8 de maio de 2014

DNR: O AMIGO SEM CERIMÔNIA

Com influências do metal, grind e HC, quarteto faz é dono de um som direto, urgente e pesado

Por João Messias Jr.

DNR
Divulgação
Na vida temos vários tipos de amigos, que vão de prestativos, invasivos, introvertidos, reservados e aqueles que não tem dó, falam tudo que tem direito doa a quem doer.  O mesmo vale para a música, que tem um acervo que varia desde aquelas músicas que demoram minutos para mostrar seu sentido e valor até as mais diretas, que você saca sem cerimônia e, graças a isso, se diverte muito, como é o caso do primeiro álbum full do  DNR (Do Not Ressucitate).

O quarteto de Jundiaí formado por Raphael Zavatti (guitarra e voz), André “Morto” (guitarra), Zé Cantelli (baixo) e Thiago Zavatti “Spa” (bateria) reúnem em sua música elementos do thrash, hardcore e grind, só que adicionando peso, muito peso, o que diferencia sua música em relação aos grupos que seguem essa mistura.

Reclame, faixa que inicia o álbum na verdade é uma intro que mistura noticiários, televangelismo e programas de auditório que abre caminho para a brutal Novas Grades. Já Controle Inativo, apesar do baixo inicial citar que vem um HC pela frente, surpreende, pois é mais lenta (quase sludge) e depois vira uma porradaria insana. Mas os momentos de diferencial aparecem em Atrofiando Mentes e Ação e Reação, que possuem algumas passagens que, talvez pelo dinâmica, se aproximam do rap, sem soar como Stuck Mojo ou Biohazard, felizmente.

Desarmônico é um tema instrumental que mostra que apesar do peso e brutalidade, mandam muito bem em nas cordas, graves e bumbos. O disco encerra com Parasitas, que possui muita energia e um fim que se conecta com a intro inicial. Interessante dizer que a produção feita pela própria banda e o trabalho de mixagem de Juliano Oliveira e Emiliano Brescacin deixou a coisa uniforme, sem artificialismos e sujeira em demasia.

Assim como um amigo sincero, a música dos caras pode não agradar os que preferem algo digamos, mais bonitinho e algumas vezes mascarado, mas o disco é fiel até o osso, como podemos ver em um trecho da já citada Ação e Reação. “Viver na impermanência ou ser mutável/Mas a essência não se deteriora/Rever os fatos e os planos, seguir em frente e se levantar.”

Se for sua praia, não pense duas vezes!

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