4 de abril de 2014

CHAOS SYNOPSIS: LEVANDO A LOUCURA DOS SERIAL KILLERS AOS PALCOS

Quarteto se apresentou na mais recente edição do Ataque Extremo, realizada no último sábado (29), que contou com a participação dos grupos Depressed, Setfire e Pile of Corpses

Texto e fotos: João Messias Jr.

Chaos Synopsis
João Messias Jr.
Quando eu deparo com uma capa de disco, independente do estilo musical que seja, se “bate” aquela coisa (seria tentação?), dificilmente eu me engano e acabo conhecendo mais uma banda legal e por consequência, levo mais um disco pra coleção. Podemos resumir assim como eu conheci o Chaos Synopsis, de São José dos Campos. Art of Killing, segundo disco do quarteto formado na época por Jairo Vaz (voz e baixo), Marloni (guitarra), JP (guitarra) e Friggi Mad Beats (bateria, também Attomica) além do death/thrash caótico, chama a atenção pela capa que mostra o serial killer (tema principal do trabalho) vestido a caráter com seu prêmio nas mãos, no caso a cabeça de sua vítima. E claro que se os caras viessem para o ABC, seria no mínimo obrigação de conferir essa violência sonora ao vivo. Sonho realizado, pois no último sábado (29), a banda aportou em São Caetano, no Cidadão do Mundo para mais uma edição do Ataque Extremo, que contou com os grupos Depressed, Setfire e Pile of Corpses.

Pile of Corpses
João Messias Jr.
Devido a outro compromisso, acabei perdendo parte da apresentação do Pile of Corpses. Apesar da música extrema e ás vezes caótica, Alba (voz), JP (guitarra), Chefe (baixo) e Dentão (bateria), os caras colocam um humor sarcástico na apresentação que empolga a todos. Como em Devouring the Pork, que além do vocalista dedicar para todos os “comedores de bacon”, colocou uma máscara de um porco, o que ficou muito legal no show. Espero poder ver um show completo desses caras, que fazem um mix de death/thrash com alguma coisa de grind muito bem feita.

Setfire
João Messias Jr.
O Setfire é um grupo que merece atenção. Donos de um thrash agressivo e trabalhado que une muito groove, cadências e um vocalista versátil, Artur (voz), Klemer (guitarra), Michael Douglas (guitarra), Felipe (baixo) e Alex (bateria) podemos chamar de uma banda de palco, pois suas apresentações são fortes intensas, como pudemos ouvir em sons como Social Bomb, que tem um jeitão Pantera, mas com riffs cadenciados. Além das músicas autorais, a banda mandou versões inspiradas para I’m Broken (Pantera) e Spirit Crusher (Death), que mostraram além da variedade do instrumental, todo o alcance de Artur. Envy Shit, que em breve receberá sua versão em vídeo e a inédita Wandering Psycopath fizeram parte do curto, mas empolgante set.

Depressed
João Messias Jr.
Representantes do death metal tradicional na mais pura essência, o Depressed mostrou que o ABC possui um nome que pode trilhar o mesmo caminho de bandas como Headhunter D.C, Krisiun, Ungodly, entre outros. Giovani Venttura (voz), Rodrigo Jardim (guitarra), Stella Ribeiro (baixo) e Gabriel Guerra fizeram um set diferente das últimas apresentações que vi do hoje quarteto. Junto com as canções do repertório Afterlife in Darkness, Reborn in Hellfire e Stormblood, a banda mandou duas músicas novas, Disease from Emptiness e Zombie Epidemic, que juntas as já citadas, farão parte do primeiro álbum da banda, que já está em fase final de produção. Mas as canções inéditas mostram uma nova vertente explorada pelo grupo. A primeira, com riffs densos e carregados, quase doom e a segunda carrega morbidez. Junto as músicas autorais, mandaram versões inspiradas para sons do Hypocrisy e Sinister. Seria interessante e justo ver esses caras abrindo (por competência) para nomes como Obituary e as bandas citadas acima.

Chaos Synopsis
Divulgação
Já eram quase três da manhã quando o Chaos Synopsis iniciou sua apresentação, que podemos chamar de massacre sonoro. O trio, Jairo, JP e Friggi, acompanhados de um guitarrista adicional, Ítalo Junqueira, mandaram três sons do aclamado Art of Killing: Son of Light, Rostov Ripper e Zodiac, todas se destacam pelo peso e clima mórbido. Sarcastic Devotion e Postwar Madness, do debut, Kult ov Dementia manteram o pique, mas não há como negar que “Art” é o masterpiece dos caras, que mandaram desta obra B.T.K., dona de partes cadenciadas, a grooveada Red Spider e Monster of the Andes. Infelizmente a apresentação dos caras passou voando e Spiritual Cancer, do primeiro álbum encerrou mais uma edição do festival Ataque Extremo. Vale lembrar que em maio, os caras embarcam para mais uma tour europeia e mostrarão aos gringos metal com padrão brazuca de qualidade.

Mais um daqueles dias de voltar para casa com um sorriso de orelha a orelha, apesar das olheiras e cansaço mais que visíveis. Sintomas de um trintão que logo chega aos quarenta! 

3 de abril de 2014

KOMBATO: “TEMOS UM CENÁRIO COM ÓTIMAS BANDAS E EXCELENTES MÚSICOS”

Talvez para quem acompanha a cena underground, a frase acima não chega a ser uma novidade. Só que de novo para você leitor, é que o Kombato é uma banda que tem tudo para conquistar os fãs de música pesada e alavancar uma carreira internacional. O grupo, que conta hoje com Juan Arteiro (guitarra e voz) e Lucy Shalub (baixo e vocal), é dona de um thrash agressivo, que não tem medo de flertar com o death metal, mistura que gera músicas prontas para o banging como Waiting to Die. Atualmente, a banda prepara o primeiro álbum da carreira, que contará nas baquetas o baterista do Korzus, Rodrigo Oliveira, que também cuidará da produção.

Nesta entrevista feita com Juan Arteiro, o músico nos conta da origem do nome do grupo, mudanças de formação e (claro), o vindouro álbum.

Por João Messias Jr.
Fotos: Divugação

Juan Arteiro
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: O nome da banda nos remete as lutas marciais. Porque nomear o grupo com dessa forma e o que ele representa para vocês?
Juan Arteiro: Kombato é o nome de uma arte marcial brasileira que reúne técnicas de várias artes marciais. Sou faixa preta de kick, azul de jiu jitsu e pratico MMA também, a Fernanda (ex-baterista) lutava tae kwon do e a Lucy (baixista), kickboxing. Estávamos procurando um nome brasileiro, pois na primeira formação nos chamávamos Vision of Disgrace e como nosso som havia evoluído, resolvemos mudar para o nome Kombato com a entrada da Fernanda, homenageando essa arte marcial brasileira!

NHZ: Apesar de ser uma banda nova, com pouco mais de um ano de formação, o Kombato já sofre com as mudanças de integrantes. No que isso atrapalha o desenvolvimento do grupo e como foi encontrar motivação para buscar novos membros?
Juan: Na verdade, todas as composições são minhas e da Lucy. Nós dois somos os únicos membros que permanecem na banda até hoje. Foi muito difícil para nós a saída da Fernanda, inclusive por que éramos amigos há muitos anos. Depois disso, conheci o Renan (ex-baterista), que trouxe o Lucas (ex-guitarrista), mas a participação deles também foi passageira pela banda. No momento, estamos em estúdio com o Rodrigo Oliveira (Korzus), gravando um álbum completo com 12 músicas e só retornaremos aos palcos após o lançamento do CD.

Lucy Shalub
Divulgação
NHZ: Ainda falando em formação, vocês chegaram a ter por um curto período a baterista Fernanda Terra (ex-Nervosa e Food 4 Life). Por ser uma instrumentista conhecida, o que ela trouxe de positivo no quesito exposição em sua passagem no Kombato?
Juan: Uma coisa muito boa que a Fernanda trouxe para a banda e que  tentamos manter nesse momento foi o profissionalismo, algo essencial para qualquer banda que queira crescer e se destacar no cenário.

NHZ: Agora vamos falar um pouco no som de vocês, que tive a oportunidade de conferir no Lollapalooza há poucos dias. Vocês praticam um thrash bem agressivo, com algumas incursões ao death metal. No processo de composição, como fazem para que essa miscelânea fique equilibrada?
Juan: Procuramos usar todas nossas influencias nas composições e tudo vai fluindo naturalmente. Escutamos em casa muito black, death, thrash metal e hardcore ogro e  acho nosso som tem um pouco de tudo isso ai.

NHZ: Outra característica que dá mais agressividade ao som, são os backing vocals da baixista Lucy Shalub, que são próximos ao death/black. Como funciona essa divisão de vocais nas músicas?
Juan: Aos poucos a Lucy está se soltando mais pra cantar. Inclusive em nosso álbum, terá duas musicas que e cantará sozinha. Ela possui uma forte influencia de bandas como Death, Obituary, Morbid Angel e Unleashed. É assim que vejo o vocal que ela está fazendo no momento. Quanto a divisão vamos  vendo qual voz se encaixa melhor em determinada parte da musica.

Juan Arteiro
Divulgação
NHZ: Para encerrar, vou citar alguns grupos nacionais de thrash e queria a opinião de vocês sobre eles: Woslom, Executer, Chemical e Lama Negra.
Juan: São ótimas bandas da nossa cena que tem tudo para decolar num mercado internacional. Morei doze anos nos Estados Unidos e posso dizer que atualmente não estamos deixando nada a desejar pros gringos. Temos um cenário com ótimas bandas e excelentes músicos prontos para quebrar tudo mundo afora!

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação?
Juan: Nós que agradecemos pela oportunidade. Gostaria de agradecer a todos que sempre acreditaram no nosso som e obrigado pela paciência em relação ao nosso material, mas prometo que ainda esse semestre tem coisa boa por aí.
Um forte abraço a todos!

1 de abril de 2014

NOTURNALL: FAZENDO HISTÓRIA

Quinteto mostrou em primeira apresentação da carreira, músicas do seu primeiro CD, covers de clássicos do rock/metal e participações especiais, dentre elas a de Russell Allen

Texto e fotos: João Messias Jr.

Leo Mancini
João Messias Jr.
“Vamos fazer História!” Essas foram algumas das palavras proferidas pelo baterista Aquiles Priester minutos antes do início da primeira apresentação do Noturnall, realizada no último sábado, no Carioca Club. E não dá para dizer o contrário. Graças ao hiato que ocorreu com o Shaman, após a volta do baterista Ricardo Confessori para o Angra, os membros remanescentes Thiago Bianchi (voz), Leo Mancini (guitarra, Tempestt), Fernando Quesada (baixo), Junior Carelli (teclado) e o já citado dono das baquetas montaram um supergrupo, que não deixou a poeira cair após o lançamento de seu CD e partiu para um projeto de certa forma ousado: a gravação de um DVD.

Até aí, nada de diferente. Só que os músicos organizaram uma apresentação com ingressos gratuitos mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível ou brinquedo para a Casa Hope, que cuida de crianças com câncer. Ideia do vocalista Thiago Bianchi, que quando descobriu ter câncer, prometeu ajudar de alguma forma as pessoas que sofrem com a doença, e que finalmente esse dia havia chegado. Algo nobre e sublime no meio de tantos esquecimentos e ingratidões vistas no mundo de hoje.

Apesar de ter mais de vinte anos de “janela”, tendo assistido a diversos shows que foram de arenas a botecos, não tive como não me impressionar com o que aconteceu nesta noite. Ao começar, ver o Carioca Club abarrotado de gente, uma produção digna dos shows internacionais, com direito a telão, grua e cinegrafistas, o que com toda certeza jogou a expectativa de todos lá na estratosfera. Isso sem contar a participação do vocalista Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob) em algumas músicas.

Início de tirar o fôlego

Fernando Quesada
João Messias Jr.
Pontualmente, às 19h, o quinteto vem à frente do palco e agradece á todos os presentes por terem vindo e logo o show teve início com a canção No Turn At All, também faixa de abertura do disco da banda. Nem precisa ser dito que a banda foi ovacionada durante a execução da citada canção, principalmente pelos riffs de Leo Mancini e a bateria de Aquiles, que podem ser considerados os diferenciais do grupo.

Mas a festa estava apenas começando e logo trataram de mandar a pesada St. Trigger, que conta com climas densos e um ótimo dueto de guitarra e teclado. Para quem não teve a oportunidade de ouvir, o trabalho é mais pesado, ousado, variado e remete mais aos trabalhos do Karma (primeira banda de Thiago) do que o Shaman. Falando na banda, o grupo mandou uma versão para Inferno Veil, do álbum Origins, de 2010, que emocionou muitos fãs que estavam na pista. Nessa canção, Thiago pediu para que fosse formada uma grande roda, pedido que foi prontamente atendido pela massa.

Thiago Bianchi
João Messias Jr.
Masters of Deception mostrou toda a extensão e variedade da voz do cantor, que sabe como tirar vantage do seu timbre ardido. Já Hate mostrou equilíbrio nas partes lentas e pesadas, com todos cantando a canção e mostrou o lado hard do guitarrista, assim como Sugar Pill, essa uma das mais lindas músicas dos caras, com cara de hit.

Após essa música, chegou a hora do Octopus Solo, de Aquiles. De forma extremamente pesada, o músico mostrou versatilidade ao mesclar passagens intrincadas com jazz e ritmos brasileiros, que não soou chato e nem cansativo.  E esse clima instrumental continuou durante a troca das fitas, com Leo mostrando sua habilidade tocando temas de country e samba, para que o público não esfriasse com aquela breve pausa.

Pequeno Notável

Last Wish marcou a primeira participação da noite. Com apenas 13 anos, Luiz Fernando Venturelli com o cello na belíssima Last Wish (que lembra muito Do I Remember a Life, de Michael Kiske) e na versão para Symphony of Destruction (Megadeth). Vendo o garoto no meio de tantas feras me fez pensar o que eu queria da vida com a idade dele, mas deixa pra lá...

... Após a execução do hino nacional brasileiro, que teve como “regentes” Leo Mancini e Junior, que após seu fim, o público emanou palavras carinhosas a presidente Dilma.

O grande momento

Russell Allen
João Messias Jr.
Depois de Fake Helaers chegava o ápice da noite. Thiago chama ao palco Russell Allen e juntos mandaram Nocturnal Human Side. Todos sabem que o vocalista do Symphony X e Adrenaline Mob é considerado um dos melhores do mundo atualmente, mas ao vivo, o cara é ainda melhor. Com um timbre que nos remete ao saudoso Ray Gillen (Badlands), emocionou os presentes em Stand Up and Shout (Dio) e no gran finale de War Pigs (Black Sabbath), que fechou essas quase duas horas de espetáculo.

Uma noite que deixou TODOS  com um sorriso de orelha a orelha pela oportunidade de assistir aos melhores músicos do metal mundial fazendo música de qualidade, casa cheia, estrutura, com custo zero para o público e o mais importante: fazer o bem ao próximo

31 de março de 2014

CHEMICAL: “QUANDO ESTAMOS NO PALCO, NOS EMPOLGAMOS DE FORMA ESPONTÂNEA”

Formado em 2008, por músicos que já passaram por grupos como Zero Vision, Calibre 12 e atualmente contando com os integrantes Alex Freitas (voz e guitarra), Tiago Visceral (guitarra), Corvo (baixo) e Ricardo Nutzmann (bateria),o Chemical mostra ser uma banda que tem tudo para cair nas graças dos fãs de thrash. Embora sejam donos de um som mais brutal, os riffs da dupla de seis cordas busca inspiração em caras como Alex Skolnick (Testament) e Gary Holt (Exodus), que aliado ao peso da cozinha, gera músicas contagiantes e perfeitas para bangear, como podemos ouvir no álbum New Dimension.

Nessa entrevista feita com a linha de frente do grupo, eles nos contam sobre a repercussão do citado álbum, sobre as apresentações ao vivo e muito mais:

Por João Messias Jr.
Fotos: Divulgação e Cristina Sininho Sá

Chemical
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: A banda, apesar de nova, com cinco anos de estrada, surgiu do Sorcery, grupo que tinha alguns dos integrantes nos anos 90. Como rolou essa, digamos volta às origens.
Alex: Rolou por acaso. Eu tinha gravado em casa uma demo, com bateria programada mesmo, com o todo repertório do Sorcery que estava perdido em fitas de ensaios velhas. Gravei despretensiosamente pra ter o registro das músicas, ai mostrei pro Corvo, que já tocava comigo no Machina Monstro, ele pirou e disse: “mano você tem que montar essa banda”. No mesmo dia, do nada apareceu o Alemão, que curtiu o som também e topou na mesma hora, como estávamos em um estudio, já fizemos uma jam tocando Slayer, Sepultura...só “thrashera véia”. A “química” já rolou ali, naquele momento.

NHZ: O grupo tem uma sonoridade que nos remete ao final dos anos 80 e 90, com destaque para as guitarras, que ao mesmo tempo são brutais e apresentam passagens trabalhadas, que alegrarão fãs de caras como Gary Holt (Exodus) e Alex Skolinick (Testament). Como vocês planejam/planejaram essas partes das canções?
Tiago: Nós tivemos ao longo da vida muita influencia de bandas com grandes guitarristas como o Skolnick do Testament e Gary Holt do Exodus. Eu gosto do som da guitarra mais “sujão”, aquele lance de amplificador no talo, diferente das coisas eletrônicas que temos hoje. Mas também aprecio os guitarristas técnicos como o Satriani e essas influências geram uma mistura boa no nosso som.
Corvo: O som do Chemical é agressivo naturalmente pelas ideias que elaboramos quando estamos ensaiando e bolando as músicas, sempre puxamos para o lado mais pesado e brutal.

NHZ: O guitarrista Alex Freitas fez parte do Zero Vision, cujo debut Acrid Taste fez muito barulho nos anos 90, que apresentava um thrash com muitas influências do industrial. Passado todos esses anos, como você vê esse trabalho?
Alex: Hoje muito se cultua o thrash de raiz, mas o Zero Vision surgiu em uma época em que muito se cobrava evolução e originalidade das bandas, que tinham que evoluir sempre, não podendo se repetir, pois eram muito criticadas. O ZV nasceu dessa necessidade de expandir horizontes e criar um som próprio. Enquanto a maioria das bandas de thrash tentavam emular o sucesso do Metallica com baladas e um thrash mais americanizado, o Zero buscou por influências mais sombrias na música industrial e movimentos alternativos obscuros da época, antes mesmo do surgimento do new metal americano. Acho que o ZV era uma banda a frente do seu tempo, e até hoje não é compreendida pelo público brasileiro.

Chemical
Cristina Sininho Sá
NHZ: Continuando a falar nos anos 80/90, período em que alguns de vocês tiveram suas primeiras bandas, tudo era feito na raça e havia uma maior união entre as diversas vertentes musicais, algo que não ocorre com tanta frequência hoje. Como encaram essa transição de períodos e quais as coisas boas de se ter uma banda no século XXI?
Tiago: Na época era tudo mais difícil. Conseguir gravar era muito caro e nem sempre a qualidade ficava boa, hoje com a era digital as coisas ficaram mais práticas. É mais rápido e barato conseguir lançar material, agendar alguns shows e comercializar produtos. Por isso existem muitas bandas apontando por aí. O lance é que foram surgindo diferentes vertentes e com isso o público foi se dividindo. Mas naquela época de demos e zines, as bandas tinham um reconhecimento maior por parte de todos devido ao trabalho e correria para se fazer as coisas. A galera se juntava mais pra poder realizar shows e eventos, assim era comum a galera andar mais junta independente do estilo.

Corvo: Na época era o que a gente tinha de opção e desssa forma, tentávamos fazer nosso melhor. A parte boa hoje é a gente poder continuar levando adiante a mesma essência das outras décadas com a tecnologia e informações atuais tocando thrash metal.

NHZ: Voltando ao Chemical, vocês lançaram neste ano seu primeiro álbum, New Dimension. Como está a aceitação do disco perante público e mídia?
Tiago: Está sendo muito boa. Tanto o disco como nosso clipe “Bloody Streets” estão sendo bem elogiados por todos em geral.
Corvo: O que me deixa mais contente é que o público está entendendo nossa mensagem, nossa proposta.

NHZ: Ao vivo a banda possui uma performance insana e coesa e músicas como Worms, Chemical Disease e Doi-Codi.
Tiago: Realmente quando estamos no palco nos empolgamos de forma espontânea. É natural, pois a gente se remete as bandas que nos influenciaram durante anos com suas performances ao vivo.

Corvo: Pra mim é impossível tocar nossos riffs e ficar parado, não dá pra evitar a agitação.

New Dimension
Divulgação
NHZ: Para encerrar, recentemente estive num fest que a banda se apresentou no ABC paulista. Além do som, achei interessante a postura do grupo, que ficou até o final do evento, postura que hoje é rara, graças ao individualismo que impera na cena. Apesar dos anos de estrada, ainda se empolgam ao tocar e conhecer o som de grupos novos e conhecer pessoas?
Tiago: Sim, com certeza! Nós somos velhos, como dizem por aí “do rolê” (risos). Gostamos de ir aos shows. Eu mesmo vou em vários lugares quando posso, assisto shows desde black metal até hardcore. Respeitamos todos sem discriminação, tanto é que já tocamos com grupos punk, hard rock e heavy metal sem nenhum problema. Queremos agregar, o que vale é a união e o respeito, gostamos de conhecer as bandas e pessoas, além de apoiar quem está aí na correria como nós.

Corvo: Sim conhecer bandas novas sempre é bom. Aliás, nossa banda mesmo é nova e acho importante rolar essa troca de informações entre as bandas e o público

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Tiago: Gostariamos de agradecer a vocês e a todos que vem nos apoiando e pedir pra galera apoiar mais o metal nacional e as bandas de som autoral.

Corvo: Obrigado a todos, continuem acompanhando nosso trabalho nas redes sociais, nossa agenda de shows e sempre que puderem compareçam aos eventos.

26 de março de 2014

WORST: “COM A VELOCIDADE DA INTERENET, PRECISAMOS DE MAIS CONTEÚDO E SER MAIS ÁGIL QUE NO PASSADO”

Assim se define o Worst. Com três anos de estrada, dois discos, vários vídeos e centenas de shows, o quarteto paulista é um exemplo de que se trabalhar muito e com direção, as coisas prosperam. Thiago Monstrinho (voz), Douglas Melchiades (guitarra), Ricardo Brigas (baixo) e Fernando Schaefer (bateria) lançaram recentemente seu segundo álbum, que recebe o título de Cada Vez Pior. Com um ritmo mais visceral que o do debut, Te Desejo Todo Mal do Mundo, o quarteto apresenta em sons como Só Depende de Você e Pesadelo músicas para serem cantadas/berradas por gerações.

Nesta entrevista feita com o baterista Fernando Schaefer, o músico fala do ritmo intenso das atividades, shows, manifestações e de forma rápida sobre um famoso ator austríaco que fez muito sucesso na TV por meio de filmes como Conan e Comando Para Matar.

Por João Messias Jr.
Fotos: Divulgação e Ricardo Brigas

Cada Vez Pior
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Continuando o ritmo intenso de atividades, vocês lançaram recentemente seu segundo álbum, Cada Vez Pior, que é o segundo trabalho em três anos de atividade. Como é criar canções num período tão rápido e que as mesmas tenham qualidade?
Fernando Schaefer: Nunca paramos de compor! Já começamos a compor o terceiro!
O processo é bem natural. Acho que por termos dois bateristas na banda, eu e o Monstrinho, facilita o entendimento e “aproxima” as composições!

NHZ: Assim como o anterior, Te Desejo Todo o Mal do Mundo, vocês mantiveram a parceria com a Against. Vocês chegaram a procurar algum outro selo para lançarem o material?
Fernando: Não! A Against mais do que um selo, gravadora, é nossa família!
Acreditamos 100% na Against e pretendemos continuar assim!

NHZ: Assim como o CD, vocês investem em vídeos. Mal o novo trabalho saiu e possiu clipes oficiais para Sem Dó e Acreditar. Como é investir nessas mídias e que tipo de retorno elas proporcionam para a banda, além dos views?
Fernando: Temos uma parceria forte com a Fuerza Films. Acredito que hoje com a velocidade da internet, precisamos de muito mais conteúdo e ser muito mais ágil do que no passado. Sentimos ao vivo que sempre as musicas dos clipes sobressaem ás outras.

Worst
Divulgação
NHZ: Agora vamos falar de forma um pouco mais detalhada do trabalho. Uma das letras que chama a atenção é Só Depende de Você, que fala das pessoas lutarem para mudar a situação do país. Justamente que em todos os cantos do país estão acontecendo os mais variados tipos de manifestações, seja por melhores condições de trabalho ou contra eventos como a Copa do Mundo. O que acham dessas manifestações e acham que a longo prazo teremos alguma mudança graças a essas ações?
Fernando: Essa música fala mais de mudança de vida. A música Pesadelo que fala mais sobre isso. Acho válido, apoio as manifestações. Só que diferente do que a mídia em geral passa, acredito que mudança mesmo só começará a acontecer com terrorismo. Infelizmente.

NHZ: A canção Honra Dilacerada tem um início interessante, com um trecho do filme Comando Para Matar, que combina perfeitamente com a letra, que fala de uma espécie de justiceiro, que vai contra tudo e todos que vão contra seu objetivo. Como surgiu a ideia de usar essa parte da película?
Fernando: Cara sou fã do Schwarzenegger!!!!
Amo esse filme e sempre tive aquela cena na cabeça! Achei que casava com a música e resolvi colocar! Achei que ficou ótimo!

NHZ: Musicalmente músicas como a já citada Só Depende de Você, Acreditar e Nunca Fez Nada possuem uma energia boa, levada para cantar junto, além dos riffs inspirados e batidas variadas de bateria. Essas canções já figuram nas apresentações ao vivo?
Fernando: Já estamos fazendo shows do Cada Vez Pior.  Agora no começo ainda dividimos o set entre o primeiro (Te Desejo Todo Mal do Mundo) e esse, mas com o tempo, do debut só tocaremos os "hits" e daremos ênfase no CVP.

NHZ: Falando em apresentações, a banda irá se apresentou no dia 16 em Santo André. O que acharam do show e da reação do público a massa sonora do Worst?
Fernando: Os shows tem sido incríveis!!!!
O fato de cantarmos em português aproxima muito o público que se identifica e canta junto todas as musicas.

João Messias e Fernando Schaefer
Ricardo Brigas
NHZ: Para encerrar, vou entrar na seguinte questão. Para uma banda ter lucro ou pelo menos empatar os investimentos, ela tem de se apresentar e no mínimo ter um bom show. Como a banda é conhecida pelos shows intensos e agressivos, conseguem ter um bom retorno do público neste aspecto?
Fernando: Nunca um investimento na banda NÃO teve retorno. Sempre conseguimos tirar dos shows. Estamos conseguindo investir e ganhar! Tudo na sua devida proporção, sem devaneios de caches impagáveis e estrutura de rock star!


NHZ:  Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação!
Fernando: Obrigado a todos que gostam, amam, tatuam o WORST!!!! Aos haters, que são muitos, quanto mais vocês nos odiarem, mais cresceremos!
Valeu!

25 de março de 2014

SOUL STONE: EM PUNHO A BANDEIRA DO METAL TRADICIONAL

Quinteto mineiro vai contra as tendências atuais e apostam no estilo que consagrou grupos como Iron Maiden e Judas Priest

Por João Messias Jr.

Metal Machine
Divulgação
Engraçado como são as coisas no mundo da música. Não é porque existem estilos em voga não veremos grupos apostando em vertentes digamos mais “vintages”, como o heavy metal tradicional. Sim, o estilo que consagrou bandas como Iron Maiden, Judas Priest e Saxon é o que ouvimos em Metal Machine, álbum da banda mineira Soul Stone.

A capa, com um ferreiro forjando uma guitarra, é mais uma evidência do que o grupo formado na época por João Paulo (baixo), Zafa Gonzaga (guitarra), Marcelo Guarato (guitarra), Lucas Rezende (voz e teclado) e Tati Ribeiro (bateria) fazem, com uma mistura de variáveis do estilo, do tradicional ao mais épico e melódico, que garante linearidade ao disco, que aliás, é dono de um bonito acabamento em digipack.

Metal Machine abre  com a potente e agressiva Cold Shiver, que de cara mostra o excelente trabalho do cantor Lucas Rezende, que puxa agudos como os mestres Rob Halford (Judas Priest), Ripper Owens e Ralf Scheepers (Primal Fear), assim como The Dark e Black Tomorrow que encerra o disco.

Felizmente os caras souberam variar o trabalho e apostaram diferentes caminhos para as canções. Alguns exemplos estão nos riffs mais cadenciados de Snake Pit, na épica The Unbeliever, que trarão na lembrança o Savatage, a melódica Eyes On Fire e a bela balada One Pray For All the Tears, que nos remete as músicas “românticas” que grupos do estilo faziam nos anos 90.

Talvez uma produção mais moderna (alguém pensou em Andy Sneap?) deixaria o resultado melhor, mas o trabalho em si está bem gravado e nítido, isso é apenas uma opinião pessoal.

Aos fãs de música pesada e honesta, eis um grupo para ser ouvido!

21 de março de 2014

WORST: A VERDADE NUA E CRUA, COMO DEVE SER

Quarteto paulista promoveu no último domingo o show de lançamento de seu segundo trabalho, Cada Vez Pior, cujas letras confirmam a marca registrada da banda: o ódio contra injustiças e desigualdades

Texto e fotos: João Messias Jr.

Worst
João Messias Jr.
Conhecidos do público do ABC paulista, o quarteto Worst fez o lançamento do seu segundo álbum, que carrega o sugestivo título de Cada Vez Pior. 

O local escolhido foi o Lollapalooza, em Santo André, que é uma casa localizada no centro da cidade. Apesar de sempre apresentar grupos autorias, ela ainda é conhecida pelas apresentações de bandas covers, mas parece que aos poucos está mudando esse conceito. A noite ainda contou com duas bandas: os paulistas do Kombato e a banda “da casa”, o Articulado, que deu início aos shows, ás 19h15. 

Articulado
João Messias Jr.
Jefferson (voz), Rafael (guitarra), Norberto (baixo) e Rodrigo (bateria) fizeram uma apresentação mais forte do que a última que tinha visto, em janeiro. Não que a anterior havia sido ruim, mas talvez por estarem num local mais intimista, o show ficou mais forte. Como na canção Campo Minado, que mostrou o que determina uma boa canção: riffs fortes e bem sacados. 

Nesta apresentação, o grupo mostrou algumas músicas novas, que farão parte de um futuro lançamento. Um Mais Um foi uma delas, que mostrou batidas tribais, guitarras dissonantes e muito peso, dando uma prévia do que virá pela frente.

Kombato
João Messias Jr.
De forma rápida e sem rodeios, ás 20h10, o Kombato mostrou aos presentes seu som. Donos de um thrash bem agressivo, o quarteto formado por Juan Arteiro (guitarra e voz), Lucy Shalub (baixo e backings), Lucas Gatti (guitarra) e Renan Bianchi (bateria) tem tudo para conquistarem um espaço maior na cena, pois como o grupo é formado por músicos experientes, sabem mesclar a brutalidade com algo mais cadenciado. A música que abriu o set, Waiting to Die e Refuse the Chip mostraram essas características. O set foi muito curto, 20 minutos apenas, que foram suficientes para apontar o potencial da banda, que é muito boa mesmo.

Worst
João Messias Jr.
Após uma pausa para a troca dos equipamentos, ás 21h15, os donos da festa, Fernando Schaefer (bateria), Thiago Monstrinho (voz), Douglas Melchiades (guitarra) e Ricardo Brigas (baixo), iniciaram a sua bombástica apresentação com Transbordando Ódio, do seu segundo álbum, o recém-lançado Cada Vez Pior. Sem papas na língua, o quarteto, por meio de seu vocalista, citava todas as mazelas que acontecem hoje com a população, como em Só Depende de Você.  Com rodas inspiradas e contando com a participação dos presentes nos backing vocals, a apresentação foi uma mescla dos dois discos, com destaque para Acreditar, Pesadelo, Sem Dó e Honra Dilacerada, os caras mostraram o porque de serem considerados uma das melhores bandas de hardcore/metal atualmente, pois são profissionais, coesos, pesados e agressivos na medida certa. Vícios e Te Desejo Todo O Mal do Mundo, faixa-título de seu debut encerrou esse baita show.

Um rolê que só não foi perfeito porque neste mesmo dia estavam ocorrendo outros eventos na região e em Sampa, o que prejudicou bastante o quesito público, que realmente só apareceu na apresentação do Worst, uma pena, pois tudo foi bem organizado, até na questão do horário, pois passava um pouco das 22h, os shows já tinham encerrado, o que possibilitou a todos voltarem para casa sem traumas e assim, descansarem o esqueleto para o dia seguinte.

PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...