24 de outubro de 2013

METAL TOTAL 34: O METAL VIVE NO ABC

Evento que teve como headliner o ícone nacional Vulcano, também contou com os grupos Angry, Necromesis, Spiritual Hate e Midnightmare

Texto e fotos: João Messias Jr.

O anúncio de que o lendário grupo santista Vulcano faria uma apresentação no ABC foi motivo de nostalgia e emoção para este que escreve estas e as próximas linhas a seguir. Primeiro, por se tratar de um dos maiores nomes do metal nacional e que após muitos altos e baixos, vive seu melhor momento na carreira, inclusive se apresentando pelo velho mundo algumas vezes. Outro motivo (descoberto no show) foi ver que os caras, que não são mais garotos, se divertem a valer se apresentando!

O espetáculo, realizado no último domingo (20), no Princípios Bar, em São Bernardo, além dos caiçaras contou com quatro nomes de respeito daqui: Angry, Necromesis, Spiritual Hate e Midnightmare.

Escolas distintas num único som

Midnightmare
João Messias Jr.
Às 16h45, coube ao Midnightmare dar início às festividades. O trio, atualmente formado por Kedley (guitarra), Simone (baixo e voz) e Quércia (bateria, Arthanus) tem um contexto interessante em suas influências. As seis cordas possuem influências do death metal da Flórida e Suécia dos anos 90, a bateria cria linhas mais cadenciadas, fugindo da batedeira de hoje e os vocais são crus, diretos e na lata. 

Sabe o que mais? Essa miscelânea produz um death/thrash de responsa, com ótimos riffs e músicas empolgantes como Chaos, In the Name of God e Death is the Only Salvation. Essa última é dona de andamentos cadenciados e muitas quebrdas. A apresentação ainda contou com  uma boa versão para Witching Hour (Venom). Chega a ser triste ver que os caras (ainda) não possuem um CD para imortalizarem a sua música.

Resgatando tradições

Spiritual Hate
João Messias Jr.
É uma questão que possui o lado bom e ruim, mas que o rock anda muito intelectual não há de negar. Quando alguns grupos apostam em meter o pé na nossa cara, mostrando que o estilo tem de ter antes de tudo transpiração e sangue nos olhos a gente até esquece que fomos “agredidos”, como na apresentação do quarteto Spiritual Hate. 

Com cristos decapitados, pendurados de ponta cabeça e corpse paint, Magnus Hellhound (voz e guitarra), Fabiano Blackmortem (guitarra), Lord Emperor Blaphemous (baixo) e Thamuz (bateria) mandaram um death/black violento e voraz, com vocais que se alternam entre guturais e vomitados. Tudo muito coeso, com destaque para Hates Burn in my Eyes e Excomunion, que além de encerrar o show, foi responsável pela primeira roda da noite.

Fortalecidos

Necromesis
João Messias Jr.
Ano passado, os fãs do Necromesis foram pegos de surpresa com a saída do vocalista e baixista Victor Próspero (hoje no Seventh Seal). Devido ao sentido de unidade que o então trio passava nos shows, uma interrogação pairava na mente dos fãs. Felizmente, o egresso do baixista Gustavo Marabiza e da frontwoman Mayara Puertas foram o combustível que os remanescentes Daniel Curtolo (guitarra e voz) e Gil Oliveira (bateria) precisavam para continuar o legado.

A cada apresentação, o hoje quarteto mostra segurança e que pode ir muito mais longe, pois cresceram musicalmente e em performance. Principalmente Daniel, que se movimenta por todos os cantos, além de vociferar como um urso, o que gera um contraponto interessante com os urros e berros de Mayara. 

A técnica é uma das marcas registradas da banda, que hoje soa mais brutal e progressiva, fato que foi comprovado com o novo som, The Life is Dead, que sintetiza bem o atual momento do grupo. Outros destaques foram Unlives As Undeads e Demonic Source, que encerrou a curta apresentação dos caras (e da moça), que já estão prontos para conquistarem novos territórios.

Um pouco de thrash

Angry
João Messias Jr.
Apesar das bandas acima terem toques aqui e acolá do thrash, até então, nenhum dos grupos da noite pertenciam ao estilo. Então, Diego Armando (baixo e voz), Ricardo Luiz  e Alex (guitarras) e Renato Haboryni (bateria) mostraram aos presentes uma mescla das escolas americana, europeia e brasileira, essa última presente nos vocais, que nos remete ao grande Marcello Pompeu (Korzus). 

A banda fez um set balanceado entre canções do EP, como Agony, Coldness of the Soul e outras que farão parte do próximo trabalho, a sair ainda esse ano como Future Chaos (faixa-título, que ganhará videoclipe). 

O encerramento com Last Day, cujos andamentos nos remetem aos mestres do estilo como Death Angel e Testament (alguém aí pensou em The Legacy?). Mais um baita show de um grupo que eu ainda não conhecia.

Quero envelhecer como esses caras

Vulcano
João Messias Jr.
Com uma carreira de três décadas, apresentações por todo o país e Europa, Luiz Carlos Louzada (voz), Zhema (guitarra), Ivan Pellicciotti (baixo) e Arthu Von Barbarian (bateria) poderiam estar descansando assistindo programas dominicais na TV, mas não. 

O quarteto, com seu som baseado em Venom, Black Sabbath e Motorhead, mostrou que “panela veia faz comida boa”, e saciou os presentes com clássicos de toda sua carreira, como The Man the Key the Beast, faixa-título do mais recente trabalho, Dominios of Death, The Signals e Prisioner from Beyond.

Esses sons serviram para constatar que, com todo respeito ao Angel (antiga voz do grupo), Louzada hoje tem mais a cara da banda e não faz feio cantando hinos do passado como Fallen Angel e Bloody Vengeance. Zhema sempre com uma postura discreta mandando riffs poderosos por meio de suas Gibsons e o batera Arthur é um espetáculo a parte, pois não fica restrito a espancar as peles de seu kit. Toca em pé, brada com a galera, faz malabares com a lata de cerveja, enfim, mostrou o que é tocar com prazer.

Vulcano
João Messias Jr.
O show caminhava para o fim quando mandaram de forma apoteótica as clássicas Witche’s Sabbath, Total Destruição, Guerreiros de Satã e a parte final de Legiões Satânicas, que extasiou os presentes, que compareceram em bom número.

Após o show pensei no seguinte: quando ficar mais velho, quero envelhecer que nem esses caras, indo a shows, curtindo o lance de verdade, sem politicagens e padrões de conduta.

Mais um baita evento organizado pelo Tiago Claro (Seventh Seal), que dá a oportunidade ao povo do ABC a oportunidade de conferir grandes nomes do metal nacional. Só que, vamos nos conscientizar, por que estilo não se restringe aos festivais como Monsters of Rock. A base é a cena underground, não se esqueçam!

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