23 de março de 2017

APARÊNCIAS QUE ENGANAM

Apesar do nome e visual, a pegada da banda finlandesa é mais voltada à introspecção

Por João Messias Jr.

As aparências enganam sim ou Não?

Black Aura
Divulgação
Não sei se existe uma resposta definitiva para essa questão, mas ouvindo o novo trabalho dos finlandeses da Viper Arms me faz crer que elas enganam sim. Veja bem, com um nome desses e uma capa forte e chamativa, pensamos que estamos diante de uma banda de hard rock.

Apesar de umas guitarras pesadas e músicas contagiantes como Time Bomb (um grude só) e a energética Lucky 7, o que temos ao decorrer do disquinho são canções mais introspectivas, que aparecem logo na seguinte faixa, Holy in One, que mantem o nível alto.

To the Wolfes é densa, já Everything Nothingness é  deprê, enquanto Black Surf é um ska muito gostoso de escutar. Apesar da inegável qualidade, o nível cai um pouco, voltando a subir em na interessante The Worst Candidate e Sightseeing to Hell.

Mesmo com a “queda de temperatura", o quarteto formado por Niina (voz e guitarra), Heidi (guitarra), Soffe (baixo) e Jonne (bateria) tem suas qualidades e pode cair no gosto de fãs de rock, em especial de vertentes como o alternativo, grunge e o pop.

20 de março de 2017

GARRA É TUDO

Gana de fazer músicas envolventes e apaixonantes é o trunfo de banda sergipana

Por João Messias Jr.

Seeds of Evil
Divulgação
Sabe aquele jogo em que a melhor equipe leva um baile do adversário infinitamente inferior e que compensa tudo com garra, raça e vontade? É essa sensação que é passada ao ouvir Seeds of Evil, primeiro trabalho dos sergipanos da Stonex, que tem como referências o hard/heavy dos anos 70 e 80.

Mas engana que se trata de uma formação stoner, pois o pessoal aqui soa como as primeiras bandas nacionais de metal daqui do Brasil. Outro aspecto que nos remete ao período é que tocam com muita garra e paixão, mostrando que em muitos casos, o entrosamento vale mais do que a técnica masturbatória. As quatro músicas chamam a atenção pela linearidade entre elas....nada aqui foi feito para encher linguiça. Porém Electric Sky e Master of the Pit são as melhores aqui. A primeira pelo bom trabalho de guitarra e a segunda pelo refrão pra lá de  convidativo.

Por ser um primeiro trabalho nota-se algumas coisas a serem melhoradas. Começando do som, só devem fugir um pouco das influências, além de buscarem uma qualidade melhor de áudio. Além de um melhor cuidado na identidade visual do grupo. Quesitos que devem ser resolvidos nos futuros trabalhos.

13 de março de 2017

RECOMEÇO EM GRANDE ESTILO

Grupo formado das cinzas da Invisible Enemy lança EP que pode cair no gosto da galera Death/Thrash

Por João Messias Jr.

Blood Path
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Ás vezes dar um passo para trás não significa regredir, pelo contrário. É pavimentar o caminho para seguir com novos e largos passos. Assim podemos definir a caminhada da banda Terrorsphere. Oriunda do Paraná, surgiu em 2014 após o fim da Invisible Enemy e agora nos brinda com seu primeiro trabalho, o EP, Blood Path.

O trabalho transita entre o Death e o Thrash, que mescla diversas escolas dos estilos citados, tendo como base a velocidade e crueza, que gera canções feitas para os palcos. O que percebemos logo de cara, com a faixa de abertura, Assassinos, única cantada em português, que tem um refrão marcante. As passagens cadenciadas e o clima mórbido de War Curse também chamam a atenção, assim como a empolgante faixa que dá nome ao disquinho.

Reforçando as boas impressões musicais, a banda "embalou" o material com uma boa gravação, que poderia ser menos crua e uma bela capa que deve ficar ainda mais bonita como uma camiseta ou em formato para vinil.

Agora é aguardar os próximos passos da turma formada por Werner Lauer, Udo Lauer, Francisco Neves e Victor Oliveira.

5 de dezembro de 2016

NÃO SE LEVE PELAS APARÊNCIAS

Heavy simples e bem elaborado é a receita do quinteto paulista

Por João Messias Jr.

Ao ver a capa do debut do Aeon Prime, a primeira coisa que me veio na mente foi uma banda progressiva na linha Shadow Gallery ou alguma outra do saudoso selo Magna Carta. Porém, ao colocar o disquinho para rodar, nada disso se confirma.

Adeptos do Heavy Metal Tradicional, o quinteto formado por Michel de Lima (voz), Yuri Simões (guitarra), Felipe Mozini (guitarra), André Fernandes (baixo) e Rafael Negreiros aposta na simplicidade e tem a favor o fato de não querer soar como um grupo dos anos oitenta.

Apesar de algumas coisas a serem melhoradas, a bolachinha chama a atenção primeiramente pela excelente produção, a cargo de Pedro Esteves (Liar Symphony), além da colaboração de membros do Hardshine, Leandro Caçoilo e Anderson Alarça. Algumas músicas chamam a atenção logo de cara, como a longa About Dreams and Lies e a belíssima Ghost, cuja interpretação vocal e as guitarras cheias de melodia são os pontos altos. Outros pontos de destaque ficam por conta de Future Into Dust e o encerramento com a energética e diferente In the Dephts of Me.

Talvez desaponte quem olhou a capa e esperou por algo diferente, mas é uma banda com qualidades....e que venham futuros trabalhos.

2 de dezembro de 2016

NO MESMO NÍVEL DOS CLÁSSICOS

Disco de retorno contém a mesma energia dos primeiros trabalhos

Por João Messias Jr.

Quando temos notícia de um grupo clássico que retoma as atividades, a pergunta que cola na cuca é: "Será que os caras ainda tem o mesmo pique?". Indagação que coça a cabeça ainda mais sabendo se as formações são de estilos mais viscerais.

Como o Lobotomia. Do ABC paulista, os caras tem na bagagem discos clássicos como Lobotomia (1986) e Nada é Como Parece (1988) e após algumas idas e vindas além de uma nova formação soltam um novo registro em quase uma década. Chamado Desastre, chama a atenção logo de cara pelo acabamento em digipack e pelo capricho da capa e encarte.

Sim, a boa impressão permanece nas músicas, que receberam uma boa produção. Contando na época com Edu Vudoo (voz), Guilherme Goto (guitarra), Gabriel Kaspar (baixo) e Grego (bateria e único membro original), mantém a empolgante linha musical que passeia entre o Metal, Hardcore e Crossover, mas com aquele algo a mais que deixa todo os fãs de música pesada satisfeitos.

Em especial as linhas de guitarra, que segue a linha dos primeiros tempos do Hardcore (DRI/Agnostic Front)  com a malícia dos tempos atuais. Fusão que nos faz balançar a cabeça de forma imediata que somada as canções, faz o grupo ter em mãos músicas fortes como Desastre Nuclear e Engrenagem da Maldade, que tem um puta refrão e uma letra consciente e reflexiva.

Não se engane com o início lento de Terra Sagrada, que vira uma tijolada que tem riffs levada vocal insanas. 

Voodoo Império do Terror manda o disquinho lá nas alturas enquanto Quem Vai Ganhar? coroa esse belo trampo de retorno dos caras, que mantiveram a essência dos primeiros dias, sem ter medo de atualizar sua música.

Atitude de quem está nessa por amor e não pelo dinheiro!
lobotomiahc.wix.com/lobotomia

1 de dezembro de 2016

ADRENALINA THRASH

Novo álbum do grupo catarinense aposta em canções energéticas e viscerais

Por João Messias Jr.


Tirando o Death Angel, que fez um álbum excelente, a verdade é que os medalhões do estilo não fazem faz tempo um trabalho digno de nota máxima. Se por um lado isso é ruim, pois mostra que o tempo chega para todos, o bom é que nos faz olhar para outras direções e a consequencia é conhecer outras possibilidades de dolorir seu pescoço.

Não é novidade dizer que o Thrash nacional há tempos vem mostrando ao mundo o seu valor. Bandas como Woslom, Executer, Forka, Blackning e Ancesttral cada uma a sua forma aponta novos caminhos para o estilo e aos poucos cravam seu espaço na cena. Porém, lá de Santa Catarina, os thrashers do Jailor me chamaram a atenção em seu segundo álbum.

Dono de uma capa maravilhosa, Stats of Tragedy tem tudo para ser lembrado como um clássico do estilo. Além da imagem pra lá de chamativa, as músicas são movidas pela adrenalina, ou seja, feitas para fazer o pescoço doer.

Mesclando referências como Slayer (a principal) e pinceladas de Forbidden, Deliverance e Kreator, o quinteto formado por Flavio Wyrwa (voz), Alessandro Guima (guitarra), Daniel Hartkopf (guitarra), Emerson Niederauer (baixo) e Jefferson Verdani (bateria) se concentraram em canções feitas para tocar ao vivo, como na trinca inicial Human Unbeing, Stats of Tragedy e Throne of Evil. Todas com o destaque para os vocais gritados a lá Tom Araya.

Só que a boa impressão não fica apenas no começo. Jesus Crisis e as viciantes Ephemeral Property e Six Six Sickness são outros pontos altos desse disquinho, onde a banda acerta a mão em todos os detalhes...principalmente se pensarmos que a exceção da intro G.O.D., todas as faixas tem tempo médio de seis minutos. 

Uma pena que esse trampo é de 2015, do contrário estaria na minha listinha de melhores de 2016!

29 de novembro de 2016

UMA DÉCADA DE GLÓRIAS

Terceiro álbum do quarteto carioca apresenta banda no auge da carreira

Por João Messias Jr.

Uma década de estrada celebrada em grande estilo. Afinal, quantas bandaschegam a essa marca depois de períodos complicados e ainda mais com um álbum mortífero na bagagem? Os caras do Lacerated And Carbonized chegaram essa marca nos presenteando com o melhor trabalho de suas carreiras.
Após o ótimo The Core of Disruption, os caras vem com Narcohell, que também tem como tema a violência e o caos do Rio de Janeiro. Só que isso passa longe da repetição. As músicas apesar de manterem o Death/Thrash do grupo, estão mais densas e intensas, Mas, antes de falar das canções, vale ser citada a preocupação dos caras com a apresentação gráfica.

Começando da capa, uma das mais inspiradas do ano. Com imagens fortes, mas sem cair no lance explícito fizeram um belo trabalho sem abrir mão de serem uma banda de metal. Criatividade que passeia por todo o encarte.

Já as músicas, receberam uma bela produção, além da mix e master de Andy Classen (Krisiun, Rebaelliun), que deixou tudo nivelado e ao mesmo tempo mortífero,como pudemos ouvir logo na primeira faixa, Spawned In Rage, que recebem riffs grudentos e cadenciados alternados a passagens quebra pescoço. Já Bangu 3, que conta com a participação de Marcus D´Angelo (Claustrofobia) com trechos em português e inglês, tem tudo para ser um dos novos clássicos do grupo, assim como Decree of Violence. 

O groove insano de Broken, que tem Mike Hrubovcak (Monstrosity) é outro destaque, assim como os riffs viciantes de Condition Hell. Mas o ponto alto fica por conta da instrumental Parallel State. Pois concilia elementos da música brasileira sem deixar de ser uma banda de metal. Hell de Janeiro e Mass Social Suicide encerram o trabalho com o nível nas alturas. O que é positivo, pois como o disquinho tem 38 minutos, pode ser ouvido diversas vezes seguidas.

Que venham mais dez anos e que desta vez, os headbangers brasileiros (não todos, mas uma parte considerável) passem a venerar as bandas de seu próprio país, ao invés de idolatrar grupos do exterior e bandas falidas.