18 de fevereiro de 2016

"POR TERMOS TANTAS INFLUÊNCIAS FICA DIFÍCIL DEFINIR UM ESTILO PARA A TOURETTE"


New Metal, Hardcore, Hard, Thrash, New Metal e Pop. Esses são alguns elementos que fazem parte da música do quinteto paulista Tourette. Formado em 2009, conceberam seis anos mais tarde seu primeiro álbum, que carrega o título Out of Control.

Unindo canções que se destacam pelo peso, melancolia e vozes que colam na mente, a banda que conta  com Massimo Spalla (voz), Vini Costa (guitarra), Hugão (guitarra), Fernando Dias (baixo) e o recém chegado Leandro Rueda (bateria) tem tudo para cair nas graças de um público atento por novidades musicais.

Em entrevista com o vocalista Massimo Spalla, o músico comenta sobre batizar a banda com esse nome, a variedade de estilos entre as canções, shows e muito mais.

Por João Messias Jr.

Tourette
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: A banda se nomeou com o nome de um transtorno dado em crianças. O que os levaram a dar esse nome ao grupo e se houve em algum momento o pensamento de serem mal interpretados por isso.
Massimo Spalla: A nossa inspiração para as composições no que se baseia no distúrbio sempre foram tratadas de maneira muito séria e respeitosa. Nós não falamos muito sobre o transtorno em si, mas normalmente traçamos um paralelo entre os conflitos da Tourette com os conflitos que todos os seres humanos vivem a cada dia. Acho que por isso nunca tivemos essa preocupação de sermos mal interpretados.

NHZ: O grupo foi fundado em 2009, porém seis anos depois que lançaram seu trabalho de estreia, Out of Control. Quais os motivos dessa demora e o que estão achando da repercussão do álbum?
Massimo: Nós começamos no final de 2009 tocando covers de sucessos dos anos 80 e 90, ao longo desse tempo nós fomos compondo e apresentando algumas das nossas músicas nos bares onde tocávamos. Só em 2013, após uma mudança na formação nós alinhamos nossos objetivos e resolvemos parar com tudo e nos dedicar somente ao nosso trabalho autoral. A partir daí começamos a trabalhar juntos até sentir que as músicas estavam prontas para serem registradas.

NHZ: Musicalmente se caracterizam por uma mistura de diversos estilos dentro do rock e metal, mas se intitulam “apenas” como uma banda de rock and roll. Quais os motivos de se rotularem dessa maneira?
Massimo: Justamente por conta de termos tantas influências,  fica um pouco difícil definir um estilo pra a Tourette. Eu honestamente nem sei se podemos ser classificados como Metal, se tiver alguma sugestão de estílo pra nós pode mandar (risos).

Out of Control
Divulgação
NHZ: Apesar de ter músicas bem variadas entre si, o disco transmite o sentido de unidade. Impressão reforçada pela boa produção e a mixagem e masterização uniu todas as pontas. Deixando tudo equilibrado. Como foram essas etapas até chegar no resultado que agradassem todos os membros do grupo?
Massimo: Acho que uma das etapas que mais contribuiu para esse equilíbrio foi a pré-produção, nos reunimos por meses antes de ir ao estúdio, trabalhando para criar essa harmonia entre conceito e melodia, trocando ideias e inserindo os elementos que deixassem a marca de cada um de nós. Foi um trabalho muito legal de ser feito.

NHZ: Como falei anteriormente, as músicas são variadas. Por exemplo, a abertura com Fireball e Voices são mais climáticas, já Another Day é um tributo ao grunge enquanto Liar emana raiva. Como reunir toda essa diversidade e chegar num som vocês dizem: “Soa como o Tourette”?
Massimo: A nossa maior preocupação está em não fugir do conceito. As músicas soam diferentes, mas todas apresentam, tanto nas letras como nas melodias aquela sensação de conflito, seja ele emocional, espiritual ou psicológico, sempre existe uma luta para não perder o controle, como já diz o nome do álbum.

NHZ: Liar também é o primeiro vídeo do grupo. Vocês gravaram as cenas no Teatro Municipal de Santo André. Como foram os trabalhos de filmagens e edição e como estão os acessos?
Massimo: Foi uma experiência incrível, a prefeitura de Santo André nos cedeu o espaço e fizemos tudo de forma independente. Disponibilizamos através da nossa página do Facebook e também no canal do Youtube. Os acessos estão indo bem e tem nos rendido bons frutos.

NHZ: Outro destaque do disco fica por conta de Overshadowed, que além da estrutura musical que flerta com o Hard e Southern rock, tem um tema interessante. Queria que falassem da escolha desse tema.
Massimo: Ao longo da história temos visto os efeitos devastadores do fanatismo religioso, um líder pode levantar uma nação mas também pode causar a morte de milhares de pessoas, essa música fala sobre as reflexões de alguém que vive em conflito entre o que entende como verdade e as mentiras que são contadas através dessa suposta verdade.

NHZ: Falando em shows, vocês já iniciaram 2016 com shows marcados. Dentre eles, shows com grandes e emergentes nomes da musica pesada como John Wayne, Confronto e Pray For Mercy. Qual a importância de tocar com esses nomes e o que agrega ao Tourette?
Massimo: Esse é um assunto muito interessante. Nós temos dividido o palco com diversas bandas que fazem um som muito mais pesado do que o nosso e temos ficado realmente impressionados com a recepção desse público. Não tem havido qualquer rejeição, muito pelo contrário, inclusive temos conquistado fãs de diferentes vertentes do rock e metal. Essa é talvez a vantagem de não assumir um estilo ou rótulo.

Tourette
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NHZ: Para encerrar, após sete anos de banda, qual a sensação de estarem na ativa, enquanto muitos desistem pelo caminho?
Massimo: Nós já passamos por momentos muito difíceis e não vou mentir, já pensamos sim em desistir. Mas depois do lançarmos Out Of Control, conseguimos enxergar um caminho promissor pela frente. Além do mais nos amamos muito fazer isso, independente das dificuldades!

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês!
Massimo: João, nós agradecemos imensamente pelo espaço e esperamos poder voltar aqui com muitas novidades numa próxima oportunidade. Estamos já compondo músicas novas e em breve teremos algo pra mostrar!

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