28 de setembro de 2012

SCREAMS OF HATE: "NÃO NOS PREOCUPAMOS COM RÓTULOS"

Por João Messias THE ROCKER

Ás vezes é necessário parar e recomeçar.

Depois de um período inativa, a banda paulista Screams of Hate retorna para escrever um novo rumo na carreira. 

Com a formação contando atualmente com Clayton Bartalo (Vocal), Thiago e Alê Bovo (Guitarra), Vicente (Baixo) e Marcelo (Bateria), lançaram recentemente o EP Corrupted, mesclando Death/Thrash   e  groove, fazendo deste um dos lançamentos mais interessantes do ano.

Nesta entrevista, a banda conta dos próximos passos e da felicidade do atual momento!

Confiram!


Screams of Hate
Foto: Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: A banda passou por um hiato de 3 anos. Quais foram os fatores que os motivaram a voltar?
Vicente: A determinação do Alê Bovo (guitar) foi essencial para esse retorno, com a saída do Butcha e do Gari, membros originais do Screams.

Era difícil pensar em achar alguém a altura para ingressar na banda. Quando o Alê nos apresentou o Clayton e o Thiago, ficou claro que o time estava fechado. 

A empolgação e profissionalismo dos caras nos contagiou, e o resultado ta aí para todos ouvirem.

NHZ: Nessa nova saga, vocês estão contando com novos integrantes. Como foi buscar por novas pessoas e se estão satisfeitos com a atual formação?
Vicente: Desde o inicio, a banda passou por diversas formações e isso contribuiu para o amadurecimento de nossa sonoridade.  

Com a formação atual estamos em um momento interessante: mais alinhados e focados. Isso fortalece tanto nossa amizade quanto nosso entrosamento!

O Clayton e o Thiago estavam em um projeto de tocarem covers de bandas Thrash e Death Metal mas nao vingou, e um dos ex-membros era amigo comum do Screams (Marccos Fuzaro / Electric Eye) e indicou os caras.

NHZ: Nestes 10 anos de banda, quais foram as melhores e piores experiências?
Vicente: Eu estou na banda desde 2006 e foram muitos bons momentos tocando ao lado de bandas de destaque da cena Metal e Hardcore por São Paulo e Interior.

O lado ruim é sentir a desunião no Underground, pois juntos poderíamos conseguir condições melhores pra tocar. 

Muita gente lucra as custas das bandas independentes e isso é algo que gostaria que mudasse.

Capa do EP Corrupted
Divulgação
NHZ: O fruto desse retorno é o EP Corrupted, que embora se caracterize como um trabalho de Death Metal passeia por diversos estilos musicais, como o Thrash e o Groove. Como foi o desenvolvimento da sonoridade e quais os cuidados para que a mistura não fique descosturada?
Clayton: A mistura de estilos musicais esteve sempre presente no DNA da banda. 

Priorizamos tocar “Metal" e não nos importamos com rotulos e sim com a musicalidade da banda, incluindo nossas referencias nesse EP reestruturando musicas antigas e colocando nossa atual identidade. 

NHZ: Vamos falar sobre as canções do trabalho. A faixa Revanche, que por ser cantada em português, realça mais a proposta da banda. Vocês pensam em produzir mais canções no idioma pátrio?
Clayton: Curtimos bastante o resultado da Revanche em português e nos shows fica foda! Mas no momento focaremos nossas composições na Língua Inglesa e faremos uma versão da Revanche em Inglês, que sera trabalhada no novo CD da banda.

NHZ: A banda disponibilizou o EP para download gratuito no site da banda. Como estão os acessos e as resenhas ao novo trabalho?
Clayton: A receptividade do pessoal esta nos surpreendendo de verdade, principalmente no exterior atraves de nossas redes sociais. 

Nossa pretensao com o EP era somente voltar a cena. Ganharmos entrosamento e realizaremos alguns shows até o lancamento de nosso CD em 2013.

A cobranca da galera pelo Full-Length está motivando muito a gente.

NHZ: Ao mesmo tempo, vocês lançaram cópias físicas do EP. Mesmo com esses tempos de pirataria, o que os motivaram a lançar nesse formato?
Clayton (vocal): Precisavamos de um material fisico que desse apoio em nossa divulgação. 

Muita gente corre atrás de CD/EP. Comercializamos esse material nos shows e pela internet.

Screams of Hate
Foto: Divulgação
NHZ: Falando em pirataria, até quando elas afetaram as bandas independentes?
Clayton: Nessa fase da banda todo tipo de divulgação ajuda. 

Somos 100% independentes e não vejo que a Pirataria interfira diretamente, ate pela cultura atual de Download de musicas de forma gratuita. 

Mesmo assim, as bandas buscaram outras formas de captar grana (venda camisetas, shows, etc), se adequando ao mercado.

NHZ: Nessa vou citar algumas bandas e queria a opinião de vocês sobre elas: Kreator, Death, Meshuggah e Machine Head.
Screams of Hate:
Kreator: Crescemos escutando Kreator e seu Thrash inconfundivel, pela voz do Petrozza e pela técnica da banda. Referência de todos, cada um com uma fase preferida.

Death: Grande influência musical do Thiago e Clayton, pioneiros no estilo e que faz muita falta na cena atual, seria legal ver a evolução que o Chuck daria apos o album The Sound Of Perseverance.

Meshuggah: Referencia do Alê Bovo! Arriscam com novos elementos em seus discos, riffs pesadissimos e sonoridade impar que caracterizam a banda. Curtimos tambem.

Machine Head: Uma unanimidade na banda!
Todos curtem muito o trampo dos caras, que aliam peso, cadência e técnica na medida certa!

NHZ: Amigos! Muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine!
Screams Of Hate: Agradecemos a oportunidade João e NHZ! Esperamos que os leitores curtam o nosso EP Corrupted em nossas redes sociais para apoiar o Metal Nacional! 

Estamos em processo de composicao do novo CD e temos certeza que mostraremos o mais Brutal Metal Made in Brazil para vocês em 2013.

Keep rocking & Stay Heavy galera! 

17 de setembro de 2012

TIER: MODERNO E JOVIAL

Single mescla o Hard/Heavy de forma pesada e inteligente

Por João Messias THE ROCKER

Tier
Foto: Divulgação
Quantas bandas você conhece que tem o Metallica dos primeiros quatro discos como influência? Muitas!

E da fase Load/Reload? Poucas? Nenhuma?

Acabei de encontrar uma que tem tudo, mas tudo mesmo para ser um dos grandes do cenário do Rock, inclusive do mainstream, se tiver as merecidas chances.

Formado no ano passado por Ber (Vocal), Diego Gomes e Wolfe (Guitarras), Ton Gomes (Baixo) e Leandro (Bateria), os caras mesclam a influência já citada do Metallica com Hard e Heavy, com riffs pesados e pegajosos e vocais que grudam. Tudo recheado de peso. 

Das quatro faixas, destaque para Sem Saída, cujo vídeo conta com a participação da modelo Andressa Urach. 

As outras músicas Enfrente e Volta ao Jogo são cheias de punch e contam com bem arranjos bem sacados de bateria. 

Apenas a balada Te Encontrar destoa um pouco, não por ser ruim, mas por não estar no mesmo nível das anteriores. 

Outra influência percebida no som do quinteto são os gaúchos do Rosa Tattoada.

Gostou? O que está esperando para conferir?

14 de setembro de 2012

BASTARDOS: “ISSO QUE A GENTE VÊ POR AI NÃO É ROCK AND ROLL”

Quarteto retorna após pausa nas atividades.

Por João Messias THE ROCKER

Bastardos - Divulgação
Fundada em 2004, a banda de Punk Rock Bastardos passou por um hiato e recentemente retornou as atividades.

Com três trabalhos na praça: Punk Rock, Cerveja e Diversão; Agora Basta e Los Mariachis Ao Vivo, o quarteto formado hoje por Daniel (Guitarra/Voz), Ale (Guitarra), Willi The Billy (Baixo) e Santos (D), possui um ar mais alegre e menos sisudo que seus colegas de estilo dos anos 80.

E os membros Daniel e Willi concederam uma entrevista ao NEW HORIZONS para contar da volta da banda, comentar o atual momento da cena e muito mais.

Confiram!

NEW HORIZONS ZINE: Olá! A banda foi fundada em 2004 e passou por um hiato e retomaram as atividades no ano passado. O que os motivaram a voltar?
Daniel: O que mais me motivou foi ver como esta a cena hoje em dia, com muita frescura e pouco som, isso que a gente vê por ai não é Rock and Roll !

Willi The Billy: Reforçando o que o Daniel disse, estamos voltando por que cansamos de ver as bandas de hoje, a cena musical está precisando de um empurrando, nossa missão é revolucionar novamente o Rock And Roll Nacional.

NHZ: Recentemente vocês fizeram um show de retorno. Como foi a apresentação?
Daniel: Foi demais, muito bom tocar depois de algum tempo parado e ver que a gente ainda esta em forma.

Willi: Sentir o publico novamente, com uma nova formação, cara, foi sensacional.

NHZ: Vocês tocam um Punk Rock, estilo que é muito mal visto pelas pessoas que o associam a violência e que não é feito por bons instrumentistas. Mas, o estilo tem como base o ritmo e a coesão dos músicos. Como representantes desse tipo de som, o que tem a dizer para quem pensa assim?
Daniel: Tem algumas pessoas ainda que insistem nessa idéia, mas a grande maioria já vê diferente, violência esta presente em qualquer lugar, não é uma exclusividade do Punk Rock, e posso te dizer, show de outros estilos apoiados pela mídia são muito piores vai em um pagode e pisa no pé de alguém pra ver o que acontece...

Willi: A mídia empobreceu demais o Rock, não somos nenhum Mozart, mas passamos muito bem dos 3 acordes!

NHZ: E nesse tempo, vocês lançaram três registros: as demos Punk Rock, Cerveja e Diversão; Agora Basta e Los Mariachis Ao Vivo. O que acham desses trabalhos hoje?
Daniel: Sim, eu gosto bastante, são a base do som dos Bastardos. A (demo) Punk Rock Cerveja e Diversão na minha opinião é a melhor, as musicas dele são as que eu mais gosto do nosso trabalho.

Willi: São nossas raízes, simplicidade, “macheza” e bom gosto...
... São os pilares que nos mantem para o futuro. De todos os álbuns eu carrego uma lembrança, pois mesmo quando ainda não era da banda, já era amigo dos caras, e de certo modo ajudei na construção deles.

Bastardos - Divulgação
NHZ: Vocês são da região do ABC paulista, que já foi referência do Underground nos anos 80, passou por algumas baixas e hoje está retomando o seu merecido lugar com casas de shows, eventos de qualidade. Isso na visão dos que não possuem banda como eu, e para vocês, como está a cena para as bandas?
Daniel – Realmente, nos anos 80 o ABC era referencia!  Bandas como Garotos Podres, Grinders quebravam tudo por aqui! Mas a cena deu uma caída devido a panelas e grupinhos que dominaram e acabaram com tudo, e hoje a cena esta se fortalecendo de novo.
Tem muita banda legal por aqui a fim de mostrar trabalho e está aparecendo cada vez mais bares e casas boas com uma estrutura legal.  Coisa que antes era mais difícil, só com união isso vai mudar.

Willi: O mundo está passando por mudanças, hoje vemos mais oportunidades que anos atrás, para nos mesmos que não somos dos anos 80. A diversidade está boa de certo modo. Voltamos agora em 2012 e estamos tendo muitas e boas oportunidades de divulgar nosso trabalho.

NHZ: A banda já está trabalhando em material inédito? O que podemos esperar das músicas novas quanto ao direcionamento musical?
Daniel: Sim!  Já temos muita coisa escrita e agora passando os shows que estão marcados, vamos nos dedicar a elas. O som vai ser bem a cara da banda: simples e direto.  Punk rock com pitadas de Surf Music, sem frescuras.  

Willi: Sim, estamos trabalhando em novidades, aproveitando os novos integrantes, para dar um charme novo a banda. Em breve teremos novidades.

NHZ: Infelizmente, o ato de fazer algo voltado ao Rock, seja com uma banda, ou montando um fanzine está deixando de ser algo voltado prazeroso, fazendo para ganhar dinheiro ou direcionado por modismos. O que pensam desse suposto “profissionalismo” de hoje?
Daniel: Esse “profissionalismo” é o que me estressa e foi um dos grandes motivos pra voltar com a banda. Hoje o cara monta banda pra pegar as menininhas e ganhar uma grana. Eu sempre toquei, sempre fiz musica por amor, pra falar o que eu penso, se vão gostar ou não é conseqüência, mas tudo é verdadeiro e não é motivado por modinhas e dinheiro.

Willi The Billy: O Bastardos passa longe de modinhas, fazemos o que gostamos e divulgamos para quem gostar, não mudamos nossa cara ou rótulo para aguardar ninguém .

NHZ: Para encerrar, vou citar algumas bandas clássicas de Punk Rock e queria a opinião de vocês a elas:
Ramones

Daniel: Uma das minhas 3 bandas favoritas! Não sei o que seria do Rock n Roll sem a simplicidade deles !!!

Willi The Billy: Simplicidade que já inspirou muitos de nossos trabalhos.

The Clash

Daniel - Outra grande banda! Das inglesas é a minha favorita! Cresci ouvindo Clash... faz parte da minha vida!

Willi The Billy – Conseguiu manter as raízes, e se manter por décadas em uma época difícil. Serve de inspiração em tudo o que se refere a música.

Misfits

Daniel: Mais uma das 3. Não tenho nem palavras (risos)! Sou viciado em Misfits e a banda  é uma das grandes influencias do Bastardos (risos)! Só pra constar: a outra das 3 é o Toy Dolls!

Willi: Para o Bastardos são ícones! Para ser sincero, já até fomos cover deles (em outros séculos - risos).

Blind Pigs

Daniel: Puta Banda! Grande referencia quando se fala em Punk nacional, Conformismo e Resistência foda!

Willi: O Daniel afirmou bem, uma grande referencia, às vezes não tão conhecidos por muitos, mas deixou sua marca!

Garotos Podres

Bastardos - Divulgação
Daniel: Se tratando de Punk Nacional, ao lado dos Inocentes é sem duvida nenhuma minha banda preferida eu cresci ouvindo Anarquia, Papai Noel, Eu não gosto do governo, Subúrbio Operário, Garoto Podre.... foda !!!

Willi The Billy: Os caras são vizinhos nossos, fazem o que gostam, levaram a vida sempre assim. Parece uma banda que conheço!?
Viva o Garotos!

NHZ: Obrigado pela entrevista! O espaço é de vocês!
Daniel - Eu gostaria muito de aproveitar esse espaço e agradecer demais o pessoal que esta cada vez, mas comparecendo nos shows e cada vez mais apoiando e curtindo nosso trabalho.

Apóiem sempre, não só a gente, mas todas as bandas verdadeiras, só com o apoio de vocês vamos levantar a cena de novo e acabar com essa frescura que a gente vê hoje por ai... Tem muita banda legal a fim de mostrar o trabalho então apóiem, e claro agradecer você João pelo espaço, e pela força!
Valeu!!!

Willi: Gostaria de agradecer ao João Messias, pela oportunidade, estamos felizes de retornar e ter um espaço bacana para conceder uma entrevista!

A todos que curtem ou que um dia curtirão o BASTARDOS, saibam que estaremos aqui e até o fim vamos lutar para mudar a cara do Rock Nacional!

Obrigado!



6 de setembro de 2012

PANZER: DERRUBANDO TUDO

Novo single aponta banda indo para uma direção mais extrema.

Por João Messias THE ROCKER

Capa do single Rising
Divulgação
Depois de um hiato de quase uma década, um dos grandes nomes do Thrash nacional retoma as atividades. E com força, mas muita força!

Contando com os membros originais Edson Graseffi (Bateria) e André Pars (Guitarra), chegam para essa nova fase o vocalista Rafael Moreira e  o baixista Rafael DM.

O primeiro fruto da volta é o single Rising, que apesar da Thrashera habitual, aparece renovada, com muito mais peso, lembrando nomes como Fear Factory e Napalm Death. 

Todos os instrumentistas são feras, mas o maior destaque é Rafael Moreira, que com seus urros e berros assusta muita gente!

Com certeza o novo álbum colocará os caras de volta no topo do Thrash nacional! E enquanto isso não chega, curtam esse som que está disponível para download no site dos caras!

31 de agosto de 2012

ROSA DE SARON: TRILHANDO NOVOS CAMINHOS

Grupo de rock católico busca novas sonoridades com mais recente trabalho, O Agora e o Eterno

Por João Messias THE ROCKER

Capa do CD O Agora e o Eterno
Divulgação
Desde a sua fundação no final dos anos 80, o Rosa de Saron sempre primou por tocar música pesada, independente de rótulos e estilos. A banda iniciou a carreira fazendo Heavy Metal e após períodos turbolentos e experimentar novas texturas, se consolidou fazendo um Pop/rock que mescla baladas e temas pesados.

O novo trabalho, chamado O Agora e o Eterno mesmo tendo canções no estilo tradicional da banda como Casino Boulevard, Autor Desconhecido, Acenda a Luz e Distante do que Sou, aponta para outras direções.

É o caso de Ninguém Mais, dona de uma melodia “sertaneja”, tem tudo para ser um dos carros chefes do CD. Outra é a divertida Máquina do Tempo, que lembra Mulher de Fases (Raimundos). Além dessas duas músicas, nota-se um disco mais pesado e menos introspectivo que o anterior, Horizonte Distante, com uma grande atuação do vocalista Guilherme de Sá.

O cantor também assumiu a produção e pode ser considerado um dos responsáveis pelo sucesso conquistado pelo quarteto. Assim, só resta dizer que O Agora e o Eterno figura entre os melhores álbuns da banda e vai figurar na lista de melhores do ano de muitas pessoas, sejam fãs ou não.

23 de agosto de 2012

SÃO BERNARDO COMEMORA ANIVERSÁRIO COM MUITO METAL

Apresentação de grupos fez parte da comemoração do aniversário do município

Texto e fotos: João Messias THE ROCKER

São Bernardo do Campo comemorou 459 anos no dia 20, e nada melhor do que presentear o público com apresentações de arte e cultura. Para evidenciar a data, proporcionou três dias de música: um dia para o Rock, outro para o Rap e o encerramento com samba/pagode.

Cranial Crusher
E como o papo aqui gira em torno do rock, vamos falar apenas do dia que foi destinado ao estilo (18/08). Depois de chegar em cima da hora e quase tomar um tombo homérico, num Paço Municipal quase vazio, o Dr. Rock deu a benção inicial para a  maratona de 10 horas de música, que fez a felicidade de muitos rockers.

A primeira banda foi o Cranial Crusher, trio formado por uma rapaziada bem jovem, que apresentou um repertório baseado no Thrash/Hardcore com alguma coisa de Punk Rock. Usando e abusando de riffs “navalha”, mesclou sons em inglês e português, com destaque para as músicas A Queda, My Lai e a versão para Sofrer (R.D.P).

Chaos Inc
A próxima banda seria o Murder, mas a mesma cancelou a apresentação dias antes por ter encerrado às atividades. A mesma foi substituída pelo Chaos Inc, que estava lançando seu novo trabalho, o EP Death Train. 

Mesmo com baixista e vocalista convidados, deixaram uma boa impressão, pois essa formação deixou o som mais para o Death Metal, praticamente repelindo toda a aura Black que havia antigamente. Vamos torcer para que logo arrumem membros definitivos para continuarem sua saga.

Chaoslace
Já o Chaoslace, pratica o chamado Death Metal tradicional e nessa apresentação, além de estrear o novo baixista, Giovanni Fregnanni, que aliado aos remanescentes Leandro Nunes (Guitarra/Vocal) e Diogo Rodrigues (Bateria) despejaram sons dos seus quatro EP’s e versões monstruosas para Necromancer e Troops of Doom (Sepultura). 
Ainda estava só começando!

Guillotine
Adeptos do som oitentista, o Guillotine pratica uma mescla de Heavy/Thrash/Death, que vale de ótimas harmonias de guitarras e vocais crus. 

O quarteto  lembra  muito as bandas que a Woodstock lançou nos anos 80 e esta apresentação ficou marcada, pois foi apartir daí que o público começou realmente a aparecer. Se depender do material novo que a banda apresentou, que aliada a capa "generosa", vem um dos melhores discos do ano de 2012.

Necromesis
Havia uma grande curiosidade para assistir a apresentação do Necromesis, pois devido a um problema na mão, o baixista/vocalista Victor Próspero ficou apenas nas vozes, tendo nas seis cordas (sim, isso mesmo), Gustavo Marabiza (ex-Sakramento), e a banda mostrou que isso não seria problema.
Com a “faca nos dentes”, o quarteto executou sons de seus dois trabalhos, mostrando muita segurança, peso e virtuosismo. A apresentação encerrou com Demonic Source. O Necromesis é uma das bandas nacionais que já fazem por merecer uma tour pela Europa!

Depois de um hiato de mais de uma década, o Depressed vem buscando recuperar o tempo perdido. 

Contando com Giovani Venttura (ex-Corpses Conductor e Violent) nos vocais, a banda conta hoje com novos asseclas e fazem uma mescla bem feita de bandas como Death, Slayer e Morbid Angel

Que venham novos trabalhos com a mesma força e fúria.



Woslom
Uma das melhores apresentações do dia foi a dos thrashers do Woslom.

Recém chegados de shows pela Europa, o quarteto mostrou o porquê de tamanho status, numa performance energética, com coesão e raiva, os caras mandaram as faixas do debut Time to Rise, com destaque para a faixa título e Mortal Effect. 

O mais legal é que embora sejam praticantes do “80’s Thrash”, não ficam presos ao estilo.

Spiritual Hate
O Spiritual Hate foi o representante do Death/Thrash/Black. Contando com músicos “banhados em sangue” no melhor estilo Belphegor e Naglfar. Apesar da qualidade, não conseguiu manter o mesmo nível das apresentações anteriores.

Mas o quarteto possui além do visual, um som forte, que pode conseguir vôos mais altos, principalmente por ter em suas formações antigos membros do Chaos Inc.

Seven7'h Seal
Com quase 20 anos de estrada, o Seven7’h Seal fez apresentou uma formação diferente dos últimos shows. 

Contando com  o retorno do baterista Roberto Moratti e a participação do guitarrista Affonso Jr no lugar de Thiago Oliveira (apenas neste show), além de Gustavo Marabiza no baixo, Leandro Caçoilo no vocal e Tiago Claro (Guitarra). 

O repertório mesclou sons dos dois primeiros trabalhos, covers inspirados de AC/DC, Black Sabbath e Judas Priest. Posso dizer que hoje a banda vive o seu melhor momento!

Negative Control
Após o show de Leandro Caçoilo e Cia, foi o momento Punk/Hardcore do evento, que contou com a apresentação do Negative Control, que após anos parado, retornou com a mesma força de antes, com os músicos mais aprimorados em seus instrumentos. 

O quarteto soube ganhar a galera, graças aos discursos inspirados da vocalista Claudia.



Ação Direta
O que dizer do Ação Direta? Tudo que eu dizer vai soar redundante...mas vamos lá. 

Prestes a lançar o novo trabalho, o quarteto liderado pelo vocalista Gepeto, mescla a fúria do HC com bem vindas influências de Thrash, mandou verdadeiras pedradas como 10 Por Cento, No Poder, Massacre Humano e o encerramento com Entre a Benção e o Caos.

Uma apresentação que deixou os fãs de HC e Metal extasiados!

Antes do show do Ação Direta, o Dr. Rock anuncia o pessoal da banda Executer, que veio de Amparo (interior do estado) ao evento divulgar sobre o Executer Fest, que ocorrerá em outubro, que além deles contará com o Andralls, Sangrena e o retorno do MX!

Forka
MMA Metal

Essa seria a melhor forma de descrever o som do quinteto Forka! Com músicos insandecidos que pulam e agitam o tempo todo, o quinteto mostra o quão agressivo pode ser o Thrash Metal. Com músicas de seus dois álbuns como Blasphemy e covers para Slave New World e Angel Of Death (ambas com Leandro Nunes do Chaoslace dividindo os vocais). 

Os caras ganharam o público de vez quando o vocalista Ronaldo Coelho mandou o público formar um Wall Of Death. E foi prontamente correspondido!

Coube ao Necromancia encerrar o festival. 

Necromancia
O trio formado por Marcelo “Índio” D’Castro, Roberto Fornero e Kiko D’Castro mandou composições de toda a sua carreira, com destaque para Action/Reaction, Check Mate, No Way Out (música de maior sucesso da banda), Cold Wish, Death Lust, Overkill (Motorhead) e o encerramento com Greed Up to Kill. Mais uma vez mostraram que é um acaso não terem alcançado o mesmo patamar de nomes como Korzus e Sepultura, pois “Thashicamente” eles não devem nada a elas e nem a ninguém.

Com o fim dessa apresentação, terminou o sábado metálico em SBC, numa noite que não rolou treta (um princípio que logo foi interrompido), todos curtiram na boa e que o público compareceu em peso.

Não dá para não deixar de agradecer a Prefeitura do município pela estrutura para as bandas, ambulâncias, banheiros, enfim, tudo que um evento merece ter. Espero que esses shows continuem, o que continuara fazendo a alegria de muitos bangers.

15 de agosto de 2012

KROW: BRUTALIDADE REFINADA


Novo trabalho dos mineiros aposta em temática sofisticada e som mais refinado

Por João Messias THE ROCKER

O quarteto mineiro Krow, formado por Guilherme Miranda (G/V), Lucas The Carcass (G), Humberto Costa (B) e Jhoka Ribeiro (D) apostou numa temática não usual para o seu novo trabalho: a escravidão.

E com esse conceito fizeram o seu melhor trabalho até o momento. Traces of The Trade marca o amadurecimento do Death/Black pelo quarteto, que também pensou na arte gráfica, que é uma das melhores lançadas nos últimos tempos.

Em entrevista, a banda comentou sobre a concepção do trabalho, músicas e sobre a participação de Álvaro Lillo (Watain/Undercroft).

Confiram:

KroW
Foto: Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Antes de falar do novo trabalho, conte-nos da repercussão do giro que fizeram pela Europa promovendo o debut Before The Ashes e do show que fizeram no Chile com o Dimmu Borgir no Chile.
KroW: O Before the Ashes foi o nosso primeiro full, o cartão de visitas, é o que fez a banda existir de fato e abriu portas para que fizéssemos vários shows de maior porte. O disco repercutiu bem fora do país, tivemos boas resenhas. Fazer turnês sempre agrega muita coisa à banda e não foi diferente conosco. Já o show no Chile rolou no lançamento de Traces of the Trade e foi uma experiência fantástica, vivenciamos uma parada muito foda, show lotado, pessoal gritando o nome da banda, pedindo autógrafo, etc. É algo que não normalmente não se espera tocando Death Metal ...

NHZ: Para angariar recursos para a gravação e materialização de Traces of The Trade voes foram atrás do financiamento do ministério da cultura. Como foi esse processo e se enfrentaram algum preconceito para a aquisição deste benefício?
KroW: Esse programa é uma lei, que é a “Lei Municipal de Incentivo à Cultura”. Entramos em um edital público, nos inscrevemos e cumprimos todos os processos burocráticos necessários. Dessa forma fomos contemplados. Não sofremos nenhum tipo de preconceito, pois tivemos uma postura profissional durante todo o tempo. Por mais que ainda tenha uma resistência grande ao metal extremo, atualmente eu não vejo tanto preconceito com bandas pesadas como já foi em outros tempos, apesar de que ainda existe bastante, mas vejo as coisas de maneira mais otimista hoje em dia.

NHZ: E falando no processo do álbum, que tem como tema a escravidão. O que os motivaram a escrever  e se consideram o assunto atual nos dias de hoje?
KroW: Se pensarmos no quanto o processo de acumulação capitalista, principalmente  a partir da década de 70, se baseia no endividamento da população, esse assunto é mais do que atual, fora a escravidão que ocorre de fato ainda em algumas regiões do país. O que realmente nos motivou a escrever sobre isso, foi o fato de buscarmos uma identidade para a banda, de acordo com tudo o que vivemos em nossa região, ao analisarmos a influência da formação de nossa sociedade através desse prisma do escravismo, migração de populações e de toda a violência praticada por essas terras.     
        
NHZ: O trabalho foi gravado em Goiás, no Rock Lab, com Luiz Maldonalle. Por que gravarem em outro estado ao invés de sua terra natal?
KroW: A escolha do estúdio se dá por alguns fatores. Dentre eles podemos destacar o fato de que temos uma grande afinidade não só musical, como pessoal com os produtores de Goiânia e diante da proposta musical do disco, chegamos à conclusão de que seria o estúdio o qual atenderia melhor aquilo que almejávamos.

Capa Traces of The Trade
Divulgação
NHZ: Não poderia deixar de comentar do álbum físico, que vêm num digipack caprichado e com um dos melhores trabalhos gráficos dos últimos tempos, cuja arte da capa foi feita por Costin Chioreanu (Twilight 13 Media). Como chegaram até ele e como foi passar este conceito para ele “materializá-lo”?
KroW: O Costin já é um amigo, ficamos muito próximos já que ele é o designer da Axa Valaha que é nosso selo e agência na Europa. A gente trocou muita idéia e material desde a tour do Before the Ashes, e o Costin entrou muito no clima, na proposta e na atmosfera do disco. Até que ele veio com essa arte, que na verdade é um quadro enorme pintado à mão, tínhamos esse lance na mente e quando ele chegou com isso ficamos impressionados com o resultado. Tudo rolou naturalmente, trabalhamos em grupo e a coisa funcionou.

NHZ: Ainda falando do projeto gráfico, temos uma frase que podemos dizer que é uma espécie de Prefácio, que são palavras do Cientista Social Cristhian Adèwalé, onde faz uma associação do tema á cidade da banda, Uberlândia. Esse texto foi feito exclusivamente para o disco ou fora extraído de algum livro?
KroW: Sim, esse texto foi feito exclusivamente para o disco. O Cristhian é um dos maiores cientistas sociais que eu conheço e ele sempre se interessou pelo trabalho do KROW. Somos amigos, e já trabalhamos juntos. As ideias foram fluindo e achei que ninguém melhor do que ele para escrever um prefácio para o álbum. Além do mais ele escreve muito bem e participou de todo o processo, discutimos as letras, mostrei pra ele todas as músicas ainda em fase de pré-produção, e assim ele ficou a par de tudo e escreveu esse prefácio pra gente. Na verdade ficou bem maior do que isso, mas tivemos que adequar à arte,  tamanho da embalagem e por aí vai.

NHZ: Musicalmente o som de vocês está mais forte e ao mesmo tempo refinado, o que mostra o poder da atual formação. O que eles trouxeram de novo ao som do Krow?
KroW: Muita coisa rolou com a banda. Sinceramente a gente não estava satisfeito com algumas coisas, os maiores críticos do KroW somos nós mesmos. A nova formação, então, trouxe um novo gás e alinhamos a proposta musical de maneira intensa, a química está forte entre todos, as influências de cada um estão no disco, e somado a isso, a maturidade que adquirimos com o tempo. Nada melhor do que a estrada para somar à uma banda o que ela precisa para crescer.

NHZ: Um dos grandes destaques do disco é a faixa Retaliated, que conta com a participação de Álvaro Lillo (Watain), com vozes agonizantes, chegando a lembrar um escravo sendo castigado. Por que o escolheram para a participação e se já tinham essa linha de voz para a composição?
KroW: O Alvaro também é um grande amigo, já fizemos uma tour com a outra banda dele, o Undercroft. Estávamos afim de ter uma participação desse porte no disco, ainda mais de um cara tão próximo. Pouco tempo antes de entrar em estúdio acabamos por decidir que Retaliated seria a música. Enquanto estávamos gravando enviei o som pra ele, que retornou com toda essa linha vocal que agradou muito, mixamos e ficou assim. Essa é uma das minhas faixas preferidas nesse álbum.

NHZ: Outro destaque nesta faixa é o seu refrão que está num dialeto africano. Como chegaram nele e viram que era uma boa para o conceito do disco?
KroW: Esse refrão surgiu em uma dessas nossas conversas com o Cristhian, ele aplicou um livro muito interessante e eu e o Humberto entramos de cabeça nisso. De acordo com a letra da música, o Humberto selecionou algumas passagens e essa foi a que mais se encaixou. 

NHZ: Como a escravidão é um tema nacional, o que os gringos acharam do conteúdo lírico de Traces of The Trade?
KroW: Até agora a repercussão tem sido a melhor possível, as pessoas se interessam muito pela história do Brasil de maneira geral. E não somente a história brasileira, pois esse tema engloba todo o comércio transatlântico, realmente os comentários têm superado as expectativas.

NHZ: O primeiro trabalho foi lançado no exterior pelo selo Axa Valaha. Pretendem manter a parceria para lançar Traces na Europa?
KroW: Sim, com certeza, a parceria está mantida. A Axa esse ano ainda deve lançar alguns materiais da banda em outro formato e teremos outros selos que irão distribuir o disco e expandir o alcance de Traces of the Trade.

NHZ: Para encerrar, em alguns discos das bandas de Uberlândia, vejo a inscrição do Triângulo Satânico Mineiro. O que ele vem a ser?
KroW: O lance do Triângulo Satânico veio de muita zoeira e a coisa se concretizou. Direto a gente viajava junto, KroW, Uganga, Attero, Scourge, e por aí vai. E em todo lugar que a gente chegava rolava loucura demais, bebedeira, etc. Todas as bandas tinham um som muito porrada, até que se não me engano o Rodolfo da One Voice de Goiânia falou que galera do Triângulo era um lance Satânico, e citou esse nome. O Felipe CDC do DF falou num zine que aqui era o maléfico triângulo, e pegou, a gente zoava muito com isso, sempre foi bem massa. Existem vários nomes que identificam o som de bandas com uma região, e essa é a maneira que passamos a utilizar para dizer que o KroW é daqui.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores dessa publicação.
KroW: A gente é que agradece pelo espaço e gostaria de deixar aqui os links da banda para que os leitores possam acompanhar , entrar em contato e adquirir nosso material  – www.facebook.com/krowmetalzone (em like store tem todo o material da banda a venda) - TWITTER @krowmetalzone , esse ano ainda vamos fazer muitos shows e rodar bastante, espero ver vocês por aí! Hailz !!!

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