18 de novembro de 2014

MX: OS VELHOS BASTARDOS DO THRASH ESTÃO (AINDA) MAIS AFIADOS

Re-Lapse, álbum que marca a nova volta do grupo, é composto de regravações dos primeiros álbuns do quarteto

Por João Messias Jr.

Re-Lapse
Divulgação
Apesar da cena do ABC ter se renovado e mantido o legado com os "véios" Necromancia e Ação Direta, uma volta do MX era necessária. Para quem acompanhou o grupo ainda nos anos 80, diziam (e dizem) que se não fossem os problemas com a Fucker Records (gravadora do grupo na época), tinham tudo para estar no mesmo patamar do Sepultura. Não se pode dizer que a trupe conseguiria, mas os álbuns lançados pelo grupo, Simoniacal e Mental Slavery não deviam nada ao trabalho dos mineiros e de nenhum grupo gringo do death/thrash. Isso deve ter desmotivado os meninos que pausaram as atividades, retornando anos depois com o lançamento do álbum Again, de 1995.

Após alguns anos no limbo, Morto (baixo e voz), Dumbo (guitarra), Décio (guitarra) e Alexandre (batreria e voz) se reuniram novamente e trilharam o caminho inverso das reuniões. Ao invés de gravarem qualquer coisa correndo, fizeram a coisa de forma lenta, com poucas apresentações e preparando com cuidado e esmero seu nov trabalho, o álbum Re-Lapse, que consiste em regravações dos dois primeiros álbuns citados acima.

O que vale dizer que os caras não se limitaram a regravar as faixas, das quais falaremos mais abaixo, pois o novo álbum pode ser dito tranquilamente como o melhor produto que os caras já fizeram. Vamos começar falando do encarte, que matará os velhos do coração. Com 20 páginas (contando capa e contracapa), o fã é brindado com fotos da época e ilustrações de William Pereira, que traz para os dias de hoje os "meninos", além de alguns personagens emblemáticos, como o padre que estampa a capa de Simoniacal.

Mas e o som? Lembra quando disse ser o melhor produto dos caras. Pois é, nunca o MX teve uma gravação tão boa como a de Re-Lapse, que transmite com clareza os riffs, levadas do baixo, os ritmos (absurdos) da bateria e os vocais. E fiquem tranquilos que os caras deixaram canções como No Violence, Dead World e Jason ainda mais letais e a  balada I'll Bring You With Me mais bonita e cheia de detalhes! Outros elogios ficas para I'll Be Alive e The Guf, com seus momentos inspirados no metal tradicional.

Só que o melhor ficou para o fim. Fighting For the Bastards ganhou duas versões. Uma "normal" e uma bônus em português com a participação de João Gordo (R.D.P.) nos vocais que juntos conceberam mais um clássico do metal nacional, pois é injusto chamá-la de versão.

Após as linhas acima nem precisa dizer que o MX está de volta, mais malvado e o mais importante, com a energia que falta em muitos grupos novatos! 

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