17 de outubro de 2009

INTERVIEW: MADRE

Grata surpresa este quarteto carioca!
Donos de um rock and roll energético com muitas influências dos anos 60 e 70 mesclados á nuances de outros estilos, mostram que estão no caminho certo, e que não será nenhuma surpresa se uma gravadora “major” acreditar no trabalho da banda!
Confiram entrevista feita com o baixista Rafael Monteiro e a vocalista Beatriz Teixeira!

NEW HORIZONS ZINE: Amigos, primeiramente saibam que é um grande desafio foi fazer esta entrevista, pois vocês são a primeira banda que entrevisto que toca um estilo diferente do que ouço atualmente, e para começar a nossa conversa, peço que apresente a banda e diga o por que do nome Madre.
Rafael Monteiro:
Bem, Vamos começar apresentando a banda.Temos na bateria Filipe Bonan, no baixo Rafael Monteiro, na guitarra Pedro Friedrich e no vocal Beatriz Teixeira. O nome Madre não tem um motivo em si, gostamos da sonoridade da palavra e se encaixou bem com a nossa idéia de simplicidade, é uma palavra curta e que remete à latinidade. Um outro ponto bacana do nome é que trabalhamos com um vocal feminino. Não escolhemos esse nome comercialmente nem conceitualmente.

NHZ: Ouvindo o CD demo de vocês, vi muitas qualidades, e achei até um desperdício de talento vocês estarem ainda no circuito independente, pois o rock and roll de vocês pode juntar na mesma roda bangers e e pessoas que curtem qualquer tipo de som, como foi chegar no resultados que ouvimos no disquinho?
Beatriz Teixeira:
Obrigada pelos elogios (risos).O resultado foi natural, as composições e letra são do Rafael e são ótimas e o arranjo é um trabalho em conjunto. Em todas as músicas pode-se encontrar o ponto forte da cada um de nós, as nossas influências pessoais, independentes das bandas em comum, como a preferência da Beatriz por um vocal mais blues, Pedro com a pitada progressiva, a brasilidade que o Rafael curte, e Filipe com sua pegada pesada.

NHZ: Ainda falando no som da banda, que é fortemente influenciado por bandas dos anos 60 e70, época em que somente os melhores gravavam, além de haver uma grande preocupação com o conjunto da obra, ou seja, as músicas, a produção, a capa, etc. Qual a opinião de vocês sobre a forma superficial das pessoas ouvirem música hoje?
Rafael:
Houve um desculturalização da música, não apenas no Brasil. As pessoas em massa não se preocupam em ouvir boas músicas, elas querem zoar, se divertir, de certa forma a música serve para isso, mas não apenas, ou não da forma como tem sido comercializado, com letras e melodias, arranjos e harmonias inexistentes. Acredito que com o tempo a própria sociedade mudará mais uma vez de conceito, o rock nem sempre foi visto como arte, estamos passando por mais uma transição cultural. O nosso trabalho continuará tendo o foco na qualidade sonora e visual, o que fazemos é arte e não comércio.

NHZ: E provando que vocês são preocupados com o todo, a capa do CD foi feita pelo baixista da banda, Rafael Monteiro, queria que ele nos contasse quais as inspirações para chegar na capa do trabalho.
Rafael:
A idéia de relacionar o nome Madre com o mito de que Rômulo e Remo teriam sido amamentados por uma loba veio do designer gráfico Marcos Alexandre, que cuidou do projeto gráfico do cd. Adorei a idéia, pois esse mito é muito rico em significados e causa um forte impacto visual, principalmente aos olhos mais conservadores.

NHZ: Comparando os tempos novamente, hoje temos muito mais formas de divulgar nossos trabalhos, seja através de sites, blogs, myspace, orkut, etc. O que vocês acham dessas parafernálias tecnológicas e se essas ferramentas são funcionais para a divulgação.
Rafael:
Nós achamos maravilhoso!! (risos) Divulgação nacional/ internacional e gratuita, facilita muito!! Com certeza tem beneficiado muitas bandas hoje em dia, no que prejudica de um lado, que é na comercialização dos cds e dvds, facilita com o acesso de qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo...

NHZ: Como eu já havia falado com o Bento Araújo(Poeira Zine) hoje temos um grande interesse no Classic Rock e levantando a bandeira temos grandes representantes como a banda PEDRA, a já citada Poeira Zine, e a revista Roadie Crew, que inclusive lançou uma edição especial, só com entrevistas “das antigas”, e aqui na minha cidade(Santo André) todos os meses tem a feira do vinil. Esse interesse é só passageiro ou vocês acham que veio para ficar?
Rafael:
Na verdade sempre existiu, ele tem aumentado por uma necessidade de muitos jovens que não querem consumir o que o mercado de massa comercializa. Esse interesse é como os de quem gosta de música clássica, blues, jazz, samba, choro, é um perfil de público e não modismo.
A indústria fonográfica está passando por fortes mudanças e por conta disso podemos ver uma reformulação de valores. Alguns músicos estão olhando para trás, revisando o que foi feito e retomando uma liberdade artística que havia se perdido pelo caminho.

NHZ: Como está a cena para shows aí no Rio de Janeiro?
Rafael:
Difícil, ainda mais por não ser uma banda da cidade do Rio. Local existe, o equipamento é o da banda, o nosso transporte não sai barato e fica complicado pagar para tocar, mas estamos sempre tentando.

NHZ: Essa é para a vocalista Beatriz Teixeira: como é a vida na estrada com três marmanjos?
Beatriz:
Por vezes complicada (risos). Eles não me ajudam com a roupa e nem com a maquiagem, normalmente quando me arrumo para os shows dizem que estou sempre linda, e nem passei o baton! (risos). Por outro lado, não ouço reclamações da unha quebrada ou do cabelo que está feio (risos), mas gosto de estar com eles, são divertidos e me apóiam muito! Eu cuido deles e eles cuidam de mim, como uma família.

NHZ: Nessa pergunta, citarei algumas bandas que de certa forma revolucionaram o rock ou nos fizeram voltar a ouvir nossos discos empoeirados e queria a opinião de vocês sobre elas: THE BLACK CROWES, BARÃO VERMELHO, THE STROKES, THE HELLACOPTERS e SECOS E MOLHADOS.
Rafael - The Black Crowes:
Grande banda dos anos 90.O mais legal é que continuam fazendo um ótimo trabalho ainda hoje. Warpaint (álbum mais recente dos caras) é lindo.
Barão Vermelho: Os trabalhos com o Cazuza são os que mais nos identificamos. Fizeram blues em português da melhor qualidade como “Down em Mim” e “Blues do Iniciante”.
The Strokes: Mais pose do que som (risos).
The Hellacopters: Vi o Hellacopters abrindo para o Deep Purple na turnê do Bananas. Achei que a banda manda muito bem ao vivo. Rock básico e divertido.
Secos e Molhados: Uma das Melhores bandas de todos os tempos. Som super original, letras maravilhosas e Ney é um cantor fantástico.

NHZ: Antes de encerrar, comente-nos sobre a aparição da banda em alguns programas de TV. O que eles trouxeram de divulgação para a banda e como surgiu a oportunidade.
Rafael:
Tocamos em programas de TV da região serrana do Rio e no dia 4 de maio no Atitude.com da TV Brasil, que passa em várias cidades. Os programas foram super positivos, projetaram a nossa imagem e idéias e isso também é importante para o público saber quem faz a música e o que pensa. As oportunidades surgiram com a banda correndo atrás mesmo, enviando material para as emissoras, divulgando cada vez mais.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine.
Rafael:
Foi um prazer responder à entrevista! E o mais importante é que o trabalho independente precisa e agradece muito a vocês! Paz, amor e muito rock’n’roll!!!
www.myspace.com/bandamadre

MADRE – IDEM
INDEPENDENTE – NAC


Ai se todo desafio fosse prazeroso como ouvir este EP deste quarteto carioca...o mundo seria mais fácil e gostoso de viver!
Quando digo desafio, se trata de um estilo que não estou muito habituado a ouvir, mas os caras ( e a mina) facilitaram a minha vida destilando um rock and roll que soa ao mesmo tempo vigoroso, dançante e viajante, devido as suas influências diversas de blues, MPB, rock nacional dos anos 80, classic rock, enfim, beberam nas melhores fontes!
A tarefa árdua aqui é destacar as faixas, mas ouvindo com calma e procurando usar a razão (como se fosse fácil) destaco o hit Infância Perdida, que conta com um show da vocalista Beatriz Teixeira, mas Encruzilhada nos faz sentir saudade dos anos 80, só que o trabalho todo vale a pena ser conhecido!
Cruzo os meus dedos no aguardo de um CD “cheio”, pois o quarteto já faz por merecê-lo!

ENTREVISTA E RESENHA: THE ROCKER
FOTO: DIVULGAÇÃO

Um comentário:

Anônimo disse...

Ah! finalmente eu encontrei o que eu estava procurando. Ás vezes é preciso muito esforço para encontrar ainda pequena peça de informação útil.