8 de fevereiro de 2013

NERVOS: BOM HUMOR SEM SOAR ENGRAÇADINHO


Ao ouvir o álbum “Canto Alto para Algo Novo” da banda Nervos, percebemos que o quarteto formado por Fernando Fox (voz e guitarra), Roberto Pudim (guitarra), Ramonzito (baixo) e Glauco Genovesi (bateria) usa e abusa de músicas grudentas e de fácil assimilação.
Bebendo nas fontes de artistas como Ira, Barão Vermelho e Camisa de Venus, a banda mostra que musicalmente não deve nada aos artistas do mesmo estilo que figuram no circuito mainstream.
Nesta entrevista com  o vocalista e guitarrista Fernando Fox, o músico conta dos objetivos e façanhas que o grupo conseguiu nesses cinco anos de estrada:

Por João Messias Jr.


Banda Nervos ao vivo
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Neste ano a banda completou cinco anos de atividades. Quais as coisas boas e ruins que ocorreram neste período?
Fernando Fox: Nesses cinco anos aconteceram muitas coisas: boas e ruins (e isso dependendo do ponto de vista). É muito tempo, inclusive para quem está na beira dos 30. Tornamo-nos mais amigos e assim, brigamos mais.  Somos mais “macacos velhos” e consequentemente, mais chatos (risos)!
O que talvez não tenha mudado é a vontade de que algo novo aconteça, algo que nos tire deste marasmo.

NHZ: O som de vocês possuem todos os ingredientes para agradas aos fãs de rock nacional, bons riffs, energia e o mais importante na minha opinião: alto astral, mesmo nas letras e canções mais densas, nas quais falarei no decorrer desta. Qual a importância do clima positivo nas canções de vocês.
Fernando: Não sei se “positivo” é a melhor palavra. Talvez “irônico” (risos)!
No palco, tentamos sempre se lembrar de tocar “como se fosse a última vez”. É tudo ou nada! Se for pra morrer, que seja ali, e provavelmente seja (risos).
E já que existe essa possibilidade, que seja levada no bom humor afinal,  tudo isso é uma piada (mais risos)!
Quanto às composições, a Nervos quer ser popular. Buscamos ser sinceros ao expor certas dúvidas que habitam nossa mente, tanto o lado da emoção, quanto o da razão e assim trazer identificação de quem as ouve, até o ponto de entenderem o porquê das nossas contradições (risos)!

Logotipo
Divulgação
NHZ: A banda possui um clipe polêmico da música “O céu pra você, o inferno pra mim”, que questiona alguns religiosos sobre o fato de usarem a fé em benefício próprio. Pela mensagem forte e direta, chegaram a ser criticados ou a receber alguma ameaça judicial?
Fernando: Ainda não. Só um “não gostei” do Youtube (risos)!
É por isso que queremos ser populares. Conhecem aquela letra do Raul Seixas: “Arapuca está armada // e não adianta de fora protestar // Quando se quer entrar num buraco de rato // de rato você tem que transar”?
Alguém precisa falar com o povo, mostrar o outro lado.

NHZ: Outro feito na carreira de vocês foi ter a música “Rock do PGN” (que não está no CD) executada em uma rádio de notícias. Conte dessa experiência inusitada.
Fernando: Gosto de ouvir rádio desde criança. Não só de música, como também de noticias.
Conheci a Band News FM e virei fã dos jornalistas: Ricardo Boechat (Se tem um “Maluco Beleza” de verdade, inteligente e “rock´n roll”, que precisa ser ouvido, esse alguém é o Boechat), Luis Megale, que é um cara um pouco mais velho que eu e tem muito a dizer e o grande José Simão, que tem o trabalho que pedi a Deus, mas que merece muito mais. Afinal, ele é o presidente (risos)!
Nas eleições de 2010, eles lançaram o PGN (Partido da Genitália Nacional). Um dos slogans, diz tudo: “Orgia por orgia, fique com a Gente”.  A Nervos não podia ficar de fora (risos)!
A rádio tem esse poder de fazer o ouvinte ser “amigo” dos apresentadores. O Rock do PGN é uma homenagem, uma maneira de retribuir o bem que eles me fazem.  Consegue rir preso num trânsito infernal as 08h48?  Eu consigo!
Essa música não faz parte do álbum. É uma faixa bônus. O clipe dela no Youtube conta com muitas visualizações.

Banda Nervos em 2010
Divulgação
NHZ: Vocês se apresentam com freqüência nos bares e casas de shows de São Paulo e ABC. Muitas delas foram abrindo para grandes nomes da música nacional como Nasi, Velhas Virgens, entre outros. Qual a importância de abrir para artistas renomados?
Fernando: Veja que os artistas de rock que você citou têm, no mínimo, vinte anos de estrada.  Se com cinco, a Nervos já passou por poucas e boas, imagine os caras!
São nossos heróis e “enfrentar” o grande público deles é um baita teste. Afinal, é esse público que gosta e consome rock brasileiro.
Até agora, a resposta da galera e essa experiência de tocar com nossas referências, têm sido motivo de muita alegria para a banda.

NHZ: Falando em grandes nomes do rock, recentemente a rádio 89FM voltou à ativa, inclusive como apoiador de um festival que também retornou aqui no ABC, o Rock in Rua. Qual a importância da volta desses gigantes para bandas como o Nervos?
Fernando: A 89FM não podia ter acabado. Agora que voltou com tudo, tornou-se uma das maiores esperanças para o rock brasileiro. Todas as bandas estão se “coçando” para tocar lá, inclusive a Nervos. Nessa, podem surgir grandes nomes. Fora isso, o apoio da Rádio Rock em festivais é fundamental para atrair público.

Banda Nervos em 2010
Divulgação
NHZ: Continuando a falar na rádio, recentemente a banda iniciou por meio das redes sociais uma campanha para ter suas músicas executadas na emissora. Como surgiu a ideia e como está essa batalha?
Fernando: E a tal da esperança (risos)!
Estamos plantando.

Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores dessa publicação.
Fernando: Obrigado João Messias Jr.  pelo espaço. Sabe o quanto é importante para nós.
Aos leitores, espero que tenham gostado da entrevista. Conheçam mais o nosso trabalho pela internet e apareçam nos shows. Precisamos de vocês!


3 comentários:

Anônimo disse...

Nossa gostei muito.
Bela entrevista, perguntas inteligentes e respostas coerentes.
A banda realmente é muito boa.
Parabéns a banda e ao João da NEW HORIZONS ZINE

Banda Nervos disse...

Valeu, João
Obrigado pelo espaço.

Abraços

Banda Nervos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.