10 de janeiro de 2014

SKINLEPSY: COISA BOA, COMO ERA DE SE ESPERAR

Banda formada por músicos que já passaram por bandas como Siegrid Ingrid, Nervochaos e Anthares lançou em 2013 seu primeiro disco, que agradará fãs de death e thrash metal

Por João Messias Jr.

Condemning the Empty Souls
Divulgação
Não tinha como dar errado o Skinlepsy! Formado em 2003 por músicos que já haviam passado por bandas como Siegrid Ingrid, Nervochaos, Pentacrostic e Anthares, só para citar alguns, a banda surgiu em 2003 e já prometia muito barulho. 

Após uma pausa, retornaram como um trio com André Gubber (guitarra e voz), Luiz Berenguer (baixo) e Evandro Jr. (bateria) e lançaram no ano passado o álbum Condemning the Empty Souls, que agradará em cheio aos fãs de thrash e death metal.

Ao começar da bela capa, que embora sugira algo mais gore ou splatter, graças aos três enforcados, o que se ouve aqui é algo novo e inspirador. As músicas possuem muita criatividade e peso, que alegrará inclusive fãs de bandas como o saudoso Death, como na faixa Crawling As A Worm, que durante sua audição tem passagens death metal, outras cadenciadas, jogos de vocais e alguns lances voivodianos, que ficou genial aqui.

Outro exemplo é a abertura com Crucial Words, que dá a impressão que será uma intro, mas que se transforma num arrasa quarteirão e que fica ainda mais marcante graças ao seu refrão lento.

Skinlepsy
Luiz Berenguer 
Acabou? Que nada! Pervensions of Racial Hatred, é cadenciada e ganha contornos brutais, que ficam mais malévolos graças à participação de Luiz Carlos Louzada (Vulcano), gerando duetos interessantes com um final surreal, que ganhou um trecho em português, mostrando que o grupo pode se dar muito bem nesse formato se quiser.

Os berros desesperados de Pride and Rancour abrem caminho para a visceral Regressing From the End, que conta com os vocais de Fernanda Lira (Nervosa), que aqui estão mais encapetados, além de um solo no mínimo inspirado de Thiago Schulze (Divine Uncertainity).

Infelizmente o disco chega ao final com a thrasher Global Desolation e a porradaria de Dominion. O álbum é tão bem produzido e cheio de detalhes que é interessante ouví-lo com fones de ouvido para perceber todas as nunaces que envolvem o som dos caras.

Os caras merecem os parabéns por terem feito um excelente disco, que além de figurar na lista de melhores de 2013 de muita gente, foge totalmente de fórmulas manjadas e repetitivas!

Parabéns!

9 de janeiro de 2014

NO SENSE: O BRASILTAMBÉM POSSUI GRANDES NOMES NO GRINDCORE

Pesado e direto, Obey marca o retorno de quarteto santista após uma pausa nas atividades

Por João Messias Jr.

Obey
Divulgação
Antigamente visto como um estilo inaudível e (injustamente) citado como um som praticado por músicos que não tinham habilidade com seus instrumentos, o grindcore, assim como a maioria dos estilos mais extremos, evoluiu muito tecnicamente, tendo como um pilares grupos como Brutal Truth, Nasum e Facada.

Mas, lá atrás, no início dos anos 90, um grupo santista chamado No Sense já rompia nossos tímpanos com um grindcore crú e veloz, por meio de demos e de trabalhos como o EP Out of Reality e o álbum Cerebral Cacophony.

Após uma pausa nas atividades, o quarteto, na época formado por Marly (voz), Morto (guitarra), Angelo (baixo) e Paulo (bateria), lançou em 2011 o seu segundo álbum full, que recebe o singelo título de Obey, que numa tradução livre fica algo como obedecer, ou obedeça. O trabalho em questão, lançado pela Violent Records, apresenta sete faixas, com um grindcore curto, direto e com bons riffs. Mas o que chama a atenção são os vocais de Marly, que estão mais fortes e definidos. Essa junção de coisas positivas resultam em canções legais para bangear como as cadenciadas Border Line e a faixa título, além da sensacional Vendetta.

Out of Reality
Divulgação
Junto com Obey, o pacote vem com o EP Out of Reality, de 1991, que apesar da banda não ter mudado de estilo, está muito melhor hoje, mas vale pelo valor histórico. Apesar do tempo curto do trabalho, é um CD muito legal de se ouvir repetidas vezes, além de proporcionar aquela sensação de

Hoje, a formação sofreu alterações no posto de baixista, ocupado hoje por Juninho e em 2013 já lançou um novo trabalho, intitulado Burying My Dreams, além de relançarem sua  primeira demo, Confused Mind.

Vamos aguardar o que os santistas produzirão em 2014!

8 de janeiro de 2014

ZN TERROR: “EXISTEM BANDAS DE QUALIDADE NO CENÁRIO E A CENA VEM SE FORTALECENDO”

Sinceridade e uma visão clara de onde atua. Assim podemos definir o quarteto paulista ZN Terror. Com três anos de estrada e atualmente formada por Fernando Nunes (baixo e voz), Vinícius Bonifácio (guitarra), Israel Lima (guitarra) e Hernani Teixeira (bateria), a banda não desanima com os percalços existentes na nossa combalida cena underground. Desde o início das atividades, lançaram dois trabalhos, os EPs T.O.S.O.D e Self Destruction, lançado no ano passado.

Donos de um thrash honesto, que mescla o contemporâneo e o old school, os caras bateram um papo conosco. Nesta breve conversa, o grupo falou da cena underground, aceitação do trabalho e da experiência de terem sido produzidos por integrantes de uma importante banda da nossa cena.

Confiram!

Por João Messias Jr.
Fotos: Yuri Cestari
Cartaz e capa do EP: Divulgação
ZN Terror
Yuri Cestari

NEW HORIZONS ZINE:  A banda possui lançou em 2013, seu novo trabalho, o EP Self Destruction. Como está a repercussão e aceitação perante mídia e público?
ZN Terror: Está repercutindo bem, muitas pessoas ouviram e elogiaram o trabalho. 

NHZ: O novo trabalho marca a estreia da atual formação, que conta com Fernando Nunes (baixo e voz), Vinícius Bonifácio (guitarra), Ismael Lima (guitarra) e Hernani Teixeira(bateria). Comparando com o trabalho anterior, o que o novo line-up apresenta de melhor que o anterior?
ZN: Foi muito boa essa mudança. Pois ter pensando em chamar nosso amigo  Fernando Nunes, trouxe um estilo diferente de vocal, combinando mais com a proposta da banda. O Fernando trouxe  ideias diferentes, além de contribuir com as letras, o que levou a evolução do grupo.

NHZ: Para aqueles que adquirirem a versão física do EP, terão boas impressões logo de cara por causa da excelente arte da capa. Ela mostra um equilíbrio das cores, num cenário repleto de caos e destruição. Como chegaram nessa arte?
ZN: A capa é a visão do mundo caótico que migra nossa sociedade. As letras são inspiradas em assuntos polêmicos, assim como religião e política.

NHZ: Musicalmente a banda transita entre som oitentista e o contemporâneo. Como é juntar essas referências para que não fique pendendo para um ou outro estilo?
ZN: É uma mistura de influências de sons que nós curtimos, somando com a energia de cada um, gera esse resultado.
Self Destruction
Divulgação

NHZ: A produção foi feita pela dupla do Claustrofobia, Marcus e Caio D’Angelo. O que os levaram a trabalhar com esses profissionais e passado algum tempo, o que acham do resultado? 
ZN: Frequentávamos o estúdio deles que ainda era em São Paulo com bandas de amigos, e em muitas conversas eles incentivaram ao retorno da banda. Por termos esse contato, vimos o trabalho de qualidade que eles tinham e decidimos gravar com eles. Fizemos uma primeira demo, com uma ideia mais crua e gostamos do resultado.

Com isso decidimos gravar a demo Self Destruction, apresentando um trabalho mais focado, e sendo uma demo, achamos a qualidade do material muito boa.

NHZ: Com um trabalho bem feito e produzido, o negócio é partir para os shows. Como estão as apresentações de divulgação do trabalho?
ZN: Tivemos algumas oportunidades e estamos a busca de novos shows para divulgar o nosso trabalho. No dia 01/02 temos um show em São Paulo, junto com as bandas Chemical, Sinaya, Sakrah e Trevas, a segunda edição do ZN Metal Festival. 
Cartaz ZN Metal Festival
Divulgação

NHZ: Ainda falando em shows, é uma situação complicada para bandas novas e desconhecidas. Por mais que para um grupo o legal é se apresentar, as casas em eventos underground recebem um público pequeno, pois hoje temos que  competir com eventos simultâneos e apresentações de grupos internacionais. Qual a motivação para o ZN Terror continuar fazendo shows e podemos dizer, remar contra essa maré?
ZN: Têm dois pontos: o primeiro é o sonho, de  fazer um som que gostamos e o segundo é que seja possível fazer a diferença.  Existem muitas bandas de qualidade no cenário nacional, e estamos percebendo que a cena underground vem se fortalecendo.

NHZ: Para encerrar, como estamos entrando num novo ano, digam planos futuros da banda e se podemos esperar por um trabalho completo ainda em 2014.
ZN: A perspectiva é de divulgar bem nosso trabalho, e já temos uma quantidade boa de músicas, que já dá para começarmos a gravação de um trabalho completo. Nossa meta é gravar um trabalho completo em 2014.

NHZ: Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação
ZN: Agradecemos pelo espaço e pelo apoio, e esperamos que esse ano seja em ano bom para o metal nacional e que as pessoas continuem a apoiar as bandas brasileiras.
www.znterror.com

7 de janeiro de 2014

DYSNOMIA: COLOCANDO BANDAS CONSAGRADAS NO BOLSO

As Chaos Descends, novo trabalho do quarteto de São Carlos, impressiona pela precisão e desenvoltura dos arranjos

Por João Messias Jr.

As Chaos Descends
Divulgação
Interessante como são as coisas né. Nem sempre bandas com vários discos lançados é sinônimo de qualidade e quando você descobre que aquele CD legal que está escutando é apenas o segundo trabalho da banda, mais interrogações entram na sua cabeça.

Pois bem, formado em 2007, em São Carlos e atualmente formado por João Jorge (voz e guitarra), Julio Cambi (guitarra), Denilson Sarvo (baixo) e Érik Robert (bateria), o quarteto fez (e faz) bonito em novo trampo, o EP As Chaos Descends, um primor de death/thrash, que vem no formato SMD, cuja aquisição fica mais em conta.

As três músicas do disquinho, chamam a atenção pelo trabalho das guitarras, que unem riffs brutais e melodias que esbarram no metal tradicional. A abertura com a faixa-título mostram vocais diferenciados, que ao invés do gutural, optam por uma voz mais para berrado/gritado e essa escolha funcionou muito bem aqui. Outro destaque é Casus Belli e ambas contam com a participação do vocalista da Abdicated, Paulo Baiás.

In Revolt é mais thrash e deve ser uma das faixas mais empolgantes ao vivo e solos quase hard rock. Mas os caras não concentraram os esforços apenas nas canções A qualidade está impecável. Produzido pela própria banda e masterizado por Heros Trench, o som “brilha” quando sai das caixas de som, além da capa, feita por Marcus Lorenzet (Art Spell).

Se “apenas” com uma demo e um EP, o quarteto demostrou todo esse poder, imagina com mais alguns anos de bagagens e os merecidos álbuns. O futuro é promissor!

6 de janeiro de 2014

DOCTOR PHEABES: SÓ DEIXAR O FEELING FLUIR

Adepto do Classic Rock, quarteto usa como base o som pesado com melodias pegajosas e vocais mais berrados que dão um resultado genial

Por João Messias Jr.

Seventy Dogs
Divulgação
Meus amigos, o que tem de banda apressada, que por exigência de mercado ou por ansiedade, acabam lançando material que ainda necessita um maior cuidado e lapidação. Como consequências, além do trabalho acabar ser desprezado, uma carreira pode ser jogada no lixo por causa de não saberem esperar o momento certo.

Na contramão, o que dizer de uma banda que foi formada em 1986 e só lançou seu primeiro disco em 2013? Pois é, Fernando Parrilo (guitarra), Eduardo Parillo (guitarra e voz), Fabio Ressio (baixo) e Paulo Rogério Ressio (bateria) esperaram todo esse tempo para lançarem seu primeiro disco, Seventy Dogs. E embora clichê, é necessário citar que valeu a pena, pois é um disco muito, mas muito legal de se ouvir.

Um dos motivos é a massa sonora, que embora siga a linha do hard setentista, passeia por outros estilos como o hard dos 80 e o vocal de Eduardo (que também canta no Mad Old Lady), pois ele lembra um pouco o do cantor do Crash Test Dummies (quem viveu o auge da MTV sabe de quem estou falando), que cai como uma luva aqui, além de uma leve influência melancólica aqui e acolá.

O disquinho abre com a faixa-título, que é densa e pesada. Já Let Me Down é aquela canção perfeita: excelentes riffs, vocais berrados, backings de fundo e um refrão pra cantar junto. Godzilla é mais setentista, bem arrastada, com solos virtuosos, que aparecem também em Running to the Edge, que lembra o Kiss “festeiro” dos anos 80, como a capa, que é levemente sacana!

Lost Girl é o ápice do CD, é aquela balada climática e gostosa (principalmente os solos), que é ideal para ouvir ao lado da pessoa amada e até pode ser pano de fundo para se desculpar daquela besteira que fez na noite anterior. Just Want to Live Forever encerra o trabalho nos levando a refletir na nossa vida, escolhas, enfim, vai fundo!

E falando em refletir...muitos devem ter questionado a presença da banda no Monsters of Rock, embora acredite que não tenham mudado a opinião quanto a sua inclusão no cast, mas vendo a apresentação do quarteto, devem ter percebido que independentemente de critérios de escolha,  o grupo possui maturidade de sobra e músicas (muito) competentes.

3 de janeiro de 2014

IMPERIOUS MALEVOLENCE: DEATH METAL ACIMA DE TUDO

Doomwitness, novo trabalho da banda apresenta fidelidade ao estilo, com peso, morbidez e climas macabros

Por João Messias Jr.

Doomwitness
Divulgação
Mudanças de formação sempre dão aquela dor de cabeça numa banda. Os paranaenses do Imperious Malevolence também foram vítimas desses perrengues. Depois da saída do guitarrista Mano, o baixista/vocalista RafaHell também seguiu o mesmo caminho. 

Coube ao baterista Antonio Death reformular ao grupo e nessa tarefa se saiu bem, pois Danmented (guitarra e backing vocals) e Alex W.A. (baixo e voz) não apenas mantiveram o poder de fogo do grupo, como deram aquele toque a mais que abrilhanta todo o trabalho.

Musicalmente a banda manteve o estilo, que é aquele death metal com um pique da Flórida, só que trampadíssimo (principalmente a guitarra e a bateria) e a favor da música, como na abertura com Rot in Peace, Doomwitness e os andamentos thrash de Antigenesis.

Outras novidades que podem ser ouvidas /sentidas são os climas mórbidos dos teclados, feitos aqui por Alex e Antonio, que aparecem por quase todas as faixas e dão um diferencial no som,que graças á esses climas beiram o doom metal, além da sincronia dos jogos de vozes, que proporcionam uma audição prazerosa em Nihilisticon e Priests of Pestilence.

O final, com Seek for Mephisto reúne todas as características ditas acima e faz desse disco uma aquisição obrigatória aos fãs de música extrema. Se é o melhor disco da banda, só o tempo dirá, mas o importante é que a banda mostrou que está ainda mais forte e que se depender das músicas daqui, pode chegar ao ápice de sua carreira.

Uma tradição do estilo são as capas lindas e cheias de detalhes, mas a de Doomwitness não é apenas linda, e sim uma das mais representativas do death metal mundial. A arte, a cargo de Anderson L.A. (Natureza Morta) reflete em suas nuances de cores e detalhes todo o clima denso e desesperador que se encontra no som do trio.

Os paulistas tiveram a oportunidade de assistir o trio em ação na abertura para o Nile, realizada no mês de dezembro. Infelizmente não pude estar presente, então é cruzar os dedos e torcer para aparecerem na terra da garoa de novo!

2 de janeiro de 2014

FELIZ ANO NOVO

Amigos!

Após as comilanças de fim de ano, nada melhor do que voltar e fazer o que mais gosto, que é mostrar por meio de resenhas, entrevistas e coberturas de shows um pouco do que acontece na cena do rock/metal!

Embora tenha recarregado as baterias, esses dias foram para preparar matérias, que por meio de resenhas e entrevistas, teremos uma semana com conteúdo novo durante todos os dias da semana. Falando nisso, aproveito para agradecer mais uma vez por cada um que tenha doado um pouco do seu tempo para ver o que vem sendo postado no blog, visto que os últimos três meses recebemos os maiores números de acessos da história do NHZ. Mais um motivo para que eu me esforce mais e mais!

Então, vamos lá, para manter esse número alto, nesta sexta-feira (3), teremos a resenha do álbum Doomwitness, da banda Imperious Malevolence.

Segunda-feira (6) é a vez do CD Seventy Dogs, da banda Doctor Pheabes, na terça, a banda de death/thrash Dysnomia dá as caras. A quarta-feira marca a primeira entrevista do ano, com a banda ZN Terror. Quinta termos a resenha da banda No Sense e encerrando as publicações da semana, o disco comentado será o debut do Skinlepsy, Condemning the Empty Souls.

Essas são apenas as primeiras do ano. Logo serão anunciadas as próximas matérias!

Abraços e vamos trabalhar em prol da cena, que embora não esteja como nós realmente queremos, depende única e exclusivamente da gente para que esse panorama mude, ou ao menos melhore!

João Messias Jr.
NEW HORIZONS ZINE

PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...