11 de setembro de 2013

EXCITER: OS ANOS OITENTA JAMAIS DEIXARÃO DE EXISTIR

“Evento que também contou com os grupos Breakout, Leatherfaces e Rider mostrou que o período continua vivo e quente no coração dos bangers”

Texto e fotos: João Messias Jr.

Exciter
João Messias Jr.
O dia 7 de setembro tem tudo para entrar para a história da música pesada no ABC. Apesar da região ter recebido nesses anos apresentações de grupos como Venom, Dream Theater, Ramones, Orphaned Land e Exodus, o giro do Exciter tem tudo para ficar na mente das pessoas que puderam presenciar a terceira visita do quarteto.

Atualmente formado por Kenny “ Metal Mouth” Winter (voz), John Ricci (guitarra), Clammy (baixo) e Rick Charron (bateria), chamam a atenção principalmente pela simplicidade, pois em nenhum momento se comportaram como rockstars.

Antes da apresentação do sábado, o grupo compareceu na quinta-feira (5) numa noite de autógrafos em Santo André. O local escolhido foi o Vol.4 Rock Bar, mais conhecido como Bar do Carlão, que é cultuado pelo pessoal da região.

De volta para ao passado

Confesso que foi muito engraçado ver Kenny, John, Clammy e Rick chegando ao bar. Com o visual “importado” dos anos 80, os canadenses foram simpáticos e atenciosos com todos que iam nos caras para conversar ou simplesmente dar um oi.

Um momento interessante aconteceu com este que escreve essas linhas. Ao pedir para tirar uma foto com o vocalista, o mesmo estava tão preocupado como sairia a foto, que mostrou para mim e para a amiga que gentilmente tirou o retrato qual seria a melhor forma. Jamais vou esquecer disso!

Tinha tudo para dar errado

Leatherfaces
João Messias Jr.
Minha preocupação no sábado (7) era chegar no horário, pois estava trabalhando em outro evento em Santo André. Parecia que tudo daria errado, pois lá, a programação atrasou, no caminho para São Bernardo o trólebus quebrou duas vezes, mas felizmente às 17h30 eu estava na frente do Princípios.

Foi legal ver a Marechal Deodoro cheia de headbangers, inclusive pessoas da capital e interior. Já eram quase 18h, quando a casa abriu suas portas e as expectativas se confirmaram com um ótimo público.

Os shows

Às 18h30 a maratona de shows teve início com a banda Rider. De Osasco, o quinteto, bem jovem por sinal, formado por César Caçador (voz), Luke Couto e Fernando Steelbones (guitarras), Klébio Lonewolf (baixo) e Victor Oliveira (bateria) mandaram um metal tradicional com leves toques speed, que trará a lembrança de grupos como Helloween, Viper e Running Wild. 

Rider
João Messias Jr.
Tudo bem coeso e com pegada, em que todos os instrumentistas sabem o que fazem, sem exageros e loucuras. 

Esta apresentação marcou o lançamento do EP Streets of Nowhere, que a banda distribuiu aos presentes que se interessaram pelo som do grupo.

A segunda banda da noite foi o Leatherfaces, que pratica um thrash com agradáveis incursões ao crossover. Rafael Romanelli (voz e guitarra), Arthur Betiolli (guitarra), Giovanni Soares (baixo) e Cave Hoffman (bateria) mandaram sons que enlouqueceram os presentes como Stand Up and Rise (que é o primeiro vídeo do grupo), Satan Is Coming e Leatherface. 

Só que apesar da pancadaria ser o forte da banda, os caras se saem bem em temas trampados como Slaves of the Lost Time (música que fará parte do próximo trabalho) e Without Hope. A banda coroou a apresentação magistral com uma versão para Que Se Foda, da banda Kissif, inclusive com a presença do baterista Pedro Zupo (também Armadilha) nos backing vocals.

Breakout
João Messias Jr.
Às 20h20 o Breakout mostrou aos presentes seu metal tradicional, que possui flertes com o rock and roll e o speed metal, que conta com Fabs Nocte (guitarra), Carlos Butler (baixo) e Lucas Borges (bateria) e a belíssima Maira Oliveira (voz) fizeram uma apresentação parecida com a anterior, quando fizeram abertura para o Violator. A apresentação começou forte, com Amnesia, Schizophrenia e Eyes of Evil, que contou com uma bela interpretação da vocalista nos agudos. 

Choose Your Side poderia ter sido o ponto alto do show, mas infelizmente a guitarra de Fabs teve problemas e dessa forma, o som do instrumento sumiu por alguns momentos. Mas mesmo assim a banda foi profissional e tocou a música até o fim. Com o som melhor (um pouco), mandaram Offer No Resistance, If Heaven Is Hell (Tokyo Blade) e Don’t Call it Luck, que encerrou o show, que poderia ter sido muito melhor se não fossem os problemas com o som.

A grande hora

Exciter
João Messias Jr.
Às 21h20 o Exciter sobe ao palco do Principios. Animados, Kenny Winter, John Ricci, Clammy e Rick Charron mostraram ao público que um show de heavy metal tem de ter tesão e isso foi provado logo após Stand Up and Fight, do debut Heavy Metal Maniac, com destaque para a atuação do vocalista, cujos agudos lembram Rob Halford (Judas Priest) e Sy Keeler (Onslaught).

Mas a noite estava apenas começando e The Dark Command e Aggressor extasiavam os bangers, que bradavam o nome da banda a cada canção executada.  E essa resposta deixou todos os músicos emocionados, em especial Kenny, como pode ser visto em I’m the Beast. Pounding Metal, de Violence and Force mostrou que nem apenas de velocidade vivem os canadenses. Até a “nova” Evil Omen, de Thrash Speed Burn foi bem recebida pela galera, que conhecia a risca o repertório do show.

Exciter
João Messias Jr.
Além das músicas, vale dizer que a banda é muito coesa, além do já citado vocalista, tocando com paixão e precisão, seja na condução segura de Rick, nos riffs e solos “mão cheia” de John e do baixo “V8 envenado” de Clammy, que dessa forma continua o legado de caras como Lemmy (Motorhead).

Long Live the Loud e Violence and Force foram, ou pelo menos seriam as últimas da noite e foram cantadas de ponta a ponta pelos bangers, que não arredaram o pé da frente do palco. 

Após tocarem esses clássicos, Kenny perguntou aos bangers o que desejavam ouvir...aí mandaram novamente Heavy Metal Maniac, que com um mosh encerrou essa bela apresentação do quarteto canadense.

Se depender do que foi visto nesta noite...os anos oitenta ficarão vivos por muitas e muitas décadas. E o melhor, com muitos “filhos” para continuarem com essa saga.

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