15 de junho de 2011

CARRO BOMBA: CARCAÇA METÁLICA

Carro Bomba 2011
Divulgação
Formado em 2004, o Carro Bomba conta com músicos que já figuraram em bandas renomadas como Patrulha do Espaço e Golpe de Estado, e que desde seu primeiro trabalho auto-intutulado chamava a atenção por ter uma sonoridade que resgatava o rock pesado dos anos 70. Mas foi a partir da entrada do vocalista Rogério Fernandes e do baterista Heitor Shewchenko, que geraram o álbum Nervoso foi que deixaram este carro mais explosivo.
E coroando esta atual fase, a banda lançou em 2011 o seu quarto trabalho, Carcaça, que pode ser considerado seu melhor e mais pesado trabalho, por conter passagens que beiram o Thrash americano, além de uma grande atuação do vocalista Rogério Fernandes.
Nesta entrevista feita com o baixista Fabrizio Micheloni, o vocalista Rogerio Fernandes e o baterista Heitor Shewchenko eles nos contam da sonoridade do trabalho, e dos próximos passos da banda!
New Horizons Zine: Carcaça pode ser considerado o melhor e o mais pesado trabalho da banda. Acredito que boa parte disso se deve a estabilização da atual formação. Pode se dizer que esta é o melhor line up que a banda já teve?
Fabrizio Micheloni: O melhor e o mais forte, com certeza!

NHZ: E o que evidencia estas qualidades é a produção feita no Mr. Som, com os "magos" Heros Trench e Marcello Pompeu (Korzus), que equilibrou o peso e a rispidez da música do Carro Bomba. Podemos dizer que o Mr. Som e a dupla do Korzus são perfeitos para produzirem o som da banda?
Heitor Shewchenko: Foi uma parceria que deu muito certo no Nervoso. O novo disco foi uma evolução desta parceria. Chegamos com as músicas prontas e eles direcionaram a sonoridade. Chegamos exatamente onde queríamos com a ajuda deles.


NHZ: Além dos riffs na cara, cozinha pesada ao extremo, o vocalista Rogério Fernandes fez um excelente trabalho, acredito que seja este o seu melhor trabalho, lembrando muito o mestre DIO. Qual a importância do trabalho do "baixinho" na música pesada?
Rogerio Fernandes
Divulgação
Rogério Fernandes: Total influência e importância. Quando gravei o disco levei comigo um vinil do DIO, assinado pelo próprio. Coloquei o vinil no vidro da técnica e enquanto eu gravava podia ver o DIO apontando pra cima na capa de HUNGRY FOR HEAVEN. Ronnie morreu no dia 16 de Maio e começamos a gravar o disco dia 21. O meu trabalho e acho que o de qualquer outro cantor que tem o DIO como mestre foi afetado, e o fato de ter gravado o disco logo após a sua morte foi determinante na emoção e interpretação que coloquei no disco. Vida eterna ao mestre!


NHZ: A faixa de abertura do álbum, Bala Perdida daria um ótimo clipe. Aliás, vocês possuem planos para um vídeo para a promoção do trabalho?
Fabrizio: Parece que você adivinhou! É justamente essa faixa que está sendo cogitada para o clipe e inclusive já temos algumas idéias para o roteiro.


NHZ: O Foda-se III tem algumas partes cadenciadas e pesadas que lembram as fases do Exodus e Forbidden nos anos 90. Qual membro da banda é o mais extremo em termos de som?

Fabrizio Micheloni
Divulgação
Fabrizio: Todos nós gostamos de uma boa pancadaria...No meu caso, além dos medalhões que nem precisam ser citados, gosto muito do Coroner e da fase mais “encrenca” do Death, principalmente do Individual Thought Patterns. A influência do Exodus vem do Marcello, grande fã do Gary Holt.


NHZ: Tortura conta com a participação de Vitor Rodrigues (Torture Squad) cuja canção casou bem seus vocais mais ríspidos com a temática do Carro Bomba. Como surgiu essa participação?
Rogério: Conheci o Vitinho através do meu irmão Nando Fernandes.O cara é muito gente boa, humilde e talentoso pra cacete. Quando colocamos o nome Tortura na música, a idéia do convite foi quase imediata. Ganhamos uma puta participação especial e um grande amigo. Valeu Torture Squad!!


Capa do novo álbum - Carcaça
Divulgação
NHZ: E o álbum é o primeiro trabalho pelo novo selo, a Laser Company (Krisiun, Korzus e Torture Squad) após estarem trabalhando com a Voice Music. Por que mudaram de selo e quais as expectativas com esta nova parceria?
Fabrizio: Quando pintou a oportunidade de nos unirmos à Laser Company, todos concordamos que o que eles tinham a oferecer ia exatamente de encontro com o que queríamos, e precisávamos. As expectativas de uma maior exposição da banda acompanhada de toda uma estrutura para que isso aconteça de forma eficiente já começaram a render frutos!


NHZ: Vocês fizeram o show de lançamento do álbum no Manifesto há poucos dias. Qual a reação das pessoas aos sons do novo trabalho?

Heitor Shewchenko
Divulgação
Heitor: A reação foi extremamente positiva!
Todo o público aprovou a mudança da sonoridade a partir do “Nervoso”, que para nós foi uma evolução natural. Agora com as músicas do “Carcaça”, o peso está ainda maior e as letras estão ainda mais incisivas, elementos apontados como chave pelo público.
E nós sempre fazemos o melhor show possível. Sempre com muita força, peso, energia e sempre subimos no palco com sangue nos olhos. Ninguém sai de um show do Carro Bomba sem se surpreender com a banda.
Fabrizio: E lotamos a casa, diga-se de passagem...

NHZ: Falando em shows, vocês fizeram algumas apresentações no Chile em março deste ano. Como surgiu esta oportnudade e quais as características do público chileno?
Heitor: Essa oportunidade surgiu através de um intercâmbio de bandas que estamos tentando fortalecer entre países da América do Sul. Ainda estamos no começo, mas já criamos um laço fortíssimo com o Chile.
O começo disso tudo foi com a vinda da banda Tabernários, com quem fizemos shows juntos, para o Brasil em 2010, com suporte da banda Baranga.
Imediatamente selamos um acordo de troca de shows, que foi concretizado com nossa ida pra lá em Março, com o Tabernários nos apoiando. Tocamos lá com Tabernários, Bocaseca e Lethal Fist.
Fizemos muitos fãs por lá, conhecemos um cenário totalmente novo e o mais importante: aumentamos nossa família com novos “hermanos”.
Realmente criamos uma ponte que vai durar pra sempre.


NHZ: E no Brasil, como estão os preparativos para os shows?
Fabrizio: Já temos algumas datas, que podem ser conferidas em nosso site, e várias outras estão pintando. Quanto aos preparativos, estamos mais cuidadosos no sentido de preservar ao máximo nossa configuração de palco, que inclui equipamento, pano de fundo, etc... e também de não nos metermos mais em roubadas.


Marcello Schevano
Divulgação
NHZ: O encarte do trabalho é muito legal, fugindo um pouco do esquema plástico das produções gráficas de hoje, pois o disco parece um story board contando um enredo de um filme. De quem foi a idéia deste conceito para o encarte?
Heitor: O encarte do disco “Nervoso” foi feito pelo desenhista André Kitagawa, que foi muito competente em traduzir não só as letras, mas também o sentido das músicas, através de desenhos. Antes mesmo de terminar o “Carcaça” já tínhamos certeza que trabalharíamos novamente com ele, pois achamos que o teor das novas músicas casaria bem com o traçado agressivo do Kitagawa.
Percebemos que, apesar de o disco não ser uma história, todas as músicas estão interligadas, logo surgiu a idéia do encarte ilustrar um enredo.


NHZ: Bandas como o Carro Bomba e a Baranga fizeram acontecer uma espécie de renascimento do rock pesado cantado em português. Como é para vocês ver as novas bandas fugindo do esquema de cantar em inglês e qual a importância de bandas como Made In Brasil, Patrulha do Espaço e O Peso para esta nova cena?
Fabrizio: Cara, essa história de “em português não rola” é coisa de quem não tem a manha de fazer. Porém, creio que esse estigma também foi alimentado por bandas toscas e suas letras pavorosas, que mostram apenas falta total de conhecimento da língua e também de cultura, principalmente no metal. Por outro lado, sempre existiram bandas, como as citadas por você e muitas outras, que acreditaram e acreditam no lance de cantar em nossa língua. É uma tradição que está sendo mais respeitada agora, graças à saturação e falta de identidade que está assolando a música atualmente.


NHZ: Para encerrar, com 4 álbuns de estúdio e um grande repertório ao vivo , vocês pensam num DVD como próximo passo?
Fabrizio: Não necessariamente como próximo passo, mas temos isso em mente e sabemos que rolará quando todos os aspectos que envolvem sua produção e realização conspirarem a favor.


NHZ: Amigos, muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem para os leitores do New Horizons Zine!
Carro Bomba: Agradecemos pela oportunidade e pelo espaço. Pedimos também que as pessoas continuem acreditando na nossa música e que o Rock Nacional está voltando.
http://www.carrobombaoficial.com.br/

Entrevista: João Messias THE ROCKER

2 comentários:

jantchc disse...

carro bomba é do caralho..

dia 16/07 tem show deles com o baranga no centro cultural vergueiro...

estarei la com certeza..

jantchc disse...
Este comentário foi removido pelo autor.