24 de fevereiro de 2014

DYNAHEAD: CONQUISTANDO UMA DAS CAPITAIS DO ROCK

Em sua primeira tour por São Paulo, quinteto brasiliense comove fãs com uma aula de música complexa, experimental e agressiva

Texto  e fotos: João Messias Jr.

Hoje eu nem vou comentar sobre a pífia presença de público nas apresentações do quinteto brasiliense Dynahead, realizadas nos dias 15 e 16 de março, em São Paulo e São Bernardo. Por problemas particulares, não pude ir ao show do Manifesto, então as linhas abaixo serão comentados fatos do espetáculo realizado no ABC paulista.

Dynahead
João Messias Jr.
Com uma década de estrada e atualmente formado por Caio Duarte (voz), Diogo Mafra (guitarra), Pablo Vilela (guitarra), Diego Teixeira (baixo) e Fred Colaço (bateria), lançou em 2013 seus mais ambiciosos trabalho, o conceitual Chordata, que dividido em duas partes, sendo que a segunda só está disponível em download no site da banda. 

Podemos dizer que desde seu debut Antigen, a banda buscou soluções não usuais para sua música e hoje chegou num status de que é impossível de rótulos, tendo ambiências e texturas variadas em suas canções, que tem tudo para agradar fãs de música experimental, progressiva e mesmo pop.

Além dos brasilienses, o evento contou com quatro grupos da região: Necromesis, Setfire, Octopus e Alucinator.

Alucinator
João Messias Jr.
Ás 17h e sem muito alarde, o Alucinator iniciou as apresentações. Formado por Matheus Miz  (voz), Henrique Edge  (guitarra) Felipe Oliveira (guitarra), Isac Alves (baixo) e  Kelvin Aguiar (bateria), todos bem novos, mandaram um thrash crú e agressivo. O show dos caras pode ser visto de duas formas: se por um lado há algumas coisas que devem ser melhoradas, é louvável ver a molecada enfiando as caras e comprando instrumentos e tocando metal, o que certamente é combustível para alimentar as futuras gerações. O set da banda teve como destaque as canções próprias como Killer For Fun e Enter in One Mosh, além de covers para Enter Sandman (Metallica) e Got the Time (Anthrax).

Octopus
João Messias Jr.
Oriunda do finado Murder, Thiago Wallkicker (vocal), Gabriel Piotto (guitarra), Daniel Marchi (guitarra), Mega (baixo e vocais de apoio) e Dam Guilhen (bacteria), que juntos formam o Octopus, que podemos dizer que buscam fazer algo diferente, baseando sua música em peso e psicodelia, como mostraram nas duas primeiras músicas do set, Hot Water Music e Suggestions. Até nos covers o quinteto foi feliz, com empolgantes versões para Killing Yourself to Live (Black Sabbath), Born to Raise Hell (Motorhead) e Johnny B. Goode (Chuck Berry). Mas o verdadeiro potencial do grupo está nas canções próprias, como Marooned e Dopamine, que farão parte do primeiro registro do grupo que está para sair. Para quem gosta de grupos como Down, o já citado Pink Floyd, Metallica pós Black Album e C.O.C. (fase Peeper Keenan), pode cair de cabeça na viagem dos caras.

Setfire
João Messias Jr.
Voltando ao thrash, o quinteto Setfire mostrou como é fazer um som agressivo, com muita gana e vontade. Retornando após um período de incertezas, Artur (voz), Klemer (guitarra), Michael Douglas (guitarra), Felipe (baixo) e Alex (bateria) também mesclaram músicas do seu mais recente trabalho, o EP Desert Land, que mescla as vertentes do thrash com momentos mais trabalhados. Junto com os sons autorais, a banda mandou versões bem feitas para Troops of Doom (Sepultura), I’m Broken (Pantera) e a inusitada e bem vinda Sacred Serenity (Death), dedicada ao pessoal do Necromesis, que mostrou  a importância da música de Chuck Schuldiner para a música pesada.  O set dos caras passou voando com a inédita Wandering Psychopath, que estará no próximo trabalho do grupo, previsto para 2015 e Envy Shit, do já citado EP e que a partir de abril terá sua versão em vídeo.

Necromesis
João Messias Jr.
Já passavam das 20h quando o Necromesis deu início a sua apresentação. Com uma rotina forte de shows, que incluiu apresentações ao lado de nomes como Desdominus e Master, além do novo trabalho, o EP Echoes of a Memory, Mayara Puertas (voz), Daniel Curtolo (guitarra e voz), Gustavo Marabiza (baixo) e Gil Oliveira (bateria) estão preparados para um novo e determinante passo na consolidação da carreira. Com um som que mescla as vertentes mais brutais, com passagens intrincadas que vão ao progressivo ao regionalismo brazuca, o quarteto mandou sons novos como Indifferent Echoes of A Sensitivity, The Life is Dead como Unlives As Undeads, Building an Underworld e Demonic Source, que encerrou mais uma apresentação que foi segura e agressiva nos momentos certos.

Dynahead
João Messias Jr.
Ás 21h15 chegou o grande momento. Com Abiogenesis, do seu mais recente registro, Chordata, o Dynahead deu início ao seu segundo show em São Paulo. Essa música mostrou que Caio, Diogo, Pablo, Diego e Fred merecem um espaço maior na música pesada nacional, pois ela alterna momentos melódicos, agressivos, progressivos e técnicos sem soar chato ou sisudo e ao mesmo tempo soam fáceis aos nossos ouvidos, assim como Collective Skin, essa dona de riffs intrincados. Mas o grupo não esqueceu dos primeiros trabalhos e do debut, Antigen mandaram Layers of Days, que mostrou mais um diferencial dos caras: os backing vocals sincronizados. Reforçando o que disse linhas acima, a banda faz uma apresentação descontraída que faz com que as mesmas canções técnicas e repletas de variações fiquem intimistas, como numa celebração entre amigos. 

Dynahead
João Messias Jr.
Um exemplo são as narrações humorísticas de Caio Duarte, que mostrou que se daria muito bem como âncora de rodeio, além de ter atuado como cinegrafista. O segundo trabalho e a segunda parte de Chordata não foram esquecidos e deles foram representados por Eventide (que possui um interessante vídeo), Ylem e  Jugis.
 Join and Surrender e Bloodish Eyes, do já citado Antigen entraram na reta final da apresentação, que foi impecável em todos os aspectos, pois conseguiu ser intenso, hipnótico e de fácil assimilação e compreensão.
Após o show se conclui que o Dynahead já cravou seu lugar na história da música contemporânea por não ter medo de ousar e com certeza será lembrado como uma banda de vanguarda ao lado de monstros consagrados como System of a Down, Therion, Diablo Swing Orchestra, entre outros.

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