17 de dezembro de 2014

DAYDREAM XI: A SAGA GAÚCHA CONTINUA...

"The Grand Disguise", primeiro CD do quarteto gaúcho une peso, cadência e melodia em músicas longas, trabalhadas e acessíveis

Por João Messias Jr.

The Grand Disguise
Divulgação
Acompanho a cena musical do rock/metal há mais de duas décadas e por mais imparcialidade que role, acabei tendo minhas preferências. Uma delas era a cena gaúcha, em que esperava as revistas chegarem nas bancas para ver o que tinha nas seções de demos. E depois de todo esse tempo, brindado com trabalhos das mais variadas regiões, há momentos em que a paixão fala mais alto. Quando ouvi o debut dos gaúchos da Daydream XI, fiquei feliz em saber que a saga da música gaúcha continua viva, forte e variada.

Com seis anos de estrada, a banda formada por Tiago Masseti (voz e guitarra), Marcelo Pereira (guitarra), Tomás Gonzaga (baixo) e Bruno Giordano (bateria) é adepta do prog metal, com músicas longas e variadas, mas sem ser chato e com ingredientes que deixa a música dos caras especial: aliam peso e melodias quase pop que fazem da audição do trabalho algo diferente entre a multidão de lançamentos.

A abertura com Keeping the Dream Alive cruza sinfônico e o thrash,Like Darkness Rules the Night possui muito groove e inspiradas linhas de voz, que são o maior destaque de todo o disco. Um clima de caos é a base de The Guts of Hell e Wings of Destruction conta com um ótimo refrão e passagens cadenciadas, enquanto o alto astral toma conta de Phoenix. Só as canções citadas seriam motivo de no mínimo conhecerem o trabalho, mas tem mais...

... O lance pop que disse fica por conta das baladas, e que baladas. Alone, que não é a do Heart, é mais intimista e que agradará aqueles que gostam do rock das FMs da vida. Já The Age of Sadness é o que podemos é o hit do trabalho. Com passagens que nos remetem a grupos como Savatage, Beatles, Queen e todas aquelas bandas de hair metal, contagia e emociona o ouvinte, onde mais uma vez o cantor rouba todos os elogios.

Só que ainda não acabou. A faixa-título, com seus 23 minutos é uma viagem com momentos pesados, épicos, melódicos e agressivos que agradará os fãs do estilo. Pois apesar do tempo, ela não é cansativa e a variação de estilos existentes dentro da mesma segura o ouvinte sem muito esforço. 

Apesar de não trazer nada de novo, "The Grand Disguise" é um trabalho que merece pelo menos uma audição, principalmente pela excelência em todos os detalhes, desde as canções, a capa que apresenta todas as sensações que ouvinos e a produção pomposa e esmerada, a cargo do vocalista Tiago Masseti e Jens Borgren (Angra, Soilwork, Opeth) que deixou tudo em harmonia.

E depois de mais de duas décadas a saga gaúcha continua...

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