"Primeira edição do evento contou com ótimo público e apresentações intensas"
Texto: João Messias Jr.
Fotos: Pri Secco
É fato que de uns anos para cá os
ditos “headbangers” adoram bater no peito e que valorizam a cena de seu próprio
país, com declarações que soam como letras do Manowar por meio das redes
sociais, mas que chega na hora H, não vão comparecem aos shows, baixam os
álbuns da internet (ou copiam de quem comprou), entre outras pérolas. Aí fica a
questão: O que fazer?
Uma das alternativas é juntar
bandas que nutrem dos mesmos objetivos e montar festivais. Dentre os que seguem
este padrão temos o Live Metal Fest, Executer Fest e o Panzer Fest, realizado
no dia 15 de junho (sábado). Este último que encabeça a nossa matéria de hoje!
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Samuel Dias (Forka)
Foto: Pri Secco |
Como o próprio nome diz, o fest é
uma iniciativa da banda Panzer, veterano grupo thrash que fez muito barulho nos
anos 90 com os álbuns Inside e The Strongest e que após um tempo e
outros projetos, retomaram as atividades. Dessa volta, já conceberam um single
(Rising) e um EP (Brazilian Threat). Para fazer parte da
festa os caras chamaram quatro bandas de destaque na cena: Forka, Nervochaos, Woslom e Command6.
Decisão acertada
A casa escolhida para esta
celebração foi o Cine Jóia, na Liberdade, local que já recebeu atrações
nacionais e internacionais de peso como Cavalera
Conspiracy e Morbid Angel. O que poderia ser ousadia por se tratar de uma
casa maior do que redutos do metal como
Blackmore e Manifesto.
Esta decisão arrojada se mostrou
certeira, o que pode ser vista logo na entrada da casa, com vários “camisas
pretas” a porta da casa, expectativas que foram confirmadas logo na primeira
apresentação.
O início do massacre
Ás 20h30 a primeira banda a
entrar no palco foi o Forka. Do ABC
paulista, o
quinteto formado por Ronaldo S. Coelho (voz). Alan Moura e Samuel
Dias (guitarra), Ricardo Dickoff (baixo) e Caio Imperato (bateria) vive seu
melhor momento da carreira com seu terceiro álbum, Black Ocean, que aposta numa linha mais direta (death/thrash) sem
perder o groove. Outro fator que ajudou a elevar o nível da banda são suas
apresentações, que se caracterizam pela agressividade, intensidade e
descontração.
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Guiller (Nervochaos)
Foto: Pri Secco |
O show teve os ingredientes
citados acima, mas chamou a atenção por algumas particularidades. A primeira
estava na formação, que não contou com o baixista Ricardo, que sofreu um
acidente e a banda optou por tocarem como quarteto sem ninguém segurando as
quatro cordas.
Com um som cristalino, a banda
impressionou pela fúria e com a coesão destiladas em canções como Black Ocean, Last Confrontation e The Human Race is Dead. Mas isso foi só
o começo. Com uma resposta mais que positiva de quem estava na pista, os caras
mandaram Feel Your Suicide, som que dá o título do primeiro CD dos caras e
Knowing Your Suffering, que se destacou pelo groove frenético.
Após ajustes no som, a banda
tocou mais uma do Black Ocean, Last Breath e depois de uma pequena
pausa foi à hora de dois dos melhores sons da banda: Forgiveness Denied e Empire
Surrender, que além da brutalidade, mostraram que os trechos em português
casaram bem com a nova fase.
O show se encerrou com uma versão
para Angel of Death (Slayer) com um
jeitão Forka.
Acerto de contas
As apresentações das bandas
seguintes, Panzer e Nervochaos foram uma espécie de acerto de contas. Sim, pois
apesar da qualidade de ambas e de oportunidades de assisti-las por diversas
vezes, já fazia mais de dez anos que não as via num palco. Sim, mas felizmente
o festival me livrou dessa vergonha.
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Rafinha Moreira (Panzer)
Foto: Pri Secco |
O Nervochaos, atualmente formado
por Guiller (voz/guitarra), Quinho (guitarra), Felipe (baixo) e Edu Lane
(bateria) mostrou que está no melhor momento da carreira e que as apresentações
pelo país e exterior deixaram a banda mais forte e coesa. Com um entrosamento
de fazer inveja e uma ótima postura de palco, mandou aos presentes o melhor do
death metal. Mesclando sons de toda sua carreira, a banda fez a alegria dos
presentes com destaque para Total Satan,
Might Justice, Mark of the Beast,
All-Out War. Outro fator digno de elogios são o entrosamento nos backing
vocals feitos pela “linha de frente”, que tornaram as canções ainda mais
maléficas e perfeitas.
Sob a frase “Deus não está aqui
hoje” foi anunciada Pazuzu is Here, que foi respondida a plenos pulmões.
Infelizmente Pure Hemp deu números finais ao show do quarteto, que mostrou que
não deve em nada aos grandes nomes do estilo do exterior.
Já se passavam das 22 horas
quando os thrashers do Panzer iniciaram seu show. Com toda a justiça aos seus
trabalhos lançados nos anos 90,
a banda, que hoje conta com Rafinha Moreira (voz), André
Pars (guitarra), Rafael DM (baixo) e Edson Graseffi (bateria) vive seu melhor
momento. Essa fase de glória pode ser vista e ouvida em Red
Days, My Night,
N.S.A e Burden of Proof. Antes de
voltar a falar do “todo”, merecem ser citados os “Rafaeis”. Tanto o vocal como
o homem das quatro cordas possuem uma postura insandecida, que contagia toda e
qualquer alma. Essa energia ganhou o público que foi brindado com mais sons como
Fake Game of Heroes e a nova The Last Man On Earth.
O show contou com as
participações especiais de antigos integrantes como Denis Grunheidt (Ancesttral) e Maurício “Cliff” (Sakrah),
ou seja, estava tudo “em casa”. Torço para que logo soltem um novo álbum e que
voltem ao lugar de onde não deveriam ter saído: o topo!
Após essas apresentações, me
perguntei: Como fiquei mais de uma década sem assisti-las?
Evolução Monstruosa
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Silvano Aguilera e Rafael Iak (Woslom)
Foto: Pri Secco |
O Woslom era uma das bandas mais aguardadas da noite. Tal fato era
constatado pela boa quantidade de bangers
que estavam com a camiseta do quarteto.
E essa ansiedade possui alguns motivos,
como a performance insana do grupo em suas apresentações. Só que a principal
causa é por causa de seu novo trabalho, Evolustruction,
onde apesar de permanecerem no thrash,
saíram da zona de conforto e apostaram em passagens mais trabalhadas com muita
melodia e influências do heavy
tradicional e do hard rock, o que
resultou num dos discos mais aclamados deste ano.
Tá bom, vocês querem saber do
show né? Os caras entraram mostrando o que o público queria ver: thrash. Purgatory, do Evolustruction
abriu a apresentação impressionando pelo entrosamento do quarteto,
principalmente os guitarristas Silvano Aguilera (também vocalista) e Rafael
Iak, este último, inspiradíssimo, com uma performance digna dos mestres do
estilo (alguém disse Alex Skolnick,
do Testament), mostrando solos e riffs pavorosos como os de No Last
Chance. Mas a cozinha formada por Francisco Stanich (baixo) e Fernando Oster
mostrou a evolução de toda a banda, o que deu um sentido de unidade ao show,
principalmente por tocarem com muito gosto e tesão.
Haunted by the Past, cujos backings
poderiam tranquilamente figurar em qualquer protesto e Evolustruction
foram os pontos altos da apresentação, que se encerrou de forma sublime com
Time to Rise, faixa título de seu
primeiro álbum.
Creio que com mais shows, a
performance do quarteto ficará ainda mais intensa e aí o planeta ficará pequeno
para o Woslom.
Encerramento
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Command6
Foto: Pri Secco |
(Infelizmente) Com a casa mais
vazia, coube ao Command6 fazer o
encerramento do Panzer Fest. O
quarteto formado por Wash (voz), Bruno F.Luiz (guitarra), Johnny Haas (baixo)
,Bugas (bateria) e que atualmente contam com Alex Gizzi (Trayce) de forma
temporária mostraram que são um nome para ser ouvido com mais atenção.
Unindo diversas escolas do rock/metal e um vocal com a saudável
influência de John Bush (ex-Anthrax) os
caras entraram mandando bronca com sons de seu segundo álbum, Black Flag, lançado no ano passado. As
músicas Crush the World, Lies So Pure, So
Cold e Dawn of a Man mostraram muita dinâmica e entrosamento, cujos
destaques são a coesão e os vocais de Wash,
que considero um dos melhores da atualidade. Depois da boa impressão das
primeiras faixas, os caras mandaram a faixa título do segundo álbum, Black Flag, que mistura as escolas dos
anos 80 e 90 e You Want it You Got It,
dona de uma levada empolgante.
A apresentação teve a impressão
de ter passado rapidamente quando a banda anunciou o último som, Jesus Cry, do
primeiro álbum “Evolution”, dona de um ritmo alto astral, graças a energia dos
riffs.
Saldo Final
Uma noite que perfeita, que
deixou todos os presentes satisfeitos e que não deve em nada aos grandes shows
do estilo. Vamos ficar no aguardo da segunda edição, prometida para o final do
ano!
Agora senhores headbangers, não
há desculpa para não comparecerem nos shows!