8 de outubro de 2014

THRASH ATTACK ABC: SOLDADOS QUE JAMAIS DESISTEM

Bandas Imbyra, Purulento, Kombato, Endigna e Muqueta Na Oreia comprovaram que a música pesada autoral ainda é vista com indiferença pelo público headbanger

Texto e fotos: João Messias Jr.

“É o pulso/É a tempora que te faz respirar/Alimenta o Seu Vício/E hoje não é um dia para morrer”. Os trechos da música ‘Soldado Não Para’, do quinteto Endigna diz por meio das metáforas que os músicos tocam metal porque gostam, sem visarem lucro ou glamour, pois cada nota que sai dos instrumentos, verso berrado ou golpes nos bumbos são feitos com amor e paixão. 

Além de traduzir perfeitamente o que aconteceu nesta noite fria do dia 5 de outubro, na mais recente edição do Thrash Attack ABC, que perante um público no mínimo VERGONHOSO contou com os grupos Imbyra, Purulento, Kombato, Endigna e Muqueta Na Oreia, que não se importaram com a ausência de fãs de música pesada no Lollapalooza, em Santo André, ABC paulista.

Muqueta Na Oreia
João Messias Jr.
Previsto para às 18h, teve a primeira banda no palco quase duas horas depois, com o Muqueta Na Oreia. De Embu das Artes, o quarteto formado por Ramires (voz e percussão), Bruno Zito (guitarra), Cris (baixo) e Henry (bateria) pratica um som que transita entre o thrash e o hardcore, chamam a atenção pela energia, sincronismo e musicalidade, como pudemos ouvir em “Cabeça Vazia”, do seu mais recente trabalho, “Blatta”, lançado em 2013, que inclusive recebeu recentemente uma versão em revista com o CD encartado. 
Outras músicas desse trabalho foram “Hardware, Software e Tupperware”, “Primogênito de uma Meretriz” e “Exu Caveira”, além de um medley com canções do Sepultura.

Endigna
João Messias Jr.
Igualmente visceral, mas com momentos que se aproximam do punk rock, o Endigna mostrou um repertório que pode agradar fãs de diversas tendências do estilo, desde os fãs de algo mais extremo até os fãs de música “normal”. Esse último aspecto fica ainda mais forte graças as letras em português, que são ditas e vociferadas pela vocalista Baby Drunk, que ao lado dos asseclas Diego Matos (guitarra), Cadu (guitarra), Che Castro (baixo) e Tiago Sorrentino (bateria) são excelentes dentro de sua proposta musical. 
As músicas que mais se destacaram foram “Morre Que Passa” e a já citada “Soldado Não Para”, sem contar a performance da vocalista, inspirada em caras como Phil Anselmo (Pantera).

Kombato
João Messias Jr.
Mudando para o death metal, o Kombato mostrou que teremos coisa boa vindo de futuros materiais dos caras. Devido a problemas com o guitarrista Marcos Pascoli, o grupo se apresentou como um trio. Juan Arteiro (guitarra e voz), Lucy Shalub (baixo e voz) e a convidada Isabela Moraes (bateria). Sem se importarem com o Lolla vazio, a banda mostrou um repertório parecido com o da última vez que se apresentaram no ABC, mas que foi possível notar uma tendência mais extrema, esse último notado pelos backings de Lucy, inspirados em grupos como Death e Obituary, como na versão para “Refuse Resist” (Sepultura) e em “Waiting to Die”, que encerrou a apresentação. De olho nesses caras!

Numa linha mais grind/hardcore, o Purulento iniciou seu set. Tiriça (voz), Jarbas (guitarra), Kalbi (guitarra), Parmegiani (baixo) e Caju (bateria) mandaram som atrás de som, mostrando que apesar do extremismo, é um grupo que pode agradar fãs de DZK, principalmente pelo posicionamento ideológico, como ouvimos em “Intolerância Religiosa”, “Resistência Não é Terrorismo”, a versão para “Lame Brain” (Extreme Noite Terror) e “Possuído Pelo Ódio”.
Se a sua praia atender por fúria, agressividade, ideologia e um som que não faz questão de ser sutil, o Purulento é uma ótima pedida.

Imbyra
João Messias Jr.
Já passava das 23h20 quando a última banda do evento, o Imbyra iniciou sua apresentação. Mesmo com o som não estar 100% (o que foi o mesmo para todos os grupos), Fabricio Ravelli (guitarra e voz), Danilo Bonano (guitarra), Anderson de França (baixo e voz) e Guilherme Figueiredo (bateria) mostraram as testemunhas da casa a experiência de terem feito parte de grupos como Hirax, Harppia, Chaosfear e Project 46 fizeram muito bem aos caras, cuja música agradará em cheio aos fãs de bandas como Trivium, Avenged Sevenfold, Machine Head e In Flames (atual), principalmente pela parede de guitarras e os berros que se alternam entre dolorosos e agressivos, como ouvimos na hipnótica “All You Disdain”, que iniciou a apresentação do grupo. Durante o set, mostrou que possuem músicas que se caracterizam pela intensidade, em especial as do novo trabalho, “The Newborn Haters”, com destaque para “I’m Your Hell” e “We Stand”, que deu números finais a mais uma edição do Thrash Attack ABC.


Imbyra
João Messias Jr.
Apesar das condições não favorável no quesito público, eventos este são as gotas de água limpa no meio desse oceano poluído chamado Underground, que embora possua muita gente comprometida, tem em sua maioria pessoas egocêntricas e sisudas, que acham que nada que é autoral e feito no Brasil presta, a não ser que apareça na mídia televisiva e revistas de renome. Mas como diz o título da canção “Soldado Não Para”, do Endigna, nossa missão é lutar para que esse panorama ao menos melhore.

Um comentário:

Lilian Savordelli disse...

Aaaahhh eeehhh João....mandou bem na resenha amigo...mto bom!!!Vc conseguiu transformar em palavras o q rolou nesse show e falou bonito...curti mto!!!!