7 de agosto de 2017

VITÓRIA DA PERSISTÊNCIA

Após idas e vindas, banda retoma as atividades e lança single

Por João Messias Jr.

Absurdium
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Não se trata de algo novo, mas corriqueiro para aqueles que não deixam os ideais morrerem. Quando se é adolescente, aquele sonho de montar um grupo, fazer shows e lançar discos é algo que todos que se aventuram pela música querem fazer. Porém, com o passar dos anos, novas responsabilidades e até uma nova forma de se pensar entram na vida como um rolo compressor. Aí temos de fazer escolhas, que nem sempre são os nossos ideais.

Essa linha de pensamento casa com a banda que resenharemos hoje, o Absurdium. Formada com o nome Healer, teve as atividades iniciadas no ano 2000 e após mudar para o atual, sofreu com as mudanças de formação e incertezas. Até que em 2015, o grupo retorna com uma nova formação, tendo Eric Kiriyama (guitarra), Wagner Fassi (bateria e vox) e Marcilio Spiti (baixo e voz). Com esse time lançaram o single Serpents of the Infernal War.

Bem produzido e com uma capa legal, o som do grupo também não decepciona. Transitando entre diversas escolas do Death Metal, apresenta momentos trabalhados a outros com muito peso e groove. Os vocais brutais e berrados são balanceados, dessa forma permitem uma audição tranquila do trabalho. Apesar de uma música não ser o melhor caminho de se avaliar um grupo, os caras mandaram bem e deixa uma boa impressão para os próximos lançamentos.

Uma vitória da persistência e competência musical.

6 de agosto de 2017

AINDA TEMOS MAIS...

Segundo DVD da coletânea de clipes, aposta em repertório que passeia do Thrash ao Rock and Roll

Por João Messias Jr.

DVD Roadie Metal Vol. 1
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Pois é, não bastou ousar fazendo uma coletânea de vídeos, mas sim bolar um DVD duplo, no qual a primeira parte fora comentada na semana passada, segue agora a segunda parte deste projeto, que aqui tem um caráter mais eclético, indo do Thrash ao Rock and Roll.

Elephant Casino - Believe: Com um vocal extremamente talentoso, o grupo chama a atenção pela sua forma de fazer Hard Rock. Não espere nada influenciado por Poison e Ratt, mas sim aquela linha mais introspectiva de grupos como Kings X, Galactic Cowboys e Dr. Sin da fase Insinity. Os solos de guitarra limpos e bem encaixados também se destacam.

SuperSonic Brewer - Blood Washed Hands: O ponto alto do disquinho. As gravações do EP são o cenário desta bela canção, que no começo soa como algo que o Zakk Wylde fez nos seus primeiros tempos de Pride and Glory ou em carreira solo. Porém o jogo de vozes (caprichadíssimas por sinal) fazem com que essa música funda Hard Rock e Southern Rock com extrema maestria. Para colocar no 'repeat' diversas vezes.

Demons Inside - Remorse Infected of Trauma: Bateria pesadona comandando tudo nesta música bem elaborada e cheia de groove. Alguns momentos lembram o clássico Dehumanizer (Black Sabbath). Só precisam encaixar melhor algumas passagens do vocal pra cair nas graças do público.

Jäilbäit - Take it Easy - Ai o bom e velho Rock and Roll, se não fosse ele, suportar o estresse cotidiano seria mais complicado. Essa é a ideia do quarteto alagoano. Tudo isso permeado por um metal classudo, de vozes esganiçadas e muita energia e como destaque a bela Wanessa Alves. Vale citar que por problemas autorais, hoje a banda se chama Prision Bäit.

Apple Sin - Apple Sin: Representantes do Heavy Metal Tradicional, os mineiros apostam numa ótima produção visual, tendo na canção um instrumental encorpado, voz na medida certa e o grande destaque: solos que nos remetem ao Mercyful Fate.

Cervical - Arquétipo: Energia e uma mensagem de conscientização. Esse é o recado dos cariocas, que transitam entre o metal e o Hardcore. Direto e sem firulas, o som é para pogar.

Galo Azhuu - Bruxa: Outro ponto alto do disquinho. Com mais que bem vindas referências do anos 70, com riffs e solos feitos com maestria e o clima místico da película deu um charme a mais na canção.

Exorddium - Heavy Metal: Assim como o título entrega, estamos diante de um som tradicional, que chama a atenção por ser simples e bem feito. Com referências diretas das primeiras bandas brasileiras do estilo, provaram aqui que "o menos é mais".

Magnéttica - Super Aquecendo: Rock and Roll despojado e feito por excelentes músicos. Apesar das boas intenções, soa deslocado pela coletânea ser "metal demais" para o som dos caras.

Basttardos - Despertar do Parto: Uma banda muito legal, num som que privilegia o peso e as vozes cheias de emoção, num som que transita entre o Hard e o Thrash.

Hellmötz - Wielding the Axe: Groove e peso mandam nesta canção.Num vídeo que lembra muito o modelo usado pelas bandas de Thrash do fim dos 80 e começo dos 90, fazem o cenário desta banda que faz um som bem feito e competente.

Burnkill - Cadáver do Brasil: Mais um exemplo de que o menos é mais. Produção simples, que tem como tema as manifestações que se fundem com os caras mandando seu Thrash de instrumental encorpado e vocais crus, que só precisam ser melhor lapidados.

Fallen Idol - The Boy and the Sea: Imagens de guerras e destruição em primeiro plano com o grupo atuando é a receita da banda, que funde o Doom Metal com o Metal Tradicional, onde o peso e os vocais, cantados de forma natural são os destaques.

The Phantoms of Midnight - Midnight:  Para aqueles que sentem falta daquele Metal Sinfônico de bandas como Nightwish, taí uma banda que podem gostar. Com os teclados na frente e executada por bons músicos, temos uma canção bem construída, porém sem novidades.

Dust Commando - P.O.T.U.S.: Outro ponto alto do disquinho. Instrumental pesado com vozes que vão do Alternativo ao Grunge e Stoner com um instrumental encorpado. Alice In Chains, Soundgarden são algumas referências desta banda que merece ser ouvida por mais pessoas.

Razorblade - Cuts Like a Razor: A bola fora da coletânea. Donos de um instrumental passável e um vocal que remete a grupos como Damien Thorne e Living Death, a banda precisa melhorar alguns pontos, como o vocal e a cozinha. Mas o pior é o vídeo, com imagens de mal gosto e clichês. Se uma banda pretende vislumbrar algo na cena, deve colocar o que tem de melhor a prova. Não o contrário.

Além dos vídeos, o trabalho apresenta extras como depoimentos das bandas participantes e um menu simples e eficaz, junto com uma bela embalagem, citada na resenha anterior.

Apesar deste segundo DVD oscilar mais entre as bandas participantes, assim como o primeiro volume, é uma bela forma de se conhecer novos grupos, talvez tendo alguns deles como suas futuras bandas de cabeceira.

31 de julho de 2017

O LANCE FEITO DA FORMA CORRETA

DVD duplo reúne 32 bandas de diferentes estilos dentro do metal

Por João Messias Jr.

DVD Roadie Metal Vol 1
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Por incrível que pareça, as coletâneas ainda são vistas por muitas pessoas como um balaio de gatos, onde fatores musicalidade e potencial não aparecerem de forma combinada, são o principal motivo de muitos não acreditarem neste tipo de trabalho.

Para que este tipo de negócio passe batido pela descrença é necessário um foco maior na qualidade musical, um projeto gráfico de primeira e talvez o maior atrativo: a condição de igualdade entre os grupos participantes.

Temos alguns exemplos que seguiram a risco como as coletâneas que as saudosas revistas Valhalla e Metal Mission fizeram num passado não tão distante. E em 2017 temos mais um nome de destaque para esta seleta lista: a Roadie Metal Vol 1, que reune 32 bandas em dois DVDs.

Mantendo o mesmo padrão gráfico dos CDs coletânea, o DVD vem com um excelente acabamento gráfico, com livreto e o mais importante: um encarte democratizado, onde TODAS as bandas entram com igualdade para conquistar o gosto de quem está do outro lado na poltrona.

A resenha de hoje será da primeira parte, cujo foco são as bandas mais extremas. E cumprindo com o quesito democracia, segue um vídeo a vídeo de cada uma das participantes:

Voodoopriest -  Juggernaut: Não havia melhor forma de se iniciar esse trabalho. Talvez a melhor banda de Death/Thrash nacional que aqui figura com um dos seus clássicos. Pesada, intensa e com uma linha pra cantar junto, perfeita para os palcos. Não é a toa que o vídeo foi gravado no Hangar 110. Outros destaques ficam pela dinâmica das guitarras, que fizeram a diferença aqui.

Tellus Terror - Bloody Vision:  Os cariocas mandam um Death/Black variado, com um excelente trabalho do vocalista Felipe Borges, que vai do operístico ao gutural, se saindo bem em ambos. O mais legal é que os integrantes da banda são os atores da película, num cenário totalmente dark, inspirado numa espécie de tribunal. Manteve o nível.

Death Chaos - House of Madness: Sangue e tortura são os ingredientes escolhidos por estes paranaenses. Num cenário onde prevalece por quase todo o tempo a banda ao vivo, com cenas isoladas de violência, se sairam bem com seu Death Metal agressivo e caótico.

Krucipha - Reason Lost: Se a sua praia for um Thrash cheio de groove com elementos da música brasileira, tai a banda. As cenas de cárcere privado mescladas com a banda em ação foram bem feitas, mostrando que não é necessário buscar banda gringa para curtir.

Division Hell - Bleeding Hate: Simples e bem feito. Com foco na performance com alguns efeitos aqui e ali, mostrou o poder do grupo nesta canção, cujo destaque ficam para os solos, que nos remete a referências como o Heavy Tradicional e a música clássica.

Tribal - Broken: Curiosa mistura de groove com climas minimalistas é a receita deste quarteto curitibano. Num vídeo que mostra a banda em ação mesclada a imagens que se passam por dentro do corpo humano. Trabalho bem feito, mas que dividirá opiniões.

No Trauma - Fuga: No esquema "quem sabe faz ao vivo", a banda optou por fazer uma gravação num espaço a céu aberto para que todos pudessem sacar o metalcore direto e reto praticado por eles.

Core Divider - No War: Pancadaria cheia de groove influenciada pelos momentos mais agressivos do Pantera. Formada por ex-integrantes da Skin Culture. A escuridão presente no video combinou com o clima de desespero emitido pelo grupo.

Monstractor - Immortal Blood: Taí uma banda que a galera deveria conhecer, graças ao seu Thrashão classudo com toques de Motorhead em mais uma película que tem como foco a performance.

Vorgok - Hunger: Esse grupo carioca tem tudo para ser a preferida dos thrashers. Formada por ex-integrantes de bandas como Explicit Hate e Necromancer, os caras chamam a atenção pela velocidade e coesão.

Heavenless - Hatred: Trio potiguar apresenta um Death Metal que bebe no lado tradicional do estilo. cujo vídeo tem como tema as atrocidades ocorridas pelo mundo, como a Ku Klux Klan e os ataques as mesquitas.

Matricidium - The Beating Never Stops: Aqueles que viveram o ápice das guerras entre as tribos urbanas sentirão arrepios ao assistirem este vídeo, embalado pelo metal da morte, muito bem executado pelo trio.

Forkill - Vendetta: Mais Thrash na área. O quarteto mete os pés no peito do ouvinte num cenário que mostra o verdadeiro lugar das bandas do estilo: o palco.

Ninetieth Storm - Death Before Dishonor: Sexteto capixaba aposta na agressividade do Deathcore e assim como a Heavenless, funde imagens de tragédias com a banda em ação.

Usina -  Destruição e Morte: Faixa título do mais novo trabalho do grupo, que mistura groove e extremo, que combinou com o roteiro, com um cenário inspirado no seriado "Oz".

Cursed Comment - Luftwalfe: Coube aos mineiros encerrarem essa primeira parte da coletânea com um vídeo simples, que capta cenas da banda ao vivo com o fundo os aviões alemães que destroçaram com tudo na segunda guerra mundial.

Apesar do foco no extremo, temos sons para todos os gostos e apesar do resultado não ser linear, temos aqui uma oportunidade de se conhecer bandas de forma justa e democrática.

Na próxima semana, a segunda parte do DVD.

JAMAIS JULGUE UMA OBRA PELA CAPA

Técnica, virtuosismo e passagens inusitadas é a receita vencedora do trio paulista

Por João Messias Jr.

Mechanical Healing
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Você já deve ter ouvido por aí aquela frase "Jamais julgue um livro pela capa, pois você poderá perder uma história incrível". Pois bem, a citação é a deixa perfeita para a nossa resenha de hoje, o álbum Mechanical Healing, da banda Darchitect.

Se olharmos a capa do trabalho, vem na mente um som na linha de bandas como Heathen e Forbidden. Se esperava algo na linha das bandas acima, pode encerrar a leitura por aqui. Agora, se quer ouvir um baita disco técnico e pesado, continue lendo.

O disquinho abre com Prellude to Illumination, que é começa bem na manha, de forma acústica e depois vira um "sabazão" dos tempos do Ozzy. Porém é Elevate Into Dark que mostra a real intenção dos caras. Death/Thrash com mais peso que velocidade, passagens empolgantes (inclusive quebradeiras) e um solo pra lá de virtuoso que caberia muito bem numa banda de Hard Rock.

A seguinte, S.I.S., a alternância de partes lentas com rápidas e trabalhadas chama a atenção, enquanto Holy Cross apresenta muito groove e peso, sendo perfeita para os shows.

Empolgou? O melhor ainda está por vir com Sabotagem e The Blood on my Hands. A primeira se destaca pela linha de guitarra esperta e inusitada, além de mostrar que música boa pode ser cantada em qualquer idioma. A seguinte é o ápice do trabalho. Em seus mais de sete minutos, temos muito peso, momentos acústicos, viscerais e vozes que vão das limpas até o gutural. Música que encheria de orgulho o saudoso mestre Chuck Schuldiner (Death), que onde quer que esteja, vê que o legado continua.

The Sailor é um curto instrumental que coroa esse belo trabalho e que com toda a certeza deve encher Alex Marras (guitarra), Lucas Coca (baixo/voz) e Gabe Gifoli (bateria) de orgulho, por uma estreia bem cuidada em todos os detalhes. Desde a capa, feita por Joe Pentagno (Krisiun, Motörhead) e um encarte feito por João Duarte (Angra, Korzus, Torture Squad) são ingredientes que fazem de Mechanical Healing um trabalho que tem tudo para cair no gosto dos fãs de um som mais técnico.

Apesar da discordância inicial, a junção capa e música produziram uma história incrível, que com certeza fará com que o nome Darchitect seja reconhecido pelo Brasil e mundo afora.

24 de julho de 2017

TERCEIRO E DECISIVO PASSO

Peso e modernidade são os novos ingredientes de Resilient, novo trabalho do trio de Americana

Por João Messias Jr.

Resilient
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O amigo que acompanha a estrada do rock, sabe que não existe uma regra, tampouco um manual de instruções para uma banda chegar ao estrelato. Tentativas, brigas, erros e acertos são elementos presentes na luta das bandas por um lugar ao sol.

Com a Pop Javali não é diferente. São 25 anos de carreira e há tempos contando com Marcelo Frizzo (voz e baixo), Jaéder Menossi (guitarra) e Loks Rasmussen (bateria) viveram de tudo um pouco. De shows vazios até aberturas para os icones Deep Purple e Uriah Heep, lançaram esse ano o seu terceiro álbum de estúdio, Resilient.

Para aqueles que acompanham a carreira dos caras, perceberam que a banda vinha dando uma cara mais pesada e moderna em suas canções. Fato evidenciado no CD ao vivo Live At Amsterdam (2015). E esses elementos aparecem com toda a força, o que agradará alguns e dará aversão a outros, como toda transição.

E como tudo isso funcionou em Resilient?

A New Beginning é um interlúdio de guitarra e abre caminho para Hollow Man, que é pesada e conta inclusive com partes mais viscerais, inclusive na bateria e mostra uma banda mais para o Noturnall do que Van Halen. E essa nova cara não fica restrita a essa música. Drying the Memories e Reasonable mostram que os caras curtiram esse lance mais pesado. Talvez decepcionando aqueles que conheceram a banda por meio de sons como Anything You Want e Healing No More. Já We Had it Coming tem um 'rip off' que convido o leitor a sacar qual é.

Porém, é na segunda metade de Resilient que temos os ápices musicais do disco. Shooting Star tem um instrumental que lembra muito a fase Brutal do Dr. Sin, enquanto Turn Around salta aos olhos com seu clima intimista. Já Undone se destaca pela bela interpretação vocal e um excelente solo. Aliás, vale citar que Jaéder Menossi é um guitarrista que merece ter seu trabalho divulgado a mais pessoas, em especial aquelas que acham que temos apenas caras como Kiko Loureiro (Megadeth, Angra)  e Eduardo Ardanuy (ex-Dr. Sin) como referências.

O encerramento do disquinho vem com dois momentos contrastantes e interessantes. A pesada e agressiva faixa título que mostra um jogo de vocais que une momentos agressivos aos já tradicionais do grupo. Renew Our Hopes é uma espécie de elo de dois mundos, unindo passado, presente e futuro da música do trio.

Junto a música bem feita, temos um projeto gráfico que combina com a proposta da banda, a cargo de João Duarte e uma produção limpa e definida, feita pelos irmãos Andria e Ivan Busic.

Assim como disse quando resenhei Live At Amsterdam, ousar pode não ser a receita para o sucesso, mas se olharmos para grupos como Kiss, Aerosmith, Rush e Metallica, constatamos que o elemento ousadia foi e continua sendo uma constante para a proliferação de seu legado.

18 de julho de 2017

O GRANDE ENCONTRO

Criadores e criatura se encontram em apresentação no Manifesto Bar

Por João Messias Jr.
Fotos: Caike Scheffer

O ano de 2017 é um ano mágico para este que escreve essas linhas. Além de marcar os dez anos do blog, são comemorados os vinte e cinco anos de estrada no rock, além de ser o ano que completo quarenta anos. Porém, a realização de um sonho marcará a minha vida não apenas por alguns dias e meses, porém por toda a vida.

Depois de anos com o desejo incubado, em 2016 resolvi que iria me tatuar e como esse tipo de arte é para toda a vida, teria de ser algo que sempre que mirasse o olhar, teria de me orgulhar. Decidi que seria sobre algo que amo, o rock e seria uma capa de álbum, afinal, antes desses tempos digitais, o que fisgava o futuro fã eram as capas dos vinis.

Voltando no tempo, só um pouco


Nessa época fiquei entre três capas, que terão suas homenagens na pele em outros momentos. A escolhida foi a do álbum Foundation, da banda Hatematter, cujo som e capa me conectaram de imediato. A mescla de metal tradicional, death metal melódico e o clima melancólico de bandas como Nevermore foi a deixa para que a banda ganhasse um fã e a minha pele sua primeira tatuagem, cujos traços tiveram início no dia do músico, 22 de novembro.

Batendo na trave até que o dia chegou


O mais engraçado é que apesar de ter entrevistado a banda e resenhado o Foundation, nunca havia visto a banda ao vivo, às vezes que tentei sempre esbarravam no quase, até que no dia 29 de abril esse encontro finalmente aconteceu.

Engraçado que, nesse dia, a casa teria dois eventos, um fest voltado a música cristã e o show do grupo seria a atração seguinte. Um detalhe merece menção: faziam mais de duas décadas que eu não ia a casa, ainda mais numa jornada dupla, mas a oportunidade seria única, afinal, estava de férias e depois disso, shows seria algo complicado de ir aos sábados.


Depois de conferir o primeiro evento, eis me frente a frente com a banda que prestei homenagem. Contando hoje com Luiz Artur (vocal), André Buck (guitarra), Lucas Emídio (bateria), e os fundadores André Martins (baixo) e Gustavo Polidori (guitarra), a banda subiu ao palco e fez um set especial de uma hora, que além das músicas de seus dois trabalhos de estúdio, Doctrines e Foundation, cujos pontos altos foram Left Hand of God e Ovethrow. 

Como se tratou de uma apresentação mais longa que a habitual, o show teve alguns covers e participações especiais, cujo maior destaque foi para Pinball Map (In Flames), que teve a participação de Victor Cutrale (Furia Inc.).

Uma apresentação profissional sem deixar de lado aquele clima descontraído, o que deu um clima intimista a apresentação, o que deu mais brilho a noite, que para este que escreve essas linhas, foi perfeita!

Pós show


O evento ainda contou com as bandas Amon Amarth Brazilian Tribute (formada por membros da Hatematter) e Eye of the King (King Diamond Tribute) que fez apresentações de alto nível, mas que me desculpem os tributos, a Hatematter detonou em cena. Em mais uma evidência de que temos uma cena forte, que conta com excelentes bandas e músicos, que fazem trabalhos bem produzidos e que só precisam que o público os valorize e os respeitem como devem ser respeitados. 

Pois para falar a verdade, é muito fácil comprar um ingresso do Iron Maiden e se portar como se tivesse numa micareta ao invés de prestigiar uma banda emergente do cenário. Isso tem de mudar já!

E afinal, quantas vezes você teve a oportunidade de mostrar aos criadores a criação que você fez na pele?

Veja outras fotos da apresentação em: 

19 de junho de 2017

ENTRANDO NA BRIGA

Trio do ABC paulista entra na briga por um lugar ao sol com o lançamento do EP Palhaço Triste

Por João Messias Jr.

Palhaço Triste
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Tempos atrás, escrevi a resenha da apresentação da banda Vint3. Show na ocasião, que marcava o lançamento oficial do seu primeiro trabalho físico, o EP Palhaço Triste. Se ao vivo o trio formado por André Barbosa (guitarra e voz), Nélio Borrozino (baixo) e Gabriel Diego já havia deixado uma boa impressão, as coisas ficam ainda melhores ao ouvir o disquinho.

Praticantes de um som que tem base no rock, mas que flerta bastante com o pop, porém com uma linguagem urbana e jovial, os caras começam metendo os pés no peito do ouvinte (para o estilo é claro) com as pesadas Vida Dura e Mente Louca, que fazem mais bonito do que muita coisa que é executada nas rádios rock da vida.

Mas o pulo do gato aqui são as seguintes. A faixa título, uma homenagem ao ator Robin Williams (1951-2014), que carrega introspecção e melancolia e a festeira Aprendiz, que conta com a participação da vocalista Joana Mellito.

Fora a música, o trio investiu no capricho da apresentação do material, numa embalagem criativa e bonita, além da ótima produção feita por Yuri Bertozzi.

Que tal dar uma chance para aqueles que buscam fazer as coisas corretas ao invés de consumir apenas o que é veiculado na grande mídia? Fica a dica...

5 de junho de 2017

THRASH THRASH THRASH

Primeiro EP do grupo mergulha no espírito oitentista do thrash metal

Por João Messias Jr.

Falange
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É aquela, quando velhos amigos se reúnem para fazer um som, é natural que a coisa fique séria. Desde a fundação de um novo grupo, fazer shows e por fim, lançar um material de responsa. Como foi com os thrashers da Falange. Dando as costas para o modernismo musical, os veteranos Luciano Piagentini (vocal), Ivan Miotto (guitarra), Marcelo Colleti (baixo) e o "novato" Diego Henrique (bateria) fazem um thrash metal que é feito pra bater cabeça, sem a preocupação de soar bonitinho.

O EP abre com Destruction of Sky, que chama a atenção pelas partes feitas para bater cabeça e solos bem sacados, além do vocal cru, inspirado em Kurt Bretch (DRI), assim como a seguinte, Madness.Fight mostra novos caminhos no som dos caras, com um groove foda e bem sacado, com bateria quase tribal e partes mais cadenciadas, fazendo dela a melhor da bolachinha.

Mas as seguintes mantém o nível alto. Humano Débilmental tem partes inspiradas nos anjos da morte do Slayer, enquanto Fuck Your Play é para detonar pescoços e Fogueira mescla partes lentas e momentos letais de pura selvageria e solos inspirados. Aliás, as seis cordas do trabalho são exemplo pra muito músico metido a virtuoso, mostrando que o menos é mais, muito mais.

Além da música, o material tem uma capa que nos remete ao estilo e uma produção muito boa, feita no Bay Area Estúdios, que permite que o ouvinte ouça com clareza o som dos caras.

Se for a sua praia aquele thrash metal americano de pegada ora crua, ora agressiva, é uma boa pedida!

22 de maio de 2017

ALÉM DO METAL E HARDCORE

Canções dotadas de agressividade, modernidade e peso são a base do novo álbum de quinteto paulista 

Por João Messias Jr.

O que é a evolução musical. Se pegarmos o rock como referência, quantas metamorfoses o mesmo teve durante todas essas décadas. Mutações que ocorrem e ocorrerão  todo o tempo, inclusive com suas ramificações. Um exemplo é a junção do metal e hardcore. Desde Anthrax, D.R.I, passando por Agnostic Front até bandas como Caliban e Shadows Fall, embora mantiveram características como o protesto e a conscientização nas letras, a sonoridade é MUITO diferente.

Uma banda que é um retrato fiel dessa evolução é o quinteto paulista Céu em Chamas, que lançou seu primeiro registro full, o álbum Infernal.  Contanto hoje com Rafael Coradi (voz), Alemao Pompeu (guitarra),  Maicon (guitarra), Frango (baixo) e Betao (batería) possuem uma pegada mais contemporânea, que vai de Heaven Shall Burn a In Flames. 

Sonoridade que aparece logo de cara na faixa que abre o disco, Lutar, que também é o primeiro single do álbum. Guitarras mesclando melodias funcionais com muitas quebradas de bateria, que começa bem o trabalho, assim como a seguinte, Portões do Inferno.

Porém, a grande sacada aqui é a variação. Temos desde músicas curtas, as agressivas Inferno e Sopro da Destruição até faixas mais intensas como Falida Imaginação e Caos. Mas o melhor ficou para o fim. Olhos Pulsantes tem um começo inusitado, com melodias inspiradas e depois descamba para o que de melhor os caras fazem: pancadaria.

Evolução musical que agradará aos fãs de algo mais moderno e agressivo. E que dividirá pessoas que curtem uma sonoridade mais oitentista.

18 de abril de 2017

A REALIZAÇÃO DE UM SONHO

Com passagens por diversos grupos, integrantes do Vint3 realizam o sonho de lançar sua música em formato físico

Por João Messias Jr.
Fotos: Joana Mellito

“Sabemos o quanto é difícil trabalhar com música autoral aqui no Brasil, mas decidimoseguir por esse caminho pois temos muito a dizer, e dizer com nossas próprias palavras por mais difícil que seja tem válido a pena.” André Barbosa

Palhaço Triste
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O depoimento acima do músico nos faz pensar no seguinte: Quantos músicos talentosos que você conhece por aí que pela ironia do destino (ou do relaxo) não conseguiram deixar sua música lançada. Seja num CD, vinil, Demo ou menos numa gravação legal.

Com certeza seria assunto para inúmeras  linhas e discussões citando pessoas que não foram bem sucedidas numa investida musical. E hoje essa luta oficialmente começa com a banda de pop rock Vint3.
 Contando hoje com André Barbosa (voz e guitarra), Nélio Borrozino (baixo e vocal) e Gabriel Diego (bateria e vocal) andaram muito por aí, tocaram com bastante gente e agora juntaram forças, cujo ápice da carreira foi nesse sábado quente de oito de abril. Que culminou no lançamento de seu primeiro trabalho, o EP Palhaço Triste. 

O local

Ao invés de uma cerimônia formal, o trio optou por algo mais descontraído e intimista e o que seria um show, tornou-se uma festa com banda ao vivo, o que não foi  ruim, até pela escolha do local, o Estúdio Prisco, em Santo André. Com bastante espaço e um palco grande, a casa, localizada no ABC paulista, pode ser uma nova opção para as bandas da região produzir e promover seus trabalhos.

Abertura

Antes dos anfitriões, o evento contou com a participação da banda Dallas 89. Confirmada aos 40 minutos do segundo tempo, o quinteto, que conta com o baterista da Vint3, fez um set baseado em covers variados. De INXS a Bom Jovi e de Foo Fighters a Bruno Mars, o que agradou os que estavam afim de ouvir música e se divertir. Uma versão pra lá de descontraída de Whisky a Go Go (Roupa Nova) encerrou os 50 minutos de set.

A  Grande Hora 

Vint3
Joana Mellito
Depois de alguns ajustes e aquela arrumada no palco, às 21h45, os anfitriões iniciaram a sua apresentação com a inédita Distúrbio. Bem sacada, chama a atenção pelo uso dos backing vocals, artifício que pode ser um diferencial do trio em relação à concorrência. As músicas do EP foram apresentadas após a  primeira pausa. As pesadas Vida Dura e Mente Louca se destacam graças ao bom nível instrumental e ao vocal de André, com uma veia Renato Russo (Legião Urbana).

“É gratificante ver a galera entendendo nosso propósito e curtindo nossas músicas. Queremos passar uma mensagem e isso se torna real a cada show, a cada contato com as pessoas que tem nos acompanhado.” Nélio Borrozino

Com os narizes vermelhos, mandaram mais uma do EP, dessa vez a que nomeia o
Vint3
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disquinho. Inspirada na vida do ator Robin Williams foi um dos pontos altos da apresentação, graças ao clima melancólico e intimista, que ganha um realce maior graças a letra bem sacada. Essa vibe se manteve durante a versão para Black (Pearl Jam).

Chutando a melancolia, Ascenção tem um jeito de hit e faria bonito nas rádios rock. Mantendo a mesma vibração, fizeram uma espécie de medley da já citada Legião Urbana.

Aprendiz, que contou com a participação da cantora Joana Mellito encerrou a apresentação do trio que definitivamente entrou de peito aberto no duro e muitas vezes injusto cenário da música autoral. “É uma enorme responsabilidade entregar o nosso pensamento através de canções, mas ao mesmo tempo, é libertador e realizador.  Fazer a galera refletir e ao mesmo tempo tentando levar diversão e qualidade é mais que um sonho se tornando realizado, chega a ser um presente divino.” Gabriel Diego

Bem vindos à selva, Banda Vint3.

13 de abril de 2017

A UNIÃO DE FORÇAS EM PROL DA CENA

Woslom e Divide partem em tour conjunta, que terá dezesseis shows em dezesseis dias

Por João Messias Jr.
Fotos: Edu Lawless

Cartaz do Evento
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Não é novidade pra ninguém que salvo um número pequeno de bandas, a situação não é fácil para a música autoral no Brasil. Alguns detalhes latentes dessa dura realidade são a baixa venda de CDs, a falta de interesse do público nos shows, falta de profissionalismo das bandas e o “medo” (ou preguiça?) em se conhecer novas e promissoras bandas.

O que fazer? Aceitar a situação ou buscar soluções para reverter o quadro? Seria cômodo demais concordar com essa realidade. Mas felizmente temos pessoas que pensam de forma contrária. Numa iniciativa que começa a pegar gosto aqui (junto com apoiadores), as bandas Woslom e a alemã Divide partem para uma tour conjunta, que abrangerá 16 shows em 16 dias, cujo pontapé inicial rolou em São Paulo, no Espaço Som.

Divide
Edu Lawless
Com um bom público na casa, o Divide deu início a sua apresentação às 21h10. Daniel Stelling (vocal e guitarra), Nils Köhnken (baixo) e Mortiz Paulsen (bateria), fazem um híbrido de death e thrash metal, que tem como pontos altos o instrumental intrincado e muita variação. Uma pena que durante boa parte do show alguns problemas na guitarra e voz não permitiu que ouvíssemos com total clareza o som dos caras. Alguns exemplos ficaram por conta da excelente The Abyssal Malice e Phalanx. Embora os pontos altos do set foram Mortification of the Flesh e o bem vindo cover para Evil Dead (Death). Versão que contou com a participação do guitarrista do Woslom, Rafael Iak.

Messiah of the Mutilation deu números finais ao show do trio, que contou com uma boa aceitação do público presente.

Woslom
Edu Lawless
Após um curto intervalo para ajustes dos equipamentos, às 22h20, o Woslom mostrou aos presentes o que sempre esperamos deles: uma apresentação explosiva e com entusiasmo. Silvano Aguilera (vocal e guitarra), Rafael Iak (guitarra), André Mellado (baixo) e Fernando Oster (bateria) começaram com  uma trinca do mais recente trabalho, A Near Life Experience, de 2016: Underworld of Aggression, a faixa títilo e Unleash Your Violence, que foram retribuídas com muita satisfação pelos presentes, que retribuíam com muito banging, mesmo com alguns problemas na voz de Silvano.

A seguinte, teve um gostinho especial, o  cover de Thrasher’s Retturn (Bywar). Para executarem a música, Silvano chamou o vocalista do saudoso grupo, Adriano Perfetto (Deathgeist, Timor Trail e fizeram assim mais um ponto alto da apresentação, mesmo com algumas falhas no microfone do cantor.

Uma volta aos tempos do primeiro álbum, Time to Rise foi feita com Beyond Inferno, que teve em sequencia Purgatory, Pray to Kill e o encerramento com Time to Rise. Comprovando a boa fase dos paulistas, são hoje uma das bandas mais “quentes” do país no quesito apresentações ao vivo.

O pontapé da tour foi dado com o pé direito, o que transmite uma visão positiva de como será o giro, que abrangerá as regiões Sul e Sudeste do país.

Esperamos que não fiquemos apenas com essa tour. Que  bandas, bookings e investidores acreditem nesse modelo de negócio e que os fãs voltem a prestigiar os shows. Fazendo que dessa forma, mude o panorama da cena metal nacional, que assim como muitos times de futebol, vivem de alguns lampejos, mas que em maioria deixa a desejar.

4 de abril de 2017

MEXENDO COM OS BRIOS DO OUVINTE

Quarteto paulista aposta em emoções e reações variadas no primeiro trabalho da carreira

Por João Messias Jr.

In the Shadows
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Em 25 anos de Rock and Roll tive a felicidade de escrever sobre muitas bandas e uma infinidade de estilos. Desde bandas leves até a extremas, um quesito que sempre julguei (e ainda julgo) ser o primordial em um trabalho é se o mesmo causa alguma reação a quem está ouvindo.

Pois é esse o combustível que vai fazer a banda melhorar o que já está organizado e acertar o que estiver bagunçado. Essa reflexão veio a mente quando comecei a escrever sobre o EP In the Shadows, da banda Shadowrath.

Apesar da banda dizer ser praticante do Death Metal Melódico, o trabalho do quarteto passa um pouco distante desta sonoridade. Pois, embora temos alguns elementos básicos do estilo como guitarras ora melódicas, ora pesadas e vozes agressivas e guturais, o quarteto formado hoje por Walter Vaughan (guitarra e voz) Vic Oliveira (guitarra),Ariel Marinho (baixo) e Felipe Muniz (bateria) deve um pouco em rispidez e brutalidade.

Das cinco faixas do trabalho, embora Become End e No Goodness In my Heart soem comuns, Shadowrath, com um clima quase Hard Rock e a levada marcante e "alegrinha" de In the Shadows of Wrath (se pensou em Helloween acertou) são os pontos altos do disquinho. Suicide, apesar das boas intenções e instrumental voltado ao Power Metal, soou desencontrada em algumas passagens.

Embora precise lapidar algumas coisas, o interessante do som dos caras é o lance de mexer com o brio do ouvinte, algo que num cenário competitivo e saturado é um diferencial.

23 de março de 2017

APARÊNCIAS QUE ENGANAM

Apesar do nome e visual, a pegada da banda finlandesa é mais voltada à introspecção

Por João Messias Jr.

As aparências enganam sim ou Não?

Black Aura
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Não sei se existe uma resposta definitiva para essa questão, mas ouvindo o novo trabalho dos finlandeses da Viper Arms me faz crer que elas enganam sim. Veja bem, com um nome desses e uma capa forte e chamativa, pensamos que estamos diante de uma banda de hard rock.

Apesar de umas guitarras pesadas e músicas contagiantes como Time Bomb (um grude só) e a energética Lucky 7, o que temos ao decorrer do disquinho são canções mais introspectivas, que aparecem logo na seguinte faixa, Holy in One, que mantem o nível alto.

To the Wolfes é densa, já Everything Nothingness é  deprê, enquanto Black Surf é um ska muito gostoso de escutar. Apesar da inegável qualidade, o nível cai um pouco, voltando a subir em na interessante The Worst Candidate e Sightseeing to Hell.

Mesmo com a “queda de temperatura", o quarteto formado por Niina (voz e guitarra), Heidi (guitarra), Soffe (baixo) e Jonne (bateria) tem suas qualidades e pode cair no gosto de fãs de rock, em especial de vertentes como o alternativo, grunge e o pop.

20 de março de 2017

GARRA É TUDO

Gana de fazer músicas envolventes e apaixonantes é o trunfo de banda sergipana

Por João Messias Jr.

Seeds of Evil
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Sabe aquele jogo em que a melhor equipe leva um baile do adversário infinitamente inferior e que compensa tudo com garra, raça e vontade? É essa sensação que é passada ao ouvir Seeds of Evil, primeiro trabalho dos sergipanos da Stonex, que tem como referências o hard/heavy dos anos 70 e 80.

Mas engana que se trata de uma formação stoner, pois o pessoal aqui soa como as primeiras bandas nacionais de metal daqui do Brasil. Outro aspecto que nos remete ao período é que tocam com muita garra e paixão, mostrando que em muitos casos, o entrosamento vale mais do que a técnica masturbatória. As quatro músicas chamam a atenção pela linearidade entre elas....nada aqui foi feito para encher linguiça. Porém Electric Sky e Master of the Pit são as melhores aqui. A primeira pelo bom trabalho de guitarra e a segunda pelo refrão pra lá de  convidativo.

Por ser um primeiro trabalho nota-se algumas coisas a serem melhoradas. Começando do som, só devem fugir um pouco das influências, além de buscarem uma qualidade melhor de áudio. Além de um melhor cuidado na identidade visual do grupo. Quesitos que devem ser resolvidos nos futuros trabalhos.

13 de março de 2017

RECOMEÇO EM GRANDE ESTILO

Grupo formado das cinzas da Invisible Enemy lança EP que pode cair no gosto da galera Death/Thrash

Por João Messias Jr.

Blood Path
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Ás vezes dar um passo para trás não significa regredir, pelo contrário. É pavimentar o caminho para seguir com novos e largos passos. Assim podemos definir a caminhada da banda Terrorsphere. Oriunda do Paraná, surgiu em 2014 após o fim da Invisible Enemy e agora nos brinda com seu primeiro trabalho, o EP, Blood Path.

O trabalho transita entre o Death e o Thrash, que mescla diversas escolas dos estilos citados, tendo como base a velocidade e crueza, que gera canções feitas para os palcos. O que percebemos logo de cara, com a faixa de abertura, Assassinos, única cantada em português, que tem um refrão marcante. As passagens cadenciadas e o clima mórbido de War Curse também chamam a atenção, assim como a empolgante faixa que dá nome ao disquinho.

Reforçando as boas impressões musicais, a banda "embalou" o material com uma boa gravação, que poderia ser menos crua e uma bela capa que deve ficar ainda mais bonita como uma camiseta ou em formato para vinil.

Agora é aguardar os próximos passos da turma formada por Werner Lauer, Udo Lauer, Francisco Neves e Victor Oliveira.