seus trabalhos, em especial "Unbeatable" (2013), que é recheado de melodias e climas suaves e vocais hipnotizantes. Nessa entrevista feita com Khadhu, o músico nos conta da repercussão do trabalho, shows no exterior e a amizade com o pessoal do Tuatha de Danaan.

Por João Messias Jr.


Unbeatable
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NEW HORIZONS ZINE: Como eu disse numa resenha feita para o mais recente trabalho de vocês, “Unbeatable” (2013), o álbum é guiado pela emoção, focado nas melodias, climas e suaves linhas vocais. O que pensam sobre a comparação e o que as pessoas vêm achando do trabalho passado mais de um ano do seu lançamento?
Khadhu Capanema: Trabalhar com a emoção sempre foi nosso objetivo principal. Ao longo da carreira usamos métodos diferentes, mas o objetivo sempre foi este, emocionar. Este novo disco foi muito bem recebido, mesmo com tantas mudanças que introduzimos no som e acredito que o motivo principal é este. Continuamos trabalhando com a emoção, dizendo as nossas verdades da maneira que melhor conseguirmos expressa-la no momento.

NHZ: “Unbeatable” foi financiado por um fundo de cultura, que ao lado do crowdfunding vem sendo a saída para as bandas independentes lançarem seus trabalhos. Sabendo que deve-se seguir alguns trâmites, como foi essa parte burocrática para conseguirem bancar “Unbeatable”?
Khadhu: Sempre trabalhamos a música primeiro e, paralelamente, buscamos a maneira mais viável pra realizar as gravações e lançamentos. Já lançamos dois trabalhos usando a Lei de Incentivo a Cultura e dois trabalho usando recursos próprios. O “Unbeatable” foi através da Lei Municipal de BH. Aprovamos o projeto e conseguimos captar o recurso junto a empresas da cidade. Dá bastante trabalho cumprir toda a burocracia, mas vale muito a pena, pois conseguimos fazer uma gravação e mixagem de altíssimo nível.

NHZ: Alguns destaques ficam por conta de “Promises”, “Until I Found You” e principalmente “On the Judgement Day”, que inclusive tem um vídeo de promoção. Além dessas há alguma outra faixa que tem se destacado no gosto das pessoas?
Khadhu: “Down on the Road Ahead”, faixa que abre o CD, é uma canção obrigatória em nossos shows, mesmo antes de lançarmos o disco. Foi o primeiro vídeo clipe que fizemos para este CD. The Golden Chariot e Time is running também ganham muito destaque, especialmente nos show fora do Brasil.

Cartoon
Foto: Vitor Maciel
NHZ: Como foi dito na primeira questão, as linhas vocais são suaves, emotivas e cativantes, que nos fazem sentir sensações diversas, desde pegar o encarte para pegar as letras e por que não, chorar de tanta emoção. Conte-nos sobre a criação das linhas vocais para este trabalho?
Khadhu: Quando se cria uma melodia, as possibilidades são infinitas e muitas vezes é difícil escolher qual o caminho a seguir. Procuramos criar melodias que expressem bem o que está sendo dito nas letras e que funcionem bem com nossas vozes. O ideal é que melodia, letra e timbre formem uma coisa só, tornando a mensagem da música poderosa e certeira. São as melodias que carregam grande parte da emoção da música, por isso damos tanta importância a elas. No entanto, a verdade é que, muitas vezes, a primeira ideia melódica é a que acaba ficando, pois ela vem carregada da emoção que gerou a música. Depois é só fazer pequenos ajustes pra lapidar, se for necessário e pronto.

NHZ: Para promover o trabalho, vocês fizeram um giro por algumas cidades da Europa e Estados Unidos. Dentre eles, vocês foram banda de abertura para Bobby Kimball (ex-Toto). Como pintou a oportunidade de se apresentarem por lá e como foi o saldo dessa tour?
Khadhu: Hoje temos um empresário e uma produtora nos Estados Unidos que cuidam de nossas turnês e outras coisas por lá. Eles foram os responsáveis por fechar esta tour pela costa oeste em 2015, incluindo este show que você citou no Whisky a Go Go. Os shows na Europa foram agenciados por nós mesmo em 2014 através de contatos que fizemos pela internet com festivais e casas de shows. As viagens para o  exterior sempre nos trouxeram grandes retornos em todos os sentidos. Conhecemos novas pessoas, músicos, bandas, amigos e parceiros. Conquistamos novos fãs e acima de tudo amadurecemos como banda.

NHZ: Ao voltarem desse giro, como comparam o circuito de shows com o do Brasil?
Khadhu: Existe uma organização e uma tradição maior com relação ao circuito de festivais e shows fora do Brasil. Também acho que existe mais opção para uma banda de rock, apesar de que, no mundo todo, o rock deixou de ser a primeira opção do público já faz algum tempo. Temos achado mais fácil montar uma agenda de shows fora do Brasil do que dentro, por incrível que pareça. Em todos os lugares existem coisas boas e ruins. Você precisa aprender a tirar o melhor de cada oportunidade. Levando em conta que somos uma banda de rock que canta em Inglês a maior parte do tempo, o mercado pra nós em países de língua inglesa é bem interessante.

Cartoon
Divulgação
NHZ:Mudando de assunto, vocês possuem uma grande amizade com o pessoal do Tuatha de Danaan. Inclusive o vocalista Khadhu participou do Kernunna, projeto solo do vocalista Bruno Maia. Conte-nos dessa brodagem e o que acham do retorno dos duendes mineiros?
Khadhu: Sou fã do trabalho do Tuatha e acho que eles têm tudo a ver com o Cartoon. Fico muito feliz que eles estejam produzindo de novo. O trabalho deles é único e merece ser reconhecido no mundo todo. Foi um prazer gravar o disco do Kernunna. Infelizmente, a mixagem do disco deixou muito a desejar e espero poder refazê-la em breve, pra fazer justiça a este trabalho magnífico.

NHZ: Para encerrar, como comparam a banda que lançou “Unbeatable” com a que lançou álbuns magistrais como Martelo e Bigorna?
Khadhu: O Cartoon sempre foi e sempre será o mesmo. Isso significa que estaremos sempre mudando, crescendo e experimentando coisas novas. Nossos verdadeiros fãs entendem isso e acompanham nossa caminhada com muita expectativa. Cada trabalho nosso reflete o que a banda é naquele momento e por mais que mudemos alguns elementos, a essência é sempre a mesma. Nosso compromisso é fazer música com verdade e emoção. Tocar as pessoas e fazer com que elas acreditem no sonho e na possibilidade de um mundo melhor. A isso dedicamos nossas vidas há mais de 20 anos.

NHZ: Obrigado pela entrevista! O espaço é de vocês!


Khadhu: Muito obrigado a New Horizons Zine pela oportunidade de compartilhar nossas ideias e a todos que seguem em “resistência” a favor da arte, seja como músicos, produtores, artistas, jornalistas, ou simplesmente expectadores e ouvintes. Cada um de nós é fundamental nesta cadeia e nossa luta não será em vão. Together we’re unbeatable!

4 de janeiro de 2016

RINOCERONTES EM FÚRIA

Banda do ABC paulista apresenta inspiração no thrash oitentista em seu primeiro registro, o EP Like a Horn Ripping Flesh

Por João Messias Jr.

Like a Horn Ripping Flesh
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De grande porte e pertencente ao "Big 5" dos animais mais difíceis de se caçar, o rinoceronte é um animal que assusta pela sua aparência e pelos chifres (apesar de nem todos o possuir).

Então, se uma banda coloca o nome deste simpático mamífero, é natural que estejamos diante de um grupo pesado e agressivo. Pois bem, Ricardo Viola (voz), Gustavo Toledo (guitarra), Fausto Cestari (baixo) e Ian (bateria) não só confirmam as expectativas como mostram um thrash oitentista de calibre em seu EP de estreia Like a Horn Ripping Flesh.

Composto de seis faixas, o disquinho chama a atenção pela boa gravação, a cargo de Diego Henrique Rocha (Bay Area Studios) e uma capa (feita pelo baixista Fausto e sua esposa Raquel) que sintetiza bem a proposta dos caras. Não espere por canções bonitinhas, pois aqui o lance é fazer que o headbanger quebre o pescoço de tanto bater cabeça. Principalmente pelas canções estarem recheadas daquelas paradinhas e o uso bem sacado da alavanca.

Essa parte de destacar uma música é complicada, pois todas são niveladas e com o mesmo padrão, mas a pogante Vertigo, os solos virtuosos e o groove de Impaled on Ignorance são alguns pontos altos da bolachinha. Assim como Repulsion com suas incursões ao hardcore.

Hoje a banda conta com mais um guitarrista na formação, Jean Moura e com isso ficamos no aguardo do primeiro álbum full do hoje quinteto, cuja previsão de lançamento é para o primeiro semestre de 2016.

28 de dezembro de 2015

DANDO A CARA PRA BATER

Atual formação trilha novos caminhos em Bringer of Terror

Por João Messias Jr.

Bringer of Terror
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"Ninguém no mundo vai nos aplaudir se fizermos as coisas da forma mais simples, ninguém no mundo vai nos aplaudir se fizermos as coisas do jeito errado. E a única forma de agir que acreditamos é ir sempre em frente, isso é uma necessidade para nós". 

Cá entre nós, você pode até não ser um fã do Ghost, mas a frase acima dita por um dos seus Nameless Ghouls em uma entrevista para a Roadie Crew, além de uma sinceridade ímpar, é dona de grande valor artístico, pois fala em acreditar no que faz, sem saber de convenções ou algo do gênero.

Além disso, define perfeitamente a atual fase do hoje trio de death/thrash Azorrague. Contando hoje com Fernando Frogel (baixo e voz), Roney Lopes (guitarra) e Macarrão (bateria e voz), os caras foram corajosos e fizeram um álbum bem diferente de seu debut, Die With Us lançado em 2012.

Essa "discrepância musical" é apontada logo de cara em Bloody Hands. Apesar de furiosa, ela mostra que a atual formação pensa muito além. A audição revela uma preocupação com a dinâmica das canções, o que nesse caso foi uma decisão acertada.

Já a faixa que nomeia o trabalho, Bringer of Terror tem guitarras com um jeitão Flórida de fazer death metal, porém aposta na cadência e vem acompanhada de solos bem sacados, enquanto A Voodoo Journey é pesadona, pra bater cabeça.

Porém é For All I Believe é que dividirá opiniões. A canção aposta em vocais e instrumental mais grooveado e vocais femininos que fogem do padrão, a cargo de Cecília Neufeld, que soa próximo das trilhas de animes. Se tiver mente aberta, descobrirá algo improvável e inusitado, se for fã apenas do som "casca grossa", terá uma grande decepção.

Com suporte de uma produção competente a cargo de Karim Serri (Doomsday Hymn, ex-Seven Angels) e uma capa que impõe respeito são mais alguns atrativos que fazem de Bringer of Terror uma opção aos fãs de música pesada atentos por novidades e que não se prendem a fórmulas e receitinhas de bolo.