5 de dezembro de 2016

NÃO SE LEVE PELAS APARÊNCIAS

Heavy simples e bem elaborado é a receita do quinteto paulista

Por João Messias Jr.

Ao ver a capa do debut do Aeon Prime, a primeira coisa que me veio na mente foi uma banda progressiva na linha Shadow Gallery ou alguma outra do saudoso selo Magna Carta. Porém, ao colocar o disquinho para rodar, nada disso se confirma.

Adeptos do Heavy Metal Tradicional, o quinteto formado por Michel de Lima (voz), Yuri Simões (guitarra), Felipe Mozini (guitarra), André Fernandes (baixo) e Rafael Negreiros aposta na simplicidade e tem a favor o fato de não querer soar como um grupo dos anos oitenta.

Apesar de algumas coisas a serem melhoradas, a bolachinha chama a atenção primeiramente pela excelente produção, a cargo de Pedro Esteves (Liar Symphony), além da colaboração de membros do Hardshine, Leandro Caçoilo e Anderson Alarça. Algumas músicas chamam a atenção logo de cara, como a longa About Dreams and Lies e a belíssima Ghost, cuja interpretação vocal e as guitarras cheias de melodia são os pontos altos. Outros pontos de destaque ficam por conta de Future Into Dust e o encerramento com a energética e diferente In the Dephts of Me.

Talvez desaponte quem olhou a capa e esperou por algo diferente, mas é uma banda com qualidades....e que venham futuros trabalhos.

2 de dezembro de 2016

NO MESMO NÍVEL DOS CLÁSSICOS

Disco de retorno contém a mesma energia dos primeiros trabalhos

Por João Messias Jr.

Quando temos notícia de um grupo clássico que retoma as atividades, a pergunta que cola na cuca é: "Será que os caras ainda tem o mesmo pique?". Indagação que coça a cabeça ainda mais sabendo se as formações são de estilos mais viscerais.

Como o Lobotomia. Do ABC paulista, os caras tem na bagagem discos clássicos como Lobotomia (1986) e Nada é Como Parece (1988) e após algumas idas e vindas além de uma nova formação soltam um novo registro em quase uma década. Chamado Desastre, chama a atenção logo de cara pelo acabamento em digipack e pelo capricho da capa e encarte.

Sim, a boa impressão permanece nas músicas, que receberam uma boa produção. Contando na época com Edu Vudoo (voz), Guilherme Goto (guitarra), Gabriel Kaspar (baixo) e Grego (bateria e único membro original), mantém a empolgante linha musical que passeia entre o Metal, Hardcore e Crossover, mas com aquele algo a mais que deixa todo os fãs de música pesada satisfeitos.

Em especial as linhas de guitarra, que segue a linha dos primeiros tempos do Hardcore (DRI/Agnostic Front)  com a malícia dos tempos atuais. Fusão que nos faz balançar a cabeça de forma imediata que somada as canções, faz o grupo ter em mãos músicas fortes como Desastre Nuclear e Engrenagem da Maldade, que tem um puta refrão e uma letra consciente e reflexiva.

Não se engane com o início lento de Terra Sagrada, que vira uma tijolada que tem riffs levada vocal insanas. 

Voodoo Império do Terror manda o disquinho lá nas alturas enquanto Quem Vai Ganhar? coroa esse belo trampo de retorno dos caras, que mantiveram a essência dos primeiros dias, sem ter medo de atualizar sua música.

Atitude de quem está nessa por amor e não pelo dinheiro!
lobotomiahc.wix.com/lobotomia

1 de dezembro de 2016

ADRENALINA THRASH

Novo álbum do grupo catarinense aposta em canções energéticas e viscerais

Por João Messias Jr.


Tirando o Death Angel, que fez um álbum excelente, a verdade é que os medalhões do estilo não fazem faz tempo um trabalho digno de nota máxima. Se por um lado isso é ruim, pois mostra que o tempo chega para todos, o bom é que nos faz olhar para outras direções e a consequencia é conhecer outras possibilidades de dolorir seu pescoço.

Não é novidade dizer que o Thrash nacional há tempos vem mostrando ao mundo o seu valor. Bandas como Woslom, Executer, Forka, Blackning e Ancesttral cada uma a sua forma aponta novos caminhos para o estilo e aos poucos cravam seu espaço na cena. Porém, lá de Santa Catarina, os thrashers do Jailor me chamaram a atenção em seu segundo álbum.

Dono de uma capa maravilhosa, Stats of Tragedy tem tudo para ser lembrado como um clássico do estilo. Além da imagem pra lá de chamativa, as músicas são movidas pela adrenalina, ou seja, feitas para fazer o pescoço doer.

Mesclando referências como Slayer (a principal) e pinceladas de Forbidden, Deliverance e Kreator, o quinteto formado por Flavio Wyrwa (voz), Alessandro Guima (guitarra), Daniel Hartkopf (guitarra), Emerson Niederauer (baixo) e Jefferson Verdani (bateria) se concentraram em canções feitas para tocar ao vivo, como na trinca inicial Human Unbeing, Stats of Tragedy e Throne of Evil. Todas com o destaque para os vocais gritados a lá Tom Araya.

Só que a boa impressão não fica apenas no começo. Jesus Crisis e as viciantes Ephemeral Property e Six Six Sickness são outros pontos altos desse disquinho, onde a banda acerta a mão em todos os detalhes...principalmente se pensarmos que a exceção da intro G.O.D., todas as faixas tem tempo médio de seis minutos. 

Uma pena que esse trampo é de 2015, do contrário estaria na minha listinha de melhores de 2016!

29 de novembro de 2016

UMA DÉCADA DE GLÓRIAS

Terceiro álbum do quarteto carioca apresenta banda no auge da carreira

Por João Messias Jr.

Uma década de estrada celebrada em grande estilo. Afinal, quantas bandaschegam a essa marca depois de períodos complicados e ainda mais com um álbum mortífero na bagagem? Os caras do Lacerated And Carbonized chegaram essa marca nos presenteando com o melhor trabalho de suas carreiras.
Após o ótimo The Core of Disruption, os caras vem com Narcohell, que também tem como tema a violência e o caos do Rio de Janeiro. Só que isso passa longe da repetição. As músicas apesar de manterem o Death/Thrash do grupo, estão mais densas e intensas, Mas, antes de falar das canções, vale ser citada a preocupação dos caras com a apresentação gráfica.

Começando da capa, uma das mais inspiradas do ano. Com imagens fortes, mas sem cair no lance explícito fizeram um belo trabalho sem abrir mão de serem uma banda de metal. Criatividade que passeia por todo o encarte.

Já as músicas, receberam uma bela produção, além da mix e master de Andy Classen (Krisiun, Rebaelliun), que deixou tudo nivelado e ao mesmo tempo mortífero,como pudemos ouvir logo na primeira faixa, Spawned In Rage, que recebem riffs grudentos e cadenciados alternados a passagens quebra pescoço. Já Bangu 3, que conta com a participação de Marcus D´Angelo (Claustrofobia) com trechos em português e inglês, tem tudo para ser um dos novos clássicos do grupo, assim como Decree of Violence. 

O groove insano de Broken, que tem Mike Hrubovcak (Monstrosity) é outro destaque, assim como os riffs viciantes de Condition Hell. Mas o ponto alto fica por conta da instrumental Parallel State. Pois concilia elementos da música brasileira sem deixar de ser uma banda de metal. Hell de Janeiro e Mass Social Suicide encerram o trabalho com o nível nas alturas. O que é positivo, pois como o disquinho tem 38 minutos, pode ser ouvido diversas vezes seguidas.

Que venham mais dez anos e que desta vez, os headbangers brasileiros (não todos, mas uma parte considerável) passem a venerar as bandas de seu próprio país, ao invés de idolatrar grupos do exterior e bandas falidas.

24 de novembro de 2016

FUSÃO IMPROVÁVEL E GENIAL

Diversidade é o que manda no primeiro trabalho solo da cantora da Madame Saatan

Por João Messias Jr.

Quando foi noticiado que a Madame Saatan estava pausando as atividades, foi um baque para este cara que escreve essas linhas. Ainda mais sabendo que um dos motivos foi que a vocalista Sammliz trabalhava em um álbum solo. Pois bem, o tempo passou e hoje esse material ganhou a luz do dia. Chamado Mamba, o trabalho chama a atenção por diversos fatores.

Ao ouvir o disquinho, o que chamou a atenção além da produção sóbria, foi a diversidade de estilos. O rock está lá sim, mas não temos nada relacionado ao metal. O que foi ponto pra vocalista, pois pra que fazer um disco solo na mesma linha da sua banda de origem? A faixa que nomeia o trabalho (e também primeiro clipe) é contagiante. Já Oyá apresenta uma levada mais dançante e uma linha vocal obscura. O rock aparece novamente em Fucking Lovers, que tem uma letra sensacional. Lupita começa mais densa e ganha um ótimo refrão. A seguinte, Magnólia é um dos pontos altos do trabalho. Uma batida mais setentista, é embalada por um clima dançante e ao mesmo tempo melancólico. Mistura de sensações que faz a tecla 'repeat' trabalhar bastante.

O álbum chega ao fim com a introspectiva Ano Novo e a tribal de densa Faca, que coroam com chave de ouro este belo trabalho. Cuja sacada foi além de possuir ótimas músicas, foi combinar o clima da produção com o encarte, que embora simples, usa muito bem as cores branco e preto, além de uma capa chamativa.

Não vai agradar os fãs de um estilo mais visceral, porém fará a alegria daqueles que não tem preconceito com fusões musicais improváveis. Que neste caso aqui a mistureba gerou algo genial!

23 de novembro de 2016

EXPLOSIVO

Mistura de tendências resultaram num álbum energético e pesado

Por João Messias Jr.

Forte, explosivo e urgente! Assim se define o primeiro álbum da banda Insane Driver. Fugindo das dissonâncias e dos excessos progressivos, o quinteto formado na época por Marcos Bolsoni (voz), Deivid Martins (guitarra), Danilo Bigal (guitarra), Nei Souza (baixo) e Wagner Neute (bateria) tem o peso e a adrenalina como diretriz e com isso lançou um ótimo trabalho que agradará aos fãs de música pesada.

Bem produzido e com um belo trabalho gráfico, o disquinho tem como fortes referências grupos como Dream Theater, Metallica, Anthrax (fase John Bush) e Alter Bridge. Mistureba que faz com que algumas músicas saltem logo de cara, como a porradaria de The Edge of Life, a densa Firstly My Breakfest e a pesadona Tide of Fears.

O lance é tão bem feito e pensado que apesar das músicas serem longas, não cansam. Ouça Fallen Dreams, que honra muito bem o legado de bandas como Metallica e Dream Theater. Outro exemplo fica por conta da perturbadora Faithless Breath. A caótica Change e a melancólica Tears of Blood, que fecha o trabalho de um grupo que fez bonito em seu disco de estréia.

Vamos acompanhar a evolução dos futuros trabalhos, agora que contam com uma nova voz: Eder Franco (ex-Sacred Sinner)

22 de novembro de 2016

UMA CRÔNICA DO COTIDIANO

Sonoridade com um pé no Hard e outro no Pop com letras inspiradas são o grande trunfo do álbum solo de Gus Nascimento

Por João Messias Jr.

A verdade é que para fazer música em português tem de ter culhão. Tem de saber encaixar as melodias com o idioma e o mais importante: letras boas. Sejam ficcionais ou reais, mas elas tem de "grudar" na mente de quem está do outro lado, seja no celular ou no aparelho de som.

Tarefa complicada? Não para o Gus Nascimento (MadJoker) que fez bonito em seu primeiro debut solo. Cuja sonoridade mescla o Hard Rock com um tempero atual e letras que soam como uma espécie de crônicas do cotidiano. 

Inteligentes e ao mesmo tempo poéticas, elas fazem o ouvinte pegar o encarte e acompanhar a viagem. Um exemplo fica por conta de Com as Cartas Que Estão Na Mão, não há como não resistir a combinação de melodias grudentas e letra inteligente. Crianças é outro exemplo. Citando uma crise de relacionamento, possibilita "enxergar" todos os problemas enfrentados pelo casal tamanha inspiração. Isa, com seu potencial radiofônico, mantém o nível nas alturas. Ápice que chega na emocionante Ventos Alísios, cuja letra ficou na mente por dias. Outros destaques ficam por conta da pesada Último Minuto Pra ViverReconserto (com participação de Caco Grandino, do NX Zero).

Falando em participações, elas vem em peso aqui. Edu Ardanuy (ex-Dr. Sin) e Juninho Carelli (Noturnall, ANIE) e Gabriel Triani (ex-Tempestt e República) cada um em seu instrumento toram esse trabalho um achado em meio a tantos discos "vazios" desta vertente musical.

Claro, a embalagem também é atrativa com um encarte caprichado e uma excelente captação do áudio.

Embora perca o pique no final, vale a muito a pena conhecer!