24 de abril de 2014

SLASHER: DERRUBANDO MITOS E AGREGANDO NOVAS TEXTURAS

Katharsis, novo trabalho de quinteto de Itapira mostra que é possível fazer um som variado, pesado sem preocupação com modas ou tendências

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação
Foto: Fábio Zangelmi

Katharsis
Divulgação
Segundo o Dicionário Online de Português, a palavra Catarse possui significados como limpeza e purificação. Depois desta rápida consulta, só resta dizer que o título do novo trabalho do quinteto de Itapira é mais do que apropriado.

Se não ficou muito claro, vamos  justificar a argumentação. Limpeza pela excelente produção, feita por Tue Madsen (Paura, The Haunted), que deixou o som nítido, onde se ouve claramente cada instrumento, desde os riffs, as levadas da cozinha, até o trabalho de voz e backing vocals, se estiver com fones, vai se impressionar com o som.

A purificação é o fato do grupo optar por sair daquele esquema de forminha de bolo e flertar com outros elementos e tendências, o que faz o disco se tornar fresco e jovial. O que é evidenciado pela arte da capa, feita por Stan W. Decker, que pode ser definida como o rompimento de antigos valores e a aceitação do novo, que está por aí e que não pode ser negado.

Slasher
Fábio Zangelmi
Musicalmente o som da banda tem base no thrash, mas há contornos de outros estilos, como o metal tradicional, hard rock e o death metal, mas tudo aplicado sob uma linguagem moderna, graças à produção, que deixaram as canções poderosas. Não se engane com a intro melódica que abre o disco, que pode até iludir o leitor que vem um disco Bay Area pela frente, mas a banda tem muito mais o que mostrar. Disposable God mescla death e thrash com passagens cadenciadas. Hostile, que embora seu começo indique algo direto e visceral quase hardcore, recebe inúmeras quebras em sua metade. Já Final Day se destaca pelo contraste de peso/melodia com backings dolorosos e em meio às dissonâncias de Overcome, é possível ouvir muitas referências de hard rock nos solos.

Mas o golpe de misericórdia fica por conta de três faixas: Jamais Me Entregar, que tem tudo para agradar fãs de Trayce e Project 46. Ainda sobre essa canção, vale dizer que os caras não mudaram sua proposta, apenas fizeram uma canção em sua língua mãe. All Covered in Blood possui um clima melancólico e  vozes arrepiantes que nos remetem ao Alice In Chains. E como bons alunos, os caras revenciaram os mestres. com uma ótima versão para Suffocated, do Mosh, um dos grupos que seguiam essa filosofia de criar algo novo, isso lá nos anos 90.

Bom, temos que agradecer aos amigos Wellington Clemente (baixo), Lucas Aldi (guitarra), Lucio Nunes (guitarra), Skeeter (voz) e Taddei Roberto (bateria) por mostrarem que é possível SIM criar um novo conceito musical sem abrir mão de sua essência.

23 de abril de 2014

VIOLÉTE: ESCREVENDO NOVAS LINHAS

Grupo apresentou aos presentes sua nova vocalista no The Vallen Festival, que contou com as bandas The Vallens e Multifário

Texto e fotos: João Messias Jr.

Violéte
João Messias Jr.
A banda Violéte, apesar dos quatro anos de existência, já passou por situações que muitos grupos com o dobro (e o triplo) de carreira não dispuseram de viver. A mais triste foi a perda repentina da vocalista Midi Gomes, que aconteceu no fim de 2013. Com o dilema entre continuar e encerrar os trabalhos, felizmente o grupo formado por Tiago de Paula (guitarra), Bruna Daniele (baixo), Gabriel Diego (bateria) optou por seguir o legado e recrutaram a vocalista Micha (irmã de Midi) para escreverem um novo capítulo em sua história. E a primeira apresentação dessa nova formação do grupo aconteceu no último sábado (19), no Gambalaia, em Santo André, que contou com a participação das bandas The Vallens e Multifário.

O espaço, localizado próximo ao centro da cidade, é um local aconchegante, que graças à decoração intimista, com direito a puffs e cadeiras, permite apresentações das mais variadas manifestações artísticas, que no dia de hoje, foi voltada ao rock, que teve início às 20h40, com a banda Multifário, que fez uma apresentação bem diferente da última que havia visto.

Multifário
João Messias Jr.
Donos de uma sonoridade que une as batidas do gueto, poesias urbanas e um acento rock, o trio formado por Rafael Rocha (voz e violão), Mailson Lean (baixo) e Caio Silva acertaram no formato intimista, pois as canções tocadas de forma semi-acústica combinaram com o local. O show mesclou músicas novas e canções que figuram no EP Liberdade é Quando Se Tem Opção, como Linhas Manuscritas (cuja versão de estúdio contou com a participação de Midi), Julgo e Sorte Natural, além de versões para Lado B Lado A (O Rappa) e Manguetown (Chico Science e Nação Zumbi). Só penso que o set deveria ter sido menor, pois o trio teve quase uma hora de show.

The Vallens
João Messias Jr.
Após um pequeno intervalo, às 22h o The Vallens mostrou um som que busca referências dos anos 50/60, com toques contemporâneos de grupos como Sonic Youth, Weezer, Strokes e Los Hermanos, o quarteto formado por Duh Vallen (voz e guitarra), Johny (guitarra), Viny Vallen (baixo) e Ismoul (bateria) mandaram em 40 minutos músicas que apresentam um som consistente e que possui um ótimo trabalho de guitarras, como Maionese e Antes das Sete. 

Outra que chamou a atenção foi Thessaly, que tem um começo melancólico e acaba de forma instrumental. O grupo aproveitou a ocasião e dedicou as músicas Violeta e Improvável ao pessoal da Violéte.

Já eram mais de 23h quando a Violéte adentrou ao pequeno palco. Micha (voz), Tiago (guitarra), Bruna (baixo) e Gabriel mostraram uma banda renovada, que está soando mais pesada e com muito swing, como tivemos a oportunidade de ver /ouvir nas músicas novas O Amanhã e A Porta, que é muito bom para os meninos seguirem seu caminho, a diversidade sem fugir do estilo que os fizeram conhecidos.

Violéte
João Messias Jr.
Em comparação a Midi, Micha possui uma linha diferente, não tão introspectiva e variada, que abre caminho para novas possibilidades, como aconteceu nas músicas citadas acima. Mas o grupo aproveitou o show e mandou músicas de seu EP, como Linha de Intenção e A Pressa, além de versões para My Immortal (Evanescence), Pode Vir Quente que Estou Fervendo (Erasmo Carlos) e Killing in the Name (Rage Against the Machine), que levantou todos os presentes.


Não há mais palavras a serem ditas, além de que esse sábado foi uma noite agradável, que contou com casa cheia, bons shows e fãs felizes, principalmente com o retorno da Violéte, que tem tudo para brilhar novamente. E com toda certeza, sob a aprovação de Midi.

15 de abril de 2014

DEVACHAN: NO TEMPO CERTO

Andarilho, trabalho de estreia do quinteto paulista, possui letras escritas nos anos 80, que tomaram vida em 2013

Por João Messias Jr.

Andarilho
Divulgação
Às vezes, certas coisas acontecem e não conseguimos explicar e nesse caso, o tempo sempre é a melhor resposta. Já foram contados alguns casos na música e recentemente mais um entra nesta estatística. O quinteto Devachan teve seu embrião formado há 30 anos, por meio das letras de seu baixista, Daniel Dias. O tempo passou e o projeto foi refeito três décadas depois, que conta além do dono dos graves, Michael Santos (teclado), Bruno Caresia (bateria), Leandro Dias (guitarra) e Gabriel Dias (voz), sendo que os dois últimos são filhos do fundador do grupo.

O primeiro registro da banda foi um EP de seis faixas lançado  no ano passado que mostra um metal tradicional que se destaca pelos ótimos arranjos e letras que embora tenham sido escritas lá nos anos 80, permanecem atuais, como Mente em Sonhos, que fala dos ideais dos jovens, mas de uma forma poética, que dá um brilho a mais ao trabalho lírico. A canção chama a atenção pelos vocais rasgados, mas que ficaram perfeitos para o tipo de letra abordada, além de uma passagem bem curta que nos lembra grupos progressivos como Sagrado Coração da Terra.

A vibe tradicional continua em Mudança de Tempo, que conta com a participação da cantora Gabriela Policeno. Já Liberdade é quase uma balada de contornos quase épicos que possui uma bela mensagem de conscientização. O pique mais visceral retorna com a faixa-título, que é dona de uma energia gostosa e mostra ser uma música muito legal de ver ao vivo. Poetas é a chamada power ballad, que começa tem a linha principal feita pelos teclados e várias partes para cantar junto e fecha de forma positiva este primeiro trabalho do grupo.

Um trabalho competente, que nos faz lembrar das primeiras linhas escritas nesse texto, pois às vezes a melhor coisa que aconteceu ao Devachan foi esperar todo este tempo para lançar o trabalho. Pois hoje, com toda a certeza ele está sendo ouvido e apreciado por muito mais pessoas e divulgado da forma que merece: além de contar com uma bela capa e um gravação nítida, limpa e pesada.

14 de abril de 2014

STATIK MAJIK: “WRATH OF MIND SE APRESENTA COMO UM ÁLBUM MAIS HOMOGÊNEO, RESULTADO DE UMA FORMAÇÃO MAIS SÓLIDA”

Realmente é gritante a evolução musical contida em Wrath of Mind, segundo álbum da banda Statik Mind é gigante. Mais equilibrado e com canções cheias de tesão como God in the Mirror, o trio atualmente formado por Thiago Velásquez (voz e baixo), Leonardo Cintra (guitarra) e Luis Carlos (bateria) comemoram o bom momento do disco, que vem recebido ótimas resenhas e como consequência, proporcionando ao grupo a oportunidade de se apresentar mais e mais.

Nesta entrevista feita com Luis e Thiago, a dupla nos fala da repercussão de Wrath of Mind, as diferenças dos públicos europeu e sul americano e a entrada do guitarrista Leonardo após o lançamento do disco.

Por João Messias Jr.
Fotos: Luciano Piantonni
Capa: Divulgação

NEW HORIZONS ZINE:  Recentemente o trio lançou seu segundo álbum “full”, que carrega o nome de Wrath of Mind. Como está a repercussão e divulgação perante mídia e fãs?
Luis Carlos: A melhor possível! Se no ano passado fizemos turnês intensas para o começo da divulgação deste trabalho, neste ano começamos a colher os frutos com ótimas resenhas em sites e revistas, assim como a possibilidade de começarmos a fazer shows em lugares que pretendíamos fazer e levar nosso trabalho para onde não imaginávamos antes, então, tem sido incrível a repercussão do Wrath.

Statik Majik
Luciano Piantonni
NHZ: Em relação ao debut, Stoned on Musik, vocês deram um salto de qualidade como músicos e nas canções, nas quais falarei mais adiante. Quais as diferenças de um disco para o outro em relação ao preparo das composições e gravações?
Thiago Velasquez: Wrath of Mind se apresenta como um álbum mais homogêneo, resultado de uma formação mais sólida trabalhando com um maior prazo. Nossa desenvoltura musical enquanto conjunto e conhecimento das influencias pessoais de cada um, foi o que eu diria como o fator determinante que foi pouco a pouco “moldando” as faixas do nosso debut. Tínhamos em mente que queríamos um álbum com refrões mais fortes, riffs grudentos e músicas empolgantes e pesadas e quando começamos a compor tudo fluiu da forma mais natural possível. Fora que também investimos em uma produção maior nesse álbum.

NHZ: Agora vamos falar um pouquinho das músicas do disco. Aproveito para parabeniza-los pela abertura em God in the Mirror, que possui levadas para ganhar os fãs que nos remete a clássicos como Love Gun (Kiss). O que os fãs estão achando desse som nos shows?
Luis Carlos: O feedback tem sido incrível, recentemente tocamos na Colômbia e tivemos palcos invadiso após o show, um até caiu em cima da bateria (risos). Essa faixa é bem legal mesmo, não é minha preferida, mas acertadamente ela abre o CD.

Thiago: Particularmente “God in the Mirror” é uma das minhas favoritas. Acho uma música matadora tanto pra começar o álbum quanto para começar os shows. Ela possui um astral muito elevado, uma verdadeira “porradaria” de riffs logo na primeira linha,com muito peso e melodia. Creio que ao abrir o show com ela, estamos fazendo-o com chave de ouro, pois conseguimos transmitir a nossa energia pra galera, mostrando que viemos para destruir tudo (risos). Em geral a reação da galera é a melhor possível começando a “aquecer” para ir à loucura.

NHZ: Acid Reign é empolgante do inicio ao fim, com linhas de voz que chamam o ouvinte pra cantar junto. Conte-nos da criação dos vocais dessa canção.
Luis Carlos: Ela tem uma pegada mais doom e eu e Thiago imaginamos uma coisa meio “Alice in Chains” nela, doi isso, creio que deu certo (risos). É incrível como ela é uma música lenta e grande, mas s pessoas curtem ela demais ao vivo.

Thiago : A Acid Reign é uma música mais cadenciada. Queríamos fazer uma faixa que literalmente derretesse o cérebro das pessoas e “tomasse a sua mente” (risos), por isso seu nome de “Reino Ácido”. Começamos com um riff com uma pegada bem doom, e começamos a criar a música separada em momentos. Eu diria que nitidamente a Acid Reign é uma faixa crescente que consegue transmitir bem  sua energia a medida em que se acompanha o contexto da letra, dos momentos musicais e a melodia em si. Acredite, toda essa divisão foi muito pensada (risos). A linha vocal foi totalmente inspirada no contexto da música em si, nas suas flutuações e sentimentos referentes a cada passagem até o verdadeiro “boom” final.

Wrath of Mind
Divulgação
NHZ: O disco traz convidados como o vocalista e produtor Renato Tribuzy e o guitarrista Bebeto Daroz. Este último, que ficou muito conhecido em São Paulo por seu trabalho com o Libra fez um belo trabalho em Remembrance, com violões acústicos que nos fazem lembrar a fase pós-glam dos grupos de hard rock. Vocês deram carta branca para o músico criar nesta musica ou foi feito em conjunto?
Thiago: Já tínhamos a ideia anteriormente de ter uma faixa acústica e a Remembrance surgiu de uma forma completamente natural durante um ensaio. Eu já havia trabalhado anteriormente em alguns projetos com Bebeto Daroz e sempre gostei bastante dele tocando. Ele tem uma “pegada” muito limpa com bastante feeling e peso,. Sempre curti demais o timbre que ele tirava em seus acústicos, foi quando lhe fizemos o convite para que gravasse a nossa faixa e apesar de a faixa já ter o seu “esqueleto” pré-estabelecido demos total liberdade para que ele criasse na mesma. O resultado, bom a faixa fala por si (risos).

NHZ: A banda tem investido muito em promoção no novo disco, tanto que já lançou dois vídeos. O primeiro foi para Drowning in Despair e recentemente publicou a versão em película para Paradoxof Self Existence. Como estão os acessos e o que a galera vem achando desses trabalhos?
Luis Carlos: O acesso de Paradox foi nosso recorde, pois em uma semana ultrapassou mil visualizações.

Thiago: Acho que vídeo clipe é uma ferramenta essencial de divulgação, mostra digamos que a “fantasia” da música e transmite uma maior “intimidade” com a mesma, passa a ser a associação que se é feita ao ouvir a faixa. A galera tem curtido bastante e movimentado bastante o nosso canal no youtube.
NHZ: Wrath of Mind foi lançado pelos selos X-Press On Records e Rock Brigade, além de contar com a distribuição da Voice Music e Xaninho Discos. O que estão achando da promoção e o que os motivaram a assinar com esses selos/gravadoras?
Luis Carlos: Foi um bom acordo e todos eles estão cumprindo bem a sua parte. São ótimos amigos e parceiros e pode aguardar mais novidades por aí.

NHZ: Mas de nada vale tudo isso se o grupo não faz show. Felizmente a banda gosta de estar na estrada, tendo se apresentado por diversos estados e recentemente fez um giro por países sul americanos como a Colômbia. Em relação a Europa e ao próprio Brasil, o que o lado latino americano possui de diferenças?
Luis Carlos: O latino americano é mais amável. Claro que na Europa foi bem legal, mas aqui é mais “caliente” (risos). No segundo semestre deste ano tocaremos no Peru e na Bolívia e talvez role Europa em 2015.
Thiago: Realmente não tenho palavras para descrever o como bem fomos recebidos em todas as nossas passagens pela América do Sul. Tivemos realmente uma união de público e banda em um só, uma sensação, uma energia e uma receptividade realmente fora de série (risos).

NHZ: Infelizmente, nem tudo são flores. Após a gravação de Wrath of Mind, o guitarrista Thiago D’Lopes deixou o grupo, sendo substituído por Leonardo Cintra. Para você, Luis Carlos, que está desde o início do grupo, como é ter de correr atrás de novos membros que se encaixem não apenas no perfil musical, mas pessoal também, pois banda é relacionamento e convivência?
Luis Carlos: Nada de anormal. Não é a primeira vez que isso acontece com a Statik, porque a entrada do Leonardo foi perfeita e é isso o que importa pra banda. Afinal, o importante é a banda continuar firme e forte e isso já está mais do que comprovado, pois o que prevalece aqui é o “espírito de equipe”. Léo é um cara que reúne grandes qualidades não só como músico, mas como profissional. É dedicado, se empenha demais e investe muito do seu tempo na banda. Então, creio que agora sim, estamos com uma formação excelente e pronta para encarar novos desafios.

NHZ: Para encerrar, como é ver que a banda está com 12 anos de
Statik Majik
Luciano Piantonni
carreira, dois discos lançados, com uma ótima repercussão? Consideram este o melhor momento da StatikMajik?
Luis Carlos:  Sim, a entrada do Léo veio coroar isso. Eu criei a banda em 2002 e vi entrar e sair integrantes durante essa jornada. Estou muito feliz com o que tem acontecido ultimamente com a Statik, afinal, não é um trabalho de um, dois anos, são 12  e quem conhece a Statik sabe disso. Só tenho a agradecer ao Thiago e ao Léo porque o mérito é deles, a equipe da statik e aos fãs que sempre nos inspiraram e apoiaram.
Thiago: Pouco posso falar sobre os 12 anos, mas faço parte de pelo menos sete anos de história (risos). Para mim é uma alegria, uma satisfação e um orgulho imenso, ter investido toda a minha dedicação e paixão pela música nesses anos de banda e vê-la crescendo cada vez mais. Sem sombra de dúvidas posso dizer que esse é o nosso melhor momento e ainda temos muita poeira para comer!!

NHZ: Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Thiago: Gostaria de agradecer pelo espaço cedido, principalmente a todos que nos apoiam ao longo dessa difícil jornada, que acompanham o nosso trabalho e aos que lutam ao nosso lado. Se não fossem vocês, nada disso seria possível! Vocês são a nossa energia e a nossa maior inspiração. Quero ter o prazer de conhecer pessoalmente cada um de vocês e abraça-los como irmãos! Estamos juntos! Obrigado por tudo!

Luis Carlos: Leiam, curtam e compartilhem esta entrevista. Apoiem o metal nacional. Agradeço pelo espaço cedido a Statik e obrigado pelo grande apoio. Afinal, sem vocês não seríamos nada ! OBRIGADO !

7 de abril de 2014

GENOCÍDIO: UMA APRESENTAÇÃO MARCADA PELA MELANCOLIA E AGRESSIVIDADE

Quarteto retorna ao ABC paulista promovendo seu novo álbum In Love With Hatred após anos sem se apresentar na região

Texto e fotos: João Messias Jr.

Genocídio
João Messias Jr.
Engraçado como são as coisas, assim como o Vulcano, fiquei praticamente 20 anos sem poder vê-los ao vivo e depois desse tabu quebrado consegui assistir a banda mais uma vez num curto espaço de tempo. E assim como no ícone do metal santista, o mesmo ocorreu com o Genocídio, com mais uma (feliz) coincidência, com a banda no ápice de sua musicalidade e criatividade, que podemos ouvir no seu novo trabalho, o álbum In Love With Hatred, lançado em 2013.

O local da apresentação foi o Lollapalooza, que há pouco tempo abriu “pra valer”o espaço para música autoral e nesta noite foi o palco deste ícone da música pesada nacional, que já possui quase três décadas de luta na cena.

Midnightmare
João Messias Jr.
Antes da banda principal, o evento contou com as bandas locais Falange e Midnightmare. E foi a última que deu o pontapé inicial aos shows, ás 19h30. Com 13 anos de estrada, Simone (baixo e voz), Kedley Moraes (guitarra) e Quércia (bateria, também Arthanus) fazem a promoção de seu primeiro CD, Death Is the Only Salvation, lançado no mês passado, que como o nome sugere, mescla o death, thrash com algo do doom metal. Do citado trabalho a banda mandou Chaos, dona de passagens thrash melodiosas, a faixa-título, que nos remete ao death metal praticado na Flórida e vocais que se fundem em limpos/berrados e a direta Final Conflict. Vamos torcer para que os caras continuem produzindo sons e expandindo sua música para todos os cantos.

Falange
João Messias Jr.
A segunda banda da noite foi o Falange. Adeptos do thrash oitentista, mas sem cair nos clichês do estilo. 
Dona de bons riffs (que privilegiam o peso ao invés da velocidade) e vocais que caem para o crossover (alguém gritou Kurt Brecht?) é a ideia que a trupe formada por Luciano Piagentini (voz), Ivan (guitarra), Marcelo (baixo e backing vocal) e Paulo (bateria) mandaram um set energético, com destaque para Fuck Your Play (80 na veia), Fogueira, Humano Débil Mental (que aponta uma vertente mais trabalhada) e a crossover Madness, que encerrou a curta apresentação, que teve menos de meia hora.


Genocídio
João Messias Jr.
Já eram 21h30  quando teve início o grande momento da noite. Murillo Leite (guitarra e voz), Rafael Orsi (guitarra e backing vocals), Wanderley Perna (baixo) e João Gobo (bateria), com uma bandeira da cidade de Santo André, iniciaram seu set com Kill Brazil, do In Love With Hatred. Vale dizer que o atual trabalho não deve nada aos mais antigos e consegue figurar entre os melhores já lançados pela banda, principalmente pelo talento dos novos integrantes e o equilíbrio do clima soturno e das melodias. Mas ficava a pergunta: e as músicas antigas?

Bem, Cloister, do Posthumous colocou um ponto final nas dúvidas e eventuais desconfianças, pois mandaram muito bem, assim como Numbness Sunshine, de Hoctaedron. A faixa-título e Passion and Pride, do novo disco mostrou que apesar dos clássicos, o presente momento vivido pelo Genocídio tem tudo para angariar fãs e fazer história, graças ao climas melancólicos (quase doom). Come to the Sabbath (Mercyful Fate) foi outro momento mágico, que emocionou o pessoal que estava na frente do palco. Eu queria que o mestre King Diamond tivesse a oportunidade de ouvir essa versão.The Clan, do álbum de mesmo nome e Up Roar apontavam que o show estava no fim, que infelizmente se teve seu final com a clássica The Grave, do seu primeiro EP.

Uma ótima noite, que além das apresentações acima de qualquer suspeita, foi legal para rever os amigos, mas infelizmente com um público decepcionante. Eu não sei o que se passa na cabeça do dito headbanger. Não são todos, mas que em sua maioria prefere se esconder em nicknames e reclamar que a cena é uma merda, que a mesma é infestada por falsos, mas que em nenhum instante faz nada para reverter a situação. Uma pena (para eles) e mais um momento de felicidade e conquista para aqueles que fazem algo de verdade por aquilo que acredita.

4 de abril de 2014

CHAOS SYNOPSIS: LEVANDO A LOUCURA DOS SERIAL KILLERS AOS PALCOS

Quarteto se apresentou na mais recente edição do Ataque Extremo, realizada no último sábado (29), que contou com a participação dos grupos Depressed, Setfire e Pile of Corpses

Texto e fotos: João Messias Jr.

Chaos Synopsis
João Messias Jr.
Quando eu deparo com uma capa de disco, independente do estilo musical que seja, se “bate” aquela coisa (seria tentação?), dificilmente eu me engano e acabo conhecendo mais uma banda legal e por consequência, levo mais um disco pra coleção. Podemos resumir assim como eu conheci o Chaos Synopsis, de São José dos Campos. Art of Killing, segundo disco do quarteto formado na época por Jairo Vaz (voz e baixo), Marloni (guitarra), JP (guitarra) e Friggi Mad Beats (bateria, também Attomica) além do death/thrash caótico, chama a atenção pela capa que mostra o serial killer (tema principal do trabalho) vestido a caráter com seu prêmio nas mãos, no caso a cabeça de sua vítima. E claro que se os caras viessem para o ABC, seria no mínimo obrigação de conferir essa violência sonora ao vivo. Sonho realizado, pois no último sábado (29), a banda aportou em São Caetano, no Cidadão do Mundo para mais uma edição do Ataque Extremo, que contou com os grupos Depressed, Setfire e Pile of Corpses.

Pile of Corpses
João Messias Jr.
Devido a outro compromisso, acabei perdendo parte da apresentação do Pile of Corpses. Apesar da música extrema e ás vezes caótica, Alba (voz), JP (guitarra), Chefe (baixo) e Dentão (bateria), os caras colocam um humor sarcástico na apresentação que empolga a todos. Como em Devouring the Pork, que além do vocalista dedicar para todos os “comedores de bacon”, colocou uma máscara de um porco, o que ficou muito legal no show. Espero poder ver um show completo desses caras, que fazem um mix de death/thrash com alguma coisa de grind muito bem feita.

Setfire
João Messias Jr.
O Setfire é um grupo que merece atenção. Donos de um thrash agressivo e trabalhado que une muito groove, cadências e um vocalista versátil, Artur (voz), Klemer (guitarra), Michael Douglas (guitarra), Felipe (baixo) e Alex (bateria) podemos chamar de uma banda de palco, pois suas apresentações são fortes intensas, como pudemos ouvir em sons como Social Bomb, que tem um jeitão Pantera, mas com riffs cadenciados. Além das músicas autorais, a banda mandou versões inspiradas para I’m Broken (Pantera) e Spirit Crusher (Death), que mostraram além da variedade do instrumental, todo o alcance de Artur. Envy Shit, que em breve receberá sua versão em vídeo e a inédita Wandering Psycopath fizeram parte do curto, mas empolgante set.

Depressed
João Messias Jr.
Representantes do death metal tradicional na mais pura essência, o Depressed mostrou que o ABC possui um nome que pode trilhar o mesmo caminho de bandas como Headhunter D.C, Krisiun, Ungodly, entre outros. Giovani Venttura (voz), Rodrigo Jardim (guitarra), Stella Ribeiro (baixo) e Gabriel Guerra fizeram um set diferente das últimas apresentações que vi do hoje quarteto. Junto com as canções do repertório Afterlife in Darkness, Reborn in Hellfire e Stormblood, a banda mandou duas músicas novas, Disease from Emptiness e Zombie Epidemic, que juntas as já citadas, farão parte do primeiro álbum da banda, que já está em fase final de produção. Mas as canções inéditas mostram uma nova vertente explorada pelo grupo. A primeira, com riffs densos e carregados, quase doom e a segunda carrega morbidez. Junto as músicas autorais, mandaram versões inspiradas para sons do Hypocrisy e Sinister. Seria interessante e justo ver esses caras abrindo (por competência) para nomes como Obituary e as bandas citadas acima.

Chaos Synopsis
Divulgação
Já eram quase três da manhã quando o Chaos Synopsis iniciou sua apresentação, que podemos chamar de massacre sonoro. O trio, Jairo, JP e Friggi, acompanhados de um guitarrista adicional, Ítalo Junqueira, mandaram três sons do aclamado Art of Killing: Son of Light, Rostov Ripper e Zodiac, todas se destacam pelo peso e clima mórbido. Sarcastic Devotion e Postwar Madness, do debut, Kult ov Dementia manteram o pique, mas não há como negar que “Art” é o masterpiece dos caras, que mandaram desta obra B.T.K., dona de partes cadenciadas, a grooveada Red Spider e Monster of the Andes. Infelizmente a apresentação dos caras passou voando e Spiritual Cancer, do primeiro álbum encerrou mais uma edição do festival Ataque Extremo. Vale lembrar que em maio, os caras embarcam para mais uma tour europeia e mostrarão aos gringos metal com padrão brazuca de qualidade.

Mais um daqueles dias de voltar para casa com um sorriso de orelha a orelha, apesar das olheiras e cansaço mais que visíveis. Sintomas de um trintão que logo chega aos quarenta! 

3 de abril de 2014

KOMBATO: “TEMOS UM CENÁRIO COM ÓTIMAS BANDAS E EXCELENTES MÚSICOS”

Talvez para quem acompanha a cena underground, a frase acima não chega a ser uma novidade. Só que de novo para você leitor, é que o Kombato é uma banda que tem tudo para conquistar os fãs de música pesada e alavancar uma carreira internacional. O grupo, que conta hoje com Juan Arteiro (guitarra e voz) e Lucy Shalub (baixo e vocal), é dona de um thrash agressivo, que não tem medo de flertar com o death metal, mistura que gera músicas prontas para o banging como Waiting to Die. Atualmente, a banda prepara o primeiro álbum da carreira, que contará nas baquetas o baterista do Korzus, Rodrigo Oliveira, que também cuidará da produção.

Nesta entrevista feita com Juan Arteiro, o músico nos conta da origem do nome do grupo, mudanças de formação e (claro), o vindouro álbum.

Por João Messias Jr.
Fotos: Divugação

Juan Arteiro
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: O nome da banda nos remete as lutas marciais. Porque nomear o grupo com dessa forma e o que ele representa para vocês?
Juan Arteiro: Kombato é o nome de uma arte marcial brasileira que reúne técnicas de várias artes marciais. Sou faixa preta de kick, azul de jiu jitsu e pratico MMA também, a Fernanda (ex-baterista) lutava tae kwon do e a Lucy (baixista), kickboxing. Estávamos procurando um nome brasileiro, pois na primeira formação nos chamávamos Vision of Disgrace e como nosso som havia evoluído, resolvemos mudar para o nome Kombato com a entrada da Fernanda, homenageando essa arte marcial brasileira!

NHZ: Apesar de ser uma banda nova, com pouco mais de um ano de formação, o Kombato já sofre com as mudanças de integrantes. No que isso atrapalha o desenvolvimento do grupo e como foi encontrar motivação para buscar novos membros?
Juan: Na verdade, todas as composições são minhas e da Lucy. Nós dois somos os únicos membros que permanecem na banda até hoje. Foi muito difícil para nós a saída da Fernanda, inclusive por que éramos amigos há muitos anos. Depois disso, conheci o Renan (ex-baterista), que trouxe o Lucas (ex-guitarrista), mas a participação deles também foi passageira pela banda. No momento, estamos em estúdio com o Rodrigo Oliveira (Korzus), gravando um álbum completo com 12 músicas e só retornaremos aos palcos após o lançamento do CD.

Lucy Shalub
Divulgação
NHZ: Ainda falando em formação, vocês chegaram a ter por um curto período a baterista Fernanda Terra (ex-Nervosa e Food 4 Life). Por ser uma instrumentista conhecida, o que ela trouxe de positivo no quesito exposição em sua passagem no Kombato?
Juan: Uma coisa muito boa que a Fernanda trouxe para a banda e que  tentamos manter nesse momento foi o profissionalismo, algo essencial para qualquer banda que queira crescer e se destacar no cenário.

NHZ: Agora vamos falar um pouco no som de vocês, que tive a oportunidade de conferir no Lollapalooza há poucos dias. Vocês praticam um thrash bem agressivo, com algumas incursões ao death metal. No processo de composição, como fazem para que essa miscelânea fique equilibrada?
Juan: Procuramos usar todas nossas influencias nas composições e tudo vai fluindo naturalmente. Escutamos em casa muito black, death, thrash metal e hardcore ogro e  acho nosso som tem um pouco de tudo isso ai.

NHZ: Outra característica que dá mais agressividade ao som, são os backing vocals da baixista Lucy Shalub, que são próximos ao death/black. Como funciona essa divisão de vocais nas músicas?
Juan: Aos poucos a Lucy está se soltando mais pra cantar. Inclusive em nosso álbum, terá duas musicas que e cantará sozinha. Ela possui uma forte influencia de bandas como Death, Obituary, Morbid Angel e Unleashed. É assim que vejo o vocal que ela está fazendo no momento. Quanto a divisão vamos  vendo qual voz se encaixa melhor em determinada parte da musica.

Juan Arteiro
Divulgação
NHZ: Para encerrar, vou citar alguns grupos nacionais de thrash e queria a opinião de vocês sobre eles: Woslom, Executer, Chemical e Lama Negra.
Juan: São ótimas bandas da nossa cena que tem tudo para decolar num mercado internacional. Morei doze anos nos Estados Unidos e posso dizer que atualmente não estamos deixando nada a desejar pros gringos. Temos um cenário com ótimas bandas e excelentes músicos prontos para quebrar tudo mundo afora!

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação?
Juan: Nós que agradecemos pela oportunidade. Gostaria de agradecer a todos que sempre acreditaram no nosso som e obrigado pela paciência em relação ao nosso material, mas prometo que ainda esse semestre tem coisa boa por aí.
Um forte abraço a todos!