16 de novembro de 2011

ONSLAUGHT: O ENCONTRO DAS FORÇAS METALICAS NO ABC

Onslaught, Bywar, Blasthrash e Necromesis
Local: Central Rock Bar
Data: 02/11/2011

Por João Messias THE ROCKER

O Onslaught é um quinteto inglês que iniciou a sua carreira nos saudosos anos 80, e nesta década lançou três trabalhos: Power From Hell, The Force e In Search Of Sanity, este último inclusive contou com os vocais de Steve Grimmett (Grim Reaper). Mas após este trabalho a banda congelou as atividades, voltando no século 21,e no novo milênio lançaram três trabalhos dignos de nota: o CD ao vivo Live Damnation e os álbuns de estúdio Killing Peace e Sounds Of Violence, que mostram uma banda mais versátil, pesada e agressiva, que não teve medo de atualizar a sua música e limar os excessos do passado, fazendo desses novos registros seus melhores trabalhos!

E fezlizmente a tour dos ingleses não apenas passou pela capital e interior de São Paulo, como brindou os headbangers do ABC com uma das melhores apresentações ocorridas nesta ano, que ocorreu no Central Rock Bar, que numa iniciativa da produtora Seven Stars Management, que já trouxe bandas do exterior como God Dethroned, Elexorien, Besatt, Paul DiAnno, trouxe neste dia de finados o melhor do Thrash/Death Metal, que saciou a todos os fãs que estavam sedentos por música pesada de qualidade.

Necromesis
Foto: Katia Bucci
Chegando no local, as expectativas se concretizaram, pois apesar do pequeno atraso, ás 18 horas começou a apresentação da primeira banda da noite, o trio do ABC Necromesis, que foi uma grande surpresa, pois apesar de serem a única banda que não era Thrash , eles fazem um som que agrada em cheio os fãs deste estilo, pois eles praticam o que se chama de Technical Death Metal com muitas quebradas e virtuosismo, mas tudo em favor da música. Nesta apresentação eles tocaram sons de seus dois EP's, com destaque para os sons do novo trabalho, chamado Evolving To An Underworld, lançado há pouco tempo, que mostra uma múisica ainda mais técnica, porém com flertes com outros estilos, como o Heavy e o Progressivo, que se tiverem as merecidas oportunidades, vão dar o que falar!

Outro grande ponto a favor dos caras foi o cover, na verdade um medley instrumental com faixas do Rust In Peace (Megadeth), uma escolha bem pensada, e encerraram a apresentação com Demonic Source do primeiro EP, The Dark Works Of Art.

Blasthrash
Foto: Katia Bucci
A banda seguinte, o Blasthrash foi outra grata surpresa, pois eu não conhecia o som dos caras, e ao vivo eles impressionam, pois musicalmente eles vão num encontro do Crossover de bandas como SOD/MOD com o Thrash de bandas irreverentes como Sacred Reich e que apesar de terem uma postura bem descontraída, o som é muito bem executado, tendo inclusive direito a "paradinhas" e solos dobrados a lá Anthrax, ou seja, o negócio é bom mesmo!

E fizeram o público agitar muito (que desde a primeira apresentação já estava em bom número) com sons de seus dois trabalhos e uma versão muito bem vinda para Piranha do Exodus, que contou com muitas meninas bangeando neste som. Além da apresentação, outra coisa que chamava a atenção era o jeito que o vocalista Dario Viola ficava agitando, pois devida a sua postura insana, seus cabelos grudavam no teto do palco! Me veio na cabeça aqueles clipes antigos do MOD (banda de Billy Milano, êx-SOD), que combinou muito com a apresentação dos caras...hilário!

Bywar
Foto: Katia Bucci
Depois de alguns ajustes no som, o Bywar iniciou a sua apresentação, e como fazia mais de uma década que eu não assistia a uma apresentação da banda, percebi a grande evolução que os caras tiveram com o passar dos anos, pois embora o quarteto sempre tenha demonstrado qualidade, era muito preso as suas influências (principalmente do Thrash alemão) e hoje temos uma banda madura e competente musicalmente, com vocalizações corretas e um instrumental bem trabalhado, e com isso a banda não só manteve o pique da apresentação anterior, como colocou fogo no Central, com os moshes comendo soltos.

E esse pique foi mantido até o final com Thrashers Return, com a banda sendo ovacionada pelo público! Eu não posso mais ficar doze anos sem assistir a uma apresentação dos caras!

Onslaught
Foto: Katia Bucci
Já passavam das 21:30 quando o Onslaught começou a sua apresentação, onde podemos dizer que os caras mostraram o que é Thrash Metal, onde não é necessário um palco gigantesco, pirotecnia, apenas cinco caras com “sangue nos olhos”, que aliadas a muita técnica, coesão e agressividade fizeram uma das melhores apresentações internacionais ocorridas neste ano.

Repetindo o que eu disse lá atrás, este recesso só fez bem aos caras, pois comparado aos discos do passado, a banda deu um salto gigantesco, como pude presenciar ao ouvir como Killing Peace, Planting Seeds Of Hate, Born For War e Sounds Of Violence, que mostraram que esta formação é muito forte e intensa, e que o vocalista Sy Keeler é a voz da banda, seja nas vozes rasgadas, guturais e até em sua voz “normal”, que é digna dos melhores locutores de telejornais de horário nobre.

Onslaught
Foto: Katia Bucci
Só que haviam muitos bangers (como eu) que queriam ouvir os clássicos do passado e posso dizer que eles nos brindaram com as emocionantes Let There Be Death, Metal Forces (onde este escriba simplesmente deixou de escrever para ir bangear), Demoniac, Flame Of The Antichrist, Shellshock (única do In Search Of Sanity) e Power From Hell a última antes do bis, que teve de ser reiniciada graças a um banger mais empolgado que subiu no palco e acabou atrapalhando os músicos, mas como dizem por aí: “ Isso é Metal”

Antes de ir para o bis, duas coisas devem ser ditas: que as músicas antigas estão adaptadas a nova fase da banda, ou seja, mais diretas e sem aqueles flertes com o Metal Tradicional, o que não foi problema algum, tamanha a resposta do público, além de perceber como o álbum The Force (1986) é cultuado pelos Headbangers, por ter tido quatro sons executados pela banda.

Depois de Power From Hell, a banda começou o bis, onde destaco a versão para Bomber (Motorhead) que está presente no seu mais recente trabalho, um verdadeiro tributo a Lemmy e seus asseclas.

Onslaught
Foto: Katia Bucci
Depois de pouco mais de uma hora de show, era encerrada a apresentação dos ingleses, que com certeza deixarão saudades, e após a apresentação era possível tirar fotos com todos os integrantes da banda, e não só dos caras, pois o legal de celebrações como essa, você sempre encontra personalidades do Metal, como os caras de bandas como Woslom, Executer, Midnightmare, Korzus, Retturn, Seventh Seal, entre outras!

Mais uma vez tenho que agradecer a todos que puderam tornar isso possível: ao Tiago (Seven Stars Management) por trazer o Onslaught para Santo André, ao pessoal do Central por ceder o espaço, as bandas pelas ótimas apresentações, aos headbangers por terem comparecido e a você que acredita que o Heavy Metal é uma fonte rica de cultura e informação. Obrigado mesmo gente, pois apesar de quase 20 anos de cena e mais de 30 nas costas, eu ainda me emociono com essas coisas!

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