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28 de setembro de 2015

IMMINENT ATTACK: UM NOVO CLÁSSICO DO CROSSOVER

Novo trabalho do quinteto paulista vem recheado de músicas pesadas, vocais hilários, além de feito para bangear

Por João Messias Jr.

Desde a sua criação (ou descoberta?), lá na década de 1980, o crossover brindou nossos ouvidos e prateleiras com bandas sensacionais como Cro-Mags, Suicidal Tendencias, Nuclear Assault, D.R.I, S.O.D. e Ratos de Porão. Passadas mais de três décadas, vira e mexe temos nomes que mantém o legado vivo, tais como o nosso Bandanos e o Imminent Attack, que nesse ano lançou seu segundo full, chamado de Welcome to my Funeral.

Se no primeiro trabalho, os mamutes (como são conhecidos) já haviam chamado a atenção, aqui os caras saem do status de promessa a realidade, pois a experiência de mais de um década de estrada fizeram que (quase) todos os excessos fossem aparados e com isso temos um disco que tem tudo para cair no gosto dos fãs de música pesada.

E por que digo isso? Pois a mamutada formada por Dinho Guimarães (voz), Erick Veles (guitarra), Rafael Augusto Lopes (guitarra), Ivan Skully (baixo) e André Luis bateria capricharam nas canções, que tem base a energia, capitaneada por uma produção de primeira (a cargo do próprio Rafael), que deixou tudo equilibrado e pesado.

Características que fazem a música brilhe por si própria, como nas pancadarias de Rush of Violence e a Work, Buy, Die. Porém o trabalho apresenta outras facetas marcantes, como os vocais irreverentes de Dinho, que vão numa escola Nuclear Assault/D.R.I, que dão um molho especial nas músicas, fugindo dos berros e urros de hoje.

Ainda tem mais...o flerte com o punk rock deixa canções como Kill Or Be Killed e The Meaning of Life irresistíveis, assim como os duetos de guitarras de G.U.N. e (Generic Useless Nation) e Coward Liar, ambos no melhor estilo Anthrax dos primórdios.

Também vale ser citado o design do trabalho. Embalado em paper sleeve, o trabalho é muito bonito, além dos desenhos da capa/encarte feitos de forma clara, méritos de Carlos Cananea (Paralelo Grano Studio), cuja contribuição fará com que Welcome to My Funeral figure na lista de melhores do ano de muita gente.

E não seria nenhuma heresia dizer que o trabalho tem como daqui trinta anos ser reverenciado como um clássico do crossover!

2 de setembro de 2015

LOSNA: PARA OUVIR E BATER CABEÇA

Terceiro álbum de banda gaúcha se destaca por trazer canções empolgantes e trabalhadas

Por João Messias Jr.

Another Ophidian Extravaganza
Divulgação
Apresentar inovação é o que menos vale num álbum. O que realmente dá pontos  num trabalho é se o mesmo empolga, missão que  Another Ophidian Extravaganza", dos gaúchos da Losna faz muito bem.

Neste álbum lançado em 2015, o trio formado por Fernanda Gomes (baixo/voz), Débora Gomes (guitarra) e Marcelo Índio (bateria) mantém a mesma linha de trabalhos anteriores, aliando elementos do thrash e death metal.

Graças a experiência desses onze anos de estrada, mesmo sem apresentarem novidades, fogem do lugar comum. Isso se deve ao nível musical dos músicos, fazendo com que a coisa não caia na repetição. Parte disso são méritos dos vocais de Fernanda, que embora soem como as bandas speed/thrash dos anos 80, foge do jeitão da saudosa Wendy O. Williams (Plasmatics, Kommmander of Kaos), indo numa linha mais próxima ao Sy Keeler (Onslaught), só que mais agressiva e variada, com um pouquinho de Obituary e Kreator aqui e ali...

... Voltando a falar das vozes, Amore Sapore é dona de refrão e ponte empolgantes e a pesada Back to the Grotto são alguns destaques. Só que os outros instrumentistas também dão o seu show particular, como nos riffs de Project 971 e a quase hardcore Strut!, além das batidas trabalhadas e rápidas de Immiscible Pleasures. Outro destaque fica para Mesmerized by Rotten Meat, cujas letras iniciais de cada verso formam a frase "Amor Só de Mãe", 

Aliado a massa sonora, "Another Ophidian Extravaganza" vem embalado num belo trabalho gráfico, a cargo de Tiago Medeiros e uma produção limpa e pesada feita por Fabio Lentino (Nephast) em conjunto com o trio.

Como diz o título desta resenha: "Para ouvir e bater cabeça".

29 de maio de 2015

NANDO MORAES: A LEVEZA DA MÚSICA INSTRUMENTAL

Guitarrista paulista confirma o bom momento dos músicos das seis cordas no Brasil

Por João Messias Jr.

Ignited!
Divulgação
Chega a ser absurdo o que a nova geração de guitarristas brasileiros vem mostrando em seus álbuns. Além da musicalidade acima de qualquer suspeita, conseguem a proeza de não soarem chatos e cansativos. Ao lado de caras como Wagner Gracciano, Wael Daol e Walsuan Miterran, o paulista Nando Moraes confirma essa crescente.

Conhecido por ter feito parte do Lethal Fear, o músico soltou recentemente o primeiro álbum solo, Ignited, que apesar de ser inteiramente dedicado a música instrumental, conseguiu a proeza de fazer uma música leve e agradável aos ouvidos, fazendo da audição do disco, uma tarefa agradável e prazeroza.

Tendo como base a introspecção, "Ignited!", possui uma produção limpa e quase pop, que privilegia todos os instrumentos, além de ser um trabalho que se consegue ouvir de ponta a ponta por diversas vezes. Todas as músicas são dignas de elogio, desde o piano bem marcado de Once In A Shuffle Time, a pesada The Voyager e introspectiva Here It Comes, The Machine. Nem é preciso dizer que o carequinha toca muito e vai agradar fãs de caras como Satriani e Edu Ardanuy (Dr. Sin)

Só que o momento "para tudo" fica por conta da faixa que nomeia o disco, pois ela possui andamentos quebrados, quase progressivos e alia momentos que nos puxam para as melhores fases de grupos como Queensryche e Fates Warning.

"Ignited!" é mais uma evidência do ótimo momento vivido pelos guitarristas brasileiros, além de ser uma ótima dica para recarregar as energias após as tribulações do caos urbano.

6 de fevereiro de 2015

ACCEPT: ALERTA LIGADO

Apesar de manter a qualidade iniciada desde seu retorno as atividades, em 2010, uma interrogação fica no ar com o fim da atual formação

Por João Messias Jr.

Blind Rage
Divulgação
A primeira impressão que temos ao ouvir “Blind Rage”, novo álbum dos germânicos do Accept é que time que se ganha não se mexe (ou mexia), pois o conteúdo lírico/musical encontrado não se difere muito em relação ao que encontramos desde o retorno do grupo em 2010 com “Blood of the Nations”.

Isso faz que o leitor/ouvinte entre em duas linhas de pensamento: a primeira é que não há novidades no som do quinteto formado na época por Mark Tornillo (voz), Wolf Hoffmann (guitarra), Herman Frank (guitarra), Peter Baltes (baixo) e Stefan Schwarzmann (bateria). A outra, mais lógica diz: para que mudar o que está tão bom? Algo que devemos concordar, ainda mais se for fã de um heavy metal tradicional direto, pesado e sem firulas.

A bolachinha abre com Stampede, também primeiro vídeo do trabalho, que mostra a linha tradicional do grupo descrita linhas acima, com um refrão cheio de energia e vitalidade, assim como Trail of Tears. Mas “Blind Rage” não fica restrito a esse tipo de som e a audição aponta outros contornos, como as grudentas e com os dois pés no hard Dying Breed e  Dark Side of My Heart, que contam com uma bela atuação de Tornillo, cuja versatilidade, foge (um pouco) das comparações com Udo.

Já Wanna be Free possui aquela veia oitentista e tem tudo para ser um dos novos clássicos desta nova encarnação do grupo, assim como Bloodbath Mastermind, que é perfeita para bater cabeça. Só que ainda não acabou, pois as faixas From the Ashes We Rise e The Curse, mostram momentos épicos e melódicos que conquistarão fãs e (principalmente) não fãs do grupo alemão. Impressão realçada graças ao trabalho de produção de Andy Sneap, que deixou tudo com uma timbragem moderna e com isso as canções não soam como café requentado.

A versão nacional do CD vem com o DVD “Live in Chile”, que com um pouco mais de uma hora apresenta músicas da nova fase mesclada a clássicos como Restless and Wild e Balls to the Wall, numa ótima apresentação do grupo.

Lembram do “ou mexia” das primeiras linhas? Pois bem, o grupo hoje não conta mais comHerman Frank e Stefan Schwarzmann, que hoje estão no The German Panzer. Ficamos no aguardo de que os substitutos e não me na química do grupo, que até aqui vai muito bem, obrigado!
www.acceptworldwide.com

PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...