15 de novembro de 2012

MINDFLOW - QUATRO HOMENS COM UM DESTINO: O SUCESSO


Banda fez apresentação comemorativa ao seu nono aniversário

Texto e fotos: João Messias Jr.

Rafael Pensado
Com nove anos de estrada, trabalhando de maneira independente, além de uma infinidade de apresentações pelo Brasil e exterior (inclusive em países como a Coréia do Sul), o quarteto Mindflow, formado por Danilo Herbert (vocal), Rodrigo Hidalgo (guitarra), Ricardo Winnandy (baixo) Rafael Pensado (bateria) soube com o passar dos anos reinventar a sonoridade, deixando de lado o Prog Metal calcado em nomes como Dream Theater e Symphony X, para uma sonoridade mais pesada, que lembra grupos como Disturbed, Messhuggah e Mr. Big.

Para comemorar a data, a banda promoveu um evento especial nesta noite de 10 de novembro: uma apresentação diferente, onde o quarteto executou um repertório especial, que contou com músicas dos primeiros trabalhos, efeitos especiais e músicas inéditas que farão parte do seu quinto álbum.

A coletiva

Danilo Herbert
Antes do show, por volta das 18h20, houve uma coletiva de imprensa, onde além do NEW HORIZONS estavam presentes o pessoal de veículos como Menina Headbanger, Portal do Inferno, Rock Brigade, A Ilha do Metal entre outros.

Dentre as perguntas, os pontos mais relevantes foram quando os membros (principalmente Danilo e Rodrigo) comentaram sobre a tour com o UFO pelos Estados Unidos, onde segundo os membros rolou numa boa, sem brigas e com uma grande amizade, a emoção de terem sido open act do Megadeth no mês de setembro e uma grande novidade para os primeiros dias de 2013: mais uma tour pela terra de Barack Obama com o pessoal do The Used.

De negativo apenas o fato de alguns veículos terem feito perguntas óbvias, cujas respostas são facilmente encontradas no site da banda ou nas redes sociais, que infelizmente figuraram no lugar de perguntas com melhor conteúdo.

A apresentação

Rodrigo Hidalgo
Às 19h20 o quarteto começa com todo o peso, com Lethal e Reset the Future, do terceiro trabalho, Destructive Device, o primeiro trabalho que a banda mergulhou em novas referências, deixando a música mais pesada, vibrante e orgânica. Após essas músicas, Danilo agradecia ao público (que compareceu em bom número) pela oportunidade de estar celebrando mais um ano de banda. Suffer Up and Deal foi a primeira inédita da noite, que apresenta a evolução marcada em Destructive Device e 365, mas com mais feeling e com mais contornos do Hard Rock, que agradará aos fãs de Nickelback e Mr. Big. Fato que foi comprovado posteriormente por Urban Hero e Take it to The Limit, onde apontaram que o melhor trabalho dos caras está por vir.

Depois das poderosas Breakthrough, Break Me Out, Under An Alias e a cadenciada The Ride, houve um momento de nostalgia, que teve como destaque a bela balada Invisible Messages, que abriu caminho para a cheia de groove Walking Tall, uma das agressivas da banda.

Ricardo Winnandy
Uma pena que após uma breve pausa, a banda executou Destructed Device, que encerrou a memorável apresentação. Após a última música, o evento contou com o sorteio de uma guitarra.

Mas a noite estava apenas começando, pois ainda teve um after show, realizado no Manifesto, mas esse que escreve essas linhas não tinha mais forças para nada.

Só tenho que encerrar agradecendo a banda, fã clube e a todos envolvidos na realização do evento pela perfeita organização, numa noite em que o poder da música mais uma vez uniu fãs para um único propósito: comemorar o sucesso de quatro mentes: Danilo Herbert, Rodrigo Hidalgo, Ricardo Winnandy e Rafael Pensado.

9 de novembro de 2012

BALLS:"SEMPRE EXISTIRAM BANDAS FAZENDO UM SOM DAS ANTIGAS”

Por João Messias Jr.

Sabe aquele disco alto astral que logo na primeira audição você se pega dançando e fazendo "air guitar"
Essas sensações são causadas pelo debut do quinteto Balls, que é formado por  Danilo Martire (voz), Pi Malandrino e Fernando Gargantini (guitarras), Paulo Pascale (baixo) e Lauro Santhiago (bateria) que com um Rock and Roll básico, que conta com a malícia do Hard Rock e com vocais discursados conseguem quase que apagar a imagem sisuda que o estilo tem hoje.
Graças a sons como Ela tem Tudo, Tocando a Gente Se Entende e Eu Era Como um Rei, eles tem tudo para alcançarem até o mainstream.
Nessa entrevista feita com a banda, eles nos contam das coisas boas e ruins de um grupo que luta por um lugar ao sol.
Confiram:

NEW HORIZONS ZINE: A banda lançou o primeiro CD, que leva o nome da banda neste ano. Como está a repercussão e o que estão achando dos resultados?
Capa do álbum Balls
Divulgação
Balls: A repercussão está ótima, todo mundo que gosta de rock e ouve o CD, tem elogiado bastante. Não só as canções, mas também os arranjos, a mixagem, a produção. Para uma banda com pouco mais de um ano, conseguimos caminhar bastante, mas ainda é muito pouco.

NHZ: Vocês lançaram o trabalho em formato digipack e em SMD para sair com um preço mais acessível para o consumidor. Como chegaram nesta forma de lançar o álbum?
Balls: Além do SMD, consultamos algumas empresas que fazem o formato CD. O preço era quase o dobro, portanto optamos pelo SMD. Mas tem o outro lado da moeda também, com o SMD não conseguimos tocar em grandes lojas de discos como FNAC, Saraiva e Cultura, é preciso ter o álbum em CD. Ano que vem vamos lançar o segundo disco, dessa vez em CD. Ainda não temos uma data, provavelmente no segundo semestre. Já temos 5 músicas prontas que inclusive vem sendo executadas nos shows.

NHZ: Tempos depois do lançamento do CD, vocês tiveram uma mudança de formação, com a entrada de Paulo Pascale no lugar de Alexandre Fávero. Quais os motivos da troca e como chegaram ao atual membro das quatro cordas?
Balls: O Alexandre foi o segundo baixista, o original era outro. A troca foi uma decisão conjunta, por divergências musicais e pessoais, o Alexandre já não compartilhava do mesmo ideal da banda. Já o Paulo havia tocado com o Lauro (batera), eles são amigos de longa data. Nós convidamos, ele aceitou. Musicalmente foi a melhor coisa que aconteceu com a Balls, ficamos mais pesados e mais coesos. Nossa “cozinha”, modéstia à parte, é fantástica!


NHZ: Acabei conhecendo o som de vocês numa apresentação que fizeram como abertura para o Golpe de Estado. Essa é uma situação de duas vias: pois se por um lado acaba apresentando o som para mais pessoas, por outro, muitos só querem saber de ver a banda principal, o que pra mim é um erro. Para vocês, qual o lado bom de fazer essas “aventuras”?
Balls: O lado bom é levar seu som para um outro público, para pessoas que nunca ouviram falar da banda. Só assim vamos conseguindo fãs e aparecendo. É super válido.

Balls
Divulgação
NHZ: Outras apresentações de destaque da banda foram a participação dos festivais São Judas e Lollapalooza. Como se deu a participação do Balls e quais os frutos conquistados?
Balls: Conseguimos o contato da produção do Lollapalooza, mandamos e material e eles gostaram! Nos mandaram uma mensagem dizendo, “vocês estão dentro”. Para nós foi sensacional e nos sentimos bastante orgulhosos. Estamos colhendo alguns frutos, muito lentamente, mas estamos. Por exemplo, conseguimos colocar nosso clipe no Multishow. O grande lance é continuar trabalhando, sem trabalho e investimento a coisa não anda. Se tivéssemos alguma forma de ajuda financeira ou patrocínio, talvez estivéssemos mais expostos e colhendo mais frutos. Esse é um problema de todas as bandas independentes... grana.

NHZ: Para encerrar a questão de shows, percebi algo interessante. Enquanto 90% das bandas, ora fica mais leve ou pesada, vocês não causam espanto, tamanha a fidelidade com o CD, o que é positivo. O que pensam sobre isso?
Balls: Nosso som é básico, a gravação do CD também foi, assim fica mais fácil reproduzir ao vivo aquilo que está em disco. Também achamos isso positivo, fora que mostra que estamos ensaiados e entrosados.

NHZ: Vamos falar um pouco da parte musical: as guitarras são muito afiadas, sincronizadas e com simplicidade, acabam fazendo belos solos por todo o trabalho. Como vocês fazem a construção de bases e solos?
Balls: Realmente existe uma grande harmonia e entrosamento entre os guitarristas, o Pi e o Fernando. O mais importante é que sempre foi assim, desde a primeira vez que tocaram juntos. Quando um toca uma base ou um riff, o outro já sai tocando algo diferente que complementa, que se encaixa, e isso sai naturalmente. Alguns solos são montados, outros saem de improviso durante a confecção do arranjo.

NHZ: O álbum possui uma audição agradável, que mescla o Classic Rock com a malícia do Blues e Hard, feito para curtir, dançar e esquecer dos problemas da vida pós-moderna. Músicas que podem ser grandes hits como Ela tem Tudo, Tocando a Gente se Entende e Seguindo em Frente. Quais são e foram as principais influências da banda para a concepção so Cd?
Balls: Southern Rock, Blues Rock britânico, Glam e Glitter Rock, basicamente é isso.


NHZ: De alguns anos pra cá, voltou de forma mais forte o interesse pelo Classic Rock, com bandas como Yes , Uriah Heep e Kiss lançando bons discos, o Black Sabbath gravando um novo trabalho com a formação clássica e até tentativas de uma volta do Led Zeppelin. Além disso, temos bandas relativamente novas executando esse som das antigas como Grand Magus. O que pensam sobre a redescoberta da música dos anos 60 e 70?
Balls: Não achamos que seja uma redescoberta, sempre existiram bandas fazendo um som das antigas e as bandas clássicas por ora lançando bons trabalhos. O problema é que quase nunca isso é divulgado e mostrado pelos meios de comunicação de massa. Com a internet, ficou mais fácil, existe espaço para todo mundo mostrar o seu trabalho e pessoas, fanzines e blogs como esse, dispostos a ajudar e divulgar sem querer jabá ou algo em troca.

NHZ: Algumas letras falam de mulheres e sexo. Embora falem de forma direta, passam longe do esquema da baixaria. Qual o cuidado que a banda tem com as letras em falar de “tudo mas não de tudo”?
Balls: É isso que você falou aí, tomamos um certo cuidado para não ficar vulgar ou adolescente demais. Basta trocar uma palavra ou uma frase para não deixar a coisa virar baixaria ou ir direto demais ao ponto. É bom que as pessoas escutem a letra e pensem, criem suas próprias interpretações, etc... As músicas novas vêm apimentadas, agurdem!

Balls
Divulgação
NHZ: Essa é para o vocalista Danilo Martire. Gostei da sua forma de cantar, que soam como discursos, além de dar um toque todo especial ao som de vocês. Como chegou nesta forma de soltar a voz?
Danilo Martire: Acredito que foi por causa da preocupação em se fazer entender, por causa das letras em português. Nós contamos uma história bem legal em cada música, então eu procuro fazer com que as pessoas escutem e compreendam o que a gente tem pra dizer.

Mesmo no rock, o português é todo articulado, o que acaba dando uma característica sonora única em bandas como a Balls e outras que defendem um rock totalmente brasileiro.

NHZ: Gente, obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Balls: Gostaríamos primeiramente de agradecer a você pela resenha do show, do CD e por abrir espaço em seu blog, muito obrigado João. Aos leitores, pedimos que entrem no nosso site e página do Facebook para acompanharem as novidades e checarem a agenda de shows. Estamos a mil por hora e não vamos parar. Ano que vem CD novo e muitos shows! Abraços a todos, keep on rocking!

1 de novembro de 2012

MUSIC BOX: O ENCONTRO DA IMPRENSA METÁLICA

Programa é apresentado pelo guitarrista do Seven7’h Seal, Tiago Claro

Por João Messias Jr.

Esq. p/ dir: João Messias, Tiago Claro,
Edu Lawless e Pedro Leandro
Foto: Guilherme UPTV
Foi transmitido na última segunda-feira , mais uma edição do Programa Music Box. O programa é apresentado nas segundas feiras, às 18h00 pelo guitarrista da banda Seven7’h Seal, Tiago Claro, onde são apresentadas bandas, artistas e demais personalidades do mundo do Rock And Roll

Já passaram pelo programa bandas como Shadowside, Mindflow, Necromancia, Zak Stevens e muitos outros.
Ser um dos entrevistados desta edição foi a realização de um sonho. Junto comigo, estavam presentes Edu Lawless (Rock Express) e  Pedro Leandro (Metal com Bolacha). 

O programa foi muito mais do que um esquema de perguntas e respostas, e sim um bate papo com pessoas que contribuem para que a cena fique mais forte e estruturada, longe de radicalismos. Outros momentos de destaque foram à opinião dos entrevistados sobre a cena, melhores trabalhos, shows e muito mais.
Segue abaixo o link desta edição do programa e dos sites Rock Express e Metal com Bolacha:

Programa Music Box:

22 de outubro de 2012

TEHILIM CELTIC ROCK: NOVO DISCO, NOVA FASE

Por João Messias THE ROCKER

Com sete anos de estrada, o duo Tehilim Celtic Rock, formado por César Ricky Mendes (Vocal/Guitarra) e Jackie Mendes (Flautas), mostra no seu quarto CD, Back to the New que é possível renovar a sonoridade musical sem deixar suas características originais.

Os momentos Celtic/Folk/Rock estão presentes no trabalho, só que recebem contornos do Hard Rock e do louvor (Praise), que tornam o álbum não apenas no melhor deles, mas um dos grandes trabalhos deste ano que já está indo embora.

Nesta entrevista, César Ricky nos conta das mudanças da sonoridade, planos futuros e a inspiração de uma das canções do disco.

Confiram:


César Ricky Mendes
Foto: Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: O novo trabalho Back to the New apresenta uma leve mudança na sonoridade de vocês. O álbum tem o clima Celtic/Folk dos primeiros álbuns, mas com fortes influências do Hard Rock e do louvor. Essa nova faceta da banda ocorreu naturalmente?
César Ricky: Acho que chega um ponto na carreira de uma banda em que ela precisa dar uma ouvida em tudo o que produziu e colocar na balança o que quer para o seu futuro.

Se você ouvir nosso álbum anterior (Shine in the Darkness), vai perceber que já estávamos em transição. O hard rock faz parte da minha formação musical, sou completamente viciado em bandas como Van Halen e Bon Jovi.

Confesso que cansei um pouco de compor músicas instrumentais. Não significa que não gostamos mais de músicas instrumentais, apenas cansamos e achamos que era o momento de mudar.

Na verdade, algumas ideias musicais só podem ser melhor transmitidas através de músicas cantadas. Gosto muito de cantar, mas reconheço que não sou vocalista, sou um guitarrista que canta.

Deixar nossa sonoridade mais “popzada” foi algo intencional, e não foi fácil. Se não fosse a ajuda do Robson Silva (que gravou as baterias do nosso primeiro CD e do CD novo), não conseguiríamos mudar a sonoridade. Ele é um cara que sabe o que funciona como um “hard rock pop”, e foi fundamental na pré-produção desse trabalho, pois ele conseguiu “limar” os excessos e mostrar onde deveríamos investir.

O que me surpreende na sua percepção, é o fato de soar mais “louvor”. Em nenhum momento isso foi intencional. Talvez seja culpa das composições em tons maiores, que soam mais alegres e sentimentais. E até mesmo, do sentimento que colocamos nas músicas.

NHZ: Como estão as críticas ao novo trabalho?
Cesar: Críticas são uma via de mão dupla, porque você nunca sabe a sinceridade que existe por trás dela. Mas a maioria esmagadora está considerando esse CD o nosso melhor trabalho.

Particularmente, eu também acho. Fiquei muito orgulhoso com o resultado.

O interessante, é que até agora ninguém reclamou pelo fato de não estarmos mais fazendo músicas instrumentais. Isso dá uma sensação de que as pessoas que nos  acompanham esperavam um trabalho como o “Back to the New” vindo do Tehilim Celtic Rock.

Back to the New
Divulgação
NHZ:Vocês o disponibilizaram o novo álbum para download gratuito, onde para baixar o CD, os interessados fazem um cadastro, com uma conta de e-mail e o código postal (CEP). Queria saber como estão os acessos, qual o país que mais requisitou o trabalho e se receberam solicitação de algum país inusitado?
César: Os acessos surpreenderam, passaram de 8.000. Se estivéssemos vendendo o CD, seria difícil vender 1.000 CDs em menos de um mês de lançamento.

Tirando o Brasil, os países que mais têm baixado nosso CD, são Irlanda, Escócia, Inglaterra e EUA.

E honestamente, saber que o público irlandês e escocês, que fazem o melhor de música celta,  estão baixando o trabalho, nos deixa muito honrados.

O site Noise Trade, realmente é uma mão na roda. E para quem quiser baixar o CD novo, é só entrar no link www.noisetrade.com/tehilimcelticrockback  .

NHZ: Falando nos estilos, vamos começar com o lado Hard. Build Me Up Again tem uma melodia contagiante, perfeita para se tocar ao vivo, pois no meio da canção, música, músicos e ouvinte se transformam em uma coisa só. Qual a reação do público ao ouvir essa canção?
César: O interessante é que antes de gravarmos esse CD, tocamos todas essas músicas ao vivo e pudemos sentir o feedback. “Build Me Up Again” é a típica canção para levantar a galera, e constantemente, é uma das preferidas do CD e de nossas apresentações mais recentes.

Acho essa música uma mistura de Bon Jovi com Ceili Rain (banda de celtic folk americana).

NHZ: Outra música de destaque é Two Little Princesses, que tem um refrão que faz todo mundo cantar junto. Como surgiu a canção e no que é baseada a letra?
César: Essa foi umas das primeiras músicas compostas para esse CD. A letra dela é sobre minhas duas filhas, Rachel e Esther.

Um dia, eu estava no escritório de casa tocando violão, e as duas entraram com roupas de bailarina dançando e girando. Ficaram ali por poucos minutos e saíram correndo para brincar.

Aquilo mexeu comigo e me fez pensar que o mais forte que podemos ter num relacionamento com Deus, é sermos como crianças. Sem paradigmas religiosos, sem medo de falar com ele e sendo verdadeiros.

Se conseguíssemos enxergar Deus apenas como um pai que se diverte com as “bobeiras” de seus filhos, sem os “óculos” que a religião insiste em colocar em nós, certamente seríamos seres humanos mais bem resolvidos.

Jackie Mendes
Foto: Divulgação
NHZ: Vocês são cristãos. Como é a aceitação da banda no segmento, visto que praticam uma linha musical um pouco “exótica”. E no meio secular?
César: Somos cristãos convictos. Independente do público para quem tocamos (cristãos ou não-cristãos) temos certeza de nossa crença. E isso nunca foi impedimento para nos aproximarmos de pessoas diferentes de nós. Aliás, gostamos disso e consideramos que ficar preso a um único público é um erro.

 Por outro lado, sempre comento que não somos parte de nenhuma inovação ou reinvenção do movimento gospel/cristão/adorador, e isso mais nos afasta desse grupo do que nos aproxima, por mais que compartilhemos da mesma fé.

Sendo bem honesto, considero uma dádiva divina não ser parte desses movimentos, pois se fôssemos isso nos limitaria demais, e não poderíamos alcançar as pessoas, independente da crença de cada um.

 Não gosto que associem o Tehilim Celtic Rock ao gospel, pois não somos parte desse grupo. Somos cristãos e fazemos música, queremos que as pessoas curtam e se divirtam com a nossa música, nosso trabalho é uma forma de arte. A diferença é que algumas bandas que tocam música celta falam sobre fadas, duendes, wicca e outras coisas, e nós, falamos sobre Deus e nossos sentimentos.

Sempre observei que o Tehilim Celtic Rock tinha mais aceitação do meio secular do que do meio cristão, justamente por sermos “exóticos”. Ainda é assim, mas em alguns momentos, muitos cristãos estão de saco cheio da mesmice do cenário musical, acabam nos procurando para conhecer nosso som.

NHZ: Se por um lado, os clipes não são divulgados nos programas de TV, são uma ótima ferramenta de divulgação em mídias como Youtube , blogs e redes sociais. Pensam em fazer algum vídeo? O que acham de fazer de Carried Me?
César: Estamos acertando alguns detalhes para produzirmos dois clipes. Provavelmente serão de “Carried Me” e de “With All My Soul”. Acho sensacional o “empurrão” que o YouTube e as redes sociais podem dar.

Temos que usar os meios de comunicação mais atuais a nosso favor, ainda mais, quando você é uma banda independente.

NHZ: O estilo musical de vocês tem grande aceitação na Europa. Vocês chegaram a pensar em se apresentar pelo velho mundo?
César: Não só pensamos como planejamos morar um tempo na Irlanda para aprendermos melhor a musicalidade celta. Vamos ver o que o futuro nos reserva, mas os planos estão prontos.

NHZ: Falando em apresentações, vocês as dividem em dois formatos: com banda e pocket show apenas com você (César) e sua esposa Jackie. O que vêem de positivo nestes tipos de apresentação e qual curtem mais?
César: Cada tipo de apresentação tem seus pontos positivos e negativos.

Ter a banda inteira no palco é sensacional e contagiante, podemos fazer coisas maiores e mais legais. Por outro lado, como o Tehilim Celtic Rock é algo meu e da Jackie, não temos músicos fixos na banda. Temos que contratá-los.

A maioria dos músicos que tocam conosco são nossos amigos pessoais, mas isso não significa que eles não tenham que receber seu pagamento.

Quando tocamos em duo, para pocket shows, é algo bem intimista e mostra com mais honestidade a música que eu e a Jackie fazemos. Afinal de contas, somos somente nós dois e nossos instrumentos.

Acho muito vantajoso fazer isso, pois nem sempre você recebe convite de um lugar que possa bancar uma banda inteira com todos os seus custos. Nesse caso, levar somente um duo, sai mais em conta e podemos fazer algo com a mesma qualidade de estar com a banda inteira, só que com algumas limitações, claro.

Cesar Ricky Mendes
Foto: Divulgação
NHZ: Gravadoras como a Som Livre, Universal e Sony Music têm apostado em artistas cristãos em seu elenco. Hoje possuem nomes como Anjos de Resgate, Renascer Praise, Diante do Trono, Rosa de Saron, entre outros. Como enxergam a posição das “majors” a música cristã?
César: Para as “majors” o que interessa é o lucro. Acho a coisa mais ridícula do mundo quando vejo uma banda cristã espiritualizar esse tipo de situação. Isso não tem nada de espiritual, é negócio, business.

A ExpoCristã é isso, tem nome de “cristã” mas deveria ser algo como “ExpoReligiousMoney”.

Para mim, tudo isso é negócio, ser contratado de uma gravadora que tem um selo cristão, ou de uma gravadora puramente secular, é do mesmo tamanho.

As duas podem te dar golpe ou serem honestas com você.

NHZ: Para encerrar. Cesar, percebi a influência de Michael W. Smith em músicas como nas citadas Build Me Up Again e Carried Me. O que acha do trabalho do artista?
César: Essa influência foi algo que me surpreendeu muito.

Sou fã do Michael W. Smith, pois o considero um artista muito completo. É um cara que faz composições maravilhosas, tem uma certa influência celta e, embora seja um cristão convicto, não fica com espiritualizações idiotas e desnecessárias.

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine!
César: Eu quem agradeço mais uma vez pela oportunidade que sempre nos dá. Gosto muito do New Horizons Zine.
Quero convidar todos os leitores a baixarem nosso mais novo CD no www.noisetrade.com/tehilimcelticrockback e entrarem no nosso novo site, onde você também pode baixar os CDs anteriores da banda.

19 de outubro de 2012

NECROMANCIA: SEM MEDO DE EXPERIMENTAR


Novo álbum, Back From the Dead aposta em músicas pesadas e cadenciadas.

Por João Messias THE ROCKER

Back From the Dead
Divulgação
Falar do Necromancia é contar do início da cena metálica no ABC, pois em conjunto com as bandas MX, Cova e Blasphemer lançaram o LP Headthrashers Live, que fez muito barulho nos anos 80.

Com quase 30 anos de estrada, o trio formado por Marcelo “Índio” D’Castro (Guitarra/Vocal), Roberto Fornero (Baixo) e Kiko D’Castro (Bateria), lançou neste ano o seu terceiro CD full, com o título sugestivo de Back From the Dead.

Seguramente estamos diante do melhor trabalho da banda, que não teve medo de inserir na Thrashera habitual, passagens mais experimentais e introspectivas, que acabaram deixando o som mais forte e pesado, como na faixa título, Necrosphere e Sinister Mind.

Outros destaques são as porradas Playing God, Under the Gun e a regravação de Death Lust, uma das primeiras composições da banda.

Não podemos nos restringir apenas as canções, pois o aspecto técnico é algo que merece nota. O nível dos músicos é impecável, seguram a bronca nos momentos de “calmaria” e demência, principalmente Índio, cujo estilo tem muito dos Guitar Heroes dos anos 80/90 como Alex Skolnick (Testament) e Paul Gilbert (Mr. Big).

Com esse novo trabalho na praça, somado às apresentações que estão sendo feitas, parece que a hora do Necromancia chegou!


10 de outubro de 2012

KAMALA E KROW: O SEGREDO ESTÁ NA CRIATIVIDADE

Sem medo de ousar, bandas brasileiras criam seus melhores trabalhos.

Por João Messias THE ROCKER

Não é porque nada se cria que devemos ouvir o mesmo disco sempre!

Kamala
Foto: Divulgação
É muito legal ouvir bandas que fazem o mesmo som há tempos como  Motorhead, AC/DC, Ramones e a nossa Baranga. Mas ao mesmo tempo, é prazeroso ouvir e conhecer trabalhos que acabam instigando nossos ouvidos, nos “obrigando” a ler o encarte e descobrir tudo que é informação na internet.

E hoje temos aqui nessas linhas duas bandas que não se importaram em colocar criatividade no seu som: a paulista Kamala e a mineira Krow.

Vamos começar falando do quarteto de Thrash Metal Kamala.  A banda existe desde 2003 e lançou os álbuns Kamala e Fractal, mas é com seu terceiro trabalho, The Seven Deadly Chakras que o som atingiu o ápice.

Para esse trabalho, o quarteto formado por Raphael Olmos (Guitarra/Vocal), Andréas Dehn (Guitarra), André Rudge (Baixo, substituído por Diego Valente), Nicolas Andrade (Bateria) fizeram um trabalho conceitual baseado nos sete pecados capitais e os sete Chakras.

The Seven Deadly Chakras
Divulgação
Apesar da banda sempre ter inserido novos elementos em suas músicas, aqui tudo ficou mais forte e intenso, fazendo seu melhor trabalho. O disco agrega influências que vão do Hard Rock ao eletrônico. Em quase uma hora de som os destaques são Gluttony (com solos Hard Rock), Heart, Greed, o interlúdio Sloth, Lust e Throat.

Outro atrativo do trabalho é a arte do encarte, que tem como modelo a atriz de filmes adultos Bruna Vieira, que mesmo suas fotos sendo artísticas proporcionam no mínimo a curiosidade de conhecer o som da banda.

Já os mineiros do Krow, que tem na formação Guilherme Miranda (Guitarra/Vocal), Lucas The Carcass (Guitarra), Humberto Costa (Baixo) e Jhoka Ribeiro (Bateria), possuem no curriculum apresentações na Europa e Chile (abrindo para o Dimmu Borgir), optou pelo tema da escravidão que aliada ao Death/Black praticado, deixou o som ainda mais forte e brutal.

Traces of the Trade
Divulgação
O trabalho gráfico também é muito legal, pois foi concebido no formato digipack com uma capa forte (feita por Costin Chioranu) que serve de “entrada” para a brutalidade de faixas como Outbreak Of A Maniac, Endless Lashings e System Unfolds.

As melhores são a percussiva March Of Vendetta e Retaliated, que conta com Álvaro Lillo (Undercroft, Watain) nos backings, cuja voz em desespero lembra uma pessoa  que implora pela vida. O trabalho, apesar de curto, deixa o pescoço em frangalhos.

Não estou pedindo para que deixem de ouvir as bandas que citei lá no começo, mas que de vez em quando procurem por novos nomes, principalmente os que não tem medo de ousar.

3 de outubro de 2012

IMAGERY: UMA RESPOSTA AO PROGRESSIVO ATUAL?

Por João Messias THE ROCKER

As bandas atuais de Prog Metal têm uma receita  de fazer discos: influências diversas e referências futuristas.

Algumas fazem coisas boas, outras nem tanto. O que incomoda não é o tipo de miscelânea musical que fazem hoje, e sim o fato delas praticamente esquecer as referências do estilo, principalmente as dos anos 70. Felizmente aparecem bandas que tem a missão de colocar as coisas nos eixos.

O Imagery, do Paraná e uma delas. Atualmente formada por Joceir Bertoni (Vocal/Guitarra), Ricardo Fanucchi (Baixo), Henrique Loureiro (Teclados) e Bruno Pamplona (Bateria), lançou recentemente o debut The Inner Journey, que bebe na fonte setentista do estilo e agrega saudáveis influências do Hard/Heavy e até da Bossa Nova.

O entrevistado Joceir Bertoni comentou da divulgação, métrica musical e muito mais!

Confiram:

Imagery
Foto: Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: A música que fazem é interessante, pois o Rock Progressivo que praticam bebe nas fontes setentistas do estilo. Com a vantagem de agregar a crueza do Hard/Heavy da mesma época, o que proporciona identidade e um ar mais Stoner. A sonoridade criada pela banda soa como uma “resposta” a cena Prog de hoje?
Joceir Bertoni: Gostei da pergunta (risos). Parece que deveria ser uma resposta, mas não é. Apenas fazemos música que agrada nosso gosto pessoal. Gostamos do Rock Progressivo e também do Heavy Metal, então tentamos pegar o que há de melhor em cada estilo.

NHZ: Vocês lançaram em julho o primeiro álbum “full”, The Inner Journey. Como está a repercussão e as críticas ao trabalho?
Joceir - Esta sendo muito positivo. O publico está se identificando com o trabalho, é uma música diferenciada das demais, acredito que isso está sendo um ponto positivo no trabalho.

NHZ: Algumas músicas merecem destaque como Perception, que agrega passagens da Bossa Nova e Start the War pela pegada dos anos 70. Por possuírem influências diversas, fica difícil para compor ou tudo é metricamente calculado?
Joceir - Tudo é metricamente calculado. Pensamos muito antes de compor uma musica. Pegamos as influências de cada um e juntos chegamos à conclusão do que é bom para a música.

NHZ: A energia e o clima denso, que age como uma “conversa” com o ouvinte. Isso  me fez lembrar muito do álbum Promised Land do Queensryche. O que acham desse trabalho?
Joceir: Acho um álbum com uma atmosfera forte e impactante.

NHZ: Após a gravação do álbum, vocês tiveram algumas mudanças de formação. Como está à banda hoje e o que a entrada dos novos integrantes trouxe a sonoridade da banda?
Joceir: O Henrique trabalhou conosco no primeiro álbum. Ele não era efetivado como membro da banda porque estava passando por uma fase complicada. E o Bruno já havia gravado dois álbuns conosco em outros projetos, então já tínhamos muita afinidade tocando juntos. Eles são grandes instrumentistas e agregaram muito para o projeto.  

NHZ: Falando em Progressivo, vocês abriram para um dos grandes nomes do estilo, o Focus. Como foram as apresentações e o tratamento dos gringos ao Imagery?
Joceir: Foi muito positivo, poder ver uma lenda do Rock do palco é sempre uma oportunidade única. Imagine então dividir o palco com eles!

Capa do CD The Inner Journey
Divulgação
NHZ: Vamos falar da capa. A arte mostra o dualismo, mas de forma poética e não destrutiva como vemos hoje em dia. Esse conceito surgiu “de primeira” ou foi algo que foi se construindo?

Joceir: Nas letras eu procurei trabalhar com essa questão da dualidade. Então já tínhamos uma idéia de onde partiríamos para desenvolver uma capa para o disco. Passamos para o Luciano (Neves, responsável pela arte da capa) e ele fez essa obra de arte.

NHZ: Continuando a falar da capa, ela nos faz lembrar os discos de vinil.  Penso que The Inner Journey faz por merecer sair nesse formato e com capa dupla. Vocês possuem planos de lançar o álbum dessa forma?
Joceir: Planos, temos muitos. Agora concretizar depende de vários fatores. Gostaríamos muito de lançar esse disco em vinil.

NHZ: Para encerrar, citarei algumas bandas antigas e novas de Prog e queria a opinião de vocês sobre elas: Dream Theater,  Marillion, Rush, Symphony X e Pocupine Tree.
Joceir:

Dream Theater: Minha maior referencia como banda.

Marillion:  Lindas melodias e harmonias! Músicas para refletir.

Rush : Prog Rock em essência!

Symphony X :Prog Metal em essência!

Pocupine Tree: Ótima banda e ótimo produtor (Steven Wilson).

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem para os leitores!
Joceir: Muito Obrigado pelo espaço e pelo apoio, sem vocês, nós artistas independentes não teríamos espaço para mostrar nosso trabalho. Que possamos sempre defender nossa bandeira com sucesso, paz e alegria. www.facebook.com/imageryprog (Facebook)


PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...