4 de novembro de 2015

OS RUMOS DO METAL TRADICIONAL

Bruttalian, Syren e Rygel mostram em seus mais recentes trabalhos a evolução da semente lançada por bandas/artistas como Fight e a carreira solo de Bruce Dickinson

Por João Messias Jr.

Cabelos cheios de franjas, guitarras dobradas, roupas de couro e uma gravação crua e agressiva eram sinônimos do que era o metal tradicional durante a década de 1980. Período que lançou discos obrigatórios na prateleira e mente de muitos headbangers. Alguns exemplos ficam por The Number of the Beast (Iron Maiden) e Screaming for Vengeance (Judas Priest), isso sem falar em nomes como Helstar, Manilla Road e Metal Church, que mesmo não atingindo o mainstream, cravaram seu lugar como ícones do estilo.

E como nada é eterno, o estilo necessitou de algumas adaptações. Novidades que vieram em forma de uma produção mais encorpada e uma dose extra de peso e variedade  no instrumental e nos vocais. Quem não se lembra do lançamento de War of Words (Fight), Heart of a Killer (Winter's Bane) e The Chemical Wedding (Bruce Dickinson), que apesar das raízes fincadas no metal tradicional, apresentaram um sopro de renovação. O que é foi muito bom, pois abriu portas para que pessoas mais novas apreciassem essa vertente musical.

Passadas mais de duas décadas, esses trabalhos, além de seu legado incontestável, trouxeram (e continuam trazendo ao mundo), álbuns que vem resgatando esse tipo de sonoridade. E aqui no Brasil não é diferente. Basta uma chegada na internet para depararmos com bandas apostando cada vez mais nessa tendência. Para essas linhas, escolhi três bandas que mostram a riqueza, variedade e qualidade das bandas daqui: Bruttalian, Rygel e Syren.


Bruttalian: Blow on the Eye

Os maranhenses do Brutallian tem tudo para elevar o nome do Maranhão graças ao seu debut, Blow on the Eye.

As referências do metal tradicional (em especial Judas Priest) são enriquecidas com doses letais do thrash americano. Até aí nada de diferente, mas o que diferencia Blow on the Eye dos demais é a forma que isso é empregada, com vocais que não são agressivos o tempo todo. Temos aqui vozes que intercalam agudos, graves, berros e um tempero sarcástico que dá todo um diferencial, como podemos ouvir em You Can't Deny Hate, Hell Is Coming With Me e na faixa título. Apesar da melhor faixa ser Black Karma, graças ao trabalho de ponte/refrão envolvente, que te faz inclusive pegar o encarte e acompanhar a canção até o fim de sua execução. Coisas que nesses tempos de internet é algo no mínimo sensacional!

Só que nem de bate cabeça vive o disco. Temos uma breve momento de calmaria em Psycho Excuse, que tem um ar de Johnny Cash mais pesado e sombrio, mas como disse, é algo passageiro e o peso logo volta ao trabalho. 

Os caras se preocuparam com tudo. Músicas, trampo gráfico excepcional, capa marcante, que são sinais de uma banda que tem tudo, mas tudo mesmo para ter uma carreira duradoura e de sucesso. Digo isso pois Blow on the Eye é apenas o debut.
www.facebook.com/brutallian


Rygel: Revolution

Seguindo a linha iniciada no álbum anterior, Imminent, o Rygel oferece surpresas em seu novo trabalho, Revolution. A primeira, e talvez a mais marcante fica pela estreia do guitarrista Wanderson Barreto nos vocais, que faz um bom trabalho.

Musicalmente, a banda insere uma pegada mais moderna e agressiva em meio ao seu prog/power, o que dá um ar criativo e empolgante com essa fusão de estilos. 

Save Me e Before the Dawn chamam a atenção pelo refrão feito pra cantar junto; Worst in Me pela agressividade e The Story Begins pelo excelente trampo das guitarras.

Outros destaques ficam por conta de Repentance, que conta com a participação de Nando Fernandes (Hangar, Cavalo Vapor), que também produziu os vocais do álbum e Damage Done, que conta com uma bela interpretação vocal.

Aliada a música apresentada aqui, vale destacar o trabalho do encarte, que fogem do esquemão tradicional, com um ar mais despojado que combinam com a proposta do quarteto.

Não há mais o que dizer, apenas que o quarteto formado por Wanderson, Vinnie Savastanno, Ricardo Reis e Pedro Colangelo lançaram um trabalho consistente que tem tudo para render frutos ao grupo.
www.facebook.com/RygelOfficial


Syren: Motordevil

Talvez a mais fiel ao estilo desse texto. Apesar disso, a fidelidade não se resume a comodismo ou zona de conforto, pois a música recebe uma dose extra de peso, reforçada pelos backing vocals e orientação thrash do instrumental, que somada ao talento do vocalista, faz uma mistura agradável e feita para bangear.

Alguns momentos ficam por conta da contagiante faixa que nomeia o trabalho, Rebellion, You're Gonna Die e a épica The Prophecy of Marduk, além do talento do vocalista Luiz Syren, graças ao seu timbre a lá Bruce Dickinson garante a audição do trabalho.

A embalagem do trabalho condiz com o material de áudio, com uma capa chamativa e um encarte simples, mas com todas as informações necessárias, que não é necessário fazer algo esmerado para chamar a atenção, provando que o menos é mais. Muito mais no caso de Motordevil.
www.facebook.com/Syrenmetalband

Três álbuns, cada qual a sua maneira reproduzem com qualidade e autenticidade o melhor do metal tradicional. Estilo que através das mutações, vem se mantendo vivo e arrebatando fãs mundo afora!

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