23 de agosto de 2011

CRUACHAN: "NÓS SOMOS OS VERDADEIROS CRIADORES DO FOLK METAL"

Confiram entrevista com a banda Cruachan feita por Costábile Salzano Jr.

Cruachan
Foto: Divulgação
O ano de 2011 realmente poderá ser considerado como o ano da invasão Folk, Viking, Pagan no Brasil. Após a enxurrada de shows e eventos voltados à esta cultura, quem irá desbravar pela primeira vez as longínquas terras de além mar será a banda irlandesa Cruachan, um dos nomes mais famosos do Celtic/Folk Metal Mundial.
Confiram entrevista com a banda Cruachan feita por Costábile Salzano Jr.
O grupo formado por Keith Fay (vocal, guitarra, teclado, bodhrán, mandolin, percussão), John Clohessy (baixo), Colin Purcell (bateria, percussão), John Ryan Will (tin whistle, violino, banjo, bouzouki, teclado) e John O' Fathaigh (tin whistle) está em plena turnê de divulgação do álbum "Blood on the Black Robe" lançado recentemente via Candlelight Records UK.
A reportagem conversou com o líder Keith Fay para saber como está a expectativa dos músicos para conhecer os seus obcecados fãs brasileiros, a repercussão do novo álbum, além de revelações sobre o backstage da banda. “Blood on the Black Robe” revela uma notável mudança na sonoridade do Cruachan. O que você tem a declarar sobre este novo trabalho?
Keith Fay: Há várias razões para isso. Nós sempre quisemos retornar a um estilo mais pesado e isso aconteceu com o passar dos anos. Em "The Morrigans Call", você definitivamente pode ouvir o nosso lado mais extremo de volta. Nós também nos sentimos responsáveis pela tendência do Folk Metal. Hoje encontramos bandas piadistas, cantando e bebendo ou merdas desse tipo. Quando nós começamos nos idos anos de 1992, nós éramos uma banda série e assim continuamos. A música Folk não é sempre divertida e animada, na música folclórica real - a música folclórica irlandesa especialmente há tanta tristeza, tanta dor, queríamos trazer isso em nossa música e mostrar às pessoas a música popular real e, por sua vez, folk metal real! Quando Karen deixou foi o último passo que precisávamos para retornarmos totalmente ao nosso som mais pesado, sendo os vocais agressivos na vanguarda!

O que te inspira a compor. Você precisa de algum estado de espírito para começar seu processo de criação?
Keith: Eu me inspiro com qualquer coisa. Na verdade, não preciso estar em um modo especial, mas eu definitivamente preciso estar focado no que estou fazendo e assim por diante.

Quais músicas deste novo trabalho que mais te agrada? O atual feedback dos fãs é o que realmente determina este trabalho com o melhor da sua carreira?
Keith: As respostas a todas as canções tem sido muito forte. Os fãs estão gostando da nossa nova obra como um todo o que é ótimo e realmente mostra o foco que colocamos no CD. Pessoalmente, estou muito feliz com "The Nine Year War".
 
Há algumas composições deste novo álbum que foram compostas pensando na performance ao vivo?
Keith: Sim, nós tentaremos tocar o máximo de músicas novas ao vivo em virtude dos festivais de verão aqui na Europa. A principio, iremos tocar "I am Warrior", "Blood on the Black Robe", "Thy Kingdom Gone", "Pagan Hate" and "Primeval Odium".

Um tipo de vírus do Folk Metal está se alastrando pelo Mundo. Todos os dias surgem novas bandas englobando elementos folclóricos com o Metal sem contar Korpiklaani, Finntroll, Eluveitie, Týr e outros nomes. De alguma forma este vírus chegou a promover o Cruachan?
Keith: Bem, nós e o Skyclad somos criadores deste vírus. Eu acredito que tivemos ganhos em popularidade. Infelizmente ficamos em turnê por longos meses como muitas das bandas que você mencionou, mas nós tentamos sair tão freqüentemente quando podemos.

O que significa o paganismo para você?
Keith: O Paganismo sempre foi algo bastante particular para mim. Minhas crenças podem ser um tanto diferente para os outros, mas ainda muito relevante.

Como precursores de um estilo musical, o que faz da música do Cruachan especial?
Keith: Nós somos completamente diferentes das outras bandas que se intitulam Folk Metal e que apareceram do nada nos últimos 10 anos. Sem contar que nós estávamos aqui antes de todos eles. O mais interessante é que nossa música ainda é atual, diferente e assim será no futuro!

Qual foi a melhor platéia do Cruachan até o momento?
Keith: Eu não sei. Essa pergunta é um tanto provocativa! (risos)

Qual foi a coisa mais curiosa ou engraçada que já aconteceu em um show ou no backstage?
Keith:
Oh! Por onde eu devo começar? (risos) Ok, Uma vez, em um trem noturno na Rússia, de São Petersburgo para Moscou estávamos muito bêbados e fazendo muito barulho, nós não pensamos assim, mas isso não importa. Um dos seguranças do vagão chamou a polícia para parar o trem na estação seguinte. Então, nós estávamos bebendo na nossa cabine e a nossa porta foi arrombada por dois policiais com fuzis de assalto apontando para nós! Eu quase morri de susto. A nossa descrença fora o tour manager explicando que o proprietário da empresa de turismo é de algum tipo grande mafioso em Moscou e depois os policiais pedirem desculpas para nós. Enquanto tudo isso estava acontecendo, o motor do trem foi roubado por bandidos russos! Tudo isso é verdade, tivemos que esperar por duas horas para um novo motor para seguir viagem. Insano, não? (risos)

Você tem algum tipo de ritual antes de entrar no palco?
Keith: Acredito que o nosso ritual deve ser colocarmos os nossos trajes de show (risos). É sempre um pesadelo nos prepararmos em camarins apertados e arrumarmos espaço para nos preparamos em meio aos caos de instrumentos, tour manager, promotores, fãs.
 
O que você pensa sobre a aumento do Pagan/Folk Metal na América do Sul?
Keith: Isso é fantástico!!! Eu vi isso acontecer desde a década de 90. Sempre recebemos e-mails de fãs da América do Sul e será um enorme prazer tocar para nossos seguidores!

O que o público pode esperar desta primeira apresentação do Cruachan no Brasil?
Keith: Esperemos ter uma experiência incrível. Adoramos tocar ao vivo, especialmente quando a multidão está animada para uma boa festa. Eu só ouvi elogios do público brasileiro e esperamos conhecer essa famosa insanidade.

Qual é a principal impressão que você realmente espera dos shows no Brasil?
Keith: Eu realmente quero mostrar aos nossos fãs o quanto nós adoramos eles. Eu espero encontar e conversar com todos. Esta é a parte mais legal de qualquer show.

Quais são os seus planos para 2011?
Keith: Esperamos ter nosso novo álbum composto por inteiro e em 2012 já entrar em estúdio. Queremos fazer o máximo de shows este ano e acredito que teremos o ano mais ocupado dos últimos anos em nossa carreira o que será excelente é claro!

Muito obrigado pela atenção e pela chance de conversar contigo. Sinta-se a vontade para deixar uma mensagem aos fãs do Brasil.
Keith: Eu que agradeço pelo espaço e um grande abraço aos nossos fãs brasileiros. Espero que realmente vocês gostem do nosso show e estamos ansiosos para encontrar vocês. Pode esperar o nosso melhor!

8 de agosto de 2011

BARANGA: "ELES SÃO OS CULPADOS"

Entrevista feita por João Messias THE ROCKER

Baranga
Foto: Carol Mendonça
Sim, o quarteto formado por Xande (Voz/Guitarra), Deca (Guitarra), Soneca (Baixo/Coros) e Paulão (Bateria/Coros) são uma das bandas responsáveis pelo ressurgimento do Rock Pesado cantado em português!
Contando com ótimos trabalhos, em especial seus mais recentes trabalhos, Meu Mal e O Céu é o Hell a banda vem conquistando muitos fãs no Brasil pela autenticidade e energia que emanam de suas músicas, principalmente ao vivo, onde banda e público praticamente se tornam uma coisa só!
Nesta entrevista com a banda, os caras falam sobre bandas, cantar em português e muito mais!

New Horizons Zine: A banda foi formada por ex-integrantes de bandas como Pitbulls On Crack, Firebox e Centúrias, que tinham um som um pouco diferente da Baranga. Como foi juntar as peças e simplesmente e fazer um som em homenagem aos primórdios do Rock And Roll?
Deca: Seja qual fosse o estilo de cada uma dessas bandas que você mencionou, todas têm o Rock 'n’ Roll como raiz... E provavelmente nós éramos os mais Rockers dessas bandas!!!
Paulão: Na verdade eu sempre ouvi Rock ‘n’ Roll... Slade, Status Quo, Alice Cooper, etc. Mesmo nos anos 80, o Metal e Hard Rock eram influenciados pelo Blues e Rock ‘n’ Roll... Depois virou essa coisa de música clássica... Então pra mim foi fácil entrar em uma banda mais direta.
NHZ: E olhando um pouquinho para o passado, na opinião de vocês, o que aconteceu para que os trabalhos anteriores não dessem tão certo como aconteceu com a Baranga?
Deca: Só posso falar pelo Pitbulls, que toquei desde o primeiro ensaio até o último show, a banda até que deu certo, com bastante TV, rádio e imprensa em geral, mas foi por pouco tempo e com apenas duas músicas lançadas numa coletânea legal e, um CD com qualidade ruim de áudio e com um monte de estilos em 10 faixas - já era sintoma que cada um dos quatro membros estava indo cada um para um lado... Eu era o Rocker, o vocal Indie, o baixista Psicodélico e o Batera nem estava mais tão afim de continuar tocando... A diferença da Baranga é que todo mundo está focado e com vontade inesgotável! Logo de cara, lançamos em 2003, um CD cheio de músicas bem legais e ultra bem gravado e mantivemos esse bom costume até hoje, com mais planos de lançar novos trabalhos!!!
Paulão: Faltou atitude, investimento e acreditar no som.
NHZ:A Baranga, desde o início das atividades se mantém com a mesma formação. Qual é o segredo de manter a banda unida e com o mesmo foco?
Deca: Cerveja!!!
Xande: Ser amigos antes mesmo de tocar! Todo mundo sabe que não é fácil ficar na estrada mas nós gostamos dela!
Paulão: Acho que a cerveja! hahaha...
Soneca: O segredo é ser viciado em Rock ‘n’ Roll!

NHZ: Sei que devem estar cansados de responder, mas o que levaram a chamar a banda de Baranga?
Deca:
Essa só o Xande está autorizado a explicar... A "culpa" é dele!!! (risos)
Xande: Sei lá, já respondi tanto que esqueci...hehehe
Paulão: Putz cara, até hoje não sei responder essa pergunta! (Risos)
Soneca: Foi de bobeira, para marcar ensaio no estúdio precisava ter um nome. Colocamos Baranga e foi ficando, ficando, o Xande fez uma música com esse nome e taí até hoje. (Risos)

NHZ: O som de vocês é um Rock And Roll com muita energia, perfeito para dançar e curtir numa roda de amigos. E a duração dos seus discos evidencia ainda mais essa impressão, pois eles têm em média 30 minutos, fazendo uma alusão aos primórdios do estilo, onde tudo era mais direto e feito com paixão, ao contrário de hoje, que está muito mais mecanizado e formal. Vocês acham que o Rock em geral hoje ficou "sério" demais?
Deca: Rock 'n’ Roll virou uma expressão bacaninha... Virou estampa de camiseta que vende em shopping center... Virou tema de adolescente que fala de amorzinho e faz aquele gesto horrendo com as duas mãos pra formar um coraçãozinho... E ficam doidões com toddynho... Ou seja, muito pasteurizados, o contrário do que o Rock de verdade é!
Xande: Se a música é pra dançar e curtir porque ela vai ser séria?
Paulão: Com certeza! Sério e careta! Um bando de nerds sem atitude, por isso o Rap deu tão certo...
Soneca: O mundo todo ficou careta com essa hipocrisia ridícula de ser politicamente correto. E isso passou para o Rock da geração telettubie... Mas atualmente, no mundo todo existem bandas fazendo Rock como deve ser feito. Tabernarios, Bonafide, Airbourne, Devil Presley, Blackberry Smoke, Viticus, Nashville Pussy, Rhino Bucket, entre outras. Como diria o Rose Tattoo: “Nice Boys Don’t Play Rock ‘n’ Roll”!

NHZ: Vocês possuem quatro álbuns e mantém a mesma linha musical desde o início, mas os dois últimos trabalhos Meu Mal e O Céu É O Hell vocês aprimororaram o seu estilo, utilizando melodias irresistíveis nas guitarras, como podemos ouvir em Meu Mal, Vai Se Dar Mal, Aplica Mais Uma Dose, Na Madrugada, entre outras. Quais as influências "guitarreiras" que vocês têm hoje?
Deca: Pra mim são os caras do AC/DC, Status Quo e mais outras bandas antigas e novas que são simples e diretas.
Xande: Tem muita coisa boa nova e muita coisa boa velha.
Soneca: AC/DC, Status Quo, Motorhead, Ramones, Rose Tattoo, Chuck Berry e muito Blues velho!

Capa do álbum O Céu é o Hell
Extraída do Site
NHZ: A capa de O Céu É O Hell me fez ter um delírio: a cena do carro seria perfeita tendo vocês como "guias" de astros do rock como Paul Stanley (Kiss), Vince Neil (Motley Crue), Lemmy (Motorhead), levando-os de Limusine para conhecerem a noite Paulistana, em especial a Rua Augusta. Vocês topariam mostrar o que de melhor a noite tem a oferecer para os caras?
Deca: Lógico!
Xande: Lógico!
Paulão: Porra! Com certeza! Eu já fiz isso com uma grande banda chilena os Tabernarios e foi duca!
Soneca: Vão conhecer os “melhores” dos “piores” botecos da Zona Sul e Centro de São Paulo! (risos)
NHZ: E falando em Lemmy, ele é um exemplo do que é o Rock And Roll, pois o Motorhead está na ativa há décadas, fazendo tours mundiais e lançando discos regularmente. Esse tipo de atitude influencia a banda a sempre estar seguindo em frente?
Deca:
Sim, Rock 'n’ Roll é basicamente isso... ATITUDE!!!
Xande: Nós devemos pensar parecidos. Adoro estar no estúdio gravando, adoro os ensaios e adoro estrada, então porque não gravar algo que está acontecendo? Não gravar por gravar... Gravar pra ter o que falar.
Paulão: Sim, realmente pra mim o Lemmy é uma puta inspiração como Rocker!
Soneca: Sempre! Não ficamos olhando muito para o que já fizemos, estamos sempre armando o que vai vir daqui pra frente, sem acomodar após lançar um disco novo!

NHZ: E para encerrar o assunto sobre o Motorhead, vocês tiveram a oportunidade de abrir shows dos caras em SP e SC. Qual a sensação de estar no mesmo palco que os caras e se conseguiram conversar com esse ícone do estilo?
Deca: Tocar no mesmo palco e até chegar a falar com eles foi muito legal. Mas sensacional, foram os roadies elogiando a gente e assistindo ao show! E o melhor foi o Phil Campbell levar, pessoalmente, um balde de cerveja pra gente no camarim, depois do show em Floripa. Cara, isso sim é legal!
Xande: Sampa, Floripa são capitais muito boas, o público viaja horas pra ver essas bandas. E tocar com eles foi e sempre será muito louco! O Phil Campbell veio falar comigo, depois levou cerveja Stella no camarim, trataram a gente melhor que a produção.
Paulão: Para mim foi um sonho realizado e, principalmente, em Floripa que o show foi demais e a recepção melhor ainda!
Soneca: Além da loucura toda que é estar tocando na mesma noite que os caras, o mais legal foi ter feito shows bacanas com uma receptividade legal do público. Afinal, banda de abertura sempre tem está numa posição perigosa.
NHZ:Outras bandas que estão fazendo um som em português e estão conseguindo bastante destaque na cena são: o Carro Bomba, Tomada e Cracker Blues. Queria saber o que acham do som dessas bandas.
Deca: Eu me identifico bastante com o som mais Rocker e Blues do Cracker, mas acho Tomada e Carro Bomba bem legais e super importantes para manter vivo e levar o Rock pra frente nesse país.
Xande: Muito boas e de grandes amigos. Fica suspeito eu falar algo mais, aí vai à dica, assistam aos shows desses caras, vale à pena conferir!
Paulão: Eu sou fã do Cracker Blues e acho Carro Bomba à melhor banda de Metal em português, atualmente, no Brasil. E o Tomada está buscando o espaço deles, ainda pelo fato da variação de estilos em suas músicas.
Soneca: São bandas de Rock com personalidade e sonoridades próprias. Assim como nós, estão na estrada porque gostam do que fazem e sempre afim de fazer Rock de qualidade!
NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Deca: Sejam felizes, ouçam Rock 'n Roll!!!
Xande: Como diria uma letra nossa: “A vida é uma só pra curtir sem dó”!!
Paulão: Aê! Obrigado pelo espaço e compareçam aos shows das bandas nacionais, só existimos por causa de vocês e do público. Abraço!
Soneca: Obrigado pelo espaço e apareçam nos shows! Valeu!!!

3 de agosto de 2011

FINAL DAS MATÉRIAS ESPECIAIS

Entrevista: João Messias THE ROCKER
Encerrando as matérias especiais temos uma mini entrevista feita com o editor do Blog Pilha Na Vitrola Vinicius Castelli:

Imagem extraída do site
New Horizons Zine: Como você conheceu o Rock/Metal e quando percebeu que o som não era apenas uma distração e sim algo que te acompanharia dia a dia?
Vinicius Castelli: Conheci quando o Kiss veio ao Brasil, em 1983. Todo mundo falava disso na escola, eu era muito pequeno, mas gostei imediatamente. Antes disso sabia que havia Beatles, por conta dos discos da minha mãe. A paixão nasceu, a música passou a fazer parte de todos os meus dias, no meu trabalho, das minhas viagens, da minha vida. O bom é que com o tempo, o leque musical se abre infinitamente.

NHZ: Quando e por que surgiu a vontade de criar um veículo para divulgar o estilo?
Vinicius: Na verdade comecei a escrever, e tudo foi automático. Passei a falar sobre música e calhou de juntar o útil ao agradável.

NHZ: Para encerrar, cite cinco álbuns do estilo que mudaram sua vida!
Vinicius:
Kiss – Alive!
Captain Beyond – Captain Beyond
The Jimi Hendrix Experience - Axis Bold As Love
The Beatles – Revolver
The Who – Who’s Next

30 de julho de 2011

QUARTAS INSTRUMENTAIS: "SE TODAS AS AULAS FOSSEM ASSIM..."

Por João Messias THE ROCKER

"Se toda aula fosse assim, não haveriam tantas desistências e péssimos profissionais no mercado"

Essa é a melhor definição da noite de aniversário do Rock, que foi comemorada em grande estilo.
Chegamos ao local, onde já se apresentaram bandas conhecidas da região como Montanha e Combate Vertical, me deparei com uma agradável surpresa: o local estava com poltronas, onde assim era possível assistir ao espetáculo com maior conforto e uma lanchonete ao lado.
E antes de iniciarmos a matéria em si, são necessárias algumas palavras a respeito de Rolando Castello Junior, que com 33 anos de estrada, um dos melhores do país na técnica de dois bumbos, já figurou por bandas cultuadas como Made In Brazil e Aeroblus e leva há decadas a Patrulha do Espaço, que sempre primou em seus lançamentos e performances ao vivo o Rock And Roll na sua verdadeira essência, sem modismos e modernices.
Diferente de um show, a noite de hoje foi dedicada a contar a história da bateria, mas ao contrário do que poderia se esperar, não foi uma aula com aquele monte de slides, data show e explicações tecnicas, científicas que imediatamente leva ao sono e o desinteresse. A aula aqui foi como o Rock And Roll pede: uma explicação direta, citando os grandes músicos e com um auxilio visual simples e funcional: banners com as fotos dos monstros do instrumento: dos anos 50/60/70, falando de monstros como todos conhecem como Ian Paice, John Bonham, Ginger Baker até desconhecidos do público, mas fundamentais para a história da bateria como Gene Kruppa, Earl Palmer (baterista que gravou todos os rocks dos anos 50), até os heróis brazucas como Dinho Leite (Mutantes)e Gustavo Schroeter (A Bolha, A Cor Do Som).
As explicações eram bem didáticas e de fácil compreensão (digo isso porque não sou músico), onde é interessante saber o que hoje é feito por um baterista, nos primordios do instrumento, eram executados por três, sendo uma pessoa no prato, outra no surdo e outra no surdo, e que após o formato definido, não houve uma evolução e sim um aperfeiçoamento do instrumento, que contradizendo o que muitos pensam, tem como as chinesas como uma das melhores.
Mas voltando a aula, outro ponto interessante foi que não ficou restrito as técnicas do instrumento, e acompanhado de seus companheiros de Patrulha, o guitarrista Danilo Zanite e o baixista Paulo Carvalho, a parte histórica era mesclada com músicas ao vivo, onde foram executados trechos de clássicos do The Who, Beatles, Stones, Purple, além de sons do Aeroblus (diga se passagem era muito pesado, técnico e elaborado para a sua época) e da própria Patrulha.
Uma pena que essa aula durou cerca de uma hora, e que não teve o público que merecia ter, pois apesar de ter acontecido no meio da semana e de ter jogo da Seleção, foi uma oportunidade única, que como eu disse nas primeiras linhas: "Se toda aula fosse assim, não haveriam tantas desistências e péssimos profissionais", além de agradecer ao Alan e a Prefeitura de Santo André por estarem incentivando a Cultura Musical em nossa cidade, mostrando as pessoas que é possível oferecer entretenimento de qualidade e de forma gratuita.
Procure conhecer mais sobre o trabalho do baterista nos sites abaixo:

27 de julho de 2011

CARRO BOMBA E BARANGA " O ROCK AND ROLL PRECISA DE VOCÊS"

Por João Messias THE ROCKER

Depois de três anos sem ir ao CCSP, estávamos lá para conferir a apresentação desses dois grandes nomes da cena nacional, que andando na contramão, conseguiram grande destaque na cena por cantarem em português, e como consequência desta ousadia, são as bandas de material autorial que mais enchem as casas de shows de SP!

Carro Bomba
Foto: Kátia Bucci
Fazendo parte do projeto Sintonia do Rock (que contou no domingo com as bandas Tomada e Cracker Blues), esta apresentação mostrou o que de melhor o Rock And Roll pode transmitir as pessoas: adrenalina e bem estar.

E a ida a este evento foi como se estivéssemos numa convenção rockálica, pois andando pela casa, você se deparava com pessoas importantes na cena, como Ricardo Batalha (Roadie Crew), Regis Tadeu (jurado do Programa Raul Gil), e o pessoal de bandas como Korzus, Reviolence, entre muitos outros "medalhões".

Como chegamos cedo, cerca de uma hora e meia antes do show, tive a impressão de que o público pisaria na bola (cheguei até a pensar que o Mick "Pé Frio" Jagger compareceria), mas assim que o Carro Bomba entrou mandando a música Bala Perdida, do seu mais recente trabalho, Carcaça, o público foi aparecendo como uma rajada de metralhadora e encheu a casa, mas não lotou!

Fabrizio Micheloni e Rogerio Fernandes
Carro Bomba
Foto: Kátia Bucci
Voltando ao Carro Bomba, a banda consegue manter a mesma pegada de estúdio, com o baixo estalado de Fabrizio Micheloni, Marcello Schevano emanando peso na sua Gibson SG, Heitor Schewchenko mostrando segurança nos bumbos e o vocalista Rogerio Fernandes mandou uma grande atuação, que ainda teve sons como Carcaça, Sangue de Barata, Combustivel (essa uma homenagem a Ronnie James Dio), Mondo Plastico, Overdrive Rock And Roll, essa do álbum Segundo Atentado, que está muito mais pesada e os grooves mais evidentes. Aliás, vale comentar que é interessante ver a evolução musical da banda, que começou como um Power Trio fazendo um som mais setentista e hoje como um quarteto, que apesar de manter a proposta inicial, flerta com o Thrash em diversos momentos.

O show encerrou com Punhos de Aço, do álbum numa grande apresentação que só não foi melhor pelo pouco tempo e devido ao som, os vocais terem ficado um pouco abaixo do instrumental, que persistiram no próximo show.

Xande e Deca - Baranga
Foto: Kátia Bucci
Depois de alguns ajustes e a troca de bateria e o convidativo pano de fundo, adentra ao palco Xande (guitarra/voz), Deca (guitarra), Soneca (Baixo e Coros) e Paulo Thomaz (Bateria e Coros), que juntos formam a Baranga, que proporcionou uma verdadeira celebração de Rock And Roll, cheia de peso e que com toda a certeza cairá nas graças de fãs de bandas como AC/DC, Rose Tattoo e Motorhead, com uma performance insana, principalmente o guitarrista Deca, que é uma figura a parte, danca, sola com a guita nas costas, joga a guitarra para o alto, toca junto com a galera, um verdadeiro Rock And Roller. Os caras são a trilha perfeita para a visita na Rua Augusta de caras como Paul Stanley (Kiss), Vince Neil (Motley Crue), Bret Michaels (Poison), Lemmy (Motorhead) e outros personagens da cena Hard/Rock/Glam!


Baranga
Foto: Kátia Bucci

A banda fez um set baseado em seus dois mais recentes trabalhos, mas sem se esquecer dos primeiros sons como Piratas do Tietê e Whiskey do Diabo, mas não dá para negar que os últimos álbuns são o que de melhor representa a Baranga hoje, como foi visto e ouvido em pérolas como O Céu É O Hell, Na Madrugada (que possui um vídeo muito legal), Garota Rocker, que foi dedicada a todas as garotas que estavam no show (muitas com a camiseta da Baranga aliás), Aplica Mais Uma Dose, que é a melhor música da banda, dona de uma melodia irresistível, perfeita para dançar (e quem disse que o Rock não foi feito para dançar) e pular!

A apresentação já rumava para o seu final, que foi com Vai Se Dar Mal, Filho Bastardo e o encerramento com Meu Mal, que teve um final bem Rock And Roll, com o baterista Paulão indo para a frente do palco (suas partes foram executadas pelo seu roadie) e a galera invadindo o palco. Apoteótico!

Uma noite perfeita e que somente uma frase pode encerrar esta resenha: " O Rock And Roll precisa (e muito) de vocês"!

25 de julho de 2011

DIAFANES: CORAGEM E OUSADIA

Por João Messias THE ROCKER
 

Diafanes
Foto: Katia Bucci

O Diáfanes é uma banda que possui 09 anos de vida, e possui dois álbuns, See Through e Obviously Clear, e lançou nesta semana lançou o EP Ennea , e possui um som que mescla diversas tendências musicais, que vai do Progressivo dos 70 ao Alternativo dos 90, World Music, além de flertes com a música Oriental e o Pop.
 
Taí algo que eu detesto escrever, mas se mostra necessário, que foi muito triste ver poucas pessoas nesta apresentação, ainda mais pela mesma ter sido gratuita e justamente na semana de aniversário do Rock!


E devido a ausência de público, o show em muitos momentos soou como um ensaio fechado, pois em muitos momentos o som ecoava muito, e pela ausência de "calor humano" muitos momentos parecia que estávamos em um espetáculo de música clássica, pois quem está acostumado a frequentar shows de rock, sabe que há muita interação entre banda e público, e não apenas palmas ao final das músicas.

Lorena Hollander e Ciro Visconti
Foto: Katia Bucci
E nesta apresentação além do EP, apresentou a nova formação, com o novo baterista , e duas backing vocals, iniciou a apresentação com um ritmo denso e hipnótico com muitas passagens não usuais no Rock/Metal, com riffs interessantes, importados dos anos 70, cortesia do guitarrista Ciro Visconti. O baixista Leandro de Cesar, merece uma citação, pois possui um estilo diferente dos baixistas de Rock, soando bem jazzistico em muitos momentos. A tônica da apresentação foram músicas pesadas, repletas de climas e diferentes sonoridades, baseadas em seus três trabalhos.


Durante a apresentação, o sexteto fugiu do padrão guitarra, baixo, bateria, pois em muitos momentos, a banda usou castanholas, Koto (instrumento tradicional do Japão), executados pela vocalista/guitarrista Lorena Hollander, Theremim (executado por Ciro Visconti). E apesar da sonoridade complexa, a banda faz tudo de forma muito bem feita, mostrando que ser um nome que pode ser visto com outros olhos, princiapalmente por aqueles que acham que não temos bandas criativas na nossa cena!


E o melhor ficou para o final, onde a banda mandou um som pesadíssimo, como guitarras a lá Tony Iommi, que teve a vocalista mostrando mais uma vez seus múltiplos talentos, ora tocando snujs, depois mostrando seus dotes de dançarina, dançando com véu e espada, que encerraram este, que foi um dos melhores shows que assisti neste ano!


Diafanes
Foto: Katia Bucci
Além de ousada musicalmente, mostrou que está a frente de muitos, pois após a apresentação, além de CD'S e camisetas, estavam disponibilizando gratuitamente o novo EP para quem havia trazido pen drives e mídias, além de todos serem muito solícitos, tirando fotos e conversando com o pessoal!


Como disse há algumas linhas lá em cima, foi muito triste assistir a mais um grande show com pouco público...e depois as pessoas reclamam que não temos eventos destinados a música e cultura na cidade. Mas de qualquer forma, preciso ir a futuros concertos da banda.
www.diafanes.com.br

7 de julho de 2011

MAIS ENTREVISTAS ESPECIAIS...

Dando continuidade ao mês comemorativo, seguem mais duas entrevistas!
Com vocês: Fernanda Duarte (Rock Post) e Edu Lawless (Rock Express):


Fernanda Duarte
Foto: Divulgação
Fernanda Duarte  - Editora Revista Rock Post

"Na verdade a revista foi idealizada quando sentimos que bandas underground têm um espaço mais restrito na mídia. E também foi uma forma de reviver as revistas que existiam antigamente e que traziam biografias simples e bacanas, com fotos e tudo mais. Isso é o que chama atenção do nosso público."

New Horizons Zine: Como você conheceu o Rock/Metal e quando percebeu que o som não era apenas uma distração e sim algo que te acompanharia dia a dia?
Fernanda Duarte: Bem, eu conheci muitas bandas de rock e metal ainda quando criança, minha irmã sempre gostou e eu acabava ouvindo por tabela. Sempre curti muito U2, Guns, Skid Row, Bon Jovi, Metallica entre outras. Mas foi na adolescência que conheci Helloween e comecei a ouvir mais bandas de metal. Quando entrei na banda Status eu tinha 18 anos, ai foi quando o metal deixou de ser apenas gosto e se tornou parte de minha vida.

NHZ: Quando e por que surgiu a vontade de criar um veículo para divulgar o estilo?
Fernanda: A Rock Post foi idealizada pelo Douglas e, juntamente com ele, eu abracei a ideia. No inicio nem seria uma revista para download, apenas mandaríamos por e-mail, mas logo de cara vimos que deixar a revista à disposição de todos no site seria a forma mais viável de distribuí-la gratuitamente. Na verdade a revista foi idealizada quando sentimos que bandas underground têm um espaço mais restrito na mídia. E também foi uma forma de reviver as revistas que existiam antigamente e que traziam biografias simples e bacanas, com fotos e tudo mais. Isso é o que chama atenção do nosso público. Infelizmente entendemos depois de um tempo que a galera gosta de reviver épocas de grandes bandas e com isso colocamos as novas juntas, na mesma edição, para que haja esta ligação do antigo com o novo.

NHZ: Para encerrar, cite cinco álbuns do estilo que mudaram sua vida!
Fernanda:

Helloween – Keeper of the Seven Keys Part 1

Helloween - Keeper of the Seven Keys Part 2

Metallica – Black Album

The Cranberries – No Need to Argue

Por último eu colocaria clássicos indispensáveis para se ouvir sempre, como uma seleção de Iron Maiden, Kiss, The Cult, Mr. Big, até Alanis Morissette (uma mistureba mesmo...risos)!

Edu Lawlwess
Foto: Divulgação
Edu Lawless - Editor dos Blogs:
Tudo Sobre Qualquer Coisa: http://tsqc.wordpress.com/
"Aprendi inglês sem nunca ter ido a uma escola de idiomas, apenas traduzindo musicas. Praticamente meus professores eram Paul Stanley, Gene Simmons, David Coverdale, Blackie Lawless, Dave Lee Roth."

New Horizons Zine: Como você conheceu o Rock/Metal e quando percebeu que o som não era apenas uma distração e sim algo que te acompanharia dia a dia?
Edu Lawless: Em 1983, quando eu estava completando 11 anos de idade o KISS veio ao Brasil pela primeira vez. Naquela época para mim o mundo era silencioso, eu nem sabia ou tinha noção que existia música até que uma revista dos mascarados do KISS me chamou a atenção numa banca de jornal. No meu aniversário daquele ano ganhei meus 4 primeiros discos do KISS e nunca mais parei de gostar de Rock. Aprendi inglês sem nunca ter ido a uma escola de inglês, apenas traduzindo musicas. Praticamente meus professores eram Paul Stanley, Gene Simmons, David Coverdale, Blackie Lawless, Dave Lee Roth...
Tem um texto muito legal que escrevi sobre essa época de 1983 sobre o Rock como um documento histórico de nossa sociedade tupiniquim (http://tsqc.wordpress.com/2009/06/24/o-rock-como-documento-historico/)



NHZ: Quando e por que surgiu a vontade de criar um veículo para divulgar o estilo?
Edu: Acho que o principal estilo que está no meu sangue é o Hard Rock dos anos 80. Mas por um tempo essas bandas foram simplesmente sumindo. Poucos novos trabalhos, poucas novidades. Com o surgimento do MySpace (quando o MySpace era muito mais legal e interativo) eu comecei a caçar e achar muitas bandas legais que eram trabalhos paralelos de alguns dissidentes das antigas bandas de hard (como o Freekshow e Naked Beggars de integrantes do Cinderella, por exemplo) e essas bandas acabavam linkadas com outras boas bandas. Então a idéia foi começar a mostrar essas bandas para o Brasil. Outro gênero que gosto muito de divulgar são bandas de Rock Feminina, pois curto muito do estilo.

NHZ: Para encerrar, cite cinco álbuns do estilo que mudaram sua vida!
Edu: Poderia usar o jargão da Dove “Depois que eu conheci o ROCK minha vida nunca mais foi a mesma”! Difícil pensar cinco álbuns... acho que esse ranking esta sempre em mutação a cada momento diferente da vida, mas vamos lá:

1) Alive II – KISS: Para mim o KISS – a banda preferida – tem dezenas de álbuns que fazem parte da minha vida, mas o ALIVE II foi um dos primeiros que meu primo me emprestou e que não saia da vitrola, a música e o som da galera de fundo gritando e cantando sinceramente tem a mistura perfeita de um álbum ao vivo... sempre ficava me imaginando no meio daquela galera.

2) The Crimson Idol – WASP: Conceitualmente o álbum mais fantástico que já ouvi. As letras mexem comigo e o álbum é um Metal Progressivo que te leva numa espécie de montanha russa. “The Great Misconception of Me” me arrepia sempre e nunca consigo ouvi-la apenas uma vez só.

3)  Vixen – Vixen: Quando vi o clip dessas minas no extinto Clip Trip alucinei de tão gatas que elas eram. E eles sorteavam todo dia o Disco delas e eu ficava ligando direto para tentar ganhar. Nem preciso dizer que nunca ganhei, mas fui comprar na loja e depois que ouvi achei fantástico e desde então me apaixonei pelo bandas de garotas no Rock.

4) Long Cold Winter – Cinderella: Essa é uma banda que gosto muito e esse álbum especificamente é ótimo do começo ao fim. ‘Don’t know what you got’ está no meu top 5 sempre.

5) Slippery When WetBon Jovi: Hoje para mim BJ já era. Acho que praticamente morreu depois do ‘These Days’. Mas o começo da banda foi fenomenal. Os 4 primeiros álbuns são animais. Nessa época BJ foi uma fase muito forte da minha vida, por isso esse álbum!


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