19 de novembro de 2013

SUPER PESO BRASIL: “PARA NOS ENCHER DE ORGULHO”

Evento que contou com as bandas Taurus, Centurias, Metalmorphose, Salário Mínimo e Stress teve casa cheia e performances apaixonadas

Texto e fotos: João Messias Jr.

As origens

O projeto Peso Brasil teve início em janeiro deste ano, idealizado por Ricardo Batalha e visa mostrar ao público a qualidade das bandas autorais do underground. Desde então, se apresentaram grupos como Necromancia, Goatlove, Genocídio e Dusty Old Fingers.

No mês de novembro o projeto ganhou uma edição especial, chamada Super Peso Brasil. Realizada no último sábado (9), no Carioca Club e recebeu um cast que nos remete aos primórdios do metal nacional com os grupos Taurus, Centúrias, Metalmorphose, Salário Mínimo e Stress.

As apresentações

Cheguei no Carioca por volta das 16h30 e o evento já havia iniciado com as
Taurus
João Messias Jr.
bênçãos dos pilares da cena underground: Walcir Chalas (Woodstock Discos), Ricardo Batalha (Roadie Crew) e Marcello Pompeu (Korzus), que apresentaram a primeira banda da noite: Taurus, banda da qual sou um grande fã.

Às 16h50, o quarteto formado hoje por Otávio Augusto (voz), Cláudio Bezz (guitarra), Felipe Fuscaldo (baixo) e Sérgio Bezz (bateria) mandaram ao excelente público que já estava na casa, seu thrash metal crú e trabalhado, que é bem original se comparado ao que temos na praça hoje.

Após a intro, os caras surpreenderam ao abrir com a faixa-título de seu mais recente trabalho, Fissura, de 2010, que mostrou uma pegada parecida com a dos primeiros tempos da banda. Só que o público queria ver os clássicos. Assim, o quarteto mandou Batalha Final e a faixa-título do seu debut, Signo de Taurus. Era visível a empolgação da banda, em especial do vocalista Otávio, que estava emocionado pela recepção dos presentes e pela oportunidade de estarem num grande evento. Mas tinha mais. 

A banda anunciou o primeiro convidado especial da noite, Luiz Carlos Louzada (Vulcano) e juntos mandaram Mundo em Alerta, que emocionou a todos pela performance apaixonada (fato que se repetiu nas apresentações seguintes). Da fase em que o vocalista era Jeziel, a banda mandou as Trapped in Lies e Pornography. Só que a maior surpresa do set foi Dias de Cão, do último disco, que apresenta passagens cadenciadas, mais peso e menos velocidade.

O curto set terminou Damien e Massacre, que foram responsáveis pelas primeiras rodas da festa. Após encerrarem a apresentação, saíram ovacionados pelo público, o que foi algo muito bonito de se presenciar.

Em duas rodas

Centúrias
João Messias Jr.
Sobre a frase, "essa banda anda em duas rodas", Pompeu anunciou a segunda banda da noite, o Centúrias. Contando hoje com Nilton “Cachorrão” Zanelli(voz), Roger Vilaplana (guitarra), Ricardo Ravache (baixo) e Júlio Príncipe (bateria) mandaram de cara Guerra e Paz e Fortes Olhos, do álbum Ninja. Musicalmente o quarteto passeia pelo hard/heavy e possui como referência o Judas Priest da fase Screaming for Vengeance. 

Essa formação lançou recentemente o single Rompendo o Silêncio e deste trabalho mandaram as faixas Sobreviver e Ruptura Necessária, que não apenas mantém o estilo que consagrou a banda, como podem se transformar em futuros clássicos. O final com o medley de Duas Rodas/Portas Negras contou com a participação de André Gois (Vodu/Desaster) dividindo os vocais com Cachorrão, mantendo o nível do festival em alta.

O ultimato

Metalmorphose
João Messias Jr.
A terceira banda da noite foi a carioca Metalmorphose, conhecida por ter dividido o split Ultimatum com a banda Dorsal Atlântica em 1985. Hoje contando com Tavinho Godoy (voz), PP Cavalcanti (guitarra), Marcos Dantas (guitarra, Azul Limão), André Bighinizoli (baixo) e André Delacroix (bateria) fizeram um set variado, que teve canções desde seus primeiros dias (Cavaleiro Negro e Desejo Imortal) até o mais recente trabalho, o excelente Máquina dos Sentidos, do qual executaram a faixa-título, Jamais Desista e Máscara. 

Com um ótimo entrosamento e uma dupla de guitarristas, que assim como Cláudio Bezz (Taurus), merece ser vista por quem aprecia o instrumento, os cariocas fizeram um dos melhores shows da noite. Só que o melhor ficou para o fim. Lucky Luciano (X Rated) se juntou a banda e mandaram Metalmania, de Robertinho do Recife. Vale lembrar que esse momento foi mágico, pois creio que poucos esperavam ver essa música ao vivo um dia. Satã Clama Metal (Azul Limão) e Minha Droga é o Metal encerraram esse show maravilhoso. Mal posso esperar para assistí-los novamente.

Olha a Chuva

Salário Mínimo
João Messias Jr.
Sob chuva de papel picado e ao som de Delírio Estelar, da coletânea SP Metal e regravada em seu mais recente trabalho, Simplesmente Rock, China Lee (voz), Daniel Beretta e Junior Muzzili (guitarras), Diego Lessa (baixo) e Marcelo Campos (bateria, Trayce) são conhecidos por suas apresentações cheias de energia e empolgação e nesta noite não foi diferente. 

Dama da Noite, Noite de Rock, Anjos da Escuridão extasiaram os presentes, que em muitos casos, sequer eram nascidos quando Beijo Fatal foi lançado, mais uma evidência que esse tal de rock and roll transcende gerações. China Lee, de forma bem descontraída chama para o palco Jack Santiago (ex-Harppia) para executarem uma versão para Salém (A Cidade das Bruxas), na qual o convidado cantou de forma apaixonada e empolgante. Mais uma apresentação chegava ao fim e a banda o fez cheio estilo, com um medley das canções Cabeça Metal e Jogos de Guerra, que assim como no começo, teve chuva de papel picado.

Gran finale
Sem desmerecer nenhum dos grupos acima, até porque TODOS possuem
Stress
João Messias Jr.
história de sobra, mas nada mais justo que dar ao Stress a honra de fechar com chave de ouro este evento. E é simples de explicar, pois o trio paraense formado por Roosevelt Bala (voz e baixo), Paulo Gui (guitarra) e André Chamom (bateria) “apenas” lançou em 1982, o primeiro disco de heavy metal em nosso país.
Heavy Metal e Mate o Réu deram início ao show dos caras e essas canções mostram uma faceta mais rock and roll, diferente de Flor Atômica, faixa que dá nome ao segundo disco do trio, que é mais hard/heavy.
Sodoma e Gomorra contou com a participação de Vitor Rodrigues (Voodoopriest), que foi mais um momento que causou êxtase aos presentes. Sob as declarações de que para uma música não precisa de ter 532 notas para ser boa mandaram Coração de Metal. Infelizmente Heavy Metal é a Lei e Brasil Heavy Metal (tema do documentário que terá como tema a primeira fase do metal no país), que contou com quase todos os integrantes das bandas no palco finalizaram essa grande festa.
Sem palavras
Foi um espetáculo perfeito em todos os aspectos, desde o controle dos horários, organização, performance das bandas e o mais importante: excelente público, que mais do que encher a casa, participou de cada música executada, sem preferência por banda X ou Y e isso mostra que a cena underground pode sim dar a volta por cima.

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