28 de agosto de 2015

TEMPLO DE FOGO: HONESTIDADE ACIMA DE TUDO

Sem invencionices, grupo de Itu aposta no heavy metal tradicional

Por João Messias Jr.

A Marca
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Não adianta técnica, capa e produção fodásticas se não houver honestidade e sinceridades,  elementos que bem combinados fazem com que determinados trabalhos se sobressaiam em relação aos outros, ainda mais numa época em que a cada hora temos um novo grupo apresentando seus álbuns.

Caso de “A Marca”, novo trabalho do grupo cristão Templo de Fogo. Natural de  Itu, o trio hoje formado por Moisés Missão (guitarra e voz), Fernando Miguel (teclados) e Zé Ronaldo (bateria), foge dos esquemas perfeitos e artificiais que temos hoje em dia, mostrando uma música orgânica, feita para os palcos e letras que .

Só que isso não é sinal de música tosca e feita de qualquer jeito. Alguns exemplos ficam por conta da empolgante Pela Manhã, além das pesadas Filisteus, Mundo Desigual, a  speed Nossa Força, além da épica Escolha, que aponta uma nova faceta do grupo.

É perfeito? Não, pois o trabalho da capa ficou devendo em alguns aspectos como a nitidez e não agradará a galera que curte um som mais moderno. Mas se for sua praia aquele metal raçudo com peso, melodia e vocais raivosos, é uma boa pedida!

25 de agosto de 2015

MALEFICARUM: BRUTALIDADE E SEGURANÇA

Quinteto cearense soa agressivo, seguro e coeso em novo trabalho, Trans Mysterium

Por João Messias Jr.

Não tem jeito, passam-se os anos e determinados estilos recebem novas referências e nuances musicais. A conseqüência disso é que eles acabam ficando anos luz de suas raízes. Quantas ramificações temos do heavy metal, hard rock?

E como todos sabem, não é de hoje que essa variação chegou ao black metal, que em seus primeiros tempos se caracterizava pela rispidez de nomes como Bathory e Venom. Décadas depois, vemos grupos que embora usem a mesma temática, flertam com estilos como o  ambient e o eletrônico, como o Mortiis, The Kovenant, entre muitos outros

Porém, é louvável quando deparamos com trabalhos como o Trans Mysterium, dos cearenses do Maleficarum. Formado por Lord Maleficarum (vocal), Incredolus (guitarra), Count Cemeluchus (guitarra), Nebulam (baixo) e Lucifugi (bateria), o grupo bebe na veia das bandas acima, mas com um tempero  brazuca a lá Sarcófago/Vulcano. Inclusive este último é homenageado com uma boa versão para Guerreiros de Satã.

A exceção da intro Ajagunã, o disquinho apresenta músicas ríspidas, que mesclam momentos cadenciados e partes para bater cabeça, como Aqueronte e Ragnarok. Outro belo momento é a agressiva Cruzada, que soa como um canto de evocação as crenças do grupo, que de forma direta passa a mensagem sem soar chato ou panfletário por sua causa.

Junto as canções que agradará aos fãs das vertentes mais agressivas do metal, o álbum recebeu um acabamento especial em digipack, o que o torna mais atraente e atiçará mais a vontade de tê-lo em sua coleção.

13 de agosto de 2015

FABIANO NEGRI: O RESGATE DO PASSADO

Novo álbum do vocalista mantém referências da música negra americana com um agradável tempero hard

Por João Messias Jr.

Maybe We'll Have a Good Time
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Fabiano Negri é aquele cara que dispensa apresentações. Com mais de duas décadas de estrada e trabalhos memoráveis ao lado de grupos como Rei Lagarto e Dusty Old Fingers, lançou este ano seu novo´álbum solo. Chamado de Maybe We'll Have a Good Time...For the last time, o trabalho possui traços do registro anterior, A Practical Guide to Throwing Money Away, mas com dois detalhes que fazem as diferem por totalidade.

O primeiro detalhe fica por conta da imersão do vocalista na música negra praticada nas décadas de 1950/1960. A consequência disso são músicas que primam pela introspecção sem soarem chatas como a deliciosa Real Woman, dona de guitarras limpas, a balada com cara de hit Any Blessing on my Soul, que também conta com os vocais sedutores de Caroline Blumer. In a Different Way é outro belo momento, num formato intimista voz e violão.

Já o segundo e mais marcante ponto do trabalho fica por conta dos sutis toques de hard (seria o vocalista se reencontrando com o passado) que permeiam aqui e acolá, que trazem músicas contagiantes como a faixa-título, Back to Hell (alguém lembrou dos Stones?), dona de uma percussão esperta a cargo de Marcelo Pereira.

Isso sem dizer no "grande encontro" desses momentos. A sublime Hey é um desses casos, onde mais uma vez as guitarras limpas são o chamativo. Assim como o encerramento com Enemies, que sintetiza como é o disco e soa como uma improvável mistura de Beatles e Enuff Z Nuff.

Potsdamer Platz talvez seja a mais diferente do trabalho. Dona de um clima denso e melancólico ela transmite uma sensação perturbadora  que fica mais evidente graças ao uso bem colocado dos teclados.

Mas não fica só nisso. O trabalho tem o suporte de uma produção bem feita, em que se ouve todos os instrumentos de forma nivelada, encarte simples e caprichado. Fatores que fazem de Maybe We'll Have a Good Time...For the Last Time uma boa pedida pra você que acha que as novidades ficam restritas aos programas de TV aberta.

8 de junho de 2015

VIA 33: SOBREVIVENDO AS MUDANÇAS

Apesar das trocas de integrantes, quinteto de rock católico mantém o pique e mostra sonoridade renovada com os olhos no futuro

Por João Messias Jr.

Tua Presença
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A Via 33 não será nem a primeira, tampouco a última banda a passar pelo traumático processo das trocas de integrantes, dentre elas, a do vocalista Jonny, que era a marca registrada do grupo. Felizmente, ao invés de reclamarem os remanescentes Paulo Marcio (guitarra), Adriano Reis (baixo)  e Willian Benincasa (teclados) foram a luta e buscaram os caras certos para continuarem o legado.

A nova Via, agora reforçada por Denilson Rufino (bateria) e o  JP Fresleben (voz) soltou neste ano de 2015 seu terceiro trabalho de estúdio. Batizado Tua Presença o disquinho apresenta uma banda disposta a trilhar o seu próprio caminho, sem olhar para o passado.

Musicalmente não fugiram do pop/rock, mas o novo trabalho apresente uma sonoridade mais madura, com todos os instrumentos jogando em favor da música, sem virtuosismos. Assim temos um trabalho praticamente uniforme, como nas primeiras faixas, Marca Profunda, que apresenta climas densos de teclado, aliada a um ótimo refrão. Esperança e Quando Tocas em Mim são baladas conduzidas por teclas e loops, com destaque para a última. Graças a ótima interpretação de JP, com seu timbre de  voz  natural, mostra que foi a escolha certa para essa nova fase do grupo, mesmo com algumas escorregadinhas aqui e ali.

O peso fica por conta da faixa título, que conta com swing e groove bem dosados, enquanto Fidelidade é mais alegrinha, ideal para os momentos de louvor. Já Dez motivos, a saideira do trabalho tem uma energia bacana, alternando momentos pesados com climas leves e vocais isolados que somados contagiam fãs e não fãs do estilo.

Aos fãs da antiga formação, uma espécie de despedida fica por conta da intimista Recomeçar, que é um daqueles momentos simples e singelos, que nos faz por um minuto, independente de sua crença pensar em muitas das coisas que fazemos na vida.

Renascer das incertezas faz parte do jogo da vida e a Via 33 é mais um número desta estatística que é possível recomeçar e fazer música boa!

29 de maio de 2015

NANDO MORAES: A LEVEZA DA MÚSICA INSTRUMENTAL

Guitarrista paulista confirma o bom momento dos músicos das seis cordas no Brasil

Por João Messias Jr.

Ignited!
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Chega a ser absurdo o que a nova geração de guitarristas brasileiros vem mostrando em seus álbuns. Além da musicalidade acima de qualquer suspeita, conseguem a proeza de não soarem chatos e cansativos. Ao lado de caras como Wagner Gracciano, Wael Daol e Walsuan Miterran, o paulista Nando Moraes confirma essa crescente.

Conhecido por ter feito parte do Lethal Fear, o músico soltou recentemente o primeiro álbum solo, Ignited, que apesar de ser inteiramente dedicado a música instrumental, conseguiu a proeza de fazer uma música leve e agradável aos ouvidos, fazendo da audição do disco, uma tarefa agradável e prazeroza.

Tendo como base a introspecção, "Ignited!", possui uma produção limpa e quase pop, que privilegia todos os instrumentos, além de ser um trabalho que se consegue ouvir de ponta a ponta por diversas vezes. Todas as músicas são dignas de elogio, desde o piano bem marcado de Once In A Shuffle Time, a pesada The Voyager e introspectiva Here It Comes, The Machine. Nem é preciso dizer que o carequinha toca muito e vai agradar fãs de caras como Satriani e Edu Ardanuy (Dr. Sin)

Só que o momento "para tudo" fica por conta da faixa que nomeia o disco, pois ela possui andamentos quebrados, quase progressivos e alia momentos que nos puxam para as melhores fases de grupos como Queensryche e Fates Warning.

"Ignited!" é mais uma evidência do ótimo momento vivido pelos guitarristas brasileiros, além de ser uma ótima dica para recarregar as energias após as tribulações do caos urbano.

25 de maio de 2015

SEU JUVENAL: "O ROCK NASCEU ERRADO, MAS NOS ÚLTIMOS TEMPOS ELE PERDEU SUA ESSÊNCIA"

Para muitos fãs de rock/metal, o estilo deixou um pouco de lado a sua espontaneidade e rebeldia, dando lugar a uma postura quase etérea e zen. Embora essa parte mais intelectual proporcionou aos olhos e ouvidos muitas coisas boas, é louvável ver e ouvir grupos que investem pesado no lado da atitude. Como os mineiros do Seu Juvenal apresentam em seu terceiro trabalho, Rock Errado, lançado em 2015. Numa salada que envolve rock, metal, blues e folk, o quarteto formado por Bruno Bastos (voz), Edson Zacca (guitarra/violão/voz), Alexandre Tito (baixo) e Renato Zaca (bateria/voz) criam um conceito que não fica preso as canções, principalmente pela capa e pelo formato em vinil.

Nesta entrevista feita com Renato Zaca e Bruno Bastos que é rica em espontaneidade, os músicos contam sobre o trabalho e outras coisas mais:

Por João Messias Jr.

Logo Seu Juvenal
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NEW HORIZONS ZINE: O ano de 2014 foi um ano e tanto para o grupo, que lançou seu terceiro álbum, chamado “Rock Errado”. O que estão achando da repercussão do mesmo?
Renato Zaca: Em 2014 foi finalizado o trabalho que foi lançado em janeiro de 2015. O retorno tem sido maior que o esperado, tanto da crítica quanto do público. Neste momento estamos planejando a turnê de divulgação para o segundo semestre.

NHZ: Normalmente o terceiro disco é determinante para a carreira de uma banda. Houve algum tipo de pressão interna para a criação deste trabalho?
Renato: De maneira alguma. Quando nos encontramos para gravar, sempre fazemos o melhor que podemos.

NHZ: Mergulhando um pouco na bolachinha, ela é repleta de particularidades, ao começar do título. Por que nomear o álbum dessa forma?
Bruno Bastos: O rock nasceu errado, mas nos últimos tempos ele perdeu sua essência, não é um estilo para seguir modinhas. Gostamos de criar algo que saia dos padrões pré-estabelecidos, não vale a pena menosprezar o gosto musical do ouvinte. É legal o artista em qualquer área não se ver cercado de regras, de barreiras. Criamos este rock errado com muita naturalidade, é simplesmente a maneira que fazemos.

NHZ: Outras particularidades ficam por conta da capa. A obra do artista Dinho Bento tem como fundo as cores laranja, vermelho e preto com uma criança com um cigarro na mão e fazendo um sinal obsceno com o dedo do meio. Como foram os trabalhos de desenvolvimento da arte e se chegaram a enfrentar alguns problemas por isso?
Renato: As crianças estão vulneráveis a violência, a religião imposta, aos vícios da sociedade.A capa representa um grande foda-se a essas questões que estão longe de serem resolvidas.Como se trata de um assunto delicado, houveram divergências, mas no final houve um consenso. Nesse disco a música “Moleque Dissonante” é tradução perfeita da capa.

Rock Errado
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NHZ: “Rock Errado” foi lançado exclusivamente em vinil pela gravadora Sapólio Rádio. Por que lançar nesse formato se hoje poucas pessoas possuem um toca discos em casa, além dos custos com aparelhos dessa grandeza.
Bruno: Lançamos primeiro em vinil e agora em CD. Sabemos que nem todos têm um aparelho de vinil em casa, foi uma oportunidade que nos foi dada, e como somos apreciadores da velha bolacha, aceitamos com muito prazer. Pegar nosso LP e colocar na vitrola foi realizar um sonho antigo.

NHZ: Agora vamos falar um pouco da parte musical do grupo. Vocês não se apegam a nenhuma formula ou estilo pré-definido, deixando a criação rolar solta, mas sem descaracterizar o som. Podemos sentir essa sensação ao ouvir desde os discursos cantados de “Asfalto” e “Homem Analógico” ao peso de “Free Ordinária” e “Louva a Deus”. Como é criar canções tão distintas e ao mesmo tempo tão próximas entre si?
Renato: Essas características sempre estiveram presentes em nossos discos. Nunca nos preocupamos em que estilo iríamos compor. É lógico que pensamos no disco como um todo, mas não chega a ser um problema apresentarmos diferentes climas, muito pelo contrário, são aspectos que ajudam a definir nossa essência como banda.

NHZ: “Burca”, que encerra o álbum, puxa esses dois extremos, mas ao mesmo tempo aponta novos caminhos, o que gera curiosidade. Na hora das composições, existe algum limite para o grupo ou vão deixando a coisa fluir?
Renato: É uma balança, não existe limite e deve-se deixar fluir, ela pode tanto mudar totalmente como se manter na ideia original. Quando algum de nós apresenta um som, todos podem opinar sem neuras. Temos sorte de estarmos em uma ótima sintonia nesse sentido.

NHZ: Com essa variedade musical, vocês entram em diversos nichos do
rock, desde o metal a tendências mais leves do estilo. Vocês sabem dizer qual o público que mais aprecia o som da banda?
Renato: Não somos uma banda de rock tão complexa como pode parecer. Tocamos um rock simples e verdadeiro. Acreditamos que sejam pessoas desprendidas de rótulos e que não tenham medo de experimentar. 

NHZ: Graças a ordem do disco, “Rock Errado” é fácil de ouvir de ponta a ponta pois juntas elas transmitem uma conexão, que traz o ouvinte para o universo do Seu Juvenal. Essa parte do track list vocês deixaram na mão da produção ou vieram com esse conceito na cabeça?
Renato: Podemos dizer que isso é uma das delícias de se lançar um disco em formato LP. O fato de se poder pensar em um Lado A e um Lado B, sugerindo ao ouvinte o que a banda imaginou que seria a melhor audição/compreensão da obra, é algo que curtimos muito. Neste ponto a banda teve total liberdade.

Seu Juvenal
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NHZ: Ainda falando sobre isso, como é lançar um trabalho neste formato e com esse sentido de conexão, sabendo que hoje a garotada sequer sabe pegar um disco de vinil e não curtem o barato de ouvir um trabalho inteiro, apenas trechos de cada banda ou artista?
Renato: Não pensamos só na garotada. Não temos dúvidas da praticidade e da funcionalidade do MP3. “Rock Errado” foi lançado em LP como uma realização pessoal, mas também está disponível em CD e para audição no Soundcloud. Cá entre nós, ficou do caralho a versão analógica. O selo Sapólio Rádio nos apresentou esta oportunidade e resolvemos abraçar. No início não acreditávamos que este formato seria tão aceito positivamente como vem sendo.

NHZ: Obrigado pela entrevista! O espaço é de vocês!
Renato: We love you all!
www.soundcloud.com/seujuvenal

19 de maio de 2015

FEARTONE: PESO E BRUTALIDADE

Quinteto paulista une raiva e a fúria do thrash  em novo trabalho, o EP Vicios

Por João Messias Jr.


Vícios
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A fusão de thrash com grooves é uma faca de dois gumes, pois em boa parte dos casos, a música pode virar um amontoado de ruídos desconexos e gratuitos. Mas o quinteto formado por Roberto Soldera (voz), Fernando Roma (guitarra), Pedro Corrêa (guitarra), Renan Roma (baixo) possui talento em sua funções e felizmente temos um bom resultado no EP Vícios.

Composto das faixas Anônimo e Sermão, a primeira se destaca pela variação de vozes que transitam entre  limpas, rasgadas e abafadas, enquanto a seguinte pelos andamentos dissonantes e agressivos. Agregada a competência musical, o trabalho apresenta uma ótima gravação, a cargo de Adair Daufembach e uma capa que sintetiza bem a proposta musical do grupo.

Agora é esperar como essa fusão se sai num álbum completo.