23 de junho de 2016

OUSADIA

Z.3.R.O., novo álbum do vocalista Fabiano Negri aposta no uso de sintetizadores sem abrir mão da proposta de trabalhos anteriores

Por João Messias Jr.

Z.3.R.O.
Divulgação
Enquanto muitos artistas/bandas ficam reclamando que a cena underground é uma droga, que não vai gravar CD, pois ninguém vai comprar, não vai fazer show que não aparecerá almas vivas, o multi-instrumentista Fabiano Negri vai fazendo seu trabalho. Longe de polêmicas, o artista vem espalhando a sua arte para todos os ouvidos sedentos por arte.

A sua nova empreitada, o álbum Z3RO, mostra um músico interessado em expandir os horizontes. Cujo primeiro indício dessa nova fase fica pela capa instigante feita pelo artista Wagner Galesco, que passa a impressão dos inúmeros questionamentos que fazemos em nossa vida, desde ao acordar até o descansar.

Sem medo de agradar X ou Y, Fabiano apostou no uso de sintetizadores, o que deixou sua música moderna e atraente. Mas não pensem que os elementos da música negra foram deixados de lado, muito pelo contrário. Eles continuam presentes, mas renovados graças ao interessante contraste, que agradará fãs de artistas como David Bowie, Kraftwerk até Depeche Mode e Nine Inch Nails.

Mesmo com todos esses climas inusitados, Z.3.R.O. é um disco que prima pela qualidade dos arranjos e composição. Todos executados pelo artista, que ainda produziu, deixando apenas a masterização para o competente Ricardo Palma. 

Voltando a falar das canções, cada uma mergulha em climas diferentes, como Don't Try Me, cujo clima nos remete ao Sisters of Mercy, enquanto Forbidden Grace e sua melancolia e uma excelente interpretação vocal nos cativam de imediato, fazendo desta uma das melhores canções feitas por ele.

Já My Dark Passenger recebe batidas eletrônicas instigantes e vai aos poucos ganhando outros instrumentos. A faixa que nomeia o disco é mais densa e agressiva enquanto Hopeland mostra que a melancolia é uma das grandes sacadas da carreira solo do músico. The Muse é outro ponto alto do disquinho, pois é dona de uma levada gostosa, que nos faz cantar junto. 

Soam um pouco distintas as faixas Faithless Alley  e Future Paradise. Enquanto a primeira é bem mais soul e contrasta climas melancólicos e eletrônicos, a segunda lembra um pouco bandas como Soft Cell. 

O encerramento com The Blue Bird é épico. Ao longo dos seus onze minutos é possível encontrar música brasileira, jazz, soul, guitarras pesadas a lá Black Sabbath/Iron Maiden, que é disparada uma das canções mais ousadas da carreira do músico, que fez deste seu melhor álbum lançado até aqui.

Para aqueles que vivem dizendo que a cena é uma merda, que não há renovação e se prende aos artistas "blockbusters", que tal tirar a bunda do sofá e buscar por artistas tão bons ou até melhores dos que aparecem por aí?

Um comentário:

natural born teacher disse...

Grande texto / resenha , João Messias ; capta com perfeição a maestria deste novo trabalho do Mestre FABIANO NEGRI . Parabéns ( aos DOIS =)