26 de setembro de 2016

LONGE DAS ARMADILHAS DO ESTILO

Novo trabalho dos mineiros tem como base o clima setentista temperado por muita melancolia

Por João Messias Jr.

Gas Station
Divulgação
"O stoner foi a faisca que criou a banda, mas nunca nos limitamos a nenhum estilo...". Esta frase, dita pelo pessoal da banda Broken Jazz Society seria suficiente para definir a música dos caras. Pois embora estilo seja a base da música do trio, há muitas coisas acontecendo durante a audição do EP "Gas Station".

Neste caso, é positivo, pois sempre que um estilo fica em alta, o que mais ocorre é a aparição de grupos repetitivos, dando ao crítico e ao ouvinte a sensação de estar tomando aquele café requentado de lanchonete e que nem sempre desce gostoso na boca.

O interessante é que assim como nos 60/70, cujo cuidado era a preocupação era com o conjunto da obra, o trio seguiu o mesmo pelo processo. A capa chamativa nos estimula para escutarmos o que vem pela frente. 

Também agrada aos ouvidos a qualidade da produção (cujas etapas foram feitas por Ricardo Barbosa e Gustavo Vasquez),  que é crua, pesada e nítida, o que favorece o a linha musical praticada pela banda.  Sonoramente, sentimos referências de estilos como o Jazz, o Classic Rock e até o Grunge, graças a melancolia que permeia por todas as faixas.

Embora atendam pelo critério uniformidade, as músicas possuem vibrações distintas. Gas Station que abre o disquinho, tem uma linha de baixo e bateria que lembra Rage Agaisnt the Machine e depois cai num pique mais vibrante, daquela feita para os shows. A seguinte, Riot Spring, tem uma levada mais funkeada, porém é conduzida pela melancolia e ganha força no refrão, que gruda na mente. Mean Machine, que encerra o EP, começa introspectiva e vai crescendo durante a execução, encerrando positivamente este novo trabalho dos caras, que tem tudo para colher frutos perante os fãs (e não fãs) deste nicho musical.

Só resta dizer aos envolvidos Mateus Graffunder (guitarra e voz), João Fernandes (baixo) e Felipe Araujo que continuem fugindo do lugar comum e nos apresentando uma música que embora reverencie o passado, soa como aquele cafezinho feito na hora, gostoso, marcante cujo sabor fica preso em nossa memória.

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