23 de junho de 2012

CÁSSIO ANTESTOR: MAIS FORTE

Mesmo com dificuldades ocorridas, entrevistado segue firme e fiel em sua proposta com seus projetos

Por João Messias THE ROCKER

Conhecido por causa de seu trabalho na cena cristã, principalmente por causa da revista Extreme Brutal Death e pelo selo/gravadora Extreme Records passou por alguns momentos que deixaram os apreciadores de seu trabalho apreensivos. Primeiro a revista deixou de ser impressa e depois o site saiu do ar.

Nesta entrevista, o editor comentou sobre esses acontecimentos e muito mais!

Confiram!

Extreme Brutal Death #21
Imagem extraída do site
NEW HORIZONS ZINE: Cássio é muito bom entrevistá-lo novamente! Uma notícia que pegou muitos de surpresa foi o fato do site da Extreme Records ter saído do ar por alguns dias. O que de fato aconteceu e o motivou a tirar o site?
Cássio Antestor: Fomos forçados por circunstâncias maiores. O site é gerenciado por uma empresa de software através de um sistema on-line. Pagávamos um valor baixo mensalmente. Porém, mesmo assim, com a crise do CD atualmente, ficou difícil manter a página.

A Extreme Records tem registro jurídico, pagamos impostos altos (pra não termos retorno). Devido a isso, decidimos mudar para um site que também funcionará como portal: indesejaveis.com . Assim é mais fácil continuar este trabalho onde ainda não se sabe onde termina seu ciclo vital.

NHZ: Dias depois vocês retornaram com um novo endereço . Como estão os acessos e se podemos esperar por novidades em relação ao antigo site.
Cássio: Sobre os acessos, ainda é cedo pra dizer. Precisamos de um pouco mais de tempo pra dizer algo mais concreto. Em relação à novidades, podemos esperar sim pois vamos ter sem demora. É só aguardar!

NHZ: Vamos falar um pouco da sua revista, a Extreme Brutal Death, onde você teve de mudar a sua forma de distribuição, agora sendo feita de forma virtual, através de arquivo em PDF. O que o levou a fazer a revista desta forma e se tem planos de lançá-la de forma física algum dia.
Cássio: Pense! A cena do heavy metal em geral já é pequena. Daí a cena cristã é menor ainda. Fica mais pequena ainda com a cena extrema cristã. Nisso, o contigente ou público já está bem reduzido.

Uma revista para se manter, precisa ter um público fiel e uma quantidade mínima de fãs pra se manter, e nem isso estava acontecendo. Nisso, pra piorar, muitos que apoiavam a revista de um momento pra outro descobriram que não gostam mais de música extrema.

Extreme Brutal Death #22
Imagem extraída do site
Outros abandonaram a fé e conseqüentemente a publicação. Outra parte se casam ou entram em uma realidade financeira que os impedem de continuar apoiando e por aí vai. Mas entendemos que tudo tem um ciclo vital. Se nasceu, um dia terá de morrer. Importa é que entre isso precisa dar frutos, e isso, graças ao bom Deus, o Extreme Brutal Death gerou.

O formato PDF foi uma forma de dar seus últimos suspiros antes da morte. Mas acreditamos na ressurreição.

NHZ: Você vem fazendo um trabalho importante com a gravadora/selo Extreme Records, lançando trabalhos de bandas cristãs nacionais e internacionais. O que o motiva a sempre estar ouvindo e procurando novos nomes para lançar?
Cássio: A música é uma forma de expressão artística que em relação a outros tipos de arte, consegue penetrar profundamente na alma. É tão especial que é cultivado até mesmo entre os anjos. O metal extremo é algo inexplicável que somente criaturas especiais conseguem devorar, mesmo sem ao menos conseguir explicá-la com profunda exatidão.

NHZ: Infelizmente para as gravadoras e selos, a prática do download está cada vez mais enraizada, e com isso temos a queda na venda de CD’S. No que isso atrapalha a função de gravadoras como a Extreme Records?
Cássio: A nova geração ou atual cena não consegue enxergar que o CD assim como o antigo e inesquecível vinil trás muitos atributos e aspectos que o mp3 não tem. O álbum, seja ele em CD ou vinil, tem uma historia uma filosofia, uma trajetória por trás, um ideal, um pensamento.

Trás outras formas de artes que vai muito além da música. É como um filho para a banda, uma grande conquista que o músico deseja mostrar e compartilhar tal alegria com todos. E através dos álbuns lançados, as bandas ou músicos são melhores apoiados e encorajados.

O álbum revela a fase que o artista passa, seja ela melancólica, irada ou com satisfação. O mp3 fez com que a música torna-se descartável, grátis, de fácil acesso, e assim, sem muito interesse. Em um aparelho de som, a música não tem nome, mas número, a faixa número 338 de uma tonelada de arquivos de aúdio. Logo sem muito interesse.
Extreme Brutal Death #18
Imagem Extraída do site

Isso sem falar de músicas compactadas, onde a produção como mixagem e masterização sem perdem e poucos percebem. Os verdadeiros fãs de metal, tanto apreciadores como geradores, serão os novos pilares que irão levantar as bandas que foram muito atingidas. E se levantarão de uma maneira ou de outra, mesmo que só exista somente arquivos de áudio.

A única vantagem que a era do mp3 trouxe foi um golpe duro nos mercenários que fazem do metal um objeto de prostituição (grana), e não de apreciação.

NHZ: Queria sua opinião sobre a cena cristã extrema nacional (bandas de destaque, casas de shows, postura).
Cássio: Poucas posso destacar. Infelizmente há muito barulho, muita movimentação e pouca excelência, pouco testemunho. Boa parte dos músicos de tais bandas falam do Evangelho e dormem com as namoradas.

Poucos sequer têm um testemunho de bom filho, esposo ou homem mesmo. Uma cena que ultimamente vem admirando é a do Nordeste. A do Norte também. Há boas bandas por lá e também bons testemunhos de vida cristã. Aqui na região Sudeste, aconselho POUQUÍSSIMAS bandas.

NHZ: Cássio, sempre que vou a algum show cristão as pessoas sempre me perguntam sobre o álbum de sua banda, o Neversatan. Existem planos de esse trabalho ver a luz do dia?
Cássio: A história é grande, mas vou tentar explicar resumidamente. Foram pouco mais de cinco anos em estúdio. Uma boa grana aplicada, muito trabalho e desafios. O estúdio é praticamente do outro lado da cidade. Além de ser longe, o horário era bem curto e uma vez por semana.

Às vezes, com horário marcado, tínhamos de esperar o dono do estúdio jantar, fazer digestão, tomar banho, montar equipamento e só aí foram quarenta, cinqüenta minutos, quase uma hora pra gravar vinte minutos depois. Várias vezes aconteceu. Devido a tudo isso, houve fadiga e cansaço.

Os membros das bandas tiveram algumas dificuldades e compromissos para estarem juntos e não podiam ver o tempo passar. Todos os membros do Neversatan são casados, temos responsabilidades tanto na vida pessoal como na Igreja. Sobre a gravação, até onde foi possível, a parte instrumental está totalmente pronta. Porém faltou vocal em duas faixas um pouco complicadas.

Extreme Brutal Death #20
Imagem extraída do site
Isso já faz praticamente sete ou oito anos. Tenho a esperança de um dia buscar nova disposição e finalizar. Também existe a parte financeira. Como o álbum não foi finalizado, faltou também uns 10% a ser pago, o que é uma boa grana ainda. E o combinado é finalizar tudo para também fazer o pagamento final. Não podemos esperar jamais em matar o custo de gravação por causa da era do mp3.

Teria mesmo de ser uma oferta e distribuir as músicas na internet. Mas a chama de terminar este trabalho ainda está acesa.

NHZ: Obrigado pela entrevista! O espaço é seu!
Cássio: Se você pensa que a vida é somente cento e vinte anos, me desculpe a sinceridade, mas isso é medíocre. Temos que pensar o que será de nós daqui a quinhentos anos, ou três mil. 


E sabe o que é dez mil anos de vida? Não é nada para quem tem uma alma imortal. Portanto, lembre-se do que Jesus falou: “quem crê em mim, mesmo que morra, viverá”.

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