16 de novembro de 2008

INTERVIEW: HELLISH WAR


Após alguns anos sem lançar um novo trabalho de estúdio, este quinteto do interior paulista lançou seu novo trabalho chamado Heroes of Tomorrow, que mostra um grande futuro para a banda, pois se por um lado se manteve fiel ao seu estilo, escutando o trabalho percebemos uma banda caminhando cada vez mais para o Heavy Tradicional, o que ao meu ver é muito bom!
Confira entrevista feita com os membros Jr. e Person!

NEW HORIZONS ZINE: Lembro-me que em 2001 a banda lançou o álbum Defenders of Metal e causou um “boom” no Underground, por fazerem um som bem true e com isso vocês conseguiram ótimos cometários em revistas e zines. Vocês esperavam toda essa repercussão logo no álbum de estréia?

JR: Não. Não esperávamos que o Defender fosse ter a repercussão que teve. Dizer que não esperavámos nada também é mentira (risos). Mas não imaginávamos que o album fosse ter o sucesso de crítica que teve. Foi muito gratificante, ainda mais por ser o primeiro lançamento oficial da banda.

NHZ: O debut foi lançado pela gravadora Megahard Records . Como avaliam o trabalho da gravadora e como foi para vocês a gravadora fechar as portas alguns anos depois?
JR:
Os primeiros anos com a gravadora foram bons, pois a mesma disponibilizou o album e fez um bom trabalho de divulgação, mas com o passar do tempo a Megahard Records teve um declinio muito grande, onde não foi surpresa alguma pra nós quando ela fechou as portas.

NHZ: Vocês lançaram o novo álbum apenas em 2008, intitulado Heroes of Tomorrow. Por que um intervalo tão grande entre os dois trabalhos?
JR:
Esse híato de tempo foi devido a problemas com a Megahard Records, pois desde de 2003 eles não tinham mais verba e nem iniciativa de lançar o Heroes, e mesmo assim não queriam nos liberar do contrato. Então quando venceu o contrato em 2005, nós não renovamos. Após ficarmos livres do contrato começamos a pesquisar estúdios para gravação, gravando algumas pré-produções, até que achamos o Sincopa Studios em Campinas - SP.

NHZ: Ouvindo o novo trabalho, percebemos uma banda que apesar de manter-se fiel ao seu estilo, está soando mais para o Heavy Tradicional do que para o true, com destaque para o trabalho de guitarras, que soam em perfeita harmonia. O que os fãs estão achando da atual fase da banda?
JR:
Até o momento todos têm aprovado o novo album e a atual fase da banda, que está mais madura e precisa, afinal estamos com a mesma formação há sete anos. Não tivemos uma resenha negativa que fosse, o que prova eu estmos no caminho certo.

NHZ: Outro destaque do disco é a produção, que não soa “plastificada” como as produções atuais e que privilegia todos os instrumentos por igual, sem destacar esse ou aquele músico. Como foi chegar nesse resultado e se foi algo planejado?
JR:
Chegar a esse resultado foi gratificante pra nós, pois ele ficou superior ao Defender e fez jus a todo este tempo sem lançar nada. Não planejamos nada, apenas saiu naturalmente.

NHZ: Ao lado de bandas como Apocalypse, Laudany, U-Ganga, entre outras, vocês fazem parte da O Som do Darma. Como vocês avaliam esta parceria quais as expectativas nessa nova experiência?
PERSON:
O suporte dado pela Som do Darma ao longo deste ano tem sido fundamental para o sucesso do nosso novo álbum Heroes of Tomorrow. Por intermédio deles, viabilizamos uma estrutura de distribuição em nível nacional. Basicamente, o Hellish War conta hoje com um novo álbum lançado de maneira independente, mas com uma estrutura semelhante à de uma grande gravadora por trás. Em resumo, a parceria com a Som do Darma tem sido excelente.

NHZ: O que vocês acham desse review do metal dos anos 80 e de bandas como Bywar, Violator, Dominus Praelli e Comando Nuclear?
PERSON:
Todas estas bandas que você citou são muito honestas em suas propostas, gosto bastante. A proposta do Comando Nuclear é ainda mais peculiar, pois não é um simples review do metal dos anos 80, mas sim um review da cena nacional, remetendo claramente aos tempos das coletâneas SP Metal. Muito bom!

NHZ: Vocês fariam a abertura do show do êx-vocalista do Iron Maiden Blaze Bailey, mas estas apresentações foram canceladas por problemas de saúde da esposa de Blaze. Qual a sensação de serem “open act” de um artista que já cantou em uma das maiores bandas do planeta e o que acham dos discos que ele cantou na Donzela de Ferro?
JR:
É muito foda. Pois você vai dividir o palco com um artista já consagrado pela música e que passou por uma grande banda como o Iron Maiden. Já tivemos este tipo de experiência quando fizemos opening-act pro Saxon (o próprio Iron Maiden chegou a abrir shows do Saxon em 79) em Curitiba - PR e pro U.D.O. em São Paulo - SP. Mas voltando ao Blaze, cara eu sou fã de carteirinha do Maiden (risos), assim como todos na banda. Quantos aos albuns que ele fez com o Maiden, eu acho muito foda, apesar de Virtual XI ser mais fraquinho que X Factor, mas eu sou maidenmaniaco cara (risos).

NHZ: Fora estes shows cancelados, como estão os shows de divulgação do álbum?
Há planos de tocarem na capital ou em outros estados?
JR:
Os shows vão de vento em popa, estamos tocando bastante. Temos planos e shows confirmados em outros estados como Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina. Na capital apesar de já termos tocado recentemente, temos planos de voltar mas nada confirmado ainda. N.doR.: Enquanto você lê esta entrevista a banda estará fazendo shows pela Alemanha!

NHZ: E como o assunto está girando em torno do Heavy Tradicional, citarei alguns discos e queria que comentassem cada um deles: Iron Maiden – The Number of the Beast; Judas Priest – Painkiller; Saxon – Power and Glory; Grave Digger – Heavy Metal Breakdown – Manowar – Battle Hymms.
PERSON: The Number of the Beast:
Clássico absoluto do Maiden, este foi um álbum que marcou grandes mudanças no Iron, já que marcou a estréia de Bruce nos vocais, além de ter sido o último álbum com a participação do batera Clive Burr. O amadurecimento musical da banda era claro, embora alguns resquícios da excelente fase com Paul Dianno ainda se fazem presentes neste album tambem, como se percebe nas faixas Invaders e Gangland. Embora não seja o meu álbum preferido da Donzela, é impossível um músico de heavy metal não ter sido minimamente influenciado por este disco, que contém no mínimo 3 canções clássicas dos heavy metal.

Judas Priest – Painkiller: este é meu álbum preferido do Judas, pois possui todas as características os albuns anteriores, no entanto, com uma dose de peso extra. Qual batera nunca quebrou a cabeça tentando tirar o famoso começo da faixa título? Hell Patrol e Metal Meltdown são as minhas preferidas deste álbum.

Saxon – Power and Glory: Este álbum é uma referência quando se fala da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), e provavelmente o Biff Byford não agüenta mais cantar este som, depois de tantos anos (risos). Com o Hellish War, já chegamos a tocar uns covers do Saxon em alguns shows, tais como Crusader e Denim n’ Leather.
Grave Digger – Heavy Metal Breakdown: Clássico do metal germânico, grande debut do Grave Digger. Chris Boltendahl possui um estilo tão único de cantar, é possível identificar sua voz em qualquer canção rapidamente. O metal alemão é uma grande influência para o Hellish War, sobretudo as bandas Running Wild e o Helloween da fase Walls of Jericho.

Manowar – Battle Hymns: Debut que conta com excelentes canções e que mostra o Manowar ainda construindo seu estilo de tocar heavy metal. Enquanto alguns sons remetem a algo mais hard e contam até com uma pegada mais rock n roll, como na faixa Metal Daze, Battle Hymns apresenta também canções mais épicas, tais como a clássica faixa título e a sombria Dark Avenger. Acho que o Manowar acabou produzindo discos mais consistentes do que este ao longo de sua carreira, tais como Hail to England, Kings of Metal, Triumph of Steel e até mesmo o Louder Than Hell de 1996. No entanto, é inegável a importância histórica de Metal Hymns.

NHZ: Antes de encerrar, é verdade que alguns êx-integrantes do Manowar conhecem o som de vocês? O que eles acharam?
JR:
Sim, é verdade. O Rhyno chegou a ouvir nosso material pelo myspace (www.myspace.com/warhellishwar) e rasgou elogios ao trabalho.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine!
JR:
Gostaria de agradecer a todos do NHZ e todos os nossos fãs e leitores do zine. São vocês que fazem bandas como o Hellish War existir. Muito Obrigado!!! Metal Still Burns!!!



HELLISH WAR – HEROES OF TOMORROW
INDEPENDENTE – NAC


Valeu a pena esperar por tanto tempo pelo novo trabalho deste quinteto do interior de São Paulo, onde nos mostram uma grande evolução e maturidade.
A começar da produção já citada nesta entrevista e o estilo, que deu uma guinada para o Heavy Tradicional, que com certeza foi muito positivo para a banda, principalmente para as guitarras de Vulcano e Daniel Job, mesclando ótimos riffs e solos!
E para mostrar que os caras não estão para brincadeira, o disco tem mais de uma hora e não soa cansativo para os nossos ouvidos e com isso Heroes ganha um ar épico, onde seria uma enorme covardia ficar destacando esta ou aquela faixa, esse trabalho é para ser ouvido por inteiro!
E que não demorem mais tanto tempo para lançarem outro trabalho!

www.myspace.com/warhellishwar
http://www.hellishwar.net/


FOTO: DIVULGAÇÃO
RESENHA E ENTREVISTA: JOÃO MESSIAS “THE ROCKER”

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