15 de outubro de 2014

HELLARISE: "O IMPORTANTE NESSA TRANSIÇÃO FOI TER MÚSICOS QUE FUNCIONASSEM NA DINÂMICA COMO BANDA"

Mudanças de formação e falta de perspectivas são coisas que infelizmente todas as bandas de rock passam. Mas quando esse tipo de tempestade acontece, é o prenúncio de coisas boas que estão para acontecer. Com o hoje quinteto HellArise não foi diferente. As remanescentes Flávia Morniëtari (voz) e Mirella Max (guitarra) arregaçaram a banda e reformularam o grupo com Kito Vallim (baixo), Felippe Max (bateria) e lançaram o EP “Functional Disorder”, que mostra uma evolução monstruosa no death/thrash da banda, que hoje apresenta mais coesão e uniformidade. Após o lançamento do trabalho, a banda oficializou o guitarrista Daniel Crivello.

Aproveitamos para falar com o grupo, que falou sobre as mudanças  de formação, planos futuros e muito mais.

Com vocês, HellArise;

Por João Messias Jr.
Fotos: Edi Fortini

NEW HORIZONS ZINE: Em virtude das diversas mudanças de formação, a banda passou a adotar um line-up misto e deixando assim, de ser um grupo exclusivamente formado por mulheres. Creio que deve ter sido uma decisão difícil de ser tomada e foi aplicada pensando no futuro do grupo. Conte-nos os porquês de terem tomado essa atitude.

Mirella: Na verdade foi uma evolução natural pra banda. Não vejo sentido algum em escolher membros tendo gênero como critério. Homens são, no geral, mais fáceis de lidar e mais tranquilos, mas não gosto de generalizar. O importante nessa transição era ter músicos bons e que funcionassem na nossa dinâmica como banda, sendo homem ou mulher.

Flávia: Não foi nada planejado, realmente. Para mim, tanto fazia, como tanto fez e tanto faz, ser ou não uma banda só de mulheres. Quando o conceito da banda se fortaleceu e as músicas criaram uma identidade, isso ficou totalmente em segundo ou até terceiro plano (risos). Não acho que tenha sido uma decisão difícil, pois a Mirella também nunca fez questão de que fossem apenas mulheres. Quando só nós duas resolvemos levar o projeto a frente, nem cogitamos em fazer uma “peneira” pra selecionar só mulheres: queríamos musicistas e ponto.

NHZ: Hoje a formação do grupo tem além das remanescentes Flávia Morniëtári (voz) e Mirella Max (guitarra), conta com Kito Vallim (baixo) e Felippe Max (bateria). O que motivou na escolha dos integrantes e o que cada um trouxe/trará ao som da banda. (N.do R.: Essa entrevista foi feita antes da entrada do guitarrista Daniel).
Mirella: Acho que todo mundo tem um pouco a adicionar. O Felippe tem uma raiz um pouco mais direta, vindo do crossover e do thrash. Já o Kito pende um pouco mais pro meu lado experimental, curtindo um monte de coisas bizarras também (risos). Estamos começando só agora a testar coisas com composições novas, então ainda é cedo pra falar o que exatamente cada um vai trazer para o som.

HellArise 2014
Foto: Edi Fortini
NHZ: Com essa nova formação lançou recentemente o EP Functional Disorder, que conta com cinco faixas e uma gama de estilos que engloba os extremos do metal e até o hard rock. O que estão achando da resposta da galera com o novo trabalho?
Flávia: Até o momento a recepção tem sido bem positiva. Só reviews e comentários bons! Não que criticas não sejam bem vindas - a gente jura que não acha ruim e não manda tirar do ar e nem boicota ninguém, tá (risos)? Mas é bom saber que o pessoal está gostando de verdade!

NHZ: Falando em hard, o estilo está presente principalmente em alguns riffs e principalmente nos solos. Mirella, quais grupos que curte dessa vertente  e se há alguma influência declarada na hora de fazer os riffs e solos?
Mirella: Uma das minhas bandas favoritas é o Mr. Big e curto muito Whitesnake também. Gosto de uma ou outra coisa a mais de hard, mas definitivamente nada que me influencie conscientemente na hora de compor.

NHZ: Esse material está disponível para audição no site http://hellarise.bandcamp.com/ e banda conseguiu a viabilização do EP Functional Disorder por meio de um financiamento coletivo, em que os fãs escolhem um valor e, se o projeto é aprovado, ganha sua recompensa, que pode ser apenas o CD ou outros itens que são disponibilizados. Para vocês, essa pode ser a saída para as bandas independentes?
Kito: Acho que é uma saída, já que você, na teoria, vai contar com a colaboração de quem realmente quer o seu material, quem aposta em você quer apoiar a cena. É muito mais legal quando você não tem apenas fãs, mas sim parceiros!

Felippe: Não é muito diferente de uma pré-venda. Mas é uma forma mais justa, já que se o projeto não atingir a meta ou der algum problema, todos são devidamente reembolsados.

Functional Disorder
Divulgação
NHZ: Agora vamos falar de algo desagradável que aconteceu com a banda. O vídeo de More Mindness Violence foi banido do youtube, justamente quando o mesmo vinha obtendo um bom número de visitas. O que de fato aconteceu, como ficaram e como foi resolvida essa situação?
Flávia: Eles ficaram com medo que a gente dominasse o mundo (risos). Falando sério agora: o que houve foi uma alegação do YouTube que estávamos comprando views (!) ilegais (!!) e por isso tiraram do ar. O que acreditamos que aconteceu de fato foi termos tantos views em tão pouco tempo e o canal não ter tantos assinantes assim (como se isso fosse parâmetro, né?). Pode ser que tenha rolado também alguma denúncia maldosa aí, pois eles chegaram a cortar até a monetização dos direitos autorais! Na verdade, a situação não foi resolvida: a política de trabalho do YouTube é meio unilateral, então só tivemos respostas automatizadas negando nossas reivindicações. O que deu pra fazer foi subir novamente o vídeo e, dessa segunda vez, eles ainda tesouraram na pesquisa: se você digitar HellArise no YouTube, vai aparecer o canal, outras músicas, o clipe no canal do IMAT, mas não nosso clipe no nosso canal.

NHZ: Mesmo com esse tipo de problema, pensam em fazer outros vídeos?
Felippe: Sim, sem dúvida. Isso de maneira alguma nos desmotiva. Existem outros canais também além do YouTube que podem ser aproveitados!
Flávia: É só não dar tanto trabalho quanto o MMV, que a gente faz vários outros até! *risos*
(Nota da banda: o making of do clipe está disponível no EP e agora também ~ironicamente~ no YouTube, para quem quiser saber como foi todo o processo de gravação do vídeo.)

NHZ: Voltando a falar de coisas boas, com o novo trabalho lançado, quais os planos para shows ou até mesmo uma tour?
Mirella: Tour de verdade, onde pretendemos fechar várias datas, só depois do lançamento do nosso álbum. Infelizmente não temos uma data ainda.
Kito: Mas estamos com alguns convites e alguns eventos confirmados que já estamos divugando! Quem quiser saber mais sobre as datas, só entrar no nosso site oficial: www.hellarise.com ou acompanhar nossas postagens nas redes sociais!

HellArise 2013
Foto; Edi Fortini
NHZ: Para encerrar, numa forma de trazer o público de volta aos shows, muitas bandas estão organizando festivais, que buscam trazer grupos renomados unidos a uma boa estrutura, como o Live Metal Fest e o Panzer Fest. O que acham desse tipo de atitude?
Kito: Uma forma de sobreviver numa cena em que existem pouquíssimos produtores que apoiam bandas autorais. Sem falar que também é uma forma de divulgar mais as bandas, já que muita gente que vão nos shows pra ver uma banda específica acaba conhecendo e gostando de outras também. Faz a cena crescer!

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Mirella: Gostaríamos de agradecer ao NEW HORIZONS ZINE pelo espaço cedido e às pessoas pela paciência de ler até aqui (risos) É muito importante esta força que os zines, páginas independentes e programas de rádio online estão dando para o underground!
Quem quiser saber mais sobre a banda, temos o nosso site oficial - como o Kito falou antes - e as redes sociais!

Flávia: Sigam a gente e, se possível, assinem nosso canal do YouTube pra não tirarem mais vídeos nossos do ar quando gravarmos (risos)!

Felippe: E, sempre que puderem - não importando o estilo que vocês curtam mais - compareçam aos shows locais e independentes da sua região!

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