14 de março de 2014

KAPPA CRUCIS: (AINDA) É POSSÍVEL FAZER ROCK DE VERDADE

Quarteto mostra que é possível SIM resgatar a alma dos anos 70 e transportar este sentimento nas músicas de seu novo trabalho, Rocks

Por João Messias Jr.

Rocks
Divulgação
Escutando o segundo trabalho do Kappa Crucis, acabei refletindo sobre duas situações ocorridas em períodos distintos, mas que são pertinentes nos dias de hoje: com a profissionalização da música, para não serem preteridas, algumas bandas lançam discos que sempre faltam algo, principalmente uma maior maturação nas canções. Nos anos 70, que para alguns foi o período mais produtivo do rock, as bandas lançavam material todo o ano (algumas vezes dois registros), mas quase tudo era sinônimo de coisa boa, pois a música sai da alma e não do mercado. Creio que não é necessário citar o acervo de clássicos que foram lançados nesse período.

O quarteto de Apiaí formado por F. Dória (bateria e backing vocal), G. Fischer (voz e guitarra),R. Tramontin (baixo) e A. Stefanovitch (teclados), se por um lado não entrou na onda de ficar lançando discos a todos instante, por outro, aprendeu a lição que os mestres ensinaram há mais de 40 anos, com um trabalho que transborda feeling, introspecção e que atinge em cheio o ouvinte.

Com uma capa que diz transmite a sensação descrita acima e uma boa gravação (que curiosamente é limpa e clara) feita no Ger Som Stúdio e masterizado em Montreal (Canadá), o disco possui canções lineares, o que permite uma audição por completo do trabalho (mais setentista impossível). Cada canção possui individualidades, como os climas fúnebres/sacros de What Comes Down. Já faixa seguinte, Mecathronic tem o sentimento oposto e eleva o astral de todo homem de bem. O classic rock aparece nas faixas School of Life e Flags and Lies, inclusive com solos inspirados em caras como Keith Richards (Rolling Stones) e Ace Frehley (ex-Kiss).

Invisible Man é uma semi-balada que tem como base a melancolia e um interessante “diálogo” entre baixo e guitarra. Nobody Knows é aquela canção que deve ser obrigatória nos shows. Começa rápida e ganha uma parte mais lenta no meio e depois volta pro rock com um ótimo trabalho de cordas e teclas e um coro épico no final.

Só que o melhor ficou para a última faixa, The Braves and The Fools, que possui uma energia pra cima e ótimas vocalizações, que fogem dos berros, urros e gritos e além de transmitirem bem estar, se mostra o disco ideal para os momentos de reflexão, principalmente se está para tomar importantes decisões.

Apesar dos instrumentistas serem competentes, a grande sacada aqui está nos vocais de G. Fischer, pois como disse acima, foge da pseudo-agressividade e aposta em cantar de forma limpa e natural, o que garante originalidade e credibilidade, graças ao seu timbre bonito de voz.

Então, se quiser se “desintoxicar”(mesmo que por alguns instantes), desse maluco mundo pós-moderno, que tal fazer isso ouvindo esse baita disco?

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