5 de março de 2015

HATEFULMURDER: ESPERA QUE VALEU A PENA

Após singles e EPs, quarteto carioca brinda o público com o debut "No Peace", unindo o peso e a cadência do thrash com a brutalidade death metal

Por João Messias Jr.

No Peace
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Desde o início de suas atividades em 2008, o Hatefulmurder mereceu o barulho criado ao seu redor. Embora o quarteto sempre manteve a qualidade em todos os trabalhos anteriores ao debut "No Peace, não há como negar que o grupo chegou ao auge nesta bolachinha.

Sem invenções ou soluções mirabolantes, o quarteto hoje formado por Felipe Lameira (vocal), Renan Campos (guitarra), Felipe Modesto (baixo) e Thomas Martin (bateria) fizeram aqui uma mescla bem feita de música extrema, utilizando o peso e a cadência do thrash com a brutalidade do death. Cujo resultado agradará fãs de ambas as vertentes, como Gates of Despair, que serve como um cartão de visitas. 

Uma agradável surpresa fica por conta de Worshippers of Hatred. Em meio ao ritmo quebra pescoço, em sua metade, aparecem riffs e paradinhas que lembram Internally (Korzus). Não sei se foi intenção, mas ficou bem sacado e não deixa de ser uma bela homenagem aos pioneiros do thrash nacional.

Voltando ao disco, interlúdios como Ways of the Lust funcionam como descanso para o banging, mas o pique e retomado logo na cadenciada Burning to Ashes e a grooveada Fear My Wrath. A " "videoclíptica" Fear My Wrath chama a atenção pelos climas em meio a brutalidade e o encerramento com a épica e instiganteScars to God, que contém vocais femininos bem encaixados. Qualidade que não se restringe as canções, pois a mesma é percebida desde a produção equilibrada, feita por Fabiano Penna em conjunto com o grupo até o trabalho gráfico, a cargo do vocalista Felipe.

Valeu a pena esperar o debut do Hatefulmurder, mais uma evidência que o metal no Brasil, apesar dos graves problemas e condições para a cena, na parte musical vai muito, mas muito bem.

2 de março de 2015

FABIANO NEGRI: UM JEITO BACANA DE FAZER HARD ROCK

Novo single, "The Fall", vocalista explora melancolia do soul, a emoção do hard rock com a aura da black music

Por João Messias Jr.

The Fall
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Após o fim do grupo de hard rock Rei Lagarto, o vocalista Fabiano Negri atacou por frentes diversas. Lançou-se em carreira solo e entrou no Dusty Old Fingers, cujo resultado foram discos muito legais. E a fase boa gera expectativas em relação aos futuros trabalhos, como o novo single da carreira solo do cantor, The Fall, que fará parte do álbum "Maybe We'll Have a Good Time, que sai em maio.

A canção mostra algo presente nos trabalhos do cantor, que é a inspiração em estilos como a soul e black music. Mas, diferentemente das canções recentes, o single tem muito do hard rock. Não aquele lance farofeiro do estilo, mas aquele lado mais introspectivo, que gerou ótimas canções em grupos oitentistas como Mr. Big, Poison e White Lion. 

Só que a canção em nada lembra as bandas citadas. The Fall possui um brilho próprio, graças a interpretação cheia de emoção e um teclado que proporciona o clima na medida certa, que tem como ponto alto o refrão, que é naquela linha pra todo mundo cantar junto.

Se ficou curioso, ouça a música no link abaixo:

27 de fevereiro de 2015

NERVOCHAOS: O FIM DE UMA ERA

"The Art of Vengeance" mostra a criatividade e musicalidade em alta no som do grupo, além de marcar o fim desta formação

Por João Messias Jr.

The Art of Vengeance
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Vítima das infindáveis mudanças de formação, o Nervochaos, sempre liderado pelo baterista Edu Lane, já atuou como trio, quarteto e quinteto. Mas isso nunca foi motivo de desânimo, pois a banda sempre teve uma carreira constante de lançamentos e shows pelo Brasil e ao redor do globo terrestre. E quando parecia que o grupo caminhava com uma formação estável, houve o anúncio da saída do guitarrista Quinho, representando o fim de mais um ciclo.

Pelo que ouvimos em "The Art of Vengeance", lançado em 2014, os caras têm tudo para continuar com o legado. Aqui, Guiller (guitarra e voz), Quinho (guitarra), Felipe (baixo) e Edu seguem a linha iniciada no álbum "Battalions of Hate", privilegiando a força dos riffs e canções voltadas aos palcos.

Esta descrição aparece logo nas faixas iniciais, The Harvest e For Passion Not Fashion. A primeira possui aquela pegada mais crua, presente nas bandas mineiras dos anos 80 e a segunda mescla o death e o thrash com maestria. Mas essas canções não definem o conteúdo de "The Art of Vengeance". Outro elemento presente é aquele doom tradicional, presente em From Below and Not Above, que lembra o clássico Smoking Mortal Remains. Outra que vai nesta pegada é Lightless, que encerra o disco.

Só que o maior destaque fica por conta de What is Dead May Never Day, que pode ser considerada o hit do disco por mesclar partes lentas e um refrão marcante. Mas "The Art of Vengeance" é um disco que ao longo de seus quarenta minutos, não enjoa e mantém aquele espírito oitentista sem soar datado.

Essa vibe pode ser vista em todo o layout do trabalho (só a capa vale o disco), que ficou a cargo de Marco Donida (Matanza, Hellsakura), além do bônus, que é o DVD "Warriors On The Road II", que mostra trechos de apresentações do grupo pelo Brasil e exterior, retratando fielmente como é a vida  na estrada. Fato que deve servir de "laboratório" para muitos que pensam em ter uma banda.

Mesmo com a surpresa da mudança de formação, vale dizer que o "Nervo" é daqueles grupos que sabe lidar com as adversidades. Com toda certeza, seja como trio, quarteto ou quinteto, é NERVOCHAOS acima de tudo.

26 de fevereiro de 2015

WAGNER GRACCIANO: ROCK INSTRUMENTAL NA TERRA DO SERTANEJO

Guitarrista goiano explora fusão variada de ritmos em seu primeiro álbum "Across the Universe"

Por João Messias Jr.

Across the Universe
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Se perguntar ao público sobre as riquezas que Goiás exporta para outros cantos, alguns dirão duplas sertanejas, outros as águas quentes de Caldas Novas e os mais fanáticos, os gols de Túlio Maravilha. Embora proporcione/proporcionou tudo isso, o estado localizado no Centro Oeste do país produz rock dos bons, em especial a música instrumental, por meio de guitarristas talentosos como Walsuan Miterran e Wagner Gracciano, que lançou em 2013 o álbum "Across the Universe", o qual falaremos linhas abaixo.

Com um repertório que abrange estilos variados como o rock, jazz, fusion e o gospel americano, o guitarrista transborda versatilidade e bom gosto, se saindo bem em todas as vertentes exploradas, embora os momentos mais na linha Satriani chamam a atenção de primeira, como Journey Into the Unknown, que eleva o astral lá nas alturas com tanta positividade que a canção emana.

A seguinte, Broken System é mais introspectiva e cria um interessante contraste, assim como a faixa que nomeia o CD, com belas melodias. À partir daqui, a bolachinha ganha outros contornos, passeando pelos estilos citados no parágrafo anterior, onde os coros de As A Prayer chamam a atenção, assim como a progressiva Act I (A Breath of Life), que retoma o pique adrenalínico inicial.

Act III (The Evil Governement and the Birth of God) é a mais pesada e variada, alternando cordas graves com momentos mais suaves, que é a deixa para Act IV (The Ressurection, the Victory and Eternity), que encerra o trabalho esbanjando positividade, o que é facilmente desvendado devido a orientação cristã, tendo as passagens bíblicas que inspiraram as canções no encarte.

Talvez o fato de "Across the Universe" ser tão variado, pode dividir opiniões, mas comentários e discussões a parte, não há como negar que se trata de um material bem trabalhado e o mais importante: mostra que a música instrumental não fica restrita a São Paulo.

23 de fevereiro de 2015

IMPETUOUS: PRONTOS PARA O DEBUT

Após a boa repercussão do EP "A Voice Inside Us", quinteto santista retorna com novo single, "The Immolated"

Por João Messias Jr.

Com três anos de estrada, o quinteto santista Impetuous vem firme em sua caminhada na cena underground, Após a estreia com o EP "A Voice Inside Us", de 2013, os caras passaram pelos perrengues das mudanças de formação e incertezas. Atualmente contando com Raul Vieira (voz), Pedro Bueno (guitarra), Messias Carvalho (guitarra), Nicholas Teixeira (baixo) e Bruno Conrado (bateria), soltaram no mês de janeiro o novo single "The Immolated", lançado em janeiro deste ano.

Apesar de ser apenas uma música, percebe-se um grupo mais direto, ao mesmo tempo com um instrumental mais cadenciado e solos com maior dinâmica. Apesar das sensíveis diferenças, vai cair no gosto de quem curtiu o EP, além de fãs de grupos daquele death metal que possui como preocupação o peso e a cadência, como Gorefest, At the Gates e até grupos mais contemporâneos como Meshuggah, Machine Head e Lamb of God.

E o fator identidade não fica apenas na parte musical. A capa, novamente feita por Marcus Lorenzet (Art Spell Design) está no mesmo padrão do trabalho anterior, o que conecta o ouvinte, sem que ele fique com o pensamento de que se trata de um "novo grupo". Não sei se a banda pensou nisso quando viu a arte pronta, mas causou este tipo de impressão.

Prontos para lançarem o debut!

20 de fevereiro de 2015

BLACKNING: DE THRASHERS PARA THRASHERS

Trio possui em sua formação ex-integrantes de grupos como Woslom, Andralls, Postwar e a música do grupo bebe no thrash com pegada brasileira

Por João Messias Jr.

Order of Chaos
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Com passagens por bandas como Andralls, Woslom e Postwar, os experientes Cleber Orsioli (guitarra e voz), Francisco Stanich Jr. (baixo) e Elvis Santos (bateria) juntaram forças e juntos formaram o Blackning, que pouco mais de um ano depois lançaram o primeiro trabalho, o álbum Order of Chaos.

É obvio dizer que musicalmente felizmente não temos surpresas, pois o que os caras fazem é o bom e velho thrash metal, com uma pegada brasileira, bem caracterizada pelos vocais, que numa primeira audição, agradará mais aos fãs de Andralls do que Woslom, Mas a audição do disquinho revelam novos detalhes não vistos nos trabalhos anteriores dos caras, como os momentos cheios de groove e melodias mais apuradas, embora a base seja a quebradeira de pescoço, se é que me entendem.

Thy Will be Done (cujo vídeo pode ser visto no Youtube) inicia o disco de forma direta, além de mostrar o que vem pela frente nos quesitos peso e velocidade. Terrorzone é bem agressiva e com refrão instigante, enquanto Unleash Your Hell tem tudo para ser uma das preferidas nos shows. Chegando em sua metade, o álbum começa a revelar algumas boas surpresas. Death Row possui muitos momentos grooveados e ganha solos cheios de melodias. Censored Season alterna os idiomas português e inglês e o trabalho se encerra com uma versão bem pessoal para Children of War (Overdose), que deve ter orgulhado a turma dos mineiros.

Produzido por Fabiano Penna (que dividiu os solos em algumas músicas), Order of Chaos tem uma qualidade muito boa, que deixou tudo claro e preservou a sujeira necessária para um disco do estilo. 

Não ha mais palavras, o Blackning é para os thrasher, pois é feito por fás para fãs!

19 de fevereiro de 2015

OITOO: PRÓXIMO PASSO - MAINSTREAM

Finito, primeiro trabalho de duo paulistano investe numa mistura bem sacada de melodias grudentas, acessíveis e guitarras pesadas

Por João Messias Jr.

Finito
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Para aqueles que pensam que o rock/metal em todos os segmentos está na UTI (ou morto), só tenho a dizer que isso é um terrível engano. O caos moderno ou mesmo a preguiça são alguns fatores que impedem os ditos fãs de música pesada garimparem por novos grupos, sejam eles extremos ou mais acessíveis, como é o caso do Oitoo. 

O duo paulista, que recentemente lançou o EP Finito, chama a atenção de cara por causa da  capa do trabalho, ora pelos tons de azul do fundo, ora pela mistura de dourado e vermelho, além do conteúdo lirico ser  voltado a superação e muita melancolia, mas que não contarei aqui (risos). Só que como capa não toca e letras não conquistam de cara, vocês devem estar pensando: Como será a música deles? 

O visual dark e misterioso da dupla formada por Condessa (voz) e Infinitum (guitarra) são a deixa para mistura do som, que soma a acessibilidade do pop e cordas pesadas com melodias bem sacadas, que fazem do trabalho uma ótima pedida pra você que está cansado de ouvir metal o dia todo.

A abertura com Não Vou Deixar o Tempo Passar (também primeiro vídeo) funciona como uma apresentação para o ouvinte, pois define bem a mescla de tendências. Alguém é pesada, grudenta e jeitão de hit. A dor, nova faixa de divulgação começa meio sombria e ganha passagens com duetos de guitarra e voz pra lá de empolgantes. 

Sonhos com seus momentos quase no metal tradicional é outro destaque, que só peca por acabar no auge. A balada Sentimentos mostra uma outra faceta do grupo, embora seja a menos legal do EP.

Vale citar o excelente trabalho de produção, mixagem e masterização que deixou tudo com muito peso e clareza, onde é possível ouvir tudo, mostrando a preocupação com o todo. Além  da voz da moça, que canta com a voz natural, transmitindo muita segurança, soando mais agressiva que muito cantor de metal.

Agora vamos esperar pelo primeiro álbum "full" do duo, que tem tudo para conquistar um espaço na cena mainstream, assim como os saudosos grupos Luxúria e Libra.