30 de junho de 2011

MÊS DE ANIVERSÁRIO COM MATÉRIAS ESPECIAIS

Julho é o mês de aniversário do Rock e também do New Horizons, que completa seu quarto ano de existência, e neste mês daremos início as matérias especiais deste mês, onde foram feitas entrevistas, reviews de álbuns e shows que foram feitos especialmente como um tributo a esse estilo que está cada vez mais inserido nas pessoas!
Aguardem que apartir de amanhã as matérias já estarão sendo postadas!

Por João Messias THE ROCKER

24 de junho de 2011

THE AGONIST E ECLIPTYKA: AS BELAS QUE DOMARAM AS FERAS

The Agonist – Ecliptyka
Carioca Club 12/06/2011

Ecliptyka
Foto: Kátia Bucci
Uma noite perfeita! Essa é a melhor definição desta noite do dia dos namorados, onde como num conto de fadas não houveram contratempos com o transporte coletivo e nem com a organização do evento!
Esta foi a primeira vez que fomos ao Carioca Club, uma casa que é tradicional a estilos como o samba e pagode, e que de uns anos para cá vem abrindo suas portas para o Rock, e me surpreendi com a estrutura que a casa oferece, pois embora esteja longe de ser uma arena, ela oferece todas as condições para que as bandas façam seu trabalho da melhor forma possível.
Com um ótimo público e assim como o programado, as portas do Carioca abriram ás 18 horas, e após breve credenciamento de imprensa, entramos na casa e a banda de abertura, o Ecliptyka estava fazendo os últimos ajustes no som.
Logo ás 18:45 o quinteto paulista inicia a sua apresentação, que nos aproximadamente 45 minutos provou mais uma vez que os excelentes reviews recebidos são frutos de um grande trabalho, pois a banda mostrou muita segurança e carisma, além de serem muito mais pesados ao vivo, deixando músicas como Dead Eyes e Splendid Cradle ainda mais vibrantes e intensas.
A vocalista Helena Martins mostrou uma atuação bem segura, assim como os guitarristas Guilherme Bollini e Helio Valisc, que auxiliavam a frontwoman nos backing vocals, sendo o primeiro nos guturais e o segundo nos limpos, e que mostraram muita competencia numa versão de Rose of Sharyn do Killswitch Engage.
The Agonist
Foto: Kátia Bucci
O encerramento com Why Should They Pay coroou essa grande apresentação da banda, que se continuar com esse grande trabalho, se tornará um dos maiores nomes do estilo no país.
Pontualmente ás 20:00 se inicia a apresentação dos canadenses The Agonist, que se iniciou com os integrantes se adentrando um a um no palco, até a entrada da belíssima frontwoman Alissa White-Gluz, agora ruiva, que com um modelito muito sexy comandou o público com uma performance insana e com um grande domínio dos vocais limpos e guturais (que ao vivo são reforçados pelo baixista Chris Kells), que junto com seus asseclas Simon McKay (bateria), Daniel Marino (guitarra) e o guitarrista convidado Pascal "Paco" Jobin fizeram uma apresentação direta, brutal e sem rodeios, onde música após música a banda foi evidenciando por que são um dos grandes nomes do Metalcore mundial, fazendo o público pogar nas rodas que se formavam durante a apresentação, cujos ápices foram as músicas de trabalho como Thank You Pain (nessa canção o público ficou ainda mais insandecido) e Business Suits And Combat Boots que encerrou o show, que embora curto, saciou a todos que estavam presentes, embora And Their Eulogies Sang Me To Sleep, Martyr Art e When The Bought Breaks também merecem serem citadas!
Parabéns a todos envolvidos produção, assessoria, bandas e público que proporcionaram uma noite fantástica, onde as belas domaram as feras!

Por João Messias THE ROCKER

15 de junho de 2011

CARRO BOMBA: CARCAÇA METÁLICA

Carro Bomba 2011
Divulgação
Formado em 2004, o Carro Bomba conta com músicos que já figuraram em bandas renomadas como Patrulha do Espaço e Golpe de Estado, e que desde seu primeiro trabalho auto-intutulado chamava a atenção por ter uma sonoridade que resgatava o rock pesado dos anos 70. Mas foi a partir da entrada do vocalista Rogério Fernandes e do baterista Heitor Shewchenko, que geraram o álbum Nervoso foi que deixaram este carro mais explosivo.
E coroando esta atual fase, a banda lançou em 2011 o seu quarto trabalho, Carcaça, que pode ser considerado seu melhor e mais pesado trabalho, por conter passagens que beiram o Thrash americano, além de uma grande atuação do vocalista Rogério Fernandes.
Nesta entrevista feita com o baixista Fabrizio Micheloni, o vocalista Rogerio Fernandes e o baterista Heitor Shewchenko eles nos contam da sonoridade do trabalho, e dos próximos passos da banda!
New Horizons Zine: Carcaça pode ser considerado o melhor e o mais pesado trabalho da banda. Acredito que boa parte disso se deve a estabilização da atual formação. Pode se dizer que esta é o melhor line up que a banda já teve?
Fabrizio Micheloni: O melhor e o mais forte, com certeza!

NHZ: E o que evidencia estas qualidades é a produção feita no Mr. Som, com os "magos" Heros Trench e Marcello Pompeu (Korzus), que equilibrou o peso e a rispidez da música do Carro Bomba. Podemos dizer que o Mr. Som e a dupla do Korzus são perfeitos para produzirem o som da banda?
Heitor Shewchenko: Foi uma parceria que deu muito certo no Nervoso. O novo disco foi uma evolução desta parceria. Chegamos com as músicas prontas e eles direcionaram a sonoridade. Chegamos exatamente onde queríamos com a ajuda deles.


NHZ: Além dos riffs na cara, cozinha pesada ao extremo, o vocalista Rogério Fernandes fez um excelente trabalho, acredito que seja este o seu melhor trabalho, lembrando muito o mestre DIO. Qual a importância do trabalho do "baixinho" na música pesada?
Rogerio Fernandes
Divulgação
Rogério Fernandes: Total influência e importância. Quando gravei o disco levei comigo um vinil do DIO, assinado pelo próprio. Coloquei o vinil no vidro da técnica e enquanto eu gravava podia ver o DIO apontando pra cima na capa de HUNGRY FOR HEAVEN. Ronnie morreu no dia 16 de Maio e começamos a gravar o disco dia 21. O meu trabalho e acho que o de qualquer outro cantor que tem o DIO como mestre foi afetado, e o fato de ter gravado o disco logo após a sua morte foi determinante na emoção e interpretação que coloquei no disco. Vida eterna ao mestre!


NHZ: A faixa de abertura do álbum, Bala Perdida daria um ótimo clipe. Aliás, vocês possuem planos para um vídeo para a promoção do trabalho?
Fabrizio: Parece que você adivinhou! É justamente essa faixa que está sendo cogitada para o clipe e inclusive já temos algumas idéias para o roteiro.


NHZ: O Foda-se III tem algumas partes cadenciadas e pesadas que lembram as fases do Exodus e Forbidden nos anos 90. Qual membro da banda é o mais extremo em termos de som?

Fabrizio Micheloni
Divulgação
Fabrizio: Todos nós gostamos de uma boa pancadaria...No meu caso, além dos medalhões que nem precisam ser citados, gosto muito do Coroner e da fase mais “encrenca” do Death, principalmente do Individual Thought Patterns. A influência do Exodus vem do Marcello, grande fã do Gary Holt.


NHZ: Tortura conta com a participação de Vitor Rodrigues (Torture Squad) cuja canção casou bem seus vocais mais ríspidos com a temática do Carro Bomba. Como surgiu essa participação?
Rogério: Conheci o Vitinho através do meu irmão Nando Fernandes.O cara é muito gente boa, humilde e talentoso pra cacete. Quando colocamos o nome Tortura na música, a idéia do convite foi quase imediata. Ganhamos uma puta participação especial e um grande amigo. Valeu Torture Squad!!


Capa do novo álbum - Carcaça
Divulgação
NHZ: E o álbum é o primeiro trabalho pelo novo selo, a Laser Company (Krisiun, Korzus e Torture Squad) após estarem trabalhando com a Voice Music. Por que mudaram de selo e quais as expectativas com esta nova parceria?
Fabrizio: Quando pintou a oportunidade de nos unirmos à Laser Company, todos concordamos que o que eles tinham a oferecer ia exatamente de encontro com o que queríamos, e precisávamos. As expectativas de uma maior exposição da banda acompanhada de toda uma estrutura para que isso aconteça de forma eficiente já começaram a render frutos!


NHZ: Vocês fizeram o show de lançamento do álbum no Manifesto há poucos dias. Qual a reação das pessoas aos sons do novo trabalho?

Heitor Shewchenko
Divulgação
Heitor: A reação foi extremamente positiva!
Todo o público aprovou a mudança da sonoridade a partir do “Nervoso”, que para nós foi uma evolução natural. Agora com as músicas do “Carcaça”, o peso está ainda maior e as letras estão ainda mais incisivas, elementos apontados como chave pelo público.
E nós sempre fazemos o melhor show possível. Sempre com muita força, peso, energia e sempre subimos no palco com sangue nos olhos. Ninguém sai de um show do Carro Bomba sem se surpreender com a banda.
Fabrizio: E lotamos a casa, diga-se de passagem...

NHZ: Falando em shows, vocês fizeram algumas apresentações no Chile em março deste ano. Como surgiu esta oportnudade e quais as características do público chileno?
Heitor: Essa oportunidade surgiu através de um intercâmbio de bandas que estamos tentando fortalecer entre países da América do Sul. Ainda estamos no começo, mas já criamos um laço fortíssimo com o Chile.
O começo disso tudo foi com a vinda da banda Tabernários, com quem fizemos shows juntos, para o Brasil em 2010, com suporte da banda Baranga.
Imediatamente selamos um acordo de troca de shows, que foi concretizado com nossa ida pra lá em Março, com o Tabernários nos apoiando. Tocamos lá com Tabernários, Bocaseca e Lethal Fist.
Fizemos muitos fãs por lá, conhecemos um cenário totalmente novo e o mais importante: aumentamos nossa família com novos “hermanos”.
Realmente criamos uma ponte que vai durar pra sempre.


NHZ: E no Brasil, como estão os preparativos para os shows?
Fabrizio: Já temos algumas datas, que podem ser conferidas em nosso site, e várias outras estão pintando. Quanto aos preparativos, estamos mais cuidadosos no sentido de preservar ao máximo nossa configuração de palco, que inclui equipamento, pano de fundo, etc... e também de não nos metermos mais em roubadas.


Marcello Schevano
Divulgação
NHZ: O encarte do trabalho é muito legal, fugindo um pouco do esquema plástico das produções gráficas de hoje, pois o disco parece um story board contando um enredo de um filme. De quem foi a idéia deste conceito para o encarte?
Heitor: O encarte do disco “Nervoso” foi feito pelo desenhista André Kitagawa, que foi muito competente em traduzir não só as letras, mas também o sentido das músicas, através de desenhos. Antes mesmo de terminar o “Carcaça” já tínhamos certeza que trabalharíamos novamente com ele, pois achamos que o teor das novas músicas casaria bem com o traçado agressivo do Kitagawa.
Percebemos que, apesar de o disco não ser uma história, todas as músicas estão interligadas, logo surgiu a idéia do encarte ilustrar um enredo.


NHZ: Bandas como o Carro Bomba e a Baranga fizeram acontecer uma espécie de renascimento do rock pesado cantado em português. Como é para vocês ver as novas bandas fugindo do esquema de cantar em inglês e qual a importância de bandas como Made In Brasil, Patrulha do Espaço e O Peso para esta nova cena?
Fabrizio: Cara, essa história de “em português não rola” é coisa de quem não tem a manha de fazer. Porém, creio que esse estigma também foi alimentado por bandas toscas e suas letras pavorosas, que mostram apenas falta total de conhecimento da língua e também de cultura, principalmente no metal. Por outro lado, sempre existiram bandas, como as citadas por você e muitas outras, que acreditaram e acreditam no lance de cantar em nossa língua. É uma tradição que está sendo mais respeitada agora, graças à saturação e falta de identidade que está assolando a música atualmente.


NHZ: Para encerrar, com 4 álbuns de estúdio e um grande repertório ao vivo , vocês pensam num DVD como próximo passo?
Fabrizio: Não necessariamente como próximo passo, mas temos isso em mente e sabemos que rolará quando todos os aspectos que envolvem sua produção e realização conspirarem a favor.


NHZ: Amigos, muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem para os leitores do New Horizons Zine!
Carro Bomba: Agradecemos pela oportunidade e pelo espaço. Pedimos também que as pessoas continuem acreditando na nossa música e que o Rock Nacional está voltando.
http://www.carrobombaoficial.com.br/

Entrevista: João Messias THE ROCKER

14 de abril de 2011

KAMALA: NOVOS CAMINHOS PARA O THRASH METAL


Kamala
Foto: Divulgação
Pesado, Moderno, Raivoso, Técnico e 100% Thrash!
Esse quarteto formado atualmente por Raphael Olmos (Guitarra/Vocal), Andreas Dehn (Guitarra), Nicolas Andrade (Bateria) e o recém chegado Ricardo Piccoli (Baixo, também Shadowside) através de seu mais recente trabalho, Fractal (2009) mostra que é possível evoluir dentro de um estilo sem descaracterizá-lo e deixa-lo com personalidade e com uma cara própria!
Nesta exclusiva , o guitarrista/vocalista Raphael Olmos e o baterista Nicolas Andrade nos contam da repercussão do novo trabalho, a evolução do Thrash, mudanças de formação, e até sobre reality shows, que são uma febre hoje em dia!
Confiram a entrevista!

NHZ: Fractal nos mostra um Thrash com cara própria, moderno, com muito peso, groove, vocais raivosos, além de uma boa dose de melodia e que tem recebido diversas críticas positivas no Brasil e no exterior. Passado um ano de seu lançamento, como vocês avaliam a sua repercussão?
Raphael: Vamos continuar a divulgação do Fractal até o final do primeiro semestre do ano que vem, mas fazendo um balanço da repercussão neste ano que passou, foi extremamente positiva. Um álbum que recebeu ótimas criticas da mídia especializada e sentimos que conquistamos muitos fãs com esse trabalho. E posso adiantar em primeira mão, que já iniciamos a produção do terceiro vídeo clipe deste trabalho, e o lançamento será para o inicio de 2011.

NHZ: Além do som, outro atrativo que o som de vocês contém são algumas passagens de música etnica e hindú, mas essas passagens funcionam como um interlúdio nas canções. Vocês pretendem inserirm mais estes elementos no futuro e qual a opinião de vocês em relação as bandas que misturam elementos de suas regiões no metal?

Raphael: Todos esses elementos são apenas “temperos” no som do Kamala, mas quando aparecem, ajudam no clima da musica. Mas nada vai aparecer forçado, não utilizamos esses elementos se a musica não “pede”. Na minha opinião, misturas são totalmente positivas, desde que procure sempre buscar criar algo com personalidade e naturalidade.

Kamala
Foto: Divulgação

NHZ: Vocês também chamam a atenção no aspecto visual , onde vocês se apresentam usando as cores vermelho e preto. Queria saber o por que a escolha destas cores e para vocês qual a importância da vestimenta nos shows?
Raphael: Nos preocupamos com o visual de palco, efeitos de luz e roupas, pois procuramos somar o máximo de elementos possíveis para deixar o show mais intenso e com o clima que procuramos. O vermelho é uma cor muito intensa e junto com o preto deixa um aspecto violento/pesado, algo que casa perfeitamente com as músicas.

NHZ: O álbum foi lançado pela Free Mind Records, que vem realizando um grande trabalho no Underground nacional, lançando bandas nacionais como Andralls, Ocultan, The Ordher, entre outras. O que vocês estão achando do trabalho do selo e se essa parceria pode ser mantida em futuros trabalhos?
Raphael: A Free Mind Records apresentou uma boa proposta para o lançamento do Fractal, com uma equipe que realmente ama e valoriza o Metal nacional, porém a maioria dos selos nacionais passam dificuldade de sobreviver e não conseguem fazer uma campanha de sustentação dos produtos. Infelizmente o projeto da Free Mind Records que tinha potencial não está ativo, então não vejo atualmente a possibilidade de continuar a parceria.

NHZ: E como vocês são do Thrash, o que vocês acham da variação que o estilo teve com o passar dos anos: desde os moldes americanos das bandas da Bay Area, a escola germânica, bandas como Pantera e Machine Head, até as vertentes mais modernas e extremas como Slipknot e Lamb Of God?
Raphael: Somos admiradores de todas essas vertentes dentro do próprio Thrash, Metal em geral e até mesmo outros estilos. Gostamos de música boa, não importa quando ela foi feita. E dentro de tudo isso, estamos trabalhando para buscar nosso espaço cada vez mais, fazendo musica olhando para o futuro, respeitamos as raízes, são as escolas, mas o Kamala busca fazer um som atual, sempre utilizando novos elementos e tecnologias.

NHZ: Essa questão eu sempre pergunto para a maioria das bandas que entrevisto: em geral hoje temos selos e algumas gravadoras fornecendo suporte para as bandas nacionais conseguirem lançarem seus trabalhos com um bom padrão de qualidade, mas mesmo assim, as bandas tem o investimento com estúdio, gráfica e correio,mas este quase cai por terra devido a boa parte dos Headbangers nacionais, que preferem gastar rios de dinheiro com shows de bandas do exterior ao invés de prestigiarem as bandas do próprio pais e dão o famoso "jeitinho", baixando os álbuns das bandas nacionais gratuitamente e de forma ilegal. Vocês conseguem ver uma solução para isso?
Nicolas: Bom, é muito complicado tratar desse assunto, ainda mais em um país onde os impostos sobre produtos não colaboram para uma cultura de consumo. É claro que as pessoas vão preferir guardar seu dinheiro para assistir a grandes espetáculos do que para comprar CDs, e não somente os nacionais, mas os internacionais também. De qualquer forma eu ainda acho uma opção válida o compartilhamento de músicas na internet, pois divulga muito mais o artista do que com venda de CDs hoje em dia e torna muito mais fácil fazer sua musica chegar mais longe. Não vejo como algo negativo e não enxergo um fim pra isso, na verdade isso é o futuro.

NHZ: A banda já enfrentou muitas mudanças de formação, e quando parecia que esse line up iria permanecer, vocês sofreram mais uma baixa no posto de baixista , onde fora recruta do o experiente Ricardo Piccoli, que produziu Fractal e atualmente também faz parte da Shadowside, que fará uma extensa tour na Europa com o WASP em breve. Quais os motivos que levaram vocês a escolhê-lo para a vaga e como farão para que não haja conflito de agendas entre as bandas?
Raphael: Assim que o Adriano comunicou que estaria saindo da banda, pensamos quem seria a pessoa certa para entrar na banda. Essa pessoa teria que ter técnica, presença de palco, visual e gostaríamos muito que essa pessoa fosse alguém que realmente acompanha a banda há muito tempo. E o Piccoli foi a primeira pessoa a acreditar na banda, onde disse que gostaria de ser o produtor do “debut”. Desde de então desenvolvemos além de um ótimo relacionamento profissional, nos tornamos grandes amigos. Ele produziu nossos 2 álbuns, então conhecia perfeitamente as músicas. Então ele simplesmente era o primeiro da nossa lista. Para conflito de agenda, como atualmente, onde o Piccoli está na Europa em turnê com o Shadowside, vamos contar com nosso grande amigo e ótimo musico, Luiz Moura do Thriven ( http://www.myspace.com/thriven1 ). Luiz também foi o responsável da arte dos dois álbuns do Kamala. Então tudo funciona assim, somos uma grande família.

NHZ: Vocês possuem o mesmo managemement do Korzus, a Eight Ball Agency. Devido a estarem pelo mesmo empresariamento, há a possibilidade de alguns shows em conjunto ou quem sabe uma tour?
Raphael: Existe sim essa possibilidade. Estamos conversando a respeito para ver se conseguimos fazer isso realmente acontecer. Temos certeza que se acontecer, por onde esses shows passarem, Kamala e Korzus vão destruir tudo!

NHZ: Interessante que eu acabei conhecendo o som de vocês através da Expomusic, onde inclusive tirei foto com vocês e adquiri o CD. Qual a opinião de vocês sobre estes eventos e no que eles elevam a divulgação dos trabalhos das bandas?
Nicolas: É muito importante participar desses eventos, pois rola uma grande interação com o público e com as empresas que buscam fortalecer a cena musical. Na última Expomusic estávamos lá lançando o novo clipe do álbum ‘Fractal’ para a faixa ‘Stand On My Manager’ e a recepção do público foi muito legal.

NHZ: Antes de encerrar, queria saber a opinião de vocês sobre algo que "infestou" todos os cantos do planeta: os Reality Shows. Inclusive há alguns artistas do rock como Mikkey Dee (Motorhead), Sebastian Bach (êx-Skid Row) e Bret Michaels (Poison) que já participaram de algum programa do tipo. Caso algum membro da banda recebesse uma proposta, topariam participar?
Raphael: Uma coisa é ter uma câmera captando a vida normal do artista, um day off, vida com a família e também toda a correria dos backstages, outra coisa é ficar participando de provas e coisas aonde os participantes são meras peças de entretenimento. Programas aonde misturam músicos de varias bandas para compor, esses lances são interessantes, pois a musica está em primeiro lugar. Agora esses outros programas de reality show, eu simplesmente ignoro, não quero ser conhecido como a banda do cara de tal programa, e sim ser conhecido pela nossa musica.

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem um recado aos leitores!
Nicolas: Primeiramente nós que agradecemos pela oportunidade e gostaria de deixar nosso site para que todos possam conferir nosso trabalho. Lá as pessoas vão encontrar links para as diversas mídias sociais nas quais estamos presentes, notícias, vídeos, músicas, fotos e mais uma porrada de material pra galera que estiver afim de conhecer a banda. Um grande abraço a todos!

Entrevista feita por: João Messias THE ROCKER


3 de março de 2011

BANDA DO SOL: PROGRESSIVO RENOVADO

Banda do Sol
Foto: Divulgação
Formada por músicos conhecidos da cena paulista, a Banda do Sol pode se orgulhar de ter lançado um dos melhores trabalhos de 2010. Tempo, nome do segundo disco da banda, consegue a façanha de mesclar elementos do rock progressivo dos anos 70, MPB e um pouco do AOR, criando uma sonoridade agradável e marcante.
Nessa entrevista feita com Moa Jr (vocal/guitarra e violão) e o baterista Fábio Fernandes, a dupla nos conta da sonoridade desenvolvida no trabalho, conteúdo de suas letras, participações de peso no CD, além do envolvimento de alguns músicos da banda com um programa direcionado as crianças nos anos 80!
Confiram!

New Horizons Zine: Amigos, inicio a nossa entrevista perguntando da repercussão do seu novo trabalho, intitulado Tempo, que para mim foi um dos melhores trabalhos deste ano que se passou. Visto que a banda faz um som que não circula na grande mídia, o que vocês estão achando da sua repercussão?
Moa Jr: Primeiramente queremos agradecer pela atenção, carinho e elogios.
O cenário musical mudou completamente com a era da internet. Exemplo marcante disso é o trabalho da Banda Do Sol estar conseguindo chegar a lugares que antes só com a mídia televisiva ou no rádio chegaria. A repercussão se deve a essa forte maneira de comunicação e é positiva pois são longos anos de trabalho, sem nunca deixar de acreditar que o projeto seria um sucesso. Temos composições e arranjos que agradam muitos ouvintes e a banda reúne músicos em sua mais alta performance.

NHZ: A banda executa um som que mescla influências do Rock Progressivo (70's), AOR, Classic Rock e MPB, cuja fusão é totalmente agradável, calma e viajante, como exemplo a abertura do CD, a faixa Som do Sol. Quais faixas que são as mais comentadas do trabalho?
Moa Jr: O Rock Progressivo dá margem muito ampla para expor os sentimentos, não tem limitação. Até por isso mesmo que a recepção positiva tem sido para o Cd com um todo, não somente para faixas isoladas. Parece que o “Tempo” reúne uma faixa pra cada refinado gosto musical.
Fábio Fernandes – Mesmo assim, do tracklist do nosso novo CD, podemos citar que as músicas que mais tem agradado os fãs e também os críticos são a “Som do Sol”, “Tempo”, “Voar”, “Sinal da Liberdade” e “Quem eu sou?”.

NHZ: Hoje em dia temos um grande interesse na música feita nos anos 70, tendo inclusive publicações destinadas ao estilo, como a Poeira Zine. Queria saber se vocês conhecem a revista e o que acham?
Fábio Fernandes: Ficamos conhecendo o Poeira Zine há pouco tempo, quando o Bento Araújo veio cobrir a Coletiva de Imprensa que fizemos em São Paulo na ocasião do show com o Billy Sherwood.
Acho muito importante o resgate da criatividade, feeling e profundidade da música feita nos anos 70. E com certeza o Poeira Zine tem um papel fundamental na divulgação e preservação da música, principalmente na área do progressivo e do fusion que, por sinal, adoramos. :)

NHZ: E já que falamos no Progressivo, infelizmente muita gente confunde o estilo com malabarismos gratuitos e músicas maçantes, reforçado por causa do Prog Metal . Qual a opinião de vocês sobre isso e o que acham desta atual vertente do Progressivo?
Fábio Fernandes: Não é a nossa praia, mas ouvimos algumas bandas, como o Dream Theater, por exemplo. Fora os exageros, o Prog Metal traz novas mesclas e novos resultados que podem enriquecer a linguagem do Rock dependendo da aplicação que se faça (com sentido ou não).

NHZ: Voltando a falar no CD, fora a música, ele possui outros atrativos, como a mixagem feita por Billy Sherwood (ex-guitarrista do Yes), e a masterização feita por Joe Gastwirt. Como foi chegar nestes profissionais e o que acharam do trabalho deles?
Cartaz do Show Rock Sinfônico
Divulgação
Fábio Fernandes : Conhecemos o Billy Sherwood através do Myspace quando, para nossa surpresa, ele nos deixou uma mensagem dizendo que tinha gostado da nossa música. Isso revelou uma grande afinidade e, a partir daí, aconteceu a mixagem do CD, criou-se uma amizade e até que veio o show de lançamento com a participação dele. O Joe Gastwirt nós conhecemos por intermédio do próprio Billy.

NHZ: E falando em Billy Sherwood, vocês se apresentaram junto com ele num evento chamado Concerto Rock Sinfônico. Conte-nos como foi o show e se houvesse uma oportunidade, se fariam novamente.

Fábio Fernandes - Banda do Sol
Foto: Divulgação

Fábio Fernandes: O show foi dividido em três partes. Na primeira Orquestra Sinfônica Municipal de Sorocaba fez a abertura do evento. Depois a Banda do Sol se apresentou junto com a orquestra tocando músicas do Cd Tempo. Na terceira parte o Billy Sherwood se juntou a Banda do Sol e orquestra para reviver músicas do Yes que sempre curtimos como, por exemplo, “Roundabout”, “I’ve seen all good people”, além de termos tocarmos sucessos do Toto, Yoso e Circa.
Realmente foi mágico. Pudemos tocar o que gostamos, com a presença do Billy e da Orquestra, e para um público maravilhoso de 7 mil pessoas de todas as idades curtindo muito! Uma noite linda, som de primeira. Foi só alegria!
Nós adoramos a experiência, assim como o Billy. Sempre que pudermos faremos a “dobradinha” Banda do Sol e Billy. Também há possibilidade de outras apresentações futuras com mais convidados, como, por exemplo, o Tony Kaye.

NHZ: Outra coisa a se destacar são as letras da banda, que tem uma preocupação ecológica, e vocês já utilizam esta temática antes dela invadir as telas da TV. Na opinião de vocês, apenas com a conscientização temos chance de fazer mais pelo nosso planeta?
Moa Jr: O tema ecológico sempre esteve presente no trabalho da Banda. Muitas pessoas estão na beirinha para, de fato, fazer algo pelo nosso planeta. Às vezes falta aquele “empurrãozinho” para se conscientizar e começar a agir, lutar para acabar com a crueldade com os animais, com a poluição das águas, do ar e de alguma forma passar esse pensamento para outros, à sua maneira. A forma que a Banda escolheu pra isso foi através da música.

NHZ: Poucos sabem, mas vocês possuem um primeiro trabalho, lançado nos anos 80. Vocês pensam em relançar ou mesmo regravar este trabalho para apresentar aos novos fãs?

Moa Jr - Banda do Sol
Foto: Divulgação

Moa Jr: O trabalho foi lançado em 1983, pra ser mais exato. O LP foi gravado em São Paulo no estúdio Mosh. Por enquanto não temos a intenção de relançar esse trabalho, estamos querendo partir para o novo. Mas tudo é possível, o disco tem muitas músicas boas.

NHZ: E ainda falando no passado, em 2008 foi comentado sobre um possível DVD. Como anda este projeto? A banda ainda pensa em lançar um material neste formato?
Fábio Fernandes: Este projeto está acontecendo gradualmente, estamos captando imagens de várias atividades da Banda e assim que pudermos vamos editá-las e produzir um DVD.

NHZ: Para encerrar, queria saber se é verdade que a banda participou da trilha sonora do Programa Bambalalão nos anos 80? Conte-nos como surgiu esta oportunidade?
Fábio Fernandes: O Programa Infantil Bambalalão que foi ao ar pela TV Cultura teve a participação do Moa Jr. Ele compôs varias musicas para os personagens, incluindo algumas para o tema do programa e também se apresentava tocando e cantado para as crianças.

Por João Messias THE ROCKER

5 de fevereiro de 2011

ELUVEITIE: TRIUNFO SUÍÇO NO BRASIL


Eluveitie
Foto: João Messias THE ROCKER

Eluveitie, Opus Tenebrae e Hawthorn
Local: Estúdio Emme
Data: 29/01/2011

Falando a verdade, conheci há pouco tempo som deste octeto suíço, que embalado pela grande aceitação de seus dois recentes trabalhos Evocation I (2009) e Everything Remains As It Never Was (2010) partiu para a sua primeira tour no Brasil e rendido pela magia do som dos caras, parti para conferir a única apresentação que fariam em São Paulo.
Após uma certa demora com a entrada, tive uma surpresa com o local da apresentação, pois não é uma casa de shows voltada ao metal, e sim destinada a apresentação de Stand Up Comedy, e que tem como decoração vários sofás espalhados nos quatro cantos, dando um ar bem cool!

Opus Tenebrae
Foto: João Messias THE ROCKER
Já com um ótimo público, tivemos a primeira banda de abertura, o quinteto santista de Celtic Black Metal Opus Tenebrae, que abriu de forma brilhante o evento com sua música extrema, ríspida e altamente climática, que tem como destaque o vocalista Opus, que mescla com extrema facilidade guturais e limpos, que não deve nada a cantores como Vortex (ex-Dimmu Borgir) e Vintersorg (Borknagar) além do instrumental muito bem coeso.
Uma pena a apresentação ter sido tão curta, mas após o final do show pensei comigo: "O que é isso" de tão bom que é o som da banda!

Hawthorn
Foto: João Messias THE ROCKER
Após mais um tempo de som mecânico (que chegou a irritar), entrou em cena o quinteto curtibano crstão Hawthorn, que promovia seu CD Thorns And Blood (2010), atacou numa linha mais voltada aos primórdios do Black Metal Escandinavo, com riffs gélidos, climas de teclados e com dois vocalistas, Amanda (também vocais líricos) e Guilherme (também baterista), e que me fez lembrar dos tempos que prestigiava shows na Zadoque (Comunidade cristã que tinha como público Headbangers, Punks, Góticos, cujo pastor era o vocalista/baixista do Antidemon, Batista, hoje chamada Crash Church)!
Assim como o Opus, mais um ótimo show, aliás vale destacar que apesar de terem estilos diferentes da banda principal, são excelentes, cada qual em sua vertente, e que merecem ser prestigiadas em shows individuais, não apenas como "Open Acts" de bandas internacionais.
Chigel Glanzmann - Eluveitie
Foto: João Messias THE ROCKER
Na hora do show do Eluveitie a casa simplesmente encheu, e praticamente não havia espaço para locomoções e tive que me desdobrar para tirar fotos, mas assim que começaram os primeiros acordes, com a intro Otherworld, o transe tomou conta, pois acabei me rendendo (e todos os presentes) a música dos caras, que apesar de serem uma banda que mescla diversos estilos e sonoridades, soam mais extremos ao vivo e os instrumentos étnicos como Gaita de Fole, flautas e Hurdy Gurdy (Viola de Roda) soam homogêneos com a massa sonora da banda, como pode ser visto nas primeiras músicas Nil e Bloodstained. O vocalista Chrigel Glanzmann além de ser muito bom ao vivo sabe interagir muito bem com a platéia e que após uma breve apresentação mandou nos brindou com mais sons de seu repertório, que teve seu auge com a quadra Thousanfold, Inis Mona, Slanias Song e Onmos (a melhor música da banda).
As vocalistas Meri Tadic (também violino) e Anna Murphy (também Hurdy Gurdy) possuem uma interessante postura de palco, pois nas músicas mais folk dançavam como camponesas e nas partes mais agressivas pareciam o capeta, mas sem perder o charme e tocando seus instrumentos com perfeição!
A partir de Kingdom Come Undone, Chrigel pediu para todos fazerem uma roda para o mosh pit e prontamente foi atendido, onde o local literalmente pegou fogo, e essa atmosfera também em (Do) Minion, AnDro e Primordial Breath. E na última música, Tegernako aconteceu algo mágico, pois duas imensas rodas foram abertas, onde todos os presentes se renderam ao clima Folk, encerrando esta ótima apresentação, que apesar de estarmos em Janeiro, já figura entre os melhores shows deste ano!
Foi muito bom deparar com a casa cheia e gente vindo de diversos cantos de São Paulo, como o ABC paulista, e até cidades do interior como Jacareí, Campinas, Americana e Ribeirão Preto. Que os próximos shows mantenham esta escrita para que cada vez mais sejamos brindados com espetáculos deste porte.
Resenha: João Messias THE ROCKER

2 de dezembro de 2010

ANDRAGONIA: TALENTO A SERVIÇO DA BOA MÚSICA

Já passando dos seus três anos de existência, a banda formada pelos professores de música Ricardo DeStefano (Vocal) e Cauê Leitão (Guitarra) e pelos produtores Thiago Laurenttes (Guitarra), Yuri Boyadjian (Baixo), e Daniel de Sá (Bateria) surpreende em todos os aspectos!
Principalmente  por conseguirem  fazer Prog Metal sem soar repetitivo ou enjoativo, a banda alia toda a técnica que o estilo pede em suas canções, aliando outros estilos como o Hard Rock, AOR, deixando a sua música mais pessoal e emocional,  fazendo de  seu debut, Secrets In The Mirror, uma das gratas surpresas do ano de 2010!
Nesta entrevista feita com quase toda a banda (a exceção do baterista Daniel), o papo rolou solto , onde produções, produtores, o CD foram alguns dos assuntos abordados que vocês conferem nas linhas abaixo!
Com vocês – Andragonia:

New Horizons Zine: Olá amigos! Vou iniciar a entrevista perguntando sobre uma curiosidade: a banda possui três produtores: o guitarrista Thiago Larenttes, o baixista Yuri Boyadjian e o baterista Daniel de Sá, e dentre os trabalhos que já produziram incluem as bandas voltadas ao mainstream como Hori, Cine, Fake Number, entre outras. Como é produzir um som diferente do que ouvem/tocam e em que ponto elas podem servir como referência no som da Andragonia?
Thiago Larenttes: Produzir bandas de Pop/Rock é muito natural para nós, pois no meu ponto de vista aprendemos mais produzindo um som diferente do que produzir bandas de generos próximos ao do Andragonia, porque através dessa experiência de trabalho podemos obter composições objetivas e mais criativas, ter mais liberdade na criação e usar a simplicidade na música, sem se prender aos elementos do metal progressivo.

New Horizons Zine: E a banda possui além dos produtores, dois professores de música: o vocalista Ricardo de Stéfano e o guitarrista Cauê Leitão. Como funciona o processo criativo dentro de uma banda, que pode ser considerada "universitária"?
Cauê Leitão: O processo criativo funciona de uma forma bem natural e bem prazerosa, onde todos levam suas composições e suas idéias, e com isso toda a banda escuta bastante, e muitas das idéias são modificadas até chegar no resultado que satisfaça a todos. No caso meu e do Ricardo, que somos professores, ficamos muito felizes em colocar nossas idéias onde trabalhamos nas salas de aulas no Andragonia, que é nosso laboratório onde podemos testar e armazenar tudo que aprendemos e ensinamos ao longo dos anos...

New Horizons Zine: Vocês lançaram um vídeo para a música Undead. Conte-nos como foi o processo de gravação e se vocês acham que este tipo de divulgação ainda é funcional?
Ricardo DeStefano: Sem dúvida é super funcional! Na verdade, hoje em dia, com os canais de vídeo como Youtube, a visibilidade da banda é muito maior, basta entrar no site , procurar pela banda e assim, alguém em alguma parte do mundo já está vendo e ouvindo a banda. Além disso, conseguimos, no final de agosto, colocar o vídeo na programação da MTV, o que aumentou muito a visibilidade da banda.
Gravamos o vídeo no teatro Commune, na Rua da Consolação. Nós gravamos o vídeo em pouco mais de 3 horas, já que tínhamos pouco tempo para entregar o teatro. Então, tivemos que chegar no local já ligados no 220V. Foi muito divertido!

New Horizons Zine: Vocês são uma banda que faz Metal Progressivo, um estilo que hoje é muito mal visto pelas pessoas devido ao excesso de virtuosismos que a maioria das bandas insere nas canções, mas vocês vão na contramão, pois, ouvinfo o CD, nota-se que todos os elementos que ultilizam são apenas o que as canções "pedem". Queria a opinião de vocês sobre o que acham em da cena Prog hoje e quais bandas destacariam?
Ricardo DeStefano: A cena prog saturou um pouco de uns anos pra cá, com muitas bandas fazendo praticamente a mesma coisa.
Quando começamos a compor para o “Secrets”, tínhamos em mente explorar mais as melodias, deixar o som mais voltado para o público “leigo” e não somente para os músicos ou apreciadores do Prog Metal. Claro que abrimos espaço para o virtuosismo, mas sempre na hora certa. Um exemplo do que estou falando, está na faixa “Undead” que possui um instrumental bem complicado para se tocar, mas fica marcado pelas fortes melodias, principalmente no refrão.
Cauê Leitão: Gostamos muito do virtuosismo, mas sem exageros e sem deixar a música chata e maçante para os ouvintes, procuramos fazer um Prog Metal direto onde chegamos, damos o recado e os ouvintes entenda. No meu caso, eu cresci ouvindo guitarristas virtuosos e amo isso, só que tento fazer de uma forma mais simples e direta... Uma banda que se destacou muito de um tempo pra cá foi a Freak Kitchen, onde o guitarrista e vocalista Mattias “IA” Eklundh explora idéias muito diferentes e muito interessantes que não é comum de se escutar (o cara é pirado – risos)!

New Horizons Zine: Algo marcante no som que fazem é que vocês nos remetem a década de 90 e nos fazem vir a cabeça nomes como Fates Warining, Dream Theater, Rush, Shadow Gallery, além do bom e velho Hard Rock. Queria saber se vocês concordam com a comparação e o que acham destes trabalhos dos anos 90?
Ricardo DeStefano: Muitos desses grupos tem trabalhos maravilhosos mesmo, que muito nos influenciaram! Também temos infuencias de bandas clássicas com Iron Maiden, Purple, Metallica, Megadeath, Savatage, Journey, etc, e muita coisa moderna também, principalmente na parte de melodias e timbres. A parte do Hard Rock entra principalmente na voz, já que vim dessa escola também e, de certa forma, transparece na hora que estou cantando.

New Horizons Zine: O álbum Secrets In The Mirror é conceitual. Como surgiu a idéia de desenvolver este tipo de conceito para o CD e quais as dificuldades de fazer um trabalho com esta temática?
Yuri Boyadjian: O SITM se tornou um álbum conceitual à medida em que fomos escrevendo as letras. Em nenhum momento antes do álbum pensamos nisso... foi algo que aconteceu. Notamos que havia intertextualidade entre algumas das músicas e decidimos apontar de vez pra esse lado. Músicas como “Draining My Heart”, “Secrets in the Mirror” e “Shadowmaker” vieram antes disso. Aí, quando resolvemos direcionar para o enfoque conceitual já pudemos fazer de forma intencional, como na “Pull the trigger”, aonde é citado um verso da “Shadowmaker”, e na “Silent Screams” aonde o protagonista se encontra com a sua consciência.
O que torna mais difícil escrever algo assim é criar uma historia com começo, meio e fim, tendo que encaixar tudo em atmosferas e harmonias que nem sempre tem a mesma intenção inicial. É um processo muito desafiador, mas o resultado compensa muito.
Quanto à temática, não tivemos tantos problemas, pois falamos sobre desilusões, casos mal resolvidos, escolhas erradas... enfim... tudo que faz parte da vida de qualquer ser humano. O que fizemos foi potencializar algumas dessas experiências na pele de um personagem e transformar isso em canções.

New Horizons Zine: Ainda falando no debut, ele conta com a participação do vocalista BJ (Tempestt/Jeff Scott Soto) em uma faixa. Como surgiu a oportunidade e o que acham das bandas que ele toca e participa?
Ricardo DeStefano: O BJ é um excelente músico e um grande amigo meu! Sempre quis ter a voz dele em algum projeto que eu estivesse fazendo parte. Quando estávamos gravando, pensamos em ter alguém que pudesse dividir comigo os vocais em alguma faixa, e na mesma hora lembrei dele e a banda concordou! Ai, fiz o convite para el, que topou na mesma hora! Foi uma experiência maravilhosa, pois ele colocou a sua interpretação na música, não se limitando apenas a gravar o que estava combinado. A sua dinâmica de voz e interpretação caíram como uma luva para a música e a proposta da mesma. Além disso, a troca de experiência foi muito rica, uma grande escola mesmo! Adoro a banda Tempestt e, como vim da escola do Hard Rock, óbvio que adoro seu trabalho na banda do Jeff Scott Soto!

New Horizons Zine: Essa pergunta é para os produtores Thiago Larenttes (G), Yuri Boyadjian (B) e Daniel de Sá (D): Quais os produtores do Brasil e exterior que mais gostam e citem (apenas 1) trabalho que gostariam de ter produzido.
Thiago Larenttes: Aqui no Brasil temos poucos produtores de Rock/Metal consagrados, além disso, essa profissão não é muito reconhecida por aqui, mas temos o produtor Rick Bonadio, conhecido por produzir artistas como Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr, NxZero, CPM 22, e também o Brendan Duffey, com um portfólio recheado de nomes como Linkin Park, Maroon 5 e Black Crowes, é um produtor californiano, que está produzindo bandas de renome na cena do metal nacional, já no exterior, temos o Robert John “Mutt” Lange, já trabalhou em produções de bandas como, AC/DC, Nickelback e Def Leppard, e também o produtor Ben Grosse , famoso por trabalhar com, Marilyn Manson, 30 Seconds to Mars e Alter Bridge(N.do R.: Que também produziu Destructive Device dos brasileiros do Mindflow), gostamos muito da produção e mixagem dos discos do Nickelback, “Dark Horse” é um álbum que gostaria de ter produzido.
Yuri Boyadjian: Eu gosto muito dos trabalhos do Fleming Rasmussen com o Metallica. Acho que os acertos dele principalmente no Master Of Puppets e no ...And Justice for All (apesar de eu não gostar muito da mixagem deste último) foram sensacionais. E o próprio Bob Rock pela ousadia que teve ao produzir o Black Álbum, também do Metallica. Muita gente fala mal, mas é um álbum extremamente bem produzido e bem pensado. Algo, até então, inimaginável para uma banda de Thrash Metal. Ele colocou muita coisa em jogo, mas provou estar certo, tanto que o Black Album é um dos discos mais vendidos da historia, batendo a marca dos 22 milhões de cópias.
Um Trabalho que eu gostaria de ter assinado como produtor é o “Accident of Birth” do Bruce Dicknson. O Roy Z fez um trabalho muito acima da média neste disco. Os timbres e a mixagem são incríveis!

New Horizons Zine: No dia 30 de junho, houve uma Listening Session promovendo o debut de vocês Secrets In The Mirror para a imprensa, onde além da audição, vocês fizeram um Pocket Show apresentando algumas músicas do CD. Qual a interação das pessoas com o trabalho da banda e o que acham deste tipo de evento?
Yuri Boyadjian: A Listening Session foi algo realmente fantástico. Pudemos conhecer algumas das pessoas mais importantes do cenário musical e mostrar um pouco do nosso trabalho. Todos os comentários sobre o evento foram altamente positivos. Mostramos também uma nova roupagem às músicas mais antigas da banda, numa versão sem guitarras. Quem já conhecia as músicas achou bem interessante e original, pois não simplesmente tocamos as musicas com violão ao invés de guitarras. Nós realmente nos preocupamos em rearranjar as músicas e principalmente as linhas de voz, que não poderiam ser tão agressivas.O lançamento oficial do clipe de “Undead” também ocorreu nesse evento e serviu de termômetro para sabermos que tinha chance de agradar ao público.

New Horizons Zine: Conte-nos como estão os shows de divulgação e se há planos para apresentações em outros estados.
Cauê Leitão: Acabamos de lançar nosso álbum Secrets in The Mirror e começamos os shows de divulgação e concerteza a planos de irmos para outros estados e divulgá-lo ao máximo, quem quiser contratar nosso show é só entrar em contato... Muito Obrigado

New Horizons Zine: Antes de encerrar, há pouco tempo fora confirmada a participação da banda no CD Tributo Ao Stress, um dos desbravadores do Heavy Metal no Brasil. Conte nos a importancia de participar deste tributo e queria saber se vocês já conheciam o trabalho do trio paraense?
Thiago Larenttes: Não conhecíamos o trio paraense, para nós foi um grande desafio fazer uma versão da música “Heavy Metal” quando ouvimos pela primeira vez, de cara não queriamos manter a sonoridade daquela época, portando queriamos deixar a música bem moderna, trazendo todos os recursos que temos hoje, mapa de música diferente, bit diferente, uma estrutura nova para os arranjos e linhas vocais, para que soasse Andragonia.

New Horizons Zine: Muito obrigado pela entrevista! Deixem um recado para os leitores do New Horizons Zine!
Ricardo DeStefano: Muito obrigado pelo espaço galera! Confiram o trabalho do Andragonia bem como de outras bandas da cena nacional. Precisamos continuar contando com o apoio de todos vocês!!!
Cauê Leitão: É isso ai galera muito obrigado e estamos muito felizes pela aceitação do nosso álbum Secrets in The Mirror e quem ainda não tem por favor providenciem (risos)! Estamos trabalhando duro e muitas novidades estão chegando...Valeu!
Thiago Larenttes: Valeu pela força pessoal!! Contamos sempre com vocês. Abraços!
Yuri Boyadjian: O metal nacional tem ótimas bandas. Elas precisam ser ouvidas! Se você está lendo essa entrevista é porque realmente procura por algo novo. Contagie a todos com isso e garanto que teremos uma cena muito mais forte, com mais bandas e melhores shows. Obrigado e um abraço a todos!

Fotos: Divulgação
Entrevista: João Messias THE ROCKER



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