21 de fevereiro de 2014

STATUES ON FIRE: “QUANDO O PESSOAL OUVIR O CD INTEIRO PERCEBERÁ QUE NÃO TEM NADA A VER”

Em muitos momentos da nossa vida, é necessário dar uma parada no que está fazendo para clarear as ideias e ver se devemos continuar com o que estamos fazendo ou iniciar algo novo. Podemos definir assim a história do Statues on Fire, que teve início depois do fim do Nitrominds Após 18 anos de estrada e muitos shows pelo Brasil e exterior, o grupo resolveu colocar um ponto final em suas atividades. Mas a amizade fez com que André Alves (guitarra e voz) e Lalo (baixo) resolveram tocar juntos com esse novo grupo, que é completado por André Curci (guitarra) e Alex (bateria), que já promete para os próximos meses seu primeiro álbum e uma tour pela europeia.

Nessa entrevista feita com André Alves, o músico nos fala do fim de seu antigo grupo, projetos paralelos e a novo momento vivido com o Statues on Fire.

Texto e fotos: João Messias Jr.

Statues on Fire
João Messias Jr.
NEW HORIZONS ZINE: A banda foi formada após o fim do Nitrominds. O que resultou no fim da banda, que parecia estável após 18 anos de estrada e várias tours pela Europa.
Andre Alves: Rolou que depois de 18 anos, fica difícil de manter o clima e a máquina andando, e também eu queria mesmo parar de tocar, essa era minha intenção. Tivemos ótimos momentos, até podíamos viver de música mesmo sendo independentes  por determinado tempo, mas últimos anos foram difíceis e as coisas não estavam mais andando da forma que tinha que ser. Assim, preferi parar.

NHZ: Antes do fim do Nitrominds, o vocalista/guitarrista André Alves montou o Musica Diablo, que contou com um dreamteam do metal nacional, além de contar com o vocalista Derrick Green (Sepultura). Juntos lançaram um material forte. O que acham desse trabalho hoje?
André: Eu acho que foi legal pra caralho enquanto durou. Uma banda com dois anos apenas, lançar um disco, ir pra Europa fazer tour e ganhar um bom respeito na cena, foi muito bom. A gente ainda está por ai, uma hora a gente se reúne de novo e lança mais alguma coisa.

NHZ: Li em uma entrevista, que ter na formação do line-up do MD o vocalista do Sepultura se tornou um grande pesadelo. Por que? Devidos aos compromissos dele com sua banda principal ou problemas de convivência?
André: Nunca problemas de convivência, Derrick, ele é um cara legal pacas. Na época que montamos a banda, ou seja quando eu liguei pra ele pra cantar conosco, ele estava em um época que o Sepultura não estava fazendo muita coisa e ainda morava no Brasil. As coisas aconteceram muito rápido com o Musica Diablo, nem a gente esperava. Quando fomos ver, estávamos com um empresário na Dinamarca e um contrato assinado. Nesse interim, ele casou e foi morar em Praga. Bom,  já viu... ficou difícil. Depois o Sepultura lançou um disco , assinou com a Nuclear Blast  e tudo ficou um saco, depender da agenda do cara, sendo que ele mal sabe qual agenda é essa, sabe como é?
O Sepultura sempre passou longe das minhas influências musicais, mas ele tinha uma ótima voz e era a banda dele também, nós tínhamos o nosso estilo, enfim... não deu pra segurar, dentre mais outros fatores que nem valem a pena comentar.

Statues on Fire
João Messias Jr.
NHZ: Após uma breve pausa, você e o ex-baixista do Nitrominds, Lalo estão tocando juntos novamente (completam a banda o guitarrista André Curci e o baterista Alex). Como foi chamar o parceiro de anos e começar de novo com uma nova banda?
André: O Lalo é meu amigo de infância. Ele comentou comigo que se eu voltasse a tocar, pra chamar ele pra tocar baixo, pois sempre fomos parceiros e amigos. Ele sempre foi uma força no Nitrominds e um ponto de equilíbrio. Foi natural que eu o chamasse.

Quem teve a idéia de voltar a tocar foi o Andre Curci, que tocava comigo no Musica Diablo. Aí eu dropei a idéia e formamos o Statues. O Alex veio de uma indicação do Lalo, apesar do Kacttus ter tocado em alguns shows com o Nitrominds e a gente já se conhecia na verdade. Ele fez o teste e era exatamente o que a gente procurava. Fora que ele é um excelente amigo.

NHZ: Embora a sonoridade seja parecida com a do Nitrominds, dizer que se trata de uma continuação da banda seria injusto, até porque temos novos membros nesse grupo, pois os arranjos das seis cordas são mais ricos. O que pensam sobre isso?
André: Acho totalmente injusto, a banda tem outra pegada, uma veia ate mais acessível que o Nitrominds. O Statues é muito mais trabalhado, com músicas maiores, solos mais longos. Eu sabia que se eu cantasse na banda, naturalmente as pessoas iriam comparar, mas quando o pessoal ouvir o CD inteiro perceberá que não tem nada a ver.

NHZ: Desde que o Statues on Fire iniciou as atividades, vocês já fizeram alguns shows, com destaque para o Festival de Artes Integradas, realizado em janeiro, em São Bernardo do Campo, ABC paulista. O que acharam do evento?
André: Nosso show era às 14 horas. Pensamos que em um domingo, não teria ninguém nessa hora pra nos ver, mas foi ao contrário, pessoas estavam lá e gostaram da banda. A prefeitura de SBC tem dado uma puta força e estrutura para as bandas da região, coisa muito difícil de se ver do poder público hoje em dia. Acredito que todas as bandas do evento se divertiram muito participando do evento.

NHZ: Antes do lançamento do primeiro álbum, previsto para abril, vocês disponibilizaram a música Sent You A Letter como single. Como estão os acessos e o que as pessoas estão achando do novo som?
André: Acho que a galera gostou. Estamos recebendo ótimos comentários e depois de uma semana os acessos continuam subindo.

Statues on Fire
João Messias Jr.
NHZ: Em abril o grupo parte para sua primeira tour europeia ao lado do Bambix. Quais as expectativas para estes shows e como rolou a oportunidade de ir para o velho mundo logo no primeiro disco?
André: Eu acabei salvando eles na ultima tour no Brasil, pois o promotor se mandou em cima da hora e eu acabei assumindo a tour, que deu muito certo. Willia, vocalista do Bambix, é minha amiga há anos. Ela se ofereceu a nos ajudar quando surgisse o interesse em ir para a Europa. Fechamos com uma gravadora na Alemanha chamada Rookie Records, e eles lançaram o disco em vinil e estou muito feliz porque nos mais de 10 discos que eu lancei, essa será a primeira vez em vinil.
A reputação que o Nitrominds tem na Europa também ajudou no fechamento de alguns shows. Ficaremos duas semanas em tour, disco tem previsão de lançamento para o dia 28 de março, acho que tudo caminha em uma boa forma.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês.

André: Obrigado pelo espaço e pela força. Nos veremos por ai com certeza!

3 comentários:

Mário (BSB) disse...

Muito bom o som do Statues on Fire. Definitivamente, é injustiça compará-lo ao som do Nitrominds. Em comum, essas bandas só têm vocalista e baixista, além do fato de fazerem um hardcore muito sincero (hardcore de verdade).
Parabéns pelo trabalho, André e restante da rapeize! E parabéns a você, também, José Messias, pelo post!
Abraços!

Mário (BSB) disse...

*João Messias

João Messias disse...

Agradeço pelos comentários Mário. Esse feedback é muito importante...