3 de abril de 2013

CAUÊ LEITÃO: CORDAS DIFERENCIADAS


Guitarrista do Andragonia lança seu primeiro disco solo e prova que a música instrumental pode ser acessível e ouvida por diversas pessoas

Por João Messias Jr.

Lab Guitar Experience
Divulgação
Vou ser franco: quando se falava de música instrumental,  sempre tive minhas reservas, pois apesar de saber que existem artistas que usam a técnica a favor da música, grande parte dos colegas virtuosos curte aquele lance narcisista de fazer canções e discos para si próprios, causando desespero a quem vai ouvir e avaliar.

Tanto que nesses mais de 20 anos de vida no rock, escutei apenas um disco instrumental, que foi The Extremist (Joe Satriani), que é uma aula de como fazer boa música. Esses tempos, chegou na minha caixinha de correio o primeiro disco solo do guitarrista Cauê Leitão, conhecido pelo seu trabalho com o Andragonia. E logo na primeira audição o moço mostra como que a música instrumental pode SIM ser ouvida por muitas pessoas.

Como todo disco do estilo, há muitas partes velozes, com muito peso, dissonâncias e texturas, onde Cauê mostra toda a sua técnica e que não está para brincadeira, como nas faixas Faith in a Miracle, Chaos in the Ropes e Taken By the Feeling. Só que o músico encontrou uma receita que deu super certo aqui e tem tudo para ser o diferencial dele em relação aos seus colegas de cordas: a sensibilidade.

Essa parte é vista em dois momentos: nas faixas Beyond the Fight e Reflection in Groove, que possuem um clima soul, influenciado pela bossa nova e o blues, que surpreendem e principalmente pelas intimistas de charme pop Into the Cloud e Power of a Warrior, que se recebessem vozes, perderiam totalmente o sentido.

Para ouvir, admirar e principalmente, surpreender.

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