Ao ouvir o álbum “Canto
Alto para Algo Novo” da banda Nervos, percebemos que o quarteto formado por
Fernando Fox (voz e guitarra), Roberto Pudim (guitarra), Ramonzito (baixo) e
Glauco Genovesi (bateria) usa e abusa de músicas grudentas e de fácil
assimilação.
Bebendo nas
fontes de artistas como Ira, Barão Vermelho e Camisa de Venus, a banda mostra
que musicalmente não deve nada aos artistas do mesmo estilo que figuram no
circuito mainstream.
Nesta entrevista
com o vocalista e guitarrista Fernando
Fox, o músico conta dos objetivos e façanhas que o grupo conseguiu nesses cinco
anos de estrada:
Por João Messias Jr.
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Banda Nervos ao vivo
Divulgação |
NEW HORIZONS ZINE: Neste ano a banda
completou cinco anos de atividades. Quais as coisas boas e ruins que ocorreram
neste período?
Fernando Fox: Nesses cinco anos
aconteceram muitas coisas: boas e ruins (e isso dependendo do ponto de vista). É
muito tempo, inclusive para quem está na beira dos 30. Tornamo-nos mais amigos
e assim, brigamos mais. Somos mais “macacos
velhos” e consequentemente, mais chatos (risos)!
O que talvez
não tenha mudado é a vontade de que algo novo aconteça, algo que nos tire deste
marasmo.
NHZ: O som de vocês possuem todos os
ingredientes para agradas aos fãs de rock nacional, bons riffs, energia e o
mais importante na minha opinião: alto astral, mesmo nas letras e canções mais
densas, nas quais falarei no decorrer desta. Qual a importância do clima
positivo nas canções de vocês.
Fernando: Não sei se “positivo” é a
melhor palavra. Talvez “irônico” (risos)!
No palco,
tentamos sempre se lembrar de tocar “como se fosse a última vez”. É tudo ou
nada! Se for pra morrer, que seja ali, e provavelmente seja (risos).
E já que existe
essa possibilidade, que seja levada no bom humor afinal, tudo isso é uma piada (mais risos)!
Quanto às
composições, a Nervos quer ser popular. Buscamos ser sinceros ao expor certas
dúvidas que habitam nossa mente, tanto o lado da emoção, quanto o da razão e
assim trazer identificação de quem as ouve, até o ponto de entenderem o porquê
das nossas contradições (risos)!
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Logotipo
Divulgação |
NHZ: A banda
possui um clipe polêmico da música “O céu pra você, o inferno pra mim”, que
questiona alguns religiosos sobre o fato de usarem a fé em benefício próprio.
Pela mensagem forte e direta, chegaram a ser criticados ou a receber alguma
ameaça judicial?
Fernando: Ainda não. Só um “não gostei”
do Youtube (risos)!
É por isso que
queremos ser populares. Conhecem aquela letra do Raul Seixas: “Arapuca está
armada // e não adianta de fora protestar // Quando se quer entrar num buraco
de rato // de rato você tem que transar”?
Alguém precisa
falar com o povo, mostrar o outro lado.
NHZ: Outro feito na carreira de vocês foi
ter a música “Rock do PGN” (que não está no CD) executada em uma rádio de notícias. Conte dessa
experiência inusitada.
Fernando: Gosto de ouvir rádio desde
criança. Não só de música, como também de noticias.
Conheci a Band News FM e virei fã dos jornalistas:
Ricardo Boechat (Se tem um “Maluco Beleza” de verdade, inteligente e “rock´n
roll”, que precisa ser ouvido, esse alguém é o Boechat), Luis Megale, que é um
cara um pouco mais velho que eu e tem muito a dizer e o grande José Simão, que
tem o trabalho que pedi a Deus, mas que merece muito mais. Afinal, ele é o
presidente (risos)!
Nas eleições de
2010, eles lançaram o PGN (Partido da Genitália Nacional). Um dos slogans, diz
tudo: “Orgia por orgia, fique com a Gente”. A Nervos não podia ficar de fora (risos)!
A rádio tem
esse poder de fazer o ouvinte ser “amigo” dos apresentadores. O Rock do PGN é
uma homenagem, uma maneira de retribuir o bem que eles me fazem. Consegue rir preso num trânsito infernal as 08h48?
Eu consigo!
Essa música não
faz parte do álbum. É uma faixa bônus. O clipe dela no Youtube conta com muitas
visualizações.
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Banda Nervos em 2010
Divulgação |
NHZ: Vocês se apresentam com freqüência nos
bares e casas de shows de São Paulo e ABC. Muitas delas foram abrindo para
grandes nomes da música nacional como Nasi, Velhas Virgens, entre outros. Qual
a importância de abrir para artistas renomados?
Fernando: Veja que os artistas
de rock que você citou têm, no mínimo, vinte anos de estrada. Se com cinco, a Nervos já passou por poucas e boas,
imagine os caras!
São nossos
heróis e “enfrentar” o grande público deles é um baita teste. Afinal, é esse
público que gosta e consome rock brasileiro.
Até agora, a
resposta da galera e essa experiência de tocar com nossas referências, têm sido
motivo de muita alegria para a banda.
NHZ: Falando em grandes nomes do rock,
recentemente a rádio 89FM voltou à ativa, inclusive como apoiador de um
festival que também retornou aqui no ABC, o Rock in Rua. Qual a importância da
volta desses gigantes para bandas como o Nervos?
Fernando: A 89FM não podia ter acabado.
Agora que voltou com tudo, tornou-se uma das maiores esperanças para o rock
brasileiro. Todas as bandas estão se “coçando” para tocar lá, inclusive a Nervos. Nessa, podem surgir grandes
nomes. Fora isso, o apoio da Rádio Rock em festivais é fundamental para atrair
público.
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Banda Nervos em 2010
Divulgação |
NHZ: Continuando a falar na rádio,
recentemente a banda iniciou por meio das redes sociais uma campanha para ter
suas músicas executadas na emissora. Como surgiu a ideia e como está essa
batalha?
Fernando: E a tal da esperança (risos)!
Estamos
plantando.
Obrigado pela entrevista! Deixem uma
mensagem aos leitores dessa publicação.
Fernando: Obrigado João Messias Jr. pelo espaço. Sabe o quanto é importante para
nós.
Aos leitores, espero
que tenham gostado da entrevista. Conheçam mais o nosso trabalho pela internet
e apareçam nos shows. Precisamos de vocês!