16 de dezembro de 2013

PANZER FEST: SINÔNIMO DE QUALIDADE E VARIEDADE

Evento, que contou com as bandas Vulcano, Panzer, Executer, Kamboja e Fire Strike ainda brindou os presentes com jams que tiveram a participação de músicos renomados da cena nacional

Texto e fotos: João Messias Jr.

A mudança de local

Flavia (HellArise) e Rafael DM(Panzer)
durante jam no Panzer Fest
João Messias Jr.
Inicialmente marcado para ser no Clash Club, a segunda edição do Panzer Fest manteve a data, mas num novo local: o reformado Blackmore Rock Bar. Para quem não conhece (eu era um deles), fica na região de Moema/Indianápolis e segundo os antigos frequentadores da casa, a reforma deixou a casa melhor e mais bonita, em que gerou mais espaço. 

Além da amplitude, o local agora conta com um telão lateral em que antes e no intervalos dos shows, teve como trilhas os clássicos do rock, com destaques para a exibição dos vídeos de grupos como Badlands e Black Sabbath (fase Glenn Hugues).

Abertura alto astral

Fire Strike
João Messias Jr.
Se quisesse ficar vendo vídeos, teria ficado em casa, então, vamos ao que interessa: os shows. Contando com o mestre de cerimônias, Vinicius Neves (Stay Heavy) e sob sua condução, ás 18h, subiu ao palco a primeira banda da noite, o Fire Strike. O som e o visual dos músicos é totalmente inspirado nos anos 80, que assim como a sua música, transita entre o true (menos) e o hard (mais).

Competente, a banda é um exemplo a ser seguido, pois os músicos tocam com muito tesão e isso refletiu no público, que acompanhou atentamente a apresentação da banda. Formada por Heinrique Schuindt (guitarra), Hellywild (guitarra), Edivan Diamond (baixo), Jean Praelli (bateria) e a bela Aline Nunes (voz) desfilaram canções de seu EP, Lion and Tiger,  com destaque para os vocais altos e agudos e a transição entre metal tradicional, true e hard, que teve como pontos altos as músicas Streets of Fire (mais hard rock), Lion and Tiger, com backings poderosos, além da competente versão para Screaming for Vengeance, do Judas Priest.
Uma apresentação para elevar o astral.

Bola Fora

O Kamboja era uma banda que eu estava ansioso para assistir. Às 18h50, o
Kamboja
João Messias Jr.
quarteto formado por Fábio Macarrão (voz), André Curci (guitarra, Threat e Statues of Fire), Frank Gasparotto (baixo) e Paulão Thomaz (bateria, Baranga) iniciou seu show, com um rock pesado e bem executado, com letras que alegrará os fãs de grupos como Baranga e Velhas A diferença é que possuem um instrumental mais encorpado, baixo gordo e um guitarrista diferenciado, como pudemos ver e ouvir em Acelerado, Dama da Madrugada e Mentira, essa num pique a lá AC/DC.

Só que infelizmente o show não ficou restrito ao som. Visivelmente alterado, o vocalista a cada música xingava a organização do evento, argumentando que ensaiaram um set, mas que mudou por causa da desorganização que estava tendo no evento. Até aí, tudo bem, mas o pior aconteceu quando Edu Lawless (Rock Express) foi ao palco anunciar o lançamento do calendário das Metal Girls, quando o já citado cantor não deixou o convidado falar, xingou as garotas, enfim, uma baixaria só. Uma apresentação que ficou marcada pela euforia das músicas poderosas e a decepção, pela atitude do músico.

Seguindo em Frente

Executer
João Messias Jr.
A impressão que tive é de que graças à infelicidade ocorrida na apresentação do Kamboja, as bandas tiveram uma única preocupação: detonar no palco. Assim podemos definir a apresentação do quarteto Executer, que teve início às 19h45.

Juca (voz), Elias (guitarra), Paulo Castro (baixo) e Béba (bateria) mostraram que apesar de serem adeptos do thrash oitentista, o som da banda não tem nada de datado ou cheiro de café requentado. A abertura com Inspiration for Crime, do seu terceiro trabalho, Welcome to Your Hell, de 2006, mostrou andamentos complexos e muito groove, mostrando o poder de fogo dos caras.

Mesmo com o som oscilando na guitarra, os caras não arredaram o pé e brindaram os fãs com sons como, And the Rottenness Goes On, Damn Speech além de uma versão inspirada para Power Thrashing Death (Whiplash). Infelizmente Rotten Authorities, faixa-título de seu primeiro disco, de 1991, encerrou a apresentação. Taí uma banda que não posso ficar mais uma década sem assistir.

Quem manda no palco

Assim como o Executer, o Panzer subiu ao palco cheio de gás, mandando sons
Panzer
João Messias Jr.
com muita energia. Last Man of Earth e Burden of Proof passaram o recado, com quatro caras com energia, dessa forma, passando aos presentes que o evento tinha muito que mostrar, no melhor do thrash/stoner.

A formação atual é uma das melhores da história da banda. Os remanescentes André Pars (guitarra) e Edson Graseffi (bateria) souberam escolher os integrantes. Rafinha Moreira (voz) e Rafael DM (baixo) continuaram o legado passando muita gana e vontade, algo fundamental para quem quer vencer, como podemos ouvir em seu terceiro CD, Honor, que pode ser considerado o melhor disco.

Ainda tinha mais. Savior contou com a participação de Silvano Aguilera (Woslom), com seu vocal Bay Area fez contrapontos interessantes com Rafinha. Rising e Red Days encerraram a apresentação da banda, que cumpriu sua missão.

A Lenda

Vulcano
João Messias Jr.
Encerrando a primeira parte do evento, às 21h30, tivemos o show do Vulcano. É incrível o som praticado por Luiz Carlos Louzada (voz), Zhema (guitarra), Ivan Pellicciotti (baixo) e Artur Von Barbarian (bateria), pois apesar da simplicidade, é poderoso, macabro e climático, que reúne como referências Black Sabbath, Motorhead e Venom. Clássicos como Witches Sabbath, Dominios of Death, Awash in Blood e Gates of Iron emocionaram muitos que estavam no recinto, assim como Tales From a Black Metal Book, que mostrou que não importa a época ou estilo que esteja em alta, o que vale é que a boa música atravessa décadas, deixando o legado.

Infelizmente, devido ao tempo, Total Destruição deu números finais a primeira parte do evento, em que a banda saiu ovacionada. Merecido, pois finalmente as pessoas estão valorizando a banda, que foi uma das primeiras a fazer metal em São Paulo.

Ainda tinha mais

A segunda parte do evento foi destinada as jams, que contaram com músicos
Edu Boccomino (Chaosfear)
durante jam no Panzer Fest
João Messias Jr.
de renomadas e novas como Vodoopriest, Anthares, Electric Age, Woslom, Exhort, Panzer entre outras.

Walk (Pantera), cantada por Rafinha Moreira, abriu as jams, que tiveram um clima descontraído, fugindo daquele esquema engessado, que embora não tenha erros, quebra a espontaneidade e que foi o diferencial nesse formato de apresentação.

Apesar da execução de clássicos como The Ripper (Judas Priest) e Neon Nights (Black Sabbath), os “lados B” foram os que chamaram a atenção, como I Wanna Be Somebody (WASP, cantado por Flávia do HellArise), Dig Up Her Bones (cantada por Diego do Anthares) e Mother (Danzig, que teve na voz, Roger Lombardi do Goatlove). Inusitadas e muito comemoradas por esse que escreve as linhas desta resenha.

Só que Raining Blood, cantada por Vitor Rodrigues e que teve Edu Boccomino (Chaosfear) nas guitarras Rafael Iak (Woslom) foi a mais ovacionada da noite, que contou com uma roda e um abraço emocionante de um fã ao vocalista no fim do som.

Infelizmente Orgasmatron (Motorhead), que contou com Vinicius Neves em uma das seis cordas, encerrou a festa, que contou com um bom púbico, mas longe do ideal, pois somando as bandas e os convidados das jams, tinham os melhores músicos do metal nacional e só isso era motivo para ter a casa cheia, visto que valor do ingresso estava num ótimo preço.

Assim como o Live Metal Fest, o Panzer Fest merece vida longa, mas lembrem-se que isso não é algo que dependa única e exclusivamente da organização. Headbangers (valorizem mais sua cena), imprensa (não se restrinjam aos grandes eventos) e bandas, vamos nos unir e fazer algo melhor, pois se por um lado, estamos numa situação difícil, competindo com muitos eventos no mesmo dia, ao mesmo tempo é fácil, pois está nas nossas mãos as ferramentas para virarmos esse jogo.

11 de dezembro de 2013

TEMPLO DE FOGO: A FORÇA DO METAL CRISTÃO

Após anos sumido da grande mídia metálica, vertente tem tudo para voltar a figurar na preferência dos headbangers

Por João Messias Jr.

O Preço
Divulgação
Entre o fim do século XX e início deste novo milênio, o metal cristão, ou white metal estava com sua popularidade em alta. Dessa forma, bandas como Eterna, Rosa de Saron, Antidemon, Destra e muitas outras eram presença garantida nas revistas e fanzines, além de serem lembradas constantemente nos festivais seculares (não cristãos) de metal e listas de melhores do ano.

O tempo passou, alguns grupos sumiram, outros mudaram de estilo e até de proposta, mas o Templo de Fogo continua na ativa, mostrando com seu novo trabalho que pode levar essa vertente metálica para um outro patamar.

O quarteto, atualmente formado por Moisés Missão (guitarra e backing vocals), Anderson Américo (guitarra), Zé Ronaldo (bateria) e Fernando Miguel (teclado), além do convidado Marquinhos Jabur (voz e baixo, ex-Brave) lançaram recentemente o EP O Preço. O disquinho possui cinco faixas e o som se mantém fiel ao que faziam nos anos 90, uma mescla de hard rock, metal melódico e power metal, que tem como ponto alto o trabalho das guitarras e as letras, assumidamente cristãs, que caíram como uma luva aqui, graças a pegada épica que o disco possui.

O Preço, faixa que abre o disquinho começa com arpejos a lá Helloween e talvez decepcione aqueles que gostam de vozes agudas, pois a linha utilizada aqui é mais grave, próxima a de bandas como Blind Guardian e Helloween (fase Andi Deris).

A seguinte, Bruxas de Salém é mais voltada ao hard rock, com bateria marcante e um bom uso dos teclados. Já Chorai, com sua pegada mais tradicional e com vocais mais agressivos é a melhor do trabalho, além de uma ponte soturna interessante que diz “Onde Está o Clamor/O grito do Santo”. Renúncia é uma balada de letra muito bonita que fala do resgate da fé e o pique power inicial retorna com Tuas Mãos, que encerra bem o disco.

Talvez a linha vocal, por ser cantada em português, divida opiniões. São necessárias algumas audições para entende-la, mas depois disso é só ligar o som bem alto e curtir.

Graças a discos como esse, somada a volta do Stauros e com os novos discos do Eterna e Combate Vertical prestes a sair, as expectativas de um novo crescimento do estilo são grandes. Mas caso isso não aconteça, pelo menos os fãs de música pesada serão brindados com trabalhos de muita qualidade.
www.facebook.com/bandatemplodefogo

6 de dezembro de 2013

TAILGUNNERS: O METAL TRADICIONAL CONTINUA COM SEU ESPAÇO GARANTIDO

Quinteto inspirado em grupos britânicos do estilo, promoveu o lançamento de seu terceiro trabalho, The Gloomy Night

Texto e fotos: João Messias Jr.

Para quem não conhece, a Tailgunners é um grupo paulista que surgiu nos
Tailgunners
João Messias Jr.
anos 90 e que faz um som inspirado na NWOBHM e que possui como referências principais Iron Maiden (mais) e Judas Priest (menos) e que após um tempo sumida, retorna com força total, com direito a um novo álbum e tudo mais.

Atualmente contando com Daniel Rock (voz), Raphael Gazal (guitarra), Lely Biscasse (guitarra), Lennon Biscasse (baixo) e Gustavo Franceschet (bateria), o quinteto promoveu nesta última sexta-feira (29), o lançamento do seu terceiro trabalho, The Gloomy Night, no Estúdio Produssom.
Contando com um ótimo público na casa, o quinteto iniciou o show às 20h40, com dois sons do novo trabalho: Gloomy Night e The Vampire is Me, que mostram além da fidelidade no estilo praticado pelo grupo (que bebe nas fontes citadas linhas acima), com um excelente nível musical.

Após essas duas músicas, o vocalista agradeceu á todos que estavam presentes, dizendo que todos que estavam lá eram realmente amigos e que aquele momento era muito especial para a banda. Para celebrar, mandaram Abolition of Slaves, do debut, Battlefield, que teve como frontman Mário Pastore. Nessa música, Daniel mostrou sua maior virtude, não usar agudos na estratosfera, cantando de forma natural, o que se mostrou positivo no som da banda.

Tailgunners
João Messias Jr.
Do segundo trabalho, Behind the History (que teve Roddy B do Avenger nas vozes) a banda mandou Freedom, Although Late, dona de andamentos quebrados e interessantes. Mas não dá pra negar que com o mais recente trabalho a banda atingiu o ponto alto de sua carreira até agora.

Infelizmente One of Them e Vlad Tepes: The Impaler, que teve direito a capa e tudo encerraram a curta apresentação, que durou aproximadamente 40 minutos, mas que foram suficientes para duas contastações. Que o país tem um grande representante do metal tradicional e que e desculpem os fãs de Maiden e Priest: ao invés de ficarem idolatrando cantores que não conseguem mais cantar o repertório de sua carreira, que tal conhecerem um grupo do seu próprio país que está no ponto alto da carreira na espera de novos fãs.

Fica a dica!

5 de dezembro de 2013

METALIZER: ESTREIA MAIS DO QUE AGUARDADA

Debut de grupo paulista faz uma reverência ao período que para muitos foi o melhor e mais produtivo do metal

Por João Messias Jr.

Foram nove anos de espera, mas que valeram a pena esperar! Fundado em
The Thrashing Force
Divulgação
2004, o quarteto atualmente formado por Sandro Maués (voz, Zênite), Nilão Bonebreaker (baixo), Douglas Lima (guitarra) e Thiago Agressor (bateria e backing vocals) passou quase uma década para conseguirem lancar seu debut, The Thrashing Force, que como o título sugere é uma reverência a fase oitentista do thrash metal, que para muitos, foi a melhor do estilo.

Só que aqui não tem nada de copiar e colar o som de bandas do passado, pois apesar de tudo, o grupo tem muita personalidade e faz uma alquimia curiosa, pois os vocais lembram Kreator, Onslaught (Sy Keeler) e Metal Church (David Wayne) e o instrumental tem uma pegada mais brazuca mesmo, o que é surreal.

O disco abre com a instrumental Trails of a Blood Storm, que prepara o ouvinte para a paulada Peace in Pieces, que é um thrash crú, com bateria seca e marcante. Alcoholic Madness possui vocais encarnados em Mille Petrozza e tem um início e fim interessantes, com o abrir de uma bebida de sabor cevada que se aprecia gelada. Electric Homicide é um dos pontos altos do disco, com riffs cadenciados e passagens heavy tradicional, assim como a faixa que nomeia o grupo, pesada e um bom trabalho de backing vocals. Antes de falar das outras músicas, temos que falar da capa, feita por Fernando Lima (Drowned), que sintetiza muito bem a vibe do trabalho, que é curtir um bom metal.

Voltando as faixas, outra que se destaca é Emptiness, que reverencia os primórdios do estilo, quando o mesmo era influenciado pelo rock and roll, lembrando grupos como Raven e Anvil, mostrando a importância desses grupos na história do metal. Só que o melhor ficou para o fim com Silent Desperation, que começa acústica e depois ganha intensidade, descambando para o thrash e com backing vocals bem encaixados. Aliás esse é um lado que a banda poderia explorar mais em futuros trabalhos, pois os estilos se complementam e deixariam o som ainda melhor e mais forte, principalmente ao vivo.

Mas isso é apenas uma observação, pois o trabalho do quarteto é muito bom e mostra que não é necessário produções plásticas e afinações baixas para fazer música pesada, agressiva e de qualidade.

Com um som bacana desses, não podem ficar mais nove anos sem lançarem um novo trabalho, jamais!

4 de dezembro de 2013

VERÔNICA PIRES: EMOCIONANDO FÃS (E NÃO FÃS) DO REI ROBERTO CARLOS

Cantora, acompanhada de uma banda talentosa, apresentou repertório de todas as fases do maior nome da Jovem Guarda

Texto e fotos: João Messias Jr.

Verônica Pires e banda
João Messias Jr.
O mais legal de quando você escolhe uma carreira a seguir (desde que faça por prazer e não por dinheiro) é que certos tabus e preconceitos desaparecem naturalmente. Um exemplo foi à cobertura da apresentação da cantora Verônica Pires, realizado nesta última quinta-feira (28), no Estúdio Produssom, em São Paulo.

Verônica, que é reconhecida nacional e internacionalmente pelo seu trabalho como Madonna Cover, trouxe nesta noite quente o espetáculo Roberto Carlos Experience, que consiste em apresentar versões mais voltadas ao rock and roll aos clássicos do “Rei” e maior ícone da Jovem Guarda.

Antes de falar do show, vale citar que a decoração do espaço para a realização da festa. O local estava com puffs, o que deu um ar bem intimista, mostrando que os presentes não eram “consumidores” de arte, mas sim, amigos, apoiadores e incentivadores.

Às 21:25 o espetáculo teve início com Além do Horizonte, mostrou além da faceta mais rock um contraste interessante: a voz fina de Verônica, que é inspirada nas musas pop oitentistas como Paula Abdul, Debbie Gibson e (claro) Madonna, que além de ser totalmente funcional nas músicas, das quais falarei a seguir, consegue juntar diversos públicos, desde os fãs de festas retrôs até os fãs de animes.

Acompanhada de uma banda fora de série composta por  Cauan Medeiros (bateria), Fernando Vinhas (teclado), Toninho Gulin (baixo) e Lucas “Papito” Paolini (guitarra), o time fez um espetáculo a parte, pois por todos terem destreza em seus instrumentos, deixavam as canções ainda mais intensas, como Quando e até mesmo É Preciso Saber Viver. Era apenas o começo...

Verônica Pires e Banda
João Messias Jr.
... Estrada de Santos foi um dos momentos mais bonitos da interpretação, pois a canção recebeu uma pegada mais bluesy e solos melancólicos que me renderam lágrimas no rosto, assim como O Portão, que Verônica dedicou a mãe (já falecida) recebeu uma interpretação poderosa e cheia de feeling, que deve ter ficado na mente de todos que estavam lá.

O alto-astral voltou com Se você Pensa, que fez alguns levantarem de seus lugares e dançar, tamanha energia boa! É pertinente dizer que mesmo nas canções mais emotivas, o espetáculo é pra lá de positivo, que manteve essa vibe com Eu Te Darei o Céu e Como 2 e 2, que aqui virou uma balada bluesy, que os oitentistas vão amar!

Não Vou Ficar, de Tim Maia e regravada pelo Rei, manteve o clima e pegada soul, com solos caprichados, aliás, vale dizer que apesar de jovem, Papito embora dono de uma técnica refinada, não fica exibindo pentatônicas e complexidades, fazendo tudo com muito feeling.

Reta final

Após a “power ballad” Eu te Amo, a banda executou Tava Pensando, música
Verônica Pires e banda
João Messias Jr.
autoral do grupo, que possui duetos marcantes de guitarra e teclado, além do jeitão pop retrô delicioso, que agradara aos fãs de música boa.

O espetáculo (quase) se encerrou com as apoteóticas Que Tudo Vá Para o Inferno e É Proibido Fumar, que incendiou os presentes, que não deixaram a banda sair do palco sem um bis, que foi prontamente atendido com O Portão, numa apresentação irrepreensível e que com toda a certeza me fez pensar que se não tivesse visto, ficaria muito chateado.

Parabéns Verônica e banda, pois esse show é a prova viva de que é possível sim mostrar música de qualidade e feeling com muita criatividade e bom gosto. É por essas oportunidades que a cada dia que passa, sinto mais orgulho de ter escolhido o jornalismo como carreira e oportunidade!

3 de dezembro de 2013

IMPETUOUS: EQUILÍBRIO A MODA ANTIGA

Com um ano de existência, quarteto faz um death metal que acerta na fusão de peso, groove e melodia

Por João Messias Jr.

A Voice Inside Us
Divulgação
Quando se fala de death metal melódico hoje em dia, a primeira coisa que vem na cabeça são os grupos de metalcore. E quando ouvimos grupos investindo na sonoridade que nos remete a bandas como Gorefest, At the Gates e os primeiros tempos do In Flames, é motivo de orgulho. Essa é a base do  Impetuous, que lançou neste ano seu primeiro trabalho, o EP A Voice Inside Us.

Como disse linhas acima, o quinteto formado por Raull (vocais), Messias Carvalho (guitarra), Pedro Bueno (guitarra), Nicholas Teixeira (baixo) e Alberto Rocha (bateria) não copia as bandas citadas, usa apenas como referência e acrescenta (muita) personalidade, segurança, além de cativar logo de primeira.

O trabalho abre com uma intro caótica, que abre caminho para Mirror, que começa com solos inspirados no metal tradicional e depois se transforma numa pancadaria só, com vocais que berrados (mais) e guturais (menos), além de muitas quebradas, passagens grooveadas e um final maravilhoso com a linha tradicional do início. O groove aparece também em So Deep Is My Prision, que tem como destaque o trabalho do baixo.

A faixa-título possui andamentos mais thrash, vocais agonizantes e riffs apocalípticos e passagens lentas, que vem embaladas com o freetless e solos sincronizados, dando o encerramento "Classe A" merecido.

Fora as músicas, a ótima produção feita por Ivan Pellicciotti (Vulcano) e a capa, assinada por Marcus Lorenzet são mais alguns motivos que fazem o ouvinte querer saber mais sobre a banda, que possui músicos que figuraram em bandas como Violent Vision e Shadowside.

Não gosto de dar nota para discos, pois nem sempre os números justificam nossos textos, mas aqui é sem dúvida nenhuma se fosse para avaliar dessa forma, seria com um 10, com louvor!

Precisam lançar um CD com urgência!

2 de dezembro de 2013

NERVOCHAOS: SINTETIZANDO PASSADO E PRESENTE

Banda paulistana faz pré-lançamento de seu primeiro DVD com apresentação que contou com a presença de antigos integrantes

Texto e fotos: João Messias Jr.

Antes do Nervochaos, um pouquinho do Anvil

HellSakura
João Messias Jr.
O DVD Anvil: The Story of Anvil foi um trabalho que mostrou a geração rocker e headbanger a difícil vida de uma banda para manter sua carreira gravando discos e viajando pelo mundo e aquele sonho de viver única e exclusivamente de sua música é algo para poucos, muito poucos.

Um trabalho perfeito, mas que, apesar de falar de um grupo que não se tornou mainstream, a película tem uma pegada hollywoodiana e talvez por isso, não capte o pessoal do underground, mesmo tendo como “estrela” um grupo do segmento.

Talvez isso mude com o lançamento do DVD 17 Years of Chaos, dos paulistanos do Nervochaos. Como o nome sugere, o trabalho fala da trajetória de 17 anos de vida do grupo, que surgiu após os então membros do Siegrid Ingrid, Gubber e Sidney (guitarras), Thomas (baixo) e Edu Lane (bateria) deixarem a banda e montar outro trabalho.

Claro que esse caminho não foi fácil. Cinco discos de estúdio, um ao vivo e três demo-tapes, além do DVD e diversas mudanças de formação, em que restou apenas Edu, que por diversas vezes remontou o time, que hoje conta além do baterista com Felipe Freitas (baixo), Quinho (guitarra) e Guiller Cruz (guitarra e voz).

Momento Histórico

Necropsya
João Messias Jr.
Foi realizado no feriado de 15 de novembro um encontro para imprensa e convidados o lançamento do DVD, em que foi exibida a primeira parte do documentário, que conta com depoimentos de antigos e atuais membros além de personalidades da mídia metálica e histórias hilárias.

O local escolhido foi o Estúdio Produssom, localizado próximo ao metrô Clínicas, que já recebeu diversos artistas como Desalmado, Cursed Slaughter, Macchina, Tailgunners, entre muitos outros.

Junto com a exibição da película, foi apresentado um show especial, que contou com a participação de antigos integrantes e apresentações das bandas Hellsakura e Necropsya.

Os shows

Ás 20h40, os shows tiveram inicio com o HellSakura. O quarteto, que conta
Nervochaos
João Messias Jr.
atualmente com Cherry Sickbeat (voz e guitarra), Donida (guitarra, Matanza), Napalm (baixo) e St. Denis (bateria) detonaram uma mescla de punk e metal, com destaque para os ótimos riffs, que fazem com que as canções se tornem grudentas, como a trinca Bombs Away, Distorted Mirror e Leave my Skull, todas de seu mais recente álbum, Bloody to Water, lançado em 2011, que por sinal, foi a base da apresentação.

O show também contou com as inéditas Death Row e Gory. Essa última, teve a participação de Guiller nos backing vocals. Outra nova executada foi Heavy Metaro, que é mais pesada e elaborada, além de contar um ótimo trabalho de bateria.

Hate deu números finais ao excelente set apresentado pelo quarteto.

Nervochaos
Divulgação
A segunda banda da noite foi o  Necropsya. Vindo de Curitiba e formado por Henrique Vivi (voz e baixo), Henrique Bertol (guitarra) e Celso Costa (bateria), o trio apresenta uma música solta, que tem base no thrash/death metal, que conta com muitas passagens e quebradas que lembram o grupo cristão Tourniquet, principalmente nos “diálogos vocais”, como pudemos ouvir em Killer, de seu mais recente CD, Distorted.

Era visível a empolgação da banda, que agradecia aos presentes a cada canção executada. Outros destaques do curto set foram Stress e Determinación. Com toda a certeza é uma banda que nós paulistas devemos prestar mais atenção.

Uma bela celebração

Apesar das aberturas pra lá de competentes, os presentes estavam ansiosos
Nervochaos
João Messias Jr.
para conferir a apresentação do Nervochaos. E esse show foi muito especial, pois além de ser gravado para futuro lançamento, contou com a participação de antigos membros.

I Hate Your God deu início à festa. Foi mágico ver no palco Marcelo Miranda (voz, Olam Ein Sof) e Gubber (guitarra, Skinlepsy), Sidney, junto com Felipe e Edu revivendo praticamente a primeira formação da banda. Ainda nos primóridios, Marcelo deu lugar para Sidney e mandaram Mighty Justice, também do debut dos caras, Pay Back Time. Outros ex-membros que participaram da festa foram Covero (guitarra, Voodoopriest), Gordo (voz), Thiago Andúscias (baixo, Amazarak), Wellington (guitarra), Hareton (baixo) e Daniel Blasphemoon (voz). Ter esses caras no palco foi  um momento mágico, por  ver músicas como Televangelism, Total Satan, Cold Feeling e Putrid Pleasures com as formações quase originais.

Nervochaos
João Messias Jr.
O mais interessante foi que, apesar da banda ter mantido uma linha estilística desde os primeiros trabalhos, percebe-se as nuances de cada época, desde a linha mais crossover de I Hate Your God e os momentos mais caóticos de Putrid Pleasures.

Mas não há de se negar que a atual formação é a mais forte da história do hoje quarteto. Com vocais e backings bem encaixados, além da sua própria forma de fazer death metal, que busca inspiração nas bandas mineiras dos anos 80. Dessa formação mandaram a faixa-titulo de seu mais recente álbum, To The Death, lançado no ano passado.
O set passou muito rápido e anunciaram a saideira com Pure Hemp, que fechou com o astral lá em cima essa baita festa.

Enfim, uma noite histórica, que contou com uma excelente organização, apresentações memoráveis e o mais importante, uma ótima presença de público, que foi representado pela imprensa e de bandas como Woslom, Chaos Synopsis, Necromancia, Ação Direta, Necromesis, Queiron, entre outras.

É clichê encerrar dessa forma, mas é a frase que mais cabe nessas linhas: Parabéns Nervochaos e que venham mais 17 anos.

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