4 de fevereiro de 2014

MURDER RAPE: SOFISTICADO E CADA VEZ MAIS BRUTAL

Após um longo inverno, grupo curitibano de black metal retorna com novo trabalho que pode ser considerado seu melhor disco até hoje

Por João Messias Jr.

For Evil I Spill My Blood
Divulgação
Os fãs de black metal e música extrema tiveram muito o que comemorar em 2013. Além da vinda de grupos renomados dessas vertentes, o retorno da banda brasileira Murder Rape. Após doze anos sem gravar material inédito e se apresentando de forma esporádica, de forma silenciosa lançaram no fim do ano passado seu novo álbum, For Evil I Spill My Blood.

O trabalho chama a atenção logo de cara pelo formato. Um belo slipcase preto com acabamento em verniz que agrada até quem não aprecia o estilo, além da capa, feita por Joe Petagno (Krisiun, Motorhead) que usa bem os tons de azul, vermelho e dourado, mostrando o universo das trevas de forma intensa e ao mesmo tempo poética, além do material do encarte ser um papel de primeira linha.

Acho que vocês querem saber das músicas né...pois bem, Agathodemon (baixo e backing vocals), Ipissimus (guitarra), Maleventum (guitarra), Warhate Sower (bateria) e Nargonthrond (voz) mostraram que os mais de 20 anos de estrada só fizeram bem ao grupo. Unindo melodias sofisticadas em meio a brutalidade os caras fizeram  um trabalho interessante, instigante e que merece ser ouvido por inteiro diversas vezes.

O álbum abre com Evil Shall Burn Inside Me Forever, que tem uma intro melódica, gritos de corvos, que depois fica mais cadenciada e com vocais desesperados, que dão até um "UH" (alguém lembrou do Tom Warrior?). A desgraceira fica por conta de Blood Red Dreams in Whitechapel, que é dona de um refrão épico e conta com interessantes alternâncias de vozes. 

Para recuperar o fõlego, um interlúdio tétrico aparece em Antichristi Adventum, mas a seguinte, Ancestral Power of Your Blood é brutal, com riffs que nos remetem aos prímórdios do estilo. Climas mórbidos assolam Through the Flame of the Fiery Light, que mostram , que apesar do clima de caos, os caras mostram que para ser "evil", não precisa ser tosco ou malfeito. Nesta canção rolam passagens orientais e andamentos mais trabalhados.

O disco chega ao fim com The Empty Words of Weakness e Wings of Raven. Essa é dona de passagens variadas, melodias que flertam com o metal tradicional e contraponto com os vocais desesperados e encerra com uma conexão com  a faixa inicial, inclusive com os coros de corvos.

Um belo trabalho que soa melhor e mais poderoso do que muitos discos do estilo lançados por grupos consagrados do exterior. Seria interessante os fãs brasileiros privilegiarem mais as bandas daqui e deixarem de pagar madeira para o que vem dos outros países.

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