22 de outubro de 2011

IZA RODRIGUES: MENINA HEADBANGER

Por João Messias THE ROCKER

Menina Headbanger é um portal que como o próprio nome diz aborda além do Heavy Metal assuntos relativos ao mundo feminino, mas de uma forma sutil e tranquila que conseguiu ter como fãs alguns fãs.

E nessa entrevista, a mentora do portal nos conta dos temas abordados no site, cena underground e muito mais:

Iza Rodrigues
Divulgação
New Horizons Zine: Iza, como você conheceu o Rock/Metal e quando percebeu que o som não era apenas uma distração e sim algo que te acompanharia dia a dia?
Iza Rodrigues: Eu cresci ouvindo meu pai cantar músicas do Raul Seixas, Legião Urbana e outras bandas de Rock nacional, mas só comecei a me interessar por coisas mais pesadas por volta dos 11 anos. Nessa época eu conheci bandas de Hard Rock, me apaixonei por Guns N' Roses, e daí por diante fui conhecendo bandas de outros estilos. Comecei a frequentar bares e shows, a construir amizades com headbangers e mais pra frente, andar no visual. E quanto mais o tempo passava, mais eu tinha certeza de que tinha me encontrado. Ali, naqueles lugares, com aquelas pessoas, com aquelas roupas, conversas. Aquelas músicas. Definitivamente eu me sentia feliz com aquilo. E não foi nada momentâneo. Cresci, amadureci, me formei, tive uma filha e a sensação ainda é a mesma. O Heavy Metal me completa. Mas como uma pessoa pode gostar tanto, se doar tanto pra um estilo de música? Oras, todas as pessoas se doam a algo. Muitos se doam a uma religião, alguns a um time de futebol, outros preferem se afundar no trabalho. Eu escolhi a música, a arte!

NHZ: Visto que a maioria das pessoas parte para montar bandas, por que criar um veículo para divulgar o Rock/Metal?
Iza: Talvez por falta de talento (risos). Mas na verdade, há anos atrás, todos as noites de domingo eu ouvia atentamente o Programa Backstage, do Vitão Bonesso, na época veiculado na Rádio Brasil 2000 e achava tudo aquilo fantástico. Um programa de rádio dedicado ao Heavy Metal! Era demais! E decidi que queria isso pra minha vida. Por causa desse bendito programa, me formei em Rádio e Tv, mas devido a esse nicho do mercado ser muito fechado e ter remuneração ruim, tive que adaptar meu sonho juvenil (risos), daí veio a idéia de montar o Menina Headbanger, que diferente de vários sites, não é sobre Metal Feminino, eu não falo sobre mulheres que FAZEM Heavy Metal, e sim sobre mulheres que GOSTAM de Heavy Metal. É diferente.


NHZ: Eu estava passeando pelo site, vi que ele vai além dos veículos do estilo, pois além da música pesada, o Menina Headbanger, como o próprio nome diz, fala de assuntos femininos. Como vocês definem a escolha dos temas para publicação?
Iza: Os temas estão todos no visual dos headbangers. O que eu faço é destrinchar e falar por partes, mas tudo ali vem de observar o modo que essas pessoas se vestem e em como as mulheres adaptam coisas antes utilizadas só por homens.


NHZ: Ainda sobre os temas, algum que já fora publicado gerou polêmica?
Iza: Sempre tem os fãs mais extremos e que não aceitam essa junção de temas, aparentemente tão distintos, do Menina Headbanger. Um post sobre o visual Thrash Metal [http://www.meninaheadbanger.com.br/2011/08/coletes-e-e-patches.html ] deu uma pequena polêmica nos comentários, mas enquanto o debate for respeitoso, eu acho válido e necessário.


NHZ: E por ser um veículo que tem como público as headbangers, o que os homens comentam sobre o Menina Headbanger?
Iza: Isso é algo bem interessante. Apesar de ser voltado as mulheres, eu recebo muitas visitas e comentários de homens (nos posts relacionados a música) e tenho tido um feedback muito positivo. A maioria elogia a iniciativa e me ajuda a divulgar o espaço. Os ‘trolls’ por enquanto são minoria.


Iza Rodrigues
Divulgação
NHZ: A ênfase do site é apoiar/divulgar principalmente o metal nacional, que de alguns anos para cá, não deve em nada as bandas do exterior, desde o nível dos músicos, até a produção e confecção dos seus discos, tendo bandas como Sepultura, Shadowside, Hangar, Korzus e Mindflow como maiores nomes do estilo hoje. Mas que apesar do apoio de algumas pessoas, a maioria prefere apenas cultuar o que vem de fora. Você acha que um dia as pessoas se conscientizarão que se não valorizarmos a nossa própria cena, seremos responsáveis pelo enfraquecimento e até a extinção da mesma. Queria que você comentasse sua opinião sobre isso.
Iza: É verdade, o Heavy Metal Brasileiro em nada deve a bandas estrangeiras. Mas acho que o que as bandas tupiniquins precisam é de espaço para mostrar seu trabalho, e não digo isso só em relação a aparecer em sites e revistas do gênero, mas se por exemplo, se os donos de bares e casas de show dessem preferência, em ao menos discotecar bandas nacionais, já seria uma forma das pessoas conhecerem a música.
Se um dias as pessoas se conscientizarão? Não sei, mas eu torço pra que isso aconteça! Temos ótimas iniciativas no momento, como a luta para termos o Dia do Heavy Metal Nacional e a produção do documentário Brasil Heavy Metal, que fará com que mais pessoas conheçam um pouco da nossa música, além de sites, web rádios etc. A cena pode ser fraca, mas se extinguir jamais.

NHZ: Citarei algumas bandas com mulheres em sua formação e queria a sua opinião a elas:Shadowside, Sacrified e Ecliptyka
Iza: Sacrified: Minas Gerais como sempre, berço de ótimas bandas de Heavy Metal! Kell Hell é outra ótima vocalista e espero que o Sacrificed alcance o espaço que tanto merece. Ecliptyka: A voz da Helena Martins é doce e um pouco mais aguda que das demais cantoras citadas aqui, mas nem por isso a banda abre mão do peso, o que é louvável, já que boa parte das cantoras com esse tipo de voz, cantam em bandas de som mais cadenciado e meloso, o que não é o caso do Eclyptyka, que sabe equilibrar bem o peso e a melodia.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem aos leitores desta publicação!
Iza: Eu que agradeço pela oportunidade!
Acessem o Menina Headbanger para conhecer um pouco mais da cultura das pessoas que gostam de música pesada!
www.meninaheadbanger.com.br

Um comentário:

Iza Rodrigues disse...

Oi João! Obrigada pelo espaço!! Adorei!!

Abraço!