12 de novembro de 2013

SEVENTH SEAL: "FOI UM POUCO DIFÍCIL, AFINAL SEMPRE FOMOS BEM UNIDOS"

Mudanças de formação é algo cedo ou tarde (infelizmente) toda banda tem de passar. Algumas não aguentam o baque e encerra as atividades, já outras se fortalecem. Como o quinteto do ABC paulista Seventh Seal. O guitarrista e fundador Tiago Claro recrutou um time de primeira com o guitarrista Thiago Oliveira, o baixista Victor Próspero, o retorno do baterista Roberto Moratti e o vocalista Leandro Caçoilo. Juntos lançaram o álbum Mechanical Souls, que chama a atenção pela sua variedade e pela produção, que deixou tudo uniforme.

Nessa entrevista, a dupla de guitarristas fala além dos assuntos acima, sobre a cena do metal nacional no país, fora dele e muito mais.


Confiram!


Por João Messias Jr.

Fotos e Imagens: João Messias Jr./Divulgação

NEW HORIZONS ZINE: Após o segundo trabalho, Days of Insanity, aos
Seventh Seal 2013
Divulgação
poucos a banda foi sofrendo mudanças de formação, restando apenas o guitarrista Tiago Claro. Como foi juntar as peças e reformular o grupo?
Tiago Claro: Foi um pouco difícil e dolorido, afinal sempre fomos bem unidos, eu formei a banda com o Ricardo e o Guilherme Busato e o Ricardo Peres entrou menos de um ano depois então ficamos tocando junto por mais de 10 anos, com o R.Peres 15 anos. Os dois irmãos foram morar na Europa e saíram antes do Days of Insanity ser lançado.

Na sequencia tivemos alguns músicos que são grandes amigos nossos, mas com certeza a entrada do Thiago Oliveira foi o ponto chave pra fazermos esse álbum. Logo depois, o Ricardo deixou a banda e chamamos o Leandro que já era um velho conhecido nosso. E também após a gravação o Roberto Moratti que gravou o Days of Insanity voltou pra banda. Ou seja é uma história um pouco confusa mesmo (risos).

Thiago Oliveira: O meu material acabou chegando nas mãos da banda através da Simone do Midnightmare, uma grande amiga. Eu já tinha visto a banda ao vivo antes e eu me impressionei muito com o vocal do Ricardo, era uma puta banda de se assistir o show. E como eu estava aqui estudando, sem nenhuma oportunidade profissional séria, eu abracei o convite com unhas e dentes.

NHZ: Hoje podemos dizer que o Seventh Seal possui uma das melhores formações de sua história, com Tiago Claro e Thiago Oliveira (guitarras), Victor Próspero (baixo), Roberto Moratti (bateria) e Leandro Caçoilo (voz). O que pesou na escolha de cada um dos novos integrantes?
Tiago Claro: Olha, quando estávamos procurando um guitarrista, recebi diversas demos e tinham muitos caras que tocam demais, só que o Thiago eu pirei não só por ele tocando mas também pelas composições, achei muito diferentes do que rola por ai. O Victor já é um grande amigo há anos e toca muito bem, o Roberto foi da banda de 2001 a 2007 mais ou menos e o Leandro foi que nós precisávamos de um grande vocalista, então ele ouviu as pré-produções deste álbum, curtiu, fizemos um show e logo em seguida ele entrou na banda.

Thiago Oliveira: A minha namorada fazia aula de canto com o Leandro e algumas vezes eu ia lá ficar de bobeira. Quando ele ficou sabendo que o Ricardo saiu eu percebi que ele ficava “curioso demais” (risos). E como o Tiago falou, eu mostrei pra ele o instrumental do disco e ele se interessou. Quando a gente fez o show com ele como contratado, a energia fluiu muito bem. Muitas bandas o convidaram pra entrar, várias de renome inclusive, ele chegou até a fazer alguns trabalhos como convidado, mas a qualidade do novo trabalho foi o fator decisivo pra que ele entrasse na banda como membro efetivo.

Mechanical Souls
Divulgação
NHZ: Com essa formação vocês lançaram recentemente o álbum Mechanical Souls, que teve como primeiro single a faixa Beyond the Sun. O que os motivaram na escolha dessa canção?
Tiago Claro: Simplesmente pelo fato de ser uma musica pesada, trabalhada mas ao mesmo tempo com um refrão direto. Acho que ela representa bem o que é o álbum
.
Thiago Oliveira: É uma composição em que a letra situa bem o ouvinte com relação à mensagem do disco. Isso sem contar que mostra onde o som está agora, com mais peso, afinação mais baixa e algumas passagens mais complexas.

NHZ: O álbum possui um direcionamento que conecta o debut, Premonition e o peso de Days of Insanity. Essa conexão entre os dois trabalhos foi planejada?
Tiago Claro: Planejada não. Na verdade, quando começamos a compor, a minha ideia era fazer algo diferente do que fizemos nos dois discos anteriores, mas sem perder a essência do que é a banda, então muitas vezes o Thiago se encontrava com o Dárcio antigo baixista) na casa dele gravavam as ideias e me mandavam para ouvir e naturalmente isso acontecia, mesmo porque eles nem estavam na banda quando lançamos os dois álbuns, mas eles mesmos tinha essa mesma intenção que eu.

Thiago Oliveira: Como eu não fazia parte da banda nessa época eu não pensei em nenhuma ponte entre os trabalhos anteriores e para ser sincero, eu acho o som bem diferente, afinal é outra época e hoje temos outras pessoas na banda. Tudo isso influi.

NHZ: Ainda falando nas músicas do disco, elas chamam a atenção pela
Tiago Claro
João Messias Jr.
variedade. Sleepless é uma balada, Dark Chaint possui momentos que beiram o black metal  e Virtual Ego com seus momentos hard e thrash. Por causa das diferenças entre uma canção e outra, chegaram a pensar em limar algumas do disco?
Tiago Claro: Não, alias essa é uma caracteristica do Seventh Seal desde o primeiro CD. Se você pegar o Premonition você irá ouvir a Falling Tears(balada) como a Die Lie que é um thrash/ death. No Days of Insanity, temos a Mistake in Love(balada) e a Grave of Sadness (thrash). Sem contar as músicas hard rock que tem em ambos, como Evil Love (Premonition) e The Miles Came Between Us (Days Of Insanity). Então, só limamos se a música não nos agrada independente do estilo delas.

Thiago Oliveira: Interessante você mencionar a Dark Chant. Ela era na verdade, uma composição de uma antiga banda que eu tive, e que foi limada do álbum. O mais legal é que agora que saiu é uma das mais bem comentadas nos reviews. No meu ponto de vista, na hora de compor a única regra é não ter regra (risos). Então, como eu já ouvi muito Dimmu Borgir, vai ter alguma coisa ali que influenciar, seria muito falso da minha parte limar uma passagem só porque não é comum ter aquilo no álbum de estilo X ou Y. Seguir rótulos só limita. O flamenco que você citou num review era porque eu tenho formação de violão erudito, então eu deixo a coisa vir independente do que pode ter originado aquilo.


NHZ: A produção foi feita no Norcal Studios pelo guitarrista Thiago Oliveira, que antes de tudo, merece os parabéns,  pois conseguiu nivelar todos os instrumentos por igual, dando ao ouvinte a oportunidade de ouvir uma banda de verdade. Para chegar nesse resultado, algum trabalho te inspirou ou seguiu o feeling?
Thiago Oliveira: Valeu João, não foi fácil chegar! Era muita coisa no arranjo e não podia sair de qualquer jeito. Com relação ao som, eu não tinha nenhum trabalho em mente, mas eu sabia bem o que eu queria. Eu queria um som moderno, mais pesado e eu sabia que ao mesmo tempo as melodias e as coisas mais sutis estariam lá. E como eu sabia o tipo de som que esse CD teria que ter, nós acabamos optando pela mixagem do Brendan no Norcal. Eu já tinha levado um trampo pra masterizar por lá e  percebi que ele tinha um ouvido muito bom pras coisas, esse é o diferencial.
Muitas vezes em uma produção algum instrumento é enterrado é porque a performance não é boa, mas nesse caso como todo mundo tocou tão bem que não tem porque esconder nada.

Thiago Oliveira
João Messias Jr.
NHZ: Thiago, existe alguma diferença em se produzir a própria banda?
Thiago Oliveira: Existe. É bem complicado. No meu caso eu escrevi as letras, fiz os arranjos, programei os sintetizadores, fiz as partes de orquestra, eu estava do lado em todos os estágios do processo e foi bem desgastante, ainda mais porque não é o trabalho de outra pessoa. È o seu próprio. Na época, eu tocava no “Cabaret”, musical da Claudia Raia, então muitas vezes eu ia gravar as minhas partes de madrugada depois de tocar duas sessões de duas horas no teatro. Então eu tinha que tocar e pilotar a gravação ao mesmo tempo depois de ter tocado antes. Tirando isso, como todo mundo já tinha bastante experiência tocando e gravando foi bem fácil. Em certos momentos eu até não falava muito e deixava a pessoa colocar a própria marca, porque afinal de contas é para aquilo que tem o outro cara na banda certo?

NHZ: Outro aspecto interessante é olhar que quase todos os membros contribuem nas canções. Sendo você o único membro original Tiago, como é ter esse tipo de contribuição de músicos que de certa forma não estavam familiarizados com o estilo do grupo?
Tiago Claro: Eu nunca coloquei para qualquer novo membro da banda que o som teria que ser desse jeito ou daquele. Mas claro, os que entram ou entraram sabem que tocamos heavy metal e dentro disso podemos explorar diversos estilos então acho que fica fácil para eles se adaptarem ao som do Seventh Seal.

Thiago Oliveira: Acho que eu não teria entrado na banda se o outro Tiago fosse um daqueles caras bitolados. Eu percebi é que sempre chegava alguma banda me convidando e era sempre o mesmo papo “queremos fazer um som estilo a banda X”. Na boa, se a banda consagrada já existe, porque perder tempo tentando fazer o que eles já fazem?

O trabalho foi lançado pela Shinigami Records, gravadora que vem prestigiando o metal nacional em seus lançamentos, como o novo do Panzer e Skinlepsy. O que os motivaram a assinar com eles?
Tiago Claro: Na verdade, eles foram ao show que nós abrimos pro Orphaned Land e pelo o que me disseram, gostaram do nosso show. Entrei em contato e eles se interessaram, então acertamos essa parceria. Mas claro que antes disso algumas bandas já haviam me falado do trabalho sério e honesto que eles fazem.

NHZ: Apesar do pouco tempo de seu lançamento, o que estão achando das primeiras resenhas do trabalho? Alguma em especial chamou a atenção da banda?
Tiago Claro: Estão ótimas, geralmente nós absorvemos muito bem as resenhas. Claro que ficamos muito mais felizes quando é positiva, óbvio (risos). Mas o legal é saber distinguir a critica construtiva para tentar melhorar ainda mais. Todas foram excelentes.

NHZ: Vocês optaram por fazerem poucos shows. Essa postura foi por não terem um disco novo para divulgar e agora com o CD lançado, pretendem mudar isso?
Tiago Claro: Ah sim com certeza nossa ideia é fazermos mais shows. Claro que depois de 18 anos de banda, precisamos de um mínimo de estrutura para fazer um show legal para nosso público, mas geralmente os produtores tem nos elogiado pela forma que trabalhamos. Isso é muito bom (risos).

Thiago Oliveira: Como a banda esteve muito ocupada com o CD nos últimos meses, a gente só pegou pra fazer os shows que a gente sentiu que seriam boas oportunidades. Agora com o CD em mãos, vamos fazer mais.

Recentemente vocês fizeram a abertura para o grupo canadense Anvil, banda que teve um “up” na carreira após ter sua trajetória num documentário. Queria saber se vocês já viram o filme e se de certa forma o mesmo encoraja a banda a seguir em frente, mesmo com todos os percalços.
Tiago Claro: Vimos o filme 63 vezes, tá bom (risos)? Brincadeira, mas eu particularmente vi varias vezes. Um lance muito legal que quando nós fomos para a Europa, o Thiago chegou em um dos ensaios que antecederam a tour e levou o filme e disse: "preciso mostrar isso a vocês". Dai assistimos juntos e foi a mesma reação de todos. Enfim esse realmente é um dos melhores filmes de rock que já vi e muita coisa o que eles passaram ali eu já passei também. Acho que as bandas iniciantes deveriam assistir para ter noção que nem tudo são maravilhas, a dificuldade no meio é gigante, infelizmente.

Thiago Oliveira: Por causa daquele filme, eu entrei no avião pra Europa morrendo de medo de ter problemas na tour, ainda bem que deu tudo certo. Mas a vida de banda é cheia de altos e baixos mesmo. Eu tocava numa orquestra de musical e trabalhava na equipe o diretor do documentário que está sendo feito sobre o Sepultura e ele comentava que até com eles a coisa é assim. Se é assim pro Sepultura, que é icone, imagina pra gente?

NHZ: Para encerrar, queria a opinião de vocês sobre o que acham da
Leandro Caçoilo
João Messias Jr.
  cena do metal nacional e o que pode ser melhorado.
Tiago Claro: A cena mudou muito nos últimos anos. Acho que a quantidade enorme de shows internacionais deu uma quebrada. Mas isso poderia vir ao nosso favor que era tendo bandas nacionais nas aberturas, mas infelizmente tem muito produtor que só pensa em dinheiro e falam que banda de abertura dá trabalho. Já ouvi isso varias vezes, é triste. Ao mesmo tempo, se você quiser fazer seu show em um bar, irá concorrer com uma banda gringa na semana e terá que ouvir aquela desculpa do publico que não tem dinheiro porque foi ver aquela banda do exterior e tal. Outro dia eu estava falando com uns amigos que falaram o seguinte: "Eu só vou a show de bandas nacionais quando eu quiser ir, eu apoio a cena quando eu quero. Se eu quiser pagar 200 pra ver a banda gringa eu vou e pronto" então muita gente pensa assim, só não falam, esses foram mais verdadeiros (risos). Acho que não adianta fazer discurso de apoio a cena e etc, não resolve mais. O lance é contarmos com aqueles que querem fazer algo realmente, então eu não tenho mais nada a falar, só agradecer todos amigos que vem nos acompanhando todos esses anos.

Thiago Oliveira: Olha, o lance da cena é bem complicado. São uma série de fatores que contribuem pras coisas estarem do jeito que estão e é uma questão que tem os dois lados.
Na boa, se eu escuto uma banda nacional ruim, ou sem criatividade eu também não vou querer saber. Tem muito jabá rolando em cima de banda mediana, então aparece quem paga, ou quem tem contatos e amizades no meio e eu acho que isso meio que queima um pouco a cena. Porque se a banda que aparece é ruim ou não acrescenta nada, quem vê tem uma imagem distorcida do underground. Aí muito fã reclama que se tenta enfiar goela abaixo certas bandas e eu concordo com isso. Tem muita banda que reclama, mas eu vi o Top 5 das vendas da Die Hard outro dia e 4 dos Cds eram de bandas nacionais, tinha o Viper, o Kernunna, o novo do Almah e mais outro que eu não lembro. Acho que quando o trabalho é bom o público reconhece. Não adianta você ir lá e copiar quem quer que seja e esperar que o público daquela banda animal, que tem uma porrada de CDs lançados e uma puta carreira vai querer comprar o seu.
Por outro lado rola um preconceito do público daqui com a cena local. Essa postura por parte de muitos fãs acaba sendo injusta para uma banda como,por exemplo, o Dynahead, que é super original e de qualidade. Aí muitas vezes você vê uma banda de fora, que toca só em muquifo na gringa e aqui é idolatrada igual a rock star.
O que a gente vê lá fora é que existe cena underground  igual aqui, com a diferença que as casas de show tem mais estrutura. E no exterior, do mesmo jeito que tem bandas muito boas, rola porcaria também. Tem que ficar esperto que os gringos também tentam empurrar porcaria e tem jabá lá fora também.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Tiago Claro: Muito obrigado a você João, batalhador da cena nacional e todos nossos amigos e admiradores que nos apoiam, vocês são a razão de continuarmos na batalha. Vejo vocês nos nossos shows. Valeu!

Thiago Oliveira: Valeu pessoal! Espero que vocês embarquem na nossa viagem e espero conhecer vocês pessoalmente na estrada!

11 de novembro de 2013

UGANGA: CELEBRANDO UMA DÉCADA VITORIOSA

Quinteto mineiro comemora boa fase com o lançamento de seu novo trabalho, o álbum Eurocaos Ao Vivo

Por João Messias Jr.

Neste ano de 2013, fazem dez anos do lançamento do primeiro álbum dos
Eurocaos ao Vivo
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mineiros do Uganga, Atitude Lotus. De lá para cá muita coisa 
mudou, desde a formação, que hoje conta com Manu Joker (voz), Christian Franco e Thiago Soraggi (guitarras), Raphael "Ras" Franco (baixo e voz) e Marco Henriques (bateria e voz) até o direcionamento, que embora mantenha as experimentações, o quinteto se caracterizou pelo thrash visceral, que possui um tempero crossover, que teve como ponto alto seu terceiro disco, Vol 3: Caos, Carma, Conceito, de 2007.

Comemorando a boa fase, a banda lança o CD Eurocaos Ao Vivo, que como o nome sugere se trata de um registro da primeira tour europeia e retrata com fidelidade o que é uma apresentação nos palcos. Não espere por overdubs e outros "fru-frus", o negócio aqui são cinco caras com sangue nos olhos quebrando tudo. 

Antes do massacre, a intro Kali Yuga prepara o terreno para Asas Negras, do já citado disco dos "3Cs", que por sinal foi a base do disquinho. É interessante citar a coesão das cordas, que sem malabarismos mandam riffs e graves que farão a alegria daqueles que curtem a fusão de thrash com HC. 

Só que os vocais de Manu que podemos considerar um diferencial, pois possuem identidade própria e soam como uma voz de comando, como na genial Meus Velhos Olhos de Enxergar o Mal e Sua Lei, Minha Lei (dedicada aos nossos homens da lei) e Fronteiras da Tolerância. Só que não para por ai, pois o trabalho tem dois bônus que agradarão em cheio aos diehards: Troops of Doom (Sepultura) e Nightmare (Sarcófago, banda da qual o vocalista fez parte).

Além do repertório ao vivo, temos outros atrativos, como os bonus tracks gravados aqui no Brasil, como os tributos ás bandas Stress (Não Desista) e Desespero (Pastel de Miolos), sintetizando bem as influências da banda, além da experimental Antwerpen Pub, que faz uma conexão com a primeira fase do grupo. Junto com essas canções temos uma porção multimídia com videos e músicas em MP3 e MP4. Ah! Não tirem o disco do aparelho após a última faixa!

Só que os caras não se preocuparam apenas em tocas, pois a embalagem do trabalho é muito bonita, com um slipcase, encarte com todas as informações, além de um livreto que é uma espécie de diário de bordo, que serve como um alerta para aqueles que pensar que uma banda em tour na Europa vive de glamour.

Quando eu disse teve, pois tem muito mais por vir, pois mal saiu Eurocaos, o grupo anunciou o novo trabalho, que já tem nome: Opressor!

Aguardamos ansiosos pela nova pedrada dos mineiros.

8 de novembro de 2013

AÇÃO DIRETA: MANTENDO A FÉ E MATANDO LEÕES

Instituição da música pesada do ABC celebra Jubileu de Prata com apresentação bombástica no SESC

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Gil Oliveira

Quantas bandas você conhece na cena independente que continuam firmes e
Ação Direta
Gil Oliveira
fortes aos 25 anos de vida, produzindo cada vez mais e melhor? Se você pensou no Ação Direta, acertou em cheio. 

Atualmente formada por Gepeto (voz), Pancho (guitarra), Galo (baixo) e Marcão (bateria), o quarteto possui entre álbuns de estúdio, ao vivo e participações em coletâneas, mais de 20 registros. 

De todo seu acervo, um dos destaques é o seu álbum mais recente, World Freak Show (2012), que mostra uma banda madura, agressiva sem esquecer as origens.

Para celebrar o melhor momento da carreira, a banda comemorou seus 25 anos com uma apresentação no SESC Santo André, no dia 26/10 (sábado), local já recebeu grandes nomes como André Matos, Korzus, Hangar, Almah, Krisiun, Diáfanes, Matanza, Shaman, entre muitos outros. O show fez parte do projeto Estúdio 7 Cidades, iniciativa que no período de 26/10 até 5/11, abriu espaço para grupos com longa trajetória e em inicio de carreira.

O show

Passado um pouco das 20h, a banda adentrou ao palco e iniciou sua apresentação com Forced Needs, de World Freak Show. Mas o repertório não ficou preso ao presente. Os caras fizeram um bate e volta com Sangue Derramado, de Baseado em Fatos Reais (1994), Zeitgeist do disco mais recente e Fatalidades, de Entre a Benção e o Caos (1997). Era visível ver o sorriso do quarteto após cada música apresentada com a resposta do público a cada canção.

Ação Direta
Gil Oliveira
Sob Outros Céus antecedeu a participação especial do vocalista Parmito (Forbidden Ideas), que é irmão do baixista Gallo e juntos mandaram Crueldade, de Revolta/Repúdio/Confronto/Resistência (2004).

Outros clássicos foram destilados para os presentes como Dias de Luta, Convictions e Parte de Uma Geração.  Desculpem os saudosistas, mas WFS é o disco mais maduro dos caras, e sons como Caspa do Diabo, La Fiesta e a faixa-título mostram os melhores trabalhos de bateria e guitarra da história da banda.

Infelizmente o show chegava ao fim com Entre a Benção e o Caos, Pesadelo e Useless Complex, que finalizou esse ótimo concerto. Além da performance destruidora da trupe, foi muito legal trombar com o pessoal da cena, desde os manos do rolê até os membros de bandas como Necromancia, Transfixion, Chaoslace e Necromesis, mostrando o respeito que o Ação Direta tem por aqui.

Apesar de ter um público bom, a casa merecia estar empanturrada de gente, pois independentemente de ter tido eventos simultâneos rolando, desde GBH até Guilherme Arantes, temos de valorizar mais nossas bandas.

Embora seja clichê encerrar dessa forma, é a maneira mais usual de encerrar essas linhas: Parabéns Gepeto, Marcão, Pancho e Galo, que venham mais 25 anos!

7 de novembro de 2013

HELLARISE: DESORGANIZANDO A ORDEM

Functional Disorder, novo trabalho da banda aposta num som mais brutal e certamente irá  figurar entre os melhores trabalhos de 2013

Por João Messias Jr.

Functional Disorder
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Sim, isso mesmo! O que o quarteto paulista HellArise fez com o coitado deste que escreve essas linhas é desumano. Quando o João Messias pensou que já teria uma base em escolher os melhores discos do ano, a banda lança seu novo trabalho, que vai me render uma dor de cabeça das bravas.

Qual o motivo da enxaqueca? Simples! Functional Disorder, novo EP do quarteto acabou de entrar na entrou na minha lista. As remanescentes Flávia Morniëtári (voz), Mirella Max (guitarra) recrutaram para essa nova empreitada o baixista Kito Vallim e o baterista Felippe Max e juntos criaram algo brutal, pesado e virtuoso.

O massacre começa com More Mindless Violence (também escolhida como primeiro clipe), é daqueles sons que merecem ser levados ao palco, pois é dona de muita energia, além de uma levada perfeita para o banging.

I don’t Believe é mais cadenciada e é comandada pelos riffs de Mirella, que apesar de todo o peso presente, recebe bem vindas influências do metal tradicional e do hard rock. More than Alive é lenta e possui um contraponto interessante dos vocais e guitarra, em que as seis cordas soam como uma segunda voz.

O massacre volta com a faixa que batiza o trabalho, que soa como um grito de guerra, com destaque para o trabalho de bateria, pesado e constante, além de solos inspirados.

Rest in Pieces (Good Old Feeling), a saideira do EP começa com riffs brutais e vocais vociferados, mas, em seu decorrer, recebe andamentos mais trabalhados e melódicos, vozes experimentais e volta pra porradaria, lembrando grupos como Forbidden e Exodus, ou seja, não estão para brincadeira.

Além das músicas, três fatores fazem do trabalho obrigatório aos fãs de boa música: produção moderna, que lembra as de caras como Andy Sneap combinou perfeitamente com o som do grupo que com certeza tem tudo para brilhar nessa nova fase. Os vocais de Flávia, que vão naquela linha mais crua, com berros esganiçados e o trabalho das seis cordas de Mirella, de muito bom gosto.

Se todas as enxaquecas e dúvidas fossem por motivos como esse, ficaria maluco e com dor de cabeça o ano todo.

O disco, que (infelizmente) não saiu em versão física pode ser ouvido na íntegra no site abaixo.

6 de novembro de 2013

ZÊNITE: SEM FRESCURAS

Quinteto faz um som que tem como base o death metal praticado nas décadas de 80/90

Por João Messias Jr.

Following the Funeral
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Numa cena que anda tão bonitinha, com lançamentos bem produzidos e fotos posadas, nada melhor do que ouvir um disco que nos remete aos primórdios do estilo: direto e sem frescuras, como o novo trabalho do Zênite.

A banda foi fundada nos anos 80 no Pará e após uma pausa nas atividades e radicada em São Paulo apresenta seu terceiro álbum full, sugestivamente chamado de Following the Funeral. 

Atualmente formada por Marcelo Histeria (voz), Wellington Tiburcio e Paulinho Cruz (guitarras), Luiz Lobato (baixo) e Sandro Maués (bateria), o quinteto bebe na fonte daquele death metal crú e direto praticado nos anos 80/90, que fará a alegria de quem curte Vulcano e a cena mineira deste período. Só que algumas coisas fazem que o disco não seja apenas mais um na multidão. Além da pegada citada, a banda enxerta (de propósito?) algumas referências dos mestres Black Sabbath (principalmente) e Alice Cooper, o que garante personalidade ao trabalho.

Vamos falar um pouquinho das músicas. A abertura com Blood já escancara a influência da trupe comandada por Tony Iommi com seus riffs lentos. Mas logo a canção descamba para o death dos primórdios.

A parte mais porrada fica por conta de Worms of the Hate, Return the Devil e Death to the Dawn, que estão estrategicamente em pontos distintos do disco para que o trabalho não soe enjoativo ou repetitivo. Outros destaques ficam para os riffs na cara de Tears of Horror e as passagens mais cadenciadas da faixa-titulo e de Last Home que podem trazer a lembrança o Cathedral.

Há algumas linhas acima, falei dos pontos estratégicos. E assim eles deixaram o melhor para o final com Cursed Cemetery, que começa como um hino de guerra, conduzida pela bateria, ganha passagens velozes, outras cadenciadas e vocais mais esganiçados, que fazem vir na cuca a Tia Alice. A produção não é esmerada e brilhante como as atuais e apenas é o pano de fundo para que os caras mostrem seu som, o que aqui é positivo.

Com tantos trabalhos que soam artificiais e sem vida, não há nada mais gratificante do que ter em mãos e poder escutar um disco que tem “apenas” cinco caras que plugam instrumentos e microfones e mandam ver,

5 de novembro de 2013

WAEL DAOU: "NO LÍBANO, O ROCK E O METAL ERAM PROIBIDOS"

Aqui no Brasil, graças a sua divindade cultural e musical é possível no mesmo evento musical reunir diversas tribos, seja ela formada por emos e diehards. Agora, algo impossível de se imaginar para nós ocidentais é não podermos manifestar a nossa devoção ao estilo que curtimos. 

Essa foi uma das experiências que o nosso entrevistado, o guitarrista paraense Wael Daou teve na temporada em que viveu no Líbano. Foi reunindo referências da música oriental, fusion, progressivo e metal que o músico concebeu o seu primeiro trabalho, o EP Ancient Conqueror, que como o título diz, fala dos grandes conquistadores da história mundial como Attila e Genghis Khan.

Nesta entrevista, Wael fala da concepção dos temas do trabalho, a vida no Oriente Médio e até de grupos como Orphaned Land.

Confiram.

Por João Messias Jr.

Ancient Conquerors
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NEW HORIZONS ZINE: Wael, antes de falarmos do seu trabalho, conte-nos quando começou seu envolvimento com a música e como foi chegar na guitarra.

Wael: Meu interesse pela musica veio desde bem pequeno, entre 5 e 6 anos de idade. Mas somente quando meu tio morou um tempo em casa que tive contato com o mundo do rock e metal. Não demorou muito pra eu virar fã de Metallica e sonhar em tocar suas musicas na guitarra.

NHZ: Você chegou a tocar nas bandas Madame Saatan e Alma Cog. Como foi tocar nesses grupos e o que te proporcionou em termos de aprendizado.
Wael: Morei no Líbano dos 11 aos 17 anos de idade. Logo que eu voltei ao Brasil  estava doido pra entrar em uma banda, foi quando me avisaram do Madame Saatan, até então um estilo novo pra mim. O grupo tinha uma pitada de regionalidade nas musicas e ritmos brasileiros o que me abriu os olhos pra musica brasileira.

Já o Alma Cog foi idealizada logo após a minha saída com um intuito de mesclar o metal com o jazz. Cada membro da banda tinha uma vivencia diferente e gostos musicais bem distintos, isso gerou um resultado musical bem peculiar.

Wael Daou
Raoni Joseph
NHZ: Daí após um período no Líbano, você retornou ao Brasil e iniciou seu projeto solo, que tem como primeiro trabalho o EP Ancient Conquerors, que passeia pelo rock, metal, progressivo e fusion. Como desenvolveu essa sonoridade?
Wael: Sempre tive poucas influências musicais. Ao contrario do que pensam,  eu escuto pouca musica! Quando comecei a tocar, percebi que sempre eu acaba soando como alguém, apesar disso ser inevitável, eu não queria deixar isso tão obvio. 

Percebi que todos os nossos ídolos foram influenciados por alguém ou algo, então comecei a ir atrás da fonte de tudo isso, assim cheguei na musica clássica e no jazz. Foi quando eu me achei musicalmente, eu queria mesclar a agressividade do metal, com a leveza da musica clássica e a harmonia do jazz.

NHZ: Falando nesse país, diga-nos como é a cena de rock/metal no pais e se há algum grupo de destaque.
Wael: Na época que morei no Libano o rock/metal eram proibidos. Não existia uma cena forte porem, as poucas bandas que tinham no país eram unidas. Fazíamos shows escondidos e fugíamos da policia (risos), depois que a proibição acabou, teve um boom incrível no país, e as influencias que existem no sangue do povo árabe são incríveis. Milênios de historia e cultura transpassam na musica da região. Posso destacar no meio do metal alguns músicos como Elias Njeim, Sevag Hadjiam, Bilal Wehbe, e Omara Khaddaj.


NHZ: Um grupo do Oriente Médio que se destaca por aqui é o Orphaned Land, que se apresentou no país nesse ano. A banda israelense chegou a ser uma referência no seu trabalho?
Wael: Pra você ver como a musica une os povos! Todo o bom metaleiro no oriente médio já ouviu o Orphaned Land (risos). Conheci a banda há uns 10 anos e lembro muito bem o que eu pensei: ”Eles conseguiram !!!”.

Pra todos nós eles levantam a bandeira do estilo no mundo e somos felizes por isso. Existem dezenas de bandas tão boas quanto e que ainda estão galgando o mesmo caminho, e tenho certeza que chegarão tão longe como eles.

NHZ: O EP possui uma temática interessante, baseada nos grandes conquistadores de nossa história como Attila e Genghis Khan. Qual a inspiração para criar as canções? Chegou a fazer um trabalho minuncioso de pesquisa?
Wael: Eu queria recriar na musica um pouco da personalidade que cada conquistador tinha. Então, fiz uma pesquisa de como eles chegaram na sua ascensão, como eram suas táticas de guerra, e como eles tratavam seus inimigos. Alguns não tiveram que travar batalhas para alcançarem grandes conquistas. Demorou algum tempo para recriar  na musicas, as cenas que vinham em minha mente ao ler sobre os feitos desses homens, mas valeu a pena. No CD, encontrarão musicas rápidas densas e caóticas, outras melódicas e calmas, sempre com um toque épico no meio.

NHZ: Outra influência que aparece bastante é a new age nas canções, como em Attila the Hun. O que acha de artistas como Kitaro e Yanni?
Wael: Kitaro e Yanni são lendas vivas, porem Atilla foi inspirada na Obra de Dvorak Sinfonia Nº. 9 em Mi menor (Op. 95) “Sinfonia do novo Mundo” que pra mim é uma das musicas mais belas da historia.

NHZ: Wael, qual sua opinião para o mercado da música instrumental hoje?
Wael: A musica instrumental no Brasil ainda não é tão valorizada assim, ainda mais metal instrumental, (risos). Porém, a nível mundial existe um publico fiel,  fanático por isso e gravadoras especializadas no estilo. A música instrumental abre portas diferentes no mercado da musica, muita gente que nunca ouviu metal comprou meu CD, pela temática, harmonia, e comentam “ as partes pesadas tiram meu stress” (risos). Mas tenho certeza que se tivesse um gutural ali no meio, essas pessoas não iriam gostar. Para uma mente criativa, a musica instrumental não tem inicio meio e fim, ela é infinita e a cada dia ela representa algo diferente para o ouvinte.

Wael Daou
Raoni Joseph
NHZ: Interessante que você usa uma guitarra de oito cordas, o que fará o ouvinte imaginar que seja um trabalho na linha Meshuggah, mas vai num sentido oposto, sem dissonante e afinações super baixas. O que te motivou a usar esse tipo de instrumento para o trabalho.
Wael: Já se usa violões de sete cordas ha muito muito tempo na musica erudita. A minha ideia de um instrumento de oito cordas é a harmonia e não somente o peso, eu pensei “Porra, beleza agora minha guitarra virou quase um piano!” (hehe) . Então tomei proveito disso e usei as opções adicionais de oitavas e inversões de acordes para encorpar melhor nas musicas a temática do CD. 

NHZ: Para encerrar, vou citar alguns guitarristas e queria sua opinião sobre eles: John Petrucci, Jason Becker, Kiko Loureiro e Marty Friedman.
Wael:
Jason Becker: O melhor!
Marty Friedman: Feeling e musicalidade!
John Petrucci: Técnica e musicalidade,
Kiko Loureiro: Levou o nome do Brasil para o mundo da guitarra rock mundial.

NHZ: Obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem aos leitores desta publicação.
Wael: Ajude sua cena e sempre se aprimore no estudo do seu instrumento. Não existe sorte e sim  oportunidades. Para aproveita-las, temos que estar preparados.

4 de novembro de 2013

ARTHANUS: NASCE UMA GRANDE BANDA

Formada por músicos experientes, quinteto desenvolve sonoridade baseada no Viking Metal com nunaces do metal tradicional

Por João Messias Jr.

Asgard Palace
Divulgação
Formada em 2010 por veteranos da cena do ABC paulista e que já figuraram/
figuram por grupos como Hate for Revenge, Midnightmare e Decried, o quinteto Arthanus mostra que em pouco tempo (pouco mesmo) estará entre as bandas mais curtidas pelos fãs de metal.

Os caras ficaram três anos lapidando esse EP, que carrega o nome de Asgard Palace. Pelo material apresentado aqui, essa espera foi mais do que compensada. Unindo elementos do death, black, thrash e metal tradicional, a audição desse trabalho, que graças ao peso, soa como um rolo compressor, principalmente pelos vocais variados de Thiago e as seis cordas de Wotan e Fellipe, que passeiam pelos estilos citados acima sem fazer feio em nenhum deles, como em Ode to My Enemies. Ainda sobre essa faixa, ela possui momentos gélidos e extremos, que lembra muito bandas como Bathory e Venom.

As canções possuem média de cinco minutos e, graças ao talento dos envolvidos, não soam chatas e não dão aquela vontade de apertar o stop ou o forward. Já a faixa-título faz uma espécie de apresentação da banda, com momentos que privilegiam todos os instrumentos, com destaque para a bateria de Rogério “Quércia” Luque, unindo levadas mais cadenciadas e pesadas, mostram que para impor respeito não é necessário fazer o estilo “metranca”. Pelo trabalho apresentado, já faz por merecer estar entre os melhores do país.

Só que o melhor ficou para o fim. Legion of Gods começa com as guitarras inspiradas no metal tradicional com bases fortes e intensas que soam como vocais de apoio, remetendo o ouvinte para as batalhas épicas de filmes como Conan e Coração Valente. Vale avisar que ao vivo o som dos caras ainda é mais forte e intenso.

Quando esses caras chegarem ao topo, vou sentir muito orgulho de ter resenhado o até então primeiro trabalho da banda.
www.arthanus.com

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