9 de maio de 2014

VOIVOD: A CONSAGRAÇÃO DEFINITIVA NO BRASIL

Quarteto canadense fez apresentação bombástica para seus fãs brasileiros

Texto e fotos: João Messias Jr.

Necromancia
João Messias Jr.
O dia 30 de abril pode entrar para a história do metal nacional, pois finalmente os headbangers brasileiros tiveram a oportunidade de conferir ao vivo o som dos canadenses do Voivod, que assim como seus conterrâneos do Kataklysm, tiveram datas confirmadas anos atrás, que foram canceladas devido a imprevistos no percurso.

Interessante de tudo é que a banda formada por Snake, Piggy (falecido em 2005), Blacky e Away nos anos 80, possui um som curioso, que mistura no mesmo caldeirão thrash, punk, ficção científica, psicodelia, isso numa época que não havia referências no metal para tanto, pois essa miscelânea passava longe do progressivo do Rush, Queensryche e com a vantagem de agregar fãs de diversos segmentos sem abrir mão da integridade musical, que gerou álbuns clássicos como War and Pain, Killing Technology, Nothingface e até mesmo o contestado Angel Rat.


Necromancia
João Messias Jr.
Como a apresentação foi marcada para uma véspera de feriadão, o trânsito estava um caos, mas deu tempo de chegar no Hangar 110 às 20h30, bem na hora da apresentação do Necromancia. Marcelo “Índio” D’Castro (guitarra e voz), Roberto Fornero (baixo) e Kiko D’Castro (bateria e backing vocal) fizeram seu thrash classudo, que agradou ao pessoal que já estava em ótimo número dentro da casa.

Privilegiando o ótimo Back From the Dead de 2012, mandaram Under the Gun, Playing God e Death Lust, esta última, uma regravação das antigas presente no mais recente trabalho. Embora na maioria das apresentações as bandas de abertura sofram pela ansiedade dos fãs em ver a atração principal, não foi isso que aconteceu nesta noite. Dos trabalhos anteriores o trio mandou a trabalhada Cold Wish (com passagens que nos remete ao grunge e ao stoner), The Blooding e a energética Greed Up to Kill. Sem mais palavras: uma baita apresentação, que soa até injusta chamar de abertura.

Voivod
João Messias Jr.
Já eram 21h50 quando o Voivod começou seu show. Logo nos primeiros acordes de Kluskap o Kom, do mais recente disco, Target Earth, Snake (voz), Chewy (guitarra), Blacky (baixo) e Away (bateria) viu a recepção calorosa do público. Esse som é interessante, pois começa numa levada punk rock e depois ganha contornos psicodélicos. Tribal Convictions, de Dimension Hatross é mais hipnótica e mostrou músicos pra lá de empolgados, em especial Snake e Away, que não tirava os olhos da plateia enquanto espancava a bateria. Como a noite estava apenas começando, os caras mandaram Target Earth, faixa-título do mais recente álbum de estúdio, que com seu ritmo robótico-atmosférico e refrão grudento, soube prender o público, que lotava a casa nessa hora. O álbum Dimension Hatross foi novamente visitado com a trabalhada Chaosmongers e a caótica Psychic  Vacuum. 

Voivod
João Messias Jr.
O curioso é que por mais variada que seja a música do grupo, o que chama a atenção são os vocais, pois não são urrados,  tampouco berrados, mas sim “naturais” com um pé no punk, que ao vivo se aproximam de grupos como Sex Pistols. A sorumbática Warchaic foi mais uma do novo disco e a nostalgia veio novamente com The Unknown Knows de Nothingface, com levadas punk rock e Forgotten in Space, de Killing Technology. A nova Mechanical Mind encerrou a primeira parte do show. Alguns minutos depois o quarteto retornou com a visceral Voivod, de War and Pain, que teve mosh atrás de mosh, que teve até banger se enroscando no microfone de Snake, problema facilmente resolvido. Uma menção ao antigo guitarrista Piggy, que teve o nome gritado pelo público foi a deixa para a última da noite, Astronomy Domine, cover do Pink Floyd, presente em Nothingface e que ficou conhecida dos brasileiros por sua exibição no saudoso Fúria Metal.

Voivod
João Messias Jr.
Confesso que não sabia como encerrar estas linhas desse show histórico, que agradou a todos os presentes, que foi muito bem organizado, com som redondo até na hora da primeira banda, casa cheia, enfim...adaptando algumas palavras do Índio do Necromancia a verdade é que talvez a garotada de hoje não entenda a importância do Voivod no metal, mas quem já chegou nos 30 ou 40 anos sabe a magnitude que foi esses caras terem vindo para cá.

Sentimento evidenciado por diversos músicos da nossa cena, que figuram ou figuraram em grupos como Genocídio, Macchina, Skinlepsy, Acid Storm, Worst, Saturn entre outros que não me recordo agora.



Um comentário:

Anônimo disse...

D+!!!!!!