13 de julho de 2010

INTERVIEW - RAVENLAND

Esse fora um dos trabalhos mais aguardados do ano que se passou, e só podemos dizer que ele compensou a espera, pois And A Crow Brings Me Back conseguiu a façanha de unir fãs do lado Underground e Mainstream da hoje mais que diversificada cena Gothic.
E nessa entrevista respondida pelos vocalistas Dewindson e Camilla, eles nos contam além da repercussão do álbum, as dificuldades e conquistas, a aparição da banda em uma novela,  novos integrantes e a participação de ambos no show do Moonspell.
Confiram!

New Horizons Zine: Passado algum tempo após o lançamento do seu primeiro álbum “Full” And A Crow Brings Me Back, como vocês vêem sua repercussão perante público e mídia?
Camilla Raven: Acredito que estamos tendo uma ótima repercussão, tanto da mídia especializada como do público. Percebemos também que estamos conseguindo expandir mais o conhecimento do nosso álbum para outras mídias e diferentes tribos. Isso é muito bacana, pois abre a mente das pessoas. Estamos recebendo muitas mensagens de elogio ao álbum e isso é gratificante, valoriza os nossos esforços para entregar um trabalho de qualidade e fazer com que a cena nacional seja mais reconhecida.
Dewindson Wolfheart: O CD realmente está sendo bem elogiado, obtivemos média entre 8 e 9 de 10 nos principais sites especializados, e média 8 nas duas principais revistas de Rock/Metal do nosso país, a Roadie Crew e Rock Brigade. Fora isso, todos os recados que temos recebido via orkut, myspace e youtube elogiam muito o disco. Saímos também em 2º lugar como banda revelação de 2009 e entre as melhores capas de 2009.

New Horizons Zine: Essa questão é para o vocalista Dewindson, houve uma época em que a banda “congelou” suas atividades, onde inclusive você foi trabalhar em outro estado, tendo inclusive a chegar a participar de outras bandas e projetos, e neste seu período em outro estado, você viu a oportunidade de reformular a banda. A apartir de que instante você percebeu que poderia ressurgir a Ravenland?
Dewindson Wolfheart: Eu fui obrigado a desativar a Ravenland quando ficamos por muitos meses sem baterista em 2003 e a gravadora Moonshadow Records havia fechado as portas sem lançar o nosso primeiro álbum “After the Sun Hides” já todo gravado e com a arte gráfica completa, isto me deixou muito mal. Neste mesmo ano recebi uma proposta para coordenar uma escola de informática em Fortaleza-CE, onde sempre quis morar, aceitei a proposta, lá eu quis recomeçar, mas nunca encontrei pessoas com o mesmo objetivo.
Acreditei que lá tivesse a oportunidade de reformular a RAVENLAND, mas a maioria da cena nordestina é composta por fãs de metal extremo, tanto que me envolvi em outro projeto lá em Fortaleza de uma excelente banda local chamada PANTÁCULO MÍSTICO de Pagan/Doom/Metal.

NHZ: E um fator determinante foi a entrada da vocalista e violinista Camilla Raven. Como você a conheceu e em que momento você viu que ela poderia integrar a banda?
Dewindson Wolfheart: Então, em 2004, uma aluna minha chamada Sara, me chamou para tocar baixo numa banda que ela cantava, a Thiphareth, ela me apresentou a líder e violinista da banda, Camilla, eu me encantei com o talento dela, daí, nossa parceria foi selada, logo integramos juntos também o Pantáculo Místico), mas após 6 meses juntos nestes projetos, o Andralls me chamou para cumprir umas datas com a banda devido a saída do Alex (ex-vocal do Andralls). Eu realmente não tinha mais a intenção de reativar a Ravenland até então, mas de iniciar uma nova banda com a mesma proposta.
A Camilla me apoiou muito e me incentivou bastante para que nós reativássemos a RAVENLAND. Como percebi nela a mesma empolgação e dedicação que eu possuía, nos tornamos parceiros musicais com o mesmo objetivo e por isso que a RAVENLAND tem crescido bastante, pois respiramos juntos o dia inteiro o mesmo ideal.

NHZ: Como uma forma de pré-divulgação do debut vocês fizeram um vídeo para End of Light. Como foi a escolha do local, figurino e o que acharam do resultado final?
Dewindson Wolfheart: Desde a primeira vez que vi aquele castelo em ruínas abandonado, pensei “Que lugar perfeito para gravar um clipe da RAVENLAND!” Mas quando assisti em um programa de TV sobre crimes não solucionados, e contava que além da família assassinada no local e todo o mistério que envolvia o crime, ainda por cima o castelo era visto como mal assombrado! Bem, não existiria lugar melhor, mais original e verdadeiro para gravarmos o nosso primeiro vídeo clipe. O figurino é o mesmo que usamos em nossos shows, temos o apoio da marca LADY SNAKE, a maior grife neste estilo Rock/Metal/Gótico, as roupas tem muito a nossa cara, transmitem a atitude que o nosso som possui, gostaríamos aqui até agradecer pelo apoio que eles têm dado não só a RAVENLAND, mas a toda a cena rock/metal nacional.
Ficamos muito satisfeitos sim com o resultado do vídeo clipe, o produtor Luiz Amorim fez um excelente trabalho diante do baixo orçamento que possuíamos. E imaginar que este vídeo clipe foi o primeiro de uma banda de Gothic Metal brasileira a entrar para a programação da MTV e é exibido até hoje. Sem falar em outros programas de metal que sempre o exibem também como o Stay Heavy, Metalsplash...

NHZ: O vídeo contou com a participação da atriz, apresentadora e vocalista da banda Insane Kreation, Elaine Thrash. Como surgiu o contato para a sua participação?
Dewindson Wolfheart: Conhecemos a Elaine quando a RAVENLAND foi convidada a dar uma entrevista no programa que ela apresentava, o METALSPLASH na All TV, então, ela se tornou fã, amiga e sempre nos apoiou, ela é uma excelente atriz e dançarina também, já participou de mais de duzentas peças teatrais, então, quando surgiu a idéia do clipe, ela seria a atriz ideal para representar a personagem.
Em shows onde podemos montar toda a nossa estrutura de palco, ela participa em duas músicas, encenando a personagem da capa do CD, não posso contar mais detalhes porque os fãs devem ir ao nosso show para comprovar tudo ao vivo e que faz parte de toda a magia que tentamos passar ao vivo.

NHZ: E ainda falando em vídeos, vocês pretendem fazer um para a faixa Soulmoon, como anda este projeto e se há uma previsão para o seu lançamento?
Camilla Raven: Pretendemos lançá-lo antes de mostrar algo do nosso novo álbum. Estamos ainda definindo alguns detalhes e em breve já começaremos a gravar.

NHZ: E os vídeos andam sendo algo corriqueiro para alguns músicos da banda, pois alguns deles apareceram em alguns capítulos da novela global Tempos Modernos, cujas externas ocorreram na Galeria do Rock. Como isto ajuda na promoção da banda?
Camilla Raven: A intenção é encaixar a RavenLand tocando em uma cena. Até agora não surgiu oportunidade, de acordo com a história. Mas eles gostaram muito da banda e comentaram que talvez role uma cena que será uma festa e poderá nos encaixar tocando. Isso seria ótimo, apesar de termos quebrado algumas barreiras, ainda é difícil divulgar a banda no Brasil e queremos ter a oportunidade de apresentar a banda para um publico maior. Então fizemos essa participação, que foi uma experiência legal, ver como tudo funciona. E a história também de defender a Galeria do Rock e estar presente para poder divulgar a banda por lá, foi bem legal.

NHZ: Agora vamos falar um pouquinho do álbum, que mostra que pode agradar fãs de várias vertentes do gothic, desde aqueles ligados no lado mais mainstream e de bandas como The Cure, The Mission e até algo mais pesado, como Paradise Lost e Theatre of Tragedy , além de um público fora deste nicho. Para vocês esta variedade de público acaba sendo mais um diferencial para a banda no meio de tantos lançamentos que surgem a toda hora?
Camilla Raven: Acredito que seja sim um diferencial. É ótimo saber que a RavenLand atraiu vários tipos de público. Isso significa que estamos conseguindo mostrar algo novo, algo nosso e quebrar barreiras. Tentamos misturar o Gothic pop 80’s com o peso do metal.
Dewindson Wolfheart: Eu sou bem eclético, venho da cena metal, sempre ouvi metal desde 1986 quanto tinha ainda nove anos, mas nesta época também o gothic rock e pop oitentista estava em alta e bombando nas rádios, então não teve como tudo isso não influenciar na minha formação musical, assim como refletir nas composições e direcionamento da RAVENLAND. Por isso nosso som agrada muito e conquista fãs diversificados.

NHZ: Além da música de qualidade, o álbum veio com participações especiais marcantes, como a do baterista Ricardo Confessori (Shaman/Angra) e do êx guitarrista do Theatre of Tragedy, Tommy Lindal. Como foi ter esses grandes nomes da música pesada no disco e quais palavras vocês podem definir suas performances no disco?
Camilla Raven: O Tommy é um grande amigo, poder ter o toque dele no nosso álbum foi simplesmente maravilhoso. Somos fãs de Theatre of Tragedy antigo e ele proporcionou um toque dessa época mágica do Gothic Metal em duas músicas nossas. Quando começamos a pré-produção do álbum com o Confessori, logo o nosso ex-batera teve que nos deixar por causa de problemas no joelho. Não é tão simples, somos uma família e queríamos procurar alguém com calma, alguém que tivesse os mesmos objetivos que os nossos para poder integrar a banda. Como o Confessori já estava conhecendo melhor as musicas, ofereceu-se para gravar a bateria, para que pudéssemos ter esse tempo. Ele é um excelente músico, apesar de já termos em mente o que queríamos na bateria, ele acrescentou muito ao trabalho. Enfim, é o cara que gravou o Holy Land, um dos clássicos do metal nacional, acho que essas palavras já bastam. (risos)

NHZ: E após o lançamento do disco vocês estão com um novo baterista e tecladista. Comente-nos como se deu a entrada de ambos na banda e o que podemos esperar de novidades no estilo da banda?
Dewindson Wolfheart: O Fernando Tropesso (baterista) foi e é a melhor opção como baterista da RAVENLAND, somos grandes amigos há cinco anos, tenho uma enorme admiração por ele tanto como amigo e também como músico. Já havia o convidado antes, desde 2006 quando reativamos a RAVENLAND. Ele sempre foi a minha preferência como baterista, mas ele nunca teve como aceitar porque não teria o tempo e a dedicação que a RAVENLAND precisava, então em 2008 após a saída do Ariel (antigo baterista) e após a gravação do CD, o convidei novamente e ele me disse que desta vez aceitaria por poder se dedicar 100% a banda.
Quanto ao Fermann (tecladista), já estávamos convencidos a usar samplers ao vivo, quando a Camilla insistiu novamente em buscar um músico e encontrou o Fermann na internet, logo então o convidou, e ele foi testado por nós, não só como músico, mas como pessoa e ele está conosco desde Maio de 2009, quando o CD já estava na fábrica.
Estamos vendo qual será a participação deles no novo disco, mas desde já gostaria de comentar que estamos tranqüilos, pois os dois são excelentes músicos e que possuem idéias fantásticas para nossas músicas.

NHZ: Vocês participaram do show do Moonspell no Brasil. Como pintou a oportunidade e qual foi a repercussão do público com os vocalistas da Ravenland?
Camilla Raven: Então, estávamos no camarim com eles, curtindo. Já tínhamos contato com eles pela net, mas era a primeira vez que nos encontrávamos com os Moonspell pessoalmente. E no camarim surgiu o convite e aceitamos honrados. Foi muito legal, pois estávamos entre amigos. Todos estavam muito a vontade, os Moonspell participaram do show do Tiamat e depois o Tiamat participou do show dos Moonspell, aquele foi um showzaço! Uma noite para recordar. Nas palavras de Fernando: “Uma noite eterna!”, com certeza. Com relação a repercussão, acho que foi ótima, foi uma surpresa para todos, ninguém esperava, nem nós mesmos esperávamos por isso. (risos)
Dewindson Wolfheart: Para mim que sou fã e amigo do Moonspell há alguns anos, foi uma satisfação muito grande cantar com eles ao vivo e aqui no Brasil. O Fernando Ribeiro é muito amigo nosso e trouxe alguns presentes para nós, assim como eu separei alguns LP’s para ele duma banda que sou muito fã também assim como ele, os dois primeiros discos do THE MIST.

NHZ: Antes de encerrar, qual o sentimento de hoje vocês terem um disco bem aceito, suporte de algumas empresas como a Lady Snake, participação em shows importantes, clipe veiculando em diversos lugares, vocês se sentem vencedores por terem passado por muitas dificuldades e manterem a banda viva até hoje?
Camilla Raven: Nos sentimos vencedores sim, mas temos um bom caminho ainda pela frente e muito o que conquistar ainda. Queremos muito mais e quebrar mais barreiras para a nossa música poder chegar a pessoas que ainda não tiveram oportunidade de conhecer a banda. Mas acho que demos um grande passo sim, pois sabemos das dificuldades de ser uma banda, levando em conta o estilo que fazemos no Brasil.
Dewindson Wolfheart: É fascinante ver o seu disco ser o preferido de alguém, sua música virar clipe, passar na TV e ouvir seus ídolos dizer que curtem o seu trabalho.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixem um recado aos leitores do New Horizons Zine!
Camilla Raven: Nós é que agradecemos o espaço! Muito obrigada a todos! Quero vê-lo nos shows!


Fotos: Divulgação
Entrevista: The Rocker


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