5 de dezembro de 2013

METALIZER: ESTREIA MAIS DO QUE AGUARDADA

Debut de grupo paulista faz uma reverência ao período que para muitos foi o melhor e mais produtivo do metal

Por João Messias Jr.

Foram nove anos de espera, mas que valeram a pena esperar! Fundado em
The Thrashing Force
Divulgação
2004, o quarteto atualmente formado por Sandro Maués (voz, Zênite), Nilão Bonebreaker (baixo), Douglas Lima (guitarra) e Thiago Agressor (bateria e backing vocals) passou quase uma década para conseguirem lancar seu debut, The Thrashing Force, que como o título sugere é uma reverência a fase oitentista do thrash metal, que para muitos, foi a melhor do estilo.

Só que aqui não tem nada de copiar e colar o som de bandas do passado, pois apesar de tudo, o grupo tem muita personalidade e faz uma alquimia curiosa, pois os vocais lembram Kreator, Onslaught (Sy Keeler) e Metal Church (David Wayne) e o instrumental tem uma pegada mais brazuca mesmo, o que é surreal.

O disco abre com a instrumental Trails of a Blood Storm, que prepara o ouvinte para a paulada Peace in Pieces, que é um thrash crú, com bateria seca e marcante. Alcoholic Madness possui vocais encarnados em Mille Petrozza e tem um início e fim interessantes, com o abrir de uma bebida de sabor cevada que se aprecia gelada. Electric Homicide é um dos pontos altos do disco, com riffs cadenciados e passagens heavy tradicional, assim como a faixa que nomeia o grupo, pesada e um bom trabalho de backing vocals. Antes de falar das outras músicas, temos que falar da capa, feita por Fernando Lima (Drowned), que sintetiza muito bem a vibe do trabalho, que é curtir um bom metal.

Voltando as faixas, outra que se destaca é Emptiness, que reverencia os primórdios do estilo, quando o mesmo era influenciado pelo rock and roll, lembrando grupos como Raven e Anvil, mostrando a importância desses grupos na história do metal. Só que o melhor ficou para o fim com Silent Desperation, que começa acústica e depois ganha intensidade, descambando para o thrash e com backing vocals bem encaixados. Aliás esse é um lado que a banda poderia explorar mais em futuros trabalhos, pois os estilos se complementam e deixariam o som ainda melhor e mais forte, principalmente ao vivo.

Mas isso é apenas uma observação, pois o trabalho do quarteto é muito bom e mostra que não é necessário produções plásticas e afinações baixas para fazer música pesada, agressiva e de qualidade.

Com um som bacana desses, não podem ficar mais nove anos sem lançarem um novo trabalho, jamais!

4 de dezembro de 2013

VERÔNICA PIRES: EMOCIONANDO FÃS (E NÃO FÃS) DO REI ROBERTO CARLOS

Cantora, acompanhada de uma banda talentosa, apresentou repertório de todas as fases do maior nome da Jovem Guarda

Texto e fotos: João Messias Jr.

Verônica Pires e banda
João Messias Jr.
O mais legal de quando você escolhe uma carreira a seguir (desde que faça por prazer e não por dinheiro) é que certos tabus e preconceitos desaparecem naturalmente. Um exemplo foi à cobertura da apresentação da cantora Verônica Pires, realizado nesta última quinta-feira (28), no Estúdio Produssom, em São Paulo.

Verônica, que é reconhecida nacional e internacionalmente pelo seu trabalho como Madonna Cover, trouxe nesta noite quente o espetáculo Roberto Carlos Experience, que consiste em apresentar versões mais voltadas ao rock and roll aos clássicos do “Rei” e maior ícone da Jovem Guarda.

Antes de falar do show, vale citar que a decoração do espaço para a realização da festa. O local estava com puffs, o que deu um ar bem intimista, mostrando que os presentes não eram “consumidores” de arte, mas sim, amigos, apoiadores e incentivadores.

Às 21:25 o espetáculo teve início com Além do Horizonte, mostrou além da faceta mais rock um contraste interessante: a voz fina de Verônica, que é inspirada nas musas pop oitentistas como Paula Abdul, Debbie Gibson e (claro) Madonna, que além de ser totalmente funcional nas músicas, das quais falarei a seguir, consegue juntar diversos públicos, desde os fãs de festas retrôs até os fãs de animes.

Acompanhada de uma banda fora de série composta por  Cauan Medeiros (bateria), Fernando Vinhas (teclado), Toninho Gulin (baixo) e Lucas “Papito” Paolini (guitarra), o time fez um espetáculo a parte, pois por todos terem destreza em seus instrumentos, deixavam as canções ainda mais intensas, como Quando e até mesmo É Preciso Saber Viver. Era apenas o começo...

Verônica Pires e Banda
João Messias Jr.
... Estrada de Santos foi um dos momentos mais bonitos da interpretação, pois a canção recebeu uma pegada mais bluesy e solos melancólicos que me renderam lágrimas no rosto, assim como O Portão, que Verônica dedicou a mãe (já falecida) recebeu uma interpretação poderosa e cheia de feeling, que deve ter ficado na mente de todos que estavam lá.

O alto-astral voltou com Se você Pensa, que fez alguns levantarem de seus lugares e dançar, tamanha energia boa! É pertinente dizer que mesmo nas canções mais emotivas, o espetáculo é pra lá de positivo, que manteve essa vibe com Eu Te Darei o Céu e Como 2 e 2, que aqui virou uma balada bluesy, que os oitentistas vão amar!

Não Vou Ficar, de Tim Maia e regravada pelo Rei, manteve o clima e pegada soul, com solos caprichados, aliás, vale dizer que apesar de jovem, Papito embora dono de uma técnica refinada, não fica exibindo pentatônicas e complexidades, fazendo tudo com muito feeling.

Reta final

Após a “power ballad” Eu te Amo, a banda executou Tava Pensando, música
Verônica Pires e banda
João Messias Jr.
autoral do grupo, que possui duetos marcantes de guitarra e teclado, além do jeitão pop retrô delicioso, que agradara aos fãs de música boa.

O espetáculo (quase) se encerrou com as apoteóticas Que Tudo Vá Para o Inferno e É Proibido Fumar, que incendiou os presentes, que não deixaram a banda sair do palco sem um bis, que foi prontamente atendido com O Portão, numa apresentação irrepreensível e que com toda a certeza me fez pensar que se não tivesse visto, ficaria muito chateado.

Parabéns Verônica e banda, pois esse show é a prova viva de que é possível sim mostrar música de qualidade e feeling com muita criatividade e bom gosto. É por essas oportunidades que a cada dia que passa, sinto mais orgulho de ter escolhido o jornalismo como carreira e oportunidade!

3 de dezembro de 2013

IMPETUOUS: EQUILÍBRIO A MODA ANTIGA

Com um ano de existência, quarteto faz um death metal que acerta na fusão de peso, groove e melodia

Por João Messias Jr.

A Voice Inside Us
Divulgação
Quando se fala de death metal melódico hoje em dia, a primeira coisa que vem na cabeça são os grupos de metalcore. E quando ouvimos grupos investindo na sonoridade que nos remete a bandas como Gorefest, At the Gates e os primeiros tempos do In Flames, é motivo de orgulho. Essa é a base do  Impetuous, que lançou neste ano seu primeiro trabalho, o EP A Voice Inside Us.

Como disse linhas acima, o quinteto formado por Raull (vocais), Messias Carvalho (guitarra), Pedro Bueno (guitarra), Nicholas Teixeira (baixo) e Alberto Rocha (bateria) não copia as bandas citadas, usa apenas como referência e acrescenta (muita) personalidade, segurança, além de cativar logo de primeira.

O trabalho abre com uma intro caótica, que abre caminho para Mirror, que começa com solos inspirados no metal tradicional e depois se transforma numa pancadaria só, com vocais que berrados (mais) e guturais (menos), além de muitas quebradas, passagens grooveadas e um final maravilhoso com a linha tradicional do início. O groove aparece também em So Deep Is My Prision, que tem como destaque o trabalho do baixo.

A faixa-título possui andamentos mais thrash, vocais agonizantes e riffs apocalípticos e passagens lentas, que vem embaladas com o freetless e solos sincronizados, dando o encerramento "Classe A" merecido.

Fora as músicas, a ótima produção feita por Ivan Pellicciotti (Vulcano) e a capa, assinada por Marcus Lorenzet são mais alguns motivos que fazem o ouvinte querer saber mais sobre a banda, que possui músicos que figuraram em bandas como Violent Vision e Shadowside.

Não gosto de dar nota para discos, pois nem sempre os números justificam nossos textos, mas aqui é sem dúvida nenhuma se fosse para avaliar dessa forma, seria com um 10, com louvor!

Precisam lançar um CD com urgência!

2 de dezembro de 2013

NERVOCHAOS: SINTETIZANDO PASSADO E PRESENTE

Banda paulistana faz pré-lançamento de seu primeiro DVD com apresentação que contou com a presença de antigos integrantes

Texto e fotos: João Messias Jr.

Antes do Nervochaos, um pouquinho do Anvil

HellSakura
João Messias Jr.
O DVD Anvil: The Story of Anvil foi um trabalho que mostrou a geração rocker e headbanger a difícil vida de uma banda para manter sua carreira gravando discos e viajando pelo mundo e aquele sonho de viver única e exclusivamente de sua música é algo para poucos, muito poucos.

Um trabalho perfeito, mas que, apesar de falar de um grupo que não se tornou mainstream, a película tem uma pegada hollywoodiana e talvez por isso, não capte o pessoal do underground, mesmo tendo como “estrela” um grupo do segmento.

Talvez isso mude com o lançamento do DVD 17 Years of Chaos, dos paulistanos do Nervochaos. Como o nome sugere, o trabalho fala da trajetória de 17 anos de vida do grupo, que surgiu após os então membros do Siegrid Ingrid, Gubber e Sidney (guitarras), Thomas (baixo) e Edu Lane (bateria) deixarem a banda e montar outro trabalho.

Claro que esse caminho não foi fácil. Cinco discos de estúdio, um ao vivo e três demo-tapes, além do DVD e diversas mudanças de formação, em que restou apenas Edu, que por diversas vezes remontou o time, que hoje conta além do baterista com Felipe Freitas (baixo), Quinho (guitarra) e Guiller Cruz (guitarra e voz).

Momento Histórico

Necropsya
João Messias Jr.
Foi realizado no feriado de 15 de novembro um encontro para imprensa e convidados o lançamento do DVD, em que foi exibida a primeira parte do documentário, que conta com depoimentos de antigos e atuais membros além de personalidades da mídia metálica e histórias hilárias.

O local escolhido foi o Estúdio Produssom, localizado próximo ao metrô Clínicas, que já recebeu diversos artistas como Desalmado, Cursed Slaughter, Macchina, Tailgunners, entre muitos outros.

Junto com a exibição da película, foi apresentado um show especial, que contou com a participação de antigos integrantes e apresentações das bandas Hellsakura e Necropsya.

Os shows

Ás 20h40, os shows tiveram inicio com o HellSakura. O quarteto, que conta
Nervochaos
João Messias Jr.
atualmente com Cherry Sickbeat (voz e guitarra), Donida (guitarra, Matanza), Napalm (baixo) e St. Denis (bateria) detonaram uma mescla de punk e metal, com destaque para os ótimos riffs, que fazem com que as canções se tornem grudentas, como a trinca Bombs Away, Distorted Mirror e Leave my Skull, todas de seu mais recente álbum, Bloody to Water, lançado em 2011, que por sinal, foi a base da apresentação.

O show também contou com as inéditas Death Row e Gory. Essa última, teve a participação de Guiller nos backing vocals. Outra nova executada foi Heavy Metaro, que é mais pesada e elaborada, além de contar um ótimo trabalho de bateria.

Hate deu números finais ao excelente set apresentado pelo quarteto.

Nervochaos
Divulgação
A segunda banda da noite foi o  Necropsya. Vindo de Curitiba e formado por Henrique Vivi (voz e baixo), Henrique Bertol (guitarra) e Celso Costa (bateria), o trio apresenta uma música solta, que tem base no thrash/death metal, que conta com muitas passagens e quebradas que lembram o grupo cristão Tourniquet, principalmente nos “diálogos vocais”, como pudemos ouvir em Killer, de seu mais recente CD, Distorted.

Era visível a empolgação da banda, que agradecia aos presentes a cada canção executada. Outros destaques do curto set foram Stress e Determinación. Com toda a certeza é uma banda que nós paulistas devemos prestar mais atenção.

Uma bela celebração

Apesar das aberturas pra lá de competentes, os presentes estavam ansiosos
Nervochaos
João Messias Jr.
para conferir a apresentação do Nervochaos. E esse show foi muito especial, pois além de ser gravado para futuro lançamento, contou com a participação de antigos membros.

I Hate Your God deu início à festa. Foi mágico ver no palco Marcelo Miranda (voz, Olam Ein Sof) e Gubber (guitarra, Skinlepsy), Sidney, junto com Felipe e Edu revivendo praticamente a primeira formação da banda. Ainda nos primóridios, Marcelo deu lugar para Sidney e mandaram Mighty Justice, também do debut dos caras, Pay Back Time. Outros ex-membros que participaram da festa foram Covero (guitarra, Voodoopriest), Gordo (voz), Thiago Andúscias (baixo, Amazarak), Wellington (guitarra), Hareton (baixo) e Daniel Blasphemoon (voz). Ter esses caras no palco foi  um momento mágico, por  ver músicas como Televangelism, Total Satan, Cold Feeling e Putrid Pleasures com as formações quase originais.

Nervochaos
João Messias Jr.
O mais interessante foi que, apesar da banda ter mantido uma linha estilística desde os primeiros trabalhos, percebe-se as nuances de cada época, desde a linha mais crossover de I Hate Your God e os momentos mais caóticos de Putrid Pleasures.

Mas não há de se negar que a atual formação é a mais forte da história do hoje quarteto. Com vocais e backings bem encaixados, além da sua própria forma de fazer death metal, que busca inspiração nas bandas mineiras dos anos 80. Dessa formação mandaram a faixa-titulo de seu mais recente álbum, To The Death, lançado no ano passado.
O set passou muito rápido e anunciaram a saideira com Pure Hemp, que fechou com o astral lá em cima essa baita festa.

Enfim, uma noite histórica, que contou com uma excelente organização, apresentações memoráveis e o mais importante, uma ótima presença de público, que foi representado pela imprensa e de bandas como Woslom, Chaos Synopsis, Necromancia, Ação Direta, Necromesis, Queiron, entre outras.

É clichê encerrar dessa forma, mas é a frase que mais cabe nessas linhas: Parabéns Nervochaos e que venham mais 17 anos.

29 de novembro de 2013

BLACK LAGUNA: PERFEITO PARA OS PALCOS

Quinteto apresenta EP com músicas que se caracterizam pelo peso e voracidade

Por João Messias Jr.

Black Laguna
Divulgação
Que parada louca o som do Black Laguna! O quinteto paulista faz uma fusão de diversas vertentes do rock e metal, com muito peso e espontaneidade. Embora muito bem tocado, não espere por nada bonitinho no som praticado pelos camaradas Ryan Lopez (voz), Fabrício Pereira e Diego Iastremski (guitarras), Ricardo Bancalero (baixo) e Paulo Hipólito (bateria), aqui o lance é transpiração e riffs em profusão.

Falando em riffs, o trabalho das seis cordas é o maior destaque no trabalho, pois os caras além de saberem das coisas, não ficam pensando em invencionices e lances complexos, apenas deixam o rock rolar, como na abertura com Inseto Asqueroso, que apresenta uma estrutura mais voltada ao hard rock, mas com vozes numa linha mais metalcore. A seguinte, Resto do Lixo, é 100% peso, que une batidas densas e backing vocals que clamam por protesto, assim como Aqui Jaz o Silêncio, que é dona de um interessante jogo de vozes.

Mesmo com um barulhinho que alegrará os fãs de bebidas maltadas, Velho Beberrão destoa um pouquinho dos sons acima, mas a vibe sobe novamente com Bem Vindos a WolfCreek, que tem ótimos solos e riffs que fariam Tony Iommi feliz da vida em saber que sua missão na música foi cumprida com louvor.

Vou repetir o que disse em uma resenha há alguns meses, mas aqui é pertinente: seja no palco, no carro ou em casa, o som do Black Laguna é perfeito para apreciar com sua bebida favorita, no meu caso, um cafezinho coado na hora.

EMINENCE: CAÓTICO E PERTURBADOR

Em seu novo trabalho, The Stalker, banda mineira além de apresentar seu disco mais agressivo, coloca o ouvinte numa redoma de caos

Por João Messias Jr.

The Stalker
Divulgação
Exatamente isso caro leitor. A linha fina acima define o que é ouvir o novo trabalho dos mineiros do Eminence. Só que como tem aqueles que gostam de questionar os porquês, então, por causa deles vamos prolongar a nossa conversa aqui.

A audição de The Stalker é algo no mínimo interessante, pois o quarteto formado por Alan Wallace (guitarra), Bruno Paraguay (voz), Thiago Correa (baixo) e André Márcio (bateria) fez o serviço completo na concepção do disco. Pois além de ser o trabalho mais agressivo da banda, vem embalado com um clima de caos e desespero, que pode até assustar num primeiro momento, mas que logo agrada e instiga o leitor a saber "qualé que é", algo que o Fear Factory e o Messhggah fizeram tão bem em alguns momentos de suas carreiras.

O clima já se inicia na abertura com Self Rejection, que em meio a brutalidade, mostra um trabalho cuidadoso nos riffs. A seguinte, a videoclíptica Unfold transmite esse clima, mas tem alguns contornos mais palatáveis, talvez para captar aqueles que ainda não conhecem a banda. Só que a coisa aqui foi pensada e planejada para que não caisse na agressividade gratuita. Em meio a pancadaria, os caras colocaram alguns interlúdios, como Reverse e Mutation, que dão aquela "refrescada" no pescoço. 

Outros destaques são a desgraçada Veins of Memories, Eyetricity, que começa com batidas sincopadas e riffs cheios de groove e a saideira com Visions of Hate, que como o nome diz, soa como um hino do apocalipse, além dos vocais de Bruno Paraguay, que são o maior destaque do disco, devido a sua versatilidade, alternando guturais, berrados e limpos.

Enfim, um disco muito bem feito e produzido (mérito do dinamarquês Tue Madsen) e que se não estiver na sua lista dos melhores de 2013 é porque algo está errado com seus ouvidos!
www.eminence.com.br

27 de novembro de 2013

MACCHINA: PORÇÕES REGADAS A TIMBRES E PESO...MUITO PESO

Trio do ABC promove lançamento de seu primeiro trabalho, com apresentação ao vivo e uma mistura que combina elementos do metal, rock e stoner

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Kátia Bucci

Macchina
Kátia Bucci
Com dois anos de estrada, o trio andreense Macchina, formado por Anderson Mattielo (guitarra e voz), Felipe Microfone (baixo) e Gabriel Barbosa (bateria), viveu um momento marcante na sua (ainda) curta carreira. A banda promoveu na última quarta-feira (20), o lançamento de seu primeiro trabalho, um EP que leva o nome do grupo, mas que foi lançado com estilo. O local escolhido foi o Estúdio Produssom, localizado no metrô Clínicas, que é um excelente espaço para que os grupos apresentem seus trabalhos de forma decente. 

Logo na entrada, um corredor com diversos modelos das guitarras Seizi, usadas por músicos de grupos como Sepultura e Diáfanes, além de ter promovido lançamentos e gravações de DVD de grupos como Nervochaos e Cursed Slaughter, respectivamente.

A festa, que teve um ótimo público, contou com a audição do EP, a exibição em primeira mão do clipe de Alive, uma das faixas do disquinho, além de uma apresentação com os sons do trabalho. Já eram 21h30 quando o vídeo foi projetado no telão do estúdio e mostrou além de um ótimo trabalho de produção, uma miscelânea de estilos praticada pela banda, que tem como referências grupos como Black Sabbath, Audioslave, Rage Against the Machine, Down, Corrosion of Conformity (fase Peeper Keenan), entre outros.

Às 22h o trio subiu ao palco e começou a apresentar as faixas do trabalho, que não apenas confirmaram a boa impressão inicial que tive com o vídeo, como mostrou não apenas a esse que escreve essas tortas linhas, que ao lado do Saturn, podem ser considerados os representantes do stoner no ABC.

Macchina
Kátia Bucci
Era possível ver o entusiasmo no rosto dos caras, que tocavam com muita emoção que era transmitida aos presentes, principalmente quando o vocalista agradeceu ao público presente, que ter uma banda é travar lutas e batalhas. Do set que durou cerca de 40 minutos, as canções que chamaram a atenção foram a grooveada Starting Over, os climas psicodélicos de You Are Inside My Soul e Alive, que mostrou ser a escolha certa para o clipe, por mesclar o peso do Sabazão com a linguagem das ruas do Rage Against the Machine.

Outros aspectos que se destacam no som dos caras são o peso dos instrumentos, seja das guitarras Les Paul/SG e o peso do baixo, fazem uma parede sonora de respeito, além dos vocais, que são raçudos, numa linha que lembram Peeper Keenan (Corrosion of Conformity), além da força do conjunto.

Esse dia foi mais um daqueles dias que tive muito orgulho de estar presente num evento metálico, ainda mais sabendo que ele foi tão especial para os caras do Macchina. Nós, como “prestadores de serviços” desse estilo que amamos, não podemos deixar essa máquina chamada rock parar!

PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...