11 de julho de 2012

WOSLOM: SEM SE ACOMODAR

Banda conta em entrevista sobre sua primeira tour européia e futuros projetos


Por João Messias THE ROCKER

A banda formada por Silvano Aguilera (V/G), Rafael Iak (G), Francisco Stanich Jr (B) e Fernando Oster (D) vem num grande crescimento após o lançamento do seu debut, Time To Rise (2010), pois os caras não ficaram parados esperando apenas os reviews de seu CD, e sim, outras formas de deixar seu som em evidência. Merecem ser citados um DVD com seus clipes e um projeto com tributos as bandas de metal como Red Front e Ancesttral.

Woslom
Foto: Ricardo Zuppa
E esse momento foi coroado com a primeira tour pela Europa, onde dividiram apresentações com grandes nomes do metal mundial, como o Entombed.

Aproveitamos e fizemos uma entrevista com o baterista Fernando Oster, que nos contou de como foram os shows no exterior, projetos e do sucessor de Time To Rise.

Confiram!

NEW HORIZONS ZINE: Vocês sempre estão com  novos projetos! Depois do CD Time to Rise, a banda lançou um DVD contendo seus clipes e making of. O que os motivaram a lançar esse trabalho e como está sua repercussão?
Fernando Oster: O DVD veio primeiramente como idéia de fazer uma promoção da banda com a mídia especializada, mas vimos que ele ficou sensacional quando assistimos aos clips na televisão grande, com alta definição. Realmente ali você percebe o quão legal eles são. Então passamos a comercializar o item como algo para colecionador, já que fizemos uma tiragem limitada.

NHZ: E depois lançaram um tributo as bandas nacionais contemporâneas, com gravações das bandas Ancesttral e Red Front. De onde surgiu a idéia e podemos esperar mais deste projeto?
Fernando: Tínhamos a idéia de tocar algumas músicas ao vivo de bandas a quais somos mais próximos. Aí as idéias foram surgindo, ao invés de tocarmos em algum show, queríamos filmar, daí veio uma outra idéia que seria de gravar ao vivo em estúdio. Acabou que fizemos 2 web clips das 2 músicas para homenagear estas duas bandas e ainda com um depoimento final.

E temos a intenção sim de continuar esse projeto, como eu mesmo disse anteriormente, fazer cover do Metallica ou do Iron Maiden é fácil e manjado, o legal é fazer cover das bandas que estão aqui do nosso lado e tem trabalhos espetaculares.

NHZ: Essa eu costumo perguntar nas minhas entrevistas: vocês contam com a Assessoria da Metal Media. Qual a importância desse tipo de serviço para uma banda em crescimento como o Woslom?
Fernando: Esse tipo de trabalho normalmente é feito pelo selo que lança a banda, funciona assim na Europa e nos EUA. Como somos uma banda independente, temos que optar por ter uma assessoria para promover nosso trabalho na mídia especializada, bem como ter outros parceiros para alavancar o trabalho.

Mas muita gente pensa que a assessoria vai fazer tudo pelas bandas, o que não é bem assim. A banda tem que trabalhar, e muito, mas muito mesmo, para que a assessoria apenas divulgue o seu trabalho. Então eu diria que esse serviço é importante, mas é apenas parte do conjunto todo.

Capa do CD Time To Rise
Imagem extraída da Internet
NHZ: Recentemente vocês voltaram de sua primeira tour pela Europa. Como foi esse giro e qual o saldo do giro e as lições aprendidas?
Fernando: Foi sensacional! Assim como a Metal Media, nós temos a Onfire Booking que trabalha como nosso manager para tour. Então essa é a primeira lição, fazer por conta própria uma primeira tour é muito arriscado e certamente pela falta de experiência, muitos detalhes serão esquecidos e chance de dar muita coisa errada é grande.

No nosso caso, não tivemos nenhum contra tempo, aprendemos demais como é a vida na estrada, o que não é nada fácil, mas é muito bom. Acho que nos encontramos como banda mesmo, depois dessa experiência.

Conviver por 40 dias juntos, trabalhando exclusivamente para a banda é algo que nunca tínhamos feito e isso nos deu uma bagagem enorme para prosseguir e também para escolher os caminhos a serem tomados daqui pra frente.

Então o que eu posso te afirmar é que o saldo foi 100% positivo.

NHZ: Muitas bandas vão fazer giros no exterior sem estrutura alguma e acabam passando por imprevistos e necessidades. Quais as preocupações com a organização que tiveram para que rolasse a tour pela Europa?
Fernando: Bem, como eu citei acima, primeiro foi ter um apoio de quem já fez isso antes. É fundamental. Nós viajamos em veículo confortável, levando o nosso backline e fomos bem preparados, pois já sabíamos o que encontrar.

Desenhamos uma rota e já sabíamos o quanto iriamos rodar, o quanto iriamos gastar, aonde iriamos tocar, cache, comida, local para dormir, tudo previamente pre acordado.

Não tivemos nenhum imprevisto, tudo correu muito bem. E essa é uma experiência única que eu recomendo a todas as bandas, que se planejem e que façam uma tour lá fora, mas que tenham consciência.

NHZ: Há alguma história engraçada que aconteceu na tour para nos contar?
Fernando: Cara, muita coisa engraçada acontece na tour a todo momento, as situações mais hilárias é quando alguém se excede nas bebidas e outras coisas (risos).

Mas aqui vou contar algo sobre os portugueses do Hunted Scriptum que viajaram conosco por 3 semanas. Só por serem portugueses e falarem com o sotaque deles é hilário por si só.

Estávamos na Dinamarca, em Copenhagen e eu e o Chico (o baixista Francisco) decidimos dar uma volta para conhecer a cidade. No meio do caminho encontramos o Nelson e o Malhão, que eram os 2 portugueses mais lesados de todos.

Acabou que nos perdemos na cidade e não conseguíamos voltar e os 2 portugueses insistindo em nos guiar o caminho, dizendo que sabiam o que estavam fazendo, que haviam sido escoteiros quando mais novos, etc... Saldo final, 3 horas perdidos, andando pra lá e pra cá em círculos e se não fosse eu perguntando pras pessoas na rua, estaríamos perdidos até agora.

Quando chegamos, pensei comigo mesmo, lógico que nos perdemos, deixamos o guia para 2 portugueses...

NHZ: Nesse giro, vocês tocaram com o Entombed. Qual a sensação de tocar com um dos ícones da música extrema mundial?
Fernando: Sim, não só com Entombed, mas em outros festivais com bandas de renome também!

Mas falando especificamente do Entombed, creio que essa foi uma experiência única que nos fez crescer como banda.

Chegamos ao local que primeiramente era uma casa de shows com uma infra-estrutura invejável. O organizador nos perguntou se o nosso backline estava ok e se poderíamos dividi-lo com as demais bandas nessa noite, incluindo o Entombed.

Num primeiro momento achei até estranho, pois isso não é usual aqui no Brasil. E depois do show os caras do Entombed nos agradeceram, pediram para trocar camisetas conosco, ficamos conversando sobre a nossa tour, sobre nossos trabalho, nos trataram como profissionais, assim como eles são.

Woslom
Foto: Ricardo Zuppa
Cada um fez o seu show, cada um vendeu seu merchandise, cada um recebeu seu cache e cada um foi para sua casa. Ou seja, tudo como deve sempre ser. Não vemos a hora de voltar para a Suécia (risos).

NHZ: Culturalmente, o que difere a cena européia da nacional?
Fernando: Olha, acho que o profissionalismo. Underground é underground em qualquer lugar, ou seja, somente a mídia especializada e pessoas que curtem a cena é que estão ali apoiando. Ninguém ta ali por dinheiro.

Também acho que a educação deles faz diferença no todo, pois reflete na organização e tudo mais. Tocamos na Bélgica e na Holanda que são países extremamente politizados e a organização dos eventos é sempre impecável.

Em alguns locais até nossa ansiedade era grande, pois sentimos até responsabilidade de fazermos bonito e representar bem nosso nome. Ou seja, no fim das contas, mesmo o underground acaba tendo uma parcela profissional.

NHZ: Para encerrar, quais os planos para o sucessor de Time to Rise?
Fernando: Nesse momento encerramos a tour do Time to Rise, faremos apenas alguns shows esporádicos, pois daremos foco direto na criação do nosso novo trabalho. Não vamos prometer data nem nada, pois ainda é muito cedo, o que podemos dizer é que estamos firmes no sucessor daqui pra frente.

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores dessa publicação!
Fernando: Nós que agradecemos a oportunidade de falar um pouco mais sobre a banda. Quem não conhece, acesse nosso site e confira nossos vídeos clips, nos acompanhe via Facebook (que é a moda do momento) e pra quem curtir, compareça nos nossos shows e venha falar conosco!

Um comentário:

Marabiza disse...

Pow aí sim ein!! João Messias sempre arrebentando, entrevistas com conteúdo mesmo!! Parabéns ao Woslom também!! Muito sucesso aos dois!!! Grande abraço!!