26 de novembro de 2014

TAILGUNNERS: FIDELIDADE AO METAL TRADICIONAL

Apesar de manter laços fortes com o estilo, quinteto paulista aponta outros caminhos em seu terceiro álbum, "The Gloomy Night"

Por João Messias Jr.

The Gloomy Night
Divulgaçao
Em meio a tantas mudanças de sonoridade musical (alguém pensou no In Flames?), é louvável que grupos mantenham fidelidade ao estilo através de anos e décadas. Um exemplo é o quinteto paulista Tailgunners, que desde sua fundação, lá nos anos 90, faz um som que bebe na veia do metal tradicional, em especial bandas como Iron Maiden (principalmente) e Saxon.

"The Gloomy Night", novo registro do quinteto, embora beba nessa fonte, mostra que é possível sim dar novas cores para o estilo. Embora bem sensíveis, é possível ouvir um frescor no som do quinteto formado por Daniel Rock (voz), Lely Biscasse (guitarra), Raphael Gazal (guitarra), Lennon Biscasse (baixo) e Gustavo Franceschet (bateria) e isso permite que a audição do trabalho seja agradável.

Antes de falar das canções, vale citar o belo acabamento do encarte. Com uma linda capa, que em vinil realçaria ainda mais os detalhes, que privilegia o vermelho e o dourado, são a deixa para folhear o encarte, cuja parte interna soa como aqueles pergaminhos e letras medievais, num excelente trabalho feito por Daniel Mattos, além da excelente gravação, que dá um ar mais contemporâneo a música do grupo. E falando nisso, são canções com essa vibe que saltam aos ouvidos, como em Kill the Beast e One of Them, onde as guitarras transitam entre o power e o hard. Outro exemplo fica para My Reign, que possui belos momentos progressivos que se tornam agressivos, sem descosturar a música.

Claro que há canções tradicionais possuem seu charme, em especial as maidenianas The Hunt, Fallen Tears e Living In My World. E como discos do estilo chamam a atenção pelas baladas, temos a bela At the Same Side, que nos remete a grupos como Blackmore's Night, além das excelentes atuações de Daniel e da convidada Bárbara Wegher.

Um disco que cravará seu lugar nos corações dos fãs e que no mínimo despertará a curiosidade em bangers de cabeça aberta.

20 de novembro de 2014

WALSUAN MITERRAN: BOM GOSTO E SENSIBILIDADE

"Feelings of the Soul", novo trabalho do guitarrista goiano apresenta uma música instrumental variada e sofisticada

Por João Messias Jr.

Feelings of the Soul
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Esse universo das resenhas acaba nos proporcionando a oportunidade de conhecer muita coisa que em situações normais jamais ouviríamos, em especial a música instrumental. Desde então, os meus ouvidos foram brindados com trabalhos de qualidade ímpar de caras como Marcos De Ros, Cauê Leitão, e músicos "bandeiros" como Rafael Iak (Woslom) e Thiago Oliveira (Seventh Seal) que possuem em comum o fato de agregarem novas texturas as canções, fazendo algo diferenciado e até com ares exóticos.

Mas Feelings of the Soul, novo álbum do músico Walsuan Miterran vai na contramão da busca de um novo conceito. Aqui o guitarrista faz uma espécie de tributo aos heróis da guitarra dos anos 80. Se pensou em caras como Paul Gilbert (Mr. Big, Racer X), Jason Becker (Cacophony) e John Petrucci (Dream Theater acertou, mas aqui a melodia e a preocupação com o feeling são a prioridade. 

O início com Beyond the Sky e Heaven Or Hell dão indícios que será um trabalho voltado ao fusion e neoclássico, mas felizmente a partir de Death Is Not the End a coisa muda de figura, pois a bolachinha cresce em variedade e bom gosto, mesclando outros estilos, inclusive vertentes não tradicionais, como Metal Brasil, que como o nome  sugere é calcada nos ritmos regionais da nossa terra que ganha um bem encaixado acordeão (a cargo de Santhiago Lamass).

Outros momentos de muita comoção são Eternal Love e Water Under the Bridge, que mesclam progressivo, hard, AOR, melodias bem sacadas, além de ser um sopro de esperança aos desacreditados por qual seja lá os motivos.

Gos's Time investe no prog mais guitarreiro e Memories of You lembra muito as trilhas feitas por caras como Vai e Satriani, onde Walsuan mostra que aprendeu direitinho as aulas desses ases do instrumento.

Mas o nosso amigo guardou o melhor para o final. Versões playback para as já citadas Eternal Love e Memories of You, que acabam fazendo o leitor ouvir o trabalho por diversas vezes. 

Com Feelings of the Soul, Walsuan Mitterran cometeu a proeza de não apenas fazer a guitarra cantar, mas o ouvinte se emocionar e chorar.

19 de novembro de 2014

THE LEPRECHAUN: CONTAGIANDO ALMAS E CORAÇÕES

"Long Road", segundo trabalho de septeto paulista possui energia positiva contagiante, além de ser um convite para dançar e expressar alegria

Por João Messias Jr.

Long Road
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Acontecem períodos na vida que a única coisa que queremos é ficar longe de tristeza e negatividade e por mais que fugimos, elas aparecem bem diante dos nossos olhos. Ainda não existem aquelas sonhadas pílulas "legais" para reverterem esse estado de espírito, mas o que ajuda muito é ouvir música boa, até porque as canções estimulam sensações que proporcionam o bem estar.

"Long Road", segundo álbum do septeto paulista The Leprechaun é um belo remédio contra a depressão e todas as formas de baixo astral. A trupe formada por Fabiana Santos (voz), Bruno Stankevicius (violão), Paulo Sampaio (violão), Eric Fontes (baixo), Rafael Schardosim (banjo), Andrew Nathanael (violino) e Fernando Zornoff (bateria) combinam a energia do punk, a introspecção do folk e a alegria da músic celta, que  fazem desse CD, um poderoso antídoto contra energias ruins. Aliás, tudo aqui nos remete busca um sorriso, pois o material vem embalado no formato digipack, com o uso do branco que ameniza a tensão e uma produção esmerada, que lembra muito trabalhos de grupos como Beatles, Johnny Cash e até artistas gospel como Amy Grant e Michael W.Smith.

A fusão não aparece de cara, pois a faixa de abertura, Culprints and Victims lembra as canções tradicionais celtas, mas que prepara o ouvinte sobre o que virá pela frente. Melancholy Singings emana energia e alegria graças a condução do banjo, assim como They Won't Control Our Freedom (For A Day), que confesso que até bateu saudades das festas e acampamentos ciganos, cujo ambiente é sinônimo de alegria.

Essa vibração é transmitida nos quase 40 minutos do disquinho, que tem outro diferencial em relação aos seus colegas de estilo: os vocais. Fabiana não se preocupa em fazer uma voz bonitinha, pois a veia punk vem de sua atuação vocal, por cantar com o coração e assim, dando o punch que as canções precisam, como as contagiantes Blood Puddles, Man of Tiananmen e Hold the World que quando vê, está cantarolando o refrão e batucando na mesa.

O interessante é que mesmo em canções mais melancólicas como Dead Stars e Hide Your Love, a interpretação vocal não é chorona. Em especial a última, que é carregada de emoção e mostra toda o talento da moça,que somado as outras músicas, são motivos que farão o ouvinte ao menos fuçar na rede para conhecer o som da banda.

Enfim, se estiver naqueles dias em que nada dá certo, adquira esse CD, tire as coisas do caminho, largue os sapatos e mergulhe de cabeça na mistura positiva e equilibrada do The Leprechaun.
www.leprechaun.com.br

18 de novembro de 2014

MX: OS VELHOS BASTARDOS DO THRASH ESTÃO (AINDA) MAIS AFIADOS

Re-Lapse, álbum que marca a nova volta do grupo, é composto de regravações dos primeiros álbuns do quarteto

Por João Messias Jr.

Re-Lapse
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Apesar da cena do ABC ter se renovado e mantido o legado com os "véios" Necromancia e Ação Direta, uma volta do MX era necessária. Para quem acompanhou o grupo ainda nos anos 80, diziam (e dizem) que se não fossem os problemas com a Fucker Records (gravadora do grupo na época), tinham tudo para estar no mesmo patamar do Sepultura. Não se pode dizer que a trupe conseguiria, mas os álbuns lançados pelo grupo, Simoniacal e Mental Slavery não deviam nada ao trabalho dos mineiros e de nenhum grupo gringo do death/thrash. Isso deve ter desmotivado os meninos que pausaram as atividades, retornando anos depois com o lançamento do álbum Again, de 1995.

Após alguns anos no limbo, Morto (baixo e voz), Dumbo (guitarra), Décio (guitarra) e Alexandre (batreria e voz) se reuniram novamente e trilharam o caminho inverso das reuniões. Ao invés de gravarem qualquer coisa correndo, fizeram a coisa de forma lenta, com poucas apresentações e preparando com cuidado e esmero seu nov trabalho, o álbum Re-Lapse, que consiste em regravações dos dois primeiros álbuns citados acima.

O que vale dizer que os caras não se limitaram a regravar as faixas, das quais falaremos mais abaixo, pois o novo álbum pode ser dito tranquilamente como o melhor produto que os caras já fizeram. Vamos começar falando do encarte, que matará os velhos do coração. Com 20 páginas (contando capa e contracapa), o fã é brindado com fotos da época e ilustrações de William Pereira, que traz para os dias de hoje os "meninos", além de alguns personagens emblemáticos, como o padre que estampa a capa de Simoniacal.

Mas e o som? Lembra quando disse ser o melhor produto dos caras. Pois é, nunca o MX teve uma gravação tão boa como a de Re-Lapse, que transmite com clareza os riffs, levadas do baixo, os ritmos (absurdos) da bateria e os vocais. E fiquem tranquilos que os caras deixaram canções como No Violence, Dead World e Jason ainda mais letais e a  balada I'll Bring You With Me mais bonita e cheia de detalhes! Outros elogios ficas para I'll Be Alive e The Guf, com seus momentos inspirados no metal tradicional.

Só que o melhor ficou para o fim. Fighting For the Bastards ganhou duas versões. Uma "normal" e uma bônus em português com a participação de João Gordo (R.D.P.) nos vocais que juntos conceberam mais um clássico do metal nacional, pois é injusto chamá-la de versão.

Após as linhas acima nem precisa dizer que o MX está de volta, mais malvado e o mais importante, com a energia que falta em muitos grupos novatos! 

12 de novembro de 2014

AMEN CORNER: SOBERANIA DO BLACK METAL NACIONAL

Chri$t Worldwide Corporation, novo registro de inéditas do grupo, mantém a essência sonora: black metal ríspido, quebrado e com pequenas doses de melodia

Por João Messias Jr.

Chri$t Worldwide Corporation
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Quem acompanha os curitibanos do Amen Corner desde sua fundação nos anos 90, sabe que o grupo nunca decepcionou os fãs (e até não fãs) de black metal, seja pela qualidade de suas capas e (claro) pela música caótica, quebrada e ríspida e seu novo registro de inéditas.

Com o sublime título de Chri$t Worldwide Corporation, cujo significado dispensa tradução, o quinteto formado hoje por Sucoth Benoth (voz), Murmúrio (guitarra), Mortum (guitarra). Shaitan (baixo) e Adrian S.O.S. (bateria, cujas linhas foram gravadas por Ashimedai), que é um dos mais poderosos e inspirados trabalhos do grupo, ao começar pelo trabalho gráfico, desde a capa, encarte e o formato digipack, que fará com que todos que gostem dessa vertente musical, queiram ter em sua coleção.

Claro que isso poderia ir por água abaixo se as músicas fossem ruins, mas meu amigo, o lance aqui passa longe disso. A faixa-título dá início ao massacre, funcionando com uma intro, com passagens melódicas e que se transforma num som mais quebrado e instigante. Say Yes to Satanás também segue essa métrica, mas com contornos ainda mais agressivos.

As guitarras mostram o ar da graça em Mutilated Children of Stolen Souls graças aos climas que proporcionam a canção e claro, com riffs e solos de tirar o fôlego.

Mas o final do trabalho reserva grandes momentos também. Começando por Monarchy, que nos remete aos primeiros tempos do grupo, principalmente pelos vocais agonizantes. The God of Fortune a linha instrumental é totalmente climática, nos remetendo a uma missa negra, além da regravação para Black Thorn, originalmente gravado no álbum Iachol Ve Tehilá, de 1995.

Se as linhas acima não te convenceram, saibam que o trabalho conta com a participação de músicos como Angel (ex-Vulcano) e Caos (Camos), além do álbum conter um DVD com gravações que englobam os anos de 1993 até 2011 que fazem deste um item obrigatório a fãs e historiadores de rock e metal.

Com esse trabalho, o Amen Corner se mantém como um dos pilares do estilo no país ao lado de bandas como Imperious Malevolente, Murder Rape e Coldblood.

11 de novembro de 2014

CARTOON: GUIADOS PELA EMOÇÃO

"Unbeatable", quarto trabalho do grupo, apresenta músicas versáteis que possuem como único intuito cativar o ouvinte

Por João Messias Jr.

Unbeatable
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É importante os músicos demostrarem técnica em seus respectivos instrumentos? Sim.

A qualidade da gravação deve ser limpa e cristalina? Com certeza!

O trabalho de arte, capa e encarte devem ser dignos de elogios? Claro!

Mas se não houver o principal ingrediente para que essa receita não desande, vai tudo por água abaixo. Os ítens citados acima até ajudam na concepção do trabalho, mas se as músicas não estiverem repletas de EMOÇÃO, de nada valeu investir no projeto.

Felizmente o quarteto mineiro Cartoon é um daqueles casos que crêem que canções precisam de feeling para que elas sejam imortalizadas nos corações das pessoas. Khadhu Campanema (baixo e voz), Khyko Garcia (guitarra e voz), Raphael Rocha (hammond  e piano) e Bhydhu Campanema (bateria) levam ao leitor ao positivismo, não sei se essa era a intenção, mas o quarto trabalho dos mineiros mandam todo tipo de sujeira pro lixo.

Apresentando influências do rock and roll e um pouco do pop, folk e música celta, o quarteto acerta por criar músicas distintas e ao mesmo tempo conectadas que não nos assustam pela mudança de direcionamento, como no rockão de abertura em Down on the Road Ahead e a seguinte, a introspectiva The Golden Chariot.

Mas essas foram apenas um gostinho, pois o melhor está por vir. Lembram da tal emoção? Pois é, ela aparece em todo o disco, mas as faixas Promises, Until I Found You e o encerramento com On the Judgement Day nos levam a refletir que o melhor da vida está na simplicidade e que a vida é feita de coisas "normais", como andar de braços dados com a pessoa amada, com cães e gatos ao nosso lado. Isso, aliado a música de qualidade nos fazem pessoas mais fortes e felizes, sem necessidade de muito dinheiro ou ostentação.

Não é preciso dizer mais nada né? 
www.cartoon.mu


10 de novembro de 2014

REPÚBLICA: PESO, ELEGÂNCIA E BOM GOSTO

Terceiro álbum do quinteto, Point of No Return aposta na mescla de diversos estilos do rock/metal e um toque sofisticado em todas as canções

Por João Messias Jr.

Point of No Return
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O pessoal do República fez com louvor o que muitos grupos tentaram e poucos conseguiram: chegar ao mainstream sem abrir mão da essência musical, além de mesclar estilos variados de forma sábia e equilibrada. Apesar de muitos pensarem se tratar de uma banda nova, o grupo possui duas décadas de estrada e seu novo trabalho “Point of No Return” é até então seu melhor produto pelas características ditas linhas acima, sem contar o realismo que a arte transmite.

A base musical do trabalho bebe no rock setentista, mas que abre espaço para momentos mais pesados e outros quase intimistas que se misturam de forma harmônica e nos fazem ouvir o disco de ponta a ponta e por repetidas vezes. Alguns exemplos são os arranjos instigantes de Time To Pay e a pesada Goodbye Asshole, que conta com Roy Z, conhecido produtor que também tocou com Bruce Dickinson (Iron Maiden).

Outro caso é Dark Road, dona de um pique muito legal que ao vivo deve ser a música para as rodas, ainda mais por ser dona de um refrão bem acessível, assim como Fuck Liars.

Mas apesar do equilíbrio das canções, as que se destacam são a pesada El Diablo, que encerra o trabalho com a adrenalina nas alturas e Life Goes On, que é aquela música que cativa fãs de vertentes mais pesadas quanto as mais acessíveis do rock. Sem contar que essa música possui um belo vídeo inspirado no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell.

Parabéns ao quinteto formado por Leo Belling (voz), Luiz Fernando Vieira (guitarra), Jorge Mascarenhas (guitarra), Marco Vieira (baixo) e Gabriel Triani (bateria), que pelo trabalho apresentado colherá muitos frutos nos próximos anos e futuros álbuns.