23 de junho de 2016

OUSADIA

Z.3.R.O., novo álbum do vocalista Fabiano Negri aposta no uso de sintetizadores sem abrir mão da proposta de trabalhos anteriores

Por João Messias Jr.

Z.3.R.O.
Divulgação
Enquanto muitos artistas/bandas ficam reclamando que a cena underground é uma droga, que não vai gravar CD, pois ninguém vai comprar, não vai fazer show que não aparecerá almas vivas, o multi-instrumentista Fabiano Negri vai fazendo seu trabalho. Longe de polêmicas, o artista vem espalhando a sua arte para todos os ouvidos sedentos por arte.

A sua nova empreitada, o álbum Z3RO, mostra um músico interessado em expandir os horizontes. Cujo primeiro indício dessa nova fase fica pela capa instigante feita pelo artista Wagner Galesco, que passa a impressão dos inúmeros questionamentos que fazemos em nossa vida, desde ao acordar até o descansar.

Sem medo de agradar X ou Y, Fabiano apostou no uso de sintetizadores, o que deixou sua música moderna e atraente. Mas não pensem que os elementos da música negra foram deixados de lado, muito pelo contrário. Eles continuam presentes, mas renovados graças ao interessante contraste, que agradará fãs de artistas como David Bowie, Kraftwerk até Depeche Mode e Nine Inch Nails.

Mesmo com todos esses climas inusitados, Z.3.R.O. é um disco que prima pela qualidade dos arranjos e composição. Todos executados pelo artista, que ainda produziu, deixando apenas a masterização para o competente Ricardo Palma. 

Voltando a falar das canções, cada uma mergulha em climas diferentes, como Don't Try Me, cujo clima nos remete ao Sisters of Mercy, enquanto Forbidden Grace e sua melancolia e uma excelente interpretação vocal nos cativam de imediato, fazendo desta uma das melhores canções feitas por ele.

Já My Dark Passenger recebe batidas eletrônicas instigantes e vai aos poucos ganhando outros instrumentos. A faixa que nomeia o disco é mais densa e agressiva enquanto Hopeland mostra que a melancolia é uma das grandes sacadas da carreira solo do músico. The Muse é outro ponto alto do disquinho, pois é dona de uma levada gostosa, que nos faz cantar junto. 

Soam um pouco distintas as faixas Faithless Alley  e Future Paradise. Enquanto a primeira é bem mais soul e contrasta climas melancólicos e eletrônicos, a segunda lembra um pouco bandas como Soft Cell. 

O encerramento com The Blue Bird é épico. Ao longo dos seus onze minutos é possível encontrar música brasileira, jazz, soul, guitarras pesadas a lá Black Sabbath/Iron Maiden, que é disparada uma das canções mais ousadas da carreira do músico, que fez deste seu melhor álbum lançado até aqui.

Para aqueles que vivem dizendo que a cena é uma merda, que não há renovação e se prende aos artistas "blockbusters", que tal tirar a bunda do sofá e buscar por artistas tão bons ou até melhores dos que aparecem por aí?

22 de junho de 2016

MAESTRICK: "QUEM GOSTA DE ARTE, BUSCA A ARTE E ENCONTRA A ARTE"

Verdade que a luta de uma banda autoral para conquistar um lugar na cena underground por muitas vezes é difícil e até injusta. Apesar de não existir uma fórmula ou regra para se dar bem, um caminho pode ser a busca pelo valor artístico ao invés do entretenimento, solução buscada pelo MaestricK. Com doze anos de estrada e atualmente formado por Fabio Caldeira (vocal e piano), Renato Montanha (baixo e vocal) e Heitor Matos (bateria e percussão) vem fazendo sua parte com sua música, que apesar do alto nível de elaboração, chega simples aos nossos ouvidos, tamanha a capacidade de cativar o fã de boa música.

Com um álbum na bagagem, Unpuzzle e o recém lançado EP The Trick Side of Some Songs, que contém versões para clássicos de grupos como Jethro Tull, Yes, Beatles, entre outros.

Nessa entrevista com o grupo, o trio comentou sobre o primeiro álbum, o recente lançamento, além dos preparativos para o segundo álbum de inéditas!

Por João Messias Jr.


Unpuzzle!
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Como é a primeira entrevista que faço com vocês, vou começar perguntando coisas do passado até chegar no estágio atual do grupo. O primeiro álbum de vocês, "Unpuzzle!", lançado em 2011 foi muito bem comentado em diversos portais e revistas especializadas do Brasil e exterior. Após cinco anos de seu lançamento, o que pensam deste trabalho?
Fabio Caldeira: Tenho muita gratidão por tudo o que o “Unpuzzle!” representou e representa para nós. Foi nossa “prova de fogo”, e tudo ocorreu da melhor forma possível. O termo “álbum” não é usado por acaso. As músicas que estão ali, são como fotos, representam todo um contexto do momento que vivíamos. Não só a banda, mas de todos os envolvidos.
Heitor Matos: Eu sempre me refiro as músicas que a gente faz como se fossem nossos filhos. E assim, como um filho, o disco hoje cresceu e me dá muito orgulho de ter participado dessa criação com meus irmãos (Fabio e Montanha). Adoro o resultado do disco, foi totalmente honesto, do começo ao fim. 
Renato Montanha: Eu tenho muito orgulho deste álbum, pois foi meu primeiro trabalho de gravação de um disco completo. Já tinha gravado "eps" e cds demos, mas não um álbum completo, e pude começar o aprendizado de como gravar e dar vida a um álbum. Outro ponto da importância do “Unpuzzle!” foi o fato de poder mostrar da forma como queríamos a nossa linguagem musical e conceitual do Maestrick para uma gama maior de pessoas.

NHZ: Além das músicas, o conceito em torno do CD é um pouco diferente do que era explorado por aqui. Vocês usaram como tema uma exposição de artes em um museu. Queria que contassem o porquê de usarem esse tema.
Fabio: Nós acreditamos que cada pessoa é um universo distinto, então partindo daí, se respeitar o que é natural e espontâneo pra você, com certeza terá algo diferente a dizer. O conceito do disco foi uma consequencia então, tanto do que tínhamos a dizer, quanto da forma como queríamos dizer.
Heitor: Esse tema foi surgindo... Antes tínhamos a ideia de fazer o disco baseado num personagem que fazia um tratamento de choque, mas aí foi rolando e o Fábio na época veio com umas ideias "loucas" (no melhor sentido). A gente foi deixando ele viajar sobre a história, sempre ouvindo e ajudando, como sempre fizemos e sempre faremos.
Montanha: Nós sempre gostamos de trabalhar com uma temática e quando o Fabio nos mostrou a ideia de um mundo fantasioso com personagens de tinta que ganhavam vida dentre outras coisas, percebemos que poderíamos ter uma liberdade criativa maior pra pensar fora do comum e tentar misturar estilos, cores e texturas nas composições.

NHZ: Achei muito interessante a forma como definem sua música: Aquarela Sonora. Ouvindo Unpuzzle, é possível “enxergar” muitas cores, texturas e variações por todas as canções do trabalho. Exemplos ficam por conta de Aquarela e dos 21 minutos de Lake of Emotions. Como juntar momentos calmos, intensos e instigantes numa única canção e ainda dar liga a todos esses momentos?
Heitor: Acho que esse lance de como juntar os momentos é algo pra se pensar como se fosse a nossa vida.  Quando você está confortável com aquilo que está fazendo, as coisas fluem como se fossem os sentimentos que passam por nossas mentes na vida real. É claro que, quando temos um norte pra seguir, fica muito mais fácil. Acho que as energias fluem naturalmente pra que as sensações que estamos sentindo transpareçam na musicalidade da banda.
 Montanha: Quando se trabalha fora do padrão no qual a musica não precisa seguir uma fórmula pré-definida, ganha-se a possibilidade de se inspirar com a temática  possibilitando visualizar cores, sentimentos e texturas. A partir deste ponto, podemos construir uma historia contada pelas letras, melodias e nuances da música como se, por exemplo, estivéssemos contando um acontecimento feliz para alguém e esse ouvinte pudesse fechar os olhos e ter a imagem do locutor com um sorriso no rosto, mostrando a alegria e agitação na sua fala.

NHZ: Isso acaba linkando com uma questão interessante. Muitas pessoas não atualizam seus conhecimentos pela TV ou internet. Mas sim buscando referências ao passado por meio de trabalhos conceituais.
Fabio: Essa é a prova de que as melhores obras são atemporais. Se você ler, por exemplo, A Divina Comédia de Dante Alighieri, que é uma obra do século XIV, vai ver que ainda é atual. Traga isso para a música, pra nossa época e vai ver que muita coisa feita hoje é descartável, superficial. Não é uma crítica, mas um fato. Vivemos na era da “superinformação”, temos muitas notícias, acesso fácil a qualquer assunto, mas ao mesmo tempo pouco aprendizado, poucas lições e alienação generalizada.
Montanha: Isso acontece mesmo, ouvindo bandas mais atuais podemos ver as grandes influências de grupos do passado e só mostra o quanto precisamos conhecer o passado musical das bandas que ouvimos e estudar o que as bandas novas acrescentaram nas suas composições.

The Trick Side of Some Songs
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NHZ: Um hiato de cinco anos ficou entre o debut e o mais recente trabalho, o EP de covers chamado The Trick Side of Some Songs. Porque tanto tempo sem lançarem material?
Fabio: O Maestrick sempre busca unir mais de um universo artístico em seus projetos, então é natural que isso acabe levando mais tempo.
Heitor: Eu considero o Maestrick como uma criança ainda, estamos conhecendo o mundo e entendendo do que somos capazes. O hiato foi uma coisa natural, mostramos pro mundo nosso primeiro trabalho e acabaram acontecendo turbulências como todo começo, pensamentos diferentes... É como um relacionamento com cinco pessoas, tem seus conflitos de ideias, objetivos diferentes, etc. Além disso, acho que posso falar pelos caras também: Não acho que as bandas tenham que lançar disco a cada dois anos, nós achamos que tem que vir de dentro, o Maestrick nasceu assim e pretendemos mantê-lo assim. E por outro lado, temos dois discos praticamente feitos de uma só vez!
Montanha: Nós lançamos um material que demandava um tempo maior para mostrar os nossos conceitos musicais e ocasionou de usarmos mais de um ano para fazer as pré-produções do segundo disco. O EP foi um gesto para mostrar a quem nos acompanha que não estávamos parados.

NHZ: De onde surgiu a ideia de lançarem um EP de covers?
Fabio: Nós precisávamos de uma linha divisória entre o projeto do “Unpuzzle!” e do próximo disco, “Espresso Della Vita”, que será lançado ainda esse ano. Aí a ideia de gravar esses covers e fazer essa homenagem. O Maestrick sempre preza por músicas autorais, mas era o momento de “relaxarmos” um pouco pra começar algo novo. Além de poder trazer os fãs dessas bandas, como nós, ao universo do Maestrick.
Heitor: É também uma homenagem aos vovôs do Rock e Prog que tivemos influência direta e indireta, então pensamos, porque não fazer?
Montanha: Surgiu ainda da ideia de podermos mostrar algumas influências da banda e mostrar a nossa interpretação de alguns artistas que nos influenciaram.

NHZ: Esse trabalho conta com versões de ícones do Classic Rock como Beatles, Yes, Pink Floyd, Queen, Rainbow e Jethro Tull. Como foi chegar nesse repertório e se houve alguma coisa que ficou de fora e pretendem lançar no futuro?
Fabio: Certamente nós vamos fazer outros EPs como esse, só não sabemos quando, porque o foco agora é totalmente no disco novo.
Heitor: São bandas que realmente escutamos. É até difícil escolher as músicas, mas tem muitas influências que podem aparecer com o Maestrick mais pra frente!
Montanha: Nós chegamos ao repertório escolhendo algumas músicas que já tocávamos nos shows e algumas que gostávamos de ouvir e queríamos colocar a nossa forma de tocar. Até poderíamos colocar mais músicas, mas para um EP seria um pouco exagerado. No futuro podemos gravar outras músicas.

NHZ: Ouvindo o trabalho, percebe-se a fidelidade com os temas originais, soando como uma espécie de tributo a esses ícones do rock mundial. Por que esse tipo de abordagem e qual o feedback recebido do trabalho?
Heitor: Particularmente acho que as músicas originais são como algo sagrado, então penso que fica legal fazer uma homenagem às bandas que gostamos com a nossa linguagem, mesmo porque a original já soa como deve soar, é um desafio bem legal e ao mesmo tempo apavorante.
Montanha: Nós mantivemos a essência das músicas para que todos conseguissem reconhecê-las, mas ao mesmo tempo inserimos o modo Maestrick de tocar para que sentissem algo diferente sem uma grande estranheza. Nós recebemos muitos feedbacks positivos e ficamos muito felizes com esta repercussão.

NHZ: Vocês chegaram a enviar para algumas das bandas/artistas as canções que gravaram?
Montanha: Ainda não.
Fabio: É um objetivo!
Heitor: Faremos, com certeza! 

MaestricK
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NHZ: Belos momentos ficam por conta de Yes! It’s a Medley (Yes) e Aqualung (Jethro Tull). A primeira por mostrar toda a variedade, beleza e ousadia do quinteto britânico e a segunda pelo contraste de situações inusitadas na canção. Conte-nos como foi interpretar esses temas.
Fabio: A escolha das músicas para o medley do Yes foi resultado de uma pesquisa grande. Queríamos algo que soasse natural, como uma música só e seus movimentos diferentes e não como uma colcha de retalhos com conexões forçadas. Por isso começamos com a Soon, que é mais tranquila e finalizamos com a Give Love Each Day com sua atmosfera apoteótica.
Heitor: Foi difícil escolher as músicas pro medley do Yes, são músicas bem legais e bem diferentes umas das outras. A Aqualung nós já tocamos algumas vezes ao vivo, mas só fomos ter noção de como ficou legal e diferente depois de terminada.
Montanha: Foi uma experiência incrível. Para poder gravar tivemos que estudar muito para seguir as linhas das músicas originais, foi uma aula gigantesca e um trabalho com muita dedicação e respeito.

NHZ: O ponto alto fica por conta de While My Guitar Gently Weeps (Beatles). Além da bela interpretação vocal, vocês inseriram no fim da canção o trecho inicial de Still Loving You (Scorpions). Como surgiu a ideia de inserir essa passagem na música?
Fabio: Muito obrigado pelo elogio. Essa música foi uma escolha óbvia como a Aqualung, porque já a tocávamos nos shows. Como ela encerraria o EP antes da reprise da música Near-Brain Damage, pensamos em levá-la pra uma espécie de gran finale. Sobre o final com a guitarra dedilhada, foi uma mera coincidência, mas achei legal você ter interpretado dessa forma. 
 Heitor: O legal disso tudo, de fazer interpretações das bandas, é isso. Não tínhamos ideia dessa passagem do Scorpions, não tínhamos achado essa influência escondida ainda, é uma banda que eu particularmente gosto muito, mas não foi intencional, com certeza não! (risos)

NHZ: Estão preparando um novo trabalho, Espresso Della Vitta Solare, um álbum duplo, que será divido em duas partes e que terá na produção Adair Daufembach (Project 46, Trayce). O que podem nos adiantar desse vindouro trabalho e o porquê da escolha de Adair no comando dos botões?
Fabio: O disco será uma viagem de trem de um dia, onde o primeiro disco, o Solare, terá doze músicas relativas as doze horas do dia. Teremos muitas referências artísticas, experiências musicais, participações especiais e muita, muita pesquisa. Desde os significados das horas até os instrumentos que usaríamos em cada música. O Adair é uma pessoa iluminada, tem um coração do tamanho do talento dele e o conhecemos através do Gustavo Carmo, produtor do “Unpuzzle!”.
Heitor: O que eu acho que seria legal adiantar é que com certeza estamos mais ansiosos do que a galera que está esperando o disco, vai ser diferente do Unpuzzle, com certeza!
Montanha: Posso adiantar que estamos muito felizes com o novo trabalho e que aumentamos a gama de novidades melódicas e instrumentais neste disco. Sobre o Adair, ele é um produtor com um excelente gosto musical e ouvidos para timbres, tem mostrado a cada dia uma qualidade ímpar para produzir, além de já ser um amigo para nós.

NHZ: Hoje a banda é um trio. Isso afetará alguma coisa na dinâmica e execução das canções? Faz parte dos planos do grupo inserir mais algum músico?
Fabio: Não afetará em absolutamente nada. Para o disco, pela sinergia que rolou com o Adair, ele mesmo gravará as guitarras.
Heitor: Mas faz parte sim da ideia, gostamos de compor no coletivo, é sempre legal ter identidade diferente.
Montanha: Mas o fato de ser trio não esta afetando em nada no nosso trabalho. Nós só vamos analisar o assunto de inserir alguém mais para frente, pois estamos focados na gravação agora.

NHZ: Nessa parte da entrevista vou citar algumas situações que as bandas independentes vivem hoje e queria a opinião de vocês à elas:

- Crowdfunding
Fabio: Feito com bom senso é uma alternativa justa, pois beneficia todas as partes envolvidas.
Heitor: É uma saída muito legal para bandas mais undergrounds. 
Montanha: Eu acho um mecanismo válido de pagar a produção de um disco pois a falta de incentivo é grande.

- Shows autorais vazios

Fabio: É uma via de mão dupla essa questão. É triste que um show não tenha público suficiente, mas é essencial se perguntar o motivo do desinteresse do público.
Heitor: Acho que não é culpa só dos fãs, as bandas, principalmente brasileiras, têm que inovar. 
Montanha: Isso reflete a desvalorização do que é do Brasil, aqui existem bandas semelhantes ou até melhores que as bandas do exterior.

- A arte (cada vez mais) tendo seu espaço tomado pelo entretenimento

Fabio: Eu vejo essa questão de uma forma simples. Quem gosta de arte busca a arte e encontra a arte. Ela sempre vai existir, seja em um grafite com uma frase de protesto, seja em um quadro na sala de uma casa, seja em uma música. O que não pode deixar de existir é o interesse. As coisas são cíclicas e é normal que modas venham e vão, mas o que é essencial, espontâneo e feito com amor sempre fica, e aí passa no teste do tempo e se torna atemporal como falamos anteriormente.
Heitor: Isso me preocupa bastante!

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine!
Fabio: Agradeço demais pelo espaço e pela atenção! Desejo o melhor para todos! O “Espresso Della Vita: Solare” vem aí e espero que todos se identifiquem com as histórias que serão contadas! Luz, Paz e Arte, amigos!
Heitor: Valeu galera do New Horizons, espero que gostem dos próximos passos do Maestrick!
Montanha: Um grande abraço e muita música
www.maestrick.com.br

23 de maio de 2016

TIMOR TRAIL: "OS CARAS DO BYWAR SÃO COMO IRMÃOS E LEVAREI ISSO COMIGO PARA SEMPRE"

O fim das atividades da banda thrash Bywar foi um choque aos fãs do estilo e daqueles que vivem de verdade o que é o underground. Junto à shows memoráveis, que acompanhei desde 1998, álbuns como Invencible War, Heretic Signs, Twelve Devil's Graveyards e Abduction hoje são clássicos da música pesada nacional.

E o encerramento das atividades proporcionou o aparecimento de novos projetos de seus integrantes, como a Timor Trail. Formada em 2014, inicialmente como um projeto do guitarrista/vocalista Adriano Perfetto, ganhou corpo de banda, que hoje é formada com Ricardo Baptista (guitarra, ex-Laudany e Pastore), Cesar Lopes (baixo) e Edill Alexandrino (bateria), cuja junção de forças gerou o EP que carrega o nome da banda.

Diferente do thrash de antigamente, o trabalho bebe nas fontes setentistas (alguém disse Black Sabbath?), com momentos pesados, densos e melancólicos.

Nesta entrevista, Adriano e Ricardo falam dos estágios do grupo até chegar no EP, da interessante arte da capa e claro, da homenagem que o Bywar recebeu do Woslom em seu novo registro.

Por João Messias Jr.


Timor Trail
Ana Marilin
NEW HORIZONS ZINE: Uma notícia que pegou muitos de surpresa foi o fim das atividades do Bywar. O que aconteceu para que a banda terminasse e como surgiu a inspiração para um novo projeto?
Adriano Perfetto: Uma banda é um relacionamento muito similar a um casamento, onde temos momentos bons e ruins, coisas boas que aconteceram que guardaremos para sempre com saudade, e também algumas diferenças que acabam sendo incompatíveis para seguir adiante com um trabalho. Os caras do Bywar são para mim mais que músicos com quem toquei durante 17 anos - são como irmãos, e levarei esse sentimento comigo para sempre. Quando o Bywar estava fazendo shows para a divulgação de Abduction eu já tinha novas ideias de composição, coisas que não iriam se adequar ao estilo Thrash Metal do Bywar. Foi nessa ocasião que senti a necessidade de criar um projeto onde eu pudesse ter um campo muito maior para desenvolver minha criatividade musical.

NHZ: Num primeiro momento, a Timor Trail seria apenas um projeto solo. Quando deu aquele estalo de montar uma banda de verdade? Como chegou na formação que a banda tem hoje?
Adriano: A ideia de transformar o Timor Trail em uma banda de verdade surgiu quando o Bywar se reuniu para sacramentar que não continuaríamos mais tocando juntos. Nesse momento foi quando dei um tempo para reciclar minhas ideias e entrar de cabeça em uma nova atmosfera de composição. Os integrantes do Timor, eu já os conhecia de longa data: Edil Alexandrino e Cesar Lopes (meu primo) já haviam tocado comigo em outras bandas da região. Fiz o convite explicando a proposta e eles aceitaram, mas ainda faltava outra guitarra para que a sonoridade chegasse aonde eu queria. Foi aí que fiz o convite para o Ricardo Baptista (Laudany e Pastore), um excelente guitarrista, também muito experiente e que veio a somar para a construção sonora de nossa banda.

NHZ: Diferente do seu passado thrash inspirado nos anos 80, a Timor Trail bebe nas raízes setentistas do estilo. Algumas referências como Black Sabbath, Candlemass e Pentagram podem ser sentidas nas músicas de vocês. Adriano, você teve alguma dificuldade em tocar e cantar  músicas nessa linha musical?
Adriano: A bandas que você citou são grandes fontes de inspiração para o Timor Trail, principalmente o Black Sabbath, que sempre considerei como os criadores do Doom Metal em álbuns como “Masters of Reality” e “Vol 4”. Mesmo na minha fase thrasher, essas bandas e muitas outras que não tinham absolutamente nada a ver com o Thrash Metal foram influências para minhas composições. Eu sempre fui um músico aberto para novas ideias e para outros estilos musicais; nunca me prendi apenas ao Thrash. Acredito que outros músicos também são assim e isso só enriquece a música num modo geral. Quanto ao fato de tocar e cantar não tive nenhum problema, pois o fato de termos um andamento musical bem mais lento que o do Speed e Thrash me facilitou bastante e me deu muito mais abertura para criar mais melodias com a minha voz.

Timor Trail
Ana Marilin
NHZ: O primeiro material desse novo projeto é um EP que carrega o nome do grupo, que tem como característica a variedade, desde músicas  cadenciadas como Citizen Kane até a viagem de Sweet and Cruel (The Lady and Black). Como foi construir um repertório com canções tão distintas?
Adriano: Esse foi o grande barato de poder mudar e reciclar minhas ideias como compositor: a partir do momento em que o músico muda a maneira de criar, ele se encontra diante de um leque de variedades e opções harmônicas e melódicas, e não há problema algum se isso não se parece com o estilo que você faz ou deve seguir.

NHZ: Queria que contasse sobre a criação da canção When The Eyes Never Close, pois ela é dona de um clima bem instigante.
Adriano: Eu sempre fui um grande admirador de músicas com uma atmosfera triste e cativante. Quando ouvimos uma música e sentimos um clima de mistério misturado com tudo isso é muito legal. Essa música fala sobre alguns problemas que nós temos, na condição de seres humanos, e que carregamos conosco. E num momento de reflexão nos sentimos presos a culpas que são totalmente íntimas de cada um, e alguns nesses instantes são momentos de tristeza e depressão.

Timor Trail
Divulgação
NHZ: A capa é outro fator que chama a atenção. Ao invés dessas artes “Playstation” que muitas bandas estão usando, optaram por uma capa marcante, daquelas artes que fixam na mente. Como surgiu esse conceito e como chegaram no artista que concebeu esse belo trabalho?
Ricardo Baptista: A foto da capa, eu a cliquei durante a última viagem que fiz, no ano passado. Até então, o EP nem havia começado a ser produzido ainda e sequer havíamos conversado sobre o conceito da capa. Trata-se de uma escadaria de metal, em meio a estruturas metálicas, em um amplo túnel urbano feito para travessia de pedestres, a mais de vinte metros abaixo do solo. Enquanto eu andava por ele, fui atraído pela atmosfera sombria e silenciosa que o local produzia, então resolvi registrar algumas fotos. Meses depois, quando a banda terminou de gravar o EP, iriámos definir o conceito da capa. Fiz uns protótipos de capa para apresentar aos outros caras da banda, com algumas fotos do meu arquivo pessoal. Dentre umas cinco fotos diferentes, a mais escolhida foi essa da escada. Provavelmente pelo sentido de suspense que ela carrega, pois não se sabe o que pode se encontrar ao subir os degraus, assim como em um filme de terror (risos). Os demais elementos que completam da capa são o logotipo da banda, criado pelo nosso amigo Rodrigo Helfenstein, e a foto da banda no verso, feita pela fotógrafa Ana Marilin.

NHZ: Apesar de lançado faz pouco tempo, existem planos para um álbum completo?
Adriano: Sim, já estamos em fase de composição. Já temos oito músicas em processo de finalização, e é bem provável que no primeiro semestre de 2017 estaremos com nosso full length!

NHZ: Uma questão que está deixando muitos com a pulga atrás da orelha é a nova regulamentação da internet, que passará a valer em 2017. Quais os prejuízos que essa mudança pode trazer a uma banda como a Timor Trail?
Ricardo Baptista:
O que sabemos até então é que, de acordo com essa regulamentação, se aprovada, os usuários de banda larga sofreriam corte de sua internet após excederem um limite estipulado de transferência de dados. O maior meio de divulgação do trabalho da Timor Trail, assim como a maioria das bandas, é a internet. Nosso EP está disponível para download gratuito, e também há vídeos, e sempre haverá mais conteúdo nosso por vir.  Essa restrição com certeza afetaria os hábitos de todos nós, enquanto artistas e fãs, consumidores de informação e principalmente de música. Isso porque hoje em dia somos muito acostumados a ter acesso a tudo, imediatamente e de forma ilimitada, através das plataformas de streaming de música e vídeo. Se o limite de download imposto for muito restritivo, como já pude ler em alguns lugares, isso seria sim mais um obstáculo para que o público conheça a Timor Trail. É claro que nosso EP digital tem um peso de download ínfimo se comparado ao streaming de um filme em HD, por exemplo, mas a partir do momento em que haja um limite para tudo o que se baixa na internet, acredito que o fã de rock mais esporádico poderá pensar duas vezes antes de baixar nosso EP ao invés de consumir conteúdo de outras bandas e outras formas de entretenimento. O melhor, nesse caso, é que o fã faça download do nosso material apenas uma única vez, para ouvir offline quantas vezes quiser.

Timor Trail
Ana Marilin
NHZ: A banda Woslom prestou uma homenagem ao Bywar em seu novo trabalho, A Near Life Experience, regravando a faixa Thrasher’s Return. Como rolou o contato e como se sentiram com esse tributo?
Adriano: Os caras da Woslom entraram em contato comigo perguntando se eles poderiam fazer essa homenagem, e é claro que fiquei muito feliz, e disse que sim! É sempre bom saber que aquilo que você fez um dia e há muito tempo atrás ainda está no coração dos headbangers. Essa música, Thrasher’s Return, significa muito para mim e para os outros ex-integrantes também, e a versão dos caras ficou sensacional - um ótimo trabalho de grande qualidade, assim como é o Woslom e toda sua obra! Aproveito aqui para mais uma vez agradecer pela homenagem!
    
NHZ: O espaço é de vocês!
Adriano: Agradeço de coração a todos aqueles que estão por trás dessa entrevista, e à galera do New Horizons Zine pelo espaço cedido e também à nossa assessoria de imprensa que nos deu essa grande oportunidade de estarmos aqui! Agradeço aos fãs do Timor Trail e aos meus antigos fãs, e recomendo que busquem sempre coisas novas para ouvir, pois o Heavy Metal é uma arte e é cultura, e precisamos nos unir para que sempre estejamos fortes! Entrem e curtam nossa página do Facebook e divulguem o Timor Trail para aqueles que ainda não conhecem!! Valeu e um grande abraço para todos!

Ricardo: Obrigado a vocês do New Horizons Zine pelo interesse em colocar em foco bandas emergentes como a Timor Trail! E para os fãs de metal: há muito material de excelente qualidade sendo produzido por bandas novas, em todo canto do mundo, e muitas vezes de forma independente, então vamos usar o poder da internet para conhecê-las! E compareçam ao próximo show da Timor Trail para nos ver ao vivo! Um abraço!

16 de maio de 2016

A TRILHA DE TODAS AS GUERRAS

A inserção de elementos mais trabalhados foi a aposta de Cause The War Never Ends, novo registro do trio paulista

Por João Messias Jr.

Cause The War Never Ends
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Conhecido pela prática do War Metal, que numa definição simples é o uso da temática da guerra numa sonoridade mais oitentista, o Justabeli apontou uma nova faceta em seu segundo álbum, Cause the War Never Ends: momentos mais técnicos e trabalhados sem abrir mão da essência dos tempos anteriores.

E nessa nova proposta War Feres (baixo/voz), que teve ao seu lado Victor Próspero (guitarra/voz, ex-Necromesis) e Marcelo Furlaneto (bateria, ex-Centennial) fizeram um trabalho que além de superar as expectativas, marca um novo capítulo na história do grupo. 

Como ouvimos na faixa de abertura, Die In the War, cuja levada instrumental nos transporta para uma guerra. Clima presente também em A Face da Morte. Outro atrativo fica por conta das passagens mais trabalhadas, como podemos ouvir em Soldiers of Satan, Cause the War Never Ends e principalmente Infected by Radiation, que agradará em cheio aos fãs do Death.

As últimas faixas do trabalho dão um gostinho especial também. As oitentistas Divine Fall e War Crimes são boas opções para o "banging" enquanto Satan's Whores fecha bem o álbum. Além de ser a faixa mais obscura do disquinho, é dona de um vídeo no mínimo polêmico.

Além da parte musical, o recheio e a embalagem são outros atrativos. A produção de Marcos Cerutti/Victor Próspero e a masterização de Dan Swanö deixaram tudo claro e definido, além da bela e chamativa capa feita por Alan Rodrigues.

Hoje War Feres está acompanhado do guitarrista Blasphemer (Sardonic Impious) e do baterista Morbus Deimos (Kanvass) e essa formação já iniciou os trabalhos de um futuro trabalho

28 de abril de 2016

BELEZA E REFINAMENTO

We Are Lost, primeiro álbum dos gaúchos da Darkship se destaca pelas estruturas bem encaixadas e por passear por diversos estilos

Por João Messias Jr.

We Are Lost
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Concordo que nem tudo são flores para resenhar discos, pois chega um ponto na vida que você não resenha apenas o que quer e chega na sua caixa de caixa de correio um balaio de gatos que vai de tudo que é estilo, inclusive coisas que fogem do seu repertório musical.

Sabem porque digo isso? Pois a possibilidade de estar saindo de casa para ia à loja e comprar um álbum do Darkship seria nula...e eu estaria cometendo um erro daqueles. Pois hoje temos uma infinidade de lançamentos e infelizmente você não consegue acompanhar tudo, mas felizmente esse CD chegou em casa.

A proposta do sexteto gaúcho formado por Silvia Cristina Schneider Knob (voz), Joel Milani (voz), Ismael Borsoi (guitarra), Rodrigo Schäfer (baixo), Joel Pagliarini (bateria) e Andrei Kunzler (teclado) é fundir vertentes variadas do metal e estilos como o clássico e o eletrônico. Cuja miscelânea atinge ótimos resultados no debut, We Are Lost.

O que temos aqui são músicas preocupadas em cativar o ouvinte, principalmente pela beleza e pelo clima singelo que causam ao ouvinte. Isso acontece em todas as canções, desde as mais agitadas como Prision of Dreams, que agradará aos de metal melódico, como as mais intimistas como II Hearts. Estrutura que combina com o conceito lírico do grupo, cuja história passeia por amor e conflitos.

Outros pontos de destaque ficam por conta  de Black Tears, que passeia por vários estilos e a faixa título, que tem tudo para ser um dos pontos altos das apresentações do grupo. Mas a verdade é que a gauchada deixou o melhor para o fim, onde somos premiados com três belas faixas.

You Can Go Back é mais intimista e nos remete aos melhores momentos do Savatage. Eternal Pain é dona de melodias marcantes e Frozen Feelings pelos climas góticos, que vão desde os climas soturnos até os eletrônicos, que pode também ser considerada um cartão de visita do grupo, além de possui um belo vídeoclipe.

E pensar que essa é apenas a primeira parte da trilogia...aguardemos ansiosos pelos desdobramentos futuros.

27 de abril de 2016

PARA OUVIR, RELAXAR E CURTR

Eterno goleiro do Corinthians apresenta um rock and roll consistente e bem elaborado em novo trabalho, o EP "Onde Está o Rock and Roll?"

Por João Messias Jr.

Onde Está o Rock And Roll?
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Quando uma personalidade se atreve a fazer música, há aquela divisão de comentários, alguns apoiando e outros criticando, mas a verdade é que sempre colocam o devido artista em evidência. No caso do eterno goleiro do Timão, vale dizer que há pelo menos duas décadas Ronaldo Soares Giovanelli vem fazendo rock and roll à sua maneira. Quem aí não se lembra do vídeo O Nome Dela?

Pois bem, depois de retomar sua carreira, o cantor e hoje comentarista de TV, ao lado dos competentes Fares Junior (guitarra), Tico Rizzo (guitarra), Bola Moraes (baixo) e Nina Pará (bateria) lançou recentemente o EP Onde Está o Rock and Roll?, que desfila canções agradáveis e acessíveis, que sem nenhum esforço fariam sucesso nas rádios.

A faixa de abertura, Invisível, é dona de guitarras gostosas e uma linha vocal que contagia, assim como a já conhecida T.N.T. A faixa que nomeia o disco tem aquele jeitão de hit, com guitarras "que cantam" e uma linha vocal quase falada que tem tudo para conquistar novos fãs ao quinteto.

Jet Love é bem The Cult e AC/DC e com guitarras bem interessantes, enquanto Eu Quero Mais (outra conhecida dos fãs) é outra que pode emplacar na rádio, sendo a mais acessível do EP. 

Embora a produção seja acima de qualquer suspeita (a cargo de Marcello Pompeu, Heros Trench e Fares Junior), penso que os resultados seriam melhores se ela fosse um pouco mais suja.

Um bom trabalho que não vai mudar o mundo, tampouco a história do rock, porém é honesto e você acaba curtindo numa boa!

25 de abril de 2016

UM DISCO QUE TODO FÃ DE MÚSICA DEVE OUVIR

Marcio Sanches mostra em seu disco solo o quão interessante pode ser um trabalho instrumental

Por João Messias Jr.

Marcio Sanches
Divulgação
Uma das vantagens de ter o material físico para resenhar, é que ele te permite uma proximidade maior com todos os detalhes da concepção do mesmo. Um deles, que no primeiro momento pode soar arrogante é o o depoimento do jornalista Henrique Inglez de Souza, que fala do sentimento que emana deste CD do guitarrista Marcio Sanches, onde dentre outras coisas (num texto curto e completo por sinal) fala  que o trabalho deste músico é repleto de alma e uma performance "viva".

E passadas algumas audições...quem somos nós para discordar? Marcio tem um bom tempo de estrada, é professor e tocou/toca com músicos como Andreas Kisser (Sepultura), Jeff Scott Soto (S.O.T.O.), entre muitos outros, além de recentemente ter sido integrado a banda solo do baixista/vocalista Bruno Sutter (mais conhecido como Detonator).

Mas vamos deixar de papo e vamos ao que interessa: o CD. Dono de um competente trabalho de produção (limpo e sem os artificialismos de hoje), é recheado de músicas digamos, inspiradoras. Sim, aquelas canções, que embora não tenham esse fim, acaba nos motivando a buscar o nosso melhor. 

The Great Beggining funciona como uma "apresentação" do trabalho, mostrando as habilidades do músico. Mas o disco começa de verdade na seguinte, The Great Beggining. Pesada, com bases que vão do hard ao heavy, nos faz crer que a música instrumental merece ser ouvida por mais pessoas.

Emotion, como o nome sugere, é uma balada recheada de positividade e nos remete as coisas mais épicas e melódicas que o Queen fez. Carnaval mescla de forma homogênea hard rock com alguns ritmos da nossa terra. Radio Feedback destaca o trampo do baixo de Sandro Lunna. Já Roots é dona de um pique mais festivo com algumas fritações bem vindas. The Feelin e Brothers I são mais intimistas e nos preparam para o final do trabalho, com No Words (Only Sounds of the Heart).

Faixa que nos dá a sensação de limpeza, por "extrair" tudo que é ruim que tem na gente, nos fazendo mais leves e motivados. 

Quer saber mais do que? Se for fã de música instrumental, procure conhecer!