13 de junho de 2014

UMA PAUSA E PREVISÃO DE RETORNO PARA 2015....

É com muita tristeza que anuncio que o New Horizons vai pausar suas atividades. Esse tempo não tem nada a ver com cena, apenas para resolver questões particulares. Ainda sairão algumas matérias nos próximos dias, mas o momento é de reflexão e reestruturação para quando voltar, o gás esteja 100%.


Agradeço a todos os amigos que fiz nesse período, Assessores, Bandas, Produtores e bangers por cada história e momento compartilhado nessa vida de metal. Sem a parceria firmada com vocês, muita coisa que figurou no NHZ  e colaborações não teria existido!

Abraços...e 2015 estaremos por aí novamente.

Atenciosamente!

João Messias Jr.
NEW HORIZONS ZINE

9 de junho de 2014

FOR HEADS: "INFELIZMENTE AS REFERÊNCIAS BRASILEIRAS DE PRODUÇÕES NÃO ME INSPIRAM"

Segue a segunda parte da entrevista feita com a trupe do For headS, que falam do atual momento, referências e a repercussão de “Metal SP” na mídia metálica.

Por João Messias Jr.
Fotos: Divulgação

For headS no Metal Samsara
Divulgação
NHZ: Vocês disponibilizaram o documentário no Youtube. Como estão os acessos e o feedback recebido dos headbangers e dos próprios entrevistados?
AR: O feedback dos bangers está sendo ótimo! Recebemos vários elogios e críticas construtivas como a questão do áudio já salientada. É errando que se aprende, afinal e literalmente. As melhores foram: “Pô, mas o documentário é muito curto” (risos), mas achei massa”. Pouco tempo depois, a Warner lançou também um documentário de Metal e entrevistou Andreas Kisser e o Ricardo Batalha, por exemplo. O legal foi ver, no Facebook, que o “Metal SP” foi apontado pelo Julio Feriato como superior devido ao grande número de imagens de apoio, por exemplo. Isso é fenomenal. Recebemos muitos “joinhas” e ainda é atualmente o vídeo do For headS com mais views no YouTube. Um dos entrevistados, Nelson Corneta, afirmou que o For headS virou referência, pois mostrou que sim é possível fazer produções de Metal no Brasil. Tanto que inspirado nisso (ele também estuda Jornalismo), resolveu que o próprio TCC será sobre Metal! (risos) Quando ouvi isso me senti como um integrante de banda! Isso é inestimável! Esse é apenas o meu primeiro passo, o meu “EP” de estreia. (risos) Quero construir produções superiores, evoluir. Ser uma espécie de Sam Dunn brasileiro. (risos)
FC: A recepção foi boa. Os entrevistados apreciaram o produto final e os usuários têm comentado bastante.

NHZ: Sempre após um TCC, que mesmo se fazendo algo que goste, é tenso e desgastante em muitos momentos, que em muitos casos resultam em amizades desfeitas. Como foi o relacionamento do grupo nessa fase? E atualmente?
AR: Depois de passar horas e horas ao lado da mesma pessoa de segunda a sexta (mais que com familiares) você acaba aprendendo como se portar. Você sabe o que pode gerar algum tipo de descontentamento e como evita-lo. Durante, mesmo com os problemas ocorridos, nos mantivemos unidos. Pensei, é claro, que poderíamos acabar nos matando, antes do início do TCC (risos). Mas tudo fluiu de forma tão natural que até me assustei. Do início ao fim estivemos dedicados ao “Metal SP”. O resultado foi alcançado com a dedicação de cada um, mesmo tratando-se um tema que sou o único que gosta realmente do grupo. Todos deram o melhor de si. Rodrigo com assessoria de imprensa, o Flávio com “faro jornalístico” e eu com o domínio do tema da parte de gravação e edição. Obviamente, o Flávio e o Rodrigo fizeram parte do For headS, mas neste ano de 2014 as coisas mudaram. Cada um seguiu o próprio caminho e eu sigo com o meu projeto. Mantemos contato de forma esporádica. Efetivamente, conto com o apoio de meu colega de infância e escola Carlos Henrique (o “Rivaldo”) atualmente, mas a ideia é de fazer com que o For headS cresça cada vez mais. Então, pretendo chamar mais integrantes para a minha “banda” e que queiram se dedicar ao projeto com vontade de crescer e com amor ao Rock e ao Metal.

FC:  Um projeto denso e de longa duração sempre é desgastante mesmo. Mas acho que no geral nós três trabalhamos bem. Tivemos problemas na finalização da edição, um atraso na entrega do projeto e poderíamos ter feito algumas coisas com mais qualidade. Mas é assim em quase tudo na vida, terminamos com a impressão de que poderia ter sido melhor. Fica o aprendizado. Atualmente cada um tem buscado seus próprios objetivos.

RP:  Em geral, tranquilo. Não recordo de nenhum momento de relevância em que o grupo tenha tido problemas. Atualmente, o contato é bem pouco. Normalmente só pelo facebook mesmo.

For headS no Stay Heavy
Divulgação
NHZ: Após verem que é possível SIM fazer algo que acredita, quais os próximos passos? Pensam em fazer um novo documentário?
AR: Tenho ideias há anos sobre como gostaria de ver o Metal na internet. Tenho muitos projetos. Ideias diferentes de tudo o que está aí entre os veículos que cobrem o gênero. Os próximos passos são o de criar uma frequência de postagem de conteúdo no site, angariar novos fãs e integrantes interessados no projeto, disponibilização dos materiais inéditos do “Metal SP” na net e dar continuidade ao For headS com a criação de programas e documentários. Muita coisa boa virá! Quero seguir a linha de sites como “Metal Injection”. Infelizmente, as referências brasileiras de produções não me inspiram. Neste caso, tenho que assumir que sou “chupa rola de gringo”. (risos) Gosto também do “Rock it Out Blog” e das resenhas em vídeo de Anthony Fantano no “The Needled Drop”.

FC:  Todo o documentário foi feito com equipamentos comuns sendo carregados em grandes bolsas por estações de metrô e trem da cidade. Todos os contatos foram feitos por email, facebook e telefones pré-pagos. Todo o projeto foi fundamentado na bagagem cultural e intelectual dos integrantes. E, claro, fomos guiados nesse TCC por uma orientadora extremamente competente e atenciosa. Esses aspectos me fazem crer que projetos de qualidade são possíveis desde que haja vontade de realizá-los. Por enquanto não há nada em vista para o grupo como um todo. O Afonso está tocando o For Heads com competência e não diria que é impossível que no futuro possamos fazer algo novo.

RP:  Já surgiu a ideia para próximos documentários. No momento, ainda é cedo para dizer. Precisamos nos reunir de novo para ver o que fazer daqui para frente. Quero que o For headS cresça, e preciso me focar para isso!

NHZ: Para encerrar, citem alguns documentários ligados ao rock e fora dele que acharam fundamentais para que o For Heads se concretizasse?
AR: Com certeza, sou muito grato pela iniciativa do antropólogo canadense Sam Dunn. Se os músicos têm como referência Tony Iommi, Bruce Dickinson entre outros, eu tenho como documentarista Sam Dunn. “Metal – A headbanger’s Journey” (2005) é uma espécie de “Black Sabbath” (1970) do Black Sabbath. Depois dele, vários documentários sobre Heavy Metal surgiram. Ao invés de tratar o Metal de uma forma porca, escura, com uma atmosfera arrogante e pesada, “Metal...” se destaca pelo clima envolvente que propõe. É esse modelo que quero seguir. Didático, fluente e agradável para todos assistirem. Tem amor, sensibilidade e outros adjetivos que muitos ignorantes não enxergam ou não querem enxergar que existem no estilo. Sam Dunn virou referência por perceber isso. A ideia de colocar várias imagens de apoio para dar um tom mais literário ao doc é uma clara influência dele e que fiz questão de agregar ao “Metal SP”. Outros que destaco: “Global Metal” (2008), a série “Metal Evolution” e “Louder Than Life” (2007).

RP: Creio que o Metal: Uma jornada pelo mundo do Heavy Metal (Metal: A Headbanger's Journey) e Global Metal - ambos do Sam Dunn - tenham sido os principais.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores
For headS no UOL
Divulgação
desta publicação.
AR: Muito obrigado pelo espaço Messias e pelo seu apoio ao cenário com resenhas e cobertura de shows por mais de 20 anos. Quando você começou, eu ainda estava usando fraldas! (risos) Obrigado a todos os que apoiam o projeto, ou que apoiaram e àqueles que ainda apoiarão o For headS. Sim, é possível falar de Metal no Brasil. Só que muita coisa tem que mudar. Os projetos não podem querer copiar os modelos já ofertados aqui no país. Precisamos de mais pessoas falando, para que mais pessoas possam querer conhecer e gostar de Rock e Metal. Os veículos têm que pensarem de uma forma mais acolhedora e atraente e menos “separatista”. Algo como: “tenha mais uma postura evangelizadora do que maçônica”. Mais pessoas tem que conhecer esta arte e renegar isso aos “outros” é egoísmo. Quero trabalhar firme e forte com o For headS até o final da vida. Quero conquistar meu espaço no meio, me divertir muito, escutar muito Rock e Metal e fazer amigos. Tenho ambição, vontade, conheço minhas qualidades e defeitos, e sei onde quero chegar! Olha a influência de Lars Ulrich. (risos) “Rock and Metal to the masses!” Estou começando a viver agora e a minha biografia está ficando linda! (risos)

RP: Vou ser bem clichê. Dentre tantas, destaco duas lições de tudo isso: É possível fazer um trabalho acadêmico sobre o que gosta (Heavy metal! Nunca me imaginei citando Ozzy no padrão ABNT!) e a cena paulista - bem como a nacional - é incrível. Temos bandas excelentes aqui dentro, que nada devem ao estrangeiro. Então nunca desistam do Metal em suas vidas e valorizem as bandas que estão ao seu lado.

28 de maio de 2014

EXECUTER: OITENTISTA SIM, DATADO JAMAIS

Helliday, novo trabalho de quarteto paulista mostra como beber nas fontes clássicas do estilo sem soar como cópia e transmitir personalidade

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação

Helliday
Divulgação
Em seus 27 anos de carreira, o pessoal do Executer sempre teve o hábito de realizar algumas proezas em sua trajetória na música. Lá nos começo dos anos 90, foram uma das primeiras bandas a fazer demo tapes com capas coloridas, organizar o próprio festival e talvez, a maior delas: manter a mesma formação até hoje.

Após um hiato, o quarteto formado por Juca (voz), Elias (guitarra), Paulo (baixo), Béba (bateria) retornou com força total, produzindo trabalhos com frequência, tendo como mais recente registro o álbum Helliday, lançado no início deste ano.

Mantendo a linha característica do grupo, que é uma mescla do thrash oitentista das escolas americana e germânica, os caras não fizeram o “copie e cole”, mas injetaram personalidade, como pudemos ouvir na abertura com a faixa-título e a seguinte, 4:00 AM (Insomnia), essa com riffs iniciais que beiram o metal tradicional, que depois ganha backing vocals e se transforma num petardo thrash, mostrando o talento dos camaradas de Amparo. O estilo que consagrou bandas como Saxon e Iron Maiden é uma constante em quase todo o disco, inclusive No Sense possui alguns minutos dedicados a essa vertente, tudo bem encaixado, sem emendas ou costuras. Já Dawn Speech é agressiva e perfeita para o banging.

Outra vertente que aparece aqui é o crossover, como os backing secos de Brain Washing Machine e Deadly Virus. A thrasher The Big Pocket of the Shark encerra de forma magistral o disco. Dona de riffs que alegrará os fãs mais devotos do estilo, ganha de vez o ouvinte com o ritmo veloz e hipnotico conduzido pelos caras.

E tudo isso não está restrito nas canções, pois tudo o que está presente em Helliday (capa, encarte, fotos e produção) mostra um retrato de que é possível sim ser fiel às suas origens olhando para frente e sem comprometer ou descaracterizar o que foi feito lá atrás.

23 de maio de 2014

FOR HEADS: “A SENSAÇÃO DE OUVIR A PALAVRA APROVADOS É SENSACIONAL”

Não é novidade pra ninguém que o heavy metal é algo presente em nossa vida desde cedo. Para uma minoria, uma moda passageira, mas para outros, é algo que segue até o fim dos dias. Junto com a fidelidade, sempre surge nos fãs de música pesada, a vontade de fazer algo a mais para que o estilo propague cada vez mais. Alguns montam bandas, outros fotografam, escrevem e uma boa parte para o jornalismo, como o pessoal do For HeadS. Os então estudantes Afonso Rodrigues, Flávio Camargo e Rodrigo Paneguine escolheram o metal como tema do seu TCC e dessa escolha foi criado o documentário Metal SP, que contém depoimentos de figuras importantes da cena, como Ricardo Batalha (Roadie Crew), Régis Tadeu, Julio Feriato (Heavy Nation), que falam do momento atual da cena metálica no Brasil e dos primeiros tempos.

Confira a primeira parte desta entrevista, em que os meninos contaram da escolha do tema, convidados e a famosa e temida hora da banca.

Por João Messias Jr.
Fotos: Divulgação

For headS com Ricardo Batalha
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Vocês se juntaram para fazer um trabalho de TCC, do qual foi concebido o Metal SP, que faz um recorte da cena do heavy metal em São Paulo. Como surgiu a ideia?
Afonso Rodrigues: Primeiramente, obrigado pelo convite! Eu, o Flávio Camargo e o Rodrigo Paneghine, além de outros colegas de turma formávamos um grupinho na faculdade, desde o início da graduação em Jornalismo em 2010. Porém, em 2012, quando o tema TCC surgiu, o grupo se dividiu devido ao fato de que cada integrante tinha um assunto em mente para tratar no trabalho de conclusão de curso. Eu sempre tive vontade, obviamente, de fazer algo que gostasse e que pudesse não ser apenas o capítulo final de minha graduação como jornalista, mas o início de algo maior na qual eu pudesse dar prosseguimento na minha carreira. Então, eu tinha vontade de falar sobre Jornalismo Cultural/Musical (que é a minha editoria favorita no Jornalismo). Vi que existiam TCCs sobre Jornalismo Investigativo... Internacional... Enfim, gostaria de saber como era trabalhar na área, qual era o retorno... De modo geral, compreender esse segmento em um âmbito histórico e profissional com entrevistas com jornalistas no formato documentário (Rádio & TV era a minha segunda opção de graduação)... Algo quase “metalinguístico”. (risos) Ao longo daquele ano cada integrante seguiu o próprio caminho ou de forma independente partindo para uma monografia ou entrando em outros grupos de TCC. Porém, em outubro de 2012, o Rodrigo me propôs a ideia de retomarmos a parceria com os velhos colegas e, assim, terminamos o curso de Jornalismo juntos. Eu topei e Flávio também. No início de 2013, começamos a ter a orientação da maravilhosa professora Lilian Crepaldi. Já no primeiro encontro, ela pediu que fizéssemos um recorte mais específico: “Bem, eu estou vendo que vocês se vestem de preto, são amigos... Gostam de Rock, não é? Porque vocês não fazem algo voltado à música?” Aquilo era tão óbvio pra mim que na minha cabeça era algo fora de cogitação. Porém, percebi que era a hora perfeita de quem sabe falar de Heavy Metal (minha paixão) sério pela primeira vez. Já começava a imaginar como seria legal, no futuro, olhar para trás e ver que fiz um documentário (meu formato favorito) e sobre Metal (meu estilo favorito)! Minha biografia ficaria ótima! (risos) Dei a ideia e expliquei os motivos de ser assunto interessante, como o fato de que nos últimos anos mais e mais shows de bandas internacionais estão acontecendo aqui em São Paulo, além do interessante “boom” do nascimento de blogs e sites especializados, por exemplo. Vimos que não tinha nenhum documentário com tema semelhante na internet. Nascia aí o projeto “Metal SP”! Nome em referência às clássicas coletâneas “SP Metal”. Que era, de fato, entender o cenário atual do Metal paulistano de diferentes pontos de vista entrevistando músicos, jornalistas e fãs.

Flávio Camargo: Quando o grupo foi formado definimos que o projeto seria um documentário com foco no jornalismo cultural, preferencialmente relacionado com música. Na hora de dar início ao projeto definimos, de forma superficial, temas que despertassem a vontade do grupo como o classic rock, o rock oriental e o heavy metal. Esse último foi escolhido pelo ineditismo do recorte que faríamos.
Eu não sou tão próximo do gênero, embora conheça e admire algumas bandas. Por isso vi o projeto como um desafio. Pude conhecer algo novo e colaborar com a produção de algo original.

Rodrigo Paneghine: Após muitas ideias que não levaram a nada, nosso grupo original se separou. Cada qual em um canto, surgiu a ideia dos três se juntarem para fazer um documentário. A ideia inicial, de falar sobre música, foi do Flávio. O Afonso cogitou o tema ser sobre heavy metal. A partir daí foi apenas refinar o assunto e chegar ao gênero com foco na cidade de São Paulo.

For headS com Julio Feriato
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NHZ: E como foram os preparativos, as ideias de entrevistados. Diga-nos essa etapa de preparação e planejamento?
AR: No início, foi difícil, pois jornalistas sem contato é nada... Como não fazíamos parte do meio, não tínhamos o contato de bandas, assessorias ou jornalistas. É claro, eu já tinha uma grande lista de nomes que eu gostaria de ver no documentário. A professora Lilian, então, passou alguns nomes de entrevistados possíveis e que ela conhecia. O Rodrigo trabalha no prédio de Segurança Pública do Estado de São Paulo e lá ele fez amizade com o Nelson Corneta. O Nelson foi o nosso primeiro entrevistado. Ele foi o representante da categoria “fã de Metal”. (risos) Foi bom começar com alguém mais próximo ao invés de fazer o primeiro teste de cara com algum músico ou jornalista. Começamos devagar e aos poucos fomos fazendo outras entrevistas. Uma delas com o jornalista João Messias Jr, você o conhece? (risos) Conforme íamos entrando no meio mais facilmente conseguíamos os contatos. Assim, surgiram grandes nomes como Amilcar Christófaro (Torture Squad), Fernanda Lira (Nervosa) e Edu Falaschi (Almah, ex-Angra). Outros nomes surgiram com as facilidades que a internet nos proporciona. Fizemos contato com alguns entrevistados por e-mail e por “in box” na rede social Facebook (risos).

FC: Desde o início tínhamos uma ideia clara de como o projeto deveria ficar. Nenhum de nós queria, simplesmente, um vídeo longo com vários depoimentos que não despertassem o interesse do espectador. Por isso definimos uma lista de nomes que nos interessavam, tanto pela bagagem quanto a forma de transmitir o conteúdo. Já os detalhes logísticos do documentário foram definidos com o barco em curso mesmo.

RP: O Afonso, com seu conhecimento do cenário, surgiu com uma lista de possíveis entrevistados. Em trio, planejamos os que seriam melhores. Apesar de nem todos responderem, a maioria foi bem receptiva. Ao mesmo tempo, levantamos uma pesquisa sobre heavy metal e subgêneros, orientados pela professora Lilian Crepaldi.

For headS com Edu Falaschi
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NHZ: O interessante do documentário é que vocês não ficaram restritos ao passado e conseguiram em pouco tempo sintetizar bem o que foi a cena, falando com algumas referências da cena, como Ricardo Batalha (Roadie Crew), Regis Tadeu e gente nova que vem representando como Julio Feriato e Fernanda Lira (Heavy Nation). Como surgiram os contatos e o que acharam da recepção dos mesmos sobre o documentário?
AR: Bem basicamente, o nosso foco foi tratar do cenário atual e não o do passado. Algo novo está surgindo. A cena está sim se movimentando. Os headbangers estão se movimentando e criando conteúdos. Não dá para ficar apenas em saudosismo. Queríamos fazer um retrato histórico atual. O Rodrigo foi o nosso “Relações Públicas”. Ele foi o responsável por batalhar, na maioria das vezes, para conseguir os contatos com os entrevistados. A recepção dos entrevistados, felizmente, foi 101% positiva! (risos) Ganhar elogios vindo de Júlio Feriato, Ricardo Batalha, Fernanda Lira... É algo que me deixou tão feliz que eu salvei e-mails e até tirei “prints” dos comentários positivos no Facebook! (risos) Isso é gratificante... É como se fosse um atestado te dizendo: “Vocês marcaram um golaço! Continuem assim.” O legal é que os próprios ajudaram na divulgação. Logo, ganhamos muitas visualizações do vídeo no YouTube graças a eles. A notícia do lançamento (em 25 de janeiro de 2014, em homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo) do “Metal SP” foi repercutida em vários veículos: Whiplash, Metal Samsara, Stay Heavy, Canal TV Aberta, Combate de Rock da UOL, Double Blog, New Horizons Zine...

FC: Em um primeiro momento tínhamos nomes e não sabíamos como entrar em contato. As primeiras entrevistas tiveram um longo intervalo. Entretanto, após entrevistar nomes como Ricardo Batalha e Maurício Java as coisas ficaram mais fáceis pelos contatos que eles nos deram. Aliás, a maior parte dos entrevistados se conhecia, o que comprova a solidez da cena na cidade. A minha impressão foi muito positiva em relação à receptividade dos entrevistados. Todos ficaram animados e ansiosos para saber como o projeto ia ficar.

RP: A maioria foi bem receptiva. Alguns mais difíceis de conseguir contato (assessoria não responde, não possui facebook / twitter pessoais, etc), porém muitos foram por meio direto. Batalha, por exemplo, respondeu os e-mails e logo marcamos um local / horário para gravar. Em geral, todos foram bem solícitos.

For headS com Régis Tadeu
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NHZ: Após as entrevistas, mudou alguma coisa em relação aos entrevistados? A admiração virou algo negativo?
AR: Pra mim, nada mudou. Continuo admirando o trabalho de cada um dos entrevistados. É algo até engraçado, pois a sensação que tive foi a de segurança, já que ao invés de surtar com a presença dos entrevistados, eu me senti como se já os conhecesse! (risos) A diferença é que agora eles estavam em 3-D ali na minha frente. (risos) Conversei com o Ricardo Batalha sobre a Roadie Crew em off, demos risada com Júlio Feriato, Fernanda Lira e Amilcar, debati com Régis Tadeu e até tomamos café da tarde com o Edu Falaschi (risos)! A imagem de ídolos intocáveis que nunca cultivei continuou não existindo e, provavelmente, não existirá. Essa “frieza” minha até me surpreendeu. Não me olhava com um apenas um fã entrevistando um ídolo. Eu me via como um jornalista entrevistando outro profissional. Mas destaco dois casos distintos em particular... Quando fomos entrevistar o Régis Tadeu, novamente, não gerei expectativa, mas deu para perceber que meus companheiros de grupo estavam interessados em saber se o Régis era mesmo aquele “personagem” amargo da TV. A sinceridade dele foi algo que sempre admirei e é isso o que faz ser diferenciado com crítico. Aprendi muito com ele quando fomos até o condomínio onde mora. Minha admiração por ele aumentou um pouco, sim. É provavelmente, o meu maior ídolo neste meio do Jornalismo Musical. O lado negativo foi que um dos entrevistados se portou visivelmente de uma forma fria conosco. A sensação é que ele estava pensando: “Tá... Vamos acabar logo com isso que eu tenho mais o que fazer...” Apesar disso, a entrevista foi muito boa, porém ela para por aí... Quero contar todas as histórias dos bastidores do processo de construção do documentário em um livro. Tem muita coisa boa e cômica ali! Ah!... Tenho que confessar, porém, que ao final da entrevista com o Falaschi eu peguei um autógrafo (risos)!

FC: Entre os três integrantes eu sou o mais afastado do gênero, por isso das entrevistas acabei tirando minha primeira impressão dos personagens que entrevistamos e ele foi positiva em todos os casos.

RP: Ao contrário. Confesso que, no caso de alguns entrevistados, conhecia superficialmente. Antes das entrevistas, nós pesquisávamos sobre os cantores e jornalistas, e isso me mostrou bandas e trabalhos que eu desconhecia.

For headS com Bruno Sutter
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NHZ: Em documentários, a parte mais tensa é a edição, pois há muita coisa boa que, devido ao tempo, não aparece da devida forma ou é limada. Houve  algumas partes que foi muito triste ter de deixar de fora?
AR: Felizmente, este sentimento de perda não ocorreu, pois desde muito cedo eu já tinha combinado com o Rodrigo que o documentário seria lançado com a marca For headS. Logo, a ideia era de que após o lançamento do “Metal SP” na internet eu irei também lançar as entrevistas de forma avulsa com materiais inéditos, como se fosse uma banda lançando faixas bônus ou o conteúdo não utilizado para o álbum oficial (risos). Aos poucos estou conseguindo publicar estes materiais. Tem muita coisa boa também ali. Aos curiosos, inscrevam-se no nosso canal no YouTube e curta a nossa fan page no Facebook para não perderem as novidades.
FC: Nós sabíamos que o documentário tinha um limite de 24 minutos desde o início, por isso tentamos realizar entrevistas mais diretas e focadas justamente para evitar tanto material extra. Obviamente acabamos com muita coisa de qualidade que não pode ser usada. Mas não há como ficar triste já que todo o conteúdo que ficou de fora será exibido por meio do For Heads, que o Afonso Rodrigues vêm tocando muito bem.

For headS com João Messias Jr.
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NHZ: Como foi a apresentação do trabalho para a banca? O que a banca e convidados acharam de For Heads?
AR: A sensação de escutar a palavra “aprovados” é sensacional... Uma coroação. Passamos por alguns problemas técnicos na hora da banca. No caso, os entrevistados que aparecem com microfone (Alex Rangel, Bruno Sutter e Ricardo Batalha) estavam mudos no vídeo. Após o momento de tensão, conversei com o pessoal da parte técnica de vídeo da faculdade e o problema foi resolvido, porém alguns internautas ainda reclamaram deste mesmo problema na net. Enfim, a banca foi uma oportunidade única(risos)! Ao invés de me sentir amedrontado, estava muito relaxado afinal era o melhor tema possível pra mim. Pude me sentir como uma espécie de professor de eavy Metal ao explicar para a banca as diferenças entre subgêneros no mesmo. (risos) Parecia que não era uma banca... Eu falando e defendendo o Metal na minha banca final de graduação em jornalismo... Isso é algo que sempre lembrarei e destacarei na minha vida. Eles gostaram do “Metal SP”. Afirmaram que ao invés de queremos “abraçar o mundo” e falar do gênero como um todo resolvemos falar apenas do cenário da cidade de São Paulo. Outro ponto positivo de destaque foi o de “quebra de estereótipos”. Um dos professores se surpreendeu com a postura do público ao ver o tamanho, a diferença de idade e sexo: “Na cena da fila (em referência a nossa cobertura ao show do Black Sabbath) estavam todos tão felizes que pareciam que estavam indo â um parque de diversões”. A ideia do prosseguimento do projeto com o veículo For headS também foi elogiado principalmente quando disse que a proposta era a de criar conteúdos que fossem tão bons que qualquer pessoa pudesse querer ver, independente se é super fã de Metal. Que seria algo mais leve, aberto e didático.

FC: Acredito que conseguimos na banca o melhor cenário possível para tal evento: os professores e o público estavam aprendendo sobre o assunto. Ter a oportunidade de apresentar um tema como o heavy metal para pessoas que não conhecem tanto (situação que eu vivi durante a produção) é recompensador. Nos faz pensar que atingimos o objetivo de um trabalho de conclusão de curso, que é justamente produzir conteúdo acadêmico de qualidade que proponha um debate.


RP: Excelente! Alguns entrevistados estiveram presentes e a banca adorou. Um comentário de um convidado que não vou esquecer foi "não pensava que este era um cenário tão rico. Preciso conhecer mais".

Na próxima semana colocaremos a segunda parte desta entrevista

20 de maio de 2014

ALIANCA HEADBANGER: A PRIMEIRA DE MUITAS EDIÇÕES

Edição de estreia do evento foi realizada no 74 Club, em Santo André e contou com as bandas Forkill, HellArise e Necromesis

Por João Messias Jr.

Forkill
João Messias Jr.
Em uma entrevista, o saudoso Ronnie James Dio disse que as bandas de sua época faziam de tudo para sair dos pequenos clubes e quando fui fazer essa resenha justamente essa matéria me veio na lembrança. Entendo os pontos de vista do saudoso baixinho, pois assim como num emprego, todos querem crescer e se estabelecer. Por outro lado, se não houver os devidos cuidados, o calor humano, a espontaneidade e a energia vão para o vinagre e a coisa acaba virando um emprego comum, em que muitas vezes você está nele apenas pela grana.

Por essas e outras, que apesar de cobrir shows maiores, algo que me motiva e dá prazer são os eventos pequenos e bem organizados, que nos fazem ver de forma clara e sincera que a base da cena está firme e forte, contrariando as pessoas que  dizem que o rock morreu. E um desses eventos que embora novos, como o Aliança Underground, que em sua primeira edição mostrou promissores valores da música pesada. Fruto de uma parceria entre a Warlock Produções e a Ataque Extremo, o festival e realizado no 74 Club, reuniu neste último sábado (17) as bandas Forkill, HellArise e Necromesis, este último responsável pelo pontapé inicial da festa.

Necromesis
João Messias Jr.
Conhecidos do público, Mayara Puertas (voz), Daniel Curtolo (guitarra e voz), Gustavo Marabiza (baixo) e Gil Oliveira (bateria) fizeram o que o público queria: um death metal variado, com nuances do technical, progressivo e partes brutais, evidenciados nos vocais de Mayara. Todas essas características podem ser notadas em The Life is Dead, que faz parte do novo EP do grupo, Echoes of a Memory. 

Com sua discografia se tornando mais extensa, a trupe não se esqueceu dos sons mais antigos e mandaram Building An Underworld e Demonic Source, esta da primeira demo, The Dark Works of Art, todos muito bem recebidas pela galera, formada por sua maioria amigos e conhecidos, o que é interessante e válido, pois não adianta nada você tocar bem e ser estúpido e arrogante com o público.

HellArise
João Messias Jr.
Já eram quase 21h quando a HellArise subiu ao palco. Após um período de incertezas devido às mudanças de formação, as remanescentes Flávia Morniëtári (voz) e Mirella Max (guitarra e backings) agora estão acompanhadas por Kito Vallim (baixo), Felippe Max (bateria) e o guitarrista convidado Diogo Rodrigues. Comemorando o lançamento da versão física do EP Functional Disorder, viabilizado pelo crowdfunding, mostrando que ainda sim o poder está em nossas mãos por meio dos financiamentos coletivos.

A banda, sem cerimônias e rodeios, mandaram o melhor do death/thrash sons do EP, como More Mindless Violence, More Than Alive e I don’t Belive, todas pesadas, fortes e intensas, com um plus. Pois o que você ouve no EP, ouve ao vivo, sem truques e maquiagens. O set contou com uma versão de Violent Revolution (Kreator), a faixa-título do disquinho, que une com harmonia o peso do thrash com as harmonias do metal tradicional. A grooveada Human Disgrace e Rest In Pieces (Good Old Feeling), essa com um belo trabalho das guitarras, cujos solos se aproximaram do hard rock. Agora é torcer para que finalmente as coisas aconteçam para o grupo, pois já o fazem por merecer.

Forkill
João Messias Jr.
Faltando dez minutos para às 22h, o Forkill mostrou o porquê de serem considerados um dos melhores grupos de thrash no Brasil. Joe Neto (guitarra e voz), Ronnie Giehl (guitarra), Gus “Guzzy” NS (baixo) e Mark Kosta (bateria) fazem um thrash agressivo e energético, soando como uma versão atualizada das bandas da Bay Area com um diferencial nas vozes, que possuem muito de Tank e Motorhead, o que casou bem aqui. Com um álbum devastador na praça, que recebe o nome de Breathing Hate, os caras não tiveram dó dos pescoços (e almas) dos presentes e mandaram sons como Vendetta, a faixa-título e The Joker, que infelizmente contou com alguns problemas na guitarra de Ronnie. Sanado o imprevisto, mandaram mais sons, como a slayerizada Wardance e as inéditas Old School e Let There Be Thrash, que mostram que não apenas a pegada fora mantida, mas ainda mais agressiva.

Os caras encerraram a noite com a “antiga” Brainwashed” e uma versão mais rápida e agressiva para Seasons In The Abyss (Slayer), que contou com o final de Raining Blood, fechando essa primeira edição do evento, que teve um balanço positivo, com bom público, som audível para os presentes e grupos de qualidade. Evidências presentes no evento, que promete soltar a segunda edição em breve.

14 de maio de 2014

SOUTH AMERICAN VOICE: OS GUERREIROS NÃO PERDERAM A PEGADA, TAMPOUCO A FÚRIA

Projeto reúne músicos de grupos renomados na cena hardcore como Ratos de Porão, Ação Direta, Paura e Sociedade Armada

Por João Messias Jr.

South American Voice
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Interessante quando surgem bandas e projetos formados por músicos das antigas, como o S.A.V. (South America Voice), pois nesse caso o som remete o ouvinte para a música que consagrou a maioria dos envolvidos aqui: o hardcore. Capitaneado pelo guitarrista Zé Flavio (Vulcano, Psychic Possessor, Sociedade Armada e Safari Hamburgers), que gravou as músicas em 2003, reúne ícones da cena nacional como os vocalistas João Gordo (R.D.P.), Fernando (Sociedade Armada) e Fabio Prandini (Paura), o disco , que recebe o emblemático nome de Bem Vindo Ao Nosso Velho Mundo Novo, apresenta 13 faixas com fortes referências ao punk/hardcore dos anos 80, que de diferente possui apenas a qualidade da produção e gravação.

Os Donos do Poder, cantada por João Gordo, é um irresistível punk 77 com um refrão irresistível. Já Diário de Um Adolescente mostra uma extensão vocal diversificada de Fabio Prandini, assim como Exodo e Lutar, essa última mais cadenciada e pesada.

Paz e Amor, cantada por Gepeto (Ação Direta) é um dos pontos altos do trabalho, pois a canção recebe enxertos ska, o que deixou o que já era bom ainda melhor. Aiô Silver é mais hardcore e Ignorância no Olhar é a mais diferente do trabalho, com partes mais pesadas e cadenciadas, essa também a cargo de Gepeto nas vozes.

Bateu Levou, vociferada por Fernando,  é perfeita para os palcos e a faixa-título é um HC direto com um discurso interessante intercalado em meio a pancadaria. Mais Justiça Social encerra com chave de ouro o trabalho, esbanjando energia e contrastes interessantes de voz, tudo regado com um jeitão punk street.

Um disco que apesar dos destaques, é uniforme, honesto e que mostra perfeitamente como o punk/hardcore é, sem tendências e modismos.

13 de maio de 2014

PAST UNDONE: NEM SÓ DE MOONSPELL VIVE O ROCK PORTUGUÊS

See You Tomorrow, segundo EP de quarteto lusitano, aposta na mistura de rock, metal, jazz e música clássica

Por João Messias Jr.

See You Tomorrow
Divulgação
Iniciar o título com esse clichê pode espantar o leitor de querer saber das linhas abaixo, mas propositalmente resolvi colocar essa frase, pois evidencia algo semelhante o que ocorre tanto em Portugal quanto em sua antiga colônia: os fãs não procuram conhecer outros grupos, apenas as que aparecem nas grandes mídias metálicas.

E lá da terra do Cristiano Ronaldo aparece por aqui o grupo Past Undone. Formado por André Reis (guitarra), Liliana Boaventura (baixo), Sara Henriques (voz e teclado) e Vitor Dantas (bateria), apresentam em seu EP, See You Tomorrow uma mistura curiosa que abrange jazz, rock, metal e sinfônico, que apesar de alguns tropeços atinge seus objetivos.

A faixa-título que abre o trabalho, possui uma atmosfera melancólica e ganha passagens elegantemente pesadas no final. Já a longa Time to Pray começa como um AOR, mas em seu decorrer ganha grooves e um excelente trabalho de bateria. Talvez se fosse mais curta, teria mais impacto, em especial pelos solos e pelos vocais de Sara, que soam como uma mistura curiosa entre Patrícia Tapia (KHY, Mago de Oz, ex-Nexx) e Liv Kristine.

Time to Pray, que encerra o trabalho, começa com arranjos mais intrincados e a que melhor encaixou o som proposto pelo quarteto, inclusive nas partes mais sombrias e pesadas, em que as referências do jazz aparecem.

Em resumo, há algumas coisas que podem ser melhoradas, assim como a arte da capa, mas como se trata de um EP, creio que o próximo e vindouro trabalho trará resultados ainda melhores.