30 de abril de 2015

SEU JUVENAL: DISCURSOS, PESO E REFLEXÕES

Rock Errado, terceiro álbum do grupo mineiro aposta na mistura de climas lisérgicos, peso e estruturas não convencionais

Por João Messias Jr.

Rock Errado
Divulgação
Contando os tempos que eu resenhava discos apenas para massagear o ego, já se vão mais de duas décadas. Desde então, tive a oportunidade de escrever sobre diversos estilos, do pop ao metal extremo. O tempo passou e inúmeros trabalhos foram descritos, mas nenhum tão desafiador como "Rock Errado" terceiro trabalho do grupo mineiro Seu Juvenal, cujas expectativas instigam antes das músicas.
                        
Lançado exclusivamente em vinil, a capa assinada por Dinho Bento mostra uma criança com um cigarro na mão e com a outra apontando o dedo do meio, além de ter a foto do grupo de ponta cabeça, o que desperta ainda maior curiosidade, cuja viagem musical se inicia com Homem Analógico.

Fugindo dos padrões convencionais esteticamente bonitinhos, a canção na verdade é um discurso, cuja letra nos faz refletir sobre muitas situações e escolhas que fazemos na vida, sejam elas boas ou não. A seguinte, Free Analógica é um rockão oitentista que nos faz vir a cabeça nomes como Barão Vermelho e Plebe Rude. Outra faixa de destaque do Lado A é Asfalto, que é comandada pela densidade e melancolia. Conduzida pelo baixo, chama a atenção pela letra. Pois pensem comigo, quem consegue pensar ou visualizar sobre as coisas que estão na terra preta da nossa selva de pedra? Louva-A-Deus com sua linha voltada ao noise de grupos como Melvins e Rollins Band encerra com muito peso a primeira metade do vinil.

Virando o disco, os destaques a faixa que nomeia o trabalho, um rock and roll despojado, que nos remete a adolescência, com os nossos ímpetos de mudar o mundo. O lado do discurso aparece novamente em Moleque Dissonante, que abre caminho para os belíssimos arranjos de A Chuva Que Não Cai. Só que o melhor fica para o fim, Burca, em seus seis minutos é dividida em duas partes. A primeira mais introspectiva, agradará aos fãs do rock feito nos anos 80, que se torna um punk rock com uma condução competente de bateria.

Depois de diversas audições, só resta dizer que o quarteto formado por Bruno Bastos (voz), Edson Zacca (guitarra e violão), Alexandre Tito (baixo) e Renato Zaca (bateria) está de parabéns pela ousadia de lançar um trabalho sem pretensões comerciais e realmente concebido com a alma. E que o Seu Juvenal é aquela banda que agradará todos os caras que assim como eu, está chegando aos 40 e que ainda mantém os mesmos sonhos de quando tinha 14, época que escolhi o rock and roll como estilo de vida.

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