6 de março de 2013

OPTICAL FAZE: UMA CARA DIFERENTE PARA A MÚSICA PESADA

Com um bom tempo de estrada e um som que mescla o peso do metal, unindo as batidas do gótico e eletrônico, o quinteto de Brasília, Optical Faze tem tudo para conquistar os fãs da música pesada.
O segundo álbum do grupo, chamado The Pendulum Burns, começa chamando a atenção pela bela arte, feita por Michal Karcz, que chama a atenção pelos tons de azul e vermelho, que unida a música do grupo, que possui ritmo pesado, hipnótico e denso, já figura entre os melhores discos de 2013.
Para chegarem nesse resultado, a banda foi gravar o álbum no exterior, sob a produção de Rhys Fulber, que tem no currículo bandas como Paradise Lost e Fear Factory.
Nesta entrevista feita com Jorge Rabelo (guitarra) e Mateus Araújo (guitarra e voz), eles nos contam dessa experiência e de outros detalhes do trabalho.
Confiram:

Por João Messias Jr.

Optical Faze
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: O novo álbum “The Pendulum Burns” foi gravado no exterior e contou com a produção de Rhys Fulber, que tem no currículo gravações com as bandas Front Line Assembly, Paradise Lost e Fear Factory. Conte-nos como foi à experiência de gravar num outro país.


Jorge Rabelo: A experiência de gravar fora do país foi importante demais pra gente, principalmente porque, pela primeira vez na história da banda, passamos mais de 1 mês nos dedicando à música 24 horas por dia. Ninguém tinha que ir pro escritório no dia seguinte, pra faculdade, nada. Estávamos no estúdio 10, 12 horas por dia, 6 dias por semana. E Los Angeles é uma cidade legal, movimentada, cheia de músicos. Era legal ir pro bar e encontrar o pessoal do Fear Factory, do Meshuggah. E isso rolou mesmo.

NHZ: Aliás, como foi à convivência com o produtor? Pretendem repetir a experiência?
Mateus Araújo: O Rhys Fulber é um cara tranquilo e muito talentoso. Ele tem aquela frieza típica canadense, mas é um cara acessível e engraçado. É um produtor de verdade, não um daqueles engenheiros de som que se dizem produtores. Ele não pensa como um produtor de metal, e isso é importante pra extrair algo diferente de uma banda que já se encaixa naturalmente no gênero. A parceria deu certo demais, então se esse disco der certo e tivermos condições, pretendemos sim voltar a trabalhar com ele.

NHZ: A produção sombria e densa combina perfeitamente com o som da banda, que mescla metal com passagens góticas e eletrônicas, que ao mesmo tempo agrada os fãs de música pesada, possui um grande potencial para os outros estilos citados. O que pensam disso? Já pensaram em se apresentarem em raves ou baladas góticas?
Jorge: Acho que somos metal demais pra raves e baladas góticas. Somos muito fãs de bandas que se encaixam nesses gêneros como o próprio Depeche Mode, Type O Negative, bandas eletrônicas mais atmosféricas como Massive Attack, VNV Nation, Conjure One, etc.. Obviamente estamos abertos a tocar em qualquer evento em que queiram nos assistir, mas ainda não vejo a banda sendo convidada pra shows nessa veia mais eletrônica e gótica.

Conte-nos do conceito lírico do trabalho e quais as inspirações para a concepção do mesmo.
Mateus: O conceito não é totalmente fechado, mas aborda vários aspectos do que seria um ciclo de mudança do indivíduo e mudança do mundo externo. As primeiras letras do disco abordam um lado mais interno e humano, sempre tendo o sujeito como objeto de mudança. Seja ela para pior ou melhor, seja sofrer algo e devolver (vingança) ou apenas entender realmente o "eu". Mais para o fim do disco as letras vão para o âmbito mais externo de mudança do planeta beirando uma catástrofe até provocar a própria extinção, é como se uma auto-extinção começasse na mente e terminasse no universo. Em todas as letras o sujeito (indivíduo ou mundo) começa de uma forma e termina de outra, mudados, enaltecidos, ou massacrados e destruídos. A inspiração vem de tudo que meus sentidos abarcam, de tudo que eu vejo, que eu leio, e posso falar que nesse disco eu falei de todos os assuntos que eu sempre quis falar e da forma como quis abordar, uma forma mais abstrata e subjetiva, e com poucas coisas diretas.

The Pendulum Burns
Divulgação
NHZ: Como promoção do disco, vocês lançaram um vídeo para a faixa “Trail of Blood”, que possui uma abordagem interessante, pois os músicos aparecem basicamente em plano americano (apenas do peito para cima). Como chegaram nessa abordagem?

Jorge: O ponto de partida foi o fato de que precisávamos fazer um clipe a custo zero ou quase zero sem que parecesse mal acabado e podre. A solução mais clara para isso era fazer algo com a banda tocando, mas não queríamos fazer algo excessivamente banal, tipo a banda tocando em estúdio, em cima de prédio ou em galpão abandonado. Aí conversamos e chegamos nessa solução, de praticamente anular o cenário em que a banda toca e fazer planos detalhes, sem mostrar tanto da banda. Botamos na mão do Mateus pra executar a ideia, já que ele tem experiência como diretor de videoclipe e manda muito bem. E o resultado ficou ótimo pras circunstâncias.

NHZ: Poderia ficar aqui destacando inúmeras faixas, mas Ghost Planet, Pressure, Mindcage e a já citada Trail of Blood merecem uma audição mais apurada, além de darem a impressão de impressionarem ao vivo. Quais canções que a galera mais tem curtido nos palcos?
Jorge: O pessoal costuma pedir muito Pressure e Trail of Blood, que são as músicas mais trabalhadas pela banda até hoje. Mas nos shows, o pessoal anda gostando muito de One Way Path e Lie to Protect, que são mais porradas. Fechamos o último show com Ghost Planet, que é mais progressiva, e a recepção foi foda também.

NHZ: Falando um pouco mais nas canções do CD, vocês fizeram uma versão para “Never Let Me Down Again” do Depeche Mode, que contou com a participação da vocalista Leah Randi (Conjure One, Front Line Assembly). O que os motivaram na escolha?
Jorge: Queríamos fazer uma versão metal de algo não-metal e colocar no disco. Já tínhamos feito ao vivo, há alguns anos, uma versão de It’s No Good, também do Depeche. Juntamos algumas sugestões, mas acabamos decidindo por esse som, porque é bem melódico e dava muito espaço pra trabalhar arranjos diferentes e dar a nossa cara à música. A Leah Randi é mulher do Rhys. Ela canta com o Conjure mas já fez participações em músicas do Paradise Lost, por exemplo, então não é território desconhecido pra ela cantar em sons mais pesados. Pedimos pra ela cantar e ela topou. Acabou acrescentando muito à música.

NHZ: Outra participação foi a do guitarrista Jed Simon (Strapping Young Lad, Tenet, Front Line Assembly) em Trail of Blood. Qual a sensação de ter um músico renomado e conhecido no álbum de vocês?
Jorge: É uma honra ter a participação do Jed Simon no disco. Foi ideia do Rhys, que é grande amigo dele, e é claro que topamos na hora. Somos grandes fãs de Strapping Young Lad, e o Jed é gente boa demais, mostrou um interesse verdadeiro pela música e pelo disco, ajudou na divulgação de Trail of Blood e tudo mais. Quem sabe um dia ele manda esse solo ao vivo com a gente.

NHZ: Além de terem gravado o álbum no exterior, há planos para uma tour lá fora?
Jorge: Já estamos planejando algo nesse sentido, sim. Mas a engenharia pra fazer acontecer é complexa, então deve ser algo pro fim do ano ou início do ano que vem. Mas estamos dispostos a fazer acontecer.

NHZ: No Brasil, quais os planos para shows e promoção do trabalho?
Jorge: Estamos marcando uma série de shows em Brasília e no entorno e estamos conversando sobre algumas parcerias pra tocar em outros estados. E é claro, estamos sempre abertos a convites. É importante demais pra gente levar nosso disco e nosso show pro máximo de lugares possíveis, e esse ano queremos tocar no Brasil afora mais do que tocamos em toda nossa carreira.

NHZ: Agora vamos falar um pouco da arte do trabalho, feita por Michael Karcz, que é um dos      mais bonitos dos últimos tempos, com o bom uso das cores, azul claro e vermelho, esta marcada nas partes vitais do nosso corpo. Explique sobre o conceito da capa e encarte?
Mateus: Primeiramente, obrigado pelos elogios. Na verdade deixamos o Michal Karcz livre para criar a arte dentro da ideia. Enviamos o conceito das letras e do álbum em si, e desde o início não queríamos algo ligado diretamente ao nome do disco, mas ao conceito. Ele é um artista de mão cheia e nos deu várias ótimas opções dentro da ideia, escolhemos essa capa mais enigmática e que se diferencia um pouco das capas usuais de metal. Sentimos que era perfeita para a sonoridade do nosso disco e representava o momento atual da banda. A arte do disco é sensacional em minha opinião.

NHZ: Ainda falando da arte, ela merecia ser vista em exposições. Jápensaram nessa ideia?
Jorge: Sabemos que o Michal já fez algumas exposições na Polônia. Se ele fizer uma nova, seria um orgulho ter a capa do nosso disco figurando lá.

Optical Faze
Divulgação
NHZ: A banda é de Brasília. Como é a cena para as bandas de rock/metal (shows, público)?
Jorge: O cenário metal daqui sempre produz bandas muito boas, muito competentes. Quando o Optical Faze começou era tudo mais movimentado, mais locais pra shows, mais shows, mais público. Não dá pra negar que um dia a cena aqui já foi melhor nesse sentido. Mas acima de tudo, ótimas bandas continuam surgindo. Só que agora é preciso muito mais união, trabalho e competência das bandas pra se manterem ativas e tocando sempre.

NHZ: Falando na capital do Brasil, uma banda que embora siga uma linha diferente de vocês, mas que tem base no experimentalismo é a Dynahead. O que acham da banda?
Jorge: Banda excelente. Eles também fazem parte do cast da MS Metal Records. Esses sons recentes estão interessantes demais, e os caras tocam muito. A capa do disco também está linda. É uma banda que não se contenta com o lugar comum, temos isso em comum e admiramos muito.

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores dessa publicação.
Jorge: Primeiro, gostaríamos de agradecer a você, João Messias, pelo apoio e pela oportunidade. Valorizamos muito cada uma dessas chances de promover nosso trabalho. E aos leitores, obrigado pela força e pela atenção. Ouçam nosso disco, e se gostarem, divulguem, peçam nosso show em suas cidades, etc.. Não há divulgação melhor que o boca-a-boca espontâneo. No nosso site você pode ouvir o disco inteirinho e comprar nosso merch e o digipak do The Pendulum Burns. Valeu e nos vemos na estrada!

Um comentário:

Elaine Thrash Oliveira disse...

Muito boa essa entrevista!
Deu vontade de conhecer o trabalho da banda Optical Faze!
Vou entrar no site e conferir!
;-)