9 de novembro de 2012

BALLS:"SEMPRE EXISTIRAM BANDAS FAZENDO UM SOM DAS ANTIGAS”

Por João Messias Jr.

Sabe aquele disco alto astral que logo na primeira audição você se pega dançando e fazendo "air guitar"
Essas sensações são causadas pelo debut do quinteto Balls, que é formado por  Danilo Martire (voz), Pi Malandrino e Fernando Gargantini (guitarras), Paulo Pascale (baixo) e Lauro Santhiago (bateria) que com um Rock and Roll básico, que conta com a malícia do Hard Rock e com vocais discursados conseguem quase que apagar a imagem sisuda que o estilo tem hoje.
Graças a sons como Ela tem Tudo, Tocando a Gente Se Entende e Eu Era Como um Rei, eles tem tudo para alcançarem até o mainstream.
Nessa entrevista feita com a banda, eles nos contam das coisas boas e ruins de um grupo que luta por um lugar ao sol.
Confiram:

NEW HORIZONS ZINE: A banda lançou o primeiro CD, que leva o nome da banda neste ano. Como está a repercussão e o que estão achando dos resultados?
Capa do álbum Balls
Divulgação
Balls: A repercussão está ótima, todo mundo que gosta de rock e ouve o CD, tem elogiado bastante. Não só as canções, mas também os arranjos, a mixagem, a produção. Para uma banda com pouco mais de um ano, conseguimos caminhar bastante, mas ainda é muito pouco.

NHZ: Vocês lançaram o trabalho em formato digipack e em SMD para sair com um preço mais acessível para o consumidor. Como chegaram nesta forma de lançar o álbum?
Balls: Além do SMD, consultamos algumas empresas que fazem o formato CD. O preço era quase o dobro, portanto optamos pelo SMD. Mas tem o outro lado da moeda também, com o SMD não conseguimos tocar em grandes lojas de discos como FNAC, Saraiva e Cultura, é preciso ter o álbum em CD. Ano que vem vamos lançar o segundo disco, dessa vez em CD. Ainda não temos uma data, provavelmente no segundo semestre. Já temos 5 músicas prontas que inclusive vem sendo executadas nos shows.

NHZ: Tempos depois do lançamento do CD, vocês tiveram uma mudança de formação, com a entrada de Paulo Pascale no lugar de Alexandre Fávero. Quais os motivos da troca e como chegaram ao atual membro das quatro cordas?
Balls: O Alexandre foi o segundo baixista, o original era outro. A troca foi uma decisão conjunta, por divergências musicais e pessoais, o Alexandre já não compartilhava do mesmo ideal da banda. Já o Paulo havia tocado com o Lauro (batera), eles são amigos de longa data. Nós convidamos, ele aceitou. Musicalmente foi a melhor coisa que aconteceu com a Balls, ficamos mais pesados e mais coesos. Nossa “cozinha”, modéstia à parte, é fantástica!


NHZ: Acabei conhecendo o som de vocês numa apresentação que fizeram como abertura para o Golpe de Estado. Essa é uma situação de duas vias: pois se por um lado acaba apresentando o som para mais pessoas, por outro, muitos só querem saber de ver a banda principal, o que pra mim é um erro. Para vocês, qual o lado bom de fazer essas “aventuras”?
Balls: O lado bom é levar seu som para um outro público, para pessoas que nunca ouviram falar da banda. Só assim vamos conseguindo fãs e aparecendo. É super válido.

Balls
Divulgação
NHZ: Outras apresentações de destaque da banda foram a participação dos festivais São Judas e Lollapalooza. Como se deu a participação do Balls e quais os frutos conquistados?
Balls: Conseguimos o contato da produção do Lollapalooza, mandamos e material e eles gostaram! Nos mandaram uma mensagem dizendo, “vocês estão dentro”. Para nós foi sensacional e nos sentimos bastante orgulhosos. Estamos colhendo alguns frutos, muito lentamente, mas estamos. Por exemplo, conseguimos colocar nosso clipe no Multishow. O grande lance é continuar trabalhando, sem trabalho e investimento a coisa não anda. Se tivéssemos alguma forma de ajuda financeira ou patrocínio, talvez estivéssemos mais expostos e colhendo mais frutos. Esse é um problema de todas as bandas independentes... grana.

NHZ: Para encerrar a questão de shows, percebi algo interessante. Enquanto 90% das bandas, ora fica mais leve ou pesada, vocês não causam espanto, tamanha a fidelidade com o CD, o que é positivo. O que pensam sobre isso?
Balls: Nosso som é básico, a gravação do CD também foi, assim fica mais fácil reproduzir ao vivo aquilo que está em disco. Também achamos isso positivo, fora que mostra que estamos ensaiados e entrosados.

NHZ: Vamos falar um pouco da parte musical: as guitarras são muito afiadas, sincronizadas e com simplicidade, acabam fazendo belos solos por todo o trabalho. Como vocês fazem a construção de bases e solos?
Balls: Realmente existe uma grande harmonia e entrosamento entre os guitarristas, o Pi e o Fernando. O mais importante é que sempre foi assim, desde a primeira vez que tocaram juntos. Quando um toca uma base ou um riff, o outro já sai tocando algo diferente que complementa, que se encaixa, e isso sai naturalmente. Alguns solos são montados, outros saem de improviso durante a confecção do arranjo.

NHZ: O álbum possui uma audição agradável, que mescla o Classic Rock com a malícia do Blues e Hard, feito para curtir, dançar e esquecer dos problemas da vida pós-moderna. Músicas que podem ser grandes hits como Ela tem Tudo, Tocando a Gente se Entende e Seguindo em Frente. Quais são e foram as principais influências da banda para a concepção so Cd?
Balls: Southern Rock, Blues Rock britânico, Glam e Glitter Rock, basicamente é isso.


NHZ: De alguns anos pra cá, voltou de forma mais forte o interesse pelo Classic Rock, com bandas como Yes , Uriah Heep e Kiss lançando bons discos, o Black Sabbath gravando um novo trabalho com a formação clássica e até tentativas de uma volta do Led Zeppelin. Além disso, temos bandas relativamente novas executando esse som das antigas como Grand Magus. O que pensam sobre a redescoberta da música dos anos 60 e 70?
Balls: Não achamos que seja uma redescoberta, sempre existiram bandas fazendo um som das antigas e as bandas clássicas por ora lançando bons trabalhos. O problema é que quase nunca isso é divulgado e mostrado pelos meios de comunicação de massa. Com a internet, ficou mais fácil, existe espaço para todo mundo mostrar o seu trabalho e pessoas, fanzines e blogs como esse, dispostos a ajudar e divulgar sem querer jabá ou algo em troca.

NHZ: Algumas letras falam de mulheres e sexo. Embora falem de forma direta, passam longe do esquema da baixaria. Qual o cuidado que a banda tem com as letras em falar de “tudo mas não de tudo”?
Balls: É isso que você falou aí, tomamos um certo cuidado para não ficar vulgar ou adolescente demais. Basta trocar uma palavra ou uma frase para não deixar a coisa virar baixaria ou ir direto demais ao ponto. É bom que as pessoas escutem a letra e pensem, criem suas próprias interpretações, etc... As músicas novas vêm apimentadas, agurdem!

Balls
Divulgação
NHZ: Essa é para o vocalista Danilo Martire. Gostei da sua forma de cantar, que soam como discursos, além de dar um toque todo especial ao som de vocês. Como chegou nesta forma de soltar a voz?
Danilo Martire: Acredito que foi por causa da preocupação em se fazer entender, por causa das letras em português. Nós contamos uma história bem legal em cada música, então eu procuro fazer com que as pessoas escutem e compreendam o que a gente tem pra dizer.

Mesmo no rock, o português é todo articulado, o que acaba dando uma característica sonora única em bandas como a Balls e outras que defendem um rock totalmente brasileiro.

NHZ: Gente, obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Balls: Gostaríamos primeiramente de agradecer a você pela resenha do show, do CD e por abrir espaço em seu blog, muito obrigado João. Aos leitores, pedimos que entrem no nosso site e página do Facebook para acompanharem as novidades e checarem a agenda de shows. Estamos a mil por hora e não vamos parar. Ano que vem CD novo e muitos shows! Abraços a todos, keep on rocking!

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