Segue a segunda parte
da entrevista feita com a trupe do For headS, que falam do atual momento,
referências e a repercussão de “Metal SP” na mídia metálica.
Por João Messias Jr.
Fotos: Divulgação
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For headS no Metal Samsara
Divulgação |
NHZ:
Vocês disponibilizaram o documentário no Youtube. Como estão os acessos e o
feedback recebido dos headbangers e dos próprios entrevistados?
AR:
O feedback dos bangers está sendo ótimo! Recebemos vários elogios e críticas
construtivas como a questão do áudio já salientada. É errando que se aprende,
afinal e literalmente. As melhores foram: “Pô, mas o documentário é muito curto”
(risos), mas achei massa”. Pouco tempo depois, a Warner lançou também um documentário
de Metal e entrevistou Andreas Kisser e o Ricardo Batalha, por exemplo. O legal
foi ver, no Facebook, que o “Metal SP” foi apontado pelo Julio Feriato como
superior devido ao grande número de imagens de apoio, por exemplo. Isso é
fenomenal. Recebemos muitos “joinhas” e ainda é atualmente o vídeo do For headS
com mais views no YouTube. Um dos entrevistados, Nelson Corneta, afirmou que o
For headS virou referência, pois mostrou que sim é possível fazer produções de
Metal no Brasil. Tanto que inspirado nisso (ele também estuda Jornalismo),
resolveu que o próprio TCC será sobre Metal! (risos) Quando ouvi isso me senti
como um integrante de banda! Isso é inestimável! Esse é apenas o meu primeiro
passo, o meu “EP” de estreia. (risos) Quero construir produções superiores,
evoluir. Ser uma espécie de Sam Dunn brasileiro. (risos)
FC:
A recepção foi boa. Os entrevistados apreciaram o produto final e os usuários
têm comentado bastante.
NHZ:
Sempre após um TCC, que mesmo se fazendo algo que goste, é tenso e desgastante
em muitos momentos, que em muitos casos resultam em amizades desfeitas. Como foi
o relacionamento do grupo nessa fase? E atualmente?
AR:
Depois de passar horas e horas ao lado da mesma pessoa de segunda a sexta (mais
que com familiares) você acaba aprendendo como se portar. Você sabe o que pode
gerar algum tipo de descontentamento e como evita-lo. Durante, mesmo com os
problemas ocorridos, nos mantivemos unidos. Pensei, é claro, que poderíamos
acabar nos matando, antes do início do TCC (risos). Mas tudo fluiu de forma tão
natural que até me assustei. Do início ao fim estivemos dedicados ao “Metal
SP”. O resultado foi alcançado com a dedicação de cada um, mesmo tratando-se um
tema que sou o único que gosta realmente do grupo. Todos deram o melhor de si.
Rodrigo com assessoria de imprensa, o Flávio com “faro jornalístico” e eu com o
domínio do tema da parte de gravação e edição. Obviamente, o Flávio e o Rodrigo
fizeram parte do For headS, mas neste ano de 2014 as coisas mudaram. Cada um
seguiu o próprio caminho e eu sigo com o meu projeto. Mantemos contato de forma
esporádica. Efetivamente, conto com o apoio de meu colega de infância e escola
Carlos Henrique (o “Rivaldo”) atualmente, mas a ideia é de fazer com que o For
headS cresça cada vez mais. Então, pretendo chamar mais integrantes para a
minha “banda” e que queiram se dedicar ao projeto com vontade de crescer e com
amor ao Rock e ao Metal.
FC: Um projeto denso e de longa duração sempre é
desgastante mesmo. Mas acho que no geral nós três trabalhamos bem. Tivemos
problemas na finalização da edição, um atraso na entrega do projeto e
poderíamos ter feito algumas coisas com mais qualidade. Mas é assim em quase
tudo na vida, terminamos com a impressão de que poderia ter sido melhor. Fica o
aprendizado. Atualmente cada um tem buscado seus próprios objetivos.
RP: Em geral, tranquilo. Não recordo de nenhum
momento de relevância em que o grupo tenha tido problemas. Atualmente, o
contato é bem pouco. Normalmente só pelo facebook mesmo.
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For headS no Stay Heavy
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NHZ:
Após verem que é possível SIM fazer algo que acredita, quais os próximos
passos? Pensam em fazer um novo documentário?
AR:
Tenho ideias há anos sobre como gostaria de ver o Metal na internet. Tenho
muitos projetos. Ideias diferentes de tudo o que está aí entre os veículos que
cobrem o gênero. Os próximos passos são o de criar uma frequência de postagem
de conteúdo no site, angariar novos fãs e integrantes interessados no projeto,
disponibilização dos materiais inéditos do “Metal SP” na net e dar continuidade
ao For headS com a criação de programas e documentários. Muita coisa boa virá!
Quero seguir a linha de sites como “Metal Injection”. Infelizmente, as
referências brasileiras de produções não me inspiram. Neste caso, tenho que
assumir que sou “chupa rola de gringo”. (risos) Gosto também do “Rock it Out
Blog” e das resenhas em vídeo de Anthony Fantano no “The Needled Drop”.
FC: Todo o documentário foi feito com
equipamentos comuns sendo carregados em grandes bolsas por estações de metrô e
trem da cidade. Todos os contatos foram feitos por email, facebook e telefones
pré-pagos. Todo o projeto foi fundamentado na bagagem cultural e intelectual
dos integrantes. E, claro, fomos guiados nesse TCC por uma orientadora
extremamente competente e atenciosa. Esses aspectos me fazem crer que projetos
de qualidade são possíveis desde que haja vontade de realizá-los. Por enquanto
não há nada em vista para o grupo como um todo. O Afonso está tocando o For
Heads com competência e não diria que é impossível que no futuro possamos fazer
algo novo.
RP: Já surgiu a ideia para próximos
documentários. No momento, ainda é cedo para dizer. Precisamos nos reunir de
novo para ver o que fazer daqui para frente. Quero que o For headS cresça, e
preciso me focar para isso!
NHZ:
Para encerrar, citem alguns documentários ligados ao rock e fora dele que
acharam fundamentais para que o For Heads se concretizasse?
AR:
Com certeza, sou muito grato pela iniciativa do antropólogo canadense Sam Dunn.
Se os músicos têm como referência Tony Iommi, Bruce Dickinson entre outros, eu
tenho como documentarista Sam Dunn. “Metal – A headbanger’s Journey” (2005) é
uma espécie de “Black Sabbath” (1970) do Black Sabbath. Depois dele, vários
documentários sobre Heavy Metal surgiram. Ao invés de tratar o Metal de uma
forma porca, escura, com uma atmosfera arrogante e pesada, “Metal...” se
destaca pelo clima envolvente que propõe. É esse modelo que quero seguir.
Didático, fluente e agradável para todos assistirem. Tem amor, sensibilidade e
outros adjetivos que muitos ignorantes não enxergam ou não querem enxergar que
existem no estilo. Sam Dunn virou referência por perceber isso. A ideia de colocar
várias imagens de apoio para dar um tom mais literário ao doc é uma clara
influência dele e que fiz questão de agregar ao “Metal SP”. Outros que destaco:
“Global Metal” (2008), a série “Metal Evolution” e “Louder Than Life” (2007).
RP:
Creio que o Metal: Uma jornada pelo mundo do Heavy Metal (Metal: A Headbanger's
Journey) e Global Metal - ambos do Sam Dunn - tenham sido os principais.
NHZ:
Muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores
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For headS no UOL
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desta
publicação.
AR:
Muito obrigado pelo espaço Messias e pelo seu apoio ao cenário com resenhas e
cobertura de shows por mais de 20 anos. Quando você começou, eu ainda estava
usando fraldas! (risos) Obrigado a todos os que apoiam o projeto, ou que
apoiaram e àqueles que ainda apoiarão o For headS. Sim, é possível falar de
Metal no Brasil. Só que muita coisa tem que mudar. Os projetos não podem querer
copiar os modelos já ofertados aqui no país. Precisamos de mais pessoas
falando, para que mais pessoas possam querer conhecer e gostar de Rock e Metal.
Os veículos têm que pensarem de uma forma mais acolhedora e atraente e menos
“separatista”. Algo como: “tenha mais uma postura evangelizadora do que
maçônica”. Mais pessoas tem que conhecer esta arte e renegar isso aos “outros”
é egoísmo. Quero trabalhar firme e forte com o For headS até o final da vida.
Quero conquistar meu espaço no meio, me divertir muito, escutar muito Rock e
Metal e fazer amigos. Tenho ambição, vontade, conheço minhas qualidades e
defeitos, e sei onde quero chegar! Olha a influência de Lars Ulrich. (risos)
“Rock and Metal to the masses!” Estou começando a viver agora e a minha
biografia está ficando linda! (risos)
RP:
Vou ser bem clichê. Dentre tantas, destaco duas lições de tudo isso: É possível
fazer um trabalho acadêmico sobre o que gosta (Heavy metal! Nunca me imaginei
citando Ozzy no padrão ABNT!) e a cena paulista - bem como a nacional - é
incrível. Temos bandas excelentes aqui dentro, que nada devem ao estrangeiro.
Então nunca desistam do Metal em suas vidas e valorizem as bandas que estão ao
seu lado.