10 de abril de 2013

LIVE METAL FEST: A CONSOLIDAÇÃO DO EVENTO

Segunda edição do festival contou com apresentações das bandas Command6, Screams of Hate,Trayce, Forka, Hammathaz e Holiness

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Bárbara F.Luiz

O festival Live Metal Fest, idealizado por Clayton Bartalo (Screams of Hate), chega a sua segunda edição e tem como proposta apresentar bandas nacionais de qualidade para o público, que (infelizmente) prefere se restringir aos shows gringos e bandas covers. Com a missão de mostrar para os bangers o que temos de melhor, foram convocados os grupos Command6, Screams of Hate, Trayce, Forka, Hammathaz e Holiness.

Essa nova edição acabou tendo sua data alterada, que devida a tragédia ocorrida em Santa Maria, que acabou resultando na interdição de diversas casas no país, dentre elas o Inferno Club, local da apresentação. Após a adequação da casa com as normas de segurança, o festival foi realizado no dia 29/3, sexta-feira santa. O que poderia significar pouco público, mas o Inferno Club acabou recebendo um ótimo público.

Além das bandas, o LMF teve a animação da web rádio Máquina Sonora, que animava o público com clássicos do rock/metal como Megadeth, Motorhead, Ozzy, Iron Maiden, entre tantos outros, além de sortearem kits com  materiais dos grupos participantes nos intervalos das apresentações.

A realização de um sonho

Às 16h40, começaram as apresentações e a primeira banda que entra no palco
Stéfanie Schirmbeck
Holiness
é o quarteto gaúcho Holiness. Radicado em São Paulo e atualmente formado por Stéfanie Schirmbeck (voz), Cristiano Reis (guitarra), André Martins (baixo, Hatematter) e Cristiano Reis (bateria) é um grupo que pode ser uma ponte entre fãs do underground e mainstream, pois suas canções possuem riffs e solos grudentos, que unidos a bateria complexa e os vocais doces de Stefanie , se tornam um nome a ser ouvido aos fãs de grupos como Evanescence e Lacuna Coil.

O show do grupo mesclou músicas novas e sons de seu primeiro CD, Benath the Surface, onde os destaques foram o single Dead Inside e as “antigas” The Truth e Mine, que confesso ter realizado um sonho ao ver/ouvir essa canção, que graças ao vocal “clean” de Stefanie e melodias fazem dela um som muito, mas muito especial para esse que escreve essas linhas.

O mais legal do show foi que apesar de ser a primeira banda, tinha muita gente presente para assisti-los.

Novo nome na pista

Jr. Jacques
Hammathaz
Vindo de Sorocaba e com dez anos de estrada, a banda Hammathaz tem um som que mescla as escolas do Metalcore e Deathcore, que pode agradar fãs de bandas como Killswitch Engage e Pantera, essa banda mais sentida nos vocais de Jr. Jacques.
Confesso que foi uma grata surpresa ouvir o som dos caras, que possui muitas camadas/texturas, cheio de detalhes mesmo, com destaque para a dupla das sete cordas, que manda muito bem nos riffs, bases e solos, além de não ficarem presos na velocidade, privilegiando o peso.

Os destaques da apresentação foram Crawling, Save Your Self, The Old Ways, e a “saideira”, que contou com Clayton dividindo os vocais num medley com clássicos do Sepultura, onde foi “concebida” a primeira roda da noite.

Momentos de tensão

O Forka é uma banda do ABC paulista, que possui um bom tempo de estrada
Alan Dias
Forka
e recentemente lançou seu terceiro trabalho, chamado Black Ocean, que marca uma nova fase no som, pois está mais brutal e com menos elementos HC.

Conhecida pela entrega e postura descontraída, a banda entrou mandando a intro Luna e a faixa-título de seu recente trabalho. Mas essa apresentação seria diferente, pois apesar do som vir de forma clara ao público, a banda enfrentou problemas no som. Após uma pausa, mandaram Own Blood e Last Confrontation, com destaque para o novo batera, Caio Imperato, um achado para o som dos caras, pois o músico é preciso, técnico e não fica “espancando” o instrumento, usa a força apenas quando necessário!

Ao executar Screaming in the Shadows, já com os referidos problemas de som, parou de tocar e encerrou a apresentação antes do previsto com uma versão para Angel of Death (Slayer), que alegrou os que estavam na pista, mas frustrou outros que queriam ouvir mais  sons do quinteto.

Atenção gravadoras

Marcelo Carvalho e Fabrício Modesto
Trayce
Se eu fosse um agente de gravadoras “major”, se houvesse uma banda que eu indicaria o trabalho, seria o Trayce. Assim como o Holiness, o quinteto formado atualmente por Marcelo Carvalho (voz), Alex Gizzi e Fabrício Modesto (guitarras), Rafael Palm Ciano (baixo) e Marcelo Campos (bateria) é um nome que merece ser ventilado para mais pessoas.  Principalmente pela habilidade em construir passagens melódicas e brutais sem perder o contexto, como foi visto/ouvido em Look At Yourself, Price to Pay, Land of Hatred, que estão um pouco mais agressivas com o atual vocal.
E falando no cantor, o cara é um espetáculo, faz caretas, fala uma penca de palavrões e pula feito um maluco, o que dá um “plus” no show dos caras.

Com boa vontade da mídia, o Trayce tem tudo para conquistar um público muito maior.

Ódio

Já havia visto apresentações da banda Screams of Hate antes, mas essa se
Clayton Bartalo
Screams of Hate
destacou das outras, pois essa teve um ingrediente adicionado: ódio.

Sim, o quinteto  tocou como se fosse a última apresentação de suas vidas e mandaram um som pesado, extremo e cheio de groove, que para aqueles que gostam de referências, é uma (grande) evolução de trabalhos como World Demise (Obituary), só que mais visceral e compacto.

Um dos ingredientes da apresentação cheia de gana foi o vocalista Clayton, que durante o refrão de uma das musicas do set, que dentre outras coisas (será que foi por causa do som?) dizia ter muito orgulho do que fazia. O show teve como destaques músicas do novo CD, que estão mais dinâmicas e extremas, as “clássicas” Fight (que contou com o antigo vocalista, Marcelo), a desgracenta Revanche e uma insana versão para Fucking Hostile (Pantera), que contou com Wash, do Command6.

Outro sonho realizado

Wash
Command6
Após a poderosa apresentação do Screams, coube ao Command6 a responsabilidade de encerrar o festival. Quem pensou que o público ficaria apenas observando o show do hoje quarteto formado por Wash (voz), Bruno Luiz (guitarra e voz), Johnny Haas (baixo e voz), Bugas (bateria) se enganou, pois os presentes arrancaram o último suspiro de energia.

Executando canções do aclamado Black Flag, a banda quebrou ossos com as canções Crush the World e Lies So Pure, onde, reforçada de Alex Gizzi do Trayce, mostravam um poder de coesão e domínio dos presentes, com músicas cheias de dinâmica, peso e melodia, com destaque para Wash e Johnny, que estavam totalmente insanos.

Após So Cold, veio o ápice do show: deixou o palco Alex e entrou Tiago Domingues e executaram Sunshine, o grande hit dos caras, que mostram quão enraizado o hard rock está presente nos corações dos bangers. Só que depois dessa canção, já com Alex de volta ao palco, a banda continuou a dementia com a faixa-título do novo CD, que mescla na mesma canção Forbidden e Alice In Chains, o que prova o nível dos caras.

Jesus Cry, do debut Evolution? seria a canção que daria números finais ao evento, mas como ainda havia tempo, mandou uma apoteótica versão para Slave New World (não precisa dizer de quem é), que encerrou de forma digna o fest, que tem tudo para estar entre os “tops” dos grupos underground.

Saldo Final

Mesmo com alguns problemas de som nas apresentações, o II Live Metal Fest faz por merecer um lugar na agenda dos headbangers. Com duas edições e uma terceira por vir, mostrou que a cena nacional possui grandes nomes nos mais variados estilos musicais. E como eu disse numa resenha anterior, já passou do momento de ficarem babando ovo apenas para grupos consagrados e prestarem mais atenção nas bandas de seu estado e país.

Outras fotos do II Live Metal Fest podem ser vistas em:
http://www.facebook.com/BarbaraLuizFotografia?notif_t=fbpage_fan_invite

Um comentário:

Clayton disse...

Minhas palavras sao as suas cara! Noizzz