12 de setembro de 2019

DOCE MELANCOLIA NORDESTINA



Banda paraibana aposta no clima depressivo e arrastado em primeiro trabalho

O estado da Paraíba é sinônino de representatividade, seja pelo seu povo acolhedor, pelo simpático time do Treze e por possuir bandas históricas como Nephastus e Medicine Death.

Justamente da terra dos potiguares que vem o Ode Insone, que ao contrário das bandas acima, privilegia uma música climática e melancólica. 

Tiago Monteiro (vocal), Mad Ferreira (guitarra), Lucas Souza (guitarra),  Victor Laudelino (baixo) e George Alexandria (bateria) soltaram em 2018 o álbum Relógio, que apesar do clima soturno e lentão, não fica preso ao passado e apresenta uma música renovada, cativante e cheia de surpresas.

Numa espécie de mix, com elementos do gothic rock, black e death metal, oferece ao ouvinte agradáveis minutos de boa música.

Variedade que dá as caras logo na faixa de abertura, Perfume Negro, que começa com piano, depois ganha peso, clima arrastado e vocais que alternam momentos limpos, ríspidos e guturais.

Plumeria Rubra é mais climática, enquanto Folhas de Outono é aquele som que gruda, começando como uma balada e depois ganhando novos elementos.

Outra coisa bem sacada no som dos caras, fica por conta das guitarras. Alternando riffs e solos dignos de nota, roubam a cena em Relógio e Versos de Dor.

O álbum se encerra com Ode Insone, que apresenta mais surpresas. Mostrando toda a versatilidade do quinteto, com passagens que vão do black ao power melódico, em especial na bateria.

Uma grata surpresa nordestina, que está trabalhando no próximo lançamento, o álbum Origem da Agonia, previsto para este ano.

10 de setembro de 2019

PIONEIRO



Segundo trabalho da banda, lançado em 1991, apontava caminhos não usuais no thrash metal

Por João Messias Jr.

É verdade que na década de 1990, o thrash metal, seja americano ou europeu, já não causava o mesmo impacto que a uma década atrás. Com isso, as bandas novatas ou veteranas buscavam por novos caminhos. 

Uma delas foi o The Mist, que em especial no álbum The Hangman Tree pode-se dizer que fez um disco de vanguarda, trilhando por caminhos não usuais e buscando por algo épico, teatral e pesado.

Com uma formação diferente do debut Phantasmagoria (1989), tendo Vladimir Korg (vocal, Chakal), Jairo Guedz (guitarra, ex-Sepultura), Marcello Diaz (baixo) e Christiano Salles (bateria), o som mantia a aura densa, porém, cheia de novidades.

As músicas, como disse anteriormente, seguem um clima mais épico e teatral, com os vocais de Korg soando como uma narrativa.

" The Hangman Tree é uma visão pessoal que possuo. Eu criei um purgatório. A árvore é a própria pessoa, que é condenada por ela própria, que morre e se transforma numa arvore. É a sociedade condenando as pessoas. Fazendo um inferno interior nelas." Palavras de Korg em uma entrevista para a Rock Brigade em 1992.

Conteudo lírico que conecta-se perfeitamente, tendo músicas hipnóticas (graças a sutis toques industriais), como as inesquecíveis Peter Pan Against the World, a cadenciada Falling into my Inner Abyss, The Hell Where Angels Live (que show de baixo).

Só essas valeriam o disco, mas o pódio fica com Toxin Diffusion, cover do Psichic Possessor (banda que vale conhecer), God of Black and White Images (com um beat não usual na época) e principalmente a trampadíssima The Scarecrow. Fundindo metal tradicional, vocais agonizantes/hipnóticos e um jeitão grudento, é o ápice delirante dessa obra.

Obra que possui uma das artes mais lindas do estilo, a cargo de Kelson Frost (Sarcófago, Witchhammer, Em Ruínas) e uma otima gravação, feita no JG Studios.

O mais legal é ver que a banda retomou as atividades, fazendo shows pelo pais. Mais uma evidência do poder da música feita com o coração, ela sobrevive ao tempo, não perece e conquista novas pessoas.

2 de setembro de 2019

MINHA CENA É A MINHA ARTE

Sem se preocupar com modas e tendências, Igor Lopes vai divulgando aos quatro cantos há quase duas décadas

Por João Messias Jr.


A frase do título dessa matéria, dita pela alma do Em Ruínas, o guitarrista/vocalista Igor Lopes, reflete bem a trajetória desses dezessete anos de vida.

São duas demos, um compacto e dois álbuns, que comentaremos um pouco linhas abaixo, começando do debut, ... From the Speed Metal Graves, de 2010.

O que temos nesse disquinho (um digipack de primeira) é um verdadeiro tributo ao metal oitentista, numa mescla de speed metal (Mötörhead) com uma pegada rock and roll, onde temos riffs crus, baixo estalado e uma bateria predominante veloz.

É possível sentir algo de bandas como Hellhammer e Running Wild, o que dá mais autenticidade ao trabalho. 

Em pouco mais de meia hora de música, alguns dos destaques ficam por conta de Nuclear Nightmare (Power in Devastation), Headbanger Race (Warriors of Tomorrow) e Tribute to Brave Ones. 

Outros momentos que devem ser mencionados é que o disco é repleto de participações especiais (a lista é extensa) como Atomic Steif (Violent Force, Holy Moses), Leon Manssur (Apokalyptic Raids) e Angel (ex-Vulcano), além das fotos e a capa feita por Kelson Frost, que leva o leitor aos tempos dos discos da Woodstock e o clássico I.N.R.I. (Sarcófago).



Em 2017, o segundo full, No Speed Limit (Metal Tornado) ganha a luz do dia, que para a alegria dos fãs do estilo, o disquinho apresenta superioridade em todos os aspectos.

Sim, o speed metal visceral foi mantido, mas agora melhor trabalhado, desde a qualidade dos arranjos , até lances mais inusitados. 

Como a composição em português Somente a Morte é Real, dedicada a Martin Ain (Celtic Frost), as já clássicas No Speed Limit (Metal Tornado) e Two Minutes in Ruins.

Vale citar também a versão para Mate o Réu (Stress), aqui rebatizada de Go to Hell e o interlúdio Universalis Conscientia, que encerra o disquinho.

Algumas "tradições" continuaram mantidas como a bela capa, aqui feita por Toni Metal "Correria", que é uma verdadeira viagem, além das fotos que nos leva aos anos românticos do metal nacional.

Longa vida ao Em Ruínas e para todos os grupos/zines/blogs e fãs que lutam para levar a verdadeira arte aos quatro cantos deste planeta.

30 de agosto de 2019

MENOS LIKES, MAIS AMOR

Por João Messias Jr.

São doze anos com o New Horizons, tempo que me dedico produzindo conteúdo e esse período foi marcado por muitas alegrias e surpresas, assim como tristezas e decepções.

Com essa gama de sensações e sabores, é natural que algumas pausas aconteceram no meio do processo, sendo que a de 2018 foi a mais longa delas.

Eis que, após mais de um ano sem produzir nada, mais precisamente no dia 5/7/2019, tivemos a primeira resenha e até o dia de hoje foram 26 matérias, entre análise de discos e shows. Isso sem contar as colaborações para outros veículos. O que não deixa de ser fantástico.

Em contrapartida, vejo algo que me fez (e ainda faz) pensar bastante. A "cultura dos likes". Banda e público implorando para que curtam/compartilhem suas publicações e caso isso não ocorra, começam os textões nas linhas do tempo nas redes sociais, dizendo que ninguém faz nada pela cena e por aí vai.

Entendo o pessoal de bandas/agências/sites/blogs que buscam levar o negócio de forma profisional, mas em muitos casos o menos é mais. Pra que ter muitos seguidores, se a maioria não acompanha seu trampo?

É melhor dez caras de uma página de 100 curtir seu trampo do que cinco curtirem uma de mil.  Temos de entender que a melhor forma de divulgar seu trampo é fazê-lo bem feito, com paixão, entrega e profissionalismo. Sem esperar algo em troca.

Dessa forma as pessoas comprarão seu material, assistirão às suas transmissões e lerão o conteúdo oferecido.

Há muitas horas que sinto falta daqueles românticos do rock, que compravam um disco ou revista, e ia no brother para compartilhar o material. Diferente dessas bandas/veículos que querem  ser famosos sem tocar/assistirem shows em lugares pequenos.

Rapaziada, menos likes e mais amor, vamos valorizar a música que tanto amamos com paixão, menos mimimi e mais conhecimento de causa.



28 de agosto de 2019

AGRESSIVIDADE CAÓTICA



Músicos talentosos juntam forças e lançam material com clima visceral e energia

Por João Messias Jr.

Desde a primeira vez que acompanhei um dos primeiros shows do então vocalista do Eterna, Leandro Caçoilo, já vi/ouvi o cantor fazer muitas coisas com a voz. Desde o hard rock com o Hardshine e Hardalliance, prog com a Seventh Seal e cantando os clássicos do Viper. Porém, essa história ganha um novo momento com o Endust.

Ao lado de Glauco Rezende (guitarra/baixo) e Fernando Arouche (bateria), o grupo prioriza o peso e um clima visceral, como um mix do thrash do Machine Head com o prog metal, tudo aliado com um clima denso e melancólico.

A sensação descrita aparece logo de cara nas faixas de abertura, Someone to Blame (cuja bateria flerta com o death metal) e All Ends in Dust, que mostra todo o virtuosismo dos envolvidos.

Sabiamente, o trio soube personalizar sua música, inserindo trechos mais melódicos nas canções, como em Lost Without a Way e a baladaça Beyond the Memories, que além de ser a melhor do disco, mostra partes de voz influenciadas pelo hard/AOR.

A pancadaria reaparece em Only One Will Stand e seu mix de Slayer/Evergrey e a quebradeira de Flood, fazendo desse álbum, uma grata surpresa, feito por gente (muito) talentosa diga-se de passagem.

27 de agosto de 2019

O GEOFF TATE QUE TODOS QUEREM OUVIR



Nova empreitada do vocalista que ficou famoso no Queensryche é uma grata surpresa

Por João Messias Jr.

Não é segredo pra ninguém que após deixar o Queensryche, o vocalista Geoff Tate, não fez nada impactante, apenas trabalhos medianos que pouco acrescentam aos fãs.

Só que essa história começa a mudar com o lançamento do Sweet Oblivion, onde mostra que ainda tem muita lenha pra queimar.

Nessa empreitada que além do cantor, conta com Simone Mularoni (guitarra/baixo), Paolo Caridi (bateria) e Emanuele Casali (tecladista) Geoff mostra aquele lado que já faz tempo que os fãs querem ouvir.

Linhas de voz carregadas de emoção e dramaticidade que o colocaram no topo dos melhores do heavy/prog temos em abundância, como em Hide Away e True Colors.

Não para por aí. My Last Story e Behind Your Eyes são outros destaques, em especial a última, cujo instrumental funde AOR e prog com  maestria.

O interessante aqui é que temos momentos fora da curva, que também são dignos de nota. A grunge/alternativa Disconnected e acelerada A Recess from my Fate são dois bons exemplos da variedade do disco.

Nem mesmo faixas que não fedem nem cheiram como Transition tiram o brilho deste álbum, que já faz por merecer uma continuação.

20 de agosto de 2019

VALEU ESPERAR



Quarteto lança novo disco de inéditas com um surpreendente poder de fogo musical

Por João Messias Jr.

Resenhar uma de suas bandas favoritas é uma tarefa ingrata, pois você acaba misturando emoção e razão (enfatizando sempre o primeiro), então em alguns casos é necessário dar um tempo, conter a ansiedade e assim, partir pra resenha.

Pois bem, já fazia tempo que os fãs do grupo aguardavam um novo registro de inéditas desde The Last File (2000), visto que Re-Lapse (2014) são regravacões dos clássicos. 

Eis que em 2018 essa espera acabou, com A Circus Called Brazil, que tranquilamente fica ao lado dos clássicos Simoniacal e Mental Slavery.

Alexandre Cunha (vocal/bateria), Décio (guitarra), Dumbo (guitarra/vocal) e Morto (baixo) ,mantiveram o thrash afiado e irreverente dos primeiros tempos, mas com uma pegada atualizada, sem aquele ranço datado, o que foi ótimo.

Essa vibe ouvimos em Fleeing Terror, que é um encontro dos riffs dos primeiros dias do grupo com um groove marcante. E falando nas frases de guitarra, Lucky apresenta alguns arrasadores.

Cure & Disease é uma grata surpresa. Mais acessivel e com uma pegada Black Album (Metallica), conquista de imediato. Toy Soldier começa quebradona e depois mete os pés no peito do ouvinte.

O disquinho ainda tem uma versão irada para Speedfreak (Mötörhead) e a épica faixa título. Apresentando climas viscerais e trampados, possui uma letra genial. Cutucando a ferida dos alienados cientistas políticos que temos hoje.

Sim, a produção a cargo de Tiago Hóspede (Worst, Dead Fish) é fantástica, assim como a capa e o encarte feitos por Cleiton Amorim.

Além disso, vale dizer que em termos de arranjos e vozes, seguramente é o melhor trabalho do quarteto, que seguramente lançou um novo clássico do thrash metal nacional.