15 de setembro de 2016

PESADO, MODERNO...E PROFISSIONAL

Sexteto paulista combina uma explosão de ritmos a uma sonoridade moderna no EP "Insurgência"

Por João Messias Jr.

Insurgência
Divulgação
Com a explosão de lançamentos que ocorrem a todo instante, é necessário fazer alguma coisa que seja diferente do que anda caindo nas prateleiras de discos ou plataformas digitais. Fica aquela pergunta...o que fazer? 

Criar um novo conceito sonoro é algo complicado, visto que temos uma infinidade de estilos por aí. Talvez a grande sacada seja apresentar um trabalho que, além da competência musical, deve possuir um acabamento profissional e uma produção impecável. Caminho seguido pela banda Rebotte, aliou todas as opções citadas neste parágrafo.

Livia Almeida (voz), Vitor Acácio (guitarra), Bruno Abud (guitarra), Robin Gaia (baixo), Ellen War (bateria, Sinaya) e Santiago Soares (sampler) fazem uma sonoridade moderna, que agrega elementos do Thrash Metal, Hardcore e Metalcore, que agradará fãs de bandas como Suicide Silence, Lamb of God, Slayer, Slipknot e até traços de Nine Inch Nails e Ministry, que torna a música dos caras (e minas) atraente, jovial e bem pesada.

Das quatro músicas do trabalho, visto que Insurgência é uma introdução, as composições variam entre o peso, groove, vocalizações que alternam entre os guturais, limpos e gritados. Os destaques vão para Cicatrizes, cujo jogo de vozes é bem combinado com o instrumental. Outro ponto alto fica por conta de Discórdia, que apesar de manter o clima pesado e caótico, é dona de uma carga mais densa e carregada. Mas o trampo da banda merece ser ouvido de ponta a ponta. Até porque as músicas são curtas, o que foi mais um ponto acertado pelo grupo.

E tem mais...o material gráfico é de primeira. CD prensado, capa bonita, encarte, embalagem digipack, tudo caprichado, o que faz com que o fã de música pesada queira ter o trampo em sua coleção após ver os shows.

Parabéns ao Rebotte por se preocupar com todas as etapas da criação de um disco!

5 de setembro de 2016

O PODER DE SURPREENDER

Trio paulista reúne com maestria elementos do Death e Thrash metal no EP "Rot In Pieces"

Por João Messias Jr.

Rot In Pieces
Divulgação
Muitas vezes, por sermos mais velhos e vividos, achamos sempre que nada nos surpreenderá, afinal,"já vimos de tudo" e com a música pesada não é diferente. Nesse mundo das resenhas de álbuns, nos deparamos com trabalhos excelentes e outros que precisam aprimorar algo.

Hoje o dia foi de comemorar, pois ao colocar o EP de estreia do Rotten Pieces acabei me surpreendendo por demais. Primeiro, ao olhar a arte da capa (feita por Maurício Reguffe) sugere algo voltado ao Death mais "casca grossa" e a grata surpresa é que estamos diante de um grupo que embora tenha elementos do metal da morte, tem os pés fincados no Thrash Metal, o que garante uma música que ao mesmo tempo é técnica e precisa, é quente e empolgante.

As seis músicas do disquinho chamam a atenção pela coesão, peso e pelas passagens trabalhadas, que aqui são usadas para o bem da música. Passagens que possuem alguns diferenciais...a bateria de Davi Menezes, que apesar de pesada e cheia de groove, recebe influências de outros estilos. Já as seis cordas de Lucas Putini fogem dos clichês, com uma influência bem vinda de Andreas Kisser (Sepultura), o que dá um sabor diferente nas canções. Como na primeira faixa, Rot in Pieces, que fica mais abrilhantada graças aos vocais "obituarísticos" de Leo Morales, também baixista.

Hell Soldier, é dona de muitas quebradas, Já The Refuge of Suicidals é mais agressiva e com belos solos. Blood for Freedom tem o pique thrash e vocais quase vomitados. Ainda falando desse som, os solos são pra lá de empolgantes, numa veia quase NWOBHM, que mostra que buscar outras referências só faz bem para a música.

Pure Words é mais agressiva com uma ponte/refrão feita para cantar e erguer os punhos. Colony inicia de forma mais puxada para o Death tradicional, mas descamba para o Thrash sem cerimônia, encerrando com o astral na estratosfera este belo trabalho.

Essa é a graça da vida, por mais experientes que somos, alguém sempre acaba nos surpreendendo!

2 de setembro de 2016

A MELHOR CENA DO THRASH ESTÁ NO BRASIL

Novo trabalho da banda paulista é mais uma prova da competência das bandas nacionais

Por João Messias Jr.

Web of Lies
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Vai parecer chato, coisa de resmungão e tal, mas a verdade é que há momentos que enche o saco a falta de interesse da classe headbanger em conhecer as bandas do seu próprio país. Shows, discos, DVDs, documentários e aparições em programas da web e TV aberta/fechada não são suficientes para abrir a cabeça destes seres.

E de uns dez anos pra cá, o capricho não fica restrito as músicas. O segundo álbum do quarteto paulista Ancesttral mostra que o conjunto da obra (músicas, produção e acabamento gráfico) veio pra ficar, fazendo deste trabalho, um dos melhores discos de Thrash/Heavy do ano!

A produção, feita por Paulo Anhaia (Wizards, Tuatha de Danann, Resgate) permite que se ouça tudo com clareza, mas com jeitão de "disco de rock", deixando que os músicos e suas excelentes músicas brilhem. A arte da capa é um espetáculo, mostrando conexão com o título dado ao álbum e ao primeiro álbum, The Famous Unknown.

O álbum abre com a conhecida What Will You Do. Conhecida do público, é o hit do trabalho, com um refrão e riffs que colam de primeira. Massacre, é mais pesadona, com vocais discursados e cheia de groove. Enquanto Threat to Society é mais cadenciada, além de bater aquela vontade de pegar o encarte e ver as letras.

E o mais legal de tudo é que o nível continua alto no decorrer da audição, Fight é aquela que te faz apertar o repeat diversas vezes, de tão grudenta. A faixa que nomeia o trabalho é dona de um peso absurdo enquanto Subhuman retoma o lado grudento com louvor. Ainda sobre essa faixa, a letra foi escrita em parceria com a volcalista da HellArise, Flavia Mornietari.

A bolachinha se encerra com uma versão diferente para What Will You Do?, encerrando com o astral nas alturas, mostrando o excelente momento vivido pelo metal nacional nos últimos quinze anos. Com trabalhos que além de músicas excelentes, apresenta projetos gráficos fabulosos e produções que não devem em nada as feitas no exterior.

Alexandre Grunheidt, Renato Canônico, Leonardo Brito e Denis Grunheidt merecem todos os elogios recebidos pelo trabalho que contou com muito trabalho, esmero e tesão pela música que fazem!

Se você se empolgou com a musiquinha nova do Metallica, se apaixonará pelo novo trabalho do Ancesttral, que supera o que a turma do Lars Ulrich vem fazendo de goleada!

Thrash Metal do Brasil!

29 de agosto de 2016

TEMOS MUITO O QUE COMEMORAR

Mestres do Death Metal retornam de forma triunfal com o novo álbum The Hell's Decrees

Por João Messias Jr.


Para aqueles que tem quatro décadas de vida, ou estão chegando lá, se lembrarão dos primórdios do

Death Metal aqui no Brasil e de bandas como Strangulation e Blessed, que por aqueles famosos "motivos não identificados e justificados" não obtiveram o reconhecido merecimento.

Enquanto não ouvimos nada sobre o primeiro, o segundo, embora não exista mais, teve em sua formação membros que hoje formam o Rebaelliun, que após 14 anos inativo, retomou as atividades e lançou recentemente seu terceiro álbum, chamado The Hell's Decrees.

Muito mais que um novo trabalho, a bolachinha não é apenas o melhoR do quarteto, que conta hoje com Lohy Silveira (voz e baixo), Fabiano Penna (guitarra), Ronaldo Lima (guitarra) e Sandro Moreira (bateria). Embora tenha as bases no Death Metal, graças ao nível musical de seus integrantes, foge facilmente de todas as armadilhas do estilo, como o exagero de 'blast beats' e riffs quebrados e repetitivos. Impressão reforçada pela duração do disco, pouco mais de meia hora, o que possibilita escutá-lo diversas vezes sem enjoar.

Eu não tenho a certeza porque não perguntei aos caras, mas a impressão deixada é que o ouvinte lembre de todos os detalhes que o envolvem. Começando da arte da capa feita por Marcelo Vasco (Machine Head, Slayer), que é marcante, além de todas as etapas do processo de produção, que deixou o som limpo, pesado e claro.

As três primeiras faixas, Afronting the Gods, Legion e The Path of the Wolf são grudentas e cheias de detalhes, além de bem vindas influências do Thrash Metal. Já Fire and Brimstone é quase Doom, graças ao clima mais lento e carregado. A porradaria retorna em Dawn of Mayhem e Rebellion. 

O pique mais marcante fica por conta dos riffs quase hipnóticos de Crush the Cross e seu clima de desespero, que fica mais evidente graças a algumas guitarras mais arrastadas. O encerramento com Anarchy (The Hell's Decrees Manifesto) é de total 'bate cabeça', mostrando que os caras continuam fazendo sons mortíferos, com direito aquele famoso 'UH' , que ficou famoso com Tom Warrior (Triptykon, ex-Celtic Frost).

O lance é torcer para que seja apenas o primeiro desse tão aguardado retorno e que ele coloque a banda no topo do Death Metal mundial, pois musicalmente estraçalha a maioria dos materiais que foram lançados nos últimos quinze anos, pelo menos.

25 de agosto de 2016

SABEM O QUE QUEREM

Cariocas apostam num Rock and Roll que alterna climas densos, pesados e com muitas variações

Por João Messias Jr.

Sem Juízo
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É gostoso, prazeroso e gratificante quando chega em sua casa trampos em que você vê que houve a preocupação no pacote completo. Como o álbum dos caras da Moby Jam. Os caras fizeram a lição de casa, com uma capa bonita, embalagem no estilo paper sleeve e uma boa produção, clara e definida.

Quando colocamos a bolachinha para rodar, percebemos como os caras são bons em seus instrumentos. Sem firulas e viagens desnecessárias, Marcelo Vargas (voz, guitarra e violão), Elson Braga (baixo), Augusto Borges (bateria) e a colaboração de Marcelo Pombo (teclado e piano), destilam um Rock and Roll que passeia entre o grunge, progressivo e o pop. De forma quase homogênea, as músicas entram fácil na cabeça do ouvinte, pois são gostosas de ouvir, como a trinca inicial formada por Purpurina, Sol e Chuva Ácida.

Eu disse quase homogênea né? Pois bem, as faixas Brilhar A Minha Estrela - Da Mais Um (Vid & Sangue Azul) e O Vôo quebram o clima do disco por serem diferentes. A primeira por misturar Reggae e Rock e a segunda por ser mais Pop. Nada contra misturar estilos, mas a verdade é que na ordem do disco elas não funcionaram.

A coisa volta aos eixos com a faixa titulo, um rockão cheio de energia e intensidade que cativa todos os fãs de boa música, encerrando o disquinho com positividade e apesar de tudo de forma satisfatória.

Uma banda que sabe o que quer, mesmo com a escorregadinha na metade do disco.

25 de julho de 2016

DEFINITIVO

Novo álbum do trio tem tudo para ser lembrado como um dos clássicos do Thrash Metal atual

Por João Messias Jr.

ALieNation
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Apesar de "Order of Chaos" ter sido uma bela apresentação do trio, é "ALieNation" que será o disco candidato a clássico dos caras do Blackning. Depois de uma ótima aceitação do debut, Cleber Orsioli (guitarra e voz), Francisco Stanich Jr. (baixo) e Hellvis Santos (bateria) não quiseram ficar na boa impressão e mostram ao público de música pesada um trabalho pesado, consistente e recheado de músicas foda.

O que foi dito  linhas acima não é aquele lance de fazer média por conhecer os caras do grupo, pois aqui tudo foi feito com esmero. Ao começar da apresentação gráfica, formato digipack, uma capa  que mescla o choque e introspecção, a cargo de Marcus Zerma. A gravação ficou muito boa, privilegiando os timbres de cada instrumento, permitindo que os músicos brilhem em suas funções. Impressão que fica realçada graças a excelente masterização, feita no Absolute Master.

As canções? Ao mesmo tempo que estão na mesma pegada do debut, elas mostram mais agressividade e técnica, com destaque para as seis cordas, que mostram as caras logo na faixa de abertura, Street Justice. Porém, em todas as faixas momentos que beiram o virtuosismo estão presentes.

Outros destaques ficam por conta da agressiva Thru the Eyes, a feita para bangear Mechanical Minds, Dyed In Blood, dona de belas linhas de baixo, a agressiva Devil's Child, que conta com a participação de Lohy Silveira (Rebaelliun) e o hardcore curto e grosso de Corporation, que tem nos vocais André Alves (Statues on Fire, ex-Nitrominds).

Enfim, como eu disse lá no início, "Order of Chaos" foi um ótimo começo, mas o candidato a clássico do grupo tem tudo pra ser "ALieNation".

E antes que eu me esqueça, a citada Street Justice já é um novo hit do Thrash nacional, figurando ao lado de clássicos como Evolustruction (Woslom), No Way Out (Necromancia), Straight to the Point (Overdose) e Dirty Bitch (MX).

7 de julho de 2016

HANGAR APRESENTA NOVO ÁLBUM PARA IMPRENSA E CONVIDADOS

Quinteto gaúcho apresenta novo disco para imprensa e convidados em evento realizado na capital paulista

Por João Messias Jr.

Aquiles Priester
João Messias Jr.
"Se vocês não gostaram do disco não tem o porque a gente fazer show. Porque se não gostou nem do disco você também não vai ao show. Vocês estão realmente curiosos pra ter uma ideia da sonoridade desse disco, qual foi o caminho que a banda seguiu desta vez, vocês estão curiosos?"

Pode-se dizer que com essas palavras do baterista Aquiles Priester teve início a coletiva do lançamento do álbum "Stronger Than Ever", novo trabalho da banda Hangar, realizada no dia 15 de junho, na EMT (Escola de Música e Tecnologia), na capital paulista.

"Stronger Than Ever", que será lançado no dia 22 de julho, é um trabalho que deixou muitos fãs ansiosos, pois em meio a mais uma troca de vocalista e a saída repentina do guitarrista Eduardo Martinez, um hiato ficou na cabeça daqueles que acompanham a banda.

Para espantar esses fantasmas, nada mais justo do que uma audição do que a banda tem para mostrar e uma coletiva de imprensa. Embora este último se realizou de uma forma diferente. Com o baterista chamando membro a membro e fazendo uma pergunta a cada um, o que talvez tenha frustrado alguns fãs que tenham preparado questões. Mas que valeu por fugir do habitual.

O que foi algo muito bem pensado, como as declarações do tecladista Fabio Laguna. "A gente passou por altos perrengues, muitas glórias, muitos tombos, nessa estrada dos quinze anos de banda. Então é realmente porque estou aqui hoje, me sinto bem e feliz. Isso vai além de grana e tudo mais."

Hangar
João Messias Jr.
O vocalista Pedro Campos contou um pouco do que conheceu a banda e do momento pessoal que estava passando. "Eu era muito fã do Aquiles". "Quando eu entrei na banda, em 2012 eu estava na pior fase da minha vida, eu larguei a música. Eu não quero mais, chega, não quero mais. Liguei para um amigo meu e pedi um trabalho."

E assim foi um a um sendo apresentado e falando sobre situações e significado do Hangar para cada um.

O disco

Não há dúvidas que "Stronger Than Ever" seja o disco mais ambicioso do quinteto. Dono de uma produção cristalina e músicas variadas e agressivas, tem tudo para agradar os fãs do grupo, em especial a fase "The Reason of Your Conviction", de 2007.

Os destaques ficam por conta das mudanças de andamento de Reality Is a Prision", a moderna Forest of Forgotten e Beauty in Disrepair, dona de climas que vão do prog ao extremo. Porém, o trabalho é uniforme e ganha o fã fácil fácil.

Uma menção especial fica por conta da balada Just Like Heaven. Uma balada que mostra que as melodias não foram deixadas de lado e que tem tudo para angariar fãs de outras vertentes musicais. 

Nem tudo foram flores

O evento foi marcado por alguns contratempos. O primeiro foi quando o microfone de Aquiles falhou logo no início do evento. 

Após a resolução do problema, quando Aquiles estava para chamar o segundo integrante, soltou a seguinte frase destinada para alguém da platéia: "Você pode desligar por favor. Desliga e me mostra. Ele não quer desligar, tá vendo?" "Desligou, obrigado."

Uma situação desconfortável, onde o músico teve a atitude correta, embora de uma forma mais rispida. Talvez uma abordagem mais leve deixasse as coisas mais confortáveis.

Num dos momentos que o vocalista Pedro Campos falava, foi interrompido pelo pessoal da escola, que avisou que a mesma fecharia às 21h30, passando a impressão que nem a EMT, nem a banda estavam em sintonia.

Apesar disso, foi uma noite que fez com que cada fã voltasse para casa com um belo sorriso na cara graças a "resposta" que a banda deu aos que duvidavam sobre o futuro do Hangar, cuja escolha do titulo "Stronger Than Ever" mostra que os caras continuarão por aí por muito tempo!