Mostrando postagens com marcador Ataque Extremo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ataque Extremo. Mostrar todas as postagens

1 de dezembro de 2015

SONHADORES DA CENA EXTREMA

Nova edição do festival Ataque Extremo contou com as bandas Reffugo, Justabeli, Blackning e Chemical Disaster

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Patricia Amorim Flavera

Muitos chamam de sonhadores, outros de loucos e poucos de vagabundos, mas a verdade é uma só, que nunca foi e nunca será fácil apoiar/montar um evento destinado ao metal no Brasil, salvo algumas exceções.

Assim podemos falar do “Ataque Extremo”, que há anos dedica um espaço para bandas desse segmento aqui no ABC paulista e nessa atual edição, realizada no dia 3 de outubro, trouxe aos presentes o melhor do submundo extremo, com as bandas Reffugo, Justabeli, Blackning, Bloody Violence e os santistas do Chemical Disaster.

Inicialmente no Cidadão do Mundo, atualmente o evento acontece na Troppo, localizada no centro de São Caetano do Sul, que apesar de bem diferente da primeira casa, mantém o charme e as características para receber eventos do estilo.

Justabeli
Patricia Amorim Flavera
Por motivos logísticos acabei perdendo o show do pessoal do Reffugo, uma pena. Já se passavam das 23h30 quando o Justabeli iniciou seu set. Com uma nova formação, que além de War Feres (voz e baixo) hoje é composto por Julio Blasphemer (guitarra) e Morbus Deimos (bateria) deram continuidade na divulgação de seu novo trabalho, o álbum Cause the War Never Ends.

Os destaques ficaram por conta de Die In the War, a técnica Infected By Radiation e os ótimos solos de Divine Fall, numa ótima apresentação, que foi marcada pela coesão, além de evidenciar que a atual formação vai muito bem obrigado.

Blackning
Patricia Amorim Flavera
Do death/black rumamos ao thrash com o Blackning. E para quem ainda não conhece o trio formado por Cleber Orsioli (guitarra e voz), Francisco Stanich Jr. (baixo e voz) e Hellvis Santos (bateria) está perdendo tempo, ainda mais se for fã do thrash brazuca praticado nos anos 90 (Sepultura, Overdose, Korzus). 

Em um set curtíssimo, mandaram músicas do debut, Order of Chaos, de 2014 que teve como pontos altos The Will Be Done, Death Row e Unleash Your Hell. Vale citar que além da pegada ‘brazilis’, o que chama a atenção é o groove inserido nas canções, que as deixam especiais, além de diferenciar o grupo de outros do mesmo estilo.

Já eram mais de 1h40 da madruga e o death metal retornava com a gauchada do Bloody Violence. Voltando de um giro na Europa, o trio formado a época por Israel Savaris (baixo e voz), Igor Dornelles (guitarra) e Eduardo Polidori (bateria) vai na vertente mais técnica e brutal do estilo, com destaque para as linhas de baixo e o uso da guitarra de oito cordas, cujas texturas são um atrativo a mais nas canções, como pudemos ouvir em Mother of the Dying, Colares UFO Clap e Born to Squirm. Ótima banda, cujo debut Divine Vermifuge merece um lugar na CDteca dos admiradores de música extrema!

Chemical Disaster
Patricia Amorim Flavera
Encerrando a noite tivemos os veteranos santistas da Chemical Disaster. Luiz Carlos (voz, Vulcano), Fernando Nonath (guitarra), Ricardo Lima (guitarra), Carlos Diaz (baixo) e Juca Lopes (bateria) agradaram em cheio os presentes com seu death metaal old school. 

Tudo permeado por um clima de descontração, como se fosse um encontro entre amigos, que respondiam batendo a cabeça em sons como When the Man Loses Fate, Soulsick, Canibalistic Greed e numa visceral versão para Black Metal (Venom). Seco, letal e mortífero, como um show de death metal deve ser!

Nem tudo foram flores

Esse é o ponto chato desse texto. Embora a noite tenha sido agradável, com ótimas apresentações de todos os grupos, nem tudo foi 100% nessa noite. Apesar do som não estar as mil maravilhas (o que gerou a insatisfação do pessoal do Bloody Violence), o que é triste ver é o pouco público em eventos destinados ao metal no ABC.

O que faz vir a mente o seguinte questionamento...pra que bolar iniciativas destinadas ao estilo já que as pessoas preferem ficar em casa ou ouvindo as mesmas músicas que fizeram sucesso há 30, 40 anos atrás?

Assim, não há sonho ou ideal que resista a tanta falta de interesse (ou burrice)?


20 de maio de 2014

ALIANCA HEADBANGER: A PRIMEIRA DE MUITAS EDIÇÕES

Edição de estreia do evento foi realizada no 74 Club, em Santo André e contou com as bandas Forkill, HellArise e Necromesis

Por João Messias Jr.

Forkill
João Messias Jr.
Em uma entrevista, o saudoso Ronnie James Dio disse que as bandas de sua época faziam de tudo para sair dos pequenos clubes e quando fui fazer essa resenha justamente essa matéria me veio na lembrança. Entendo os pontos de vista do saudoso baixinho, pois assim como num emprego, todos querem crescer e se estabelecer. Por outro lado, se não houver os devidos cuidados, o calor humano, a espontaneidade e a energia vão para o vinagre e a coisa acaba virando um emprego comum, em que muitas vezes você está nele apenas pela grana.

Por essas e outras, que apesar de cobrir shows maiores, algo que me motiva e dá prazer são os eventos pequenos e bem organizados, que nos fazem ver de forma clara e sincera que a base da cena está firme e forte, contrariando as pessoas que  dizem que o rock morreu. E um desses eventos que embora novos, como o Aliança Underground, que em sua primeira edição mostrou promissores valores da música pesada. Fruto de uma parceria entre a Warlock Produções e a Ataque Extremo, o festival e realizado no 74 Club, reuniu neste último sábado (17) as bandas Forkill, HellArise e Necromesis, este último responsável pelo pontapé inicial da festa.

Necromesis
João Messias Jr.
Conhecidos do público, Mayara Puertas (voz), Daniel Curtolo (guitarra e voz), Gustavo Marabiza (baixo) e Gil Oliveira (bateria) fizeram o que o público queria: um death metal variado, com nuances do technical, progressivo e partes brutais, evidenciados nos vocais de Mayara. Todas essas características podem ser notadas em The Life is Dead, que faz parte do novo EP do grupo, Echoes of a Memory. 

Com sua discografia se tornando mais extensa, a trupe não se esqueceu dos sons mais antigos e mandaram Building An Underworld e Demonic Source, esta da primeira demo, The Dark Works of Art, todos muito bem recebidas pela galera, formada por sua maioria amigos e conhecidos, o que é interessante e válido, pois não adianta nada você tocar bem e ser estúpido e arrogante com o público.

HellArise
João Messias Jr.
Já eram quase 21h quando a HellArise subiu ao palco. Após um período de incertezas devido às mudanças de formação, as remanescentes Flávia Morniëtári (voz) e Mirella Max (guitarra e backings) agora estão acompanhadas por Kito Vallim (baixo), Felippe Max (bateria) e o guitarrista convidado Diogo Rodrigues. Comemorando o lançamento da versão física do EP Functional Disorder, viabilizado pelo crowdfunding, mostrando que ainda sim o poder está em nossas mãos por meio dos financiamentos coletivos.

A banda, sem cerimônias e rodeios, mandaram o melhor do death/thrash sons do EP, como More Mindless Violence, More Than Alive e I don’t Belive, todas pesadas, fortes e intensas, com um plus. Pois o que você ouve no EP, ouve ao vivo, sem truques e maquiagens. O set contou com uma versão de Violent Revolution (Kreator), a faixa-título do disquinho, que une com harmonia o peso do thrash com as harmonias do metal tradicional. A grooveada Human Disgrace e Rest In Pieces (Good Old Feeling), essa com um belo trabalho das guitarras, cujos solos se aproximaram do hard rock. Agora é torcer para que finalmente as coisas aconteçam para o grupo, pois já o fazem por merecer.

Forkill
João Messias Jr.
Faltando dez minutos para às 22h, o Forkill mostrou o porquê de serem considerados um dos melhores grupos de thrash no Brasil. Joe Neto (guitarra e voz), Ronnie Giehl (guitarra), Gus “Guzzy” NS (baixo) e Mark Kosta (bateria) fazem um thrash agressivo e energético, soando como uma versão atualizada das bandas da Bay Area com um diferencial nas vozes, que possuem muito de Tank e Motorhead, o que casou bem aqui. Com um álbum devastador na praça, que recebe o nome de Breathing Hate, os caras não tiveram dó dos pescoços (e almas) dos presentes e mandaram sons como Vendetta, a faixa-título e The Joker, que infelizmente contou com alguns problemas na guitarra de Ronnie. Sanado o imprevisto, mandaram mais sons, como a slayerizada Wardance e as inéditas Old School e Let There Be Thrash, que mostram que não apenas a pegada fora mantida, mas ainda mais agressiva.

Os caras encerraram a noite com a “antiga” Brainwashed” e uma versão mais rápida e agressiva para Seasons In The Abyss (Slayer), que contou com o final de Raining Blood, fechando essa primeira edição do evento, que teve um balanço positivo, com bom público, som audível para os presentes e grupos de qualidade. Evidências presentes no evento, que promete soltar a segunda edição em breve.

PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...