7 de abril de 2020

MODERNOS E CRIATIVOS

Duo paulista lança modernidade ao metal tradicional em seu primeiro álbum

Por João Messias Jr.

Scream¹
Divulgação
A vida é feita de mudanças. Isso me fez lembrar meus primeiros anos curtindo metal, mais precisamente em 1992, época em que o Iron Maiden lançava o álbum Fear of the Dark, que descambou numa tour que passou por vários países do globo terrestre, inclusive o Brasil. Também foi marcado como o último trabalho com Bruce Dickinson no posto de vocalista, que voltaria anos depois, mas isso é outra história.

O caso é que após deixar a Donzela de Ferro, o cantor trilhou diversos caminhos, até voltar para o som que o consagrou, o metal tradicional, só que de uma forma moderna, revigorada e até inédita, como pudemos ouvir e nos deliciar em Accident of a Birth (1997) e A Chemical Wedding (1998). 

Exatamente essa sensação é sentida ao ouvirmos Scream!, primeiro trabalho do duo formado por Welbe (vocal) e Raphael Gazal (demais instrumentos) são caras experientes e com vivência no metal e por mais que esperássemos algo de qualidade, fomos surpreendidos.

Sem abrir mão do metal tradicional que marcou suas carreiras, o álbum possui uma timbragem moderna, pesada, sem perder a essência e a elegância que consagrou formações como Maiden, Saxon e Judas Priest, fazendo desse álbum, uma audição obrigatória aos fãs do estilo.

Não vou citar as faixas pois o trabalho possui uniformidade e uma ótima qualidade sonora, além de uma capa muito bem sacada, onde se percebe que a rapaziada não ficou parada no tempo. 

A única coisa que deveriam repensar seria o nome. Não que não combine com a sonoridade/conceito, apenas pelo fato de termos muitas bandas com o mesmo nome.

E como eu disse na resenha anterior...que tal prestar atenção em quantas bandas legais temos no Brasil nesses tempos de quarentena?
https://www.youtube.com/watch?v=VH5hBZCpUsg

5 de abril de 2020

A DEVASTAÇÃO CONTINUA....MAIS IMPIEDOSA

Novo ataque de banda brasiliense mantém as raízes, porém mais aprimoradas e extremas

Por João Messias Jr.

Sick and Insane
Divulgação
Esse post é recomendado para os fãs de thrash metal, em especial fãs de DRI, Nuclear Assault, Kreator e Sodom. Essa molecada do MOFO mostra que ouviram seus vinis e CDs até furarem e danificarem seus aparelhos. 

É importante dizer que Emiliano Gomes (vocal), Arthur Colonna e Rodrigo "Shakal" (guitarras), Pedro Dinis (baixo) e João Paulo "Mancha" (bateria) serem devotos das bandas citadas, não fazem aquele mais do mesmo, e acrescentam  aquele ingrediente essencial que diferencial as bandas comuns das excelentes: personalidade.

Em comparação ao primeiro EP, resenhado aqui no blog, a banda está bem mais trabalhada, sem esquecer da agressividade que marcou a sua sonoridade, ou seja, o que era bom ficou ainda melhor.

Ouça Let them Fall e a faixa que nomeia o álbum para que sintam a evolução dos caras, que mesclam no mesmo balaio energia, agressividade e coesão, uma mistura mortífera, que alegrará em cheio a turma que aprecia colete, calça apertada e tênis branco.

Mas o trampo não se resume a esses sons. Frank possui uma levada pra lá de contagiante, enquanto Purgatory é mais cadenciada e vocais mais guturais, porém um final arrebatador, que tem tudo para arrebentar pescoços.

Além do som, que possui uma ótima qualidade de gravação, possui uma capa de respeito, feita por Ricardo Bancalero (Venomous), que soube conectar o clima oitentista do grupo a algo mais contemporâneo.

Aliás, fica o recado: ao invés de causar em tempos de quarentena, que tal dar uma passeada pelas plataformas de música e sacar quantas bandas legais temos?

A ESPERANÇA VIVE

Gauchos mostram uma faceta mais pesada em novo trabalho

Por João Messias Jr.

Pieces of Tomorrow
Divulgação
São seis anos de estrada, shows pela região sul do país, São Paulo e Argentina. O mais legal disso tudo é que não estamos falando de uma banda que faz metal extremo ou progressivo, mas sim uma formação que aposta no melodic rock, vertente pra lá de estabilizada na Europa e que de uns anos pra cá possui fãs pra lá de devotos no Brasil.

No quarto trabalho do grupo, que hoje conta com Rod Marenna (vocal), Alex Reck (guitarra), Bife (baixo), Artur Schavinsky (bateria) e Luks Diesel (teclado), percebemos sutis diferenças em relação aos trabalhos anteriores, que quem observar a capa, com tons mais escuros decifrará o enigma.

Apostando numa sonoridade mais pesada e densa, sem perder a qualidade dos arranjos e o clima grudento, o quinteto escreve mais um capítulo vitorioso em sua ainda curta história, pois o material é consistente e de potencial gigantesco, não apenas para fãs do estilo, mas de outras vertentes.

Um exemplo fica para a balada Break My Heart Again, que é puro hard rock, com vocalizações e climas pra lá de dramáticos (reforçado pelos pianos), além de uma sonoridade mais densa e encorpada. Já Getting Higher é daquelas músicas irresistíveis. É aquele som que você fica acompanhando (com ou sem as letras) até chegar o refrão para bradá-lo o mais alto possível. Junto ao clima "vamos juntos", é possível perceber climas de bandas como Godsmack e Stone Sour, que aqui foram pra lá de bem pensados.

Já a faixa que nomeia o trabalho, vem numa linha totalmente europeia, em especial formações como HEAT, WET e Eclipse, só que com uma linha mais encorpada e menos afetada que as bandas citadas, o que coroa este excelente trabalho, que nos faz ter orgulho do nosso país em termos de estilo. Afinal, estamos repletos de bandas maravilhosas dos mais variados estilos.

E, parafraseando um som músicas do quinteto montando uma frase: acreditar sempre nos nossos sonhos e na força do nosso coração, fazendo algo bom e sólido. Como esse EP, onde repito: que é de deixar orgulhoso o fã de música!

4 de março de 2020

CELEBRAR, COMEMORAR, CONTINUAR

Audição de The Oracle, novo álbum da banda Brave foi marcada pelo clima de descontração e celebração

Por João Messias Jr.
Fotos: Leandro Almeida

Eliton  Tomasi e Brave
Leandro Almeida
Hoje em dia se tornou mais rápido, prático e barato o processo de um álbum. Com as ferramentas ideais, a banda pode se dar ao luxo de gravar em casa, dessa forma minimizando os custos e disponibilizá-lo em todas as plataformas de streaming que existem por aí, dessa forma, fazendo sua música chegar a pessoas e lugares que jamais se imaginou.

Sem dúvida a tecnologia facilitou a vida dos grupos musicais, em especiais os pertencentes a segmentos específicos, como o metal, mas pense comigo, apesar de você ter o "tudo", esse trabalho pode ser em vão, pois, sem a divulgação correta, esse trabalho pode cair como uma gota no oceano, ou seja, será pouco visto pelas pessoas.

Esse tipo de reflexão me faz lembrar como eram os anos 80. Período em que todos se reuniam nos bares ou lojas de disco para ver/ouvir o que de melhor estava rolando em termos de lançamentos, numa verdadeira celebração ao estilo, algo que deveria rolar com mais frequencia,

Justamente esse sentimento que foi transmitido no lançamento de The Oracle, novo álbum da veterana banda Brave, realizado na última quinta feira do mês de fevereiro, na Full House, no Anhangabaú (SP).

Jean Praelli e Eliton Tomasi
Leandro Almeida
Programada para às 19h, cheguei uma hora após o início e após receber o kit promocional, tive uma impressão positiva do local, que lembra muito o point de baladas góticas, por ser bem escuro, com poucas luzes e o mais legal, muita gente presente, com o som mecânico rolando, discotecado por Jéssica Mar (Headbangers News).

O mais legal de tudo era que não havia nada de malaiada mainstream, apenas fãs devotos de música pesada, que assim como eu, dispõe de uma parte do seu tempo pra divulgar a música que tanto ama. Portais e comunidades como Groundcast e Metal BR eram alguns presentes, assim como a Rock Brigade.

Pouco depois, às 20h40, o assessor do grupo, Eliton Tomasi, tomou as palavras e comentou sobre a importância de fazer um evento diferenciado, com as pessoas confraternizando, conversando e o mais importante: se divertindo fazendo aquilo, tendo prazer e não obrigação. Jean Praelli, da Anti Posers Records, citou a importância da continuidade no estilo, cada um fazendo sua parte, contribuindo para o crescimento e propagação do estilo

Brave e Imprensa
Leandro Almeida
Após esse breve momento explicativo, o álbum foi posto pra rolar e estamos diante do mais representativo álbum do grupo (resenha linhas abaixo) e nessa vibe de energia boa fiquei até às 22h30, com a sensação de  dever cumprido e feliz por ter feito parte de mais um capítulo da história do Brave.

Parabéns a todos os envolvidos, desde a organização, ao grupo e presentes, por proporcionarem mais uma vez um capítulo vitorioso na música pesada. Feita da forma mais importante: em comunhão, celebrando.

The Oracle: O álbum

A sabedoria possui como características o saber, o conhecer e o discernimento. Curiosamente todos os adjetivos cabem em The Oracle, terceiro álbum do Brave, que desde 1998, vem lutando em busca do reconhecimento, com seu metal tradicional bem dosado e repleto de personalidade.
The Oracle
Arquivo Pessoal

Sidney Milano (vocal), Carlos Bertolazi (guitarra), Ricardo Carbonero (baixo) e Carlos Alexgrave (bateria) são caras rodados e dessa forma fugiram das armadilhas que o estilo oferece, com uma grande sacada: os vocais.

Longe de usar timbres na estratofera e irritantes, Sidney embora explore alguns tons altos, foca na agressividade, o que foi um ganho na sonoridade do álbum, que soa como unidade, como podemos escutar em We Fight for Odin, que tem um refrão que deve ser pedido nos shows.

Wake the Fury,  com seus riffs irresistíveis, vozes mais ríspidas e pique NWOBHM, é outro belo exemplo de música bem feita. Outro som que deve ser citado é Fall of the Empire, conhecida por seu videoclipe lançado antes do álbum... que refrão meu amigo.

A autobiográfica We Burn the Heart encerra com chave de ouro o álbum, mostrando uma faceta épica/folk dos caras que combina em cheio com o som. Aliado ao som, vale citar que as etapas de produção e gráfica estão no patamar de qualidade que a banda merece.

Uma pequena ressalva vai para a ordem do tracklist do álbum, onde algumas faixas aparecem trocadas, mas que não comprometem a audição de The Oracle, que marca mais um capítulo vitorioso na carreira do quarteto, que com o passar dos anos, soube, com sabedoria fazer sua música soar oitentista sem o ranço saudosista!
https://www.youtube.com/watch?v=kRNUKhVH7QQ

20 de fevereiro de 2020

UMA VIAGEM (PRA LÁ DE) EMPOLGANTE

Quarto álbum do grupo transporta ouvinte aos campos de batalha tendo como fundo o metal tradicional

Por João Messias Jr.




O quarto álbum do Grey Wolf, projeto liderado pelo baixista/vocalista Fábio Paulinelli nos faz lembrar de algumas coisas que, conforme vamos ficando velhos, vamos deixando de lado. Seja pela correria do mundo moderno, ou por puro desleixo, a verdade é que muitas vezes acabamos nos esquecendo do nosso compromisso com a música que amamos. Pense: quantas vezes deixamos de expressar sobre o metal no almoço de família ou no próprio trabalho, pelo fato de não querermos desavenças e pela falta de compreensão dos outros...

... Falando por mim, soou mágico os acordes do disco, batendo quase que imediata aquela vontade de erguer os punhos e bangear infinitas vezes, tamanha a paixão e energia que transita pelo disquinho, que tem como base o metal tradicional, temperado por passagens folk e NWOBHM, esse último muito bem representado em The Last of the Empire e The Queen of the Black Coast, ambas com passagens pra lá de empolgantes, em especial as linhas de guitarra.

Vikings tem tudo para ser um dos novos hinos da banda, assim como  os instrumentais Marching On e Crossing the Hyborian Seas, que alternam peso, velocidade e melodias nos momentos apropriados.

O que chama a atenção é a abordagem dos vocais. Fugindo dos agudos intermináveis e afetados, temos uma linha mais rasgada, grave e que esbarra no gutural em alguns momentos, o que aqui foi uma decisão acertada. Outra característica do álbum que o torna única é o fato do baixo estar bem a frente na gravação, o que soou interessante e diferente do que muitas bandas fazem hoje.

Outro atrativo do CD físico fica por conta do acabamento luxuoso em slipcase e um livreto de quarenta páginas que conta a história do disquinho, o que torna a sua aquisição uma obrigação se for fã do estilo.

Portanto headbanger de 16 ou 66, nunca é tarde para replicar sua paixão e amor pelo estilo. Afinal, se os fãs de sofrência e futebol podem, porque nós não podemos?

Um gostinho do disco pode ser ouvido aqui:


13 de fevereiro de 2020

E SE...

Chilenos acrescentam melodias e passagens trabalhadas em meio a tempestade thrash

Por João Messias Jr.


É sabido que o metal é cheio de histórias, com algumas delas que aparecem aquela expressão "E se", que é o enredo da resenha de hoje, com a banda chilena Necrosis. Formada lá nos anos 80, foi uma das promessas do metal sul americano, inclusive tendo feito shows no território brasileiro promovendo o álbum The Search. Um excelente disco com grandes momentos, como a faixa título, Kingdom of Hate e o belíssimo instrumental Golden Valley. Um álbum quase perfeito, pois esbarrava numa gravação ruim, que não fazia jus ao material.

Nessa época, eles seriam a banda de abertura do Kreator em São Paulo, que teria tudo para alavancar a carreira dos chilenos. Teria porque, os germânicos não tocaram por aqui, numa conversa que gerou versões que a banda não queria tocar aqui, que foi um show fantasma. Enfim, depois disso o quarteto alemão veio aqui diversas vezes, se consolidando como um dos maiores nomes do thrash metal. Mas e o Necrosis?

Após a frustração, passaram por um longo hiato e desde 2009 retornaram, tendo como registro mais recente o álbum de 2015, chamado Age of Decadence.

Victor Contreras (guitarra), Sergio Aravena (guitarra), Jorge Luis Jones (vocal), Andy Nacrur (bateria) e Patricio Ahumada (baixo), mantiveram o pique thrash, mas explorando novas possibilidades, flertando com outros estilos, como o hardcore, presente nas linhas vocais de Insolence. Uma levada mais rock and roll ouvimos em Furia, que ainda apresenta um belo sincronismo de guitarras.

Só que não há de negar que as melhores são os petardos thrash como a irada The Ovalo Prison, dona de uma pegada Annihilator e a visceral Crush Like Rats.

Um álbum que com certeza agradará aos fãs do estilo, mas que embora transborde competência, ficará marcada por ter sido um dos grupos que estava presente no episódio do Kreator.

Será que com a vinda dos alemães, eles teriam impulsionado sua carreira?

4 de fevereiro de 2020

GENIAL E AMBICIOSO

Poloneses inovam mesclando canto gregoriano em meio ao black metal tradicional



Por João Messias Jr.

Entramos naquela velha questão: ouvir bandas tradicionais ou inovadoras? Como fã assumido de thrash e hard rock (ambos da escola americana), confesso que fico na zona de conforto nesse lance de buscar por novidades. Mas, o lance de colaborar na Revista Roadie Crew,  me fez sair da zona de  conforto e ampliar o conhecimento musical.

Não vou precisar a edição, mas ao ler uma entrevista com a banda polonesa Batushka, me fez querer conhecer mais o som dos caras. E para minha grata surpresa, mais uma vez minha intuição estava certa. A resenha de hoje, o álbum Litourgiya, é o retrato disso.

Lançado em 2015, o trabalho apresenta uma mescla interessante e até então impensável de black metal com referências da música sacra, com cantos gregorianos e muitas melodias. Mas apesar dessas características, não espere por nada celestial, pois o que temos é uma música agressiva, que é repleta de intensidade e que cativa, fazendo de Litourgiya, um álbum único, que merece ser ouvido por completo. Por diversas vezes. Os pontos altos ficam por conta de Ектения IV: Милость  Ектения V: Святый вход. 

Claro, que como uma espécie de "tradição" ao estilo, já foram impedidos de se apresentarem em alguns países como a Rússia, além das recentes mudanças de formação do grupo, que geraram polêmica e confusão aos fãs,

Assim como Nexus Polaris (Covenant), Puritanical Euphoric Misantropia (Dimmu Borgir) e The Satanist (Behemoth), o Batushka crava seu lugar no quesito black metal de vanguarda.

MODERNOS E CRIATIVOS

Duo paulista lança modernidade ao metal tradicional em seu primeiro álbum Por João Messias Jr. Scream¹ Divulgação A vida é feit...