23 de maio de 2016

TIMOR TRAIL: "OS CARAS DO BYWAR SÃO COMO IRMÃOS E LEVAREI ISSO COMIGO PARA SEMPRE"

O fim das atividades da banda thrash Bywar foi um choque aos fãs do estilo e daqueles que vivem de verdade o que é o underground. Junto à shows memoráveis, que acompanhei desde 1998, álbuns como Invencible War, Heretic Signs, Twelve Devil's Graveyards e Abduction hoje são clássicos da música pesada nacional.

E o encerramento das atividades proporcionou o aparecimento de novos projetos de seus integrantes, como a Timor Trail. Formada em 2014, inicialmente como um projeto do guitarrista/vocalista Adriano Perfetto, ganhou corpo de banda, que hoje é formada com Ricardo Baptista (guitarra, ex-Laudany e Pastore), Cesar Lopes (baixo) e Edill Alexandrino (bateria), cuja junção de forças gerou o EP que carrega o nome da banda.

Diferente do thrash de antigamente, o trabalho bebe nas fontes setentistas (alguém disse Black Sabbath?), com momentos pesados, densos e melancólicos.

Nesta entrevista, Adriano e Ricardo falam dos estágios do grupo até chegar no EP, da interessante arte da capa e claro, da homenagem que o Bywar recebeu do Woslom em seu novo registro.

Por João Messias Jr.


Timor Trail
Ana Marilin
NEW HORIZONS ZINE: Uma notícia que pegou muitos de surpresa foi o fim das atividades do Bywar. O que aconteceu para que a banda terminasse e como surgiu a inspiração para um novo projeto?
Adriano Perfetto: Uma banda é um relacionamento muito similar a um casamento, onde temos momentos bons e ruins, coisas boas que aconteceram que guardaremos para sempre com saudade, e também algumas diferenças que acabam sendo incompatíveis para seguir adiante com um trabalho. Os caras do Bywar são para mim mais que músicos com quem toquei durante 17 anos - são como irmãos, e levarei esse sentimento comigo para sempre. Quando o Bywar estava fazendo shows para a divulgação de Abduction eu já tinha novas ideias de composição, coisas que não iriam se adequar ao estilo Thrash Metal do Bywar. Foi nessa ocasião que senti a necessidade de criar um projeto onde eu pudesse ter um campo muito maior para desenvolver minha criatividade musical.

NHZ: Num primeiro momento, a Timor Trail seria apenas um projeto solo. Quando deu aquele estalo de montar uma banda de verdade? Como chegou na formação que a banda tem hoje?
Adriano: A ideia de transformar o Timor Trail em uma banda de verdade surgiu quando o Bywar se reuniu para sacramentar que não continuaríamos mais tocando juntos. Nesse momento foi quando dei um tempo para reciclar minhas ideias e entrar de cabeça em uma nova atmosfera de composição. Os integrantes do Timor, eu já os conhecia de longa data: Edil Alexandrino e Cesar Lopes (meu primo) já haviam tocado comigo em outras bandas da região. Fiz o convite explicando a proposta e eles aceitaram, mas ainda faltava outra guitarra para que a sonoridade chegasse aonde eu queria. Foi aí que fiz o convite para o Ricardo Baptista (Laudany e Pastore), um excelente guitarrista, também muito experiente e que veio a somar para a construção sonora de nossa banda.

NHZ: Diferente do seu passado thrash inspirado nos anos 80, a Timor Trail bebe nas raízes setentistas do estilo. Algumas referências como Black Sabbath, Candlemass e Pentagram podem ser sentidas nas músicas de vocês. Adriano, você teve alguma dificuldade em tocar e cantar  músicas nessa linha musical?
Adriano: A bandas que você citou são grandes fontes de inspiração para o Timor Trail, principalmente o Black Sabbath, que sempre considerei como os criadores do Doom Metal em álbuns como “Masters of Reality” e “Vol 4”. Mesmo na minha fase thrasher, essas bandas e muitas outras que não tinham absolutamente nada a ver com o Thrash Metal foram influências para minhas composições. Eu sempre fui um músico aberto para novas ideias e para outros estilos musicais; nunca me prendi apenas ao Thrash. Acredito que outros músicos também são assim e isso só enriquece a música num modo geral. Quanto ao fato de tocar e cantar não tive nenhum problema, pois o fato de termos um andamento musical bem mais lento que o do Speed e Thrash me facilitou bastante e me deu muito mais abertura para criar mais melodias com a minha voz.

Timor Trail
Ana Marilin
NHZ: O primeiro material desse novo projeto é um EP que carrega o nome do grupo, que tem como característica a variedade, desde músicas  cadenciadas como Citizen Kane até a viagem de Sweet and Cruel (The Lady and Black). Como foi construir um repertório com canções tão distintas?
Adriano: Esse foi o grande barato de poder mudar e reciclar minhas ideias como compositor: a partir do momento em que o músico muda a maneira de criar, ele se encontra diante de um leque de variedades e opções harmônicas e melódicas, e não há problema algum se isso não se parece com o estilo que você faz ou deve seguir.

NHZ: Queria que contasse sobre a criação da canção When The Eyes Never Close, pois ela é dona de um clima bem instigante.
Adriano: Eu sempre fui um grande admirador de músicas com uma atmosfera triste e cativante. Quando ouvimos uma música e sentimos um clima de mistério misturado com tudo isso é muito legal. Essa música fala sobre alguns problemas que nós temos, na condição de seres humanos, e que carregamos conosco. E num momento de reflexão nos sentimos presos a culpas que são totalmente íntimas de cada um, e alguns nesses instantes são momentos de tristeza e depressão.

Timor Trail
Divulgação
NHZ: A capa é outro fator que chama a atenção. Ao invés dessas artes “Playstation” que muitas bandas estão usando, optaram por uma capa marcante, daquelas artes que fixam na mente. Como surgiu esse conceito e como chegaram no artista que concebeu esse belo trabalho?
Ricardo Baptista: A foto da capa, eu a cliquei durante a última viagem que fiz, no ano passado. Até então, o EP nem havia começado a ser produzido ainda e sequer havíamos conversado sobre o conceito da capa. Trata-se de uma escadaria de metal, em meio a estruturas metálicas, em um amplo túnel urbano feito para travessia de pedestres, a mais de vinte metros abaixo do solo. Enquanto eu andava por ele, fui atraído pela atmosfera sombria e silenciosa que o local produzia, então resolvi registrar algumas fotos. Meses depois, quando a banda terminou de gravar o EP, iriámos definir o conceito da capa. Fiz uns protótipos de capa para apresentar aos outros caras da banda, com algumas fotos do meu arquivo pessoal. Dentre umas cinco fotos diferentes, a mais escolhida foi essa da escada. Provavelmente pelo sentido de suspense que ela carrega, pois não se sabe o que pode se encontrar ao subir os degraus, assim como em um filme de terror (risos). Os demais elementos que completam da capa são o logotipo da banda, criado pelo nosso amigo Rodrigo Helfenstein, e a foto da banda no verso, feita pela fotógrafa Ana Marilin.

NHZ: Apesar de lançado faz pouco tempo, existem planos para um álbum completo?
Adriano: Sim, já estamos em fase de composição. Já temos oito músicas em processo de finalização, e é bem provável que no primeiro semestre de 2017 estaremos com nosso full length!

NHZ: Uma questão que está deixando muitos com a pulga atrás da orelha é a nova regulamentação da internet, que passará a valer em 2017. Quais os prejuízos que essa mudança pode trazer a uma banda como a Timor Trail?
Ricardo Baptista:
O que sabemos até então é que, de acordo com essa regulamentação, se aprovada, os usuários de banda larga sofreriam corte de sua internet após excederem um limite estipulado de transferência de dados. O maior meio de divulgação do trabalho da Timor Trail, assim como a maioria das bandas, é a internet. Nosso EP está disponível para download gratuito, e também há vídeos, e sempre haverá mais conteúdo nosso por vir.  Essa restrição com certeza afetaria os hábitos de todos nós, enquanto artistas e fãs, consumidores de informação e principalmente de música. Isso porque hoje em dia somos muito acostumados a ter acesso a tudo, imediatamente e de forma ilimitada, através das plataformas de streaming de música e vídeo. Se o limite de download imposto for muito restritivo, como já pude ler em alguns lugares, isso seria sim mais um obstáculo para que o público conheça a Timor Trail. É claro que nosso EP digital tem um peso de download ínfimo se comparado ao streaming de um filme em HD, por exemplo, mas a partir do momento em que haja um limite para tudo o que se baixa na internet, acredito que o fã de rock mais esporádico poderá pensar duas vezes antes de baixar nosso EP ao invés de consumir conteúdo de outras bandas e outras formas de entretenimento. O melhor, nesse caso, é que o fã faça download do nosso material apenas uma única vez, para ouvir offline quantas vezes quiser.

Timor Trail
Ana Marilin
NHZ: A banda Woslom prestou uma homenagem ao Bywar em seu novo trabalho, A Near Life Experience, regravando a faixa Thrasher’s Return. Como rolou o contato e como se sentiram com esse tributo?
Adriano: Os caras da Woslom entraram em contato comigo perguntando se eles poderiam fazer essa homenagem, e é claro que fiquei muito feliz, e disse que sim! É sempre bom saber que aquilo que você fez um dia e há muito tempo atrás ainda está no coração dos headbangers. Essa música, Thrasher’s Return, significa muito para mim e para os outros ex-integrantes também, e a versão dos caras ficou sensacional - um ótimo trabalho de grande qualidade, assim como é o Woslom e toda sua obra! Aproveito aqui para mais uma vez agradecer pela homenagem!
    
NHZ: O espaço é de vocês!
Adriano: Agradeço de coração a todos aqueles que estão por trás dessa entrevista, e à galera do New Horizons Zine pelo espaço cedido e também à nossa assessoria de imprensa que nos deu essa grande oportunidade de estarmos aqui! Agradeço aos fãs do Timor Trail e aos meus antigos fãs, e recomendo que busquem sempre coisas novas para ouvir, pois o Heavy Metal é uma arte e é cultura, e precisamos nos unir para que sempre estejamos fortes! Entrem e curtam nossa página do Facebook e divulguem o Timor Trail para aqueles que ainda não conhecem!! Valeu e um grande abraço para todos!

Ricardo: Obrigado a vocês do New Horizons Zine pelo interesse em colocar em foco bandas emergentes como a Timor Trail! E para os fãs de metal: há muito material de excelente qualidade sendo produzido por bandas novas, em todo canto do mundo, e muitas vezes de forma independente, então vamos usar o poder da internet para conhecê-las! E compareçam ao próximo show da Timor Trail para nos ver ao vivo! Um abraço!

16 de maio de 2016

A TRILHA DE TODAS AS GUERRAS

A inserção de elementos mais trabalhados foi a aposta de Cause The War Never Ends, novo registro do trio paulista

Por João Messias Jr.

Cause The War Never Ends
Divulgação
Conhecido pela prática do War Metal, que numa definição simples é o uso da temática da guerra numa sonoridade mais oitentista, o Justabeli apontou uma nova faceta em seu segundo álbum, Cause the War Never Ends: momentos mais técnicos e trabalhados sem abrir mão da essência dos tempos anteriores.

E nessa nova proposta War Feres (baixo/voz), que teve ao seu lado Victor Próspero (guitarra/voz, ex-Necromesis) e Marcelo Furlaneto (bateria, ex-Centennial) fizeram um trabalho que além de superar as expectativas, marca um novo capítulo na história do grupo. 

Como ouvimos na faixa de abertura, Die In the War, cuja levada instrumental nos transporta para uma guerra. Clima presente também em A Face da Morte. Outro atrativo fica por conta das passagens mais trabalhadas, como podemos ouvir em Soldiers of Satan, Cause the War Never Ends e principalmente Infected by Radiation, que agradará em cheio aos fãs do Death.

As últimas faixas do trabalho dão um gostinho especial também. As oitentistas Divine Fall e War Crimes são boas opções para o "banging" enquanto Satan's Whores fecha bem o álbum. Além de ser a faixa mais obscura do disquinho, é dona de um vídeo no mínimo polêmico.

Além da parte musical, o recheio e a embalagem são outros atrativos. A produção de Marcos Cerutti/Victor Próspero e a masterização de Dan Swanö deixaram tudo claro e definido, além da bela e chamativa capa feita por Alan Rodrigues.

Hoje War Feres está acompanhado do guitarrista Blasphemer (Sardonic Impious) e do baterista Morbus Deimos (Kanvass) e essa formação já iniciou os trabalhos de um futuro trabalho

28 de abril de 2016

BELEZA E REFINAMENTO

We Are Lost, primeiro álbum dos gaúchos da Darkship se destaca pelas estruturas bem encaixadas e por passear por diversos estilos

Por João Messias Jr.

We Are Lost
Divulgação
Concordo que nem tudo são flores para resenhar discos, pois chega um ponto na vida que você não resenha apenas o que quer e chega na sua caixa de caixa de correio um balaio de gatos que vai de tudo que é estilo, inclusive coisas que fogem do seu repertório musical.

Sabem porque digo isso? Pois a possibilidade de estar saindo de casa para ia à loja e comprar um álbum do Darkship seria nula...e eu estaria cometendo um erro daqueles. Pois hoje temos uma infinidade de lançamentos e infelizmente você não consegue acompanhar tudo, mas felizmente esse CD chegou em casa.

A proposta do sexteto gaúcho formado por Silvia Cristina Schneider Knob (voz), Joel Milani (voz), Ismael Borsoi (guitarra), Rodrigo Schäfer (baixo), Joel Pagliarini (bateria) e Andrei Kunzler (teclado) é fundir vertentes variadas do metal e estilos como o clássico e o eletrônico. Cuja miscelânea atinge ótimos resultados no debut, We Are Lost.

O que temos aqui são músicas preocupadas em cativar o ouvinte, principalmente pela beleza e pelo clima singelo que causam ao ouvinte. Isso acontece em todas as canções, desde as mais agitadas como Prision of Dreams, que agradará aos de metal melódico, como as mais intimistas como II Hearts. Estrutura que combina com o conceito lírico do grupo, cuja história passeia por amor e conflitos.

Outros pontos de destaque ficam por conta  de Black Tears, que passeia por vários estilos e a faixa título, que tem tudo para ser um dos pontos altos das apresentações do grupo. Mas a verdade é que a gauchada deixou o melhor para o fim, onde somos premiados com três belas faixas.

You Can Go Back é mais intimista e nos remete aos melhores momentos do Savatage. Eternal Pain é dona de melodias marcantes e Frozen Feelings pelos climas góticos, que vão desde os climas soturnos até os eletrônicos, que pode também ser considerada um cartão de visita do grupo, além de possui um belo vídeoclipe.

E pensar que essa é apenas a primeira parte da trilogia...aguardemos ansiosos pelos desdobramentos futuros.

27 de abril de 2016

PARA OUVIR, RELAXAR E CURTR

Eterno goleiro do Corinthians apresenta um rock and roll consistente e bem elaborado em novo trabalho, o EP "Onde Está o Rock and Roll?"

Por João Messias Jr.

Onde Está o Rock And Roll?
Divulgação
Quando uma personalidade se atreve a fazer música, há aquela divisão de comentários, alguns apoiando e outros criticando, mas a verdade é que sempre colocam o devido artista em evidência. No caso do eterno goleiro do Timão, vale dizer que há pelo menos duas décadas Ronaldo Soares Giovanelli vem fazendo rock and roll à sua maneira. Quem aí não se lembra do vídeo O Nome Dela?

Pois bem, depois de retomar sua carreira, o cantor e hoje comentarista de TV, ao lado dos competentes Fares Junior (guitarra), Tico Rizzo (guitarra), Bola Moraes (baixo) e Nina Pará (bateria) lançou recentemente o EP Onde Está o Rock and Roll?, que desfila canções agradáveis e acessíveis, que sem nenhum esforço fariam sucesso nas rádios.

A faixa de abertura, Invisível, é dona de guitarras gostosas e uma linha vocal que contagia, assim como a já conhecida T.N.T. A faixa que nomeia o disco tem aquele jeitão de hit, com guitarras "que cantam" e uma linha vocal quase falada que tem tudo para conquistar novos fãs ao quinteto.

Jet Love é bem The Cult e AC/DC e com guitarras bem interessantes, enquanto Eu Quero Mais (outra conhecida dos fãs) é outra que pode emplacar na rádio, sendo a mais acessível do EP. 

Embora a produção seja acima de qualquer suspeita (a cargo de Marcello Pompeu, Heros Trench e Fares Junior), penso que os resultados seriam melhores se ela fosse um pouco mais suja.

Um bom trabalho que não vai mudar o mundo, tampouco a história do rock, porém é honesto e você acaba curtindo numa boa!

25 de abril de 2016

UM DISCO QUE TODO FÃ DE MÚSICA DEVE OUVIR

Marcio Sanches mostra em seu disco solo o quão interessante pode ser um trabalho instrumental

Por João Messias Jr.

Marcio Sanches
Divulgação
Uma das vantagens de ter o material físico para resenhar, é que ele te permite uma proximidade maior com todos os detalhes da concepção do mesmo. Um deles, que no primeiro momento pode soar arrogante é o o depoimento do jornalista Henrique Inglez de Souza, que fala do sentimento que emana deste CD do guitarrista Marcio Sanches, onde dentre outras coisas (num texto curto e completo por sinal) fala  que o trabalho deste músico é repleto de alma e uma performance "viva".

E passadas algumas audições...quem somos nós para discordar? Marcio tem um bom tempo de estrada, é professor e tocou/toca com músicos como Andreas Kisser (Sepultura), Jeff Scott Soto (S.O.T.O.), entre muitos outros, além de recentemente ter sido integrado a banda solo do baixista/vocalista Bruno Sutter (mais conhecido como Detonator).

Mas vamos deixar de papo e vamos ao que interessa: o CD. Dono de um competente trabalho de produção (limpo e sem os artificialismos de hoje), é recheado de músicas digamos, inspiradoras. Sim, aquelas canções, que embora não tenham esse fim, acaba nos motivando a buscar o nosso melhor. 

The Great Beggining funciona como uma "apresentação" do trabalho, mostrando as habilidades do músico. Mas o disco começa de verdade na seguinte, The Great Beggining. Pesada, com bases que vão do hard ao heavy, nos faz crer que a música instrumental merece ser ouvida por mais pessoas.

Emotion, como o nome sugere, é uma balada recheada de positividade e nos remete as coisas mais épicas e melódicas que o Queen fez. Carnaval mescla de forma homogênea hard rock com alguns ritmos da nossa terra. Radio Feedback destaca o trampo do baixo de Sandro Lunna. Já Roots é dona de um pique mais festivo com algumas fritações bem vindas. The Feelin e Brothers I são mais intimistas e nos preparam para o final do trabalho, com No Words (Only Sounds of the Heart).

Faixa que nos dá a sensação de limpeza, por "extrair" tudo que é ruim que tem na gente, nos fazendo mais leves e motivados. 

Quer saber mais do que? Se for fã de música instrumental, procure conhecer!

19 de abril de 2016

THRASH METAL, SORRISOS E SATISFAÇÃO PLENA

Thrashers da Woslom recebem imprensa em convidados no lançamento de seu terceiro álbum de estúdio, A Near Life Experience

Por João Messias Jr.
Fotos: Edu Lawless

Woslom
Edu Lawless
É aquela máxima: quem trabalha sério, com determinação e da forma correta, cedo ou tarde colhe os frutos. Frutos que o pessoal da Woslom vem colhendo gradativamente, principalmente após o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, Evolustruction, de 2013, que mostrou uma banda fiel ao som que praticam, porém expandindo os horizontes. Ousadia que rendeu shows memoráveis por diversos estados brasileiros e pela Europa, terra que os caras voltarão em breve.

Pois bem...e o próximo passo? Regredir aos tempos do debut ou continuar a evolução? O que podemos dizer que não foi nenhuma das duas coisas, pois o que Silvano Aguilera (guitarra e voz), Rafael Iak (guitarra), André Mellado (baixo) e Fernando Oster (bateria) fizeram em A Near Life Experience foi um verdadeiro clássico do thrash contemporâneo, cuja resenha estará no fim desta matéria. E tal façanha foi comemorada com imprensa e convidados nesta última quinta-feira (14), no Espaço Som, em São Paulo.

Chegando no local, era possível trombar com músicos de diversas bandas como Timor Trail, Bywar, Chaos Synospis, Panzer, Anthares, entre muitas outras. Após o tempo de todos se ambientarem, às 20h30 foi iniciada a audição do novo trabalho até às 21h15, com a banda no palco agradecendo a presença de todos.

(Parênteses) Agradáveis Notícias

Walcir Chalas e Fabrício Ravelli
Edu Lawless
Nesse momento, a banda chama ao palco dois convidados. O primeiro foi Fabricio Ravelli, baterista que faz/fez parte de grupos com Imbyra, Hirax e que hoje é responsável pelo projeto Rock Na Praça, que é um evento gratuito que acontece no final de cada mês em frente à Galeria do Rock e que terá nessa nova edição as bandas Torture Squad, John Wayne, Woslom e Sinaya. 

"Temos de mostrar a importância do headbanger, que não somos apenas caras de preto, mas uma cultura, uma nação." Palavras ditas pelo músico que merecem incentivo.

O que dizer de Walcir Chalas? Para aqueles que beiram os 40, época que não havia internet e o rádio era uma bela forma de se atualizar sobre o que andava rolando. Um desses canais era o Comando Metal, que era apresentado por Walcir. Além de radialista e proprietário da loja Woodstock (que lançou discos de suma importância por aqui) era responsável por eventos em frente ao seu comércio. 

E falando nesses eventos, o Walcir recebeu a notícia no palco que o espaço para shows da Woodstock pode voltar a ser feito (digo isso, pois não há uma data para acontecer). O veterano, de 62 anos, emocionado, retribuiu com um "Heavy Metal Is the Law".

De volta ao thrash

Woslom
Edu Lawless
Após duas boas notícias, o momento foi de bater cabeça. E o quarteto foi mostrando o novo poder bélico com as novas Underworld of Aggression e A Near Life Experience. A primeira é dona de um refrão marcante e a segunda tem mais de oito minutos de pura viagem. Os tempos de Time to Rise e Evolustruction foram lembrados com Beyond Inferno, Purgatory e Pray to Kill. Mas a noite era para músicas novas, como Unleash Your Violence, que é outra que nasceu para os palcos.

Infelizmente Time to Rise, do debut de mesmo nome deu fim ao show do quarteto, que após o show tirou fotos e autografou os materiais que os fãs traziam/adquiriam no local.

Uma noite maravilhosa, que deixou todos satisfeitos. Em especial ao quarteto por ver tamanha aceitação em relação ao novo trabalho. Enfim, mais um degrau que os caras subiram e podem ter certeza que daqui há alguns anos estarão no topo como uma das melhores bandas do thrash contemporâneo. Eu não tenho dúvidas. E você?

A Near Life Experience...primeiras impressões

A Near Life Experience
Divulgação
O que mais se ouviu no dia foi algo assim: "É a velocidade do Time to Rise com a técnica e melodia do Evolustrucion". Respeito todas as opções, afinal todas devem ser consideradas. Mas, acho que definir o novo álbum dos caras é simplório e vago demais. 

Soa como se as pessoas quisessem fazer um "lead" do disco (técnica jornalística que no primeiro parágrafo responde perguntas como o que, quando, onde, como e porque). Não podemos esquecer que música é emoção e sensibilidade e por isso que acho que um disco desses não deve ser avaliado de forma fria.

Por que digo isso? Porque A Near Life Experience é um álbum que vai te conquistando aos poucos (assim como Evolustruction) e após essa adaptação você está entregue ao thrash do quarteto. Se tem algo que podemos definir é que para tudo aqui Silvano, Rafael, André e Fernando apertaram a tecla "+", pois aqui temos mais riffs, mais melodias, mais musicalidade e claro, mais músicas legais.

As três primeiras faixas, Underworld of Aggression (com seus coros de time de futebol), a faixa que nomeia o disco, com seus mais de oito minutos de riffs cortantes e solos melódicos e Brokenbones, que quebra o pescoço. Mas não parou por aí, Unleash Your Violence com sua pegada que lembra Haunted By The Past tem tudo para ser um hino do grupo, assim como Lords of War, talvez a música mais diferente da trajetória do grupo e uma bela versão para Thrasher's Return  do saudoso grupo thrash Bywar são alguns destaques do álbum.

Alguns? Sim, pois temos de apontar que o quarteto está tocando como nunca. Os vocais de Silvano estão mais intensos e agressivos, Rafael Iak mostra que logo estará junto com caras como Jeff Waters (Annihilator) e Alex Skolnick (Testament), André Mellado deu um gás speed às canções graças ao seu baixo estalado e Fernando Oster é o maior destaque entre os músicos com uma performance sensacional e empolgante.

Ainda não acabou, pois se for fã do trampo físico, vai sacar a preocupação dos caras com o todo. Uma capa que fica na mente, a concepção do encarte, desde o equilíbrio das cores, onde cada coisa deve ficar e a pose para as fotos. Coisa de quem quer chegar ao topo.

Dizem que um jornalista não pode rasgar seda para um trabalho, mas pelo menos aqui, fodam-se normas e métricas, pois o trampo dos caras merece todos os parabéns possíveis.

14 de abril de 2016

NÃO É COMO PARECE SER...

Mesmo sem incluir novidades no som, Sistema Sangria mostra uma música que surpreende em vários aspectos

Por João Messias Jr.

Sistema Sangria
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Quando se fala da mistura de hardcore, metal e crust vem na cabeça bandas como Ratos de Porão, Extreme Noise Terror e Napalm Death. Embora grupos citados (em especial o primeiro) apareçam como referência, o Sistema Sangria mostra em seu álbum que tem muito mais a mostrar neste álbum que ganha o nome do grupo, que recebe a versão em CD após ter saído em LP.

Músicas que saltam aos ouvidos como Corpo Fechado, Malucifer (com uma trecho de uma famosa frase do político Paulo Maluf), a visceral Ramelão, Vá em Frente, Barak e Maicon do Sertão evidenciam que Antonio (voz), Fabio (guitarra), Nader (baixo) e Igor (bateria) são mais do que competentes na proposta musical adotada. Pois são bons músicos e mostram que mesmo fazendo um som direto, incluem detalhes nas canções que as tornam especiais.

A escolha do processo de gravação foi outro ponto positivo do trabalho. A opção por Marcello Pompeu e Heros Trench no Mr. Som (Oficina G3, Baranga, Carro Bomba, Hicsos)  deixou tudo claro, pesado e definido, o que facilita na audição e avaliação, pois não é porque fazem um som derivado do hardcore que deve ser tosco e malfeito.

A "embalagem" mantém a linearidade com a proposta musical. Um encarte dobrável que vira um poster foi uma boa escolha, pois apesar de muitos dizerem o contrário, ainda existe muita gente que aprecia ter o trampo físico, acompanhar as letras, que estão presentes e tudo de forma nítida.

Antes de "apagar a luz", peço que não desliguem após o último som, pois há belas homenagens/tributos para alguns ícones do hardcore/metal!