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16 de maio de 2016

A TRILHA DE TODAS AS GUERRAS

A inserção de elementos mais trabalhados foi a aposta de Cause The War Never Ends, novo registro do trio paulista

Por João Messias Jr.

Cause The War Never Ends
Divulgação
Conhecido pela prática do War Metal, que numa definição simples é o uso da temática da guerra numa sonoridade mais oitentista, o Justabeli apontou uma nova faceta em seu segundo álbum, Cause the War Never Ends: momentos mais técnicos e trabalhados sem abrir mão da essência dos tempos anteriores.

E nessa nova proposta War Feres (baixo/voz), que teve ao seu lado Victor Próspero (guitarra/voz, ex-Necromesis) e Marcelo Furlaneto (bateria, ex-Centennial) fizeram um trabalho que além de superar as expectativas, marca um novo capítulo na história do grupo. 

Como ouvimos na faixa de abertura, Die In the War, cuja levada instrumental nos transporta para uma guerra. Clima presente também em A Face da Morte. Outro atrativo fica por conta das passagens mais trabalhadas, como podemos ouvir em Soldiers of Satan, Cause the War Never Ends e principalmente Infected by Radiation, que agradará em cheio aos fãs do Death.

As últimas faixas do trabalho dão um gostinho especial também. As oitentistas Divine Fall e War Crimes são boas opções para o "banging" enquanto Satan's Whores fecha bem o álbum. Além de ser a faixa mais obscura do disquinho, é dona de um vídeo no mínimo polêmico.

Além da parte musical, o recheio e a embalagem são outros atrativos. A produção de Marcos Cerutti/Victor Próspero e a masterização de Dan Swanö deixaram tudo claro e definido, além da bela e chamativa capa feita por Alan Rodrigues.

Hoje War Feres está acompanhado do guitarrista Blasphemer (Sardonic Impious) e do baterista Morbus Deimos (Kanvass) e essa formação já iniciou os trabalhos de um futuro trabalho

1 de dezembro de 2015

SONHADORES DA CENA EXTREMA

Nova edição do festival Ataque Extremo contou com as bandas Reffugo, Justabeli, Blackning e Chemical Disaster

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Patricia Amorim Flavera

Muitos chamam de sonhadores, outros de loucos e poucos de vagabundos, mas a verdade é uma só, que nunca foi e nunca será fácil apoiar/montar um evento destinado ao metal no Brasil, salvo algumas exceções.

Assim podemos falar do “Ataque Extremo”, que há anos dedica um espaço para bandas desse segmento aqui no ABC paulista e nessa atual edição, realizada no dia 3 de outubro, trouxe aos presentes o melhor do submundo extremo, com as bandas Reffugo, Justabeli, Blackning, Bloody Violence e os santistas do Chemical Disaster.

Inicialmente no Cidadão do Mundo, atualmente o evento acontece na Troppo, localizada no centro de São Caetano do Sul, que apesar de bem diferente da primeira casa, mantém o charme e as características para receber eventos do estilo.

Justabeli
Patricia Amorim Flavera
Por motivos logísticos acabei perdendo o show do pessoal do Reffugo, uma pena. Já se passavam das 23h30 quando o Justabeli iniciou seu set. Com uma nova formação, que além de War Feres (voz e baixo) hoje é composto por Julio Blasphemer (guitarra) e Morbus Deimos (bateria) deram continuidade na divulgação de seu novo trabalho, o álbum Cause the War Never Ends.

Os destaques ficaram por conta de Die In the War, a técnica Infected By Radiation e os ótimos solos de Divine Fall, numa ótima apresentação, que foi marcada pela coesão, além de evidenciar que a atual formação vai muito bem obrigado.

Blackning
Patricia Amorim Flavera
Do death/black rumamos ao thrash com o Blackning. E para quem ainda não conhece o trio formado por Cleber Orsioli (guitarra e voz), Francisco Stanich Jr. (baixo e voz) e Hellvis Santos (bateria) está perdendo tempo, ainda mais se for fã do thrash brazuca praticado nos anos 90 (Sepultura, Overdose, Korzus). 

Em um set curtíssimo, mandaram músicas do debut, Order of Chaos, de 2014 que teve como pontos altos The Will Be Done, Death Row e Unleash Your Hell. Vale citar que além da pegada ‘brazilis’, o que chama a atenção é o groove inserido nas canções, que as deixam especiais, além de diferenciar o grupo de outros do mesmo estilo.

Já eram mais de 1h40 da madruga e o death metal retornava com a gauchada do Bloody Violence. Voltando de um giro na Europa, o trio formado a época por Israel Savaris (baixo e voz), Igor Dornelles (guitarra) e Eduardo Polidori (bateria) vai na vertente mais técnica e brutal do estilo, com destaque para as linhas de baixo e o uso da guitarra de oito cordas, cujas texturas são um atrativo a mais nas canções, como pudemos ouvir em Mother of the Dying, Colares UFO Clap e Born to Squirm. Ótima banda, cujo debut Divine Vermifuge merece um lugar na CDteca dos admiradores de música extrema!

Chemical Disaster
Patricia Amorim Flavera
Encerrando a noite tivemos os veteranos santistas da Chemical Disaster. Luiz Carlos (voz, Vulcano), Fernando Nonath (guitarra), Ricardo Lima (guitarra), Carlos Diaz (baixo) e Juca Lopes (bateria) agradaram em cheio os presentes com seu death metaal old school. 

Tudo permeado por um clima de descontração, como se fosse um encontro entre amigos, que respondiam batendo a cabeça em sons como When the Man Loses Fate, Soulsick, Canibalistic Greed e numa visceral versão para Black Metal (Venom). Seco, letal e mortífero, como um show de death metal deve ser!

Nem tudo foram flores

Esse é o ponto chato desse texto. Embora a noite tenha sido agradável, com ótimas apresentações de todos os grupos, nem tudo foi 100% nessa noite. Apesar do som não estar as mil maravilhas (o que gerou a insatisfação do pessoal do Bloody Violence), o que é triste ver é o pouco público em eventos destinados ao metal no ABC.

O que faz vir a mente o seguinte questionamento...pra que bolar iniciativas destinadas ao estilo já que as pessoas preferem ficar em casa ou ouvindo as mesmas músicas que fizeram sucesso há 30, 40 anos atrás?

Assim, não há sonho ou ideal que resista a tanta falta de interesse (ou burrice)?


PASSANDO A MENSAGEM

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